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Envelhecer é sinônimo de pegar leve? Nada disso!

Glogo - Ciência Estudo de Harvard afirma que é indispensável se manter fisicamente ativo na velhice Todo mundo conhece as virtudes de se exercitar, mas poucos sabem como a atividade física se tornou parte da biologia humana, processo analisado por um grupo de pesquisadores da Universidade Harvard. De acordo com o estudo, a longevidade está associada ao fato de as pessoas se manterem ativas. Esta seria a chave para retardar a gradual deterioração do organismo e protegê-lo de doenças crônicas como as cardiovasculares, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer. “Há uma crença generalizada no Ocidente de que, à medida que envelhecemos, devemos desacelerar, fazer menos coisas e sair de cena. Nossa mensagem é o oposto: é ainda mais importante estar fisicamente ativo na velhice”, afirmou Daniel Lieberman, autor sênior do trabalho e especialista em biologia evolutiva. Homem em bicicleta: estar fisicamente ativo na velhice é um dos segredos da longevidade Pixabay A boa notícia para os sedentários que, só de ler o começo da coluna já começam a se lamentar, é que não precisamos agir como nossos antepassados caçadores-coletores, que gastavam mais de duas horas por dia em busca de alimento. Mesmo períodos curtos de atividade – dez ou 20 minutos diários – são suficientes para diminuir o risco de mortalidade. Os pesquisadores mostram que, além de queimar calorias, exercitar-se é algo fisiologicamente estressante, mas a resposta do corpo a esse impacto é torná-lo mais forte e resistente. Isso inclui a recuperação de fibras musculares, cartilagens e até microfraturas; e a liberação de antioxidantes e anti-inflamatórios na corrente sanguínea. “Como evoluímos para sermos ativos ao longo da vida, nossos corpos necessitam de atividade física para envelhecer bem”, resumiu Lieberman. Emendo com outra pesquisa, publicada no “BMJ Open”, que associa o trabalho doméstico a uma memória mais afiada e maior proteção contra quedas entre idosos. O estudo foi realizado com 489 pessoas entre 21 e 90 anos, divididas em dois grupos: um com participantes até 64 anos, classificado como o dos mais jovens; e outro com indivíduos entre 65 e 90, com idade média de 75. Todos responderam a um questionário sobre suas atividades físicas: domésticas, esportivas ou de lazer. Os pesquisadores também dividiram as atividades domésticas em dois tipos: leves (lavar louça, espanar móveis, fazer a cama e cozinhar) e pesadas (limpeza de vidros, varrer ou usar aspirador no chão, trocar a roupa de cama). Apenas 36% dos integrantes do grupo “jovem” e 48% do grupo idoso atingiam o nível recomendável de exercício através do esporte ou lazer; no entanto, o percentual subia para 61% e 66%, respectivamente para cada time, quando a avaliação se referia ao trabalho doméstico. Para quem não está totalmente convencido, aceno com um terceiro estudo: a atividade física pode levar a um cenário mais positivo para quem sofre de Doença de Alzheimer, porque diminui o nível de inflamação no cérebro. As micróglias são células do sistema nervoso central que têm função de vigilância semelhante à dos glóbulos brancos na corrente sanguínea: são ativadas para “enxotar” invasores. Entretanto, um excesso de ativação pode provocar inflamação e danificar os neurônios, mas o exercício é capaz de funcionar como um regulador para evitar que isso ocorra. O trabalho foi publicado na “JNeurosci”, revista científica da Sociedade para a Neurociência. Veja Mais

Congresso Brasileiro de Cardiologia enfatiza a importância da espiritualidade

Glogo - Ciência Sentimento de autoconhecimento e crença na possibilidade da autodeterminação levam a uma melhor adesão às orientações dadas pelos profissionais de saúde No domingo passado, uma das apresentações do 76º. Congresso Brasileiro de Cardiologia, que foi realizado virtualmente, me chamou atenção porque, embora o assunto não seja egresso dos compêndios de medicina, tem ganhado cada vez mais espaço nos consultórios: a espiritualidade. A primeira vez que o blog tratou desse conteúdo foi em 2016 e, de lá para cá, sua relevância só aumentou. De acordo com o cardiologista Fernando Nobre, um dos palestrantes, “a espiritualidade reforça o sentimento de autoconhecimento, autoconfiança e crença na possibilidade da autodeterminação, com uma visão positiva do mundo e do futuro que traz benefícios incontestes para uma melhor adesão às orientações dadas pelos profissionais de saúde”. E aqui não se está falando de religiosidade. O Gemca (Grupo de Estudos em Espiritualidade e Medicina Cardiovascular) a define como o “conjunto de valores morais, mentais e emocionais que norteiam pensamentos, comportamentos e atitudes nas circunstâncias da vida de relacionamento intra e interpessoal”. Ainda segundo o doutor Nobre, busca recente no PubMed, que fornece citações e artigos no campo da biomedicina, apresentou 1.757 estudos nessa área, sendo que 961 produzidos nos últimos cinco anos, o que dá a dimensão do interesse pelo tema. Espiritualidade: médicos a associam ao sentimento de autoconhecimento e à crença na possibilidade da autodeterminação, levando a uma melhor adesão às orientações dadas pelos profissionais de saúde Pixabay A cardiologista Lucelia Magalhães, professora da faculdade de medicina da Universidade Federal da Bahia, afirmou que abordar a questão deveria fazer parte da consulta de rotina: “são informações que integram a história psicossocial do paciente, por isso devem estar no fluxo normal da entrevista. É fundamental entender as crenças e a espiritualidade para identificar aspectos que interfiram nos cuidados à saúde. Dessa forma podemos avaliar a força espiritual individual, familiar ou social que permitirá o enfrentamento da doença”. Ela ressaltou que a conversa não deve ser pautada por nenhum juízo de valor, nem promover práticas religiosas. No entanto, apesar da importância de se levantar esse perfil no caso de doenças graves, crônicas ou de prognóstico reservado, ou nas intervenções terapêuticas de alto risco, a abordagem deve ser evitada em situações agudas ou de instabilidade. Há escalas para medir o nível de religiosidade/espiritualidade dos pacientes, como a Durel, FICA, Hope, Faith e Spirit. São perguntas que vão da frequência com que a pessoa vai à igreja ao tempo que dedica a atividades espirituais, como preces ou meditação – esta última, por exemplo, tem sido empregada com sucesso para auxiliar na redução da pressão arterial. Os estudos apontam para o peso de tais crenças e sentimentos na adesão e decisões relativas ao tratamento e, consequentemente, a um prognóstico positivo. Essa é mais uma indicação de que saúde não é simplesmente a ausência de enfermidade, e sim um estado de bem-estar físico, psíquico, emocional e social, como preconiza a Organização Mundial da Saúde (OMS). É por isso que não podemos perder de vista nossa estreita relação com o equilíbrio do planeta. A reboque do encerramento da COP26, a conferência do clima das Nações Unidas, especialistas alertaram que a previsão de ondas de calor intenso representa um enorme impacto na saúde cardiovascular. A publicação foi divulgada no “Canadian Journal of Cardiology” no dia 18 de novembro. Veja Mais

'O livro da Belle' é uma tocante jornada sobre o luto

Glogo - Ciência Carlos Alberto Sardenberg rende uma homenagem à mulher e não se furta a mostrar o doloroso processo de lidar com a perda “O livro da Belle: histórias de mulheres” é, na verdade, a jornada do luto do âncora e comentarista de assuntos econômicos Carlos Alberto Sardenberg. Belle é a psicanalista Cybelle Weinberg, especialista em transtornos alimentares e sua companheira desde 1995, que morreu em 2019, vítima de um agressivo câncer de mama. Hoje, ele vai lançar o livro em São Paulo; na terça-feira, no Rio. Será uma homenagem à mulher, mas também o fecho do longo processo de lidar com a perda. “Eu sabia o que Cybelle estava escrevendo. Ela me mostrou alguns textos, consultou sobre outros, discutiu projetos. Eu a via escrevendo no seu laptop e sempre arquivando num mesmo pendrive. Depois de sua morte, fiquei um bom tempo sem mexer em nada. Quando tive coragem de ler, fiquei encantado. Ela me apareceu inteira. Precisava publicar, por ela e por mim. Foi doloroso, prolongou o luto, mas quando o livro ficou pronto, me baixou uma estranha sensação: tristeza e alegria ao mesmo tempo. É como estou”, me descreve Sardenberg, com quem tive o prazer de conviver entre 2002 e 2016, quando dirigi a rádio CBN. Cybelle e Sardenberg abraçados Acervo pessoal Em 2010, diagnosticada com um câncer de mama com bom prognóstico de cura, fez questão de não desmarcar a festa dos seus 60 anos, que comemorou junto com a mãe, que completava 90: o convite, bem-humorado, fazia alusão a um aniversário de 150 anos! Eu estive lá e fui testemunha da alegria contagiante do ambiente. Belle e Sardenberg compartilhavam prazeres: viagens, boa comida, vinhos e os netos de um e de outro – não tinham filhos juntos – eram mimados por ambos sem distinção. Em 15 de fevereiro de 2017, um novo diagnóstico de câncer de mama, desta vez muito agressivo. Foram 2 anos e oito meses de cirurgias, quimioterapia, radioterapia e grande sofrimento físico. Foi também uma fase de viagens, consultório cheio e o lançamento do livro “Faces do martírio”, baseado em sua tese de doutorado e lançado sete meses antes da sua morte. Belle era assim: ação, movimento, vitalidade. Com o neto caçula, numa das últimas viagens do casal Acervo pessoal Sardenberg reuniu um mosaico: notas esparsas sobre o universo feminino, artigos, relatos sobre a doença que enfrentava e até o projeto para um livro sobre mulheres sem limites, que chamava de “excessivas”. Na primeira parte, “A segunda vida das mulheres” trata do poder da maturidade feminina. Reproduzo um trecho pelo qual me encantei e que se chama “Novas relações”: “Homens mais velhos atraídos por mulheres jovens: capacidade de reprodução delas. Fato novo: jovens atraídos por mulheres mais velhas não pela beleza, mas justamente pela experiência, pela arte da sedução, pela liberdade e risco zero de gravidez. Foi-se o tempo em que só o lobo comia a vovozinha... Mulheres na segunda vida: mais inventivas. Claramente diferentes da outra vida. Homens repetem a fórmula, casando-se novamente com mulheres mais jovens e tendo filhos. A segunda vida é mais intensa que a primeira, especialmente para as mulheres.” A última parte é “A história de Belle”, escrita por Sardenberg, que começa quando se conheceram: ele havia sido seu professor num cursinho de pré-vestibular. No início de 2019, diante de um quadro de metástases recorrentes, Belle perguntou a seu médico: “seja franco. No meu lugar, o que você faria?”. A resposta não deixava margem para dúvida: “eu fecharia o consultório, ia viajar, curtir as coisas de que você gosta”. Começou a transferir os pacientes para outros colegas e tinha planos de, no fim do ano, se mudar para a casa que tinham em Atibaia. Em setembro, o casal viajou para Paris. Em 14 de outubro, seu corpo perdeu a guerra para o câncer. Sardenberg colocou suas cinzas numa taça de Bordeaux e as espalhou ao pé das árvores que ela havia plantado, nas pedras do orquidário e na base da cascata do condomínio em Atibaia, onde tantas vezes os dois apreciaram o fim da tarde. Capa de “O livro de Belle” Reprodução Veja Mais

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Em busca de novas abordagens para o tratamento de demências

Glogo - Ciência Além da maconha medicinal, robôs pets melhoraram sintomas como ansiedade, agressividade e depressão dos pacientes Robô pet é testado como opção em novas abordagens para o tratamento de demências No domingo, a coluna abordou o potencial da medicina canabinoide no tratamento de diversas doenças. Hoje quero me dedicar às demências, porque o envelhecimento da população mundial vai fazer disparar o número de casos, principalmente em países de renda baixa e média – lugares onde adotar um estilo de vida saudável é mais desafiador. Receber um diagnóstico desse tipo de enfermidade talvez seja um dos maiores temores que qualquer um possa enfrentar, por isso é tão importante discutir diferentes formas de lidar com a questão. O pet robô responde aos carinhos: os gatinhos ronronam, miam, viram a cabeça e piscam para os idosos com demência Florida Atlantic University Digo isso porque me causou grande impacto reportagem investigativa do jornal “The New York Times”, publicada recentemente, sobre o alto percentual de idosos vivendo em asilos que eram medicados com drogas antipsicóticas: 21% deles usavam tais remédios. O mais perturbador era o fato de muitos estarem sendo diagnosticados, sem qualquer evidência, como portadores de esquizofrenia. O medicamento serviria para manter a pessoa sob controle – na verdade, numa espécie de camisa de força. É o que se chama de contenção química, uma violência que ganha contornos ainda mais dramáticos se levarmos em conta que antipsicóticos são perigosos para indivíduos com demência, dobrando o risco de problemas cardíacos, infecções e quedas. É verdade que pacientes com demência podem apresentar comportamento agressivo, desestruturando famílias e cuidadores, mas a utilização da maconha medicinal é um caminho para evitar outras drogas com tantos efeitos adversos. O assunto engatinha entre geriatras, neurologistas e clínicos, embora todos concordem que os mais velhos consomem um volume excessivo de remédios. A situação aumenta o risco de iatrogenia, que se caracteriza justamente quando a interação das substâncias que compõem diferentes medicamentos leva a um quadro de complicações. Médicos e familiares deveriam se aliar em busca da desprescrição de remédios e de opções da chamada medicina complementar, que inclui acupuntura e fitoterapia. No final de outubro, foi divulgada pesquisa sobre os bons resultados obtidos com pets robôs, melhorando o humor, comportamento e cognição de idosos com demência com sintomas como ansiedade, agressividade e depressão. Pesquisadores da Florida Atlantic University testaram a eficácia de robôs interativos de custo relativamente baixo com adultos que sofriam de demência de moderada a intermediária. Os participantes foram avisados de que os pets não eram animais de verdade, mas foram observadas reações como sorrisos e conversas carinhosas com os gatinhos – que foram devidamente nomeados por seus “donos”. “Como não há cura para a demência, nosso projeto oferece uma abordagem não farmacológica para lidar com os sintomas”, afirmou Bryanna Streit LaRosa, doutora em enfermagem e autora sênior do estudo. Pense em como você gostaria que seus entes queridos fossem tratados. Pense em como gostaria de ser tratado. Veja Mais

Nasa seleciona voluntários para dormirem de cabeça para baixo por um mês

Glogo - Ciência Os selecionados deverão comer, fazer exercícios e até mesmo tomar banho de cabeça baixa. "Isso faz com que seus corpos se adaptem como se estivessem no espaço", explica a agência espacial americana. Estudo da Nasa e Alemanha recruta voluntários para dormirem de cabeça para baixo. DLR (Agência Espacial Alemã) A Nasa, agência espacial americana, em parceria com a Agência Espacial Alemã (DLR, em alemão), começará a recrutar voluntários para um estudo sobre os transtornos de sono desenvolvidos em ambientes sem gravidade, como os vividos por astronautas. Os selecionados serão remunerados com 11 mil euros e precisarão dormir em uma cama inclinada. Chamado de "Nasa Bed rest studies" (estudos sobre repouso na cama, em tradução livre), a pesquisa teve início em 2019. Durante os testes, os voluntários precisam dormir por até 70 dias em uma cama inclinada a 6 graus, com a cabeça na parte mais baixa. Os voluntários "devem comer, fazer exercícios e até mesmo tomar banho de cabeça baixa. Isso faz com que seus corpos se adaptem como se estivessem no espaço. Eles são monitorados continuamente para que os pesquisadores entendam como seus corpos mudam e por quê. Os resultados permitem o desenvolvimento de medidas que ajudarão os astronautas em missões espaciais, bem como as pessoas acamadas na Terra", explica o site da Nasa. Veja mais: Como as astronautas lidam com a menstruação no espaço De fraldas e sem banheiro na SpaceX, astronautas retornam de estação espacial após 6 meses em missão Nesta fase da pesquisa, programada para acontecer durante o verão europeu de 2023, os testes irão durar 59 dias, sendo que em 30 deles os voluntários precisarão dormir na cama inclinada. De acordo com o Centro de Pesquisa de Medicina Aeroespacial, da Agência Espacial Alemã, local onde os testes ocorrerão, os voluntários devem ser saudáveis, ter entre 24 a 55 anos e estatura mínima de 153 cm e máxima de 190 cm. O pagamento de 11 mil euros pelos quase dois meses de testes deverão cobrir, segundo a agência alemã, todos os custos dos voluntários no período. Veja o que aconteceu com corpo do astronauta que deu mais de 5400 voltas na Terra Apesar de parecer empolgante contribuir com estudos da Nasa, a agência adverte os aventureiros: "Passar muitos dias na cama pode parecer ótimo, mas a maioria dos participantes concorda que o tédio se instala rapidamente. A rotina diária - tomar banho, vestir-se, comer, fazer exercícios - leva muito tempo quando você não consegue ficar de pé (...) Os participantes são incentivados a definir uma meta, como aprender um novo idioma ou fazer uma aula online. A família e os amigos podem fazer visitas, o que pode ser uma distração bem-vinda", diz texto da Nasa. "cabeça inchada, pernas de pássaro" O site da Nasa explica que, em um ambiente sem gravidade, o fluxo sanguíneo tem dificuldade em mandar o sangue para as pernas, e os fluídos podem se concentrar na cabeça do astronauta, resultando na "síndrome de cabeça inchada, pernas de pássaro", diz o texto. Por que os cientistas já sabem onde procurar vida em Marte Submeter os voluntários a períodos prolongados em uma cama inclinada, ainda de acordo com a agência espacial, permite que os pesquisadores observem os efeitos das mudanças de fluidos no nosso corpo, bem como a perda de massa óssea e muscular frequentemente experimentada pelos astronautas no espaço. "Compreender os efeitos de viver no espaço é fundamental se quisermos enviar humanos a Marte", diz o texto de divulgação do estudo da Nasa. Veja Mais

Não haverá longevidade ativa sem um planeta saudável

Glogo - Ciência Evento paralelo na COP26 discutiu necessidade de unir as agendas do meio ambiente e do envelhecimento A COP26, a conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, acaba nesta quinta. Na terça, assisti a debate de um fórum paralelo sobre longevidade, que também estava sendo realizado em Glasgow (Escócia), sede do evento. O recado dos participantes foi claro: não dá para pensar em longevidade ativa sem um planeta saudável. Aliás, costumamos nos referir à natureza como algo externo – o conjunto de florestas, rios e animais – quando somos parte dela. Portanto, com a expectativa de a população mundial bater a casa dos 10 bilhões de seres humanos em 2050, está muito claro que as pessoas se tornarão cada vez mais vulneráveis diante de eventos climáticos violentos. Carol Brayne, professora da faculdade de saúde pública da Universidade de Cambridge: união das agendas de meio ambiente e longevidade Cambridge University “Temos que reunir as agendas do envelhecimento e do meio ambiente numa só, elegendo o combate à pobreza e à desigualdade como fio condutor das políticas públicas. A saúde depende de todos os acontecimentos ao longo do curso de vida de um indivíduo. Ter um meio ambiente saudável é fator indispensável para que consigamos que as pessoas vivam a maior parte de suas existências sem doenças”, resumiu a médica epidemiologista Carol Brayne, professora da faculdade de saúde pública da Universidade de Cambridge. Para Bobby Duffy, diretor do Instituto de Políticas do King´s College London, está na hora de também unir as gerações em torno desse objetivo e derrubar o mito de que somente os jovens se preocupam com o meio ambiente: “governos costumam trabalhar no curto prazo e precisamos de um comprometimento de longo prazo que não separe as políticas ambientais das de saúde e longevidade”. Relatório divulgado no começo do mês pela Associação Norte-americana de Psicologia (APA em inglês) alertou para as consequências das mudanças climáticas na saúde mental. De acordo com o trabalho, o precipício que se avizinha inclui uma penca de problemas relacionados com o aumento da temperatura: crescimento do número de vetores de transmissão de doenças; transtornos respiratórios e alérgicos; e comprometimento do abastecimento de água e alimentos, entre outros. “Os efeitos não são apenas físicos, haverá um ônus mental pesado, como observamos depois de desastres naturais que desorientam as pessoas e provocam estresse pós-traumático, ansiedade e depressão. Os vínculos sociais poderão ser fortemente afetados, com risco de aumento da violência”, afirmou Arthur C. Evans Jr., CEO da entidade. Veja Mais

Consórcio vai criar atlas da senescência molecular

Glogo - Ciência Mapeamento pode mudar o tratamento de doenças relacionadas à velhice Nesse maravilhoso sistema que é o corpo humano, as células se dividem e se multiplicam para substituir as que envelhecem e também para reparar estragos. No entanto, essa capacidade é afetada por inúmeros fatores, entre os quais está o envelhecimento, e dá origem às células senescentes. Além de perder a “habilidade” de se renovar, elas se acumulam e, sem função, se transformam numa espécie de “lixinho” que aumenta o risco para o surgimento de doenças cardiovasculares e pulmonares, câncer e demência. Como esses acúmulos de células senescentes representam pequenas ilhas no vasto oceano do organismo, seu estudo ainda era limitado, mas uma iniciativa ousada pretende mudar o cenário: a criação de um atlas da senescência celular para entender seu desenvolvimento e abrir caminho para novas terapias voltadas para curar doenças relacionadas ao envelhecimento. O consórcio SenNet (Cellular Senescence Network) contará com 16 equipes e terá um orçamento de 125 milhões de dólares, garantido pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH em inglês), que reúnem centros de pesquisa biomédica nos Estados Unidos. Toren Finkel: professor de cardiologia e diretor do centro de envelhecimento da Universidade de Pittsburgh Divulgação: UPMC Dois projetos são liderados pela Universidade de Pittsburgh e receberão 31 milhões de dólares ao longo de cinco anos. O objetivo: mapear a senescência das células no coração e nos pulmões. Como cartógrafos moleculares, os cientistas vão pesquisar e descrever todos os aspectos de expressão gênica dessas células em tecidos e organoides criados em laboratório. “Não sabemos se a senescência celular é uma coisa ou várias coisas”, afirmou Toren Finkel, professor de cardiologia e diretor do centro de envelhecimento da universidade. “Comparando com o câncer, sabemos que linfomas são diferentes de um câncer pulmonar ou pancreático, embora todos sejam cânceres. Queremos entender como as células senescentes se comportam em diferentes tecidos e diante de diferentes tipos de estresse”, concluiu. O consórcio tem como meta mapear o maior número de órgãos e, no fim do levantamento, o atlas será publicado on-line para que outros pesquisadores possam explorar as informações. Entender esses mecanismos pode levar à criação de novas terapias capazes de localizar e destruir células envolvidas com o desenvolvimento de doenças relacionadas ao envelhecimento. Veja Mais

Análise genética revela origem de múmias misteriosas encontradas no interior da China

Glogo - Ciência Múmias de Tarim são descendentes de um grupo indígena asiático há muito desaparecido e não têm relação com grupos indo-europeus migrantes como se chegou a pensar. Múmia de mulher do cemitério de Xiaohe, na Bacia de Tarim Wenying Li, Xinjiang Institute of Cultural Relics and Archaeology Desde o final da década de 1990, a descoberta de centenas de restos humanos naturalmente mumificados datando de cerca de 2.000 a.C. a 200 d.C. na área da Bacia de Tarim, na região chinesa de Xinjiang, atrai atenção internacional devido à sua aparência física "ocidental", suas roupas de lã e sua atividade agropastoril que incluía gado, ovelhas e cabras, trigo, cevada, painço e até queijo kefir. Enterradas em caixões de barco em um deserto árido, as múmias de Tarim há muito intrigam os cientistas e inspiram inúmeras teorias sobre suas origens enigmáticas. Compartilhe esta notícia no WhatsApp Compartilhe esta notícia no Telegram A atividade econômica dessas pessoas, centralizada no gado, e a aparência física incomum levaram alguns estudiosos a especular que elas eram descendentes de pastores Yamnaya, uma sociedade da Idade do Bronze altamente móvel das estepes da região do Mar Negro, no sul da Rússia. Outros acreditavam que suas origens vinham das culturas de oásis do deserto da Ásia Central do Complexo Arqueológico Bactria-Margiana, um grupo com fortes laços genéticos com os primeiros agricultores do planalto iraniano. Para entender melhor a origem da população fundadora das múmias da Bacia do Tarim, que primeiro se estabeleceram na região em locais como Xiaohe e Gumugou por volta de 2.000 AC, uma equipe internacional formada por especialistas de China, Coreia do Sul, Estados Unidos e Alemanha analisou dados genéticos de treze das primeiras múmias conhecidas da Bacia de Tarim, datando de cerca de 2.100 a 1.700 a.C., junto com cinco indivíduos que datam de cerca de 3.000 a 2.800 a.C. numa bacia vizinha, a de Dzungarian. Cemitério de Xiaohe, onde foram encontradas as Múmias de Tarim Wenying Li, Xinjiang Institute of Cultural Relics and Archaeology LEIA TAMBÉM: PERU: Arqueólogos descobrem restos mortais com mais de mil anos de 29 pessoas ISRAEL: Espada que pode ser das Cruzadas e ter mais de 900 anos é encontrada no mar Para grande surpresa dos pesquisadores, descobriu-se que as múmias de Tarim não eram recém-chegadas à região, mas parecem ser descendentes diretos de uma população local que havia praticamente desaparecido no final da última Idade do Gelo. Essa população, conhecida como Antigos Eurasianos do Norte (ANE, na sigla em inglês) sobrevive apenas numa fração dos genomas das populações atuais, com as populações indígenas na Sibéria e nas Américas tendo as maiores proporções conhecidas, cerca de 40%. Em contraste com as populações de hoje, as múmias da Bacia do Tarim não mostram nenhuma evidência de mistura com quaisquer outros grupos de sua época, formando em vez disso um grupo isolado anteriormente desconhecido que provavelmente passou por um gargalo genético extremo e prolongado antes de se estabelecer na Bacia do Tarim. “Os arqueogeneticistas há muito procuram por populações de ANE do Holoceno para compreender melhor a história genética da Eurásia interior. Encontramos no lugar mais inesperado ”, diz Choongwon Jeong, autor sênior do estudo e professor de Ciências Biológicas da Universidade Nacional de Seul. Sem mistura Diferentemente da Bacia do Tarim, os primeiros habitantes da vizinha Bacia Dzungarian descendiam não só de populações locais, mas também de populações pastoris de estepe ocidentais, como os Afanasievo, um grupo com fortes ligações genéticas com os Yamanya da Idade do Bronze inicial. A caracterização genética dos Dzungarians do início da Idade do Bronze também ajudou a esclarecer a ancestralidade de outros grupos pastoris conhecidos, como os Chemurchek, que mais tarde se espalharam para o norte nas montanhas Altai e na Mongólia. As descobertas da mistura genética em toda a Bacia de Tarim ao longo da Idade do Bronze tornam ainda mais notável que as múmias da Bacia de Tarim não exibiam nenhuma evidência de terem se misturado. No entanto, embora os grupos da Bacia do Tarim estivessem geneticamente isolados, eles não eram isolados culturalmente. A análise de seus cálculos dentários confirmou que a produção leiteira de gado, ovelhas e cabras já era praticada pela população fundadora, e que eles estavam bem cientes das diferentes culturas, cozinhas e tecnologias ao seu redor. “Apesar de serem geneticamente isolados, os povos da Idade do Bronze da Bacia do Tarim eram notavelmente cosmopolitas do ponto de vista cultural - eles construíram sua culinária em torno de trigo e laticínios do oeste da Ásia, painço do leste da Ásia e plantas medicinais como a ephedra, da Ásia Central ”, diz Christina Warinner, autora sênior do estudo, professora de Antropologia da Universidade Harvard e pesquisadora líder de grupo no Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária em Leipzig, Alemanha. “Reconstruir as origens das múmias da Bacia do Tarim teve um efeito transformador em nossa compreensão da região, e continuaremos o estudo de genomas humanos antigos em outras eras para obter uma compreensão mais profunda da história da migração humana nas estepes da Eurásia”, afirmou Yinquiu Cui, autor sênior do estudo e professor da Escola de Ciências da Vida da Universidade de Jilin. 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Hospital do Rim em SP vai começar a testar em pacientes transplantados soro anti-Covid desenvolvido pelo Butantan

Glogo - Ciência Material, produzido a partir do plasma de cavalos, não substitui a vacina, mas é uma possibilidade de tratamento para diagnosticados com a doença. Testes foram autorizados pela Anvisa no início de maio. Entenda como funciona o soro anti-Covid O Hospital do Rim, na Vila Clementino, Zona Sul da cidade de São Paulo, vai começar nas próximas semanas a testar o soro anti-covid em pacientes transplantados. Produzido pelo Instituto Butantan, o soro não substitui a vacina, mas é uma possibilidade de tratamento para diagnosticados com a doença. Nos próximos dias, os médicos do hospital do rim vão selecionar os voluntários. Ainda não há prazo para divulgação dos primeiros resultados. Os testes também serão feitos em 30 pacientes com câncer do Hospital das Clínicas. Na segunda fase, devem participar um número maior, de 558 pacientes transplantados e oncológicos. Em maio deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início dos testes em seres humanos. O material, feito a partir do plasma de cavalos, aguardava liberação da Agência desde o final de março, quando o pedido foi submetido à Agência pelo Instituto. Soro anti-Covid: entenda como anticorpos de cavalos podem ajudar em novo tratamento contra o coronavírus O objetivo do soro é amenizar os sintomas nas pessoas já infectadas. Ele não é capaz de curar nem de prevenir a doença. O instituto tem 3 mil frascos prontos para os testes. O objetivo é descobrir qual a dose necessária para obter os efeitos desejados. Soro anti-Covid está em desenvolvimento pelo Instituto Butantan, em Sâo Paulo Instituto Butantan/Divulgação Produção do soro Para a produção do soro, os técnicos retiram o plasma - que faz parte do sangue - do cavalo e levam para a sede do Butantan, na Zona Oeste de São Paulo. Os anticorpos são então separados do plasma e se transformam em um soro anti-Covid. Os cavalos, além de ajudarem a produzir o soro, participaram dos testes. O vírus inativo não provoca danos aos animais nem se multiplica no organismo, mas estimula a produção de anticorpos. No início de março, Dimas Covas disse que os testes feitos em animais apontaram que o soro é seguro e efetivo. "Os animais que foram tratados tiveram seu pulmão protegido, ou seja, não desenvolveram a forma fatal da infecção pelo coronavírus, mostrando que os resultados de estudos em animais são extremamente promissores e esperamos que a mesma efetividade seja demonstrada agora nesses estudos clínicos que poderão ser autorizados." Fazenda onde do Butantan onde os testes foram realizados Reprodução/TV Globo VÍDEOS: Veja mais notícias sobre São Paulo e região Veja Mais

Riscos que estão à nossa volta

Glogo - Ciência Consumo de açúcar, deficiência de ferro, poluição atmosférica e ruídos: “armadilhas” relacionadas a inúmeras doenças O surgimento de doenças crônicas na meia-idade não é uma mazela que se restringe ao Brasil. Estudo britânico que acompanha 17 mil pessoas nascidas na Inglaterra, Escócia e no País de Gales divulgou sua última atualização em agosto e os dados foram desanimadores: um em cada três indivíduos perto dos 50 anos era portador de alguma doença crônica e, nesse grupo, 34% tinham duas ou mais enfermidades. Esse é um grande desafio para a longevidade: como viver muito com qualidade? Contornar algumas “armadilhas” que estão à nossa volta pode ser um primeiro passo. Redução no consumo de açúcar diminuiria a incidência de doenças cardiovasculares e diabetes Edward Lich para Pixabay Quem acompanha esse blog sabe como abordo insistentemente a importância do exercício como ferramenta poderosa para nos manter saudáveis, mas hoje não vou tratar disso. Reuni três pesquisas sobre riscos que nos cercam, para que sirvam de reflexão sobre como nos proteger. A primeira mostra que, somente nos EUA, cortar o equivalente a 20% do açúcar nos alimentos industrializados e 40% nas bebidas poderia prevenir quase 2.5 milhões de eventos cardiovasculares (o que inclui infartos e derrames); 490 mil mortes por problemas cardiovasculares; e 750 mil casos de diabetes da população adulta daquele país ao longo da sua existência. “O açúcar é o aditivo mais óbvio a ser reduzido para quantidades razoáveis”, afirmou Dariush Mozaffarian, coautor do trabalho e reitor da escola de nutrição da Tufts University. E acrescento: se não há uma política pública nesse sentido, faça sua parte e diminua substancialmente o consumo. O segundo estudo, divulgado pela Sociedade Europeia de Cardiologia, apontou que aproximadamente 10% dos novos casos de doença coronariana ocorridos no intervalo de uma década, a partir da meia-idade, poderiam ser evitados se fosse corrigida a deficiência de ferro que os pacientes apresentavam. O levantamento contou com mais de 12 mil pessoas, com idade média de 59 anos, sendo 55% delas mulheres, e mostra como é importante manter uma alimentação saudável e fazer exames regularmente. Aliás, eleja o feijão como um dos grandes aliados da sua dieta! Por fim, mas igualmente relevante: de acordo com a revista científica da American Heart Association, a exposição à poluição e a ruídos faz mal para o coração. O artigo detalha pesquisa que acompanhou, durante 20 anos, cerca de 22 mil enfermeiras dinamarquesas acima dos 44 anos, avaliando o impacto dessas variáveis ambientais na saúde. “Ficamos surpresos como os dois fatores ambientais, a poluição atmosférica e o barulho das ruas, interagiram. A poluição tem mais peso na incidência de falência coronariana, mas as mulheres expostas aos dois fatores foram as que apresentaram maior incidência do problema”, disse Youn-Hee Lim, autor sênior do estudo e professor da University of Copenhagen. Veja Mais

O que é o lar, doce lar ideal quando envelhecemos?

Glogo - Ciência Viver em casa ou procurar uma comunidade voltada para o público sênior são opções bem distintas, ambas com defensores Conforme envelhecemos, muda o conceito do que é o lar, doce lar? Podemos pensar do ponto de vista do imóvel: para quem teve filhos, a casa vazia parece grande demais, enquanto quem sempre viveu só talvez continue se sentindo confortável no espaço que ocupa. No entanto, se ajustarmos o foco para conexões sociais, será que aquele ainda é um lugar que estimula a socialização, no qual a pessoa se sente parte de uma comunidade, ou não há mais laços, apenas um isolamento progressivo? A longevidade produz diferentes grupos de velhos e cada um tem necessidades específicas, por isso devemos fugir de generalizações. A maioria prefere a ideia de envelhecer em casa, até um eventual limite imposto por sua capacidade física e intelectual. Mas há também os defensores de comunidades desenhadas para o público sênior, que advogam que essa convivência vai alimentar espírito e intelecto. Quem tem razão? Não acredito que exista uma única resposta para a questão, mas ponho em discussão alguns pontos levantados num debate realizado no dia 30 de setembro pelo laboratório de inovação da AARP, a associação dos aposentados norte-americanos, que reúne quase 40 milhões de afiliados. A maioria das pessoas prefere a ideia de envelhecer em casa, até um eventual limite imposto por sua capacidade física e intelectual Gerd Altmann para Pixabay De um lado estava Tach Branch-Dogans, fundadora e CEO da The Network for Later-Life Transitions, empresa especializada em criar um ambiente favorável para o chamado “aging in place”, isto é, envelhecer em casa. “Lar é algo que associamos a alegria, bem-estar. É onde estão nossos objetos e referências, e ninguém quer se separar do seu passado. Hoje em dia, a tecnologia é uma poderosa aliada, através de sensores e aplicativos, para garantir a independência dos idosos e dar segurança a seus filhos, amigos e familiares, que podem checar se está tudo bem”, afirmou. Seu trabalho inclui fazer um levantamento da rotina da pessoa e propor adaptações: “muitas vezes, o idoso diminui sua circulação pelo imóvel e podemos convencê-lo a reutilizar o espaço ocioso de outra forma, até chamando alguém para morar com ele, ou a se mudar para um lugar menor, mas que mantenha os laços que mais preza”. Os números são expressivos: em 2030, 20% dos norte-americanos terão mais de 65 anos e, desse contingente, 22% – o equivalente a 15 milhões – não terão cônjuge, filhos ou familiares. Quem sugere uma solução completamente diversa é Nick Smoot, fundador e CEO do Innovation Collective: “lar é o lugar das rotinas que desenhamos ao longo da nossa história, do pertencimento, da segurança. Essa é uma relação que construímos com pessoas, e não com objetos. A dispersão das famílias só tem agravado o problema do isolamento. Quando tentam me convencer de que o idoso pode participar e contribuir com sua comunidade, eu pergunto como isso é possível, se as vizinhanças também se isolaram e está cada um no seu casulo?”. O modelo de cohousing surgiu na Dinamarca na década de 1960: um condomínio cuja disposição das moradias é feita para facilitar a proximidade de seus ocupantes, com áreas de lazer compartilhadas, mas garantia de privacidade. Você só socializa quando quiser, mas é o tipo de alternativa para quem tem dinheiro no bolso. Por aqui, há um longo caminho pela frente quando se trata de residências para idosos. São poucas e caras as opções de boas instituições de longa permanência (ILPI), o nome palatável para espantar o preconceito que cerca casas de repouso ou asilos. Entretanto, questões como o respeito ao exercício da sexualidade e à orientação sexual têm se mostrado um enorme desafio que o setor não aborda. No dia 1º de outubro, foi lançado um novo site da Frente Nacional de Fortalecimento das ILPIs, cuja proposta é oferecer orientação para melhorar o atendimento desses estabelecimentos. É possível consultar a lista de instituições disponíveis em cada município e haverá cursos de capacitação. Foram elaboradas diversas cartilhas: guia de manejo da Covid-19, cuidados fisioterapêuticos e orientações para os profissionais, entre outras. A Frente foi criada em abril de 2020, fruto de um movimento de mais de 1.500 voluntários de formação profissional variada: de cuidadores a médicos; de gestores a professores universitários. Veja Mais

O implante no cérebro que promete detectar e curar depressão profunda

Glogo - Ciência Sarah, a primeira paciente a testar dispositivo, diz que sua vida mudou; cientistas afirmaram que mais testes são necessários. Professora Katherine Scangos verificando dispositivo e progresso de Sarah. MAURICE RAMIREZ-UCSF via BBC Cientistas americanos deram um novo passo rumo à detecção e ao tratamento da depressão aguda ao instalar um implante elétrico no crânio de uma paciente e conectá-lo ao seu cérebro. Sarah, de 36 anos, recebeu o dispositivo há mais de um ano e diz que sua vida mudou. O implante, do tamanho de uma caixa de fósforos, está sempre "ligado", mas só emite um impulso elétrico quando percebe que Sarah precisa dele. O estudo experimental foi descrito na revista científica Nature Medicine. Veja também: Entenda diferenças entre burnout, estresse e depressão Depressão e preguiça: como diferenciar? Os pesquisadores, da Universidade da Califórnia, em San Francisco, nos Estados Unidos, ressalvam que é muito cedo para dizer se o dispositivo pode ajudar outros pacientes com depressão de difícil tratamento, mas se dizem esperançosos e planejam mais testes. 'Tinha esgotado todas as opções de tratamento possíveis' Sarah é a primeira pessoa a fazer a terapia experimental. Ela passou por uma série de tratamentos que fracassaram, incluindo antidepressivos e terapia eletroconvulsiva nos últimos anos. A cirurgia pode parecer assustadora, mas Sarah disse que a perspectiva de obter "qualquer tipo de alívio" era melhor do que o que estava experimentando. "Tinha esgotado todas as opções de tratamento possíveis". "Minha vida diária se tornou tão restrita. Me sentia torturada todos os dias. Mal me movia ou fazia qualquer coisa." Sarah diz que dispositivo reduziu sua depressão. JOHN LOK-UCSF via BBC A cirurgia envolveu fazer pequenos orifícios em seu crânio para encaixar os fios que monitorariam e estimulariam seu cérebro. O implante, contendo a bateria e o gerador de pulso, estava enfiado no osso, sob seu couro cabeludo e cabelo. O procedimento durou um dia inteiro e foi feito sob anestesia geral, o que significa que Sarah ficou inconsciente todo o tempo. Ela conta que quando acordou, se sentiu eufórica. "Quando o implante foi colocado pela primeira vez, minha vida deu uma guinada para cima imediatamente. Minha vida voltou a ser agradável". "Dentro de algumas semanas, os pensamentos suicidas desapareceram". "Quando estava nas profundezas da depressão, tudo o que via era o lado ruim das coisas." Um ano depois, Sarah continua bem, sem efeitos colaterais. "O dispositivo manteve minha depressão sob controle, permitindo que voltasse ao meu melhor estado e reconstruísse uma vida que valesse a pena ser vivida." Sarah diz que não consegue sentir o dispositivo enquanto ele emite impulsos elétricos, mas diz: "Provavelmente posso dizer em 15 minutos que ele disparou devido a uma sensação de alerta e energia ou da positividade que sinto." Como funciona A pesquisadora Katherine Scangos, psiquiatra da universidade, disse que a inovação foi possível localizando os "circuitos da depressão" no cérebro de Sarah. "Encontramos um local, que é uma área chamada corpo estriado ventral, no qual a estimulação eliminou de forma consistente seus sentimentos de depressão". "E também encontramos uma área de atividade cerebral na amígdala que poderia prever quando seus sintomas eram mais graves." Os cientistas dizem que muito mais pesquisas são necessárias para testar a terapia experimental e determinar se ela pode ajudar mais pessoas com depressão severa e talvez outras condições também. Tratamento personalizado Scangos, que inscreveu dois outros pacientes no teste e espera recrutar mais nove, disse: "Precisamos observar como esses circuitos variam entre os pacientes e repetir esse trabalho várias vezes". "E precisamos ver se o biomarcador de um indivíduo ou o circuito do cérebro muda com o tempo, à medida que o tratamento continua". "Não sabíamos se conseguiríamos tratar a depressão dela, porque era muito grave". "Então, nesse sentido, estamos muito animados com isso. É o tipo de estudo muito necessário no nosso campo agora." Edward Chang, neurocirurgião que instalou o dispositivo, ressalva: "Para ser claro, esta não é uma demonstração da eficácia desse tratamento". "É realmente apenas a primeira demonstração de que isso funciona em alguém e temos muito trabalho pela frente para validar esses resultados. Precisamos saber se realmente é algo que será duradouro." O professor Jonathan Roiser, especialista em neurociência da Universidade College London, no Reino Unido, disse: "Embora este tipo de procedimento cirúrgico altamente invasivo só seja usado nos pacientes mais graves com sintomas intratáveis, é um passo emocionante devido à natureza do estímulo". "É provável que, se testado em outros pacientes, diferentes locais de gravação e estimulação sejam necessários, já que o circuito cerebral dos sintomas provavelmente varia entre os indivíduos". "Como havia apenas uma paciente e nenhuma condição de controle, resta saber se esses resultados promissores se mantêm nos ensaios clínicos." VÍDEOS da série "Depressão - precisamos falar sobre isso" Veja Mais

Que tal ensinar velhice para combater o preconceito?

Glogo - Ciência Jovens podem não ter ideia do que é envelhecer, mas tendem a projetar um futuro positivo para si mesmos Aproveitando que amanhã é o Dia Internacional da Pessoa Idosa, decidi perguntar a 15 jovens o que, na visão deles, é ser velho; e como se imaginam com 65 anos. No grupo, as idades variaram entre 14 e 35 anos e, como era de se esperar, quanto mais novinhos, menos ideia tinham do que é o envelhecimento – essa etapa da existência parece tão distante que soa como ficção científica. No entanto, quase todos tinham uma expectativa bastante positiva em relação ao próprio futuro. Se são otimistas em relação ao que está reservado para eles, acredito que podem aprender que a velhice dos outros pode ser cheia de significado. Vou começar pelos caçulas de 14 anos: quatro amigos que estão acabando o Ensino Fundamental. As frases sobre ser idoso se assemelham: “é ser fofo e poder xingar sem ser xingado de volta”; “é ter mais de 60 anos, cabelos brancos, pele enrugada, essas coisas”; “é ter uma idade avançada”. Joana foi a única que se aventurou a fazer uma projeção: “se tudo der certo, aos 65 estarei saudável, com dinheiro, uma família maneira e muitos gatos”. Os irmãos Pedro e Gabriel, respectivamente com 17 e 14 anos, mostram como uns poucos anos de diferença mudam a perspectiva. O caçula acha que ser velho “é ficar o dia inteiro na cadeira, não sair para mais nada”. Mas, ao se visualizar idoso, se vê “saudável, rico, com uma casa bem bonita e ajudando as pessoas”. O primogênito já encara o envelhecimento como um estado de espírito: “se você se considera velho, perde a vontade de fazer as coisas. Aos 65 anos, me imagino meio aposentado, só fazendo coisas de que realmente goste. Sossegado, com uma família, talvez netos, mas bem atlético”. Idosa abraça mulher jovem: os mais velhos podem ensinar o que é resistência e resiliência Brenda Geisse para Pixabay Julia tem 16 anos, está acabando o Ensino Médio, e afirma que não é a idade cronológica que define a velhice: “se a pessoa cuida da sua saúde física e mental e está sempre atualizando, além de aparentar ser mais jovem, também vai ter uma mente jovem. Conheço pessoas com mais de 60 anos tão ativas que não considero que sejam velhas, enquanto há outras, com menos idade, que estão ultrapassadas. Eu me vejo me exercitando muito, porque sei que é uma das coisas que me ajudam a manter a saúde física e mental. Vou estar trabalhando em alguma área da medicina, mas também espero ter tempo para viajar”. Bruna, estudante de cinema de 21 anos, disse que precisou de alguns dias para elaborar uma resposta: “me parece algo tão distante que nunca havia parado para pensar nisso de verdade, mas acho que ser velho é começar o fim da jornada da vida, como o final de um filme. É o desfecho de toda a história que você viveu, e isso é igual para todos”. Aos 65 anos, acha que será uma avó curtindo a família, mas cultivando outros interesses: “não quero uma velhice monótona, vou me dedicar a diversas atividades”. Com 23 anos, Caio, que estuda sistemas de informação, associa envelhecimento a experiência: “a velhice chega para todos, depende de cada um encará-la de uma forma positiva ou negativa. Para mim, ser velho é poder compartilhar com o mundo minhas histórias, tanto os momentos tristes quanto os felizes. Assim como aprendo com os mais velhos, sei que aprenderei com os mais novos quando os papéis se inverterem. Me imagino satisfeito com a vida que vivi, mas aberto a novas experiências, buscando sempre inovar no campo das ideias”. Aos 25 anos, a engenheira Nara faz uma distinção entre quem é velho de idade e de cabeça: “a pessoa pode estar com idade avançada e ter limitações físicas que a impedem de fazer alguma coisa, já o velho de cabeça é quem fica parado no tempo, se negando a acompanhar as mudanças no mundo. Quem disse que alguém de 65 anos não pode viajar pelo mundo e partir para novas aventuras? Eu me imagino sendo avó, aposentada, e com tempo para explorar o que ainda não tiver conseguido fazer. Mas com muita energia!”. Outro que se visualiza com netos é Henrique, psicólogo de 28 anos: “nunca tinha pensado sobre isso mas, fazendo esse exercício agora, me vejo relaxado, com a sensação de dever cumprido, fazendo churrasco e contando piadas para meus quatro netos. Com uma vida confortável e a esperança de que ter realizado o melhor trabalho possível para que meus filhos alcem voos independentes”. Na sua opinião, ser idoso é sinônimo de superar obstáculos, “que não são poucos”, avalia. E acrescenta: “a experiência adquirida é que vai garantir tranquilidade para aceitar que existem mais ‘ontens’ que ‘amanhãs’. A aceitação da velhice pode ser um longo percurso, mas é a única saída. Não envelhecer é uma opção muito pior!”. Chegando ao time que bateu a marca de três décadas, Thaís, arquivista de 30 anos, critica o que chama de “representações sociais negativas atrelando o velho ao que é obsoleto e ultrapassado” e prefere usar uma lista de palavras para “tentar ilustrar a complexidade da pergunta”. Vamos a elas: experiência, sabedoria, prudência, ressignificação do tempo. Sua visão dos 65? “Me imagino celebrando as rugas no rosto e os cabelos brancos; as dores e delícias de estar envelhecendo, assim como preciso lidar com todos os ônus e bônus de cada fase da vida. Me imagino uma mulher que valorizará muito estar com a família e que grande parte do retorno emocional que preencherá o meu coração virá dessas relações. Me imagino realizando pequenas conquistas, dessas que parecem não ter espaço na vida agitada que possuo hoje”. São duas as representantes de 31 anos: a engenheira Mariana e uma publicitária reservada que pediu para não ser identificada nem pelo primeiro nome. A primeira é assertiva: “você continua sendo você mesmo, não se transforma num outro ser apenas por conta da idade. Além disso, acho que a visão de quem é considerado velho mudou. Antigamente, pessoas com 65 anos pareciam estar no fim da vida, enquanto hoje muitas ainda são membros ativos da sociedade. É como me imagino e tenho o exemplo da minha mãe: é muito mais disciplinada que eu e faz academia todos os dias. Também espero ter estabilidade financeira para aproveitar a vida”. A publicitária avalia que não há uma “idade universal para a velhice, porque a genética e o estilo de vida são fatores que influenciam”. No seu caso, se vê trabalhando e “participando ativamente das questões relacionadas à comunidade na qual estou inserida. No cenário político em que estamos, acho que ainda não terei conseguido casa própria ou estabilidade financeira”, afirma, rindo. Por fim, Caio, especialista em proteção de dados e o “decano” de 35 anos, descarta o peso negativo do envelhecimento: “acumulamos conhecimento e experiência. Não creio que deva ser um número mágico que defina isso. Eu me imagino repassando meu conhecimento de alguma forma, seja dando consultoria, aulas, ou produzindo conteúdo. Se a mente não estiver mais tão apta, vou relaxar e cuidar de animais”. Fiquei satisfeita porque os depoimentos mostram uma consciência sobre a longa jornada que temos pela frente. Como enfatizei no meu livro, “Longevidade no cotidiano: a arte de envelhecer bem”, lançado nessa mesma época no ano passado, ninguém deveria cair na armadilha de achar que o assunto não lhe diz respeito porque parece estar distante. E podemos contribuir ensinando um pouco da nossa velhice para esses jovens. Veja Mais

Estilo de vida sedentário pode agravar suores noturnos na menopausa

Glogo - Ciência Estudo foi divulgado no encontro anual da Sociedade Norte-americana de Menopausa Aproximadamente 80% das mulheres relatam a experiência com os famigerados suores noturnos que, a partir do período que antecede a menopausa, interrompem o sono durante a madrugada e interferem na qualidade de vida. Há pesquisas que associam a severidade dessas ondas de calor a um risco aumentado para doença cardiovascular e um estilo de vida sedentário – bastante frequente à medida que se envelhece – também estaria relacionado ao mesmo problema. A novidade é que os pesquisadores ainda não haviam se debruçado sobre o efeito do sedentarismo sobre os suores noturnos. Estudo divulgado no encontro anual da Sociedade Norte-americana de Menopausa diz que estilo de vida sedentário pode agravar suores noturnos na menopausa Jane13 para Pixabay Um novo estudo, divulgado no encontro anual da Sociedade Norte-Americana de Menopausa (NAMS, em inglês), realizado semana passada, procurou medir o comportamento sedentário como um fator preditor de ondas de calor em mulheres entre a perimenopausa e a pós-menopausa. “Com uma proporção tão grande de mulheres afetadas, o trabalho nos ajuda a identificar os gatilhos para esse quadro. Os profissionais de saúde devem rever a rotina das pacientes quando discutirem as opções de tratamento, para incluir mais exercício em seu dia a dia”, afirmou a médica Stephanie Faubion, diretora da entidade. Em outro artigo, pesquisadores sugerem que, no tratamento das complicações de saúde associadas à obesidade, cujo número de casos triplicou nos últimos 40 anos, o foco deveria ser mais em atividade física e menos na perda de peso. “Não somos contra a perda de peso, mas consideramos que ela não deveria ser o critério primário para o sucesso de um programa de intervenção no estilo de vida. Vivemos numa cultura obcecada pelo peso, mas gostaríamos que as pessoas entendessem que há corpos saudáveis de todos os formatos e tamanhos”, disse Glenn Gaesser, professor da fisiologia do exercício e do Colégio de Soluções para a Saúde da Universidade do Estado do Arizona (EUA). Glenn Gaesser: professor da Universidade do Estado do Arizona Divulgação Os autores defendem que a genética influi no peso de um indivíduo e que as dietas estão ligadas a alterações metabólicas relevantes que impedem ou dificultam sua manutenção. Se, por um lado, a obesidade está atrelada a doenças cardiovasculares, diabetes e câncer, o conhecido efeito sanfona também está associado a perda da força muscular, problemas de gordura no fígado e diabetes. “Basta sair do sofá para já se beneficiar”, enfatiza Gaesser, acrescentando: “é importante lembrar que a atividade física vai sendo acumulada ao longo do dia. Diversas caminhadas curtas são tão benéficas para a saúde quanto uma longa”. No artigo, os pesquisadores citam que a redução de riscos é consistentemente maior quando a pessoa se exercita do que quando se limita a dietas para a perda de peso. O estudo foi publicado no dia 20 na revista “iScience”. Veja Mais

Atendimento deve englobar pacientes com demência e seus cuidadores

Glogo - Ciência Experiências em dois estados norte-americanos mostram que iniciativas interdisciplinares são as mais eficazes Hoje escrevo sobre duas experiências de serviços de saúde para idosos com demência e seus cuidadores, ambas de estados norte-americanos: Illinois e Havaí. As apresentações foram feitas semana passada, em evento on-line do Centro Nacional de Recursos para Alzheimer e Demência (NADRC em inglês), e me interessaram porque Illinois, embora seja um dos principais centros financeiros do país graças à cidade de Chicago, enfrenta, historicamente, um quadro de grande desigualdade social. Já o Havaí vive do turismo e tem o desafio de atender a uma população que se espalha entre as oito maiores ilhas do arquipélago. Temos pontos em comum com eles e sempre há a oportunidade de aprender. Phyllis Roat, coordenadora do Departamento de Envelhecimento de Illinois, também está à frente de um programa para combater a solidão entre idosos e promover ações para a criação de ambientes “amigos da demência” no estado. Explicou que o trabalho se baseia num tripé que reúne instituições com laços com a comunidade; serviços que atendam às necessidades das pessoas que vivem com demência; educação e suporte para os cuidadores. Paciente com demência e cuidadora: serviços devem atender aos dois, de forma interdisciplinar Alterio Feline para Pixabay Entre os programas que citou estão o de treinamento e manejo do estresse para os cuidadores informais; prevenção de quedas; contação de histórias, que estimula a criatividade das pessoas com demência, em vez de focar em sua memória; música e memória, que se constitui na elaboração de uma lista personalizada das músicas preferidas dos pacientes; e o Opening Minds Through Art, que já foi tema de coluna do blog. Para prevenir quedas, é utilizado o Otago Exercise Program, que consiste em 17 exercícios de força e equilíbrio, a serem feitos três vezes por semana, on-line ou presencialmente, individualmente ou em grupo, com a supervisão de um profissional especializado. Estudos mostram que os participantes, que depois vão sendo monitorados, apresentam uma redução das quedas entre 35% e 40%. Christy Nishita, pesquisadora do Centro de Envelhecimento da Universidade do Havaí, afirmou que o objetivo é garantir um atendimento centrado no paciente com demência e no seu cuidador. Nas visitas mensais às chamadas Clínicas da Memória, ambos passam por diversos especialistas que trabalham de forma interdisciplinar: geriatra, psicólogo, nutricionista, assistente social – todos com foco na qualidade de vida de ambos. Há também um programa no qual profissionais da saúde vão às casas para ajudar a “reconfigurar” o ambiente e as expectativas da família, tornando possível que muitos indivíduos em estágios iniciais da doença continuem a morar sozinhos. “Queremos tornar as pessoas e suas famílias mais capazes de lidar com a situação, evitando a institucionalização precoce”, afirmou. Veja Mais

Criança pode ser vegetariana? Veja o que dizem os especialistas e quais cuidados adotar

Glogo - Ciência Segundo sociedades de pediatria, alguns nutrientes e minerais importantes podem ficar de fora de uma dieta sem carne e é preciso orientação profissional. Panqueca de couve-flor e couve-flor assada com legumes; pratos feitos pela chef Katty Zapata Katty Zapata Quanto maior a variedade dos grupos alimentares que crianças e adolescentes consomem, menor o risco de desenvolverem deficiências nutricionais que irão interferir em seu desenvolvimento. Desde que seja bem balanceada, uma dieta vegetariana pode promover o crescimento adequado. Contudo, é preciso moderação e ponderação na hora de se adotar qualquer dieta restritiva na infância. O alerta é da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), que segue as diretrizes da Associação Dietética Americana (ADA), Academia Americana de Pediatria (AAP) e Sociedade Canadense de Pediatria (SCP) sobre vegetarianismo infantil. Criança rejeita carne aos 6 anos e faz toda a família virar vegana em SP Isso porque, se por um lado uma dieta vegetariana tem menores quantidades energéticas e proporção de gorduras saturadas por refeição, além de maior teor de fibras, frutas e vegetais, por outro, o não consumo de alimentos de origem animal podem contribuir para menor ingestão de ferro, vitamina B12, cálcio e zinco. (entenda a importância abaixo) "Devemos ter mais cuidado quando se trata de crianças e qualquer dieta restritiva deve ser realizada de forma responsável para que não comprometa o futuro delas", afirma a pediatra nutróloga Cláudia Bezerra de Almeida, responsável pelo Ambulatório de Nutrologia Pediátrica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O vegetariano é, por definição da SBP, o indivíduo que não come nenhum tipo de carne, aves, peixes e seus derivados, podendo ou não utilizar laticínios ou ovos. Porém, nem toda dieta sem a proteína animal é igual e pode ser classificada de acordo com o consumo de subprodutos animais (ovos e laticínios) em: Ovolactovegetariano: utiliza ovos, leite e laticínios na alimentação; Lactovegetariano: não utiliza ovos, mas faz uso de leite e laticínios; Ovovegetariano: não utiliza laticínios, mas consome ovos; Vegetariano: não utiliza nenhum derivado animal na sua alimentação Vegano: não utiliza qualquer alimento derivado de animal na sua alimentação, nem produtos ou roupas contendo estes alimentos Cuidados e suplementação Tanto a sociedade pediátrica brasileira, quanto a americana e a canadense alertam que crianças e adolescentes vegetarianos são mais vulneráveis a desenvolverem deficiência de nutrientes e, por isso, não é tão simples quanto parece seguir uma dieta com restrição: a criança e a família precisam ser acompanhados por um profissional da nutrição. "Nos últimos tempos, tenho visto alguns pais iniciando dietas vegetarianas para crianças pequenas confiando nas mídias sociais, ao invés de procurar profissionais especializados, e chegam crianças com deficiências nutricionais graves e muitas vezes irreversíveis", alerta Almeida. Idosa de 90 anos completa 60 deles sendo vegetariana: 'Não fico doente' O que aconteceria na economia global se todos virassem vegetarianos Outra questão importante, segundo o pediatra Julio Sérgio Marchini, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), é a necessidade, nos casos em que ocorre deficiência de nutrientes, de se fazer suplementação. "A criança que não come carne deve passar por exames de rotina periódicos e receber suplementação, principalmente com relação à vitamina B12, que não existe nas fontes alimentares vegetais", afirma Marchini. A vitamina B12 é vital para a formação do sangue e o funcionamento do sistema nervoso e a sua falta pode causar anemia e deficiências neurológicas. Carnes e peixes são fontes da vitamina, e as opções de substituição para vegetarianos costumam ser os alimentos enriquecidos como cereais, extratos de levedura e substitutos de carne. Deficiência de vitamina D e B12 são causas físicas da depressão Os riscos da moda de injetar vitaminas diretamente nas veias Por outro lado, quando bem balanceada, a dieta vegetariana costuma ser rica em ácido fólico: nutriente envolvido na síntese de material genético, que atua como coenzima no metabolismo de aminoácidos. O ácido fólico ajuda no crescimento e na imunidade contra infecções. As melhores fontes são os feijões e folhas verdes escuras. Além da orientação de um profissional, Marchini destaca outro fator que auxiliará a criança a se manter saudável em uma dieta sem proteínas de origem animal: ter passado pelo período mínimo de seis meses de aleitamento materno. "Se a criança tiver cumprido previamente o período de aleitamento materno e tiver uma orientação nutricional, não vejo problema se não comer carne. Reforço que o aleitamento materno não tem substituto", diz o pediatra, reforçando que mesmo assim ainda é preciso acompanhamento. Por isso, mulheres que estão amamentando precisam garantir que estão consumindo a quantidade suficiente de vitamina B12 para passar ao filho através do leite materno. Nutrientes para ficar atento Além da vitamina B12, existem outros nutrientes rico nas carnes e peixe que as famílias de vegetarianos devem ficar atentos. "Quando não recebem orientação especializada, as crianças que não consome carne, assim como filhos de mães vegetarianas desde a gestação, têm maior risco para deficiências de vitaminas e minerais como a vitamina B12, o zinco, o iodo, o ferro e o cálcio. A ingestão inadequada nessas crianças pode levar a deficiências nutricionais graves e consequências a longo prazo. Cabe destacar o atraso cognitivo, a baixa estatura, a alteração do apetite e a anemia", explica Almeida. Os nutrientes geralmente baixos neste tipo de dieta: Ferro: tem como função o transporte e reserva de oxigênio, desempenho cognitivo, função imunológica. A carência pode causar anemia ferropriva e é prejudicial ao crescimento e desenvolvimento físico e mental. A melhor fonte de ferro é a carne vermelha, mas também é encontrada nos feijões e nas folhas verdes escuras. Zinco: importante para a imunidade. Falta de zinco está relacionada ao retardo da maturação sexual, retardo do crescimento e queda de cabelo. A melhor fonte é carne, frango e peixe, mas também há zinco em semente de abóbora, gema de ovo e castanha de caju. Iodo: tem como função a síntese dos hormônios tireoidianos T3 e T4. A carência está relacionada com o bócio, cretinismo, retardo mental irreversível. Fonte natural é a água do mar, por isso os peixes marinhos têm iodo, mas o que consumimos no sal iodado costuma ser o suficiente. Vitamina A: é antioxidante e atua no crescimento e desenvolvimento, na manutenção das células da pele e das mucosas e ajuda no sistema imunológico. Também é importante para a saúde dos olhos. A carência provoca diminuição no crescimento, falta de apetite e cegueira noturna. Entre as fontes estão a carne, fígado e ovo de galinha, mas também está nos vegetais e frutas de cor alaranjada como cenoura, abobora e manga. Por que a recusa Não há dados sobre a quantidade de crianças e adolescentes vegetarianos no Brasil, mas uma pesquisa do Ipec publicada em agosto revelou que quase metade dos brasileiros, 46%, já deixam de comer carne uma vez por semana por vontade própria. A pesquisa não ouviu menores de 16 anos, mas, segundo Almeida, tem se tornado comum atender famílias com crianças que rejeitam ou que não comem carne por algum outro motivo. "Tenho observado uma alta frequência de crianças que não querem comer carne", conta Almeida. Além do fator escolha consciente no caso de crianças maiores e adolescentes, que não comem carne por dó do animal ou por alguma convicção sua ou da família, a pediatra relata que a recusa a comer carne pode ser o início de um transtorno alimentar. Por isso, é recomendado identificar o que motivou a criança a iniciar este comportamento. "Devemos observar se a recusa é apenas uma preferência da criança quanto ao paladar, ou se existe dificuldade em lidar com a textura da carne podendo estar relacionada com dificuldades sensoriais ou de oclusão, por exemplo. A recusa também pode ter origem comportamental, podendo estar associada a alguma experiência negativa com o alimento, mas também pode ser apenas uma recusa transitória, comum em crianças de 1 a 3 anos", diz a pediatra nutróloga da Unifesp. Veja Mais

SpaceX no espaço: empresa de Elon Musk faz voo orbital

Glogo - Ciência Decolagem está prevista para as 21h desta quarta (15), acompanhe no G1. Tripulação de civis passará 3 dias dando voltas ao redor da Terra. SpaceX no espaço: empresa de Elon Musk faz voo orbital Decolagem está prevista para as 21h desta quarta (15), acompanhe no G1. Tripulação de civis passará 3 dias dando voltas ao redor da Terra. SpaceX, empresa de Elon Musk, também dono da Tesla, fará voo orbital. A decolagem está prevista para esta quarta (15), às 21h, e o retorno será daqui a 3 dias. O voo orbital é mais longo, diferente dos que Bezos e Branson fizeram. O foguete Falcon vai levar 4 pessoas, uma delas o bilionário Jared Isaacman. Musk não estará a bordo, diferente dos seus "rivais" Bezos e Branson Veja Mais

Dois objetos com mais de 10 mil anos são achados dentro do estômago de crocodilo nos EUA

Glogo - Ciência Segundo um geólogo, os artefatos são de nativos americanos que habitaram a região há cerca de 12 mil anos. O crocodilo levado pelo grupo de caçadores possuía 4 metros de comprimento Red Antler Processing | Reprodução Dois objetos com milhares de anos foram encontrados dentro do estômago de um crocodilo no estado do Mississippi, nos Estados Unidos. A verdadeira identificação dos itens foi revelada por um geólogo. Uma sucuri viva entre 9 milhões de cobras mortas: achado traz esperança para pesquisadora no Pantanal Queimadas mataram 17 milhões de animais vertebrados no Pantanal em 2020, aponta estudo Os objetos foram encontrados por Shane Smith, proprietário da Red Antler Processing, uma loja de artigos para caça, onde o crocodilo foi levado para ter sua pele e carne processada após ter sido capturado no início de setembro. Nos Estados Unidos, a caça selvagem é permitida em determinados locais mediante uma licença especial. No momento da descoberta, Smith não soube identificar o que eram os objetos, mas achou que eram interessantes o bastante para publicar uma foto no Facebook. "Estamos abrindo alguns crocodilos grandes para ver o que está dentro de seus estômagos. Até agora, todo mundo achou algo legal. O jacaré (...) de hoje, produziu o choque do ano!!", escreveu na publicação. Objetos foram encontrados dentro do estômago do crocodilo Red Antler Processing | Reprodução O geólogo James Starnes, conseguiu identificar os objetos com base em sua pesquisa em artefatos nativos americanos encontrados no Delta do Mississippi, informou a CNN americana. Segundo ele, trata-se de um prumo, que é um objeto de metal em forma de lágrima de uso desconhecido, e uma "ponta de dardo atlatl", que pode ser usado como lança ou dardo durante a caça. O especialista aponta que os nativos americanos que habitaram a região há cerca de 12 mil anos utilizam esse tipo de tecnologia em suas tarefas diárias. Além dos artefatos, também foram encontrados ossos e escamas de peixes, ossos de pequenos mamíferos, sementes de frutas e até mesmo pequenas rochas. Os caçadores estimam que o crocodilo tinha entre 80 e 100 anos quando foi abatido. Onça-pintada ataca jacaré no Pantanal de MT LEIA TAMBÉM: Empresa anuncia US$ 15 milhões para trazer à vida um mamute extinto há 10 mil anos VÍDEO: Onça pintada ataca jacaré no Pantanal Veja mais vídeos: VÍDEO: Tartaruga gigante ataca filhote de andorinha; vídeo evidencia prática da caça Veja Mais

Voo orbital x suborbital: entenda as diferenças da viagem da SpaceX para as de Bezos e Branson

Glogo - Ciência Empresa de Elon Musk pretende enviar a primeira tripulação totalmente civil à órbita da Terra na quarta-feira (15). Missão é mais ambiciosa do que os voos da Blue Origin e da Virgin Galactic. Lançamento do foguete Falcon 9, da SpaceX, em 23 de abril de 2021 Joe Skipper/Reuters O voo espacial que a SpaceX pretende realizar nesta quarta-feira (15) se difere do que foi feito nos últimos meses pelos bilionários Jeff Bezos (Blue Origin) e Richard Branson (Virgin Galactic). Enquanto as viagens anteriores tinham escala suborbital, a missão da SpaceX, do bilionário Elon Musk, deve alcançar a órbita terrestre e dar voltas em torno do planeta. Jeff Bezos ou Elon Musk: a decisão que leva a Nasa aos tribunais Elon Musk, Jeff Bezos, Richard Branson: os multimilionários que disputam a nova corrida espacial O objetivo é realizar o feito na missão Inspiration4, que poderá será a primeira com tripulação totalmente civil a orbitar a Terra. De forma resumida, a diferença entre os tipos de voos está na trajetória realizada pelas aeronaves. É o que explicou o astrofísico do Centro Universitário FEI, Cassio Barbosa, em reportagem do G1, em julho. "Enquanto no voo orbital a nave consegue circular a Terra, ou seja, partir e retornar à atmosfera a partir de um mesmo ponto, o voo suborbital não tem velocidade para completar essa trajetória, então a nave sobe até um ponto máximo e depois cai em queda livre de volta à Terra", afirmou Barbosa. Entenda a diferença entre voo orbital e voo suborbital G1 Um voo suborbital é parecido com o arremesso de uma bola de basquete em direção à cesta. A cápsula em que estão os tripulantes atinge uma altitude máxima e, em seguida, retorna ao solo em uma trajetória parecida. Entenda o voo suborbital em vídeo O que a ida de Bezos ao espaço e um arremesso de basquete tem em comum No voo orbital, que será realizado pela SpaceX, a nave alcança uma velocidade bem superior e consegue se manter por algum tempo na órbita da Terra. A queda ao solo é mais lenta e ocorre durante essa trajetória em torno do planeta. O voo da SpaceX exigirá uma velocidade muito mais elevada. A Blue Origin e a Virgin Galactic chegaram a 3.700 km/h em seus voos suborbitais. A empresa de Musk, por sua vez, pretende alcançar 27.358 km/h, segundo a agência Reuters. A meta equivale a 22 vezes a velocidade do som. Sonha em ser um turista espacial? Veja o que as empresas planejam Steve Wozniak, cofundador da Apple, cria empresa no ramo espacial Altitude O voo da SpaceX precisa atingir uma altitude bem superior à alcançada nas missões das outras duas empresas. A viagem de Jeff Bezos ultrapassou a Linha de Kármán, que fica a 100 km acima do nível do mar – limite convencionado para definir o início do espaço. Já a missão com Richard Branson alcançou 89 km. Apesar de ter ficado abaixo da Linha de Kármán, o voo ultrapassou os 80 km, considerados pela Nasa e pelo Exército dos Estados Unidos como barreira espacial. O foguete da empresa de Elon Musk tem altitude alvo de 575 quilômetros, acima das órbitas da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) e do telescópio espacial Hubble. Tripulantes da missão Inspiration4 em frente ao foguete Falcon 9 Inspiration4/John Kraus Treinamento Os quatro tripulantes da Inspiration4 realizaram treinamento durante vários meses, segundo a agência AFP. Esta etapa incluiu a experiência de força G em uma centrífuga – um braço gigante que gira em alta velocidade. O grupo também realizou voos parabólicos para experimentar a falta de gravidade por alguns segundos e uma caminhada na neve em grande altitude no Monte Rainier, no noroeste dos EUA. Durante a missão, eles terão o sono, a frequência cardíaca, o sangue e as habilidades cognitivas examinadas. Os tripulantes passarão por testes antes e depois do voo como parte de um estudo do impacto da viagem em seus organismos. O objetivo é acumular dados para outras missões com passageiros civis. Relembre a viagem espacial de Jeff Bezos no YouTube do G1 Veja Mais

SpaceX enviará primeira tripulação inteiramente civil à órbita da Terra nesta quarta

Glogo - Ciência Evento de turismo espacial deve durar cerca de três dias e irá além das empreitadas de Jeff Bezos e Richard Branson. Viagem terá bilionário Jared Isaacman, fundador da empresa de comércio eletrônico Shift4 Payments, e mais três tripulantes selecionados por ele. Chris Sembroski, Hayley Arceneaux, Jared Isaacman e Sian Proctor, tripulantes da missão Inspiration4, durante treinamento de força G Inspiration4/John Kraus A SpaceX vai enviar quatro pessoas ao espaço nesta quarta-feira (15) em uma missão de três dias, a primeira que orbitará a Terra com tripulação totalmente civil. O evento irá marcar a entrada da empresa do bilionário Elon Musk na corrida do turismo espacial, que já contou com excursões de outros endinheirados que querem explorar esse mercado. Em julho passado, Richard Branson fez um voo ao espaço de cerca de 20 minutos pela Virgin Galactic, enquanto Jeff Bezos ficou 10 minutos a bordo da nave da sua empresa Blue Origin. Essas viagens também foram realizadas com tripulantes civis, mas não chegaram até a órbita terrestre. LEIA TAMBÉM: Jeff Bezos, homem mais rico do mundo, vai ao espaço e agradece a clientes da Amazon: 'Vocês pagaram' Bilionário Richard Branson vai ao espaço em foguete da sua empresa Virgin Galactic Jeff Bezos ou Elon Musk: a decisão que leva a Nasa aos tribunais Essa é, inclusive, a grande diferença do voo da SpaceX. A missão é muito mais ambiciosa do que os voos da Virgin Galactic e da Blue Origin, que tinham escala suborbital, enviando suas tripulações ao espaço e de volta para a Terra em questão de minutos. O voo da SpaceX é projetado para transportar seus quatro passageiros onde nenhuma tripulação civil jamais esteve: para a órbita terrestre. Lá, eles darão a volta ao redor do globo uma vez a cada 90 minutos e a mais de 27.358 km/h, ou aproximadamente 22 vezes a velocidade do som, segundo a Reuters. A altitude alvo é de 575 quilômetros, além das órbitas da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) ou mesmo do Telescópio Espacial Hubble. O dono da empresa espacial, Elon Musk, não estará no voo – quem fará a viagem será Jared Isaacman, norte-americano fundador da empresa de comércio eletrônico Shift4 Payments. Ele levará outros três companheiros novatos em voos espaciais (veja quem são mais abaixo). O veículo está pronto para decolar do Kennedy Space Center da Nasa no topo de um dos foguetes reutilizáveis Falcon 9, com um lançamento com prazo de 24 horas que se inicia às 21h (horário de Brasília) da próxima quarta (15). A expectativa é que os tripulantes retornem à Terra em 3 dias, mas ainda não foi divulgado o horário exato – isso porque é preciso que as condições climáticas estejam adequadas. A empresa de Elon Musk já transportou pelo menos dez astronautas para a ISS em nome da Nasa, mas essa será a primeira vez que viajarão astronautas não profissionais. Entenda o voo suborbital em vídeo: O que a ida de Bezos ao espaço e um arremesso de basquete tem em comum Quem são os tripulantes Chris Sembroski, Sian Proctor, Jared Isaacman e Hayley Arceneaux, tripulantes da missão Inspiration4 Inspiration4/John Kraus O idealizador da viagem e primeiro tripulante é Jared Isaacman, magnata da tecnologia de 38 anos de idade que investiu uma soma não divulgada para que Elon Musk viabilizasse o evento. Apelidado de Inspiration4, o passeio especial foi concebido por Isaacman principalmente para aumentar a conscientização e o apoio em prol de uma de suas causas favoritas, o St. Jude Children's Research Hospital, importante centro de tratamento de câncer pediátrico. Ele prometeu US$ 100 milhões ao instituto. Cada membro da tripulação foi selecionado para representar um pilar da missão, segundo a agência AFP. A mais jovem, Hayley Arceneaux, de 29 anos, é uma sobrevivente de câncer ósseo na infância, que representa a "esperança". Ela será a primeira pessoa com uma prótese a viajar ao espaço. Arceneaux também trabalha como médica assistente em Memphis, no Hospital St. Jude. A vaga da "generosidade" foi atribuída a Chris Sembroski, de 42 anos, ex-veterano da Força Aérea dos Estados Unidos que trabalha na indústria da aviação. A última cadeira da missão representa a "prosperidade" e foi oferecida a Sian Proctor, uma professora de Ciências de 51 anos que, em 2009, perdeu por pouco a oportunidade de ser astronauta da Nasa. Ela será apenas a quarta mulher afro-americana a viajar ao espaço. Treinamento O treinamento da tripulação durou vários meses, segundo a AFP, e incluiu a experiência de força G em uma centrífuga – um braço gigante que gira em grande velocidade. Também foram realizados voos parabólicos para experimentar a falta de gravidade por alguns segundos e completaram uma caminhada na neve em grande altitude no Monte Rainier, na região noroeste dos Estados Unidos. Durante os três dias em órbita, eles terão o sono, a frequência cardíaca, o sangue e as habilidades cognitivas examinadas. Os tripulantes passarão por testes antes e depois da missão para um estudo do impacto da viagem em seus corpos. A ideia é acumular dados para futuras missões com passageiros privados. Turismo espacial Foguete Falcon 9, da SpaceX, em lançamento realizado em 23 de abril de 2021 NASA/Ben Smegelsky via REUTERS Uma missão bem-sucedida deve ajudar a inaugurar uma nova era de turismo espacial comercial, com várias empresas competindo por clientes ricos e dispostos a pagar uma pequena fortuna para experimentar a alegria do voo supersônico, a ausência de gravidade e o espetáculo visual do espaço. Definir níveis aceitáveis de risco para o consumidor neste empreendimento perigoso de viagem espacial também é fundamental e levanta questões importantes. "Você precisa ser tanto rico como corajoso para embarcar nesses voos agora?" disse Sridhar Tayur, professor de gestão de operações e novos modelos de negócios da Carnegie Mellon University em Pittsburgh, em entrevista à Reuters na última sexta (10). Sonha em ser um turista espacial? Veja o que planejam empresas do setor Steve Wozniak, cofundador da Apple, cria empresa no ramo espacial O objetivo declarado da missão é tornar o espaço acessível para mais pessoas, embora as viagens espaciais permaneçam parcialmente abertas para poucos privilegiados. "Em toda história da humanidade, menos de 600 seres humanos chegaram ao espaço", disse Isaacman à AFP. "Estamos orgulhosos de que nosso voo ajude a influenciar todos aqueles que viajarão depois de nós", concluiu. Entenda a diferença entre voo orbital e voo suborbital G1 1xVelocidade de reprodução0.5xNormal1.2x1.5x2x Veja Mais

Covid-19: Brasil registra 667 mortes nas últimas 24 horas e chega aos 586.590 desde o início da pandemia

Glogo - Ciência País contabiliza 586.590 óbitos e 20.988.702 casos de coronavírus, segundo balanço do consórcio de veículos de imprensa com dados das secretarias de Saúde. O Brasil registrou neste sábado (11) 667 mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas, com o total de óbitos chegando a 586.590 desde o início da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes nos últimos 7 dias ficou em 468. Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de -31% e aponta tendência de queda. Os números estão no novo levantamento do consórcio de veículos de imprensa sobre a situação da pandemia de coronavírus no Brasil, consolidados às 20h deste sábado. O balanço é feito a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Veja a sequência da última semana na média móvel: Domingo (5): 606 Segunda (6): 603 Terça (7): 526 Quarta (8): 461 Quinta (9): 457 Sexta (10): 453 Sábado (11): 468 Em 31 de julho o Brasil voltou a registrar média móvel de mortes abaixo de 1 mil, após um período de 191 dias seguidos com valores superiores. De 17 de março até 10 de maio, foram 55 dias seguidos com essa média móvel acima de 2 mil. No pior momento desse período, a média chegou ao recorde de 3.125, no dia 12 de abril. Amapá, Roraima e Sergipe não registraram mortes nas últimas 24 horas. Acre não divulgou o número de novos casos e de mortes causadas pela doença e Bahia não atualizou o número de casos. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 20.988.702 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 14.079 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 16.612 diagnósticos por dia - abaixo da marca de 20 mil pelo quinto dia seguido e resultando em uma variação de -32% em relação aos casos registrados na média há duas semanas, o que indica queda. Em seu pior momento a curva da média móvel chegou à marca de 77.295 novos casos diários, no dia 23 de junho deste ano. Mortes e casos de coronavírus no Brasil e nos estados Mortes e casos por cidade Veja como está a vacinação no seu estado Brasil, 11 de setembro Total de mortes: 586.590 Registro de mortes em 24 horas: 667 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 468 (variação em 14 dias: -31%) Total de casos confirmados: 20.988.702 Registro de casos confirmados em 24 horas: 14.079 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 16.612 (variação em 14 dias: -32%) Estados Em alta: nenhum estado Em estabilidade (8 estados): PE, CE, RO, RR , GO , SC , MT , RN Em queda (17 estados e o DF): SE, AP, PA, MA, AM, BA, TO, SP, MS, ES, RS, PB, PR, AL, DF, MG, RJ, PI Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Vacinação Balanço da vacinação contra Covid-19 neste sábado (11) aponta que 137.832.335 pessoas já receberam a primeira dose de vacina contra a Covid-19, segundo dados divulgados até as 20h. O número representa 64,61% da população brasileira. Os brasileiros que completaram o esquema vacinal chegaram a 34,08% da população. São 72.705.622 pessoas que tomaram a segunda dose ou a dose única de vacinas. Somando a primeira dose, a segunda, a única e a de reforço, são 210.626.017 doses aplicadas desde o começo da vacinação. Veja a situação nos estados Estados com mortes em estabilidade neste sábado (11) Arte/G1 Estados com mortes em queda neste sábado (11) Arte/G1 Sul PR: -31% RS: -36% SC: -4% Sudeste ES: -40% MG: -21% RJ: -18% SP: -49% Centro-Oeste DF: -23% GO: -1% MS: -44% MT: -9% Norte AC: -60% AM: -59% AP: -67% PA: -66% RO: 6% RR: 0% TO: -54% Nordeste AL: -24% BA: -59% CE: 13% MA: -64% PB: -41% PE: 15% PI: -28% RN: -11% SE: -89% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste a Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). VÍDEOS: mortes por Covid por município mês a mês Números de Covid no Brasil Editoria de Arte/G1 Veja Mais

Brasil tem 747 mortes por Covid-19 em 24 horas e total ultrapassa 585 mil desde o início da pandemia

Glogo - Ciência País contabiliza 585.205 óbitos e 20.958.252 casos de coronavírus, segundo balanço do consórcio de veículos de imprensa com dados das secretarias de Saúde. Brasil tem 747 mortes por Covid e total ultrapassa 585 mil desde o início da pandemia O Brasil registrou nesta quinta-feira (9) 747 mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas, com o total de óbitos chegando a 585.205 desde o início da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes nos últimos 7 dias ficou em 457 - a mais baixa desde 13 de novembro (quando estava em 403). Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de -32% e aponta tendência de queda. É o 17º dia seguido de recuo nesse comparativo. Os números estão no novo levantamento do consórcio de veículos de imprensa sobre a situação da pandemia de coronavírus no Brasil, consolidados às 20h desta quinta-feira. O balanço é feito a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Veja a sequência da última semana na média móvel: Média móvel de mortes Arte G1 Sexta (3): 622 Sábado (4): 609 Domingo (5): 606 Segunda (6): 603 Terça (7): 526 Quarta (8): 461 Quinta (9): 457 Em 31 de julho o Brasil voltou a registrar média móvel de mortes abaixo de 1 mil, após um período de 191 dias seguidos com valores superiores. De 17 de março até 10 de maio, foram 55 dias seguidos com essa média móvel acima de 2 mil. No pior momento desse período, a média chegou ao recorde de 3.125, no dia 12 de abril. Rondônia e Tocantins não divulgaram novos dados de casos e mortes até a noite desta quinta-feira. Acre e Amapá não registraram mortes nas últimas 24 horas. Apenas o estado do Ceará apresenta tendência de alta nas mortes. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 20.958.252 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 32.353 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 18.220 diagnósticos por dia --abaixo da marca de 20 mil pelo terceira dia seguido e resultando em uma variação de -27% em relação aos casos registrados na média há duas semanas, o que indica queda. Em seu pior momento a curva da média móvel chegou à marca de 77.295 novos casos diários, no dia 23 de junho deste ano. Mortes e casos de coronavírus no Brasil e nos estados Mortes e casos por cidade Veja como está a vacinação no seu estado Brasil, 9 de setembro Total de mortes: 585.205 Registro de mortes em 24 horas: 747 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 457 por dia (variação em 14 dias: -32%) Total de casos confirmados: 20.958.252 Registro de casos confirmados em 24 horas: 32.353 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 18.220 (variação em 14 dias: -27%) Estados Em alta (1 estado): CE Em estabilidade (6 estados e o DF): RJ, DF, GO, AP, PB, PE e RN Em queda (17 estados): PR, RS, SC, ES, MG, SP, MS, MT, AC, AM, PA, RR, AL, BA, MA, PI e SE Não divulgou (2 estados): RO e TO Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Vacinação Os brasileiros que estão totalmente imunizados contra a Covid com as duas doses ou a dose única de imunizantes passam de 70 milhões. Segundo dados do consórcio de veículos de imprensa divulgados às 20h desta quinta-feira (9), são 70.424.958 pessoas, o que corresponde a 33,01% da população. Os que estão parcialmente imunizados, ou seja, que apenas a primeira dose de vacinas, são 136.745.375 pessoas, o que corresponde a 64,10% da população. A dose de reforço foi aplicada em 50.577 pessoas (0,02% da população). Veja a situação nos estados Estado com tendência de alta nas mortes Arte G1 Estados com estabilidade Arte G1 Estados com tendência de queda Arte G1 Sul PR: -36% RS: -33% SC: -17% Sudeste ES: -28% MG: -44% RJ: -8% SP: -50% Centro-Oeste DF: -11% GO: -15% MS: -44% MT: -34% Norte AC: -75% AM: -52% AP: 0% PA: -67% RO: estado não divulgou novos dados até as 20h. Considerando os dados até 20h de quarta-feira (8), estava em -24% (queda) RR: -23% TO: estado não divulgou novos dados até as 20h. Considerando os dados até 20h de quarta-feira (8), estava em -45% (queda) Nordeste AL: -26% BA: -23% CE: +19% MA: -51% PB: -11% PE: -13% PI: -29% RN: 10% SE: -80% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste a Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). VÍDEOS: mortes por Covid por município mês a mês . Números de Covid no Brasil Editoria de Arte/G1 Veja Mais

Diagnóstico de demência acaba sendo o início do isolamento

Glogo - Ciência Com frequência, parentes e amigos vão se afastando porque não sabem lidar com a situação Quando um diagnóstico de demência se abate sobre uma família, com frequência a primeira adversidade a ser enfrentada é o distanciamento de parentes e amigos. Tal processo tende a ser progressivo e atinge não apenas o paciente, mas também seu cuidador. Por que mesmo as pessoas próximas se afastam? Algumas razões, que não são desculpas: não sabem o que dizer; temem falar algo inconveniente; sentem-se incapazes de encarar a nova situação, que as remete à sua própria mortalidade. Esse foi o tema do seminário “Construindo e mantendo relações depois de um diagnóstico de demência”, realizado pela ACL (Administration for Community Living), com o objetivo de encorajar cuidadores a buscar ajuda, no seu círculo e em grupos de apoio. Diagnóstico de demência leva ao progressivo afastamento de parentes de amigos Andrew Yuan para Pixabay Os debatedores eram Matthew Estrade, responsável por um programa de formação de mão de obra para pacientes geriátricos na Universidade de Louisiana (EUA), e Ana-Shea Edwards, que há seis anos é a cuidadora da mãe e fez dessa atribuição uma causa, tendo se tornado palestrante em fóruns sobre o assunto. Estrade deu início à apresentação dizendo que, embora quebrar o isolamento e nutrir laços emocionais seja fundamental, a primeira barreira a ser transposta é a da sensação da perda ambígua. O termo foi criado na década de 1970 pela pesquisadora Pauline Boss, professora emérita da Universidade de Minnesota, e descreve um quadro no qual a pessoa está presente fisicamente, mas ausente psicologicamente. Também pode ser aplicado aos que estão fisicamente ausentes, mas psicologicamente presentes – esse foi o tema de seu estudo sobre os soldados norte-americanos que lutavam no Vietnã. “Todos têm o direito de ter sentimentos conflitantes, múltiplas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo e é preciso equilibrar controle e aceitação”, disse Estrade. Ana-Shea foi categórica ao afirmar que o isolamento não é uma saída: “retirar-se do convívio significa perder os rituais sociais. É preciso sair do casulo e procurar grupos e redes de apoio, inclusive on-line. A cultura da sociedade tenta remover o envelhecimento e o processo de morte da vista das pessoas, levando ao isolamento da pessoa doente e do seu cuidador”. Ela acrescentou que, nos grupos de apoio, encontra-se consolo em compartilhar experiências com quem está em situação similar, mas as redes de apoio preenchem a necessidade de conexão e podem significar uma ajuda eficaz, como ter alguém para dividir as tarefas cotidianas. Na sua avaliação, cuidadores se isolam por vergonha, ou porque têm expectativas pouco realistas de que darão conta de tudo. “Esta é uma comunidade marginalizada. As cuidadoras mais velhas passam a se sentir desconfortáveis em seu círculo: as amigas têm filhos e netos, uma vida familiar e social, enquanto elas estão encerradas em seu mundo cheio de atribuições. Os mais jovens perdem a possibilidade das conquistas de sua geração: emprego, casamento, filhos”, concluiu. Dados da pesquisa “The Global Carer Well-being Index”, realizada em 2020, dão um panorama das consequências da pandemia: 20% se tornaram cuidadores pela primeira vez e 33% dedicavam mais de 30 horas por semana a essa atividade. Outros dados relevantes: 81% tiveram que abrir mão de forma significativa da sua vida pessoal; 61% se sentiam pior do ponto de vista emocional ou mental; e 54% enfrentaram uma piora financeira. Veja Mais

Marcelo Queiroga, ministro da Saúde, se encontra com o diretor da OMS, Tedros Adhanom

Glogo - Ciência Queiroga e Tedros participaram de um evento de ministros de Saúde do G20 sobre os impactos da pandemia, em Roma, e aproveitaram para fazer um encontro. Imagem de encontro entre Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor da OMS, e Marcelo Queiroga, ministro da Saúde do Brasil, em 5 de setembro de 2021 Reprodução/Twitter O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, encontrou-se com o ministro da Saúde do Brasil, Marcelo Queiroga, em Roma, na Itália, no domingo (5). Os dois foram participar de um evento de ministros de Saúde do G20 (grupo das 20 maiores economias do mundo) sobre os impactos da pandemia e a estratégia para combater o coronavírus.. Ministros da Saúde do G20 se encontram em Roma para discutir pandemia Em seu perfil em uma rede social, Tedros afirmou que no encontro, eles conversaram sobre o aumento da produção de vacinas contra a Covid-19 e sobre a possibilidade de compartilhar doses na América Latina. Eles também falaram sobre a variante delta e a necessidade de controlar a transmissão e sobre a condição dos pacientes pós-Covid e doenças não transmissíveis, de acordo com Tedros. "Nós concordamos que é preciso dar apoio a mulheres profissionais de saúde. Em uma rede social, o Ministério da Saúde afirmou que Tedros fez elogios à estratégia de vacinação brasileira: "Tedros Adhanom, parabenizou o ministro Marcelo Queiroga pelos resultados positivos da campanha de vacinação brasileira". O próprio Queiroga publicou uma mensagem em um de seus perfis: "Obrigado, Tedros, pelo encontro produtivo. Eu fiquei feliz de compartilhar com você o sucesso do programa de vacinação contra a Covid-19 no Brasil e a expansão da nossa capacidade de produção", afirmou. Vacinação no Brasil O Brasil aplicou mais de 201 milhões de doses de vacinas contra a Covid até o domingo (5), somando a primeira dose, a segunda e a dose única, desde o começo da vacinação. São 201.449.934 doses aplicadas no total. Vacinação contra a Covid no Brasil: 30,32% estão com esquema vacinal completo A população que completou o esquema vacinal e está imunizada é 31,46%, com 67.102.644 de doses aplicadas. Os que estão parcialmente imunizados, ou seja, que apenas a primeira dose de vacinas, são 134.347.290 pessoas, o que corresponde a 62,98% da população. Veja os vídeos mais assistidos do G1 Veja Mais

Gêmeas siamesas que nasceram unidas pela parte de trás da cabeça em Israel conseguem finalmente se ver após cirurgia

Glogo - Ciência Hospital anunciou, neste domingo, que a operação durou mais de 12 horas e envolveu dezenas de especialistas, inclusive do exterior. Veja a foto das bebês de 1 ano fazendo contato visual. Imagem divulgada em 5 de setembro de 2021 pelo Soroka Medical Center, em Israel, mostra gêmeas de um ano fazendo contato visual após terem se submetido a uma rara cirurgia de separação; as meninas, que não tiveram os nomes divulgados, nasceram unidas pela parte de trás da cabeça e uma de costas para a outra Soroka Medical Center via Reuters Duas gêmeas siamesas de um ano que nasceram unidas pela parte de trás cabeça e de costas uma para outra finalmente conseguiram fazer contato visual pela primeira vez após terem passado por uma rara cirurgia de separação em Israel. O Soroka Medical Center anunciou, neste domingo (5), que a operação durou mais de 12 horas e envolveu dezenas de especialistas de Israel e do exterior. Foram meses de preparação. "Esta foi uma cirurgia rara e complexa que foi realizada apenas 20 vezes em todo o mundo [anteriormente] e agora, pela primeira vez, em Israel", disse Mickey Gideon, neurocirurgião pediátrico chefe do hospital, localizado na cidade de Beersheba. LEIA TAMBÉM: Dois anos após cirurgia de separação no DF, gêmeas levam vida normal e sem sequelas Fotos na imprensa israelense mostraram as gêmeas – que não tiveram os nomes divulgados – frente a frente em um berço, com as cabeças enfaixadas. O comunicado Soroka cita que o procedimento envolveu reconstrução craniana e enxertos de couro cabeludo nas duas bebês. "Elas estão se recuperando bem. Estão respirando e comendo", disse Eldad Silberstein, chefe do departamento de cirurgia plástica de Soroka, ao Canal 12 de Israel. No Brasil, um caso bem-sucedido de separação de siameses nos últimos anos foi o das gêmeas Mel e Lis, que também nasceram unidas pela cabeça. Em 2019, elas passaram por uma complexa cirurgia de separação em um hospital de Brasília. Veja, no vídeo abaixo, o primeiro reencontro delas após a operação: Gêmeas siamesas se encontram após cirurgia de separação VÍDEOS: os mais assistidos da semana Veja Mais

Brasil tem média móvel de 622 mortes diárias por Covid; queda na média de casos é de -27%

Glogo - Ciência País contabiliza 582.753 óbitos e 20.854.471 casos de coronavírus, segundo balanço do consórcio de veículos de imprensa com dados das secretarias de Saúde. Brasil registra 749 mortes por Covid em 24 horas O Brasil registrou nesta sexta-feira (3) 749 mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas, com o total de óbitos chegoando a 582.753 desde o início da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes nos últimos 7 dias ficou em 622 --menor marca desde 28 de dezembro (quando estava em 617). Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de -19% e aponta tendência de queda. É o 11º dia seguido de queda nesse comparativo. Os números estão no novo levantamento do consórcio de veículos de imprensa sobre a situação da pandemia de coronavírus no Brasil, consolidados às 20h desta sexta. O balanço é feito a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Evolução da média móvel de óbitos por Covid no Brasil nos últimos 14 dias. A variação percentual leva em conta os números das duas pontas do período Editoria de Arte/G1 Veja a sequência da última semana na média móvel: Sábado (28): 687 Domingo (29): 679 Segunda (30): 671 Terça (31): 671 Quarta (1º): 643 Quinta (2): 628 Sexta (3): 622 Em 31 de julho o Brasil voltou a registrar média móvel de mortes abaixo de 1 mil, após um período de 191 dias seguidos com valores superiores. De 17 de março até 10 de maio, foram 55 dias seguidos com essa média móvel acima de 2 mil. No pior momento desse período, a média chegou ao recorde de 3.125, no dia 12 de abril. Três estados e o Distrito Federal apresentam tendência de alta nas mortes: ES, RJ, DF e RR. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 20.854.471 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 23.759 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 21.547 diagnósticos por dia --o menor registro desde 10 de novembro (quando estava em 19.165), resultando em uma variação de -27% em relação aos casos registrados na média há duas semanas, o que indica queda. No quinto dia seguido em queda, esse é o melhor indicativo dos últimos 23 dias no ritmo de novos casos. Em seu pior momento a curva da média móvel chegou à marca de 77.295 novos casos diários, no dia 23 de junho deste ano. Mortes e casos de coronavírus no Brasil e nos estados Mortes e casos por cidade Veja como está a vacinação no seu estado Brasil, 3 de setembro Total de mortes: 582.753 Registro de mortes em 24 horas: 749 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 622 por dia (variação em 14 dias: -19%) Total de casos confirmados: 20.854.471 Registro de casos confirmados em 24 horas: 23.759 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 21.547 por dia (variação em 14 dias: -27%) Estados Em alta (3 estados e o DF): RR, ES, RJ, DF Em estabilidade (7 estados): SE, BA, AP, RS, MA, GO, SC Em queda (16 estados): PB, MG, MS, AL, PE, PR, PI, MT, TO, AM, SP, RN, PA, AC, RO, CE Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Vacinação Mais de 65 milhões de brasileiros tomaram as doses necessárias e estão imunizados contra a Covid. São 65.872.810 de pessoas que completaram o esquema vacinal, o que corresponde a 30,88% da população do país, de acordo com dados também reunidos pelo consórcio de veículos de imprensa. Os que estão parcialmente imunizados, ou seja, que apenas a primeira dose de vacinas, são 133.811.250 pessoas, o que corresponde a 62,73% da população. Somando a primeira, a segunda e a dose única, são 199.684.060 doses aplicadas no país. Veja a situação nos estados Estados com mortes em alta Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em estabilidade Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em queda Editoria de Arte/G1 Sul PR: -29% RS: -5% SC: -12% Sudeste ES: +41% MG: -18% RJ: +21% SP: -38% Centro-Oeste DF: +16% GO: -9% MS: -22% MT: -36% Norte AC: -50% AM: -38% AP: 0% PA: -39% RO: -61% RR: +55% TO: -37% Nordeste AL: -25% BA: +10% CE: -78% MA: -8% PB: -17% PE: -26% PI: -33% RN: -39% SE: +12% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste a Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). VÍDEOS: mortes por Covid por município mês a mês . Números de Covid no Brasil Editoria de Arte/G1 Veja Mais

Estudo preliminar com 340 mil pessoas compara grupos, incentiva uso e comprova que máscaras são eficazes contra a Covid

Glogo - Ciência Pesquisadores de Yale e Stanford analisaram impacto do uso da proteção em comunidades de Bangladesh, na Ásia. Especialistas ressaltam importância dos resultados diante de orientações que desestimulam o uso da proteção em países como os EUA e o Brasil. Trabalhadoras de fábrica em Bangadlesh usam máscaras durante o trabalho em confecção Mahmud Hossain Opu/AP Um estudo de pesquisadores das universidades americanas de Stanford e Yale, que envolveu centenas de milhares de pessoas, confirmou que as máscaras faciais são eficazes contra a Covid-19. E também apontou que grupos que usavam máscaras com maior poder de filtragem tiveram melhores resultados na redução de casos da doença. (Abaixo, em três tópicos, entenda os detalhes do estudo) Os resultados consideram a observação, na vida real, da evolução da pandemia entre 340 mil moradores de Bangladesh, na Ásia, que foram analisados considerando dois grupos: aqueles que usaram a proteção (e foram incentivados a ampliar o uso) e os que não a adotaram no período. A pesquisa ainda não foi revisada por pares e nem publicada em uma revista científica, mas sua versão preliminar divulgada pela organização "Innovations for Poverty Action" (IPA) tem sido apontada entre especialistas como o maior levantamento sobre o impacto de uma política de uso de máscaras contra o Sars-Cov-2. VÍDEO: Médica Luana Araújo explica importância da máscara mesmo após vacina OUÇA: 'Não deixo de usar máscara de jeito nenhum', diz Drauzio Varella após vacina A nova comprovação científica de que as máscaras são eficazes é avaliada como oportuna por especialistas tanto nos EUA quanto no Brasil. Nos Estados Unidos, onde a variante delta mantém em alta a curva de casos e hospitalizações, há resistência ao uso de máscaras. Governos estaduais chegaram a proibir o uso da proteção em sala de aula, o que levou a um aumento no número de casos nas últimas duas semanas, com o retorno às atividades presenciais. No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro quer desobrigar o uso de máscaras e, recentemente, a subprocuradora Lindôra Araújo, da Procuradoria-Geral da República, alegou não ser "possível realizar testes rigorosos, que comprovem a medida exata da eficácia da máscara de proteção como meio de prevenir a propagação do novo coronavírus". O próprio ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que é contra a obrigação do uso de máscara por lei e, também, contra uma suposta "indústria de multa". Distribuição de máscaras em Bangadlesh IPA/Divulgação Veja, abaixo, os principais pontos do estudo: Por que o estudo é diferente de outros? Estudos anteriores já comprovaram que as máscaras são eficazes em reduzir a disseminação do vírus. Dessa vez, entretanto, os pesquisadores mediram isso em larga escala, diretamente em comunidades: 342.126 pessoas de 600 vilas na zona rural de Bangladesh participaram da pesquisa. Antes, as pesquisas que mediram a eficácia das máscaras fizeram isso em laboratório ou com menos voluntários (centenas de pessoas). Eficácia das máscaras contra a Covid-19 é comprovada pela ciência; veja o que dizem 4 estudos Como o estudo foi feito? Os estudos foram conduzidos entre novembro de 2020 e abril deste ano. Os participantes foram analisados em dois grupos. No primeiro, os pesquisadores selecionaram aleatoriamente 300 vilas com 178.288 pessoas que foram alvo de quatro diferentes tipos de intervenções para estimular o uso da máscara: distribuição gratuita de máscaras, fornecimento de informações corretas sobre o uso, campanhas públicas e incentivo através do exemplo de líderes religiosos e de pessoas de referência na comunidade. No chamado grupo controle, que contou com 163.838 pessoas monitoradas, não foi desenvolvida nenhuma ação de incentivo. Conforme descrito na pesquisa, os cientistas intervieram de modo a em algumas comunidades, mas o oposto não foi feito. Ou seja, não houve desestímulo ao uso de máscaras. "Não limitamos o acesso às máscaras do grupo de controle para pesquisa. Mesmo enquanto a coleta de dados estava sendo concluída, nós garantimos, pessoalmente, doações de mais de 100 milhões de máscaras para distribuir gratuitamente em Bangladesh porque a pesquisa havia mostrado efeitos positivos", explicou Ahmed Mushfiq Mobarak, coautor do estudo e professor de Economia na Universidade de Yale. Mobarak ainda destacou que o protocolo de pesquisa foi intensamente discutido com entidades como a Organização Mundial da Saúde, o Banco Mundial e a Fundação Bill e Melinda Gates, além do próprio governo de Bangadlesh. Como os efeitos foram medidos e quais foram os resultados? Ao longo da pesquisa, uma parcela das pessoas que tiveram sintomas de Covid-19 aceitaram realizar testes sorológicos (para detectar anticorpos) para atestar ou descartar a contaminação pelo novo coronavírus. No geral, o grupo que foi estimulado a utilizar máscaras apresentou uma redução de 9,3% na prevalência de pessoas infectadas pelo novo coronavírus em relação ao grupo que não foi incentivado a usar máscaras. Nas comunidades que usaram exclusivamente máscaras cirúrgicas, a redução na prevalência foi maior: de 11,2%. Ou seja, o estudo reforçou os dados de laboratório e de pesquisas com grupos menores que já comprovaram que máscaras com três camadas são mais eficazes que as de pano. Além disso, ao final da intervenção, o grupo que foi estimulado a usar máscaras teve um aumento de 29 pontos percentuais na adoção do item. Antes, o uso era adotado por 13% da população, número que passou para 42% depois das medidas de incentivo. Mesmo com as campanhas, os pesquisadores ainda estiveram distantes de obter uma adesão total ao uso de máscaras entre a população. O que significa o percentual de redução de casos? Segundo os cientistas, é preciso cautela na interpretação dos resultados. "Nossos resultados não devem ser considerados como implicando que as máscaras podem prevenir apenas 10% dos casos de Covid-19", reforçam os autores no texto. A epidemiologista Denise Garrett, vice-presidente do Instituto Sabin de Vacinas, não participou do estudo, mas analisou os dados gerais da pesquisa. Ela ressalta que o percentual de redução de casos é significativo. "Não é um percentual baixo porque essa redução foi alcançada com um aumento modesto no uso de máscara. Além disso, considerando que a transmissão é exponencial, a prevenção de 10% dos casos se traduz em reduções futuras importantes no crescimento do número de casos", explica Denise Garrett. "Se um aumento modesto no uso de máscaras levou a essas reduções, o uso universal de máscaras pode levar a reduções muito maiores. Cientificamente provado e comprovado!", comentou Garrett. Máscaras são importantes mesmo se já temos vacinas? As vacinas, embora eficazes na prevenção de casos graves e hospitalizações por Covid, não impedem a transmissão do vírus. Além disso, os autores alertam que o uso da proteção facial é uma estratégia barata e viável para países que ainda não dispõem de vacinas disponíveis a toda população na tentativa de diminuir o impacto do novo coronavírus. “Por que falamos de máscaras quando as vacinas estão disponíveis? As vacinas estão disponíveis para vocês, mas não para a área rural de Bangladesh (...), as máscaras continuam sendo uma importante linha de defesa para limitar a disseminação da Covid", disse Mobarak. O que devemos saber sobre as máscaras PFF2/ N95 G1 no YouTube Veja Mais

“A medicina canabinoide é uma revolução”, diz a psiquiatra Ana Hounie

Glogo - Ciência Maconha medicinal pode ser empregada com sucesso no tratamento de demências, hipertensão e outras doenças A psiquiatra Ana Gabriela Hounie tem doutorado e pós-doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Também é especialista em Síndrome de Tourette e transtorno obsessivo compulsivo. O efeito devastador dessas doenças a levou a se interessar, na década de 1990, pela utilização da Cannabis sativa como método terapêutico. No entanto, teve que esperar até 2015, quando a prescrição da maconha medicinal foi liberada pela Anvisa. De lá para cá, já atendeu a mais de 400 pacientes que fazem uso desse tipo de medicação, mas não parou por aí. Diante dos resultados positivos, começou a dar cursos para outros médicos se tornarem prescritores – cerca de 500 até agora, segundo sua estimativa. “A medicina canabinoide tem um amplo espectro de utilização em patologias neurodegenerativas, como demências, Parkinson, esclerose múltipla ou paralisia supranuclear progressiva. Apesar disso, a medicina tradicional só segue o que é publicado em periódicos científicos ou foi aprovado pelo FDA (Food and Drug Administration, o equivalente à Anvisa nos EUA). Ainda há poucos estudos publicados e nenhum interesse por parte da indústria farmacêutica, porque seu objetivo é sintetizar novas drogas e ganhar milhões com a patente, mas as famílias testemunham as mudanças dos pacientes: pessoas com demência que voltam a reconhecer os filhos e a se alimentar sozinhos. É uma revolução”, afirma, antecipando que está finalizando, juntamente com 100 colegas, entre médicos e outros profissionais, um tratado sobre a Cannabis medicinal, livro que será lançado em breve. A psiquiatra Ana Gabriela Hounie: “a medicina canabinoide tem um amplo espectro de utilização em patologias neurodegenerativas, como demências, Parkinson e esclerose múltipla” Divulgação E como a maconha se torna um medicamento tão promissor? Nosso cérebro tem receptores (CB1 e CB2) que são estimulados por canabinoides que, por serem produzidos pelo organismo, são chamados de endocanabinoides, responsáveis por uma extensa lista de funções, incluindo ansiedade e humor. A maconha, por sua vez, tem centenas de compostos químicos, entre eles o CBD (canabidiol) e o THC (tetraidrocanabinol) – mais recentemente, outros começaram a ser estudados, como o canabigerol. Tais compostos são fitocanabinoides, isto é, também são canabinoides e, por este motivo, conseguem estimular os receptores humanos com eficiência. Resumindo: podemos nos valer dos medicamentos derivados da maconha para reparar nosso circuito interno. “O organismo sofre ataques contínuos que vão se acumulando e o CBD é anti-inflamatório. O mecanismo da Doença de Alzheimer é o de uma neuroinflamação, e o THC consegue dissolver placas amiloides que vão se depositando, restabelecendo a comunicação neuronal. Eles abaixam a pressão, diminuem a resistência à insulina, melhoram a função da tireoide, ou seja, levam à desprescrição de medicamentos como antihipertenstivos e metforminas”, explicou a psiquiatra, acrescentando que foi somente nos anos de 1990 que a ciência passou a descrever o sistema endocanabinoide. Nos EUA, o medicamento dronabinol, produzido à base de THC, era receitado para pacientes oncológicos, submetidos à quimioterapia, ou com HIV, para estimular o apetite. Ao ser usado em casas de repouso em idosos portadores de demência com dificuldades para se alimentar, o resultado foi duplamente positivo: melhorou o apetite e diminuiu a agressividade dos doentes. Hoje há quase 60 milhões de pessoas com demência no mundo e esse número deve triplicar até 2050. Está na hora de espanar o mofo das ideias. Veja Mais

Em livro, psiquiatra francês explica como conviver com a mentira

Glogo - Ciência Por que todos nós mentimos? Por que uma mentira atrai outra? O psiquiatra francês Patrick Clervoy, autor do livro Vérité ou Mensonge (Verdade ou Mentira, em tradução livre), estuda esse mecanismo psicológico universal. Novembro/2020 - O presidente Donald Trump fala durante a noite da eleição norte-americana no Salão Leste da Casa Branca, em Washington, em 4 de novembro de 2020 Evan Vucci/AP/Arquivo Por que todos nós mentimos? Qual o mecanismo do processo psicológico que se repete desde os primórdios da humanidade? Por que uma mentira atrai outra? O psiquiatra francês Patrick Clervoy, autor do livro Vérité ou Mensonge (Verdade ou Mentira, em tradução livre), estuda esse mecanismo psicológico universal e conversou com a RFI sobre os múltiplos aspectos da mentira e dos mentirosos. O psiquiatra francês conta que, durante sua carreira, ficou “intrigado” com a dificuldade que a maioria das pessoas tinha em denunciar uma mentira ou o comportamento de um mentiroso, o que levou a escrever uma obra sobre o tema. “Há uma tendência geral em aceitar espontaneamente a mentira alheia, como se as pessoas dissessem: ok, ele está mentindo, nós aceitamos, é assim”, explicou o especialista durante o programa da RFI Priorité Santé. Um comportamento que ele julga “preocupante” para a sociedade, sobretudo em tempos de fake news e desinformação. Ele cita como exemplo a eleição do ex-presidente americano Donald Trump, que mostrou como uma nação inteira pode aceitar e colocar no poder um candidato que contava mentiras, incluindo, por exemplo, falsas informações sobre a Covid-19. O comportamento de Trump no início da pandemia e o desrespeito do próprio presidente à regras de proteção resultou em situação sanitária catastrófica nos EUA. Relembre as mentiras mais famosas de Trump Polícia Federal diz ao TSE que rede bolsonarista usa método de Donald Trump Como podemos definir a mentira? Ela é vista como uma forma de manipulação que visa interferir na ação do interlocutor, que poderia ser diferente caso soubesse a verdade. Em geral, a mentira se opõe à sinceridade ou à franqueza. Em suma, o mentiroso reinterpreta seu próprio discurso com a intenção de enganar e obter, em troca, algum tipo de benefício. “O mentiroso é alguém que se dissimula usando a aparência, palavras ou enunciados que ele quer que o outro tome como verdade”, exemplifica o autor francês. fake news Divulgação Há exemplos de mentirosos na própria natureza, diz o psiquiatra. Um deles é o cuco, um pássaro que não constrói seu próprio ninho e não cuida de seus fihotes. Seus ovos se parecem com o de outras espécies, como o rouxinol. Sua estratégia consiste em retirar um ovo do ninho do rouxinol e colocar o seu no lugar. O bebê cuco, depois de nascer, expulsa os outros passarinhos, mas continuará sendo cuidado pelo rouxinol, apesar de todas as diferenças físicas perceptíveis entre as duas espécies, incluindo o tamanho. O povo, quando aceita um dirigente como Trump, compara o especialista, age como o rouxinol, aceitando as trapaças apesar de todas as evidências. Em seu livro, ele denomina esse comportamento de "síndrome do rouxinol." A mentira pode se tornar patológica e deixar de ser simplesmente um comportamento societal? Patrick Clervoy lembra que todos nós, em situações e circunstâncias diferentes, já mentimos alguma vez na vida. Um exemplo é quando somos convidados para jantar e elogiamos um prato que, na verdade, não apreciamos tanto assim – uma mentira inofensiva, que provavelmente todos nós já contamos. Insistir na mentira “Mentir não é patológico, mas insistir em uma mentira, e não conseguir se desvencilhar dela, mostra uma dificuldade, ou uma patologia”, sublinha. No teatro, no cinema ou na literatura não faltam exemplos de personagens mentirosos. O mais célebre deles é Pinóquio, o boneco que vira humano quando, no fim da história, aprende a parar de mentir. O psiquiatra lembra que a mentira tem, de todo modo, um lado “teatral. ” “Sempre há um jogo, como no teatro, entre a verdade e a mentira, e o papel que cada um de nós assume neste jogo. Não é apenas o mentiroso que participa dele. Há também o crédulo, que se opõe à ideia que a verdade venha à tona”, diz. Como saber, nas relações sociais, se estamos diante de um mentiroso ou não? Para o psiquiatra, é impossível iniciar ou manter um relacionamento, amoroso, de amizade ou profissional, sem confiança. “Devemos dar, por princípio, um voto de confiança, mas ter uma postura vigilante, observando, verificando”, declara. “Nossa vida é difícil porque temos que de maneira permanente, julgar a qualidade da relação de confiança”, resume. Relembre: Veja Mais

Bella Hadid desabafa sobre depressão: 'Há sempre uma luz no fim do túnel'

Glogo - Ciência Segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), 11,5 milhões de brasileiros (ou 5,8% da população do país) já tiveram pelo menos um episódio de depressão. É a maior taxa do continente latino-americano. Bella Hadid publicou diversas fotos chorando ao tratar de problemas de saúde mental Reprodução/Instagram/BellaHadid A modelo americana Bella Hadid, 25, veio a público falar sobre a "montanha-russa" que tem sido sua saúde mental, com "crises e burnouts", em meio a um quadro de depressão e ansiedade. Em sua conta no Instagram, onde é seguida por 47 milhões de usuários, ela lembrou a quem estiver sofrendo também que "você não está sozinho". Ela escreveu em resposta a um vídeo da atriz e cantora americana Willow Smith sobre insegurança e ansiedade. Segundo Hadid, o material a fez se sentir "menos sozinha". A modelo compartilhou um trecho desse ao lado de uma série de fotos dela própria chorando. "Rede social não é a realidade. Para quem estiver sofrendo, se lembre disso. Algumas vezes tudo que você precisa ouvir é que não está sozinho", escreveu. "Eu já tive crises e burnouts (síndrome de esgotamento) o suficiente para saber disso: se você trabalha duro o bastante em si mesma, gastando tempo sozinha para entender seus traumas, gatilhos, alegras e rotinas, você sempre será capaz de entender ou aprender mais sobre sua própria dor e como lidar com ela". Essa não é a primeira vez que Hadid fala sobre essas doenças, que enfrenta desde a adolescência. Bella Hadid posa no tapete vermelho do Festival de Cannes Reuters/Johanna Geron Em 2019, por exemplo, a modelo disse no Dia Mundial da Saúde Mental que esse quadro de ansiedade ou depressão "era uma batalha que a maioria de nós já lidou no passado ou está lidando atualmente". Segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), 11,5 milhões de brasileiros (ou 5,8% da população do país) já tiveram pelo menos um episódio de depressão. É a maior taxa do continente latino-americano. Em seu post, Hadid também compartilhou alguns conselhos com seguidores que podem enfrentar problemas de saúde mental, que podem ser tratados por profissionais especializados como psiquiatras e psicólogos. "Eu quero que você saiba que há sempre uma luz no fim do túnel, e a montanha-russa sempre vai parar completamente em algum momento", disse. "Há sempre espaço para começar de novo, mas para mim sempre foi bom saber que mesmo que ocorra por alguns dias, semanas ou meses, vai melhorar, até certo ponto, mesmo por um momento." Impacto das redes sociais Bella Hadid tem feito críticas a redes sociais e ressaltado que as pessoas com problemas de saúde mental não estão sozinhas Reprodução/Instagram/Bella Hadid Em janeiro deste ano, Hadid afirmou ter se afastado das redes sociais para tentar melhorar sua saúde mental. E ela não é a única. A cantora e compositora americana Lana Del Rey fechou suas contas em setembro, e o músico inglês Ed Sheeran praticamente não usa essas plataformas desde 2015. A empresa que é dona do Instagram, Meta (ex-Facebook), tem sido alvo de críticas crescentes, incluindo uma ex-funcionária que afirmou que a plataforma voltada a fotos e vídeos "era mais perigosa que as outras formas de rede social". Frances Haugen, que denunciou a empresa, afirmou no mês passado que o Instagram tem "inquestionavelmente piorado o ódio (na internet)". Segundo ela, a plataforma se trata de "comparações sociais e sobre corpos, sobre estilos de vida e tudo isso acaba sendo muito pior entre os jovens". Uma pesquisa do instituto de pesquisa Pew, dos Estados Unidos, mostrou que quatro em cada dez americanos já foram alvo de algum tipo de abuso ou agressão na internet. Entre os mais jovens, os ataques virtuais são ainda mais comuns: seis em cada dez pessoas com menos de 30 anos disseram ter passado por isso. Em alguns casos, o ódio pode desencadear uma crise de depressão e outros transtornos mentais. É importante dizer que a ciência ainda não consegue cravar qual é a exata relação entre as redes sociais e a saúde mental. As irmãs Gigi Hadid e Bella Hadid posa no tapete vermelho do VMA 2019 nesta segunda (26) Evan Agostini/Invision/AP Há estudos que apontam que há uma correlação entre o uso de redes sociais e ter depressão, por exemplo. Mas, como qualquer bom cientista vai dizer, correlação não é o mesmo que causa. Pesquisas também indicam que pessoas deprimidas tendem a se refugiar nas redes sociais. E, aí, o que veio primeiro: o ovo ou a galinha? Outro ponto importante: a depressão e outros transtornos mentais têm uma série de causas combinadas, que passam pela genética, o ambiente social e o histórico de vida de uma pessoa. Tipos de depressão Existem classes diferentes de depressão. A depressão que impacta a maioria dos pacientes é a unipolar, também conhecida como transtorno depressivo maior. A causa mais comum é de cunho genético, mas também pode ser provocada por perdas, estresse e até problemas neurológicos. O diagnóstico depende da avaliação do histórico de doenças psiquiátricas da família, e ainda não há exames clínicos, como os de sangue ou ressonância magnética, capazes de identificar o transtorno. LEIA MAIS: Entenda diferenças entre burnout, estresse e depressão Outro tipo é a depressão bipolar, considerada a mais difícil de ser identificada. Um estudo publicado na revista Brasileira de Psiquiatria mostrou que, em média, leva-se oito anos para diagnosticar um paciente com depressão bipolar. O transtorno bipolar do tipo 1 é a forma mais clássica e é caracterizado pela euforia (mania e hipomania). Já o do tipo 2, que é a depressão bipolar, o paciente apresenta quadros de tristeza e hipomania — estado mais leve de euforia, otimismo e, às vezes, agressividade. Uma pessoa deprimida costuma perder o interesse pelas suas atividades cotidianas. Fica triste e desanimada por mais do que alguns dias. Pode ter problemas para dormir ou perder o apetite. Nos casos mais graves, chega a pensar em suicídio. Caso você esteja pensando em cometer suicídio, procure ajuda no Centro de Valorização da Vida e o Centro de Atenção Psicossocial (CAP) da sua cidade. O CVV (https://www.cvv.org.br/) funciona 24 horas por dia (inclusive aos feriados) pelo telefone 188, e também atende por e-mail, chat e pessoalmente. São mais de 120 postos de atendimento em todo o Brasil. Veja Mais

Saúde dos mais velhos está associada à motivação

Glogo - Ciência Pesquisadores enfatizam que a discriminação é extremamente perniciosa, afetando a capacidade de engajamento dos idosos Divididas em quatro periódicos diferentes, “The Journals of Gerontology” são as primeiras revistas científicas sobre envelhecimento publicadas nos Estados Unidos. No início de outubro, foi lançado um número contendo nove artigos, que podem ser lidos gratuitamente, que se concentram numa “receita” para o envelhecimento saudável: motivação. No suplemento, pesquisadores revisaram estudos realizados na área da ciência da motivação, que investiga o que as pessoas desejam, rejeitam ou temem; como transformam esses sentimentos em objetivos a serem alcançados; de que forma continuam apegadas a essas metas ou se as abandonam; e como se dá todo o processo ao longo do tempo. Saúde dos idosos: a discriminação é perniciosa porque afeta a capacidade de engajamento, não somente em atividades prazerosas, mas inclusive no controle de doenças crônicas Ramses51 para Pixabay O trabalho é resultado de três oficinas interdisciplinares que reuniram profissionais de áreas como psicologia, psiquiatria, neurociência, geriatria, gerontologia e saúde pública. Juntos apontam para o papel central da motivação para envelhecer bem. Num deles, “Effort mobilization and healthy aging” (“O esforço da mobilização e o envelhecimento saudável”), os autores enfatizam que, embora as pessoas tenham conhecimento sobre a necessidade de manter um estilo de vida saudável, resultados positivos dependem de empenho – esforço e persistência estão ligados não apenas a fatores físicos, mas também psicológicos e sociais. Como era de se esperar, os pesquisadores ressaltam que a discriminação é extremamente perniciosa para os idosos: sua carga negativa causa estresse e reduz a autoestima, afetando sua capacidade de engajamento – não somente em atividades prazerosas, mas inclusive no controle de doenças crônicas. Eu complementaria: é o equivalente a envenená-los. Por isso, conexões sociais significativas funcionam como uma rede de proteção para alimentar o que os japoneses chamam de ikigai: um motivo para sair da cama todos os dias. Além disso, pregam que as políticas públicas de saúde deveriam oferecer à população suporte para mudanças comportamentais e a adoção de hábitos saudáveis, que vai se refletir na velhice. A “receita” está dada, mas cabe à sociedade como um todo fazer com que aconteça. Veja Mais

Fonoaudiologia aprimora a capacidade de comunicação de idosos

Glogo - Ciência Especialistas afirmam que foco deveria ser na prevenção, e não apenas no tratamento de patologias A longevidade trouxe à tona uma questão que antes passava meio despercebida: nossa voz também envelhece. São mudanças que impactam não somente idosos frágeis, mas quem ainda está na ativa – e assim pretende continuar até uma idade avançada. Por isso, o papel da fonoaudiologia para manter e aprimorar a competência comunicativa ganha cada vez mais espaço, e foi um dos temas do Congresso da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, realizado entre os dias 13 e 16. Para a fonoaudióloga Renata Azevedo, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), trata-se de uma ferramenta indispensável atualmente: “trabalhar a competência comunicativa de uma pessoa possibilita que a voz dê vazão às suas demandas e necessidades”, resumiu. E por que a especialista diz isso? Cerca de 50% dos idosos relatam enfrentar momentos de disfonia, o que significa apresentar algum tipo de dificuldade na emissão vocal que impeça ou atrapalhe a produção natural da voz. A professora ressaltou que o estilo de vida se reflete na voz na maturidade: hábitos como o consumo de álcool e cigarros, alimentação e sono de má qualidade, sedentarismo, excesso de estresse – todas as variáveis terão peso, mas, mesmo diante de mudanças no organismo, é possível potencializar os recursos existentes. Comunicação inclui voz, articulação, clareza, dinamismo, fluência, gestos. Perder parte desses atributos tem impacto em atividades profissionais e de lazer Joseph Shohmelian para Pixabay Com o envelhecimento, a laringe sofre duas alterações relevantes do ponto de vista fisiológico: o enrijecimento das cartilagens e a flacidez da musculatura. A rigidez impede a variação de tom e deixa a voz agudizada. Ela vai se tornando mais frágil, com menor projeção e intensidade, e é comum que saia “tremida”. A flacidez leva à perda do tônus muscular. Comunicação inclui voz, articulação, projeção, clareza, inteligibilidade, dinamismo, fluência, gestos. Perder parte desses atributos tem impacto em atividades profissionais e de lazer, nos relacionamentos e nas interações sociais. Em última instância, pode levar ao isolamento e à solidão. Nos casos de demência, Juliana Onofre de Lima, mestre e doutora pela Unifesp, e professora da UnB, enfatizou a importância de a abordagem fonoaudiológica não ocorrer apenas quando a doença está num estágio avançado. É comum que idosos só recebam atendimento quando já apresentam problemas de disfagia, que se caracteriza pela dificuldade na sequência dos movimentos da boca até o estômago ao engolir alimento, líquido, comprimido ou mesmo a saliva. “Intervenções voltadas para aprimorar a comunicação têm como objetivo maximizar a independência da pessoa pelo maior tempo possível, otimizando sua participação em atividades e incrementando sua qualidade de vida”, afirmou. Através de treino e estimulação, é possível que um paciente consiga se envolver em tarefas do dia a dia, o que, certamente, vai melhorar sua autoestima. Veja Mais

Pesquisa desenvolvida na UFV abre novos caminhos para produção de leite humano em pó

Glogo - Ciência O objetivo é trazer mais a eficiência dos Bancos de Leite Humano (BLH) e aumentar a capacidade de distribuição do alimento considerado o melhor e mais completo para os bebês. Pesquisador Otávio Augusto Silva Ribeiro desenvolveu método para leite humano em pó na UFV UFV/Divulgação A Universidade Federal de Viçosa (UFV) realiza uma pesquisa que pode ampliar a produção de leite humano em pó. O objetivo é trazer mais a eficiência dos Bancos de Leite Humano (BLH) e aumentar a capacidade de distribuição do alimento considerado o melhor e mais completo para os bebês. Durante um estudo, o pesquisador Otávio Augusto Silva Ribeiro constatou que o Leite Humano Ordenhado (LHO) não conforme, ou seja, aquele que é descartado pelos bancos de leite pela presença de sujidades físicas, também pode, após processamento, ser consumido pelos recém-nascidos. O pesquisador, que é engenheiro de alimentos e professor da Universidade Federal do Acre, explicou que 40% do LHO é descartado por não conformidade, devido a sujidades que podem ser provenientes de pelos da própria mãe ou descamação da pele do seio. Na pesquisa, Otávio realizou processos de filtração, pasteurização e homogeneização e pôde verificar a qualidade do LHO não conforme por sujidades físicas. Também foi analisado o aspecto nutricional quanto em segurança, que diz respeito à ausência de microrganismos contaminantes após pasteurização. Ele também realizou a quantificação de ácidos graxos livres durante os seis meses de armazenamento. O objetivo nesse caso foi investigar o quanto se perde na concentração desses ácidos, que têm um papel essencial no desenvolvimento da criança: da formação dos sistemas cognitivo e visual e proteção do organismo até a absorção de cálcio, com auxílio na formação do sistema ósseo. As análises concluíram que após o processamento o LHO não conforme por sujidades físicas manteve as características nutricionais do LHO conforme, que é utilizado pelos bancos de leite. O mesmo ocorreu com a segurança microbiológica depois da pasteurização. A descoberta levou o pesquisador a uma nova etapa: a do beneficiamento para a obtenção de leite humano em pó. Embora já existam estudos nesta direção, Otávio explicou que nenhum abrange todas as tecnologias que utilizou até chegar à secagem, dentre elas a homogeneização. Durante a pesquisa, Otávio desenvolveu uma técnica de processamento que adaptou tecnologias já existentes para a utilização no leite humano, para que, a partir dos parâmetros usados, não houvesse perdas expressivas nos componentes nutricionais. A homogeneização por ultrassom, o spray dryer e a liofitização para obtenção do leite humano em pó foram algumas dessas tecnologias. A técnica desenvolvida resultou em um leite humano homogeneizado em pó que manteve, praticamente, todas as características nutricionais do LHO. Houve apenas uma redução da concentração de imunoglobulinas (proteínas de defesa), mas elas continuaram presentes. A “É um alimento melhor que as fórmulas alimentares comerciais, já que, mesmo processado, ainda é composto somente por leite humano”, destacou o pesquisador. Perspectivas Apesar de o foco inicial da pesquisa ter sido o LHO com sujidades físicas, a técnica que o ex-estudante de doutorado da UFV desenvolveu para a obtenção do leite humano homogeneizado em pó pode ser utilizada tanto no leite não conforme quanto no conforme. Isso porque o leite em pó não necessita dos 18 graus negativos de temperatura de congelamento para o armazenamento. Além dessa vantagem, o armazenamento pode se dar, por exemplo, em embalagens a vácuo, que demandam espaços menores e facilitam o transporte para locais com maior demanda. Otávio destacou a grande contribuição social da pesquisa pela possibilidade que traz de melhorar as formas de utilização do leite humano ordenhado pelos bancos. Além de reduzir as perdas por descarte de leite humano, o que aumenta o volume que pode ser utilizado. O engenheiro de alimentos lembra que a comercialização do leite humano no Brasil é proibida. Por isso, as técnicas de processamento que desenvolveu são destinadas exclusivamente ao banco de leite humano. A pesquisa demonstrou que é possível utilizar o leite humano em pó com segurança, mas para a produção necessita de investimentos nos bancos de leite. As análises do pesquisador ocorreram na UFV, entre 2017 e 2021, nos laboratórios de Operações e Processos (Departamento de Tecnologia de Alimentos) e de Biocombustíveis (Departamento de Engenharia Agrícola) e no Núcleo de Microscopia e Microanálise. A pesquisa resultou na tese Caracterização nutricional e beneficiamento do leite humano ordenhado descartado por não conformidade, desenvolvida com o apoio da Capes, CNPq, Fapemig e Petrobras. O trabalho teve início em uma parceria com o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), por meio do coordenador da rBLH-BR, João Aprígio Guerra de Almeira, ex-aluno da UFV, e da responsável pelo Centro de Referência Nacional para Bancos de Leite Humano, Danielle Aparecida da Silva. VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes Veja Mais

Pesquisa mostra que cariocas e fluminenses não se preparam para a velhice

Glogo - Ciência Metade dos entrevistados entre 55 e 64 anos admite nunca ter se preocupado com uma rotina de cuidados preventivos com a saúde O Rio de Janeiro concentra uma das maiores populações de idosos do país e, por isso mesmo, pode funcionar como uma espécie de laboratório sobre o envelhecimento. No entanto, se dependermos dessa referência, a situação não é boa: de acordo com pesquisa realizada pela consultoria Hype50+ para a operadora Leve Saúde, cariocas e fluminenses da Região Metropolitana não estão se preparando como deveriam para a jornada da longevidade. Envelhecimento: metade dos entrevistados entre 55 e 64 anos admite nunca ter se preocupado com uma rotina de cuidados preventivos com a saúde Pasja1000 para Pixabay O objetivo do levantamento foi traçar um perfil sobre hábitos e a saúde de pessoas com mais de 55 anos, moradoras dos municípios do Rio, de Niterói e Duque de Caxias. A pesquisa qualitativa teve dez grupos on-line, com 42 participantes: homens e mulheres, com e sem convênio médico, das classes A, B e C. Foi criado ainda um grupo de cuidadores de idosos com mais de 75 anos, também com e sem convênio, das classes B e C. Além disso, o trabalho quantitativo teve 1.005 entrevistas presenciais. Apesar da consciência sobre a importância da prevenção, há uma grande distância entre saber e a prática. Metade dos entrevistados entre 55 e 64 anos admitiu nunca ter se preocupado com uma rotina de cuidados preventivos com a saúde. O percentual é maior na faixa entre 65 e 74 anos (61%) e acima dos 75 (60%). Interessante é que 57% dos que estão entre 65 e 74 anos avaliam sua saúde como boa ou ótima, mesmo que sejam portadores de doenças crônicas. No grupo dos 55-64 anos, o percentual é de 63%. O estudo utilizou os parâmetros da faculdade de saúde pública da Universidade Harvard (EUA) sobre cinco hábitos que poderiam prolongar a vida em pelo menos uma década: alimentação saudável, atividade física, peso controlado, consumo reduzido de álcool e não fumar. Com base nesses critérios, 52% declararam ter uma dieta equilibrada, 41% realizam atividade física, 54% afirmaram controlar o peso e 95% entendem o risco do tabagismo, mas apenas 29% têm conhecimento sobre a necessidade do consumo moderado de álcool. Apesar de não ter sido o principal foco da pesquisa, ficou clara a relevância da figura dos cuidadores familiares, sendo que a maioria deles (56%) era composta por filhos dos idosos. Entretanto, eles reconhecem não estar preparados para a demanda física, emocional e financeira dessa rotina. Veja Mais

Centro que abriga Sirius fecha acordo com maior produtor de nióbio do mundo para desenvolver supercondutores; entenda

Glogo - Ciência Aplicação da liga que será objeto de estudo inclui o próprio acelerador de partículas brasileiro, bem como pode ampliar o mercado de produtos com maior valor agregado que usam o minério. Sirius, laboratório de luz síncrotron de 4ª geração em Campinas (SP) Nelson Kon O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), que abriga o superlaboratório Sirius, em Campinas (SP), fechou acordo para pesquisa e desenvolvimento de materiais supercondutores com a CBMM, empresa brasileira que é a maior produtora de nióbio do mundo. Além de aplicação no próprio acelerador de partículas brasileiro, a liga de nióbio-titânio que será objeto dos trabalhos poderá ser utilizada em aplicações variadas, incluindo áreas médica, elétrica e eletrônica, entre outros. O anúncio oficial do acordo entre CNPEM e CBMM faz parte da agenda do presidente Jair Bolsonaro, que visita Campinas (SP) nesta sexta-feira (8) para participar de uma feira de nióbio e inaugurar estruturas do Sirius. Atualmente o Brasil é o maior produtor de nióbio do mundo, sendo que 80% desse mercado é atendido pela CBMM. Apesar de dominar o mercado, não é o único país a explorar o minério. "O nióbio não é raro", destaca a companhia. Há pelo menos 85 jazidas quantificadas no mundo, incluindo Canadá , Austrália, Rússia, Estados Unidos e diversos países da África. Nióbio: g1 visita em MG complexo industrial do maior produtor do mundo O minério é usado principalmente na produção de aços especiais e superligas, sendo empregado atualmente em automóveis, turbinas de avião, gasodutos, navios, aparelhos de ressonância magnética, aceleradores de partículas, lentes e até piercings e bijuterias. A CBMM é a maior produtora mundial de nióbio; cerca de 80% de todo o nióbio que é vendido no mundo é produzido em Araxá (MG) Fabio Tito/G1 Enquanto o CNPEM busca o desenvolvimento dos supercondutores para aplicação no próprio Sirius e também como parte do acordo de cooperação com a Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), responsável pela operação do maior colisor de partículas do mundo, a CBMM vê na parceria a possibilidade de ampliar a demanda mundial por nióbio, criando oferta de produtos com maior valor agregado. "Há uma sinergia muito grande. Nossos interesses são comuns, passam pelo desenvolvimento de tecnologia. Mas aplicação de supercondutividade não é nosso negócio, a gente pode ajudar na metalurgia das ligas a base de nióbio. Esses produtos vão beneficiar o mercado, e criar nichos para outras empresas e novas tecnologias", pontua Rodolfo Morgado, gerente de produtos especiais da CBMM. Do total de negócios da CBMM com nióbio, 95% envolvem aplicações do aço, e apenas 5% vão para aplicações de produtos especiais, que incluem usos em equipamentos médicos, como ressonâncias, além da indústria de energia e aeroespacial. Essas aplicações representam 10% da receita da empresa. "Nosso desafio é a demanda, principalmente a com maior valor agregado. O mercado mundial hoje é da ordem de 100 mil toneladas de nióbio por ano, e a CBMM tem capacidade de produzir 150 mil toneladas, ou seja, conseguiria sozinha atender a toda demanda sem outro player", explica Morgado. Nióbio Infografia: Juliane Souza/G1 Tecnologia necessária Gerente de engenharia e tecnologia do CNPEM, James Citadini destaca que o pauta sobre materiais supercondutores existe desde antes da concepção do Sirius. Parte da tecnologia que será necessária para montagem de futuras linhas de pesquisa dependem de materiais com essas especificidades, e a busca pela parceria para desenvolvimento foi uma solução encontrada. Enquanto a CBMM entra com o produto e conhecimento na metalurgia do nióbio, os pesquisadores brasileiros contam com o know-how do CERN para avançar no desenvolvimento de supercondutores - recentemente o Brasil foi aceito como membro associado do CERN, que opera Grande Colisor de Hádrons (LHC), maior colisor de partículas do planeta, trabalha no projeto do Futuro Colisor de Hádrons (FCC), uma infraestrutura quatro vezes maior, com cerca de 100 quilômetros de extensão, e que vai depender desse tipo de material. Segundo Citadini, por conta dessa troca de conhecimento, um trabalho que poderia levar anos para desenvolvimento de um projeto conceitual de um novo ímã supercondutor que deve ser usado no Sirius, foi concluído em seis meses. "O desenvolvimento do projeto era previsto em três anos, sendo que o primeiro seria dedicado a parte conceitual, mas isso ocorreu em seis meses. Eu tenho como meta ter um protótipo funcional desse imã no final de 2022", avisa Citadini. O que é o Sirius? Sirius: maior estrutura científica do país, instalada em Campinas (SP). CNPEM/Sirius/Divulgação Principal projeto científico do governo federal, o Sirius é um laboratório de luz síncrotron de 4ª geração, que atua como uma espécie de "raio X superpotente" que analisa diversos tipos de materiais em escalas de átomos e moléculas. Entenda o Sirius, o novo acelerador de partículas do Brasil Além do Sirius, há apenas outro laboratório de 4ª geração de luz síncrotron operando no mundo: o MAX-IV, na Suécia. Para observar as estruturas, os cientistas aceleram os elétrons quase na velocidade da luz, fazendo com que percorram o túnel de 500 metros de comprimento 600 mil vezes por segundo. Depois, os elétrons são desviados para uma das estações de pesquisa, ou linhas de luz, para realizar os experimentos. Esse desvio é realizado com a ajuda de imãs superpotentes, e eles são responsáveis por gerar a luz síncrotron. Apesar de extremamente brilhante, ela é invisível a olho nu. Segundo os cientistas, o feixe é 30 vezes mais fino que o diâmetro de um fio de cabelo. Entenda como funciona o Sirius, o Laboratório de Luz Síncrotron Infográfico: Juliane Monteiro, Igor Estrella e Rodrigo Cunha/G1 Veja mais notícias da região no G1 Campinas Veja Mais

Pesquisa comprova o impacto da Covid-19 no controle do diabetes

Glogo - Ciência Durante a pandemia, portadores do tipo 2 da doença tiveram dificuldade em administrar o nível glicêmico e manter o peso Com a gradual retomada das consultas, os médicos já vinham observando o problema em seus consultórios, e agora uma pesquisa internacional confirma a gravidade da situação: o isolamento provocado pela Covid-19 teve um impacto bastante negativo no aumento de peso e controle da glicemia dos portadores de diabetes tipo 2. O interessante é que, entre os pacientes com diabetes tipo 1, aconteceu o oposto. Trata-se de uma revisão e meta-análise (técnica estatística para integrar resultados de diferentes levantamentos) de 33 trabalhos que cobrem dez países e 4.700 pessoas. Foi apresentada no encontro anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD em inglês), no fim de setembro. Isolamento provocado pela Covid-19 teve um impacto bastante negativo no aumento de peso e controle da glicemia dos portadores de diabetes tipo 2 Peter Stanic para Pixabay “Com o desenrolar da pandemia, nossas preocupações foram crescendo à medida que aumentava o número de consultas remotas e as pessoas experimentavam mudanças em seu dia a dia que geravam ansiedade e estresse. Nossa análise mostrou que, enquanto os pacientes do tipo 1 administraram bem a situação, os do tipo 2 pagaram um preço alto. É importante lembrar que o descontrole glicêmico está associado a diversos tipos de câncer, complicações renais, cegueira, amputações, infarto e derrame”, afirmou Claudia Eberle, da Universidade de Ciências Aplicadas de Fulda, na Alemanha. Em 2019, pelo menos 9% dos adultos entre 20 e 79 anos – cerca de 463 milhões no mundo inteiro – viviam com diabetes. O tipo 1 é a segunda doença crônica mais comum em crianças, respondendo por 85% dos casos abaixo dos 20 anos. Entretanto, o tipo 2 representa entre 90% e 95% de todos os diagnósticos da doença. Para a pesquisadora, o período de quarentena pode ter levado pacientes com o tipo 1, a maioria convivendo com a doença desde a infância, a aprofundar a consciência sobre sua condição. Em compensação, os do tipo 2, que em grande parte desenvolveram o quadro já adultos, podem ter sido afetados mais fortemente pelo estresse, alimentando-se mal e deixando de lado a atividade física. Vale ainda registrar um outro estudo, também divulgado no evento, que mostra que mulheres com diabetes não recebem o mesmo cuidado de prevenção de doença cardiovascular que os homens. A pesquisa contou com quase 10 mil adultos portadores do tipo 2, com ou sem doença cardiovascular preexistente, e descobriu que, para elas, é menor a prescrição de estatinas, aspirina ou medicamentos para a pressão arterial. “Apesar das evidências sobre os benefícios de controlar fatores de risco, baixando os níveis de pressão e colesterol, uma proporção inaceitável de mulheres não recebe o tratamento recomendado, e a doença cardiovascular é a principal causa de mortes femininas”, enfatizou Giulia Ferrannini, médica do Karolinska Institutet, na Suécia. Veja Mais

EUA autoriza novos lançamentos da Virgin Galactic após concluir investigação

Glogo - Ciência Voos especiais pela empresa estavam suspensos após desvio no trajeto do foguete em julho enquanto se direcionava para o pouso. VÍDEO: Veja os melhores momentos do voo de Richard Branson ao espaço A Virgin Galactic anunciou nesta quarta-feira (29) que foi autorizada a realizar voos espaciais, depois que a Agência Federal de Aviação (FAA) concluiu uma investigação sobre um "contratempo" de segurança relacionado com sua missão em julho, que contou com a presença do fundador da companhia, Richard Branson. A FAA informou à compania que tinha aceito as medidas corretivas propostas em relação ao voo, no qual o veículo SpaceShipTwo caiu abaixo de seu espaço aéreo durante a descida na pista de pouso em Spaceport America, Novo México. A investigação teve início depois de uma reportagem da revista The New Yorker apontar que o desvio no plano de voo fez com que alertas de segurança fossem acionados na cabine da nave da Virgin Galactic e que o sinal deveria ter sido motivo para que a missão fosse abortada. A Virgin Galactic disse que fará seus cálculos para voos futuros e pedirá mais espaço aéreo. A empresa também prometeu comunicação em tempo real com a FAA durante as operações de voo. "Toda a nossa abordagem de voos espaciais está orientado por um compromisso fundamental com a segurança em todos os níveis, inclusive nosso sistema de voos espaciais e nosso programa de voos de testes", disse o diretor-executivo da companhia, Michael Colglazier, em um comunicado. "Apreciamos a revisão exaustiva desta investigação de parte da FAA. Nosso programa de voo de testes está projetado especificamente para melhorar continuamente nossos processos e procedimentos". Leia mais: Entenda as diferenças da viagem da SpaceX para as de Bezos e Branson Elon Musk, Jeff Bezos, Richard Branson: os multimilionários que disputam a nova corrida espacial Sonha em ser um turista espacial? Veja o que as empresas planejam Voo de risco A FAA manteve em solo a Virgin Galactic no começo do mês depois que uma reportagem investigativa da revista The New Yorker reportou que o voo experimentou irregularidades que poderiam ter posto em risco a missão. O artigo destacou que os pilotos encontraram advertências na cabine que indicavam que a ascensão do avião espacial propulsionado por foguetes era superficial demais e o nariz do foguete - ou seja, sua extremidade superior - não estava suficientemente na vertical. Isso poderia ter significado que, depois de levar sua tripulação ao limiar do espaço, faltaria energia suficiente para a aeronave planar de volta à pista de pouso na Terra. De acordo com a reportagem citando fontes anônimas dentro da empresa fundada por Branson, a forma mais segura de reagir a esses alertas teria sido interromper a missão. Os dois pilotos a bordo decidiram continuar apesar das luzes, e o pouso finalmente ocorreu sem problemas. VÍDEO: Foguete da Virgin Galactic pousa em segurança Em um comunicado, a FAA confirmou que tinha encerrado sua "investigação do contratempo". "A FAA também descobriu que a Virgin Galactic não comunicou o desvio à FAA como requerido", acrescentou o comunicado. A declaração sugere que a agência só soube da irregularidade pelo artigo na The New Yorker. A Virgin Galactic está planejando seu próximo voo de testes com membros da força aérea italiana em meados de outubro. Veja Mais

O que você acha de aderir ao fitness imunológico?

Glogo - Ciência Vacinas podem ser encaradas como mais um elemento para garantir um estilo de vida saudável O que é mais importante para você ter qualidade de vida nos próximos dez anos? A pergunta foi feita a 16 mil pessoas acima dos 50 anos, de oito países, entre eles o Brasil, e 94% cravaram boa saúde como resposta. O foco do levantamento, encomendado pela gigante farmacêutica GSK e realizado pelo instituto de pesquisa Kantar, era vacinação e envelhecimento saudável, e, se houve algum saldo positivo da pandemia, foi a valorização da saúde. Antes do novo coronavírus mudar a cara do século, 74% dos brasileiros consideravam o atributo muito importante; agora o percentual é de 85%, o mais alto entre os países pesquisados. Nos demais – Estados Unidos, Canadá, Alemanha, França, Japão, Itália e Espanha – a média também subiu, passando de 65% para 76%. O Brasil ainda registrou uma alta notável da percepção sobre a relevância das vacinas: antes da pandemia, o percentual era de 59%, mas alcançou 83% na pesquisa, realizada nos meses de julho e agosto. Para Francesca Ceddia, vice-presidente global de assuntos médicos da GSK, as vacinas devem ser vistas como mais um elemento para garantir um estilo de vida saudável, assim como alimentação equilibrada, exercitar-se e não fumar: “a vacinação leva um estado de fitness imunológico, que ajuda a garantir resiliência física e independência por um período maior de nossas vidas”, declarou em coletiva realizada na quarta-feira. Produção de vacinas: imunização pode ser encarada como mais um elemento do estilo de vida saudável Ronstik para Pixabay Um dos dados curiosos da pesquisa aponta para uma espécie de “tensão” entre o que a ciência chama de velhice e a percepção que temos de nós mesmos. Diante da pergunta “do ponto de vista físico, com que idade você se sente?”, 50% dos brasileiros e alemães declararam que se sentiam mais jovens do que a sua idade cronológica, seguidos por norte-americanos (49%), espanhóis e canadenses (48%) e franceses (46%). Somente os japoneses foram modestos: apenas 23% se achavam mais jovens. Na verdade, ninguém se considera velho e essa é uma constatação que deveria pautar mudanças na abordagem do assunto – por exemplo, em vez de focar na necessidade de vacinar idosos, enfatizar seus benefícios, o que abrange todas as faixas etárias. Interessante é que o estudo mostra que os participantes têm consciência de que o sistema imunológico começa a declinar com o envelhecimento. Francesca Ceddia lembrou que a vacinação infantil foi responsável por prevenir doenças evitáveis em crianças e que o mesmo tem que ser feito em relação aos idosos: “os mais jovens, porque ainda não têm seu sistema imunológico completo, e os mais velhos, porque experimentam um declínio da sua imunidade, são os mais afetados, como mostram os números de pessoas acometidas por influenza. Depois do enorme avanço com o público infantil, temos que fazer o mesmo com o grupo sênior. Trata-se de uma prioridade de política pública de saúde”. Ela acrescentou que um quadro grave de gripe pode contribuir para uma ocorrência de evento cardiovascular: “as artérias ficam inflamadas, provocando seu estreitamento e aumentando o risco para pacientes que já têm uma placa obstrutiva. A vacinação reduz essa chance”. Também adiantou que vêm sendo estudadas alternativas para tornar as vacinas para idosos mais potentes, de forma a contornar o declínio do sistema imunológico: “estamos falando de estratégias como formulações com mais antígenos; com mais adjuvantes (que ajudam os antígenos a provocar respostas mais duráveis e poderosas); e de aplicação intradérmica (a mais comum é a intramuscular)”. E viva a ciência! Veja Mais

Por que as drogas psicodélicas estão mais perto do mercado convencional

Glogo - Ciência Testes clínicos promissores indicam que os psicodélicos podem se tornar tratamentos inovadores contra a depressão, transtorno de estresse pós-traumático e vício. Por que as drogas psicodélicas estão mais perto do mercado convencional Getty Images/BBC O aumento da permissão de uso de psicodélicos como terapia promete transformar a forma como vemos o extraordinário. Foi em 1971 que Rick Doblin usou LSD pela primeira vez. Era uma tarde de sábado na Flórida, em suas primeiras semanas na faculdade. Quatro anos haviam se passado depois do Verão do Amor - quando milhões de jovens invadiram São Francisco, Londres e outras cidades em meio a música e drogas -, mas os psicodélicos ainda circulavam pelo campus. LSD, ou Dietilamida de Ácido Lisérgico 25, é uma substância ardilosa. Imitando a morfologia da serotonina, ela bloqueia as sinapses dos receptores 5-HT2A do cérebro para acionar uma onda evidente de cognição: rupturas drásticas de visão, padrões de pensamento, crenças e emoções. Em uma hora, os efeitos da substância se manifestam. Surge uma sensação estranha, difícil de ser descrita. Formas e caleidoscópios podem surgir e dançar em sincronia. Poderão surgir conexões sinestésicas - quando você consegue ouvir ou sentir o gosto das cores. Dependendo da dose, no pico da droga você pode ser atirado para uma dimensão totalmente alterada: um lugar esquisito, cheio de entidades, cobras, desenhos atrás dos olhos, cadeias de DNA e uma admiração radicalmente ampliada de arte e estética. Ou algo muito mais sombrio. O mundo de Doblin zumbia, palpitava, cantarolava. Depois de flutuar pela cantina do campus, ele voltou para o dormitório para ter uma viagem interior. Observando seu amigo - também sob uso de LSD -, Doblin foi surpreendido por uma visão nova. Ele não só deduzia os pensamentos e emoções do colega. Doblin conseguia vê-los, claros como o dia. O conforto, bem-estar e o calor do seu amigo eram tão visíveis quanto seus braços e pernas. As experiências transformadoras são diferentes da maioria, mesmo das mais dramáticas. A ayahuasca, utilizada em rituais indígenas, tem sido estudada para dependência química e depressão Getty Images/BBC Doblin queria sentir-se livre. Ele estava se desfazendo. Na sua própria rotoscopia do LSD, Doblin havia voltado a ser criança - não mais um adulto - e o desequilíbrio entre as emoções e o intelecto que dirigia sua vida diária era sensível. Mas Doblin percebeu que ele se sentia assim por um motivo. E isso significava que ele não era estático. Ele podia mudar as coisas. Ele podia ser livre. Para o filósofo L. A. Paul, a experiência de Doblin pode ser descrita como "transformadora". Elas não são como a maioria das experiências, mesmo as mais dramáticas. O que as torna especiais é a forma como elas mudam uma pessoa: suas preferências, ideias e identidades são viradas do avesso. Quando Doblin fez sua primeira viagem, talvez ele não tivesse percebido que, no dia seguinte, ele não seria a mesma pessoa. Doblin depois soube que ele estava a caminho de algum lugar. Ele faria outras viagens - muitas das quais foram desestabilizadoras - mas divulgar o potencial terapêutico das drogas psicodélicas tornou-se a missão da sua vida. Hoje, Doblin é o executivo fundador de uma organização sem fins lucrativos chamada Associação Multidisciplinar para Estudos Psicodélicos (Maps, na sigla em inglês), cujo propósito é aproximar as drogas psicodélicas do uso mainstream (convencional) na medicina e em outros campos. A organização aconselha os cientistas a conduzir testes e obter financiamento, além de trabalhar em estreita colaboração com os órgãos reguladores. Os esforços de Doblin e de outras pessoas estão sendo finalmente recompensados. Nos últimos dez anos, drogas psicodélicas como o LSD, cogumelos mágicos, DMT, uma série de "remédios vegetais" - incluindo ayahuasca, iboga, sálvia alucinógena e peiote - e compostos relacionados, como MDMA e cetamina, começaram a perder grande parte do estigma adquirido na década de 1960. Testes clínicos promissores sugerem que os psicodélicos podem tornar-se tratamentos inovadores contra a depressão, transtorno de estresse pós-traumático e vício. Grande parte da comunidade psiquiátrica, em vez de mostrar-se depreciativa ou mesmo cética, tem reagido de forma receptiva. As drogas podem marcar a primeira mudança de paradigma neste campo desde os inibidores seletivos de recaptação de serotonina (SSRIs, na sigla em inglês) na década de 1980. Em 2017, por exemplo, a Agência reguladora de Alimentos e Drogas dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) declarou o MDMA - o princípio ativo do ecstasy - como "terapia inovadora", o que significa que sua análise será acelerada para o segundo estágio dos testes de Fase 3. Doblin espera que o MDMA consiga a aprovação da FDA até 2023. Os psicodélicos permanecem sendo drogas do Anexo 1 em nível federal nos Estados Unidos e de Classe A no Reino Unido, mas as normas estão sendo flexibilizadas. Além da Áustria e da Espanha na União Europeia, os cogumelos de psilocibina foram descriminalizados em Washington DC e em uma série de outras cidades norte-americanas, além de terem sido legalizados para terapia em Oregon, onde o LSD também foi descriminalizado. Uma lei para descriminalizar o LSD e psilocibina na Califórnia foi aprovada em diversos estágios de comitê fundamentais e será votada no ano que vem. Uma votação para decidir sobre o financiamento federal de pesquisas com psicodélicos chegou recentemente ao Congresso dos Estados Unidos. Antecipando essa mudança, os pesquisadores e fornecedores clínicos de drogas psicodélicas vêm atraindo investimentos significativos. Relatórios comerciais descrevem "euforia com os psicodélicos" e "expansão dos cogumelos". Este fenômeno é conhecido como o "renascimento dos psicodélicos" - e promete mudanças na nossa sociedade que vão muito além dos tratamentos prescritos pelos médicos. Ao contrário de outras drogas, os psicodélicos podem alterar radicalmente a forma como as pessoas veem o mundo. Eles também trazem experiências místicas e alucinógenas que estão à margem da compreensão científica atual. Mas o que poderá acontecer se os psicodélicos se tornarem mainstream? Esta não é a primeira onda de entusiasmo pelos psicodélicos na psiquiatria. Eles foram anunciados pela primeira vez como remédios milagrosos na década de 1950. A psilocibina é um composto presente em cogumelos alucinógenos Getty Images/BBC Ao longo de cerca de 6 mil estudos com mais de 40 mil pacientes, os psicodélicos foram testados como tratamentos experimentais para uma enorme variedade de males: alcoolismo, depressão, esquizofrenia, reincidência criminal e autismo infantil. Os participantes incluíram artistas, escritores, criadores, engenheiros e cientistas. Os resultados foram promissores. Já a partir da primeira sessão de LSD, os estudos sugeriram que a droga aliviou problemas com bebida em 59% dos alcoólicos participantes. Em experimentos com doses menores, chamadas de "psicolíticas", muitos terapeutas ficaram surpresos com o poder do LSD como complemento à psicoterapia. Mas isso não duraria muito tempo. Em outubro de 1966, o LSD foi proibido na Califórnia. Restrições federais se seguiriam em 1970, com a Lei das Substâncias Controladas. Diversos rumores alarmantes chegaram às campanhas governamentais - queixas de lesões cromossômicas induzidas por LSD, bebês mutantes, que o registro de cinco, seis (ou sete) viagens tornaria você "legalmente insano" - e foram divulgados para crianças em idade escolar como Doblin (embora ele simplesmente ignorasse os avisos na época). Isso também afetou a ciência. Exceto por poucos grupos remanescentes no Canadá e nos Estados Unidos, todo o campo da ciência dos psicodélicos desapareceria por décadas. Os órgãos reguladores restringiram o acesso. Os financiadores perderam sua disposição. No alto da repressão nas décadas de 1970 e 1980, as tentativas de Doblin de iniciar pesquisas com psicodélicos levaram a portas fechadas e dificuldades reais de manutenção de empregos. A narrativa convencional relaciona a repressão à carreira de Timothy Leary, cientista de Harvard que se tornou o maior promotor de LSD da contracultura na segunda metade da década de 1960. Um escândalo no seu Projeto de Psilocibina de Harvard em 1963 - quando o seu codiretor foi acusado de desviar psilocibina para estudantes - marcaria os primeiros casos de reação mais sensacionalista na imprensa. Pouco depois, os órgãos reguladores ficariam mais preocupados com o uso de LSD como moeda no mercado negro "fora do laboratório", com grande colaboração do ativismo de Leary depois de Harvard - incluindo alegações de que o LSD daria "milhares de orgasmos" às mulheres e incentivaria revoluções contra as instituições. Mas esta não é a história completa. Alguns historiadores da medicina culpam a expansão da metodologia de Estudos Randomizados Controlados (RCT, na sigla em inglês) pela reação negativa. Esta é agora a forma padrão de condução de testes clínicos e sua introdução levantou dúvidas entre os órgãos reguladores sobre o verdadeiro caráter científico da "ciência dos psicodélicos". Os RCTs envolvem a comparação de dois grupos de pessoas: um que tomou e outro que não tomou a droga. Os participantes não podem saber em qual grupo estão, mas isso é difícil com substâncias psicodélicas. O Experimento da Sexta-Feira Santa de 1962 - que foi uma sessão promovida em uma igreja com estudantes seminaristas para testar a capacidade da psilocibina de induzir experiências místicas - é um exemplo ilustrativo. Metade dos pacientes recebeu a droga ativa e a outra metade recebeu placebo (todos em duplo cego), mas em 30 minutos já era evidente quem tinha recebido o quê. Os que receberam a droga vagueavam pelos campos em torpor visualizando Deus, segundo contou um dos participantes, enquanto o grupo que recebeu placebo (incluindo ele) apenas "entrelaçou os dedos e cantou os hinos". Entre os anos 1980 e a metade da década de 2000, foram observados sinais de mudança entre as reações negativas. Mas o recente renascimento dos psicodélicos escancarou as portas. Ele começou com um estudo emblemático da Universidade Johns Hopkins em 2006, liderado pelo cientista Roland Griffiths, que fez carreira estudando a cafeína. Griffiths e seus coautores tentaram reproduzir o Experimento da Sexta-Feira Santa, mais de 40 anos depois. Os resultados foram impressionantes. "É surpreendente", segundo Griffiths, "que 67% dos voluntários tenham avaliado a experiência com psilocibina como a experiência isolada mais significativa das suas vidas, ou como uma das cinco experiências mais significativas das suas vidas". Em outras palavras, comparável em intensidade com o casamento, nascimento de filhos, picos de carreira e outros rituais de passagem profundos. Embora os desafios da condução de testes clínicos extensos continuem presentes, os órgãos reguladores agora estão mais abertos para os resultados dos testes com psicodélicos do que no passado. As mudanças de valores culturais e do significado dos psicodélicos na última década foram surpreendentes. Enquanto isso, clínicas privadas começam a ser abertas em todo o mundo. A clínica Awakn, em Bristol (Inglaterra), oferece infusões de cetamina como tratamento contra a depressão, transtorno de estresse pós-traumático, distúrbios da alimentação e adicção; embora não seja um psicodélico clássico como o LSD, altas doses de cetamina podem ocasionar experiências visionárias poderosas com potencial terapêutico. Um retrato do químico suíço Albert Hoffman, que descobriu as propriedades alucinógenas do LSD em 1943 Getty Images/BBC Segundo os estudos dos antropólogos Tehseen Noorani e Joanna Steinhardt, "o entusiasmo pela cura com psicodélicos ainda é limitado. Mas as mudanças de valores culturais e do significado dos psicodélicos na última década foram surpreendentes." Se a tendência atual continuar, pode ser questão de tempo para que a psicoterapia assistida por psicodélicos receba o sinal verde dos órgãos reguladores. Será que, daqui a uma década, os hospitais e clínicas poderão manter Salas de Sessões Psicodélicas equipadas com almofadas, incenso, velas e pinturas? Os médicos prescreverão comprimidos de psilocibina ou LSD, fabricados por grandes empresas farmacêuticas, com efeitos colaterais que incluem "êxtase", "mudanças de crenças metafísicas" e "ataques agudos de pânico"? Poderemos ver a versão comercial das clínicas psicodélicas - talvez com nomes como "Pala", "Índigo" ou "Oásis"? É difícil saber quais serão os desdobramentos, mas, se o uso terapêutico dos psicodélicos tornar-se mais comum, este pode ser apenas o início de uma transformação significativa dos comportamentos culturais e científicos. A cultura dos psicodélicos O renascimento dos psicodélicos na medicina vem ocorrendo paralelamente à ampliação da cultura mainstream, algo que as drogas não experimentaram desde o início da década de 1960. Na Europa e na América do Norte, o uso recreativo está crescendo - o uso de LSD aumentou em 50% de 2015 a 2018 nos Estados Unidos - e os psicodélicos estão se popularizando como tema nos meios de comunicação, enquanto influenciadores e celebridades estão se revelando usuários e as drogas psicodélicas estão perdendo seu estigma de forma provavelmente nunca prevista pelos seus pioneiros. Essa presença no ambiente mainstream mudou as pessoas que estão tendo experiências psicodélicas, segundo Erik Davis, escritor e comentarista sobre psicodélicos de longa data. No século 20, os psicodélicos eram restritos a grupos alternativos: hippies, hackers, o Vale do Silício, comunidades espirituais, cultura rave e ambientalistas. Produção do chá de ayahuasca em igreja na Grande São Paulo; Brasil está à frente de estudos sobre potencial médico da bebida Reprodução/Fabio Flecha/BBC Mas atualmente o interesse vem de grupos inesperados: comunidades de bem-estar, cultura hip hop, a direita política, entusiastas de criptomoedas, comerciantes de Wall Street, financistas e pessoas comuns em busca de soluções para sua saúde mental. É possível que observemos em breve o surgimento dos efeitos na cultura mais ampla, como vimos na música, literatura, arte e política das décadas de 1960 e 1970. Mas é improvável que uma eventual cultura psicodélica tenha a mesma aparência - ou sensação, para os usuários de psicodélicos - porque o mundo em que vivemos agora é muito diferente. Para ajudar a entender o porquê, é possível basear-se em um conceito proposto pelo cientista social Ido Hartogsohn, denominado "collective set and setting" (comportamento e ambiente coletivo, em tradução livre). Uma parte da experiência com psicodélicos depende de fatores individuais imediatos - forma de pensar pessoal, o ambiente local ou a presença de outras pessoas. Mas as forças sociais mais amplas também causam impacto: o espírito da época, manchetes da imprensa e conversas culturais mais amplas. A década de 1960 tinha um "comportamento e ambiente coletivo" completamente diferente, em comparação com o momento atual. As pessoas não só viviam de forma diferente, mas também tinham experiências diferentes. Como uma mudança importante na sociedade, como, por exemplo, as mudanças climáticas, refletem-se nas experiências das pessoas? Examine as diferentes influências dos dias atuais. Tecnologia e inteligência artificial. Conflitos políticos. Uma sensação mais generalizada de que a sociedade está caminhando "na direção errada". Estado de vigilância. Um cientista que entrevistei já observou, em off, uma tendência crescente de viagens "apocalípticas", que não diminuiu durante as pressões gerais da Covid-19. Paralelamente, estão surgindo viagens "messiânicas": experiências em que as pessoas vislumbram o seu próprio papel salvador para realizar mudanças no sistema. Como as mudanças climáticas poderão alimentar as experiências das pessoas? Isso depende do indivíduo, mas, quando consumidas no contexto correto, as drogas podem ampliar significativamente a sua conexão com a natureza. Um dos exemplos mais famosos nesse sentido é o do cofundador da Extinction Rebellion, Gail Bradbrook, que se inspirou em uma experiência com iboga para iniciar o movimento. Por isso, um cientista social propôs o termo "ecodélico". Outro pesquisador entrevistado pela revista Vice levantou a ideia de trazer noções ambientalistas para as sessões com psicodélicos - a ideia é alavancar a capacidade de monopolização da mente para aumentar a relação com a natureza e até reduzir o ceticismo sobre as mudanças climáticas. Dose usada em estudo clínico com MDMA nos EUA; potencial para tratamento de estresse pós-traumático Reprodução/MAPS/BBC Experiência mística Abaixo da superfície, surge um efeito ainda mais radical. Tanto nos testes clínicos quanto no uso recreativo, os psicodélicos frequentemente produzem estados de "experiência mística" ou "dissolução do ego": picos de consciência caracterizados por contentamento e boa vontade, interconexão, sensação de "sagrado", possível "perda de si mesmo" ou até encontros com entidades espirituais e com Deus (ou deuses). O que acontece se mais pessoas começarem a ter essas experiências? E como poderemos compreender sua natureza melhor do que entendemos atualmente? Para os pesquisadores, a experiência mística é fundamental para a forma em que as drogas produzem esses resultados impressionantes. Isso é abordado a todo tempo em documentos e relatórios. Os estudos sugerem que, quanto maior a experiência mística, maior o benefício terapêutico alcançado. Cada vez surgem mais questionários para medir, rastrear e entender melhor a experiência mística. Mas a ciência e a psiquiatria vêm formulando suspeitas sobre a experiência mística há séculos. "Mesmo para o público, [experiência mística] é um nome horrível", segundo Matt Johnson, cientista de psicodélicos da Universidade Johns Hopkins, "porque 'místico' dá a ideia que você tem uma bola de cristal e está lançando um feitiço. Para algumas pessoas, a conotação é medieval." Isso significa que, apesar do papel das experiências espirituais no tecido cultural - que servem de base para manifestações da ciência, arte e religião há milênios -, elas foram cronicamente pouco estudadas. As pessoas relutam em compartilhar suas histórias devido ao risco de estigmatização, patologia ou diagnóstico. A perda do sentido de si próprio, por exemplo, pode ser diagnosticada como "despersonalização" e uma mudança transformadora das crenças espirituais pode ser interpretada como manifestação sutil de um colapso mental. Fora do uso psicodélico, mais pessoas tiveram experiências místicas do que você pode imaginar. Entre 1962 e 2009 - último ano com dados disponíveis - o número de americanos que relataram uma experiência mística durante a vida mais que dobrou e atingiu a metade da população. Com isso em mente, os pesquisadores podem precisar conseguir melhor compreensão de como elas funcionam e suas consequências. A noção de que existe um único tipo de experiência mística definido, por exemplo, está sendo questionada. Ambiente do congresso da Maps de 2017: público de evento foi de hippies a empresas interessadas em financiar pesquisas Reprodução/MAPS/BBC Não é óbvio como suas características centrais - o infinito, o sagrado, a atemporalidade, o contentamento - se encaixam. "Existem boas possibilidades de que elas ocorram juntas, mas só porque algumas coisas acontecem juntas, isso não significa que elas são parte da mesma coisa", afirma Johnson. Como indica o autor Jules Evans em A arte de perder o controle (em tradução livre do inglês), a característica de união da experiência mística clínica - o sentido de perda do ego, tornando-se "uno com o todo" - também omite metade do quadro. Um terço dos fumantes de DMT, 17% dos usuários de LSD e 12% dos usuários de psilocibina relatam encontros com entidades externas. Em rituais neoxamânicos com ayahuasca, daime e iboga, essas entidades são âncoras da experiência principal. Um paciente em um estudo sobre ayahuasca, por exemplo, descreveu um encontro típico: "Ele recebeu uma ninhada de ovos de polvo que foram postos dentro da sua cabeça. Ele interpretou isso como uma ocasião auspiciosa e escreveu que acreditava que os ovos simbolizavam uma fonte de sabedoria. Ele imediatamente reconheceu o polvo como um aliado do bem." Os psicodélicos são também frequentemente definidos pelas alucinações que eles causam (ou, mais precisamente, pseudoalucinações). Essas alucinações levaram os médicos, na primeira onda da década de 1950, a considerar LSD um "psicotomimético", ou droga que imita a psicose: uma decisão que faz sentido, devido à sua tendência de formar visões extraordinárias e ouvir vozes. Se as experiências alucinatórias chegarem ao mainstream, e não forem apenas desestigmatizadas, isso poderá representar uma mudança radical, segundo Erik Davis, pois elas são mais frequentemente associadas a condições patológicas, como a esquizofrenia. Ele sugere que este seria o ápice do atual movimento da "neurodiversidade", que reconhece condições como ouvir vozes ou autismo como diferenças em um espectro, e não como problemas discretos a serem resolvidos. Para Davis, a compreensão das experiências extraordinárias dos psicodélicos não deverá - e não pode - ser o único domínio da ciência. Algumas pessoas sugeriram que a literatura e a poesia podem ser um complemento útil para os questionários científicos. Outros convocaram teólogos para que também participem da discussão. Afinal, sem uma abordagem mais ampla, ele adverte que algumas pessoas podem passar por experiências estranhas que resistem a qualquer "modelo" - e que poderão agravar sua saúde mental, em vez de melhorá-la. Imagem de LSD; após décadas de 'portas fechadas' para estudos, pesquisadores avançam na investigação sobre uso terapêutico de psicodélicos Istock/BBC A necessidade de minimizar Os psicodélicos oferecem algo que poucas coisas conseguem: uma experiência muito além do que a nossa realidade diária poderia conceber ou esperar. Não está claro como o mercado mainstream lidará com isso. O mainstream terapêutico pode apresentar questões importantes para discussão, mas não se sabe se as instituições médicas podem lidar com elas sozinhas. "O interesse da indústria, especialmente para os médicos, é minimizar tudo isso. O que eles procuram é uma situação suavizante, curadora e restauradora", afirma Davis. Mas as experiências místicas, alucinógenas e transformadoras relacionadas a essas drogas podem causar mudanças muito maiores para muitas pessoas. "Os psicodélicos são como inquéritos filosóficos", explica Davis. "Mesmo se você não for uma pessoa filosófica, você subitamente precisa lidar [com isso] no dia seguinte. 'O que foi tudo aquilo? O que eu faço com isso? A mensagem que recebi para parar de beber álcool foi um vislumbre de realidade? Vou levar isso a sério? Isso me torna um louco?'" Para Rick Doblin - ainda em consequência daquela primeira viagem transformadora -, as possibilidades dos psicodélicos são profundas e vão além do ambiente clínico. Com sua organização Maps, ele pretende "legalizar os psicodélicos não apenas para os pacientes, mas para todos nós que lutamos com um mundo em ebulição... para tentar cuidar de não destruir tudo. Você poderá dizer que a estratégia é a medicalização. Mas este não é o objetivo final." Todo o conteúdo desta reportagem é fornecido somente como informação geral e não deverá ser considerado substituto para a orientação do seu médico ou de qualquer outro profissional de assistência médica. 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Ipen anuncia suspensão de produção de insumos para tratamento de câncer no Brasil por falta de verba federal

Glogo - Ciência O órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia afirmou que teve grande corte de verba em 2021 e precisa de R$ 89,7 milhões para continuar produção até dezembro, por causa da alta do preço do dólar na importação de material. Verba extra ainda não foi aprovada no Congresso Nacional. Exame de ressonância magnética muitas vezes é único caminho para o diagnóstico de algumas doenças no Brasil Reprodução/EPTV O Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTI) do governo federal, anunciou na terça-feira (14) a suspensão da produção de produtos radiofármacos e radioisótopos usados para o tratamento de câncer no Brasil a partir da próxima segunda-feira (20). Em comunicado enviado aos serviços de medicina nuclear brasileiros que compram os produtos do Ipen, o órgão afirmou que teve grande corte no orçamento federal em 2021 e precisa de R$ 89,7 milhões para continuar a produção dos insumos até o fim de dezembro deste ano, por causa da alta do preço do dólar para importação de material. A verba adicional, entretanto, ainda não foi aprovada no Congresso Nacional, segundo o comunicado. “Enfrentamos a grande redução dos recursos atribuídos pela Lei Orçamentária Anual (LOA) à CNEN e à forte e desfavorável variação cambial, em 2021. Visando à recomposição dessas perdas orçamentárias, o IPEN-CNEN, com o apoio do MCTI, trabalharam fortemente junto ao Ministério da Economia (ME), desde o 1° semestre deste ano. Entretanto, esses créditos suplementares de R$ 89,7 milhões, programados na forma de Projeto de Lei, necessitam de aprovação no Congresso Nacional e sanção da Presidência da República”, disse o instituto. “O fato desses recursos orçamentários extras ainda não estarem disponíveis no Instituto, até o momento, implica na inexistência de lastro em crédito orçamentário. Nesse sentido, a impossibilidade nas aquisições e contratações pelo IPEN-CNEN, implicará na suspensão temporária da produção dos geradores de 99Mo/99mTc e dos radiofármacos provenientes de iodo-131, gálio-67, tálio-201 e lutécio-177, dentre outros, a partir de 20/09/2021”, afirmou o comunicado da entidade. Segundo a Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN), o Ipen fornece 85% dos radiofármacos e radioisótopos utilizados no país. A suspensão na produção vai afetar diretamente o tratamento de câncer no Brasil e o diagnóstico da doenças, já que os materiais do Ipen são utilizados no tratamento de câncer e em exames de imagem, como raio-x, tomografia, ressonância magnética, cintilogafia e mamografia, entre outros exames que são essenciais para o diagnóstico de doenças no Brasil. Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcos Pontes, durante visita ao Sirius, no CNPEM, em Campinas Ricardo Custódio / EPTV No comunicado enviado às clínicas e hospitais brasileiros, o Ipen reconheceu o problema e disse que já é do conhecimento do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTI), presidido pelo ministro astronauta Marcos Pontes. “O IPEN-CNEN, a CNEN e o MCTI entendem perfeitamente, de forma solidária, que a ausência temporária dos geradores de 99Mo/99mTc e dos radiofármacos aos hospitais e às clínicas no País, resultará em transtornos familiares de grande monta. Sobretudo, nos pacientes que necessitam de atendimento, e que têm seu procedimento de Medicina Nuclear interrompido, seja este pelo SUS ou via Sistema de Saúde Suplementar”, afirmou o instituto. Máquina de ressonância magnética quebrada aumenta fila de espera pelo exame em Bauru TV TEM/Reprodução Procurado pelo G1, o Ministério da Ciência e Tecnologia afirmou que “desde junho de 2021 vem trabalhando com o Ministério da Economia para a maior disponibilização de recursos para a produção de radiofármacos pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN)”. “Para a recomposição do orçamento do Instituto, o Governo Federal por meio do MCTI está sensibilizando o Congresso Nacional pela votação e aprovação do PLN 16/2021 prevista para a próxima semana”, disse a nota da pasta. O Ipen afirma que esgotou todas as possibilidades de diálogo com o governo federal para ter mais verba e não paralisar a produção, mas que não teve sucesso. “Acredita-se que essas instabilidades nas produções de radiofármacos sejam apenas por poucos dias, com a obtenção dos créditos orçamentários suplementares de R$ 89,7 milhões, ao IPEN-CNEN. (...) O IPEN-CNEN e a CNEN esgotaram todos os meios para que se evitasse a descontinuidade, recebendo inclusive assessoria da Advocacia Geral da União (AGU), nesse contexto”, declarou o comunicado do instituto. VÍDEOS: Tudo sobre São Paulo e região metropolitana Veja Mais

Brasil volta a ter média móvel acima de 500 mortes diárias por Covid após 6 dias

Glogo - Ciência País contabiliza 587.847 óbitos e 21.017.736 casos de coronavírus, segundo balanço do consórcio de veículos de imprensa com dados das secretarias de Saúde. Estado do AC não registrou novos casos nem mortes pela doença em 24 horas. Brasil volta a ter média móvel acima de 500 mortes diárias por Covid após 6 dias O Brasil registrou nesta terça-feira (14) 709 mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas, com o total de óbitos chegando a 587.847 desde o início da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes nos últimos 7 dias ficou em 520 --voltando a ficar acima da marca de 500 após 6 dias. Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de -19% e segue apontando tendência de queda. Já são 22 dias seguidos com queda nesse comparativo. O aumento na média de mortes diárias para acima da marca de 500 é reflexo do feriado prolongado do início do mês. A média móvel atual considera os 7 dias logo após o feriado do Sete de Setembro. Como ocorre desde o início da pandemia, os dias posteriores a finais de semana estendidos trazem números maiores de casos e mortes que foram represados no feriado - o que resultou nessa subida na média. Os números estão no novo levantamento do consórcio de veículos de imprensa sobre a situação da pandemia de coronavírus no Brasil, consolidados às 20h desta terça. O balanço é feito a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Evolução da média móvel de óbitos por Covid no Brasil nos últimos 14 dias. A variação percentual leva em conta a comparação entre os números das duas pontas do período Editoria de Arte/G1 Veja a sequência da última semana na média móvel: Quarta (8): 461 Quinta (9): 457 Sexta (10): 453 Sábado (11): 468 Domingo (12): 473 Segunda (13): 467 Terça (14): 520 Em 31 de julho o Brasil voltou a registrar média móvel de mortes abaixo de 1 mil, após um período de 191 dias seguidos com valores superiores. De 17 de março até 10 de maio, foram 55 dias seguidos com essa média móvel acima de 2 mil. No pior momento desse período, a média chegou ao recorde de 3.125, no dia 12 de abril. Cinco estados aparecem com tendência de alta nas mortes: RO, RN, RR, CE, PI. O estado do Acre não registrou novos casos nem mortes pela doença nas últimas 24 horas. Além disso, Piauí e Sergipe não registraram mortes em seus boletins do último dia. O estado de Roraima corrigiu para baixo o total de casos registrados na pandemia, caindo de 126.855 para 125.838. Segundo a secretaria estadual, a correção foi feita após a equipe notar duplicidade de registros vindos de outros estados. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 21.017.736 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 12.672 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 15.165 diagnósticos por dia --o menor número registrado desde 20 de maio de 2020 (quando estava em 14.647). Isso resulta em uma variação de -33% em relação aos casos registrados na média há duas semanas, o que indica queda. Em seu pior momento a curva da média móvel chegou à marca de 77.295 novos casos diários, no dia 23 de junho deste ano. Mortes e casos de coronavírus no Brasil e nos estados Mortes e casos por cidade Veja como está a vacinação no seu estado Brasil, 14 de setembro Total de mortes: 587.847 Registro de mortes em 24 horas: 709 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 520 (variação em 14 dias: -19%) Total de casos confirmados: 21.017.736 Registro de casos confirmados em 24 horas: 12.672 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 15.165 (variação em 14 dias: -33%) Estados Em alta (5 estados): RO, RN, RR, CE, PI Em estabilidade (9 estados): SC, GO, PE, AP, RS, MT, RJ, PR, AC Em queda (12 estados e o DF): AL, PB, DF, ES, MG, SP, TO, MS, BA, PA, MA, SE, AM Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Vacinação Mais de 35% da população brasileira tomou a segunda dose ou a dose única e vacinas contra a Covid e, desse modo, completaram o esquema vacinal e estão totalmente imunizados. São 75.579.345 pessoas vacinadas, o que corresponde a 35,43% da população, segundo dados também reunidos pelo consórcio de imprensa. Os que estão parcialmente imunizados, ou seja, que apenas a primeira dose de vacinas, são 139.273.434 pessoas, o que corresponde a 65,29% da população. A dose de reforço foi aplicada em 152.679 pessoas (0,07% da população). Somando a primeira dose, a segunda, a única e a de reforço, são 215.009.699 doses aplicadas desde o começo da vacinação. Veja a situação nos estados Estados com mortes em alta Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em estabilidade Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em queda Editoria de Arte/G1 Sul PR: -12% RS: -6% SC: +6% Sudeste ES: -24% MG: -24% RJ: -9% SP: -32% Centro-Oeste DF: -23% GO: +6% MS: -42% MT: -6% Norte AC: 0% AM: -44% AP: 0% PA: -46% RO: +125% RR: +57% TO: -40% Nordeste AL: -17% BA: -43% CE: +23% MA: -61% PB: -17% PE: +2% PI: +23% RN: +64% SE: -90% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste a Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). VÍDEOS: mortes por Covid por município mês a mês Números de Covid no Brasil Editoria de Arte/G1 Veja Mais

Em queda, taxa da transmissão do novo coronavírus está em 0,81 no Brasil, aponta Imperial College

Glogo - Ciência Na última atualização, na semana passada, a taxa estava em 0,92. Imagens de microscópio mostram partículas do coronavírus que causam a Covid-19 retiradas de um paciente nos EUA NIAID-RML via AP A taxa de transmissão do novo coronavírus no Brasil caiu nesta semana, segundo o Imperial College de Londres. Na última atualização, na semana passada, a taxa estava em 0,92. Agora, está em 0,81. Isso quer dizer que atualmente, em tese, cada cem pessoas infectadas transmitem o vírus para outras oitenta e uma. Desde o dia vinte e nove de junho a taxa r está abaixo de um. Quando a taxa fica abaixo de um significa que a transmissão do coronavírus está desacelerando. Esta é a menor taxa desde novembro, quando o Brasil estava com o índice em 0,68. Simbolizado por Rt, o "ritmo de contágio" é um número que traduz o potencial de propagação de um vírus: quando ele é superior a 1, cada infectado transmite a doença para mais de uma pessoa e a doença avança. G1 no YouTube Veja Mais

As lições do caso em que professora sem vacina infectou metade da classe com Covid-19 nos EUA

Glogo - Ciência CDC investigou caso em que docente inadvertidamente levou o vírus para sua sala de aula; caso traz ensinamentos sobre a importância de se prestar atenção a sintomas leves e de adultos se responsabilizarem pela proteção de crianças, que ainda não podem se vacinar. Caso ocorrido na Califórnia ilustra a importância de se manter rígidos protocolos sanitários em escolas e não se ignorarem sintomas, mesmo que leves Getty Images No momento em que as escolas da cidade de Nova York - que abriga a maior rede de ensino dos EUA - reabrem suas portas para a totalidade dos alunos, ao mesmo tempo em que os índices de vacinação contra covid-19 estagnaram entre os americanos e a variante delta avança, o país e o mundo discutem a segurança das crianças na volta às aulas. As crianças, desde o início, têm sido proporcionalmente menos afetadas que os adultos pelo coronavírus Sars-Cov-2, mas seguem suscetíveis sobretudo se estiverem rodeadas de adultos não vacinados ou que não cumprirem protocolos sanitários, como mostra um estudo do Centro de Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês) dos EUA (veja detalhes do caso abaixo). Covid: o que está por trás da decisão de usar vacina da Pfizer em quem tomou 1ª dose de AstraZeneca Nesta segunda-feira (13/9), segundo o jornal The New York Times, 1 milhão de crianças nova-iorquinas retornaram às salas de aula, a maioria delas pela primeira vez em 18 meses. Todos os funcionários do Departamento de Educação da cidade serão obrigados a se vacinar, por ordem da prefeitura. Mas a obrigatoriedade da vacinação, bem como do uso de máscaras, ainda é um ponto controvertido nos EUA. No que diz respeito às máscaras, segundo levantamento da Associated Press, até agosto, apenas dez Estados americanos e a capital Washington DC seguiam as recomendações do CDC e exigiam que todos os estudantes e educadores usassem a proteção facial. Trinta e dois Estados deixaram a decisão nas mãos dos distritos escolares ou dos pais. E oito Estados, na contramão das recomendações, aprovaram leis ou ordens executivas impedindo que o uso de máscaras fosse uma exigência. No que diz respeito à vacinação, o presidente Joe Biden afirmou, em discurso na semana passada, que "90% dos funcionários de escolas e professores estão vacinados (no país). Precisamos chegar a 100%." Covid e crianças: saiba o que os estudos mais recentes dizem sobre volta às aulas, transmissão e gravidade da doença Crianças com coronavírus podem desenvolver síndrome rara A professora que acabou infectando metade da turma com covid-19 Nessa discussão, ganhou notoriedade recentemente um estudo produzido pelo CDC detalhando um caso ocorrido na Califórnia, que ilustra a importância de medidas preventivas nas escolas para garantir a proteção de alunos e educadores. Em 25 de maio, segundo o CDC, o Departamento de Saúde Pública do Condado de Marin foi notificado que uma professora do ensino fundamental havia testado positivo para a covid-19. Ela não havia sido vacinada. Ao longo das semanas seguintes, outros 26 casos de covid-19 (sintomáticos ou assintomáticos) foram identificados entre alunos da escola e seus parentes. Os alunos, por sua vez, tinham menos de 12 anos e, portanto, ainda não podiam ser vacinados, segundo as regulações vigentes em torno das vacinas aprovadas nos EUA (aqui no Brasil também só estão sendo vacinados adolescentes acima de 12 anos, com a vacina da Pfizer; a CoronaVac teve até o momento pedido negado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária para que fosse aplicada em crianças a partir de três anos). Na sala de aula da professora californiana, foi identificado que a metade dos estudantes (12 de um total de 24) acabou sendo contaminada. Outro foco de contaminação na mesma escola ocorreu em outra classe, aparentemente quando um aluno fez uma "festa do pijama" em sua casa. "O elo epidemiológico entre as duas classes permanece desconhecido, mas acredita-se que se deva à interação dentro da escola", diz o CDC. O caso - em que todos se recuperaram de quadros leves da covid-19, sem a necessidade de hospitalização - trouxe lições importantes, como aponta o estudo do CDC. A BBC News Brasil pediu também a análise do pediatra brasileiro Daniel Becker, que integra o Instituto de Saúde Coletiva da UFRJ e o Comitê Científico de ações anti-covid da prefeitura do Rio de Janeiro. VÍDEO: O que se sabe sobre vacinação em crianças e adolescentes Veja a seguir alguns dos pontos mais importantes: Sintomas, mesmo que simples, não devem ser ignorados A professora em questão (que não foi identificada), segundo o CDC, começou a apresentar sintomas da covid-19 - no caso dela, congestão nasal e fadiga - a partir de 19 de maio, mas trabalhou mais dois dias sentindo febre, tosse e dores de cabeça, antes de ser testada (e dar positivo), em 21 de maio. A professora acreditou se tratar de sintomas de alergia, mas o caso ressalta a importância de não deixarmos passar nem mesmo sintomas leves - particularmente em um momento de avanço da variante Delta, que é bem mais transmissível que a versão original do coronavírus. Alguns dos sintomas da Delta são semelhantes aos de um resfriado comum - como obstrução nasal, coriza, tosse, dor de garganta, febre, dor de cabeça, falta de apetite -, o que pode fazer com que passem despercebidos. Essa atenção aos sintomas deve se dar também no caso das crianças, que não devem ser mandadas à escola de forma alguma se apresentarem até mesmo coriza, explica Daniel Becker. "Temos que nos manter cuidadosos e testar todas as crianças com quadro febril ou coriza, depois do quarto ou quinto dia (dos sintomas), com teste de antígeno (o que é feito com a inserção do "swab" no nariz e cujo resultado que sai poucas horas depois)", diz o médico - ressaltando, porém, que, mesmo com a Delta, os quadros graves de covid-19 em crianças ainda são mais raros do que em adultos e que reações alarmistas são contraproducentes. "O importante é sermos muito cuidadosos com as crianças e mantermos um olhar de vigilância, mesmo que seus pais tenham sido vacinados - porque vez ou outra podemos ter casos graves", agrega. É sempre bom lembrar que, no caso da covid-19, mesmo pessoas assintomáticas (e vacinadas) podem transmitir o vírus, embora os casos sejam mais raros do que entre grupos não vacinados. No caso do estudo californiano, todos os que testaram positivo para covid-19 ficaram dez dias em isolamento, bem como as pessoas que tiveram contato com eles. As salas infectadas foram temporariamente fechadas e higienizadas durante esse período. A importância da máscara Assunto altamente politizado nos EUA, a máscara demonstrou sua importância no episódio da escola californiana. A investigação do CDC apontou que a professora em questão parece ter descumprido a exigência local de uso de máscaras em espaços fechados e leu em voz alta para seus alunos - falar em voz alta, sem máscara, é uma das formas como inadvertidamente espalhamos mais gotículas de saliva potencialmente contaminadas. A maior incidência de alunos infectados foi justamente entre os que sentavam nas primeiras fileiras diante da professora (veja abaixo no gráfico do CDC). Nas circunstâncias atuais, opina Daniel Becker, é "inadmissível que um professor não use máscara em sala de aula". "A politização do uso das máscaras é uma estupidez - que não se consiga chegar a um consenso sobre algo tão simples", critica. Um ponto é que a infecção na escola californiana ocorreu apesar de medidas sanitárias importantes terem sido tomadas: as salas de aula estavam com as janelas abertas e tinham filtros de ar de alta eficiência. Apesar disso, a ventilação dos ambientes escolares continua sendo uma medida crucial para diminuir as chances de transmissão do vírus, ao reduzir a concentração de gotículas e aerossóis potencialmente infectados (uma sugestão de especialistas é colocar um ventilador de frente para uma janela - ele funciona como uma espécie de exaustor, puxando o ar de dentro e empurrando-o para fora do cômodo). A vacinação ofereceu proteção comunitária "Esse surto originado em uma professora não vacinada demonstra a importância de vacinar funcionários de escola que estão em contato próximo e em ambientes fechados com crianças que não podem ser vacinadas, à medida que as escolas reabrem as portas", diz o estudo do CDC, destacando o alto potencial de espalhamento da variante delta. Mas o CDC ressalta também que a alta taxa de vacinação no condado de Marin, onde fica a escola em questão, ajudou a conter o coronavírus, oferecendo proteção coletiva: "Uma transmissão além (de estudantes e familiares) parece ter sido impedida pelos altos níveis de vacinação comunitária. No momento do surto, cerca de 72% da população para a qual havia vacina disponível estava totalmente vacinada", diz o estudo. "Essas descobertas sustentam as evidências de que as atuais vacinas contra covid-19 aprovadas emergencialmente pela FDA (agência americana que regula medicamentos e alimentos) são efetivas contra a variante delta. No entanto, os riscos de transmissão continuam elevados entre indivíduos não vacinados em escolas", prossegue o texto. O CDC ressalta que, além da vacinação em massa, é preciso manter medidas rígidas de prevenção - uso correto de máscaras, testagem rotineira, ventilação constante e quarentena no caso de pessoas sintomáticas ou que testaram positivo - para garantir a proteção no ambiente escolar. Nos EUA, depois de a campanha de vacinação em massa ter colocado o país na dianteira global da proteção contra a covid-19, a resistência de parte da população à imunização criou terreno fértil para que a variante delta se espalhasse em algumas comunidades. Essa resistência também fez com que os EUA reduzissem o ritmo de imunização da população em geral. Segundo a plataforma Our World in Data, da Universidade de Oxford, até 12 de setembro em torno de 178,7 milhões de americanos estavam totalmente vacinados, de uma população total de 328 milhões de pessoas. Atualmente, enquanto o Brasil aplica diariamente 0,66 dose de vacina a cada 100 habitantes, nos EUA essa taxa é hoje de 0,22. Isso levou a medidas como a adotada no condado de Los Angeles, também na Califórnia, onde a vacinação de todos os estudantes com 12 anos ou mais passou a ser obrigatória, a despeito da resistência de parte dos pais - seja por não se sentirem seguros quanto à vacina ou por não concordarem com interferências externas na tomada de decisões com relação às crianças, informou a agência Reuters. Mas, nas palavras de uma das integrantes do conselho escolar (em cuja instância foi aprovada a obrigatoriedade das vacinas), "não vejo isso (vacinação) como sua escolha ou minha escolha. Vejo isso como uma necessidade comunitária. O que significa que as pessoas terão de fazer coisas com as quais não estão confortáveis, com as quais estão inseguras ou que possam conter algum risco." Adultos têm que proteger as crianças Por fim, uma lição importante do estudo do CDC é que ainda recai sobre os adultos a responsabilidade de garantir que as escolas sejam lugares seguros. "As vacinas são eficientes contra a variante delta, mas o risco de transmissão segue elevado entre pessoas não vacinadas em escolas onde não há um cumprimento rígido das estratégias de prevenção", diz o CDC. Por enquanto, diz o pediatra Becker, o que sabemos é que, como a variante Delta é mais transmissível, ela também se transmite mais entre crianças, na mesma proporção (ou seja, ainda em números absolutos menores do que entre adultos). No Rio de Janeiro, a delta é considerada a variante do coronavírus prevalente nas contaminações desde o mês passado, elevando a sobrecarga em hospitais. Uma análise recente apontou que essa variante representa 90% dos casos geneticamente sequenciados no Estado - e é bom lembrar que, em diversos momentos da pandemia, a situação no Rio de Janeiro antecipou o quadro geral visto no restante do país. "Com a Delta, estamos vendo crianças levando o vírus para casa, o que não víamos tanto antes. Mas a grande maioria das crianças continua pegando a covid-19 em casa, dos adultos", diz Becker. Esse aumento de contágio pela delta não tem, ao menos por enquanto, se refletido em mais mortes entre crianças, diz o médico. "Não há neste momento explosão de casos entre crianças ou motivo para pânico. Mas temos que implementar os protocolos com rigor. Não é momento para festinhas em lugares fechados, porque a delta é braba mesmo. Temos que cuidar das crianças, que são um grupo ainda não vacinado", conclui. Veja Mais

Brasil tem média móvel de 473 óbitos por Covid neste domingo; 5 estados não registraram mortes

Glogo - Ciência País contabiliza 586.882 óbitos e 20.996.784 casos de coronavírus, segundo balanço do consórcio de veículos de imprensa com dados das secretarias de Saúde. O Brasil registrou neste domingo (11) 292 mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas, com o total de óbitos chegando a 586.882 desde o início da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes nos últimos 7 dias ficou em 473. Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de -30% e aponta tendência de queda. Os números estão no novo levantamento do consórcio de veículos de imprensa sobre a situação da pandemia de coronavírus no Brasil, consolidados às 20h deste sábado. O balanço é feito a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Veja a sequência da última semana na média móvel: Segunda (6): 603 Terça (7): 526 Quarta (8): 461 Quinta (9): 457 Sexta (10): 453 Sábado (11): 468 Domingo (12): 473 Média móvel de mortes nos últimos 14 dias Arte/G1 Em 31 de julho o Brasil voltou a registrar média móvel de mortes abaixo de 1 mil, após um período de 191 dias seguidos com valores superiores. De 17 de março até 10 de maio, foram 55 dias seguidos com essa média móvel acima de 2 mil. No pior momento desse período, a média chegou ao recorde de 3.125, no dia 12 de abril. Acre, Amapá, Rio Grande do Norte, Roraima e Sergipe não registraram mortes nas últimas 24 horas. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 20.996.784 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 8.082 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 16.461 diagnósticos por dia - abaixo da marca de 20 mil pelo quinto dia seguido e resultando em uma variação de -31% em relação aos casos registrados na média há duas semanas, o que indica queda. Em seu pior momento a curva da média móvel chegou à marca de 77.295 novos casos diários, no dia 23 de junho deste ano. Mortes e casos de coronavírus no Brasil e nos estados Mortes e casos por cidade Veja como está a vacinação no seu estado Brasil, 12 de setembro Total de mortes: 586.882 Registro de mortes em 24 horas: 292 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 473 (variação em 14 dias: -30%) Total de casos confirmados: 20.996.784 Registro de casos confirmados em 24 horas: 8.082 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 16.461 (variação em 14 dias: -31%) Estados Em alta (3 estados): PE, PI, RO Em estabilidade (6 estados): CE, SC, GO, MG, RN, MT Em queda (17 estados e o DF): AL, RR, DF, PB, RJ, PR, RS, AC, TO, ES, SP, MS, PA, AM, MA, BA, AP, SE Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Vacinação Balanço da vacinação contra Covid-19 deste domingo (12) aponta que 138.121.040 pessoas já receberam a primeira dose de vacina contra a Covid-19, segundo dados divulgados até as 20h. O número representa 64,75% da população brasileira. A segunda dose já foi aplicada em 69.040.455 pessoas em todos os estados e no Distrito Federal. A dose única já foi aplicada em 4.149.459 pessoas. Sendo assim, o número de pessoas totalmente imunizadas no país hoje é de 73.189.914 (34,31% da população). Já a vacina de reforço totaliza 88.811 doses aplicadas. No total, 211.399.765 doses foram aplicadas em todo o país. Veja a situação nos estados Estados com mortes em alta neste domingo (12) Arte/G1 Estados com mortes em estabilidade neste domingo (12) Arte/G1 Estados com mortes em queda neste domingo (12) Arte/G1 Sul PR: -27% RS: -33% SC: 4% Sudeste ES: -46% MG: -5% RJ: -24% SP: -48% Centro-Oeste DF: -21% GO: -1% MS: -49% MT: -13% Norte AC: -33% AM: -58% AP: -67% PA: -56% RO: 21% RR: -21% TO: -46% Nordeste AL: -20% BA: -64% CE: 15% MA: -64% PB: -24% PE: 38% PI: 23% RN: -12% SE: -89% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste a Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). VÍDEOS: mortes por Covid por município mês a mês Números de Covid no Brasil Editoria de Arte/G1 Veja Mais

Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio: campanha Setembro Amarelo ajuda a conscientizar sobre tema

Glogo - Ciência Neste ano, o tema da campanha Setembro Amarelo é "Agir salva vidas". No Brasil, todos os dias cerca de 32 pessoas dão fim a própria vida. O número corresponde a uma morte a cada 45 minutos. Setembro Amarelo, logomarca do CVV para a campanha Reprodução O dia 10 de setembro é considerado o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. A data foi criada pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para chamar a atenção de governos e da sociedade civil para a importância do assunto. No Brasil, o "Setembro Amarelo" é a campanha que marca o mês dedicado à prevenção ao suicídio. A campanha é uma iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV), da Associação Brasileira de Psiquiatria e do Conselho Federal de Medicina. Neste ano, o tema é "Agir salva vidas". Dez perguntas e respostas sobre suicídio de adolescentes Suicídio de adolescentes: saiba como pais e educadores podem trabalhar a prevenção Setembro amarelo: falar é a melhor solução O CVV faz um trabalho pioneiro na área de prevenção ao suicídio desde 1962, com a ajuda de cerca de três mil voluntários que trabalham atendendo mais de 10 mil ligações diárias. No Brasil, todos os dias cerca de 32 pessoas dão fim a própria vida. O número corresponde a uma morte a cada 45 minutos. Um estudo feito pelo CVV apontou que, para cada suicídio, um grupo de até 20 pessoas é impactado diretamente. “As pessoas que são impactadas são consideradas pessoas de risco porque são sobreviventes de um suicídio. Elas precisam de ajuda também porque costumam relatar sentimento de culpa por não ter percebido os sinais”, explicou Carlos Correia, voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV) há 27 anos em entrevista ao podcast do Bem Estar. Como ajudar alguém Os familiares e amigos devem, sobretudo, se dispor a se aproximar de alguém que demonstra estar sofrendo ou que apresenta mudanças acentuadas e bruscas do comportamento. É preciso estar disposto a ouvir e, se não se sentir capaz de lidar com o problema apresentado, ir junto em busca de quem possa fazê-lo mais adequadamente, como um médico, enfermeiro, psicólogo ou até um líder religioso. De acordo com os médicos, o ideal é que a pessoa seja encaminhada a um psiquiatra e seja medicada. E, no mundo ideal, que tenha um acompanhamento de um terapeuta e o apoio da família. Outro fator importante a ser lembrado é que, caso a pessoa precise fazer uso de algum medicamento, ele não tem efeito imediato. Por isso, os primeiros 30 dias após uma tentativa de suicídio e o início do tratamento são os que precisam de mais atenção. Na rede pública, a indicação é procurar os Centros de Apoio Psicossocial (CAPS) do Sistema Único de Saúde (SUS). Por lá, é possível marcar uma consulta com um psiquiatra ou psicólogo. O Centro de Valorização da Vida (CVV), fundado em 1962 em São Paulo, faz um apoio emocional e preventivo do suicídio pelo número 188. 'Sobreviventes enlutados': familiares de pessoas que tiraram a própria vida contam como lidam com a dor É preciso falar sobre suicídio Apesar dos mitos envolvendo o tema, a prevenção ao suicídio avança. Na década de 1980, um estudo nos EUA afirmava que essas mortes poderiam ocorrer por imitação. E esse trabalho reforçou a ideia de que "não podemos falar sobre o assunto". Mais de 30 anos depois, a Organização Mundial da Saúde vai na direção contrária, dizendo que, sim, precisamos conversar sobre o suicídio. Os especialistas na área alertam que "não é proibido falar, só não podemos falar de forma errada". É errado 'glamourizar' ou tornar herói quem tirou a própria vida, assim como jamais se deve ensinar ou divulgar técnicas. Setembro amarelo: mês lembra a importância da campanha de valorização da vida Mitos comuns sobre o suicídio 'Quem fala, não faz' - Não é verdade. Muitas vezes, a pessoa que diz que vai se matar não quer "chamar a atenção", mas apenas dar um último sinal para pedir ajuda. Por isso, os especialistas pedem que um aviso de suicídio seja levado a sério. 'Não se deve perguntar se a pessoa vai se matar' - É importante, caso a pessoa esteja com sintomas da depressão, ter uma conversa para entender o que se passa e ajudar. Não tocar no assunto só piora a situação. 'Só os depressivos clássicos se matam' - Não. Existe o depressivo mais conhecido, aquele que fica deitado na cama e não consegue levantar. Mas outras reações podem ser previsões de um comportamento suicida, como alta agressividade e nível extremo de impulsividade. Os médicos, inclusive, pedem para a família ficar atenta ao momento em que um depressivo sem tratamento diz estar bem: muitas vezes ele pode já ter decidido se matar e tem o assunto como resolvido. 'Quando a pessoa tenta uma vez, tenta sempre' - A maior parte dos pacientes que levam a sério o tratamento com medicamentos e terapia não chegam a tentar se matar uma segunda vez. O importante é buscar a ajuda. G1 no YouTube Veja Mais

Cientista defende que a velhice seja tratada como doença a ser combatida

Glogo - Ciência “Se não houver esse reconhecimento, a indústria farmacêutica não se interessará em desenvolver novas drogas”, diz Nir Barzilai Há alguns meses, houve grande polêmica envolvendo a iniciativa da OMS (Organização Mundial da Saúde) de incluir a velhice na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, conhecida como CID. Na verdade, a decisão havia sido tomada por consenso em 2019, para entrar em vigor no início do ano que vem, mas agora, na reta final para sua implantação, setores ligados à longevidade passaram a temer que o enquadramento do envelhecimento como “enfermidade” só aumente o preconceito existente. Idosos em praça no Rio de Janeiro: “temos que conseguir viver mais com menos anos de doença”, diz pesquisador Mariza Tavares O blog é um defensor da causa da longevidade e combate tenazmente qualquer tipo de discriminação, por isso me sinto à vontade para trazer o assunto de volta à pauta. É importante contextualizar que há um movimento liderado por cientistas e pesquisadores por trás da decisão da OMS. Esse grupo advoga que somente mudando a classificação haverá mais investimentos para prevenir e curar enfermidades relacionadas à velhice. Trocando em miúdos: visto como “doença”, haverá medicamentos e tratamentos específicos para o envelhecimento que movimentarão a indústria farmacêutica e ampliarão a cobertura dos planos de saúde. Retomo a discussão porque ela também se fez presente no oitavo encontro do ARDD (Aging Research & Drug Discovery), realizado na semana passada. O evento reúne estudiosos e instituições engajados no desenvolvimento de drogas para tratar questões associadas à idade avançada. Um dos principais convidados era o médico e pesquisador Nir Barzilai, diretor do Centro de Pesquisa sobre o Envelhecimento do Albert Einstein College of Medicine, em Nova York, que se dedica a estudar centenários e como seus genes os protegem contra problemas cardiovasculares, diabetes e Alzheimer. O doutor Barzilai costuma dizer que o pior cenário é a longevidade com um longo período de moléstias: “temos que conseguir viver mais com menos anos de enfermidades”. Defende veementemente que as doenças do envelhecimento sejam reconhecidas como uma condição que pode ser prevenida, e não como algo natural para quem é idoso. “Se não houver esse reconhecimento, os planos de saúde não pagarão por novas terapias para seus usuários, nem a indústria farmacêutica se interessará em desenvolver novas drogas”, resumiu. Ao argumentar que a velhice tem que ser vista como um alvo a ser atacado, enfatiza que o objetivo é que os indivíduos se tornem centenários saudáveis, e não pacientes às voltas com um quadro de fragilidade e limitações. Acrescentou que os profissionais de saúde deveriam ser mais abertos à gerociência e usou, como exemplo, a metformina, substância que é utilizada para controlar o diabetes mas que tem múltiplos efeitos benéficos além do controle da glicose. “A metformina é barata e utilizada há décadas. Atua em todos os marcadores do envelhecimento, aumentando a proteção contra doenças cardiovasculares, neurodegenerativas e câncer. É preciso rever também a utilização de medicamentos já existentes”, concluiu. Veja Mais

Brasil tem 296 mortes por Covid-19 em 24 horas; média móvel de óbitos está em queda há 14 dias

Glogo - Ciência País contabiliza 583.866 óbitos e 20.897.711 casos de coronavírus, segundo balanço do consórcio de veículos de imprensa com dados das secretarias de Saúde. MÉDIA DE MORTES POR COVID SE APROXIMA DE 584 MIL O Brasil registrou nesta segunda-feira (6) 296 mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas, com o total de óbitos chegando a 583.866 desde o início da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes nos últimos 7 dias ficou em 603 - a mais baixa desde 7 de dezembro (quando também foram registrados 603 óbitos). Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de -17% e aponta tendência de queda. É o 14º dia seguido de recuo nesse comparativo. Os números estão no novo levantamento do consórcio de veículos de imprensa sobre a situação da pandemia de coronavírus no Brasil, consolidados às 20h desta segunda-feira. O balanço é feito a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Veja a sequência da última semana na média móvel: Média móvel de mortes Arte G1 Terça (31): 671 Quarta (1º): 643 Quinta (2): 628 Sexta (3): 622 Sábado (4): 609 Domingo (5): 606 Segunda (6): 603 Em 31 de julho o Brasil voltou a registrar média móvel de mortes abaixo de 1 mil, após um período de 191 dias seguidos com valores superiores. De 17 de março até 10 de maio, foram 55 dias seguidos com essa média móvel acima de 2 mil. No pior momento desse período, a média chegou ao recorde de 3.125, no dia 12 de abril. 1 estado apresenta tendência de alta nas mortes: RJ Acre, Amapá, Ceará e Sergipe não registraram mortes nas últimas 24 horas. Roraima não atualizou os dados nesta segunda-feira. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 20.897.711 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 16.156 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 20.943 diagnósticos por dia, resultando em uma variação de -26% em relação aos casos registrados na média há duas semanas, o que indica queda. Em seu pior momento a curva da média móvel chegou à marca de 77.295 novos casos diários, no dia 23 de junho deste ano. Mortes e casos de coronavírus no Brasil e nos estados Mortes e casos por cidade Veja como está a vacinação no seu estado Brasil, 6 de setembro Total de mortes: 583.866 Registro de mortes em 24 horas: 296 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 603 por dia (variação em 14 dias: -17%) Total de casos confirmados: 20.897.711 Registro de casos confirmados em 24 horas: 16.156 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 20.943 (variação em 14 dias: -26%) Estados Em alta (1 estado): RJ Em estabilidade (9 estados e o Distrito Federal): RS, SC, ES, DF, GO, MS, AP, BA, PB e PI Em queda (15 estados): PR, MG, SP, MT, AC, AM, PA, RO, TO, AL, CE, MA, PE, RN e SE Não atualizou (1 estado): RR Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Vacinação Os brasileiros que estão totalmente imunizados, ou seja, que tomaram as duas doses ou a dose única de vacinas contra a Covid são 31,57% da população. São 67.337.124 pessoas no total, de acordo com dados do consórcio de veículos de imprensa divulgados às 20h desta segunda-feira (6). Os que estão parcialmente imunizados, ou seja, que apenas a primeira dose de vacinas, são 134.870.573 pessoas, o que corresponde a 63,23% da população. A dose de reforço foi aplicada em 13.245 pessoas. Veja a situação nos estados Estado com tendência de alta Arte G1 Estados com estabilidade Arte G1 Estados com queda nas mortes Arte G1 Sul PR: -31% RS: -15% SC: -4% Sudeste ES: +13% MG: -31% RJ: +19% SP: -27% Centro-Oeste DF: +4% GO: -15% MS: -6% MT: -35% Norte AC: -100% AM: -36% AP: 0% PA: -42% RO: -29% RR: Não atualizou nesta segunda-feira TO: -30% Nordeste AL: -29% BA: -14% CE: -57% MA: -28% PB: -15% PE: -21% PI: -14% RN: -32% SE: -43% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste a Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). VÍDEOS: mortes por Covid por município mês a mês . Números de Covid no Brasil Editoria de Arte/G1 Veja Mais

'O que tem origem na mentira não pode ter final bom', diz diretor da Anvisa sobre confusão no jogo entre Brasil e Argentina

Glogo - Ciência No domingo (5), agentes da Polícia Federal e da Anvisa entraram no campo da Neo Química Arena, em São Paulo, para retirar os quatro jogadores argentinos que descumpriram a quarentena contra a disseminação do coronavírus. 'O que tem origem na mentira não pode ter final bom', diz diretor-presidente da Anvisa Em entrevista à GloboNews nesta segunda-feira (6), Antônio Barra Torres, diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), disse que as cenas exibidas no jogo entre Brasil e Argentina poderiam ter sido evitadas e que tudo que começa com mentira não tem um final bom. “É uma sequência que começa com uma mentira, com uma informação que não é verdadeira, colocada em um documento oficial. O que está naquele papel é uma informação que não foi sustentada, não verdadeira. Na sequência disso, há uma orientação da autoridade sanitária do Brasil de que aquelas pessoas permanecessem em isolamento, para que pudessem então regressar ao seu país de origem. Isso também não foi cumprido. Depois houve outro descumprimento (o treino) que não deveria ter ocorrido e o deslocamento para o estádio", explica o diretor da Anvisa. “O que começa, o que tem origem na mentira não pode ter final bom. Nasce errado, segue errado e o final não é bom. Foi exatamente o que aconteceu. Uma informação falsa, um descumprimento de preceitos e uma ousadia de concretizar o evento no outro dia” - Antônio Barra Torres. Segundo Barra Torres, a Anvisa e a Polícia Federal chegaram ao estádio uma hora antes do início do jogo. Um documento com o detalhamento sobre o que aconteceu está sendo montado. "Esse documento chega para as nossas mãos hoje ainda com o detalhamento sobre o que aconteceu, porque que houve essa dificuldade de 60 minutos, quando nós teríamos poupado todos os telespectadores daquelas cenas desagradáveis e isso poderia ter sido evitado." Presidente da Anvisa sobre jogo interrompido: 'Cenas desagradáveis poderiam ser evitadas' Entenda No domingo (5), agentes da Polícia Federal e da Anvisa entraram no campo da Neo Química Arena, em São Paulo, para retirar os quatro jogadores que descumpriram a quarentena contra a disseminação do coronavírus. 'É realmente lamentável', diz presidente da Anvisa sobre interrupção do jogo Brasil e Argentina Em relatório, servidor da Anvisa relatará dificuldades para ter acesso a jogadores da Argentina PF investiga jogadores argentinos por falsidade ideológica Emiliano Martínez, Buendía, Cristian Romero e Giovani Lo Celso fizeram declarações sanitárias falsas no formulário ao entrar no Brasil, disse a Anvisa. Três deles estavam em campo quando a partida começou; um estava na arquibancada. Esses quatro argentinos jogam em clubes ingleses (Emiliano Martínez no Aston Villa, e Cristian Romero e Lo Celso, no Tottenham). Viajantes que estiveram no Reino Unido, África do Sul, Irlanda do Norte e Índia nos últimos 14 dias estão proibidos de entrar no Brasil. Eles deveriam ter feito quarentena ao chegar ao país, mas não fizeram. Documento detalha reuniões O Blog do Octavio Guedes teve acesso ao documento oficial da Anvisa sobre a confusão do jogo entre Brasil e Argentina. Ele mostra que um membro da delegação argentina, Fernando Ariel Batista, falsificou informações de quatro jogadores argentinos. Anvisa queria que argentinos ficassem em quarentena e não suspensão de jogo do Brasil, diz diretor Eles tinham passado pelo Reino Unido, o que exigiria cumprimento de quarentena no Brasil, mas não há essa informação nas declarações sanitárias preenchidas por Batista. Na reunião, a Conmebol e a delegação da Argentina foram orientadas a formalizar o pedido de excepcionalidade para que os jogadores pudessem treinar no sábado e jogar no domingo. A Anvisa pediu a máxima urgência para os argentinos, para que a análise da documentação fosse viável antes da realização do jogo. E deu o caminho das pedras: o pedido teria que ser analisado pelo Ministério da Saúde, além de um posicionamento final da Casa Civil. Mas esse pedido não foi feito. Documento da Anvisa mostra que membro da delegação da Argentina falsificou declarações sanitárias de jogadores VÍDEOS mais vistos do G1 nos últimos dias Veja Mais

Pacientes levam a questão do canabidiol para dentro dos consultórios

Glogo - Ciência Neurocirurgião explica como o tratamento pode ser eficaz em casos de dor crônica Não será a primeira vez que trato do tema no blog – e está longe de ser a última, mas o assunto sempre causa celeuma: o uso do canabidiol para fins medicinais, que vem avançando no Brasil e no mundo. Um dos maiores entraves para sua utilização se expandir é justamente a falta de conhecimento sobre a substância, o CBD, que leva muita gente a achar que as pessoas entrarão numa espécie de “barato” semelhante ao experimentado pelos usuários de maconha. No entanto, aos poucos o preconceito vai sendo vencido e a iniciativa parte até dos próprios pacientes, observa o neurocirurgião Marcelo Valadares, coordenador do ambulatório de dor do setor de neurocirurgia da Unicamp, onde também faz doutorado: “quem tem um quadro de dor crônica sabe o impacto que isso causa em sua vida. Tem sido cada vez mais frequente que a demanda chegue aos consultórios através de pacientes nesta situação ou com Doença de Parkinson, porque a aplicação terapêutica tem se mostrado positiva.” O neurocirurgião Marcelo Valadares, mestre e doutorando em Neurologia pela Unicamp Divulgação De acordo com o médico, embora ainda não represente a primeira linha de medicamento a ser utilizado, já há um volume robusto de pesquisas que apontam para o emprego do canabidiol em casos de osteoartrites (artroses) e neuropatias diabéticas, doenças que afetam duramente os mais velhos e comprometem a qualidade de vida. A lista não para aí: é eficaz para reduzir o quadro de náuseas, vômito e inapetência de pacientes sob tratamento oncológico. Infelizmente, o custo continua sendo inviável para a maioria: cerca de 600 reais por mês. Numa outra coluna, eu havia explicado que nosso organismo tem seu próprio sistema endocanabinoide, que está associado a uma lista grande de funções cerebrais, incluindo ansiedade e humor. Quando há um desequilíbrio interno, os sintomas podem ser atenuados ou eliminados com medicamentos à base de canabidiol – essa é uma boa evidência de que ele funciona como uma espécie de reparador do circuito que está dando curto, auxiliando no tratamento de transtornos e doenças neurológicas. Desde dezembro de 2019, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou a regulamentação de produtos à base de cannabis sob prescrição médica, disponíveis em gotas ou óleos. O doutor Valadares lembra que o tratamento é feito apenas com o canabidiol, e não com o THC (tetrahidrocanabinol), componente da maconha responsável pelos efeitos alucinógenos. Nos últimos anos, pacientes com epilepsia, especialmente crianças, se beneficiaram com uma diminuição drástica do número de crises convulsivas graças ao CBD. “Estamos num estágio inicial de identificar as possibilidades terapêuticas do medicamento, o mais estimulante é que ainda há muito para aprendermos”, resume. Veja Mais

Sexo: as francesas são as europeias menos satisfeitas em 2021, segundo estudo

Glogo - Ciência A depressão e o tédio ganharam lugar na cama de muitas francesas: esta é uma das conclusões de um estudo realizado pelo Observatório Europeu da Sexualidade Feminina. A pesquisa foi realizada em março de 2021, em meio à crise sanitária, com mais de 5 mil mulheres em cinco países da Europa. Anéis de casamento em livro formando formato de coração Pixabay/Divulgação As mulheres francesas parecem muito menos realizadas do que suas vizinhas alemãs e britânicas: elas são 35% a dizer que estão insatisfeitas com suas relações sexuais, ou seja, mais do que em 2016. Há cinco anos, 31% das francesas admitiam não ter prazer suficiente com o parceiro. Eles são ainda mais numerosos hoje. Sexo híbrido: especialistas tentam mapear as relações no Brasil pós-pandemia Sexo em tempos de pandemia traz dilemas éticos, diz socióloga É lógico, portanto, observar que as francesas têm hoje menos relações sexuais do que em 2016: há cinco anos, 18% delas declararam ter mais de duas relações íntimas por semana. Em 2021, são apenas 8%, segundo estudo publicado na sexta-feira (3) pelo Observatório Europeu da Sexualidade Feminina. Na Alemanha e na Grã-Bretanha, a frustração é menor, de acordo com o estudo: 23% das alemãs dizem estar insatisfeitas, contra 27% no Reino Unido. Impacto da pandemia? Obviamente, o período durante o qual esta pesquisa foi conduzida não é trivial. Em março, a França foi submetida a novas restrições, em meio à terceira onda da epidemia de Covid-19. A proximidade forçada com o parceiro, mas também o estresse, a preocupação com o futuro e o cansaço relacionado às circunstâncias, inevitavelmente tiveram um impacto na vida sexual das francesas. Mas estudos semelhantes, realizados nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, antes da crise, já mostravam um declínio da atividade sexual em adultos jovens. A explicação estaria, portanto, em outro lugar. O movimento #MeToo, em particular, teve seu papel. As mulheres tomaram a palavra publicamente para falar sem tabu sobre sua intimidade, sua busca por prazer e sua rejeição à submissão. Influenciadoras, nas redes sociais, têm questionado ideias prontas sobre a sexualidade feminina. Por que aceitar sexo sem desejo e sem prazer? Por que se submeter a práticas indesejadas? Pesquisas por 'divórcio' explodem na pandemia; Veja dicas para salvar relação Mulheres mais informadas e mais exigentes Jüne Plã não se surpreendeu com os resultados desta pesquisa. A ilustradora e autora francesa tem feito sucesso, primeiro nas redes sociais e depois nas livrarias, com seus desenhos muito explícitos das diversas formas de buscar o prazer. “As mulheres têm muito mais informações sobre a sexualidade, sobre como seu corpo funciona”, explica Jüne Plã. "Elas sabem que podem ser mais exigentes e que podem ter mais. " Para a autora, os homens têm poucas desculpas para não evoluir em sua sexualidade: os recursos são numerosos e gratuitos nas redes sociais, em especial. A conta do Instagram “Jouissance Club de la jeune femme” (algo como Clube do Prazer da Mulher, em tradução livre) tem mais de 900 mil seguidores. “Mas mais de 70% das pessoas que me seguem são mulheres”, diz ela. "Seria bom se os homens também fizessem o caminho para buscar ideias e aprimorar seus conhecimentos." Segundo a artista, as mulheres muitas vezes se veem obrigadas a explicar ao parceiro o que precisam e se encontram em um papel que já conhecem muito bem no dia a dia, em casa ou com a família: o de "professora".  Jogos de submissão  Esse questionamento da sexualidade feminina certamente explicaria outra lição da pesquisa do Observatório Europeu da Sexualidade Feminina. No seu conjunto, as mulheres europeias abandonaram determinados jogos sexuais, promovidos pela indústria pornográfica, que colocam as mulheres numa situação de dominação diante de seus parceiros. Veja VÍDEOS da série 'Sexo é bom e eu gosto': Veja Mais

Setembro Amarelo: desabafo de famosos mostra como ódio na redes sociais pode ser gatilho para depressão

Glogo - Ciência Transtornos mentais são causados por uma combinação de fatores, mas ser alvo de haters na internet pode ser a gota d'água para quem está vulnerável, dizem especialistas. Procurar ajudar imediatamente é fundamental. Luísa Sonza deu um tempo das redes sociais por causa de ataques Reprodução "Foi uma fuga", explicou a cantora Luísa Sonza ao voltar às redes sociais depois de ficar um mês longe para escapar dos ataques na internet. Ela disse à TV Globo que esses ataques sempre aconteceram, mas que tudo ficou mais pesado depois que se separou do humorista Whindersson Nunes, no começo do ano passado. E saiu de vez do controle pouco mais de um ano depois, quando o filho recém-nascido de Whindersson com sua nova mulher nasceu prematuro e morreu. 'Stalking': saiba quando a perseguição na internet se torna crime Por um motivo inexplicável, os haters — como chama quem espalha ódio (hate, em inglês) na internet — partiram para cima de Luísa, que teve depressão, pânico e ansiedade. "Gente, pelo amor de Deus, parem com essa história, ninguém aguenta mais", a cantora suplicou no Instagram, aos prantos. A sua equipe anunciou pouco depois que ela ia dar um tempo das redes sociais para cuidar da sua saúde. Casos assim estão ficando comuns. Uma pessoa de repente entra na mira de uma turba virtual que dispara mensagens, fotos, hashtags e até ameaças de agressão e morte contra seu alvo da vez. Essa campanha de ódio pode acabar se tornando um gatilho para crises de saúde mental e levar até mesmo ao suicídio — assunto que é alvo da campanha de prevenção Setembro Amarelo. Lidando com haters: especialistas dão dicas para manter a saúde mental e tomar medidas legais Em vários casos, a razão de tanto ódio pode ser absurda. Para Ana Vilela, foi sua música Trem Bala, balada que virou hit com sua melodia suave e uma letra que transborda afeto. A cantora disse que foi chamada até de nazista por causa da canção e pediu para que não mandassem mais nada assim para ela. "Tenho depressão e não gostaria de ouvir de mais alguém além da minha própria cabeça dizendo que meu trabalho é um lixo", desabafou há alguns dias atrás. "Eu nunca vou saber lidar com o hate." Lidando com haters: especialistas dão dicas para manter a saúde mental e tomar medidas Ataques na internet estão ficando mais graves O ódio está piorando na internet — e não é só pra quem é famoso, não. Uma pesquisa do instituto de pesquisa Pew, dos Estados Unidos, mostrou que quatro em cada dez americanos já foram alvo de algum tipo de abuso ou agressão na internet. Entre os mais jovens, os ataques virtuais são ainda mais comuns: seis em cada dez pessoas com menos de 30 anos disseram ter passado por isso. Além disso, os abusos considerados mais graves, como ameaças de agressão, perseguição e abuso sexual, ficaram mais frequentes. E, em três de cada quatro casos, as pessoas foram atacadas através das redes sociais. "As redes sociais têm esse poder de afunilar e amplificar algumas vozes e ser uma forma pela qual o discurso de ódio se espalha", diz o psicólogo Breno Vieira, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). As redes sociais "são um instrumento para dar vazão a esse ódio", concorda o psiquiatra Fernando Fernandes, da Universidade de São Paulo (USP). "É como o ódio se materializa." Em casos assim, o ódio pode desencadear uma crise de depressão e outros transtornos mentais. É importante dizer que a ciência ainda não consegue cravar qual é a exata relação entre as redes sociais e a saúde mental. Há estudos que apontam que há uma correlação entre o uso de redes sociais e ter depressão, por exemplo. Mas, como qualquer bom cientista vai dizer, correlação não é o mesmo que causa. Pesquisas também indicam que pessoas deprimidas tendem a se refugiar nas redes sociais. E, aí, o que veio primeiro: o ovo ou a galinha? Outro ponto importante: a depressão e outros transtornos mentais têm uma série de causas combinadas, que passam pela genética, o ambiente social e o histórico de vida de uma pessoa. Mas essas campanhas de ódio são um fenômeno à parte em que o mal que as redes sociais podem causar é inegável. Primeiro porque, dentro ou fora da internet, ser vítima de ataques assim é um dos motivos que leva uma pessoa a ter transtornos mentais, explica Vieira. Com as redes, "criaram uma nova forma de cometer esses abusos", diz o psicólogo, que coordena o Laboratório de Pesquisa em Diferenças Individuais e Psicopatologia da PUC-Rio. O ódio ganhou outra dimensão com as redes sociais Mas a mídia social fez esse problema ganhar outra dimensão, porque alguém se expõe a milhares de pessoas ao mesmo tempo. "A mídia social intensificou aquele processo normal do nosso desenvolvimento, de ter nossas ações aprovadas e desaprovadas pelas outras pessoas. Isso se multiplicou e ficou desorganizado. Se uma pessoa viraliza de repente, ela está preparada para lidar com isso?", questiona Fernandes. 'Já acabou, Jéssica?': jovem abandonou estudo e caiu em depressão após virar meme O ginasta Arthur Nory notou que houve uma mudança de uns tempos para cá. Ele e seus colegas apareceram em 2015 em um vídeo fazendo piadas racistas com o atleta Angelo Assumpção, que é negro. Nory reconheceu o erro e pediu desculpas na época — e teve de fazer isso mais algumas vezes desde então, sempre que o caso voltou à baila de alguma forma. Inclusive às vésperas dos últimos Jogos Olímpicos de Tóquio, no qual o ginasta, que foi bronze na Rio 2016, teve um desempenho aquém das expectativas. "Em 2016, eu não passei por isso, não estava tendo tudo isso. Agora, com a internet, com toda essa visibilidade, o ódio vem muito grande. Vem ameaça, vem xingamento, vem tudo. E bloqueia. E suspende. Fica fora das redes sociais para se blindar, mas é isso. É pegar minha família, meus amigos aqui, minha equipe, a comunidade da ginástica, que estão comigo todo dia, é seguir", disse ele ao UOL. Tem ainda outra diferença com o que acontecia antes das redes sociais. Uma pessoa que era escrachada na escola ou no trabalho tinha normalmente em sua casa um espaço livre desses abusos. Agora o ódio vai junto para a casa com a vítima. Está sempre no bolso ou na bolsa, nas pontas dos dedos, a postos no celular. Isso tem deixado muitas crianças e adolescentes depressivos e ansiosos, diz Fernandes. "O bullying sempre foi terrível, mas antes a vítima tinha certa resiliência porque ficava naquele contexto da escola. Agora, tem outra proporção", afirma o psiquiatra. Lucas Santos, de 16 anos, se matou depois de ser xingado, ofendido e ameaçado por causa de um vídeo que ele e um amigo fingiam que iam se beijar. "Ele postou um vídeo no TikTok, uma brincadeira de adolescente com os amigos, e achou que as pessoas fossem achar engraçado, mas não acharam. Como sempre elas destilaram ódio na internet. Como sempre as pessoas deixaram comentários maldosos. Meu filho acabou tirando a vida. Eu estou desolada, acabada, sem chão", desabafou sua mãe, a cantora Walkyria Santos, no Instagram. Quem é o justiceiro mascarado do TikTok? Procure ajuda Walkyria explicou que seu filho já tinha dado sinais de estava com algum problema e que tentou ajudar Lucas o levando a um psicólogo. Ela acredita que os comentários homofóbicos o levaram além do seu limite. "Ser vítima de ataques nas redes sociais pode ser a gota d'água para uma pessoa que já tinha outras vulnerabilidades", diz Breno Vieira, da PUC-Rio. "Isso puxa um fio que acaba em um quadro de depressão. Não é só por esse motivo, mas é uma peça do quebra-cabeça, é a experiência que serve de faísca." Uma pessoa deprimida costuma perder o interesse pelas suas atividades cotidianas. Fica triste e desanimada por mais do que alguns dias. Pode ter problemas para dormir ou perder o apetite. Nos casos mais graves, chega a pensar em suicídio. "As críticas podem nos abalar profundamente, mas quando isso deixa a gente inoperante é sinal de que tem algo errado e precisa procurar ajuda", diz Fernando Fernandes, da USP. "Transtornos mentais são problemas de saúde e precisam ser tratados", reforça Vieira. "É como se você tivesse quebrado o braço ou sofrido uma queimadura. Você pode tentar se tratar em casa, mas é melhor procurar um profissional. Se uma pessoa pensa em morrer, é como quando alguém está com Covid e sente falta de ar: tem que procurar ajuda o quanto antes." Caso você esteja pensando em cometer suicídio, procure ajuda no Centro de Valorização da Vida e o Centro de Atenção Psicossocial (CAP) da sua cidade. O CVV (https://www.cvv.org.br/) funciona 24 horas por dia (inclusive aos feriados) pelo telefone 188, e também atende por e-mail, chat e pessoalmente. São mais de 120 postos de atendimento em todo o Brasil. Psicóloga fala sobre o Setembro Amarelo, mês de conscientização contra a depressão Veja Mais

Ministério da Saúde valida imunização de pessoas que receberam lotes da CoronaVac suspensos

Glogo - Ciência Em nota publicada no dia 12, pasta afirma que doses que já tinham sido aplicadas são válidas pois não foram encontrados eventos adversos. Em setembro, Anvisa determinou recolhimento de lotes envasados em fábrica não autorizada. Butantan substituiu imunizantes e deve definir nesta sexta (19) o que fará com as vacinas recolhidas. Lotes de Coronavac, do Instituto Butantan Divulgação O Ministério da Saúde validou a imunização de pessoas que receberam vacinas dos 25 lotes da CoronaVac que foram suspensos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em setembro deste ano. Ao todo, a Anvisa havia interditado 12,1 milhões de doses que foram produzidas pela Sinovac, na China, em uma fábrica não inspecionada e aprovada pela agência. A nota técnica foi publicada pela pasta no dia 12 de novembro. "O Programa Nacional de Imunizações (PNI) define que aqueles indivíduos que tenham recebido doses da vacina Covid-19 Coronavac/Sinovac/Butantan dos lotes interditados pela Anvisa (202107101H, 202107102H, 202107103H, 202107104H, 202108108H, 202108109H, 202108110H, 202108111H, 202108112H, 202108113H, 202108114H, 202108115H, 202108116H, L202106038) poderão ter suas doses consideradas como VÁLIDAS, não havendo necessidade de revacinação destes indivíduos." Em nota, o Butantan afirmou que a decisão “corrobora as afirmações de que os lotes que haviam sido suspensos pela Anvisa são tão seguros e eficazes quanto os envasados nas instalações do instituto”. Histórico Em setembro, a Anvisa determinou o recolhimento dos lotes, após interditá-los de forma cautelar. À época, a Agência afirmou que a decisão tinha sido tomada após a constatação de que os dados apresentados pelo laboratório chinês não comprovam a realização do envase em condições satisfatórias de boas práticas de fabricação. A vacina é produzida pela Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. Logo após a interdição, o Instituto anunciou que os lotes seriam substituídos. Segundo o Butantan, o processo foi concluído na última quarta-feira (17). Butantan define destino das doses Nesta sexta (19), os dirigentes do Instituto se reúnem para definir o que será feito com as vacinas recolhidas. O diretor do Butantan, Dimas Covas, disse em coletiva de imprensa no final de setembro, que o Instituto estudava doar os lotes a países da América Latina. Até o momento, porém, não há definição do que será feito com os imunizantes. Quantidade de doses aplicadas O Ministério da Saúde não informou quantas doses do montante foram aplicadas no país. Apenas os estados de São Paulo, do Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte divulgaram os números, à época da interdição. SP disse ter aplicado 4 milhões de doses. Já o Rio, revelou que 1.206 pessoas foram vacinadas com doses da CoronaVac de um dos lotes suspensos. No Rio Grande do Norte foram aplicadas 21 doses. Que vacina é essa? Coronavac VÍDEOS: Veja mais notícias sobre São Paulo e região metropolitana: Veja Mais

Mundos físico e digital devem se fundir na saúde em breve

Glogo - Ciência “O cuidado virtual é uma ferramenta valiosa para que o atendimento não se limite a eventos agudos e pontuais”, afirma especialista Na semana passada, entre os dias 9 e 12, o Global Summit Telemedicine & Digital Health 2021 reuniu especialistas para tratar de um território em franca expansão: a saúde digital. Ninguém mais discute sua validade ou aplicabilidade – essa fase já passou – e sim seu potencial de crescimento. O próximo passo deve ser, inclusive, fazer a medicina embarcar no metaverso, termo que se refere ao mundo virtual que replica a realidade. Como uma expressão de nerds e redes sociais está prestes a envolver os pacientes? Eduardo Cordioli, gerente médico de telemedicina do Hospital Israelita Albert Einstein, usa a teoria dos conjuntos para traçar o cenário dos próximos anos: “antes se imaginava que havia apenas uma área de interseção entre a saúde digital e a presencial, mas agora está claro que há uma união entre esses dois conjuntos, com experiências integradas”. Trocando em miúdos, o mundo físico e o digital caminham para ser uma coisa só. Uma sólida base de informações on-line poderá tornar o atendimento mais ágil e eficiente, como o monitoramento de portadores de diabetes e hipertensão, capaz de reduzir custos e melhorar a qualidade de vida das pessoas. Imagine chatbots reconhecendo alterações na voz que indiquem a presença de uma enfermidade – é mais ou menos esse o caminho que temos pela frente. David Rhew, professor da Universidade de Stanford e vice-presidente de cuidados da saúde da Microsoft: “o cuidado virtual é uma ferramenta valiosa para que o atendimento não se limite a eventos agudos e pontuais, em clínicas e hospitais” Divulgação Renata Albaladejo, coordenadora de operações da telemedicina do Einstein, enfatizou sua utilização para superar os “vazios demográficos” de especialistas, principalmente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil: “há uma necessidade urgente de qualificar a rede e o atendimento, por isso criamos o ambulatório digital de especialidades médicas”. Desde 2014, a instituição realizou 110 mil teleinterconsultas, nas quais os profissionais discutem o caso on-line, com interações em tempo real, enquanto o paciente é examinado. Ao falar sobre tendências e oportunidades no setor, o médico David Rhew, professor da Universidade de Stanford e vice-presidente de cuidados da saúde da Microsoft, disse que assistimos ao empoderamento do consumidor de saúde, que terá acesso e controle dos seus dados, e à migração das informações para prontuários eletrônicos: “o cuidado virtual é uma ferramenta valiosa para que o atendimento não se limite a eventos agudos e pontuais, em clínicas e hospitais. O cuidado será contínuo e no dia a dia da comunidade”. Ele anunciou uma parceria entre a Microsoft e a Nuance para a criação de um aplicativo que registra a conversa do médico com o paciente e a transforma num documento com todas as informações relevantes da consulta. Não se trata de uma mera gravação: a partir da base de dados que dispõe sobre a especialidade, a inteligência artificial processa a linguagem natural e organiza o relatório como o profissional de saúde faria com suas anotações. Enquanto não chegamos ao estado da arte, temos que enfrentar barreiras de todo tipo, entre as quais uma base de dados ainda muito frágil e falhas na formação do profissional de saúde, como apontou o presidente da Academia Nacional de Medicina, Rubens Belfort Júnior. “Os futuros jovens talentos precisam entender que a telemedicina é mais uma técnica de cuidado e deve fazer parte do arsenal de que dispõem. Tenho pacientes idosos que escutam mal e preferem a teleconsulta porque, com fones de ouvido, entendem melhor o que está sendo dito. Além disso, outras pessoas, como filhos e cuidadores, podem participar. Há quem insista em permanecer no século passado, com posições estanques e hierarquizadas. Numa UTI, o técnico em oxigenação é tão indispensável para a sobrevivência do paciente quanto o médico e a enfermeira. Entretanto, convivemos com um conservadorismo brutal das sociedades médicas, que temem perder poder. Só que hoje o poder é de todos, porque o leigo também tem acesso à informação”, afirmou. Veja Mais

Califórnia e Japão dão lições sobre o envelhecimento ativo

Glogo - Ciência Tecnologia, serviços e leis têm como objetivo facilitar a vida dos idosos Na Califórnia, os gestores das instituições de longa permanência, as “assisted living” (moradias assistidas), terão que providenciar equipamentos de videoconferência para os residentes. A lei, aprovada no começo de outubro, visa não apenas a diminuir o isolamento dos idosos, através de visitas virtuais, mas também pretende facilitar a nova realidade pós-Covid: a expansão da telemedicina e o aumento do número de consultas on-line. No Japão, quase um terço da população tem mais de 65 anos e soluções tecnológicas voltadas para atender a esse público são bem recebidas inclusive pelos idosos Pixabay Outra lei garante aos mais velhos o acesso a uma avaliação cognitiva anual no sistema de saúde conhecido como Medicaid, voltado para as pessoas com menos recursos. Em 2020, havia cerca de 5.8 milhões de norte-americanos com a Doença de Alzheimer, sendo que quase 700 mil eram californianos. No estado, a enfermidade é a quarta causa de mortes e ter ferramentas para mapear precocemente seu surgimento pode proporcionar maior qualidade de vida aos pacientes. Por falar em qualidade de vida, pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) estão empenhados em dotar os robôs de habilidade sociais que levem para outro nível sua interação com seres humanos. Dessa forma, poderiam ser empregados em instituições de longa permanência. “Robôs estarão presentes em nosso dia a dia em breve e precisam aprender a se comunicar em termos humanos. Precisam entender quando é hora de ajudar e quando devem se limitar a observar para prevenir que algo aconteça. Estamos dando os primeiros passos, apenas arranhando a superfície”, afirmou o cientista Boris Katz. No Japão, uma das nações com maior percentual de idosos – quase um terço da população tem mais de 65 anos – soluções tecnológicas voltadas para atender esse público têm sido estimuladas e são bem recebidas inclusive pelos mais velhos. Na prateleira dos serviços e produtos “age tech”, vêm se multiplicando as pesquisas para o desenvolvimento de “wearables” (vestimentas ou calçados que monitoram o indivíduo e produzem informações que podem ser compartilhadas); exoesqueletos, estruturas que aumentam a força e a resistência do corpo, facilitando a mobilidade; e robôs de companhia. Estima-se que, lá, o tamanho do mercado voltado ao envelhecimento estará na casa dos 950 bilhões de dólares em 2025, superando segmentos como o automobilístico, o de finanças e eletrônicos. Somente nos Estados Unidos há algo com a mesma envergadura. Os japoneses têm uma expectativa de vida maior que qualquer outro povo e cultivar hábitos saudáveis faz parte de sua cultura, de maneira que os idosos são fisicamente ativos e se engajam em atividades comunitárias. Temos lições para aprender e caminhos para trilhar. Veja Mais

Saúde da mulher e menopausa, um filão bilionário

Glogo - Ciência Esta é uma das áreas mais promissoras para investimentos porque 80% das decisões de compra dos produtos passam pelo crivo feminino Na mídia norte-americana, expressões como “menoculture” (cultura da menopausa) e “menotech” (tecnologia a serviço da menopausa) começaram a pipocar. O que isso quer dizer? Que o gigantesco mercado composto por mulheres entre a perimenopausa – os anos anteriores à derradeira menstruação – e a pós-menopausa está na berlinda. E não está sozinho, porque faz parte de um segmento ainda maior, em ebulição, conhecido como “femtech”, de empresas de tecnologia voltadas para o público feminino. Em artigo da consultoria Wunderman Thompson, Anu Duggal, fundadora do Female Founders Fund, que financia empreendedoras, afirmou: “esta é uma das áreas mais promissoras para investimentos, já que as mulheres controlam 80% das decisões de compra dos produtos da indústria de cuidados com a saúde, cujo volume total de negócios está na casa dos US$ 3.5 trilhões”. Anu Duggal, fundadora do Female Founders Fund, que financia empreendedoras: “as mulheres controlam 80% das decisões de compra dos produtos da indústria de cuidados com a saúde” Divulgação No primeiro semestre, a Fawcett Society, instituição britânica pelos direitos das mulheres, realizou uma pesquisa com trabalhadoras em Londres para entender melhor como os sintomas da menopausa e o comportamento dos empregadores afetam a carreira de quem está atravessando essa fase. De acordo com o Office for National Statistics, o equivalente ao IBGE do país, mulheres acima dos 50 anos representam 13% da mão de obra no país. Os resultados serão divulgados no fim do ano e o objetivo é que sirvam de parâmetro para que as companhias criem uma cultura mais acolhedora para suas colaboradoras. A startup Grace criou bracelete que detecta as ondas de calor provocadas pela menopausa e emana sensações refrescantes quando elas ocorrem Divulgação Numa de suas últimas edições, a revista “The Economist” publicou reportagem sobre o boom das “femtechs”, afirmando que tal mercado pode passar dos 22.5 bilhões de libras, referentes ao ano de 2020, para 65 bilhões, em 2027. Entretanto, ano passado as empresas focadas em resolver problemas do público feminino receberam apenas 3% de todo o investimento para tecnologia da saúde. Miopia da grossa, porque as mulheres são 75% mais propensas que os homens a adotar ferramentas digitais para cuidar da saúde. Já escrevi sobre o tema: questões femininas têm sido negligenciadas porque a medicina e a ciência ainda privilegiam estudar os homens. Até chegarmos a esse momentum que, diga-se de passagem, ocorre principalmente por motivos mercadológicos, vivemos um longo histórico de ignorar as características que tornam nosso organismo bem diferente do masculino. Duas pesquisas recentes apontam para essa desigualdade: na primeira, uma revisão de 56 testes clínicos voltados para a Doença de Alzheimer, abrangendo quase 40 mil participantes, mostrou que apenas 12.5% dos artigos esmiuçavam a questão do gênero, embora dois terços dos pacientes com a enfermidade sejam mulheres. O segundo trabalho, publicado pela Academia Norte-americana de Neurologia, identificou que as mulheres estão sub-representadas nos testes clínicos de derrames. Hora de virar o jogo. Veja Mais

Perguntas para fazer a seu médico sobre câncer e sexo

Glogo - Ciência Combater a doença é a prioridade, mas as consequências para a sua vida sexual também importam Um diagnóstico de câncer é sempre um golpe duro de se absorver. A sensação de que um buraco se abriu no chão e despencaremos em queda livre é real. Felizmente, um número cada vez maior de pacientes se recupera e retoma suas atividades. No entanto, uma questão ainda é pouco debatida nos consultórios, principalmente pelas mulheres: o sexo. Homens diagnosticados com câncer de próstata recebem um volume razoável de informações para dissipar os temores relacionados a um quadro de disfunção erétil e incontinência urinária, mas o mesmo não se aplica para nós. Combater o câncer é a prioridade, mas o resto da sua vida, o que inclui o sexo, também importa Cristhiane Louback para Pixabay Claro que combater o câncer é a prioridade no momento, mas o resto da sua vida – o que inclui a atividade sexual – também importa. Há perguntas que devem ser feitas ao oncologista e, se ele não souber responder, busque um profissional que possa ajudar. Assisti a uma palestra da médica ginecologista Stacy Tessler Lindau, professora da Universidade de Chicago, e tomei conhecimento do WomanLab, sob sua direção: trata-se de uma plataforma voltada para preservar e recuperar a função sexual feminina depois de tratamentos oncológicos, problemas cardíacos e nos desafios da menopausa. Apesar do turbilhão de emoções depois do diagnóstico, o ideal é discutir o assunto antes do início do tratamento. Deixar para depois pode significar uma dificuldade ainda maior para voltar a ter prazer. Começo por três questões fundamentais que devem ser formuladas: 1) Entre as opções de tratamento, há alguma que poderia garantir, ao mesmo tempo, uma boa chance de recuperação e preservar minha função sexual? 2) Há algo que eu deva saber ou fazer antes de começar o tratamento que possa ajudar a preservar ao máximo minha função sexual? 3) Devo parar de fazer sexo e, em caso positivo, quando será possível voltar a ter relações? Não se conforme com uma resposta do tipo: “isso agora não tem relevância, o importante é encarar o tratamento”. Quanto mais jovem for a paciente e melhor for o prognóstico, mais sentido terão essas perguntas. E há muitas outras como, por exemplo, o impacto da quimioterapia: ela vai interferir na função ovariana e provocar menopausa? De que forma isso vai prejudicar a vida sexual? Será possível se beneficiar de terapia de reposição hormonal para combater sintomas como ressecamento vaginal e falta de libido? Haverá chance de engravidar depois, ou de fazer um tratamento de fertilização? No caso de ser necessário fazer radioterapia na área genital, como prevenir efeitos colaterais que afetarão o sexo? Se houver a indicação de mastectomia, levante todos os detalhes referentes à reconstrução: quando poderá ser feita e seus riscos; se haverá perda de sensibilidade dos mamilos e dos seios. Parceiros e parceiras devem ser envolvidos em todo o processo, porque é comum que, depois de vencida a doença, os distúrbios sexuais sejam encarados como problemas psicológicos. Veja Mais

Preconceito contra os idosos limita a inovação e a expansão econômica

Glogo - Ciência Consultora afirma que baby boomers são uma força que não pode ser ignorada No começo do mês, assisti a diversas palestras da semana de inovação da Age Well, iniciativa canadense focada no desenvolvimento de tecnologias a serviço do envelhecimento, mas a que mais me chamou a atenção foi dedicada a formas de combater o ageísmo (ou etarismo), isto é, o preconceito contra os mais velhos. Anne Marie Wright, consultora de marketing e negócios há 25 anos, afirmou que os baby boomers, os nascidos entre 1946 e 1964, dispõem de cerca de 33 trilhões de dólares no Canadá – nos EUA, a riqueza acumulada por eles chega a quase 60 trilhões de dólares! – e são uma força que não pode ser ignorada: “o preconceito limita a inovação e a expansão econômica. O mercado deveria se preocupar menos em falar com os jovens e tentar entender esse novo sênior que é muito diferente de gerações anteriores”. Casal idoso em banco: mercado desconsidera poder de compra dos mais velhos Joaquin Aranoa para Pixabay Jane Barratt, secretária-geral da Federação Internacional de Envelhecimento (IFA em inglês), lembrou que o preconceito se manifesta na forma como pensamos, sentimos e agimos – e temos que trabalhar em todas essas frentes. Além disso, enfatizou que é preciso criar um ambiente favorável ao envelhecimento e um sistema de cuidados abrangente, que inclua as instituições de longa permanência: “nosso objetivo tem que ser possibilitar que as pessoas tenham a oportunidade de continuar fazendo o que valorizam”. Gregor Sneddon, diretor-executivo da HelpAge Canadá, ressaltou a importância de um ambiente acolhedor para o aprendizado contínuo: “é fundamental quebrar a primeira barreira, a do idoso achar que é velho demais para aprender”. Naquele país, há programas que disponibilizam tablets para idosos sem recursos e transformam jovens em mentores dos maduros para guiá-los no mundo on-line. Por último, a escritora Oliver Senior, de quase 80 anos, sintetizou numa frase sua disposição: “eu sou engajada com o mundo, quero saber o que está acontecendo e participar”. Todos conhecemos o poder das palavras. No entanto, se elas moldam e refletem o preconceito, podem igualmente ser utilizadas para combatê-lo. A expressão “tsunami grisalho”, apesar da forte carga negativa – afinal, é sinônimo de destruição – está tão enraizada que seu equivalente em inglês tem mais de 30 milhões de resultados. No vídeo “What´s old?” (“O que é ser velho?”), disponível nesse link, um grupo de adultos jovens muda radicalmente seu conceito sobre a velhice depois de ser apresentado a idosos que estão bem longe da visão estereotipada que tinham dessa fase da vida. O relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o tema, publicado em março, reforça que o preconceito está associado a um quadro de saúde física e mental de pior qualidade, declínio cognitivo e menor expectativa de vida. O isolamento social e a solidão também aumentam o risco de violência e abusos. A instituição sugere três estratégias para mudar a situação: através de leis e políticas públicas; de programas de educação contra os estereótipos negativos que envolvem a velhice; e de intervenções intergeracionais, que estimulem a convivência entre jovens e velhos. Que tal fazer parte do movimento? O blog entra num brevíssimo recesso nesta semana. A coluna voltará a ser publicada no próximo domingo, dia 24. Até lá. Veja Mais

Por que as conversas triviais são tão importantes para nossa saúde mental

Glogo - Ciência As trocas de palavras com estranhos sobre nada importante em particular, curiosamente, são as que nos ajudam a se sentir conectados com o mundo. Voltar ao local de trabalho tem algumas vantagens. Falar com os colegas sobre coisas sem importância é uma delas. Getty Images/BBC É típico. Existem coisas que nós não valorizamos, a não ser depois que as perdemos. E uma das coisas que nós perdemos, pelo menos temporariamente, durante a pandemia, e muitos de nós começamos a estranhar, é aquilo que em inglês é chamado de "small talk" — ou, a conversinha, aquele bate-papo superficial. São essas conversas casuais que mantemos com estranhos ou gente que apenas conhecemos de vista, na fila do ônibus, numa loja, no parque passeando com o cachorro ou do lado da impressora do escritório e que são sobre... nada. Mesmo aqueles que dizem odiar essas interações banais — que no Reino Unido giram principalmente em torno do clima — admitiram, durante o confinamento imposto pela covid-19, que lamentavam sua ausência. E por que essas conversas nos fazem falta? Que papel elas desempenham no nosso bem-estar? Conectados com o mundo Esse tipo de interação costuma "nos deixar de bom humor. Isso ocorre, em parte, porque elas nos ajudam a nos sentirmos conectados com outras pessoas, e isso é algo realmente importante para os seres humanos", disse à BBC Mundo Gillia Sandstrom, professora de psicologia da Universidade de Essex, no Reino Unido. Sandstrom investigou o impacto que as relações fracas (em oposição aos laços profundos) têm sobre nós. "Nós precisamos sentir que somos parte de um grupo e parte de algo maior", ela acrescenta. Falar sobre trivialidades com estranhos nos faz sentir que podemos "confiar nas pessoas e que o mundo em geral é um lugar seguro, como a nossa comunidade". Mas, além desses benefícios, diz a especialista, essas conversas rápidas nos ajudam a aprender coisas novas. Não espere que alguém inicie a conversa, você pode tomar a iniciativa Getty Images/BBC "Não aprendemos muito com as pessoas que estão mais perto de nós, porque de algum modo sabemos o que elas sabem. Assim, ironicamente, adquirimos mais informação nova de conhecidos e estranhos do que daqueles que são mais próximos de nós." A ausência desses encontros durante os confinamentos fez com sentíssemos falta dessa sensação de novidade, destaque Sandstrom. Essas conversas "trazem algo de novo e imprevisível à nossa vida. Quando conversamos com um estranho não sabemos qual direção que a conversa vai tomar ou de que vamos falar. Isso pode assustar um pouco e é uma das razões pelas quais a gente evita falar com estranhos". "Mas essa imprevisibilidade é também um dos grandes prazeres que existem", afirma. Podemos notar também que, quando não estamos com um ânimo bom, nós não tendemos a mostrar isso durante um desses encontros casuais. Isso ocorre porque nós tratamos de apresentar nosso melhor lado a quem não nos conhece bem, já que queremos que esse intercâmbio seja bem-sucedido. "Ao agir como se estivéssemos de bom humor, isso acaba fazendo com que nos sintamos melhor", explica Sandstrom, que acredita que todos esses efeitos "sejam acumulativos". No trabalho Essas conversas superficiais não apenas nos fazem nos sentir mais à vontade no âmbito pessoal, mas também nos permitem crescer e nos sentirmos mais seguros no ambiente profissional. O que seria da vida sem bate-papo no salão? Getty Images/BBC "Imaginemos que você seja minha chefe e me dê um trabalho para fazer. Se cada vez que nós interagirmos você me der tarefas e nem sequer me perguntar como estou, como foi meu fim de semana etc, se não faz nada para iniciar uma conversa casual, eu não terei nenhuma conexão com você", diz Fine. E isso fará com que eventualmente alguém procure emprego onde as pessoas se preocupam mais com o funcionário ou paguem mais, por exemplo. "As conversas superficiais geram conexão, e isso faz com que a gente se preocupe com as coisas." Por outro lado, um estudo mencionado por Sandstrom verificou que as pessoas que tem mais laços fracos, ou seja, mais conhecidos no trabalho são consideradas mais criativas por seus superiores. Elas são fundamentais "para a colaboração e para gerar confiança", assegura Debra Fine, autora do livro The Fine Art of Small Talk (em português, A Delicada Arte da Conversa Trivial). Falar sobre o clima é um hábito comum aos britânicos Getty Images/BBC "Isso está vinculado à ideia de que uma pessoas tem acesso a mais tipo de informação: se ela fala com gente de departamentos diferentes na empresa, ela pode aprender um pouco mais — e organiza as coisas de forma diferente — que alguém que somente fala com as mesmas três pessoas", argumenta a psicóloga da Universidade de Essex. Apesar de isso ser mais comum em algumas culturas que em outras, a grande maioria participa desse tipo de rituais. Há cerca de um século, o pai da antropologia social, o polonês-britânico Bronislaw Malinowski, argumentou que a "small talk" não era de domínio exclusivo das sociedades ocidentais, e seu objetivo não era comunicar ideias, mas sim cumprir uma função social: estabelecer vínculos pessoais. Isso mesmo que a temática — assim como as normas sobre o que é aceitável e o que não é — varie segundo a cultura e a região do mundo. Dessa forma, enquanto no Reino Unido, como mencionamos antes, uma clássica maneira de ter conversas superficiais é falar sobre o tempo, e outros países é comum iniciar um bate-papo em torno de uma reclamação (quanto tempo o ônibus demora para chegar, como é ruim o serviço de um estabelecimento etc). Aprendizado Nem todo mundo se sente como um peixe dentro d'água quando se trata de entrar nesse tipo de diálogo com pessoas que não pertencem a seu círculo mais próximo. Lembro-me de uma amiga que costumava olhar, cuidadosamente, pelo olho mágico e colocar o ouvido na porta de sua casa antes de sair para não cruzar com algum de seus vizinhos. Na maioria das vezes, aqueles que evitam essas conexões fazem isso por falta de interesse em outras pessoas. Para muitos, é uma questão de personalidade: ficar cercada de outras pessoas provoca ansiedade porque temem uma reação negativa. Falar sobre o clima é um hábito comum aos britânicos Getty Images/BBC Mas muitos também evitam essas interações simplesmente porque não sabem como se comportar. "Ao menos que já tenha nascido com esse dom e que isso saia de forma natural, a maioria não faz isso bem", explica Fine. Mesmo assim, trata-se de uma habilidade que se pode adquirir por meio da observação e, sobretudo, da prática. Conselhos para iniciar uma conversa trivial A primeira coisa que é preciso lembrar é que o início de uma conversa depende de você mesmo. "Não se pode esperar que alguém fale com você numa festa ou num evento da escola. É você que precisa estar disposto a assumir o risco", diz Fine. Ao menos que você esteja num evento profissional, não pergunte "No que você trabalha?". É melhor perguntar "O que você faz?", e a outra pessoa pode te responder o que ela quiser lhe dizer. "O importante é mostrar interesse de uma maneira que a outra pessoa lhe dê uma resposta verdadeira e que exija dela uma resposta de mais de uma palavra", afirma a especialista na arte da conversação. Por exemplo: em vez de "Como foi seu fim de semana?", a que alguém pode responder simplesmente com um "bem, obrigado", você pode dizer: "Me conta sobre o que de mais interessante você fez no fim de semana". É possível seguir dicas sobre como iniciar uma conversa aleatória e encerrar o papo sem ser mal educado Getty Images/BBC Outra ferramenta disponível é o que Fine chama de informação "gratuita". Se você está num encontro social, a outra pessoa certamente conhecerá o anfitrião, assim como você, e você pode perguntar como eles se conheceram, por exemplo. Se você participa de um evento como voluntário, você pode perguntar a um outro voluntário coo foi que se ele se envolveu nessa organização. Você deve evitar todo tipo de pergunta que matam a conversa. Em situações em que você não conhece muito bem a outra pessoa, não faça perguntas sobre as quais você não sabe o tipo de resposta que podem gerar, recomenda Fine. Ou seja, é melhor perguntar "E a vida? Alguma novidade?", em vez de algo sobre seu marido, que você viu faz um ano, porque você não sabe se eles continuam juntos, por exemplo. E o mesmo vale para o trabalho: não parta do pressuposto de que a pessoa continua no mesmo emprego. "É muito melhor pedir a ela "Me fala sobre as novidades do trabalho", já que a outra pessoa lhe contará o que ela quiser contar sobre esse assunto. Outra recomendação que Fine faz é que você não entre em competição enquanto conversa, coisa que muitos de nós fazemos sem que percebamos. Isso significa que, se alguém lhe fala sobre como se sentiu mal trabalhando sozinho em casa durante a pandemia, não responda dizendo que para você foi pior porque, além disso, tinha seus filhos o tempo todo em casa. É muito melhor responder: "Parece que foi bem difícil para você mesmo. Já consegue ver uma luz no fim do túnel?". ...e para encerrar o papo sem ser mal-educado Por último, encerrar uma conversa é tão importante como começá-la, sobretudo se não quisermos ficar presos num papo que parece não ter fim. Porém, também não querermos ofender ou ferir os sentimentos de nosso interlocutor. Fine recomenda indicar que a conversa está prestes a chega ao final exibindo o que chama de "bandeira branca", em referência à que se usa nas corridas automobilísticas para indicar ao condutor que estamos entrando na última volta. As conversas triviais são tão importantes na vida pessoal quanto no trabalho Getty Images/BBC Ela dá exemplos de frases de "bandeira branca": "Me diga uma coisa, antes de eu sair", ou "Eu queria te fazer uma última pergunta", ou "Eu vou ter que sair, mas me explica uma coisa" etc. Outro ponto importante, afirma Fine, é que se você diz que vai sair daquela interação para fazer alguma coisa, que você realmente faça isso. "Se você acaba de dizer a alguém 'foi ótimo falar com você, mas estou desesperada para comprar um café', e no caminho à cafeteria você encontra outra pessoa, e seu interlocutor vê como você está falando longamente com ela, vai ficar ofendido, e isso pode queimar pontes." "A essa nova pessoa, diga simplesmente que você vai comprar um café e que ela te acompanhe, ou então que você está indo comprar um café e já volta." São todas regras muito simples, que podemos colocar em prática para nos conectarmos mais facilmente com as pessoas que nos rodeiam e, com isso, nos sentirmos melhor. Veja Mais

Fiocruz vê 'cenário otimista', cita preocupação com dados e indica manter medidas para conter transmissão da Covid

Glogo - Ciência Pesquisadores destacam o sucesso da vacinação na prevenção de casos graves. No entanto, estudiosos alertam sobre a necessidade de manutenção de medidas de prevenção para evitar transmissão da doença. Fiocruz JN A taxa baixa de ocupação de leitos de destinados aos pacientes no Sistema Único de Saúde (SUS) é uma evidência do sucesso da vacinação na prevenção de casos graves, segundo a última edição do Boletim Observatório Covid-19 da Fiocruz Mas, segundo os pesquisadores, é necessário manter medidas preventivas para bloquear a circulação do vírus. A recomendação é de que, enquanto a cobertura vacinal avança, medidas de distanciamento físico, uso de máscaras e higienização das mãos devem ser mantidas. O boletim também pede a manutenção de passaportes vacinais e que a realização de atividades que representem maior concentração e aglomeração de pessoas só sejam realizadas com comprovante de imunização. Circulação de pessoas Os pesquisadores afirmam que os dados do Índice de Permanência Domiciliar são próximos de zero, mostrando que a circulação de pessoas nas ruas é a mesma em comparação ao que era observado antes da pandemia da Covid-19. Segundo os pesquisadores, ainda que muitas pessoas que circulam já tenham sido vacinadas, é preciso manter uma rotina de distanciamento físico, higienização das mãos e uso de máscaras. Óbitos O número de mortes causadas pela Covid segue em torno de 500 óbitos por dia. O número revela uma queda em relação ao pico da pandemia observado em abril, quando foram notificados mais de três mil mortes por dia. Por outro lado, os números seguem altos e indicam que há transmissão e incidência de casos graves que exigem cuidados intensivos. Ocupação de leitos Segundo dados coletados no dia 4 de outubro, a taxa de ocupação de leitos é estável em quase todo o país. Na maioria dos estados os níveis são menores do que 50%. O Espírito Santo se mantém na zona de alerta intermediário desde 20 de setembro e é a exceção mais preocupante, segundo os pesquisadores, com taxa de ocupação de 75%. Entre as capitais, Brasília, com ocupação de 83%, está na zona de alerta crítico. Na zona de alerta intermediário estão: Porto Velho (65%); Vitória (73%); Rio de Janeiro (65%); Porto Alegre (63%). As outras 22 capitais estão fora da zona de alerta. Veja Mais

Centro de Pesquisa que abriga Sirius abre inscrições para 40 vagas do curso de graduação em ciências; confira

Glogo - Ciência Curso de bacharelado gratuito em ciência, tecnologia e inovação terá duração de três anos. Processo seletivo começou nesta segunda (4) e vai incluir notas do Enem. Aprovados terão moradia, alimentação e transporte custeados pela escola. Prédio da Ilum Escola de Ciências, iniciativa do CNPEM, em Campinas (SP) Reprodução A Ilum Escola de Ciências, inciativa do Centro Nacional de Pesquisa em Energias e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), que abriga o Sirius, superlaboratório de luz síncrotron, abriu nesta segunda-feira (4) inscrições para candidatos à 1ª turma do curso integral de graduação em Ciência, Tecnologia e Inovação. Serão oferecidas 40 vagas e o cadastro dos interessados deve ser feito pela internet até 15 de dezembro. O curso gratuito terá duração de três anos em período integral e pelo menos metade das vagas será destinada a estudantes vindos da escola pública - os aprovados terão moradia, alimentação e transporte custeados pela escola, e um computador pessoal para uso durante a formação. Nessa primeira etapa do processo será requisitada uma Manifestação de Interesse do candidato. A seleção vai considerar ainda a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e, na última fase, o aluno passará por entrevista com a comissão de avaliação do curso. Essa será a primeira etapa do processo seletivo, na qual será requisitada uma Manifestação de Interesse do candidato. A seleção vai considerar ainda a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e, na última fase, o aluno passará por entrevista com a comissão de avaliação do curso. "O perfil de alunos que buscamos é o do jovem curioso, com um interesse genuíno pela ciência, que busca respostas para as questões reais que o mundo do século XXI enfrenta. É um projeto baseado na mão na massa e na mente trabalhando. O grande objetivo é a formação de cientistas, com um aprendizado profundo", afirma, em nota, Adalberto Fazzio, diretor da Ilum. A escola A Ilum fica instalada em um prédio do bairro Santa Cândida, em Campinas, endereço onde na década de 1980 os pesquisadores iniciaram o desenvolvimento do primeiro acelerador de elétrons brasileiros, o UVX, recentemente substituído pelo Sirius. O prédio foi reformado para abrigar a Escola de Ciências. Segundo o CNPEM, o currículo contemplará os seguintes campos: linguagens matemáticas; ciências da vida, ciências da matéria, humanidades e empreendedorismo. Nos dois primeiros anos, haverá aulas teóricas e práticas no prédio sede da Ilum com imersão gradual no CNPEM, enquanto o terceiro ano será dedicado exclusivamente ao desenvolvimento de projetos no CNPEM. Sirius, laboratório de luz síncrotron de 4ª geração, reforça a ciência no enfrentamento do novo coronavírus Nelson Kon O que é o Sirius? Principal projeto científico do governo federal, o Sirius é um laboratório de luz síncrotron de 4ª geração, que atua como uma espécie de "raio X superpotente" que analisa diversos tipos de materiais em escalas de átomos e moléculas. Entenda o Sirius, o novo acelerador de partículas do Brasil Além do Sirius, há apenas outro laboratório de 4ª geração de luz síncrotron operando no mundo: o MAX-IV, na Suécia. Para observar as estruturas, os cientistas aceleram os elétrons quase na velocidade da luz, fazendo com que percorram o túnel de 500 metros de comprimento 600 mil vezes por segundo. Depois, os elétrons são desviados para uma das estações de pesquisa, ou linhas de luz, para realizar os experimentos. Esse desvio é realizado com a ajuda de imãs superpotentes, e eles são responsáveis por gerar a luz síncrotron. Apesar de extremamente brilhante, ela é invisível a olho nu. Segundo os cientistas, o feixe é 30 vezes mais fino que o diâmetro de um fio de cabelo. Entenda como funciona o Sirius, o Laboratório de Luz Síncrotron Infográfico: Juliane Monteiro, Igor Estrella e Rodrigo Cunha/G1 Sirius: maior estrutura científica do país, instalada em Campinas (SP). CNPEM/Sirius/Divulgação Veja mais notícias da região no G1 Campinas Veja Mais

Forma como a CPI da Covid aborda os cuidados paliativos provoca críticas de médicos especialistas

Glogo - Ciência Presidente da ANCP afirma que limitar o esforço terapêutico em pacientes que ainda podem se beneficiar dele não é prática adotada nesse tipo de atendimento Resolvi fazer uma “edição especial” da coluna, nesta quarta-feira, para abordar uma questão que vem deixando os médicos especialistas em cuidados paliativos de cabelos em pé: a forma como a CPI da Covid vem tratando esse tipo de atendimento. Pelas declarações dadas por senadores, a impressão é de que os cuidados paliativos se restringem a pacientes terminais, que estão em seus últimos dias ou horas. No entanto, eles abrangem tudo o que pode ser oferecido a quem tenha uma doença fora de possibilidade de cura ou que ameace a existência, com o objetivo de melhorar a qualidade da vida do paciente. O equívoco ganhou mais força depois que familiares do advogado Tadeu Frederico Andrade, de 65 anos, que teve Covid-19, acusaram a operadora Prevent Senior de recomendar a adoção de tratamento paliativo. Segundo a família, a medida seria adotada para economizar custos e ocorreria em detrimento de outras opções. Cuidados paliativos abrangem tudo o que pode ser oferecido a quem tenha uma doença fora de possibilidade de cura ou que ameace sua existência, com o objetivo de melhorar a qualidade da vida do paciente Fernando Zhiminaicela para Pixabay O geriatra Douglas Crispim, presidente da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ACNP) e médico do núcleo de cuidados paliativos do Hospital das Clínicas da USP, conversou comigo e foi enfático: “de forma alguma desejamos interferir nas investigações e a ACNP vai sempre se posicionar ao lado da justiça, mas é importante esclarecer para o público que os cuidados paliativos não são utilizados apenas para quem está no fim da vida. Seu objetivo é combater, atenuar o sofrimento, o que pode ocorrer num tratamento oncológico, por exemplo. Há muitos pacientes que se beneficiam há anos com os cuidados paliativos que estão se sentindo desrespeitados com essa abordagem”. O doutor Crispim acrescentou que em hipótese alguma os cuidados paliativos são empregados para gerar algum tipo de economia numa unidade de saúde: “a ANCP reforça que limitar o esforço terapêutico em pacientes que ainda podem se beneficiar dele não é uma prática de cuidados paliativos”. Associar os cuidados paliativos com a morte iminente é um desserviço a todos. De acordo com o livro “Cuidados paliativos: aspectos jurídicos”, tema desse blog em julho, estima-se que cerca de 57 milhões de pessoas necessitem desse atendimento todos os anos, mas apenas 12% o recebem. Quando se fala de um paciente oncológico avançado, este sofre mais de um tipo de dor, sendo que ela pode ser completamente aliviada em 80% a 90% dos casos. No último ranking de qualidade de morte, publicado em 2015, o Brasil aparece em 42º. lugar entre os 80 pesquisados, atrás de Chile, Argentina, Uruguai e Equador – em posição pior que na edição anterior, quando estava em 38º. Na liderança estão Inglaterra, Irlanda, Bélgica, Nova Zelândia e EUA. Veja Mais

Nos EUA, homem com doença rara recebe rim transplantado do próprio marido

Glogo - Ciência O casal se conheceu no ano passado e, em agosto deste ano, um dos cônjuges doou um de seus rins ao outro. Imagem de divulgação de campanha para financiamento de Reid Alexander e Rafael Díaz Divulgação/GoFundMe Um casal do estado de Denver, nos Estados Unidos, compartilharam um rim, de acordo com uma reportagem da NBC. Reid Alexander, de 24 anos, recebeu um transplante de seu marido, Rafael Díaz. Mais de 40 mil pessoas esperam por um transplante de órgão no Brasil Alexander foi diagnosticado com Síndrome de Alport aos 17 anos. Essa doença causa ferimentos na parede dos rins, o que leva, eventualmente, a uma incapacidade do órgão de funcionar. É uma doença relativamente rara —afeta uma pessoa em cada 5.000 ou 10.000. Também pode causar problemas de visão e audição (Alexander usa aparelho auditivo). Em abril de 2020, ele soube que o funcionamento de seus rins estava no nível de 20%. Esse é o nível em que o paciente passa a precisar de um transplante. Enquanto o rim não chega, é preciso começar a planejar a diálise. Poucos meses depois, ele conheceu Díaz em um aplicativo de relacionamentos. Os dois se conheceram em agosto do ano passado. Pouco depois do começo da relação, Díaz quis ser testado como um possível doador. Em fevereiro deste ano, os rins de Alexander pioraram, e ele começou a fazer diálise. São sessões longas, que duram até 5 horas, e é preciso fazê-las três vezes por semana. Em abril, os dois se casaram. A saúde de Alexander piorou, e ele recebeu prioridade na lista de transplantes. Díaz, então, se submeteu a uma análise para ver se ele tinha compatibilidade para poder doar um de seus rins. O resultado foi positivo. Em agosto de 2021, Alexander recebeu um dos rins de seu marido. Os dois já receberam alta, e estão na casa dos pais de Alexander, no estado de Indiana, para se recuperar. Veja os vídeos mais assistidos do g1 Veja Mais

Pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia ajudam a avaliar riscos de extinção de crustáceos na Bacia do Rio Doce

Glogo - Ciência Estudos deram origem a um capítulo do 'Livro Vermelho da Biota Aquática do Rio Doce Ameaçada de Extinção Pós-Rompimento da Barragem de Fundão, Mariana, Minas Gerais'; acesse a obra. Crustáceos decápodes, como o Cardisoma guanhumi (caranguejo), foi o grupo de animais pesquisados pelos docentes da UFU Douglas F. R. Alves/Divulgação Um estudo inédito identificou o risco de extinção de espécies da Bacia Hidrográfica do Rio Doce. Dois professores do Instituto de Biologia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) integram a equipe de pesquisadores que fizeram o diagnósticos. Das 13 espécies de crustáceos estudadas pelos docentes da UFU, 9 estão ameaçadas de extinção. A pesquisa, realizada por cientistas de diversas instituições, está reunida no 'Livro Vermelho da Biota Aquática do Rio Doce Ameaçada de Extinção Pós-Rompimento da Barragem de Fundão, Mariana, Minas Gerais', publicado em agosto deste ano. Com 273 páginas, ele está disponível gratuitamente para download. Veja no fim da matéria como acessar o conteúdo. O estudo A equipe avaliou o estado de conservação de 4 grupos de seres vivos aquáticos: crustáceos, efemerópteros, odonatos e peixes, na área afetada pela lama com rejeitos de minério de ferro, derramada após o rompimento da barragem de Fundão, em 2015. Ariádine Cristine de Almeida e Giuliano Buzá Jacobucci, ambos pesquisadores do Laboratório de Ecologia de Ecossistemas Aquáticos (LEEA) do Instituto de Biologia da UFU, foram convidados para a avaliação dos crustáceos decápodes, aqueles que têm 10 pés, como o caranguejo e o camarão, em função das experiências que acumulam em estudos ecológicos com espécies desse grupo. “Há 14 anos venho desenvolvendo investigações com ênfase na variação espacial e temporal da abundância, estrutura populacional e reprodução destes animais, sendo os últimos 8 anos dedicados, especialmente, aos crustáceos decápodes de água doce. Já o professor Giuliano tem se dedicado a estes estudos nos últimos 10 anos, aproximadamente.”, disse Ariádine Almeida. A docente destacou que camarões, caranguejos, siris e lagostas são os principais representantes dos crustáceos decápodes. “De maneira geral, as espécies deste grupo apresentam relevância para o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos, incluindo espécies bioturbadoras do sedimento [que revolvem o sedimento enquanto se enterram ou se alimentam], que modificam a disponibilidade de recursos para outros níveis tróficos, e bioindicadoras de qualidade ambiental”, explicou ela. Ou seja, a presença desses animais é fundamental para a sobrevivência de outros. Macrobrachium carcinus (camarão) está ameaçado de extinção na Bacia do Rio Doce Douglas F. R. Alves/Divulgação Conforme o estudo, das 13 espécies desses crustáceos, 9 encontram-se ameaçadas de extinção na Bacia Hidrográfica do Rio Doce. São 3 espécies de caranguejos (Cardisoma guanhumi, Minuca victoriana e Ucides cordatus) e 6 espécies de camarões (Atya scabra, Macrobrachium acanthurus, M. olfersii, M. carcinus, Palaemon pandaliformes e Potimirim potimirim). Dentre estas, 6 espécies foram classificadas como “em Perigo” e 3 como “criticamente em perigo”. “Além disso, do total de 13 espécies avaliadas, 6 têm importância econômica para fins comerciais e de subsistência das populações ribeirinhas e caiçaras, em diferentes intensidades, sendo os caranguejos guaiamum e uçá os de maior relevância. Logo, os impactos causados pelo rompimento da barragem, com deposição de sedimento e alteração da qualidade da água por metais pesados e resíduos químicos, interferem no ciclo de vida destas espécies, resultando em prejuízos ao ambiente e à sociedade”, acrescentou a bióloga. O estudo teve origem no acordo de cooperação técnica entre a Fundação Renova e a Biodiversitas, fundação de conservação da biodiversidade e gestão ambiental. A Fundação Renova foi criada a partir do compromisso das duas maiores mineradoras do mundo, a brasileira Vale S.A. e a anglo-australiana BHP Billiton, para reparar os danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, que acomodava os rejeitos de minério de ferro de uma mina de propriedade da Samarco, empresa da Vale e da BHP. A bacia A área de drenagem da bacia do rio Doce abrange os estados de Minas Gerais (86%) e Espírito Santo (14%). Situada na Mata Atlântica, é a quinta maior bacia do país, com uma área de drenagem de cerca de 83.400 km². Conforme o histórico presente na publicação resultante das pesquisas, a bacia vem sendo impactada por diversas causas desde a década de 1930, como a retirada da vegetação e o consequente processo de erosão e assoreamento. A situação foi agravada com o rompimento da barragem de rejeitos de minério de ferro no dia 5 de novembro de 2015, no subdistrito de Bento Rodrigues, localizado a 35 km do centro do município mineiro de Mariana. Foram liberados cerca de 39,2 bilhões de m³ de rejeitos que causaram, da barragem até a foz do rio Doce, no estado do Espírito Santo, diversos danos ambientais. A pesquisa O trabalho realizado pelos pesquisadores da UFU teve início em novembro de 2019. Nesta fase, os pesquisadores receberam, das fundações Renova e Biodiversitas e da Câmara Técnica de Conservação e Biodiversidade (CTBio), o acesso aos dados das espécies previamente selecionadas, com possível ocorrência na área impactada pelo rejeito para a avaliação do grau de ameaça e a proposição de medidas conservacionistas. “Esses dados incluíram informações sobre taxonomia, biologia, ecologia e distribuição geográfica. Após análise, nos reunimos com os demais integrantes do grupo de especialistas para discussão e complementação de tais dados, obtendo ao final uma classificação das espécies segundo os critérios e as categorias da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN)”, informa a docente. O trabalho dos especialistas foi encerrado em janeiro de 2020, com a redação e submissão final do capítulo 'Crustáceos ameaçados de extinção na bacia do rio Doce publicado no Livro Vermelho'. Ucides cordatus (caranguejo) também está na lista de animais em extinção na área atingida pela lama com rejeitos Douglas F. R. Alves Soluções propostas Ariádine Almeida afirmou que, dentre as diversas medidas apresentadas no Livro Vermelho, recomenda-se o mapeamento detalhado e a realização de novos inventários na bacia do Rio Doce e ao longo da costa, principalmente no estado do Espírito Santo, bem como em bacias e regiões ainda desconhecidas ou pouco investigadas. “Aliado a isso, é fundamental a realização de estudos sobre a dinâmica populacional e diversidade genética, bem como a avaliação de capacidade de suporte dos estoques populacionais das espécies, principalmente daquelas de valor comercial”, disse. “Também deve-se considerar estudos sobre o impacto do represamento dos corpos d’água nas populações das espécies, além de estudos prévios e adequados para a construção de novas barragens e represamentos de modo que os cursos naturais de rios e estuários sejam minimamente afetados, bem como a manutenção da qualidade do habitat desses ambientes e daqueles em que tais construções já estão presentes”, acrescentou. Outro aspecto apontado foi a necessidade de monitoramentos populacionais de longo prazo, além do diagnóstico e monitoramento sobre o dano genocitotóxico (tóxico para as informações genéticas e células) das populações de crustáceos decápodes afetadas. “Finalmente, deve-se oportunizar o cultivo das espécies em condições laboratoriais a fim de favorecer o repovoamento em locais com redução populacional drástica, bem como subsidiar a aquicultura a fim de evitar a retirada indiscriminada de espécies economicamente viáveis diretamente da natureza, buscando-se assim contribuir efetivamente em ações conservacionistas e de desenvolvimento sustentável”, finalizou a pesquisadora. Para acessar o capítulo escrito pelos pesquisadores da UFU e também todo o conteúdo do livro basta clicar aqui. VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas Veja Mais

Ideias para o atendimento da saúde em 2030

Glogo - Ciência Inteligência artificial pode ser usada para fazer curadoria das informações sobre os pacientes Que panorama esperar para a saúde em 2030? O que pode ser feito na próxima década para que todo o potencial da tecnologia da informação se converta no aperfeiçoamento do atendimento das pessoas? Essa era a pergunta a ser respondida no seminário on-line “Technology & data in 2030”, promovido pela revista “New England Journal of Medicine Catalyst” na semana passada. Mesmo que as questões não retratem a realidade brasileira – pelo menos a da maioria dos cidadãos, embora tenhamos ilhas de excelência que seguem os mais exigentes padrões internacionais – acho importante jogar luz sobre o que está sendo discutido lá fora para sabermos o que cobrar de gestores e governantes. Paciente internada: inteligência artificial pode ser usada para fazer curadoria das informações Parentingupstream para Pixabay A médica Amy Merlino, diretora do setor de informação da Cleveland Clinic, hospital centenário que está entre os cinco melhores dos EUA, foi enfática ao dizer que a tecnologia não é uma barreira à empatia, nem substitui o contato humano, mas é fundamental para melhorar o atendimento. “Temos que ampliar e consolidar a rede de informações sobre os pacientes, usando a inteligência artificial para fazer uma curadoria desses dados e filtrar o que é relevante”, afirmou, dando um exemplo fictício: “imaginemos Maria, de 30 anos, mãe de dois filhos, com um quadro de hipertensão na última gravidez, sobrepeso e uma leve depressão. Poderemos oferecer um aplicativo de monitoramento de bem-estar para acompanhá-la que, ao mesmo tempo, compartilhará as informações com os agentes de saúde. Esses poderão pedir exames de acordo com a situação descrita na interface do app e até encaminhar Maria para um especialista se notarem que ela tem um problema mais complexo. O desafio é buscar uma solução proativa para atender a todos e atuar na prevenção, e não esperar que cada um marque uma consulta. Acho que temos muito a aprender com os aplicativos de compras, que já proporcionam uma experiência mais abrangente aos consumidores”. Em junho, a mesma publicação havia realizado um debate com foco no paciente como consumidor, apontando para uma mudança impensável há 20 anos: a crescente adoção dos relatórios feitos pelos próprios pacientes sobre sua condição de saúde para auxiliar no monitoramento e na tomada de decisões relacionadas ao tratamento. Para um sistema que sempre foi centrado na figura do médico, é um grande passo. Há dois mecanismos de medição: “Experiência relatada pelo paciente” (“Patient reported experience”, ou Prem), que avalia a jornada do doente no hospital até a alta; e “Desfechos medidos pelo paciente” (“Patient reported outcome measure”, ou Prom), com informações coletadas depois da alta. Ambos têm como objetivo medir a qualidade da assistência dada e devem integrar o prontuário eletrônico da pessoa. Por que o Prom vem ganhando tanto destaque? Ele contempla perguntas sobre a qualidade de vida geral e funcional do paciente, como a capacidade de realizar atividades do dia a dia, além do efeito e eficácia do tratamento. São informações que medem dor, mobilidade, fadiga e até depressão e podem, inclusive, indicar a necessidade de reinternação. Estamos longe, mas é bom saber que há um caminho a ser seguido. Veja Mais

Combinação de tipos diferentes de vacinas contra a Covid pode ser vantajosa e gerar mais resposta

Glogo - Ciência Estudos apontam que combinar a vacina AstraZeneca com os imunizantes que utilizam a tecnologia de RNA mensageiro aumenta a resposta imune na comparação com o regime tradicional. Frascos com doses das vacinas da Pfizer e da AstraZeneca e da CoronaVac Adriano Ishibashi/Framephoto/Estadão Conteúdo A falta de vacina AstraZeneca levou os estados do Rio de Janeiro e São Paulo a utilizar o imunizante da PFizer na aplicação da segunda dose na vacinação contra a Covid-19. Combinar vacinas de diferentes fabricantes é seguro e eficaz? Os estudos já divulgados sobre o tema apontam que, em determinados casos, a mistura pode sim ser vantajosa e gerar uma maior resposta imune. A estratégia de Rio de Janeiro e São Paulo é baseada justamente nos dois tipos de vacinas com mais resultados já conhecidos das pesquisas sobre a chamada "vacinação heteróloga" ou "intercambialidade de vacinas". Veja abaixo o que se sabe sobre o tema: Vacina com mais estudos sobre a combinação é a AstraZeneca, que usa a tecnologia de "vetor viral", ou seja, é baseada em um vírus modificado para introduzir parte do material genético do coronavírus no organismo e induzir a proteção; Pesquisadores da Universidade de Oxford investigam desde fevereiro de 2020 as combinações; Primeira pesquisa, batizada de "Com-COV1", a combinação AstraZeneca e Pfizer em 850 voluntários com mais de 50 anos; Combinação da 1ª dose de AstraZeneca com a 2ª da Pfizer gerou mais anticorpos e células T do que o regime completo com AstraZeneca; Na Espanha, estudo CombiVacs, do Instituto de Saúde Carlos III, reuniu 676 pessoas entre 18 e 59 anos. Os resultados divulgados em maio apontam que a mistura AstraZeneca e PFizer resultou em mais que o dobro dos anticorpos gerados por duas doses de AstraZeneca; Na Coreia do Sul, estudo com 499 profissionais de saúde, concluiu no final de julho que a combinação de AstraZeneca com Pfizer gerou níveis seis vezes maiores de anticorpos neutralizantes; Na Alemanha, a chanceler Angela Merkel, de 66 anos, recebeu a 1ª dose de AstraZeneca e depois foi vacinada com a Moderna na segunda dose: objetivo era incentivar nova estratégia de vacinação após o país recomendar a AstraZeneca apenas para maiores de 60 anos. A Moderna também usa a tecnologia do RNA mensageiro (mRNA), capaz de codificar a proteína S da coroa do vírus, e o introduz no corpo com a ajuda de uma nanopartícula de gordura para induzir a proteção natural do corpo. Pesquisa na Dinamarca apontou que o regime AstraZeneca/PFizer reduziu em 88% o risco de infecção, número comparável aos 90% para o regime exclusivo da PFizer. No Brasil, desde o fim de junho as grávidas que tomaram AstraZeneca foram autorizadas a receber a Pfizer na segunda dose. Ministério da Saúde anunciou, em julho, um estudo para avaliar a necessidade de uma terceira dose para os vacinados com CoronaVac: o objetivo é avaliar eficácia da dose de reforço com um imunizante diferente. Resultados ainda não foram divulgados. Mistura com a Sputnik V Por causa de problemas no fornecimento da Sputnik V, países da América Latina precisaram adotar tática semelhante. O imunizante russo também utiliza o vetor viral. Na Argentina, a ministra da Saúde, Carla Vizzotti, anunciou no começo de agosto que os resultados preliminares indicavam resultados "satisfatórios" e "encorajadores" na combinação da Sputnik V com a AstraZeneca. Também houve testes com o imunizante da Sinopharm, mas até então os resultados não foram "conclusivos". (Abaixo, veja reportagem do Fantástico sobre países no mundo que já aplicavam doses de dois fabricantes) Novas pesquisas estudam combinação de vacinas Veja Mais

Chile começa a vacinar crianças entre 6 e 12 anos contra a Covid-19 com CoronaVac

Glogo - Ciência País já aplica imunizante da Pfizer/BioNTech em crianças acima de 12 anos desde maio. No Brasil, o uso para essa faixa etária foi rejeitado pela Anvisa. Que vacina é essa? Coronavac O Chile se tornou na segunda-feira (13) o primeiro país da América do Sul a iniciar a vacinação contra a Covid-19 em crianças entre 6 e 12 anos. O imunizante utilizado é a CoronaVac, produzida pela chinesa Sinovac. Os primeiros a receberam a vacina no país são as crianças com comorbidades. As demais crianças começarão a ser imunizadas a partir de 26 de setembro. "As crianças também podem adoecer (de Covid). 12% dos casos que tivemos no país até metade do ano foram em menores de 18 anos", disse a subsecretária de Saúde Pública do Chile, Paula Daza. Vacinação de crianças: o que se sabe e o que está em prática no mundo CoronaVac é segura e eficaz em crianças a partir de 3 anos, diz estudo na China A agência reguladora de medicamentos do Chile aprovou no dia 6 o uso da CoronaVac em crianças com 6 anos ou mais. Cinco dos especialistas do conselho de avaliação convocado pelo Instituto de Saúde Pública (ISP) votaram a favor da administração da vacina em crianças de mais de 6 anos, dois votaram a favor de seu uso somente para aquelas de mais de 12 anos e um votou contra seu uso em crianças. Os imunizantes da Coronavac devem ser utilizados na aplicação de primeiras e segundas doses Miva Filho/SES-PE A CoronaVac também tem uma aprovação para uso de emergência em crianças na Indonésia e na China. No Brasil, o uso foi rejeitado pela Anvisa. O Chile já aprovou o uso da vacina da Pfizer/BioNTech para crianças acima de 12 anos, e mais de 660 mil pessoas nessa faixa etária já receberam ao menos uma dose desde maio no país. O Chile testemunhou uma queda considerável de infecções nas últimas semanas, e registrou somente 435 casos novos nesta segunda-feira. O país acumula um total de 1,6 milhão de casos confirmados e mais de 37 mil mortes de Covid-19. VÍDEOS: novidades sobre as vacinas contra a Covid-19 Veja Mais

Empresa anuncia US$ 15 milhões para trazer à vida um mamute extinto há 10 mil anos

Glogo - Ciência Intenção da empresa americana "Colossal" não é fazer cópias perfeitas do gigante extinto, mas sim adaptar o DNA do mamute usando parte do genoma do elefante asiático. Reconstrução de um exemplar de mamute-lanoso que está no Museu Real da Columbia Britânica rpongsaj/Wikimedia Commons Uma empresa de biociência e genética anunciou nesta segunda-feira (13) o investimento de 15 milhões de dólares (cerca de 78 milhões de reais) para trazer o mamute-lanoso de volta à vida. Para recriar o animal extinto há cerca de 10 mil anos, os pesquisadores planejam usar parte do genoma dos elefantes asiáticos. Esqueleto bem preservado de mamute é encontrado em lago no Ártico Pesquisadores descobrem DNA mais antigo do mundo em mamutes da Sibéria O gigante conhecido por suas presas invertidas e alongadas era um mamífero que se alimentava de plantas e habitava as áreas mais congelantes do globo, façanha que só era possível graças às duas camadas de pelo espesso que mantinham seu sangue quente. O audacioso projeto que promete trazer de volta à vida criaturas da Idade do Gelo foi anunciado pela empresa americana Colossal, fundada por Ben Lamm, um empresário de tecnologia e software, e George Church, geneticista pioneiro na abordagem sobre edição de genes e professor de genética de Harvard. Segundo eles, trazer o mamute-lanoso representa não só um grande avanço para a ciência na possibilidade de reverter o cenário de espécies extintas, mas também uma forma de combater às mudanças climáticas. Filhote de mamute começa a ser exposto em países da Ásia É possível trazer espécies extintas de volta à vida? Segundo a Colossal, sim. Contudo, a ideia não é fazer cópias exatas do gigante extinto, mas sim adaptá-lo utilizando parte do DNA do elefante asiático, o animal vivo que possui o maior número de genes semelhantes ao do mamute. "Embora o mamute-lanoso não esteja vivo andando pelas tundra, o código genético do animal está quase 100% vivo nos elefantes asiáticos de hoje. Precisamente, os dois mamíferos compartilham uma composição de DNA 99,6% semelhante", defendem os cientistas. Para isso, os pesquisadores irão criar embriões utilizando células retiradas da pele de elefantes asiáticos e, em laboratório, irão reverter os estágios dessas células até que se tornem células-tronco, que são células mais versáteis e que carregam o DNA dos mamutes. Aquecimento global: animais passam por metamorfose para sobreviver, diz estudo O mistério da 'concepção imaculada' dos tubarões Células específicas responsáveis pela caracterização dos peles, presas, camada de gordura e outras características que fazem os mamutes adaptáveis às regiões mais frias do globo serão identificadas a partir da comparação com o genoma extraído da carcaça de mamutes recuperados no permafrost -nome dado à camada permanentemente congelada abaixo da superfície da Terra. "Graças ao seu habitat no permafrost, tundra e regiões congeladas de estepe, muitos mamutes que morreram nunca se deterioraram completamente - em vez disso, permaneceram selados no gelo para serem descobertos posteriormente. Assim, as amostras de tecido coletadas contêm DNA intacto, comida não digerida nos estômagos dos mamutes, pelos, presas e muito mais", afirmam os pesquisadores. Caso esses processos sejam bem-sucedidos, os embriões serão levados para uma barriga de aluguel ou um útero artificial, onde serão gestados. A gestação de um elefante, caso se desenvolva sem problemas, dura 22 meses. Mamute com quase 40 mil anos de idade está em exposição no Japão Como poderia ajudar no combate às mudanças climáticas? Segundo os pesquisadores, os mamutes poderiam ajudar a combater o avanço das mudanças climáticas trazendo de volta a vegetação original das tundras, que mais se assemelham a um pasto, do que o que é atualmente, coberto por musgos. Isso ajudaria a evitar o aquecimento do permafrost e, consequentemente, seu descongelamento. Pesquisadores estimam que o permafrost mantém quase 1,7 trilhão de toneladas de carbono aprisionado, ou seja, quase o dobro do dióxido de carbono (CO2) presente na atmosfera. G1 no YouTube Veja Mais

Pesquisadores criam robô camaleão com "pele" artificial capaz de se camuflar; veja o vídeo

Glogo - Ciência A pele camaleônica criada em laboratório detecta cores e padrões ao redor e imita-os. Robô camaleão: pesquisadores criam "pele" artificial capaz de se camuflar Pesquisadores da Universidade Nacional de Seul, na Coreia do Sul, construíram um robô camaleão coberto por uma pele artificial semelhante à do animal, capaz de detectar cores e padrões no ambiente e imitá-los para se camuflar. (assista ao vídeo) Nas imagens divulgadas pelos cientistas, o robô camaleão caminha por diferentes painéis. Conforme o piso muda de cor, o robozinho também muda imediatamente, se confundindo com o chão. A pele camaleônica criada em laboratório usa uma tinta especial que muda de cor com base na temperatura das cores, detectada por minúsculos aquecedores flexíveis. Um microprocessador recebe as informações sobre a cor do ambiente. Ele tem informações sobre as temperaturas necessárias para mudar a cor da pele do lagarto de acordo com o seu entorno. Veja também: Kim Jong-Un empreende guerra cultural para minar K-pop e gírias que vêm da Coreia do Sul Como é Songdo, a 'cidade do futuro' criada do zero na Coreia do Sul O objetivo da invenção, segundo o engenheiro mecânico e professor da Universidade Nacional de Seul, Ko Seung-Hwan, é a criação de um dispositivo, que pode ser vestido, para alterar em tempo real sua cor e padrões. "O padrão do uniforme militar da Coreia do Sul é feito para bosques e certas cores. Portanto, se você usar este uniforme militar no deserto, pode ser facilmente exposto. Mudar ativamente as cores e os padrões para combinar com os diferentes ambientes é a chave de tecnologia de camuflagem. E tornamos isso possível", disse Seung-Hwan à Reuters. Vídeos: notícias internacionais Veja Mais

Terceira dose não deve ser para todos, diz criadora da vacina de Oxford

Glogo - Ciência A professora Sarah Gilbert diz que a imunidade gerada por duas doses da vacina contra a covid está "durando bastante". A professora Sarah Gilbert diz que doses extras devem ser usadas para aumentar a imunidade em países com baixos índices de vacinação BBC A cientista que liderou a criação do imunizante de Oxford contra Covid disse que vacinar todas as pessoas com doses de reforço é desnecessário. Ela também fez um apelo para que as doses sejam enviadas para países necessitados. A professora Sarah Gilbert disse ao jornal britânico Daily Telegraph que alguns grupos vulneráveis de pessoas precisam de reforços, mas que na maioria dos casos a imunidade está "durando bastante". "Precisamos levar vacinas para países onde poucas pessoas foram vacinadas até agora", disse ela. O órgão consultivo de vacinas do Reino Unido deve dar nos próximos dias um parecer final sobre doses de reforço no país. O Comitê Conjunto de Vacinação e Imunização (JCVI, na sigla em inglês) já disse que uma terceira dose deverá ser oferecida a pessoas com sistema imunológico enfraquecido, o que corresponde a até meio milhão de pessoas no Reino Unido. Mas o comitê ainda não decidiu se a terceira dose será ampliada para outros grupos. OMS pede interrupção de aplicação de doses de reforço de vacina contra Covid-19 Terceira dose é indicada para vacinados com CoronaVac a partir de 55 anos, diz estudo brasileiro O secretário de Saúde, Sajid Javid, disse na quinta-feira (09/09) que estava aguardando a "recomendação final" do JCVI, mas estava "confiante" de que um programa de dose de reforço começaria ainda no final de setembro. A recomendação provisória emitida pelo JCVI em julho sugeriu que mais de 30 milhões de pessoas deveriam receber uma terceira dose, incluindo todos os adultos com mais de 50 anos. O regulador de medicamentos do Reino Unido (MHRA, na sigla em inglês) aprovou o uso da Pfizer e da AstraZeneca como vacinas de reforço contra Covid, abrindo caminho para uma implementação antes do inverno. Veja países que aprovaram terceira dose de vacina A cientista Sarah Gilbert, que começou a desenvolver a vacina Oxford-AstraZeneca no início de 2020, quando a Covid foi identificada pela primeira vez na China, disse que a decisão sobre doses de reforço precisa ser analisada com cuidado. Ela disse ao Telegraph: "Vamos examinar cada situação; os imunocomprometidos e os idosos receberão reforços. Mas não acho que precisamos dar reforço para todo mundo. A imunidade está durando bastante na maioria das pessoas." No entanto, ela disse que o Reino Unido precisa ajudar mais países ao redor do mundo com o fornecimento de vacinas. "Temos que fazer melhor a este respeito. A primeira dose tem o maior impacto". O professor Sir Andrew Pollard, diretor do Oxford Vaccine Group, concordou que há um "incêndio em todo o mundo, com enorme pressão sobre os sistemas de saúde em muitos, muitos países". Ele disse à BBC que o Reino Unido tem uma "obrigação moral" de ajudar outros países, acrescentando: "Há um risco tão grande, moralmente, de nossa perspectiva — há um risco para o comércio, há um risco para as economias, mas são também nossos amigos e colegas que precisam ser protegidos e estamos os perdendo a cada dia que passa." Pollard também disse que o Reino Unido ainda tem altos níveis de proteção contra o vírus, apesar da queda nos níveis de resposta imunológica das pessoas algum tempo após terem recebido a vacina. O JCVI precisa investigar melhor os casos de pessoas que acabam hospitalizadas, acrescentou ele. Mais de 48,3 milhões de pessoas no Reino Unido (88,8% da população com mais de 16 anos) receberam a primeira dose da vacina e 43,7 milhões receberam as duas doses. O Reino Unido encomendou mais de 540 milhões de doses de sete das vacinas mais promissoras, incluindo as quatro até agora aprovadas para uso — Pfizer, Oxford-AstraZeneca, Moderna e Janssen. No entanto, existem grandes diferenças no ritmo do progresso em diferentes partes do mundo e o governo se comprometeu a doar 100 milhões de doses excedentes aos países mais pobres antes de meados de 2022. Veja VÍDEOS sobre as vacinas da Covid-19: Veja Mais

Sotrovimabe: Anvisa autoriza uso emergencial de anticorpo monoclonal para tratar Covid

Glogo - Ciência Ele não é vendido em farmácias e seu uso é restrito a hospitais. Imagens de microscópio mostram partículas do coronavírus que causam a Covid-19 retiradas de um paciente nos EUA NIAID-RML via AP A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou por unanimidade nesta quarta-feira (8) o uso emergencial de mais um medicamento contra a Covid-19: o Sotrovimabe, um anticorpo monoclonal, fabricado pela GlaxoSmithKline (GSK). Este é o quinto medicamento aprovado pela agência. Em março, a Anvisa anunciou o registro do antiviral remdesivir. Já em abril, o Regn-CoV2, coquetel que contém a combinação de casirivimabe e imdevimabe, foi aprovado para uso emergencial no país. Em maio, a agência aprovou o uso emergencial da associação dos anticorpos banlanivimabe e etesevimabe, medicamento produzido pela farmacêutica Eli Lilly. No mês passado foi a vez do Regkirona (regdanvimabe). O pedido de uso emergencial foi feito no dia 19 de julho. O que é o medicamento e como ele será administrado: Anticorpo monoclonal de dose única que possui a proteína espicular S do SARS-CoV-2 como alvo, prevenindo assim a entrada do vírus e a infecção de células humanas; O tratamento é indicado para adultos e crianças acima dos 12 anos (que pesem no mínimo 40 kgs), que não necessitam de suplementação de oxigênio; Ele não é recomendado para pacientes graves; O tratamento deve ser iniciado assim que possível após o teste viral positivo para SARS-CoV-2 e dentro de 5 dias do início dos sintomas; Uso restrito a hospitais, sob prescrição médica e sua venda é proibida ao comércio; Venda proibida ao comércio; Ele não substitui as vacinas contra a Covid-19. A aplicação é intravenosa, com dose única restrita 500 mg de sotrovimabe e o tratamento deve ser iniciado após o teste viral positivo para a Covid-19 e dentro de 5 dias do início dos sintomas. O uso é restrito a hospitais e a venda é proibida ao comércio. Já a incorporação no Sistema Único de Saúde (SUS) depende da avaliação do Ministério da Saúde. Os fatores de risco também existem diante do uso do medicamento em indivíduos de idade avançada que tenham doença cardiovascular ou doença pulmonar crônica, diabetes mellitus tipo 1 ou tipo 2, doença renal crônica, doença hepática crônica ou pessoas que estejam recebendo tratamento imunossupressor no momento. Segundo a Anvisa, o uso em mulheres grávidas deve ser feito com cautela, uma vez que há dados limitados do uso do produto nessa população. Outros medicamentos Em março, a Anvisa anunciou o registro do primeiro medicamento para pacientes hospitalizados com Covid-19, o antiviral Remdesivir. Remdesivir: entenda o que é o antiviral experimental O Remdesivir é produzido pela biofarmacêutica Gilead Sciences e o seu nome comercial é Veklury. Trata-se de um medicamento sintético administrado de forma intravenosa (injetado na veia). Ele age impedindo a replicação viral. O gerente geral de Medicamentos e Produtos Biológicos da Anvisa, Gustavo Mendes, esclareceu que o remdesivir não é vendido em farmácia e pode ser utilizado apenas com supervisão médica. "É uso restrito dos hospitais para que os pacientes possam ser adequadamente monitorados", disse. Remdesivir: o que já sabemos sobre o único remédio registrado no Brasil para tratar Covid Já em abril, outro medicamento foi aprovado em caráter emergencial. Trata-se de um coquetel que contém a combinação de casirivimabe e imdevimabe (Regn-CoV2), dois remédios experimentais desenvolvidos pela farmacêutica Roche. Regn-CoV2: entenda o que é o coquetel de anticorpos "Esses produtos são o que a gente chama de anticorpos monoclonais. A ideia dessa proposta é neutralizar o vírus para que ele não se propague nas células infectadas e assim controlar a doença", explicou o gerente geral de medicamentos e produtos biológicos, Gustavo Mendes. O Regn-CoV2 já foi aprovado para uso emergencial pela FDA, agência de saúde dos Estados Unidos, após apresentar bons resultados em pacientes com sintomas leves e moderados da Covid-19. Ele também foi usado no tratamento do ex-presidente americano Donald Trump. Regn-Cov2: entenda o coquetel de anticorpos contra a Covid-19 aprovado pela Anvisa Banlanivimabe e Etesevimabe: entenda como funcionam os anticorpos monoclonais Em maio, a Anvisa aprovou o uso emergencial da combinação de dois anticorpos monoclonais, o Banlanivimabe e Etesevimabe. Os anticorpos são versões das defesas naturais do corpo fabricadas em laboratório com o objetivo de combater infecções. Segundo a Anvisa, o tratamento é indicado para adultos e pacientes pediátricos (com 12 anos ou mais que pesem no mínimo 40 kg) que não necessitam de suplementação de oxigênio, com infecção por SARS-CoV-2 confirmada por laboratório e que apresentam alto risco de progressão para Covid-19 grave. O medicamento não é recomendado para pacientes graves. "Anticorpos monoclonais como banlanivimabe + eteasevimbe podem estar associados a piora nos desfechos clínicos quando administrados em pacientes hospitalizados com Covid-19 que necessitam de suplementação de oxigênio de alto fluxo ou ventilação mecânica", alerta a Anvisa. Regkirona (regdanvimabe): veja o que é o medicamento A Anvisa aprovou o uso emergencial do regdanvimabe em agosto. No organismo, esse tipo de medicamento auxilia na reprodução de anticorpos que ajudam no combate a alguma doença específica. Contudo, o uso do medicamento não previne a doença. O regdanvimabe não é recomendado para pacientes graves. Seu uso é restrito a hospitais e a venda é proibida ao comércio. Segundo a agência, há riscos quanto ao uso do medicamento em idosos e pessoas obesas. Ainda não existem dados sobre o uso em grávidas, lactantes, pacientes com doença hepática moderada ou grave e pacientes com doença renal grave. VÍDEOS: Vacinação contra Covid no Brasil Veja Mais

Rafa Kalimann diz que teve 'inúmeras crises de pânico'; entenda o que é, quais são os sintomas e como tratar

Glogo - Ciência Apresentadora e ex-BBB falou sobre consequências dos ataques de 'haters' a sua saúde mental. Psiquiatra entrevistado pelo G1 diz que tratamento de crises tem bons resultados e chama a atenção para nova era dos humanos superconectados. 'Foram inúmeras crises de pânico', diz Rafa Kalimann sobre ataques nas redes sociais Reprodução/Twitter "Chorei sem conseguir me controlar" e "foram inúmeras crises de pânico", desabafou a apresentadora e ex-BBB Rafa Kalimann neste domingo (5). Após reportagem especial do "Fantástico" (veja vídeo mais abaixo), ela falou sobre a pressão dos xingamentos feitos pelos haters nas redes sociais: "não normalizem a maldade escancarada que virou diversão". O G1 entrevistou o psiquiatra Henrique Bottura, diretor clínico do Instituto de Psiquiatria Paulista e médico-voluntário do Ambulatório de Impulsividade do Hospital das Clínicas, para entender, afinal: o que é a crise pânico? A pressão online pode afetar a saúde mental? O que é a crise de pânico? Há diferença entre crise de pânico e transtorno de pânico? Quais os sintomas? Como tratar? Sempre tem um gatilho para a crise? Aumentou a ocorrência das crises de pânico? 'Tristeza mal resolvida sai como raiva do próximo', diz psicólogo sobre haters 1. O que é a crise de pânico? É um conjunto de sensações físicas e emocionais geradas por uma forte ansiedade. É um alerta do organismo que leva a pensamentos de morte iminente, medo de enlouquecer e de perder o controle. Segundo o psiquiatra, algumas alterações podem ser até difíceis de o paciente conseguir explicar. "As crises tem um tempo curto e duram de 10 a 20 minutos. É o fim do mundo para quem está sofrendo, porque é uma agonia absurda. Uma crise de pânico é muito desconfortável, qualquer um que vivencia isso não quer viver de novo de jeito nenhum", explica Bottura. Segundo o médico, elas podem acontecer em diferentes situações durante a vida: como o gatilho durante uma situação de tensão, de estresse e/ou diante de uma mudança abrupta. TESTE: descubra qual é o nível de ansiedade que você está FANTÁSTICO: Haters, o exército invisível que dissemina ódio na internet e não poupa ninguém de seus ataques 2. Há diferença entre crise de pânico e transtorno de pânico? Sim. O transtorno do pânico é diagnosticado pelo psiquiatra após o paciente ter diversas crises de pânico em um determinado período de tempo. A interferência na qualidade de vida da pessoa também é avaliada na hora de identificar o problema. O transtorno do pânico está dentro da gama de transtornos de ansiedade. "O transtorno do pânico é um quadro em que a pessoa tem crises recorrentes. Existem crises de ansiedade aguda, que são as crises de pânico, e existe o que a gente chama de transtorno do pânico, que é quando essas crises se apresentam de uma maneira que podemos classificar quase como se fosse uma 'doença do pânico'", explica Bottura. Fantástico conversa com haters e quer saber: o que faz alguém perder tempo destilando ódio na internet? 3. Quais os sintomas? Uma pessoa em crise de pânico pode apresentar algumas alterações físicas e emocionais. São elas, principalmente: Taquicardia Falta de ar Sudorese Mãos geladas Sensação de desespero Medo iminente de morte Medo de perder o controle 4. Como tratar? Primeiro, existem as terapias que vão trabalhar as causas e ajudar a lidar com o problema. A psicoterapia cognitivo-comportamental, por exemplo, busca a percepção das sensações, das emoções, e os pensamentos a atrelados a elas. Isso ajuda a pessoa a se manter sob controle, além das técnicas de respiração, que evitam que a pessoa seja tomada pelo desespero. Além disso, os tratamento farmacológicos, que, segundo Bottura, apresentam ótimos resultados. "Existem medicamento que ajudam a conter uma crise. Em geral, esses quadros respondem muito bem a tratamentos medicamentosos, em geral com os remédios que são usados para depressão e outros quadros de ansiedade". 5. Sempre tem um gatilho para a crise? Pode ter ou pode não ter. Quando já está no nível de um transtorno de pânico, a pessoa passa a ter as crises sem um gatilho necessariamente. "A pessoa pode ter essa crise em qualquer lugar. Pode ter em um banco, em um supermercado, em uma sala de espera de um consultório", explica o psiquiatra. "Quando a pessoa está em uma fase de sobrecarga, tem um nível de tensão muito grande, passa por uma pressão psicológica qualquer, você pode desencadear as crises de ansiedade como as de pânico". 6. Aumentou a ocorrência das crises de pânico? Quadros de exacerbação de ansiedade sempre existiram, mas, segundo o psiquiatra, é possível observar que há uma tendência de aumento nos casos, principalmente nas grandes cidades e com os novos "humanos superconectados". "A humanidade está em um processo de uma transição de lidar com os estímulos nunca enfrentada antes. Quando que alguém iria se expor a interagir com tantas pessoas como hoje acontece em uma rede social? Antigamente, você tinha mais o bônus da fama. Hoje a fama traz ônus também. E não existe como você estar completamente protegido, porque você vai sempre agradar alguns e desagradar outros." "É um desafio muito grande para o organismo humano lidar com isso. Todos nós somos sensíveis às opiniões dos outros, mesmo quando a gente começa a se desenvolver e entender que essas agressões são projeções. Todos nós somos vulneráveis às críticas." G1 no Youtube Veja Mais

Anvisa queria que argentinos ficassem em quarentena e não suspensão de jogo do Brasil, diz diretor

Glogo - Ciência A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não tentou evitar que o jogo entre Brasil e Argentina, neste domingo (5), se realizasse, mas queria que os quatro jogadores argentinos que infringiram regras sanitárias ficassem em quarentena no hotel e não participassem da partida, informou ao blog o diretor responsável pela área de aeroportos, portos e fronteiras da agência, Alex Machado Campos. O jogo entre Brasil e Argentina foi interrompido quando agentes da Polícia Federal (PF) e da Anvisa entraram na tarde deste domingo no campo da Neo Química Arena, em São Paulo, para retirar quatro jogadores da Argentina que não cumpriram a quarentena contra a disseminação do coranavírus. Com isso, o time argentino se retirou do campo em que disputaria partida contra a seleção brasileira. Segundo o diretor, em uma reunião na tarde de sábado (4), para a qual a agência tem um relatório técnico detalhado, uma espécie de ata, as autoridades de futebol argentina e brasileiras afirmaram que seguiam tentando uma autorização especial do governo brasileiro para que os jogadores participassem da partida. Além da Associação Argentina de Futebol (AFA), entidade que administra o futebol no país vizinho; Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol); Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ministério da Saúde e Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo participaram da reunião em que as autoridades do futebol reconheceram que prestaram informações falsas no boletim de entrada dos quatro jogadores. Anvisa afirma que buscou cumprir as leis brasileiras Os participantes do encontro foram avisados de que os jogadores Emiliano Martínez, Buendía, Cristian Romero e Giovani Lo Celso deveriam permanecer segregados, no próprio hotel, para retornar com a delegação à Argentina ainda no domingo. Menos de duas horas depois, os atletas participaram de um treino da seleção argentina, desrespeitando as regras. Esta informação fez a Anvisa acionar a Polícia Federal, na manhã de domingo, e pedir reforço para ir ao hotel da delegação. Quando os agentes chegaram no local, segundo Campos Machado, os jogadores já estavam no ônibus que os levaria para a partida. No estádio, a Polícia Federal e a Anvisa teriam sido impedidos de entrar no vestiário da seleção argentina e até mesmo constrangidos. Na sequencia, agentes dos dois órgãos entraram no campo para retirar os atletas argentinos. Na sequência, a Conmebol suspendeu a partida. Em diversos momentos, segundo Machado Campos, as autoridades do futebol de ambos países afirmavam que tentavam conseguir uma autorização do governo brasileiro, que nunca foi mostrada à Anvisa ou PF. Veja Mais

Brasil tem média móvel de 609 mortes diárias por Covid; queda na média de casos é de -29%

Glogo - Ciência País contabiliza 583.313 óbitos e 20.872.417 casos de coronavírus, segundo balanço do consórcio de veículos de imprensa com dados das secretarias de Saúde. O Brasil registrou neste sábado (4) 560 mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas, com o total de óbitos chegando a 583.313 desde o início da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes nos últimos 7 dias ficou em 609 -- menor marca desde 7 de dezembro (quando estava em 603). Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de -20% e aponta tendência de queda. Os números estão no novo levantamento do consórcio de veículos de imprensa sobre a situação da pandemia de coronavírus no Brasil, consolidados às 20h desta sexta. O balanço é feito a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. volução da média móvel de óbitos por Covid no Brasil nos últimos 14 dias. A variação percentual leva em conta os números das duas pontas do período Editoria de Arte/G1 Veja a sequência da última semana na média móvel: Domingo (29): 679 Segunda (30): 671 Terça (31): 671 Quarta (1º): 643 Quinta (2): 628 Sexta (3): 622 Sábado (4): 609 Em 31 de julho o Brasil voltou a registrar média móvel de mortes abaixo de 1 mil, após um período de 191 dias seguidos com valores superiores. De 17 de março até 10 de maio, foram 55 dias seguidos com essa média móvel acima de 2 mil. No pior momento desse período, a média chegou ao recorde de 3.125, no dia 12 de abril. Três estados apresentam tendência de alta nas mortes: RR, ES, RJ O estado de MG não divulgou os dados até às 20h deste sábado. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 20.872.417 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 17.946 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 20.802 diagnósticos por dia --o menor registro desde 10 de novembro (quando estava em 19.165), resultando em uma variação de -29% em relação aos casos registrados na média há duas semanas, o que indica queda. Em seu pior momento a curva da média móvel chegou à marca de 77.295 novos casos diários, no dia 23 de junho deste ano. Mortes e casos de coronavírus no Brasil e nos estados Mortes e casos por cidade Veja como está a vacinação no seu estado Brasil, 4 de setembro Total de mortes: 583.313 Registro de mortes em 24 horas: 560 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 609 por dia (variação em 14 dias: -20%) Total de casos confirmados: 20.872.417 Registro de casos confirmados em 24 horas: 17.946 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 20.802 por dia (variação em 14 dias: -29%) Estados Em alta (3 estados): RR, ES, RJ Em estabilidade (4 estados e o DF): DF, BA, SE, RS, SC Em queda (19 estados): PB, MA, GO, MS, AP, PR, AL, TO, PI, PE, AM, RN, PA, SP, MT, AC, RO, CE 1 estado não divulgou dados: MG Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Vacinação Mais de 66 milhões de brasileiros tomaram as doses necessárias e estão imunizados contra a Covid. São 66.862.534 de pessoas que completaram o esquema vacinal, o que corresponde a 31,34% da população do país, de acordo com dados também reunidos pelo consórcio de veículos de imprensa. Os que estão parcialmente imunizados, ou seja, que apenas a primeira dose de vacinas, são 134.170.311 pessoas, o que corresponde a 62,90% da população. Somando a primeira, a segunda e a dose única, são 199.684.060 doses aplicadas no país. Veja a situação nos estados Estados com mortes em alta Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em estabilidade Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em queda Editoria de Arte/G1 Sul PR: -24% RS: -12% SC: -12% Sudeste ES: 42% RJ: 24% SP: -37% MG: o estado não divulgou os dados hoje. Os dados divulgados no dia anterior indicavam tendência de queda: -18%. Centro-Oeste DF: 14% GO: -17% MS: -17% MT: -38% Norte AC: -50% AM: -33% AP: -18% PA: -36% RO: -57% RR: 55% TO: -29% Nordeste AL: -25% BA: 1% CE: -64% MA: -17% PB: -16% PE: -32% PI: -32% RN: -36% SE: -11% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste a Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). VÍDEOS: mortes por Covid por município mês a mês Números de Covid no Brasil Editoria de Arte/G1 Veja Mais

Verme no olho: vídeo mostra caso da loíase, doença rara no Brasil

Glogo - Ciência Causada por um verme, a infecção, em uma mulher da Alemanha, foi descrita em um caso no 'New England Journal of Medicine' nesta semana. Fora do continente africano, o 'Loa loa' é extremamente raro. Vídeo mostra paciente com loíase (verme no olho) A revista científica "New England Journal of Medicine" (NEJM) publicou, nesta semana, um relato de caso de uma paciente da Alemanha que sofreu de loíase, doença causada por um verme no olho (assista ao vídeo acima). O verme que causa a loíase, da espécie Loa loa, é frequente (endêmico) no centro e no oeste da África, e é transmitido por moscas do gênero Chrysops. (A doença não é transmissível de pessoa para pessoa). A paciente alemã, uma antropóloga de 36 anos, foi infectada durante uma viagem a trabalho para a República Centro-Africana. Segundo os médicos que relataram o caso, a mulher buscou atendimento em uma clínica com uma "estrutura semelhante a um verme em movimento na pálpebra esquerda". Mapa mostra região central da África. A paciente alemã com loíase, uma antropóloga de 36 anos, foi infectada durante uma viagem a trabalho para a República Centro-Africana. G1 O oftalmologista Paulo Schor, diretor de inovação e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica que o Loa loa "tem predileção pelo olho porque a mosca pousa no olho. É uma doença super típica na África. Quando você olha no fundo de olho das pessoas lá, tem muita cicatriz dessa doença", explica. Perda de visão O verme migra pelo corpo através do tecido subcutâneo e pode produzir áreas de inchaço inflamatório (conhecido como inchaço do Calabar). Assim, o Loa loa não ataca diretamente a retina – que é responsável por captar e transmitir os estímulos luminosos para que possamos enxergar, mas fica próximo dela. Imagem à esqueda mostra verme 'Loa loa' dentro da pálpebra da paciente; no centro e na direita, imagens de microscópio mostram o verme. NEJM Quando é detectado pelo sistema imunológico, a reação de defesa do nosso corpo ao invasor pode trazer danos às estruturas próximas. Com isso, a pessoa infectada pode perder a visão ou parte dela. "Deixar a pessoa sem visão é uma coisa muito ampla: pode afetar as células da retina, a transparência da córnea, as células que drenam o humor aquoso [líquido incolor e transparente do olho] e aumentar a pressão ocular, as células que estão em volta do nervo ótico e a visão de campo visual. Perda de visão é uma coisa muito ampla", explica Schor. Por causa da resposta do sistema de defesa do corpo, o tratamento da doença envolve também medicamentos que atenuem a resposta imune. A paciente alemã foi tratada com dietilcarbamazina (para eliminar o verme) e prednisolona, um corticoide (que ameniza essa resposta). Os médicos relataram que não houve surgimento de novos vermes, mas não mencionam se houve ou não alguma perda de visão. No Brasil Fora do continente africano, o Loa loa é extremamente raro, mas ao menos um caso já foi descrito no Brasil: em 2012, médicos da Unifesp relataram o primeiro caso da doença no país – de uma mulher originalmente de Camarões. Ela foi tratada. Paulo Schor explica que, no Brasil, o toxoplasma, que causa a toxoplasmose, é o parasita mais preocupante. O micro-organismo tem uma "preferência" pelo tecido do sistema nervoso central – como o da retina, o que pode levar à cegueira. "A retina é um lugar que tem muito desse tecido nervoso, com muita mielina. O bicho [toxoplasma] vai lá e fica fechadinho nessa região. De vez em quando ele abre, e a gente tem um ataque muito grande do nosso sistema imunológico. A reação é tão grande que destrói o tecido que fica em volta", explica Schor. O toxoplasma é encontrado em alimentos ou fezes de gatos contaminadas e também é transmissível da mãe para o bebê durante a gravidez. G1 no YouTube Veja Mais

O homem que criou alface vermelha usada em saladas no espaço

Glogo - Ciência Manter astronautas saudáveis no espaço exige abundância de verduras; mas desafio é encontrar alimentos que resistam à colonização por micro-organismos que possam adoecer tripulação. Enquanto a Nasa já achou uma boa candidata para cultivo no espaço, a Agência Espacial Europeia também está realizando experimentos com folhas Getty Images/Via BBC Os astronautas também precisam de uma alimentação saudável como quem fica na Terra mas, no espaço, até mesmo lidar com verduras é um grande desafio. Um dos principais obstáculos é fazer com que alimentos cultivados lá não sejam colonizados por bactérias e fungos, adoecendo a tripulação. VÍDEO: Astronautas em estação espacial aproveitam noite de 'pizza flutuante' Uma alface está se mostrando uma boa candidata para contornar isso, e seu idealizador nunca podia ter imaginado o destino espacial de sua criação. Frank Morton estava voltando de um evento para especialistas em melhoramento (através de cruzamentos) de plantas e chefs de cozinha quando uma amiga olhava para o celular e contou para ele: "Olha, plantaram alface na Estação Espacial Internacional." Frank Morton se tornou uma referência em alfaces nos EUA, atraindo chefs de cozinha para sua fazenda Getty Images/Via BBC Ele perguntou de qual tipo, mas essa informação não estava disponível naquele momento. Algum tempo depois, Morton se deparou com uma foto da alface em questão, impressa em uma revista. Ele sabia exatamente que alface era aquela, afinal, era sua própria invenção: uma planta que ele manipulou e batizou de Outredgeous. As sementes desta alface passaram a ser vendidas para jardineiros e, na clientela, estavam também pesquisadores da Nasa, a agência espacial americana. Cruzamento surpresa Morton é um pioneiro na criação de alfaces, e a fazenda orgânica que ele gerencia junto com a esposa Karen no Estado americano de Oregon se tornou uma meca para chefs e fãs desta folha. Ele trabalha há quase 40 anos na manipulação de plantas, e há 12, criou a Outredgeous. Em 1981, quando era um fazendeiro iniciante, Morton começou cultivando dois tipos de alface: uma do tipo romana vermelha e outra verde crespa, comumente usada em saladas. Ele plantou algumas e guardou sementes para o ano seguinte. Das cerca de 200 mudas que foram plantadas em uma parte do terreno, a partir de sementes da alface verde, veio uma surpresa. "Bem no meio de todas elas, estava uma alface vermelha", conta Frank Morton. Ele imaginou que tivesse ocorrido um cruzamento espontâneo entre as duas variedades e, no ano seguinte, realizou mais cruzamentos — chegando uma abundância de formas e cores. Como o monge austríaco Gregor Mendel, cujos experimentos com ervilhas foram como um presságio da ciência genética moderna, Frank começou a deduzir como as características da planta eram herdadas: a cor vermelha era dominante, em detrimento da verde; a folha crespa também prevaleceu. Morton se espantou. Criar plantas e novas variedades lhe pareceu um caminho financeiro promissor, e, ao mesmo tempo, despertou nele uma grande curiosidade. Há projetos de cultivo de plantas em estufas no solo marciano em estudo Nasa "Algo se acendeu em meu cérebro naquele momento", conta. "A partir da alface, comecei a explorar outras plantas, como quinoa e pimentão. Eu meio que me apaixonei por elas." O fascínio da alface permaneceu, no entanto. Em paralelo com outros projetos, Morton criou mudas cada vez mais vermelhas. "Eu estava indo a fundo na investigação do quão vermelha você pode deixar a alface", lembra ele. Se ele tinha uma planta vermelha, cruzava com outra, na esperança de obter uma cor ainda mais forte. Naquela época, as alfaces eram mais monocromáticas do que hoje, predominante verdes — então, quando a alface Outredgeous apareceu, ela foi bastante incomum. "Era tão vermelha que, na verdade, a maioria dos jardineiros não a reconhecia como alface. Achavam que era algum tipo de beterraba", diz Morton. "Era incrível como ela era vermelha. É por isso que lhe dei esse nome (a palavra outrageous, na qual se inspirou, significa, em inglês, algo como chocante)." Morton ofereceu as sementes da Outredgeous para venda por meio da Johnny's Selected Seeds, uma empresa de sementes sediada no Estado do Maine. Quando soube da chegada da planta à estação espacial, ele contatou uma equipe da Nasa e descobriu que, de fato, suas sementes haviam sido compradas por eles. "Eles disseram que a Outredgeous tinha um crescimento 'significativamente menor' de micróbios na superfície da folha'", lembra Frank de sua conversa com pesquisadores da Nasa. Esta era uma grande vantagem em relação a outros vegetais testados, como a rúcula e a couve, que tinham se revelado bastante vulneráveis a microrganismos. VÍDEO: Cozinheira encontra cobra dentro de alface, em Catalão Novas aventuras com alfaces Depois da carreira espacial de sua criação, Morton segue com vários outros projetos. Ele está particularmente intrigado com o potencial da humilde alface iceberg. "Elas não têm muito sabor e são difíceis de manejar, mas têm uma 'crocância' interessante." Frank Morton está estudando como torná-las mais atraentes, seja no paladar ou na aparência. "Estou tentando fazer uma alface vermelho brilhante por fora, e rosa por dentro. Já tenho algumas alfaces muito bonitas, devo dizer." G1 no YouTube Veja Mais

O que se passa na cabeça das avós

Glogo - Ciência Pesquisa mostra que fotos dos netos são capazes de ativar áreas do cérebro associadas com a empatia emocional Não é a primeira vez que escrevo sobre as avós e seu papel na estrutura familiar. Há muitas sortudas que, como eu, podem acompanhar o crescimento dos netos, e sabemos como deixamos para trás a autoridade materna que nos guiou na maternidade. Resumidamente, viramos umas “bananas” dispostas a satisfazer todos os seus desejos! Agora, pela primeira vez, cientistas da Emory University, que está entre as 20 melhores nos EUA, escanearam os cérebros de avós enquanto elas viam fotos dos netos, como se fizessem um instantâneo neural desse elo geracional tão relevante. Ver fotos dos netos ativa áreas do cérebro associadas com a empatia emocional Pixabay “O que chama a atenção é a ativação de áreas do cérebro associadas com a empatia emocional”, afirmou James Rilling, professor de antropologia na instituição e coordenador do trabalho. “Isso significa que as avós são movidas pelos sentimentos dos netos: se sorriem, elas sentem a alegria das crianças; se choram, elas vivenciam sua dor e sofrimento”, acrescentou. Por outro lado, quando veem fotos dos filhos crescidos, a ativação se dá numa área do cérebro associada com a empatia cognitiva, o que indica que a emoção é substituída por um entendimento mais racional. Os laços são fortes, claro, mas com uma resposta emocional menos intensa. Rilling disse que, embora os pais sejam vistos como os principais cuidadores ao lado das mães, isso nem sempre é verdade: “em muitos casos, as avós desempenham esse papel”. Sua afirmação vai ao encontro da “hipótese das avós” para a sobrevivência da humanidade, que já abordei em coluna anterior: depois da menopausa, ao deixar de ter seus próprios filhos e passando a ajudar a cuidar dos netos, elas tiveram papel fundamental para garantir a multiplicação dos humanos no planeta. A sociedade contemporânea apresenta outros desafios, mas a importância das avós não mudou: seu engajamento na vida de crianças e adolescentes está associado a diversos resultados positivos, que vão de melhores indicadores de saúde a sucesso acadêmico. A longevidade não é boa somente para os mais velhos. Veja Mais

Sexo na velhice: psicólogo reúne histórias sobre a chama do desejo

Glogo - Ciência Famílias tendem a encarar o comportamento amoroso de idosos como sinal de desvio ou desequilíbrio O psicólogo Fabrício Oliveira acaba de lançar “Sexualidade e longevidade: a essência da maturidade”, pela Portal Edições, e resume: “o apetite pela vida não se esgota com o avançar da idade”. No livro, reúne 27 histórias que falam de vivências sexuais de idosos e ressalta que, dentro do conceito de qualidade de vida, estão incluídas as experiências amorosas: “é preciso compreender que a sexualidade também é passível de ser reinventada. Os limites naturais do corpo envelhecido deveriam ser, ao contrário de empecilhos, gatilhos para outras formas de relações amorosas, não menos prazerosas do que em outras etapas da vida. Afinal, é na relação com outra pessoa que habita a importância da redescoberta e o desejo de viver”, escreve. Fabrício Oliveira: autor de “Sexualidade e longevidade: a essência da maturidade” Divulgação Ele se especializou no atendimento de idosos e luta contra o estereótipo de que a dessexualização é um processo natural da idade: “a pressão social para um comportamento sexual contido é tão intensa que a pessoa idosa não se permite viver sua libido”. Relata que, em sua experiência clínica, as famílias tendem a ignorar os sentimentos dos parentes longevos, como se o desejo e iniciativas sexuais fossem sinal de desvio, desajuste ou desequilíbrio. É assim que desfia histórias como a de Martha, de 72 anos, que descobre que o marido, que não a procura mais, consome pornografia no celular. Fabrício a ajuda a recuperar a autoestima e a resgatar a intimidade conjugal através de um ensaio sensual. Anselmo, de 68, e Laurinda, de 66, também conseguem refazer o caminho para o entendimento sexual, assim como o casal homossexual formado por Meneses e Nil, casados há 35 anos, que acende novamente a chama do relacionamento. Jefferson, por sua vez, decide sair do armário depois de três décadas de um casamento onde há companheirismo, mas nunca houve paixão. Tem o apoio da filha, mas enfrenta a reprovação do filho. Joana, de 65 anos, e Neném, que já chegou aos 70, se relacionam com homens bem mais jovens e se sentem realizadas sexualmente, embora temam a reação da família. Há casos dramáticos, como a do filho que ameaça pedir a curatela da mãe que tenta se livrar do luto que carrega há 25 anos. Todos os depoimentos são reais, apenas os nomes foram trocados. Os diálogos são saborosos e recheados de diálogos – que sirvam para jogar luz nessa discussão. Reprodução da capa do livro Divulgação Veja Mais

Problemas com gases afetam a maioria dos adultos

Glogo - Ciência De acordo com pesquisa, mais de 80% das pessoas sentem algum tipo de desconforto diariamente O assunto não é dos mais agradáveis, mas o problema não conhece fronteiras: estudos mostram que, em média, um adulto pode expelir gases 20 vezes por dia. De acordo com pesquisa apresentada no UEG Week Virtual, evento internacional de gastroenterologia ocorrido mês passado, oito em cada dez adultos relatam sintomas relacionados à flatulência com frequência quase diária. A questão é que, embora soltar puns seja considerado um processo normal do organismo, está longe de ser socialmente aceitável. O resultado? Tais manifestações estão associadas a uma pior qualidade de vida, ansiedade, estresse e até depressão. Gases: mais de 80% das pessoas sentem algum tipo de desconforto diariamente Mabel Amber para Pixabay Os gases intestinais, ou flatos, encabeçam a lista: 81.3% dos entrevistados reclamaram dos seus puns. Os constrangedores roncos da barriga ficaram em segundo lugar, com 60.5% das citações. Em terceiro, vieram os arrotos (58%), seguidos por mau hálito (48.1%), sensação de estufamento abdominal (47.2%) e inchaço do abdômen (39.6%). Somente 11% afirmaram não sentir nada. O levantamento ouviu 6 mil pessoas, entre 18 e 99 anos, nos Estados Unidos, Reino Unido e México. Na média, os participantes haviam sido afetados por cerca de três sintomas diferentes nas últimas 24 horas. O trabalho foi conduzido por cientistas do Rome Foundation Research Institute, que encontraram uma correlação entre um alto índice de queixas e um impacto negativo na qualidade de vida, principalmente no grupo entre 18 e 49 anos. No mesmo evento da UEG (United European Gastroenterology), organização que reúne 30 mil profissionais da gastroenterologia, um outro estudo apontou que 11% da população mundial experimentam, com frequência, dor abdominal depois das refeições. Mais de 54 mil pessoas, de 26 países, foram entrevistadas on-line, e o desconforto era mais comum na faixa entre 18 e 28 anos. Os que sempre sentiam dor ainda enfrentavam incômodos como sensação de estufamento e abdômen inchado. Esse grupo era também o que apresentava maior sofrimento psicológico: 36% dos pacientes tinham ansiedade, enquanto o percentual caía para 25% entre os relatavam sintomas ocasionais e 18% entre os assintomáticos. A chave para resolver o mal-estar está numa dieta com o objetivo de diminuir a flatulência, já que não é possível eliminá-la totalmente. No caso das leguminosas (feijão, lentilhas, ervilhas), o melhor é deixar os grãos de molho durante a noite antes de cozinhá-los. A maior parte dos gases é produzida no intestino por carboidratos que não são quebrados na passagem pelo estômago. No intestino, que não produz enzimas para digerir esses alimentos, eles acabam sendo fermentados por bactérias, processo que produz e libera os gases. Mastigue bem, beba bastante líquido e não fale muito durante as refeições, para diminuir o volume de ar deglutido. Por último, nosso mantra: caminhe, exercite-se! Veja Mais

Condição da visão está associada a risco aumentado para demência

Glogo - Ciência Pesquisa alerta para o perigo de problemas como degeneração macular, catarata e doenças relacionadas ao diabetes Publicada em setembro no “British Journal of Ophthalmology”, pesquisa sugere uma associação entre alterações de visão causadas por catarata, degeneração macular relacionada à idade e problemas do olho atrelados ao diabetes e o declínio cognitivo. É preciso esclarecer que a incidência de questões oftalmológicas aumenta com a idade, assim como a de doenças crônicas, numa espécie de círculo vicioso no qual se acrescenta mais um dado: a diminuição da capacidade visual pode significar um volume menor de estímulos, acelerando um quadro desfavorável. Pesquisa alerta para a relação entre problemas como degeneração macular, catarata e doenças associadas ao diabetes e o risco aumentado para demência Analogicus para Pixabay Para esclarecer o real vínculo entre condições oftalmológicas adversas e uma maior incidência de demência – independentemente das enfermidades do paciente – os autores do estudo analisaram informações de mais de 12 mil adultos, com idades que variavam entre 55 e 73 anos, que constavam do gigantesco banco de dados britânico conhecido como UK Biobank. Os participantes foram avaliados entre 2006 e 2010 e acompanhados até o começo de 2021. Nesse período, 2.304 casos de demência foram diagnosticados. Em comparação com as pessoas que não apresentavam complicações oftalmológicas no início do estudo, o risco de demência era 61% maior para aquelas que tinham problema de visão associados ao diabetes; 26% maior para os portadores de degeneração macular; e 11% maior para quem tinha catarata. O glaucoma não foi vinculado ao desenvolvimento de Doença de Alzheimer, mas os pesquisadores mapearam sua ligação com uma chance aumentada para demência vascular. No começo do estudo, os participantes respondiam a questionário no qual deveriam dizer se haviam sofrido infarto ou derrame; se eram hipertensos ou diabéticos; e se haviam sido diagnosticados com depressão, já que essas são condições associadas ao risco maior de demência. No entanto, ter uma alteração oftalmológica, além de uma das doenças crônicas, potencializava as chances de uma situação negativa. Veja Mais

Estudo descarta mutações genéticas que ameacem saúde de descendentes de vítimas em Chernobyl

Glogo - Ciência Pesquisadores de vários países, entre eles o Brasil, analisaram material genético de cerca de 100 famílias ucranianas vítimas do acidente nuclear de 1986. Resultado foi publicado na revista Science. Pesquisa mostra que filhos de vítimas de Chernobyl não tiveram mutações genéticas Um estudo publicado na revista Science descartou mutações genéticas capazes de ameaçar a saúde de descendentes de pessoas que foram expostas à radiação da explosão de Chernobyl, em 1986. A pesquisa, coordenada pelo Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, envolveu 38 pesquisadores de universidades de vários países, entre eles o Brasil. Eles analisaram o material genético de cerca de 100 famílias ucranianas e constaram que os filhos nascidos entre 1987 e 2002 de vítimas do acidente nuclear não desenvolveram mutações acima do esperado. Um dos participantes dessa análise é Leandro Machado Colli, coordenador do serviço de oncologia do Hospital das Clínicas da USP de Ribeirão Preto (SP). Segundo ele, foram selecionados pais e filhos da mesma família, sendo o pai ou a mãe vítima do acidente. A partir disso, os pesquisadores coletaram materiais genéticos e fizeram o sequenciamento para identificar quais eram as mutações que a criança tinha, mas que os pais não. "Isso [mutações] é muito comum na evolução da espécie humana, todos nós temos isso, mas queríamos saber se por causa da radiação, teria um maior efeito nessas crianças. E a gente não encontrou, encontrou as mesmas taxas [comparado a quem não foi exposto à radiação]. A mesma taxa de mutações novas. Então não tem um excesso de mutação, como era muito especulado." Leandro Machado Colli, coordenador do serviço de oncologia do Hospital das Clínicas da USP de Ribeirão Preto (SP), integrou estudo Reprodução/EPTV 'Traz luz' Colli explica que pessoas que foram expostas a altos níveis de radiação, como em Chernobyl, acumulam mutações no DNA a longo prazo e podem ser acometidas por várias doenças, inclusive câncer. Porém, os resultados obtidos no estudo demonstram que a chance de os descendentes terem essas doenças no decorrer da vida por conta da radiação é muito pequena, o que "traz luz" a pais e filhos. "Em vários desses acidentes, as pessoas decidiram não ter filhos, com medo de passar esse efeito para o próximo. Esse estudo traz luz, mostrando que se existe alguma coisa, ela é muito pequena. Do ponto de um estudo extremamente amplo, com mais de uma centena de pessoas, com sequenciamento completo, profundo, a gente não encontrou diferenças do que acontece normalmente com a população." Pesquisadores analisaram o material genético de cerca de 100 famílias ucranianas Reprodução/EPTV Agora, os pesquisadores querem analisar outros acidentes nucleares com níveis e tipos de radiação diferentes aos de Chernobyl para averiguar se também não houve impactos genéticos nesses casos. De qualquer forma, Leandro Colli acredita que essa primeira pesquisa já pode trazer maior tranquilidade em eventuais novos acidentes. "A gente espera que não aconteçam novos acidentes, mas se isso acontecer, temos hoje dados mais robustos para tranquilizar essas pessoas no seu planejamento de continuidade da vida após esse tipo de acidente." Arredores da usina nuclear de Chernobyl Getty Images/Via BBC Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região Veja Mais

Por que seu telefone celular não está te deixando menos inteligente

Glogo - Ciência Pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canadá, escrevem sobre o impacto dos smartphones nas nossas habilidades cognitivas. Toda tecnologia nova levanta preocupações sobre como pode afetar negativamente nossa capacidade de pensar, reter e processar informações Getty Images/BBC A tecnologia digital é onipresente. Nos últimos 20 anos, temos dependido cada vez mais de smartphones, tablets e computadores — e essa tendência tem se acelerado devido à pandemia de Covid-19. A sabedoria popular nos diz que a dependência excessiva da tecnologia pode prejudicar nossa capacidade de lembrar, prestar atenção e exercer autocontrole. De fato, estas são habilidades cognitivas importantes. No entanto, os temores de que a tecnologia suplantaria a cognição podem não ser bem fundamentados. Tecnologia altera a sociedade Sócrates, considerado por muitos o pai da filosofia, estava profundamente preocupado com a forma como a tecnologia da escrita afetaria a sociedade. Como a tradição oral de fazer discursos requer um certo grau de memorização, ele tinha receio de que a escrita eliminasse a necessidade de aprender e memorizar. Esta passagem é interessante por duas razões. Primeiramente, mostra que houve uma discussão intergeracional sobre o impacto das novas tecnologias nas habilidades cognitivas das futuras gerações. Esta continua sendo a realidade até hoje: o telefone, o rádio e a televisão foram todos saudados como arautos do fim da cognição. Isso nos leva à segunda razão pela qual esta citação é interessante. Apesar das preocupações de Sócrates, muitos de nós ainda somos capazes de guardar informações na memória quando necessário. A tecnologia simplesmente reduziu a necessidade de certas funções cognitivas, e não nossa capacidade de executá-las. Piora da cognição Além das alegações da mídia popular, algumas descobertas científicas foram interpretadas como sugerindo que a tecnologia digital pode levar a uma perda de memória, atenção ou funções executivas. Após o escrutínio dessas afirmações, no entanto, percebemos duas suposições argumentativas importantes. A primeira suposição é que o impacto tem um efeito duradouro nas habilidades cognitivas de longo prazo. A segunda suposição é que a tecnologia digital tem um impacto direto e não moderado na cognição. Ambas as suposições, no entanto, não são respaldadas diretamente por resultados empíricos. Uma análise crítica das evidências sugere que os efeitos demonstrados foram temporários, não de longo prazo. Por exemplo, em um estudo importante que investigou a dependência das pessoas em formas externas de memória, os participantes eram menos propensos a lembrar partes de informações quando era dito a eles que essas informações seriam salvas em um computador e eles teriam acesso a elas. Por outro lado, se lembravam melhor das informações quando era dito a eles que não seriam salvas. Há uma tentação de concluir a partir dessas descobertas que o uso da tecnologia leva a uma memória pior — uma conclusão que os autores do estudo não tiraram. Quando a tecnologia estava disponível, as pessoas confiavam nela, mas quando não estava disponível, elas ainda eram perfeitamente capazes de lembrar. Sendo assim, seria precipitado concluir que a tecnologia prejudica nossa capacidade de memória. Além disso, o efeito da tecnologia digital na cognição pode ser devido ao quão motivado alguém está, em vez de seus processos cognitivos. De fato, os processos cognitivos operam no contexto de objetivos para os quais nossas motivações podem variar. Especificamente, quanto mais motivadora for uma tarefa, mais engajados e focados vamos estar. Esta perspectiva reformula as evidências experimentais que mostram que os smartphones prejudicam o desempenho em tarefas de atenção sustentada, memória de trabalho ou inteligência fluida funcional. Fatores motivacionais tendem a desempenhar um papel nos resultados das pesquisas, levando em conta especialmente que os participantes muitas vezes consideram as tarefas que são solicitados a fazer no estudo como irrelevantes ou enfadonhas. Como há várias tarefas importantes que realizamos usando a tecnologia digital, como manter contato com entes queridos, responder e-mails e desfrutar de entretenimento, é possível que a tecnologia digital comprometa o valor motivacional de uma tarefa experimental. Vale ressaltar que isso significa que a tecnologia digital não prejudica a cognição; se uma tarefa for importante ou envolvente, os smartphones não vão afetar a capacidade das pessoas de executá-la. Mudança na cognição Ao fazer uso da tecnologia digital, os processos cognitivos internos estão menos focados no armazenamento e computação de informações. Em vez disso, esses processos convertem informações em formatos que podem ser descarregados em dispositivos digitais — como frases de pesquisa — e depois recarregados e interpretados. Este tipo de descarregamento cognitivo acontece quando as pessoas fazem anotações no papel, em vez de confiar certas informações à memória de longo prazo, ou quando as crianças usam as mãos para ajudar a fazer conta. A principal diferença é que a tecnologia digital nos ajuda a descarregar conjuntos complexos de informações com mais eficácia e eficiência do que as ferramentas analógicas, e isso sem sacrificar a precisão. Um benefício significativo é que a capacidade cognitiva interna, que é liberada de ter que executar funções especializadas, como lembrar um compromisso da agenda, fica livre para outras tarefas. Isso, por sua vez, significa que podemos realizar mais, cognitivamente falando, do que jamais seríamos capazes antes. Desta forma, a tecnologia digital não precisa ser vista como competindo com nosso processo cognitivo interno. Em vez disso, ela complementa a cognição, ampliando nossa capacidade de fazer as coisas. *Lorenzo Cecutti é aluno de doutorado em marketing na Universidade de Toronto, no Canadá. Spike W. S. Lee é professor associado de administração e psicologia na mesma instituição. Vídeos: Os mais assistidos do g1 nos últimos 7 dias Veja Mais

Está difícil adotar um estilo de vida saudável? Aprenda a lidar com recaídas, mas não desista!

Glogo - Ciência A médica Sley Tanigawa afirma que abrir mão de maus hábitos desafia nossa “imunidade à mudança” Em sua quarta edição, realizada semana passada, o Congresso Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida encorpou, tornando-se latino-americano. É bom saber que aumenta o número de médicos interessados em ajudar os pacientes a abraçar hábitos saudáveis, mas um dos maiores desafios é justamente garantir que as pessoas deixem para trás maus costumes e consigam mudar. “É fundamental não partir do pressuposto de que é tudo ou nada. Não há caminho em linha reta, é preciso saber lidar com lapsos e recaídas sem abandonar o plano inicial ou achar que ele não é eficaz”, enfatizou a médica Sley Tanigawa Guimarães, presidente do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida e coordenadora da pós-graduação nesse campo de estudo no Hospital Albert Einstein. Ela batizou sua palestra de “Contornando a imunidade à mudança” e explicou que as chamadas recomendações médicas se constituem no desafio técnico – algo mais racional, baseado nas evidências científicas. No entanto, a grande dificuldade está em alcançar o desafio adaptativo, que engloba as transformações nas nossas estruturas mentais, porque é aí que mora nossa resistência! Para a maioria, isso não se dá sem algumas idas e vindas, e exige que o profissional de saúde seja um aliado, e não um crítico. “Além disso, sempre haverá aniversários, almoços de família e happy hours, o mais importante é a pessoa não se deixar levar por velhos gatilhos”, acrescentou. Alimentação saudável: hambúrguer pode ser um lapso, mas o segredo é não abandonar o plano inicial RitaE para Pixabay Realmente, não faltam “armadilhas” para ameaçar os seis pilares da medicina do estilo de vida: nutrição, atividade física, sono, manejo do estresse, relacionamentos saudáveis e controle de tóxicos, categoria que inclui cigarro, álcool, drogas ilícitas e mesmo automedicação. Falando em alimentação, nossas opções são determinantes para garantir uma microbiota intestinal saudável, essa complexa e dinâmica associação de trilhões de bactérias, fungos, vírus e archaea (seres unicelulares semelhantes às bactérias). Como todos já deveriam saber, dietas baseadas em alimentos ultraprocessados, gorduras e açúcares não são o caminho indicado para o equilíbrio do organismo. Essa é a área de atuação da nutricionista Ana Carolina Franco de Moraes, com doutorado em nutrição em saúde pública pela USP e pós-doutoranda em epidemiologia pela mesma universidade, palestrante do evento. Entre os 2 e 3 anos, tal ecossistema se estabiliza, o que só mostra a relevância da qualidade da alimentação desde o início. “O padrão alimentar é crucial para o estabelecimento das espécies comensais dominantes. Cerca de 57% da variação de microbiota está relacionada à dieta. Quando há disbiose, isto é, desequilíbrio, a diversidade bacteriana fica reduzida, há alteração da composição bacteriana e das barreiras funcionais e cria-se um quadro de inflamação subclínica crônica, aumentando o risco para o desenvolvimento de uma série de doenças, como obesidade, câncer colorretal e diabetes”, afirmou. Veja Mais

Livro mostra como a velhice LGBT+ é um ato de resistência

Glogo - Ciência Depoimentos retratam o enfrentamento de um duplo preconceito: contra o envelhecimento e a orientação sexual Na próxima quinta-feira, dia 7, será lançado “O brilho das velhices LGBT+”, com depoimentos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, transgêneros e pansexuais entre 47 e 72 anos. Sobre esse grupo pesam diversas camadas de estigma: além do etarismo ou idadismo, também o preconceito contra sua orientação sexual. Ao todo, foram 55 horas de gravação que resultaram em 20 relatos, colhidos durante seis meses ao longo do ano passado. Denise Taynáh é quem abre o livro, afirmando: “a sociedade me define como uma mulher trans, mas eu me percebo como uma mulher não genética”. Batizada como Luiz Celso, Denise viveu um papel masculino e foi pai sete vezes até os 50 anos. “Depois que meu pai faleceu, eu me soltei um pouco”, conta. Deu os primeiros passos como crossdresser (usando roupas femininas) e, aos poucos, foi descobrindo que não queria apenas montar um figurino caprichado, e sim ser feminina em tempo integral. Parada LGBT em Nova York: ao envelhecer, esse grupo fica ainda mais vulnerável, tornando-se vítima de negligência e discriminação LazarCatt Dora, lésbica de 67 anos, também se casou e teve uma filha, sem conseguir sentir prazer. Só mais tarde passou a viver sua sexualidade plenamente, mas relata duas experiências ruins: a de um relacionamento interesseiro e, outro, abusivo. José Carlos, bissexual de 54 anos, é incisivo: “sou negro, periférico, filho de pobre, entendeu? Sou um sobrevivente, um vitorioso, só por ser negro e estar vivo nessa idade, passando por tudo que um negro passou”. Ary, casado com Lauro e HIV-positivo há 29 anos, resume: “hoje eu posso viver!”. Luis Baron, vice-presidente da Associação EternamenteSOU, uma das poucas entidades no mundo que presta cuidado psicossocial – como atendimento psicológico e apoio jurídico – a idosos LGBT+, escreve no livro: “as velhices são tratadas hegemonicamente como heterossexuais, sem lugar para as diversidades que as compõem”. Ao lado de Carlos Eduardo Henning, doutor em antropologia social e professor da UFG (Universidade Federal de Goiás), e Sandra Regina Mota Ortiz, doutora em ciências pela USP (Universidade de São Paulo), é um dos coordenadores da obra, que dá início à coleção “Envelhecimentos Plurais” da Editora Hucitec, e é a primeira em língua portuguesa com um conjunto de depoimentos em primeira pessoa. Ao envelhecer, esse grupo fica ainda mais vulnerável, tornando-se vítima de negligência e discriminação, o que se traduz em barreiras de acesso à saúde, isolamento e solidão. De acordo com dados dos EUA, dos 4 milhões de idosos LGBT+ norte-americanos, 80% são solteiros; 90% não têm filhos; e 75% vivem sozinhos – na população em geral, esses percentuais são muito mais baixos: respectivamente, 40%, 20% e 33%. Por isso é tão importante que essas vozes sejam ouvidas. Reprodução da capa do livro Divulgação Veja Mais

VÍDEO: veja o momento em que meteoro vira bola de fogo no céu dos EUA

Glogo - Ciência Fenômeno foi registrado no céu da Carolina do Norte. Meteoro cria bola luminosa no céu dos EUA Um vídeo divulgado pela Sociedade Americana de Meteoros (AMS, na sigla em inglês) mostra o momento em que um meteoro vira uma bola de fogo no céu do estado da Carolina do Norte na última sexta-feira (24) . De acordo com a agência espacial Nasa, o fenômeno foi visto na Carolina do Norte depois das 19h30 locais e foi um de vários avistamentos de bolas de fogo nos EUA naquela noite. Segundo informações do site da rádio pública NPR, uma análise da agência concluiu que o meteoro "percorreu a costa da Carolina do Norte" e ficou perceptível quando estava cerca de 77 quilômetros acima do oceano em Jacksonville, onde ficou brilhando no céu enquanto se deslocava a aproximadamente 51 mil km/h. Os meteoros normalmente entram na atmosfera da Terra a 40 mil a até 250 mil km/h. No entanto, "desaceleram rapidamente" enquanto voam pela atmosfera, de acordo com a Sociedade Americana de Meteoros. Devido ao calor, acabam queimando e se desfazendo em pedaços menores. Veja Mais

Oficinas de teatro e dança com idosos vão virar espetáculos

Glogo - Ciência Atividades serão virtuais e as inscrições, abertas para participantes de todo o Brasil, começam amanhã Já tratei de ações que levam idosos a experimentar vivências artísticas como o Lata 65, tema da coluna de domingo, e o Opening Minds Through Art, mas ambas são estrangeiras. Por isso, fico feliz de poder apresentar uma iniciativa brasileira, aberta para participantes de todo o país e cujas inscrições ficarão abertas, a partir desta sexta, nesse link. Trata-se da “Mostra Sentidos – A Longevidade na Arte”, promovida pelo Sesc-SP, que oferece nove oficinas virtuais, todas gratuitas, para pessoas acima dos 60 anos. O evento já está em sua quinta edição, mas a atual terá um resultado diferente: as sessões serão filmadas e editadas, transformando-se em “espetáculos” que estarão disponíveis nas redes sociais da entidade de 9 a 12 de dezembro. Idosos em oficina de teatro com a Cia Hiato Divulgação Em 2020, foi feito um webdocumentário sobre a quarta edição que serviu de inspiração para expandir o projeto deste ano. O novo formato vai mostrar que os idosos não somente são tocados pelo aprendizado nas sessões dos workshops, mas também são capazes de criar e provocar a reflexão do público. As oficinas começarão em 1º. de outubro, Dia Internacional da Pessoa Idosa, criado para sensibilizar a sociedade para as questões do envelhecimento, e se encerrarão em 15 de novembro. Serão cinco de teatro e quatro de dança, todas dadas por expoentes em sua área. As vivências teatrais ficarão a cargo de atores da Cia Hiato, Cristian Beltrán, Andrea Zeppini, Ademir Apparício Júnior e Daiane Baumgartner. Luis Ferron, coreógrafo que acumula prêmios como o Rumos Itaú Cultural de 2006 e o APCA 2009, será um dos professores de dança, além de Gal Martins, Andrea Soares, Fagner Rodrigues e Andrea Capelli. Luis Ferron, responsável por uma das oficinas de dança da Mostra Sentidos, do Sesc-SP Clarissa Lambert Uma outra iniciativa estimulante é a das Fábricas de Cultura, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa de São Paulo. De acesso gratuito, elas disponibilizam inúmeras atividades, mas há um projeto especialmente dedicado a artistas com mais de 60 anos. Seu objetivo é revelar o talento de músicos e intérpretes que são frequentadores das unidades de Vila Curuçá, Sapopemba, Itaim Paulista, Parque Belém, Cidade Tiradentes e São Bernardo do Campo. A primeira seleção ocorreu durante 2020: as gravações foram feitas nos estúdios das instituições e os videoclipes já estão disponíveis no YouTube. Alguns talentos descobertos: Marco Antonio, cantando “Flor mais linda”; Fátima Moreno, interpretando “Grande amor”; e Laerte Marques, com o delicioso “Sushi com vatapá”. Outros clipes podem ser conferidos aqui. Marco Antonio cantando “Flor mais linda”: projeto Fábricas de Cultura Divulgação Veja Mais

Lata 65 transforma idosos em grafiteiros

Glogo - Ciência Oficina de arte urbana criada em Portugal é inspiradora e já teve edição brasileira Eles estão de volta para servir de inspiração para todos nós! Depois de uma longa quarentena, o Lata 65 voltou em setembro a reunir idosos para grafitar. Pena que essa oficina de arte urbana ocorra em Portugal, apesar de já ter tido uma experiência em São Paulo, em 2015, e também na Espanha, no Reino Unido e nos Estados Unidos. O projeto nasceu em 2012 pelas mãos de Lara Seixo Rodrigues que, depois de trabalhar dez anos em arquitetura, decidiu mudar de ramo. Foi cofundadora do Wool Covilhã Artte Urbana, um festival que aproveitou os edifícios históricos da pequena cidade de Covilhã para servirem de espaços para intervenções artísticas, e ali percebeu que os mais velhos eram os que demonstravam maior curiosidade em relação aos grafites. Aula teórica dos alunos do Lata 65: noções sobre arte urbana e grafite Divulgação: Mariana Vasconcelos “Essa retomada foi muito esperada, porque sabemos das deficiências e lacunas que existem no cuidado com o idoso. Nosso objetivo é alcançar o maior número possível de pessoas”, me contou por e-mail. Sobre a experiência no Brasil, no Sesc Santana, Lara diz guardar ótimas lembranças: “estaremos sempre disponíveis para voltar e mostrar a magia que é o Lata 65. Queremos disseminar o projeto pelo mundo, ele já demonstrou, de forma singular, como é capaz de estimular o desenvolvimento físico e cognitivo”. Aluna desenha para depois criar estêncil que será grafitado Divulgação: Mariana Vasconcelos As oficinas para os 65 mais se estruturam em duas etapas. A primeira parte é teórica e trata da história da arte urbana e de técnicas do grafite. A segunda é prática: os idosos desenham, elaboram o estêncil – técnica para criar pranchas com as imagens vazadas por onde passará a tinta – e, por fim, se aventuram com as latas de sprays numa parede reservada para a atividade. Esses “grafiteiros” de primeira viagem são incentivados pelos monitores a desenhar e pintar o que quiserem: rostos, mãos, flores, o objetivo é mostrar que podem dar asas à imaginação. A própria logomarca do projeto foi criada por uma partipante. A maioria é composta por mulheres e está na faixa dos 70 anos, mas o mais velho tinha 102 anos. Sair da zona de conforto, romper barreiras, ousar, tudo isso misturado com uma bela experiência de convivência entre gerações – meu desejo é que outras edições do Lata 65 aconteçam no Brasil e ajudem a ressignificar a velhice. Grafiteiros 65 mais e sua obra coletiva: uma inspiração Divulgação: Mariana Vasconcelos Veja Mais

SpaceX no espaço: empresa de Elon Musk faz voo orbital

Glogo - Ciência Decolagem está prevista para as 21h desta quarta (15), acompanhe no G1. Tripulação de civis passará 3 dias dando voltas ao redor da Terra. SpaceX no espaço: empresa de Elon Musk faz voo orbital Decolagem está prevista para as 21h desta quarta (15), acompanhe no G1. Tripulação de civis passará 3 dias dando voltas ao redor da Terra. SpaceX, empresa de Elon Musk, também dono da Tesla, fará voo orbital. A decolagem está prevista para esta quarta (15), às 21h, e o retorno será daqui a 3 dias. O voo orbital é mais longo, diferente dos que Bezos e Branson fizeram. O foguete Falcon vai levar 4 pessoas, uma delas o bilionário Jared Isaacman. Musk não estará a bordo, diferente dos seus "rivais" Bezos e Branson Veja Mais

Brasil, Índia e África do Sul foram focos de surgimento de novas variantes do coronavírus até junho, aponta estudo

Glogo - Ciência Pesquisadores brasileiros constataram que, na Europa, uma nova linhagem do coronavírus era achada a cada 300 sequenciamento genéticos do Sars-CoV-2. Já na África e na América do Sul, essa taxa era de uma nova linhagem a cada cerca de 14 a 25 genomas. Uma garota passa de bicicleta por um mural de conscientização sobre o coronavírus em Chennai, na Índia, na segunda-feira (13). Arun Sankar / AFP Uma pesquisa liderada por cientistas brasileiros, publicada na semana passada na revista "Viruses", aponta que, do início da pandemia até junho deste ano, o Brasil, a Índia e a África do Sul foram focos de surgimento de novas variantes do coronavírus. Os pesquisadores chegaram à conclusão com um modelo matemático, que aplicaram sobre 1 milhão de sequenciamentos genéticos do coronavírus feitos em todo o mundo. É por meio do sequenciamento genético que cientistas encontram mutações e novas variantes do Sars-CoV-2. A partir do modelo, os pesquisadores brasileiros constataram que, na Europa, uma nova linhagem do coronavírus era achada a cada 300 sequenciamentos. Já na África e na América do Sul, essa taxa era de uma nova linhagem a cada cerca de 14 a 25 genomas. Isso significa que, por aqui e na África, as mutações foram muito mais comuns. "É como se eu fosse na Alemanha procurar o sobrenome Silva – vou fazer amostragem de milhares de indivíduos e encontrar dois. No Brasil, se eu fizer amostragem com 40 pessoas, vou encontrar 6, 8. As novas linhagens, as mutações em geral, são muito mais abundantes aqui", explica o virologista Fernando Spilki, autor sênior da pesquisa e professor na Universidade Feevale, no Rio Grande do Sul. O modelo precisou ser aplicado para tornar comparável a quantidade de sequenciamentos genômicos muito diferentes que os países ao redor do mundo fazem. O Reino Unido, por exemplo, é um dos países que mais sequenciam genomas. O Brasil sequencia pouco. No continente africano, de forma geral, o sequenciamento é mínimo. As maiores taxas de linhagens novas foram achadas justamente no Brasil, na África do Sul e na Índia –países que, no período analisado pelos pesquisadores, deram origem às variantes gama, beta e delta, respectivamente. Hoje, todas são consideradas variantes de preocupação pela Organização Mundial de Saúde (OMS). "São situações preocupantes. A coisa mais importante é as pessoas entenderem que há uma relação entre dar espaço para o vírus evoluir, sofrer mutações [e] ser selecionado para linhagens que têm capacidade maior de disseminação, por exemplo. No momento em que você tem esse espaço, você dá chance para o azar de gerar número mais alto de linhagens", esclarece Spilki. O surgimento de novas variantes ou linhagens do vírus pode fazer com que, por exemplo, ele se torne resistente às vacinas existentes hoje – ou cause uma doença mais grave. Até agora, as vacinas têm sido, de forma geral, eficazes contra as variantes que vêm surgindo – desde que a pessoa receba as duas doses (se for o caso). 00:00 / 19:13 Vigilância genômica e pouco controle Além de Brasil, África do Sul e Índia, países como Canadá e Japão também tiveram altas taxas de surgimento de variantes –mas é possível que, nesses casos, a seleção de amostras tenha sofrido um viés, porque existe uma tendência de sequenciar amostras de viajantes. Ou seja: várias linhagens novas eram encontradas, mas elas não surgiam dentro desses países por causa de um descontrole da pandemia – e sim vinham de pessoas de fora. "Os países têm uma vigilância genômica muito forte em viajantes que chegam do exterior – e por vezes você pode acabar gerando o artefato de uma diversidade maior, mas não é gerada no teu próprio país. É uma diversidade importada", avalia Spilki. É possível que esse tenha sido, também, o caso do Chile: o país aparece como tendo uma alta taxa de surgimento de variantes – até à frente do Brasil. "Existe essa possibilidade. A gente não tem o mesmo nível de informação [sobre o caso chileno]. O Chile teve uma série de questões de sistemas de vigilância e de defesa, que devem ter incluído também isso. Porque nos países em que a gente efetivamente encontra grande diversidade – Brasil, África do Sul e Índia – aí sabemos que uma boa parte dela é muito gerada dentro do próprio país", afirma o virologista. Ele lembra que, no caso do Brasil, não houve bloqueios para entrada de viajantes, por exemplo. Isso facilita o surgimento de variantes. "Tivemos poucos bloqueios para chegada de novas variantes – também influi na nossa conta. Sempre teve pessoas circulando", diz Spilki. "Nesses lugares, a gente deu espaço para que acontecesse. O mecanismo para frear isso sem dúvida era o distanciamento social, era o que nós tínhamos. Agora é a vacinação, e também o distanciamento", pontua o pesquisador. Veja VÍDEOS sobre as vacinas da Covid-19: Veja Mais

Parkinson: pacientes desconhecem técnicas para andar com mais segurança

Glogo - Ciência Estudo da Academia Americana de Neurologia mostra que as chamadas estratégias de compensação não têm a divulgação necessária Há algumas técnicas para auxiliar pessoas com Doença de Parkinson que enfrentam dificuldades para andar. No entanto, estudo publicado semana passada na revista científica “Neurology”, da Academia Americana de Neurologia, mostra que a maioria desconhece a existência dessas práticas. “Sabemos que os pacientes com Parkinson intuitivamente criam mecanismos para superar suas limitações, com o objetivo de garantir sua mobilidade e independência. Entretanto, muitos não recebem informações sobre as estratégias de compensação que existem para esse quadro”, afirmou a médica Anouk Tosserams, autora do trabalho. Pacientes com Doença de Parkinson desconhecem que há estratégias para auxiliar quem enfrenta dificuldades para andar Steve Buissinne para Pixabay Os pesquisadores entrevistaram 4.324 indivíduos com Parkinson e algum comprometimento, como falta de equilíbrio, andar arrastando os pés ou travar repentinamente, o temido congelamento. Entre os participantes, 35% relataram que as dificuldades de deslocamento interferiam nas atividades do dia a dia; 52% tinham tido uma ou mais quedas no ano anterior. Em seguida, foram apresentadas as estratégias de compensação. Embora todos recorressem a algum tipo de adaptação para caminhar, 17% nunca tinham ouvido falar de qualquer técnica que pudesse ajudá-los e 23% não tinham experimentado nenhuma delas. Apenas 4% tinham conhecimento das chamadas sete estratégias, que passo a descrever aqui, lembrando que sua experimentação e adoção devem que ser discutidas com o médico e vão depender do estágio da enfermidade. A primeira é se valer de uma “pista” ou “deixa” interna para ter consciência do movimento – por exemplo, seguir uma contagem dentro da cabeça. A segunda é a “pista” externa, como se deslocar no ritmo de um metrônomo (aparelho que, através de pulsos de duração regular, indica um andamento musical). Terceira: criar um padrão de marcha distinto, como pisar forte em cada passada. Quarta: incrementar a ação a partir da observação, assistindo a outra pessoa caminhar. Quinta: treinar movimentos diferentes, como pular ou andar de costas. Sexta: exercitar as pernas de outra forma, pedalando ou engatinhando. Sétima: atuar no quadro mental e emocional através de técnicas de relaxamento. O grande desafio é que o que antes era natural e automático se torna algo que tem que ser reaprendido. No Brasil, estudos avaliaram que o treino com pistas visuais, feito com marcadores no solo, parece ter efeito positivo, uma vez que se torna eficaz na regulação do comprimento do passo. O treinamento de marcha em esteira também tem se mostrado eficiente, de acordo com levantamento de pesquisadores do Hospital Albert Einstein. Veja Mais

Queiroga diz que campanha de vacinação é 'sucesso' e que reclamação por falta de doses é 'narrativa'

Glogo - Ciência Na semana passada, cidades de 5 estados não tinham vacina AstraZeneca para 2ª dose. Queiroga diz que 'campanha vai bem', apesar da falta de vacinas O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse nesta segunda-feira (13) que a campanha de vacinação contra a Covid-19 no Brasil já é "um sucesso". O ministro disse ainda que a reclamação de que falta vacina para aplicação da segunda dose é uma "narrativa". No contexto político atual, a palavra "narrativa" é usada de forma pejorativa para apontar uma versão dos fatos que não corresponde à realidade. Quem tomar Pfizer no lugar da 2ª dose de AstraZeneca precisa assinar autorização em SP Cidade do Rio retoma vacinação de adolescentes na quarta Queiroga afirmou que estados não respeitaram as orientações do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e aceleraram, por exemplo, a antecipação dos intervalos entre doses e a vacinação dos adolescentes. "Eu também falei que quem adotasse esquemas diferentes do PNI não teria garantias de doses", disse Queiroga. "Por conta disso (desrespeito ao PNI) que surgem essas narrativas que falta dose. Na realidade, muitos já avançaram além (dos públicos previstos), e se avançaram é porque tinha doses", afirmou Queiroga em Brasília. 'Reclamadores crônicos' Queiroga afirmou que há "reclamadores crônicos" no país e usou sua recente visita ao Amazonas para criticar diretamente o estado de São Paulo. "Por que em uma comunidade ribeirinha tem vacina e no principal estado do país não tem? É porque lá no Amazonas estão seguindo as orientações do Programa Nacional de imunização. Você pode ver: quem reclama? Quem são os reclamadores crônicos? E aí vc verifica as publicidades que fizeram. Não foi o Ministério da Saúde que fez a publicidade (do avanço na vacinação)", disse Queiroga. Falta de doses nos estados Na sexta-feira, levantamento do G1 apontou que a aplicação da segunda dose da vacina de Oxford/AstraZeneca contra a Covid-19 tinha sido suspensa em diversas cidades no Brasil devido à falta do imunizante. Havia vacinação suspensa em postos de 5 estados brasileiros: São Paulo, Rio Grande do Norte, Tocantins, Rondônia e Mato Grosso do Sul. Na cidade de São Paulo, o desabastecimento já chegava a quase 100% dos locais autorizados para a aplicação. A vacinação no Espírito Santo, em Minas Gerais e em Santa Catarina poderia ser interrompida na próxima semana, caso não houvesse novas remessas da AstraZeneca. G1 no YouTube Veja Mais

Não devemos ter medo da medicina da longevidade

Glogo - Ciência Objetivo da gerociência é aumentar a expectativa de vida saudável das pessoas Vou dar um exemplo de fácil compreensão porque todos acompanhamos com interesse o noticiário sobre a Covid-19 e, por isso, sabemos que nosso sistema imunológico vai se deteriorando à medida que envelhecemos. Trata-se da imunossenescência, que torna a resposta imune mais fraca, aquém das necessidades de fazer frente ao vírus. Mas, e se pudéssemos intervir e reverter a situação? Imagino que ninguém seja contra! Esse é o objetivo da medicina da longevidade, de acordo com a médica Evelyne Bischof, que já trabalhou nas universidades de Basel e Zurique, na Suíça, e agora leciona na Universidade de Xangai, na China: “estamos diante de uma nova área de estudo e atuação. O propósito da medicina da longevidade é aumentar a expectativa de vida saudável, com a utilização maciça de dados, tecnologia e inteligência artificial”. A médica Evelyne Bischof, professora da Universidade de Xangai, na China Divulgação Ela foi uma das palestrantes do oitavo encontro do ARDD (Aging Research & Drug Discovery), tema da coluna de quinta-feira, por isso decidi aprofundar a discussão sobre um assunto polêmico: os motivos pelos quais cientistas de primeiríssimo time defendem que a velhice seja encarada como um quadro a ser combatido. Para a doutora Bischof, cuja aula pode ser conferida nesse link, estamos no limiar de grandes mudanças: “a medicina atual encara o envelhecimento como uma condição fisiológica que não requer intervenção, na qual se atacam apenas as manifestações de patologias relacionadas à idade. A medicina do futuro vê o envelhecimento como uma condição que demanda tratamento, na qual o foco é a prevenção dos fatores de risco associados à velhice. É proativa, individualizada e de precisão”. É importante deixar claro que esses pesquisadores não têm nada contra os idosos, muito pelo contrário – querem garantir que todos vivam com qualidade de vida até o fim, mas utilizando a ciência para prevenir, reverter e eliminar os problemas de saúde relacionados à idade. A médica afirma que a gerociência será capaz de, no futuro, detectar o risco de desenvolver uma doença e ser capaz de mitigar ou eliminar essa possibilidade. “Conforme envelhecemos, somos todos pacientes, mas teremos a chance de não chegar a sofrer de uma enfermidade porque agiremos a tempo. O estudo da medicina terá que ser revisto para que os futuros médicos incorporem essas habilidades”, enfatizou. Joan Mannick, diretora de pesquisa e desenvolvimento da Life Biosciences Divulgação O arsenal inclui terapia gênica e drogas como senolíticos, inibidores de mTOR e metformina, entre outros. A médica Joan Mannick, diretora de pesquisa e desenvolvimento da Life Biosciences, ratificou essa visão: “nossa biologia sofre alterações com o passar do tempo, o que torna o envelhecimento um fator de risco modificável. Estamos no caminho para criar novas terapias para melhorar as funções imunológicas e reduzir as taxas de infecção que afetam os idosos”. Em sua exposição, que também pode ser conferida aqui, a doutora Mannick citou tratamentos voltados para recuperar a capacidade funcional das mitocôndrias e diminuir o estresse oxidativo; e de reprogramação epigenética, para restaurar as funções celulares. Para quem alega que a ciência de ponta só estará disponível para uma elite, devo lembrar que, quanto mais investimento houver em pesquisa e tecnologia, mais rapidamente seu alcance se ampliará, beneficiando todos. Veja Mais

IgNobel 2021 premia pesquisas sobre barbas amortecedoras, baratas e chicletes mastigados

Glogo - Ciência Em cerimônia virtual, cientistas que estudaram como barbas protegem rostos de socos, perigos de gomas de mascar mastigadas e métodos mais baratos para livrar submarinos de baratas tiveram seus esforços reconhecidos. Barbas podem ser um desenvolvimento evolutivo para ajudar a proteger os ossos faciais delicados de um homem de um soco no rosto, segundo pesquisa premiada com IgNobel Pexels/Creative Commons Barbas não são apenas legais e estão na moda – elas também podem ser um desenvolvimento evolutivo para ajudar a proteger os ossos faciais delicados de um homem de um soco no rosto. Essa é a conclusão de um trio de cientistas da Universidade de Utah que está entre os vencedores dos prêmios Ig Nobel deste ano, as paródias do Prêmio Nobel que honram – ou talvez desonram, dependendo do seu ponto de vista – estranhas descobertas científicas. Os vencedores do 31º Ig Nobels anual, anunciados nesta quinta-feira (9), incluíram pesquisadores que descobriram como controlar melhor as baratas nos submarinos da Marinha dos EUA; cientistas animais que analisaram se é mais seguro transportar um rinoceronte no ar de cabeça para baixo; e uma equipe que descobriu o quão nojento é aquele chiclete descartado grudado no seu sapato. Pelo segundo ano consecutivo, a cerimônia foi um evento digital pré-gravado de aproximadamente 90 minutos por causa da pandemia mundial de coronavírus, disse Marc Abrahams, editor da revista Annals of Improbable Research, o principal patrocinador do evento. Imagem do troféu ganho por vencedor da 29ª edição do prêmio IgNobel, em 2019 AP Photo/Elise Amendola Embora decepcionante em muitos aspectos, porque metade da diversão de uma cerimônia ao vivo é a participação barulhenta do público, a cerimônia manteve muitas tradições. Entre elas, ganhadores do Nobel de verdade anunciando os prêmios e a estreia mundial de uma mini ópera chamada “A Bridge Between People”, sobre crianças que literalmente constroem pequenas pontes suspensas para unir dois adultos furiosos. Barbas protetoras Nenhum rosto foi socado para o estudo da barba publicado na revista científica Integrative Organismal Biology. Em vez disso, os cientistas da Universidade de Utah, Ethan Beseris, Steven Naleway e David Carrier usaram um composto de fibra epóxi para simular osso humano e pele de carneiro (às vezes com a lã, às vezes já tosada) para atuar como a pele humana. Eles então jogaram pesos sobre eles. A amostra com a lã absorveu mais energia do que as amostras aparadas. “Se o mesmo se aplica aos pelos faciais humanos, ter uma barba cheia pode ajudar a proteger as regiões vulneráveis do esqueleto facial de golpes prejudiciais, como a mandíbula”, disseram eles. “Presumivelmente, barbas inteiras também reduzem lesões, lacerações e contusões na pele e nos músculos do rosto.” Chicletes mastigados É óbvio que aqueles chicletes descartados encontrados nas calçadas ao redor do mundo são muito revoltantes. Mas quão revoltante? Pesquisadores de uma universidade espanhola determinaram que o chiclete já mastigado que ficou preso na calçada por três meses está repleto de bactérias desagradáveis. Parece um estudo bobo, mas como sempre, havia algum método para a loucura. “Nossas descobertas têm implicações para uma ampla gama de disciplinas, incluindo ciência forense, controle de doenças contagiosas ou biorremediação de resíduos de goma de mascar desperdiçada”, escreveram Leila Satari, Alba Guillén, Àngela Vidal-Verdú e Manuel Porcar, da Universidade de Valência em seu paper, que foi publicado na Nature.com. Baratas em submarinos Uma equipe de pesquisadores da Marinha dos EUA venceu por descobrir uma maneira mais barata e eficaz de controlar baratas em submarinos. O estudo de 1971 publicado no Journal of Economic Entomology descobriu que os métodos tradicionais, como a fumigação de carboxídeos e o uso do pesticida malatião, não eram bons o suficiente. Eles descobriram que o uso do pesticida diclorvos era menos caro e mais eficaz. Os organizadores do Ig Nobels pretendem realizar a cerimônia do próximo ano novamente em sua casa tradicional no Sanders Theatre da Universidade de Harvard, disse Abrahams, mas isso depende se a pandemia estará sob controle e que tipo de restrições de viagem existirão em todo o mundo. Vídeos: Os mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias Veja Mais

Pandemia de Covid-19 reduziu combate à Aids e à tuberculose

Glogo - Ciência Em comparação com 2019, o número de pessoas atendidas para a prevenção e o tratamento do HIV caiu 11%. Já o número de pessoas tratadas contra a tuberculose resistente aos medicamentos caiu 19%. Camisinha é o contraceptivo mais indicado para proteção contra o HIV Mariana Raphael/Saúde-DF O Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária afirmou que a pandemia de Covid-19 teve um impacto "devastador" na luta contra essas doenças. Pela primeira vez desde a sua criação em 2002, o fundo reportou uma diminuição na prevenção e no tratamento destas enfermidades e mostrou-se particularmente preocupado com a redução dos testes do vírus HIV e dos tratamentos da tuberculose. Entenda como funciona a pesquisa da vacina contra o HIV Tuberculose: o que é e quais são os sintomas, diagnóstico e tratamento A vacina em estudo contra malária que poderia salvar 400 mil vidas por ano no mundo Em comparação com 2019, o número de pessoas atendidas para a prevenção e o tratamento do HIV caiu 11%, enquanto os testes para o vírus recuaram 22%, impedindo essas pessoas de acessarem o atendimento adequado. Ainda assim, o número de pessoas que recebem terapia antirretroviral para HIV aumentou 8,8% em 2020, atingindo 21,9 milhões de pacientes, observou o relatório publicado nesta terça-feira (8). O número de pessoas tratadas contra a tuberculose resistente aos medicamentos caiu 19%. Nos países onde o Fundo Global investe, cerca de 4,7 milhões de pessoas receberam assistência para tuberculose em 2020, cerca de um milhão a menos que no ano anterior. As intervenções para combater a malária "parecem ter sido menos afetadas pela Covid-19 do que as outras duas doenças", observou o relatório. O estudo especificou que o número de redes distribuídas contra os mosquitos transmissores da doença subiu para 188 milhões (+17%). Em 2020, o fundo desembolsou 4,2 bilhões de dólares para continuar a luta contra o HIV, tuberculose e malária e aprovou 980 milhões de dólares adicionais para financiar a resposta ao coronavírus. De acordo com a entidade, desde sua criação, em 2002, o Fundo Global salvou 44 milhões de vidas e o número de mortes por Aids, tuberculose e malária diminuiu 46% nos países sob sua assistência. Entenda como funciona a pesquisa da vacina contra o HIV VÍDEOS mais vistos do G1 Veja Mais

Cerrado é fundamental para evitar racionamento de água e energia no Brasil; entenda elo com a crise atual

Glogo - Ciência Bioma tem influência no abastecimento de 8 das 12 regiões hidrográficas do país. Importância do Cerrado na disponibilidade de água nas bacias do Brasil Arte/G1 O Cerrado é insubstituível para a distribuição de água no Brasil. O bioma, por ter o solo mais alto, absorve a umidade e leva água para 8 das 12 bacias importantes para o consumo de água e geração de energia no país. A falta de chuva na região influencia na seca do Pantanal, no Rio São Francisco e até em Itaipu, uma das hidrelétricas do país, abastecida pela bacia do Rio Paraná. Abaixo, nesta reportagem, entenda os seguintes pontos: Qual é a influência do Cerrado na distribuição da água no país? O que precisa acontecer para reversão do atual cenário? Qualquer chuva abastece o país? Preservar só o Cerrado resolve o problema? O motivo da atual crise da água é o aquecimento global? 1. Qual é a influência do Cerrado? Na região da bacia do Rio Paraná, que abastece Itaipu, o Cerrado responde por quase 50% de toda a vazão. As regiões do São Francisco, do Parnaíba e do Paraguai – esta última ligada ao Pantanal - têm uma dependência hidrológica ainda maior: o bioma é responsável por aproximadamente 94%, 105% e 135%, respectivamente, de toda a vazão. Alguns desses índices são superiores a 100% porque incluem também a precipitação que chega ao solo, mas que depois evapora devido ao sol e às formações geográficas. Esses dados são resultado de pesquisa feita por Jorge Werneck, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e diretor da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa). É por isso que, se não chove no Cerrado, o país inteiro sente. O Pantanal vive a maior seca dos últimos 50 anos, e os motivos exatos ainda são investigados. Mas a seca existe, e, para resolvê-la, é preciso que chova nos dois biomas. "No verão de 2019 e 2020, choveu menos que o normal. Isso gerou os incêndios no Pantanal e as quedas do rio Paraguai. Entre 2020 e 2021, deveria ter chovido quase 950 mm no total climatológico esperado, e tem chovido menos de 500 mm", disse José Marengo, climatologista, meteorologista e coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). FOTOS: veja como o Pantanal está se recuperando após os incêndios de 2020 Cerrado registra quase 1,9 mil focos de calor a mais que a Amazônia em junho 2. O que precisa acontecer para a situação melhorar? De acordo com o climatologista, a chuva precisa chegar no Cerrado e nas regiões afetadas. O Centro-Oeste é fundamental para o abastecimento de água e, consequentemente, para as cidades, para a agricultura e para a geração de energia. Chover é necessidade urgente para evitar um racionamento maior. "Se você me pergunta: será que em outubro a chuva vai começar na hora certa? Por enquanto, neste momento, é muito cedo para dizer". Segundo Marengo, os reservatórios estão com água abaixo da média. No caso da bacia do Paraguai, os índices estão ainda mais baixos que durante o ano passado. "Se não tem chuva no Centro-Oeste, você vai ter menos chuva no Rio São Francisco e acaba tendo menos chuva também na bacia do rio Paraguai e na bacia do Rio Paraná". Seca no Brasil Fernanda Garrafiel/G1 3. Qualquer chuva abastece o país? Uma chuva de um dia para o outro não resolve o problema no Cerrado. Precisa chover com constância e quantidade. Isso porque o solo já está seco e precisa absorver parte da água que chega inicialmente. "É aquela chuva mais invernada, que chove 2, 3, 4, 5 dias seguidos e numa quantidade boa. (...) A gente precisa de chuva nos locais certos, no momento certo, e com a intensidade e duração e frequência adequada para promover a recarga dos aquíferos e a recuperação dos nossos rios e dos reservatórios", explica Werneck. 4. Preservar só o Cerrado resolve o problema? Não. Mercedes Bustamante, professora da Universidade de Brasília (UnB) e uma das maiores especialistas em clima e Cerrado do país, diz que a gestão dos recursos não pode enxergar as fronteiras criadas pelo homem. Amazônia, Cerrado e Pantanal, e outros biomas do Brasil, dependem uns dos outros. "Os recursos naturais não têm as fronteiras que a gente coloca. Quando a gente fala em conservação é importante você olhar esta conectividade". A Amazônia, por exemplo, quando desmatada, pode influenciar na chuva do Cerrado. Assim como Cerrado, se desmatado, dificulta o ciclo das chuvas e da água que chega para a produção de energia. "O Cerrado tem solos profundos, muito argilosos, com uma boa capacidade de drenagem de água, mas depende também da cobertura vegetal. A vegetação faz a ponte entre atmosfera e o solo", explica Bustamante. A Amazônia tem o papel de, com os rios voadores, contribuir com a umidade paras as outras regiões do Brasil da América Latina. Essa água da floresta é recebida em parte pelo Cerrado, que segue seu fluxo ajudando o Pantanal, o Rio São Francisco, a bacia do Rio Paraná. "Parte da precipitação que tem no Centro-Oeste está associada à cobertura floresta da Amazônia, ao transporte de umidade que a floresta faz, que por sua vez recebe umidade dos oceanos, depois transfere para a porção central no Brasil". Werneck deixa bem claro que é possível pensar em uma gestão dos recursos naturais que contemple a preservação ambiental, a produção de alimentos, o abastecimento de energia. Segundo ele, é um quebra-cabeças complexo que precisa ser desenhado de forma integrada com a maior eficiência possível, uma otimização dos recursos, com o desgaste ambiental dentro dos limites aceitáveis. "É possível ter água para os diferentes setores, mas a gente precisa evoluir no planejamento e no monitoramento para ter produção de alimento e de energia, ter a indústria desenvolvida e as cidades abastecidas. Os riscos climáticos precisam ser considerados para que estejamos preparados para esses momentos, que virão. Os momentos de pouca chuva e os momentos muita chuva vão acontecer". 5. O motivo da atual crise da água é o aquecimento global? Por enquanto, os cientistas afirmam com uma certeza irrefutável, segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que a Terra já está vivendo e viverá cada vez mais eventos extremos. A falta de chuva e o calor em excesso fazem parte da lista de desastres previstos para os próximos anos. Mudanças recentes no clima causadas pelo homem não têm precedentes, aponta relatório da ONU "Este ano é um ano típico de extremos. Você já viu onda de calor, de frio, seca, enchentes. Justamente, esses eventos extremos, incluindo a seca do Pantanal, vem no mesmo sentido do aquecimento global, está cada vez mais intenso. O aquecimento global é um processo natural, só que o IPCC afirma que esse processo natural está sendo amplificado por atividades humanas", diz Marengo. Enchentes, neve e calor extremo: como as mudanças climáticas afetam o planeta O climatologista está pesquisando, junto ao seu grupo de trabalho, se a falta de água e o fogo vistos no Pantanal no último ano poderiam ter acontecido sem a ação do homem. Segundo ele, é uma certeza que ainda não existe, apesar dos indicativos do IPCC. "O que aconteceu em 2020 foi uma combinação. Uma seca no verão e uma onda de calor em setembro e outubro. Isso afetou toda a região central da América do Sul, a Amazônia do Peru, Paraguai, Bolívia, norte da Argentina, isso acrescentou risco de incêndios. É isso que agora se chama de eventos extremos compostos. Não é um evento, é uma combinação de dois eventos ou mais". 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Brasil tem 257 mortes por Covid em 24 horas; média móvel é a mais baixa desde o início de dezembro

Glogo - Ciência País contabiliza 583.570 óbitos e 20.881.555 casos de coronavírus, segundo balanço do consórcio de veículos de imprensa com dados das secretarias de Saúde. O Brasil registrou neste domingo (5) 257 mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas, com o total de óbitos chegando a 583.570 desde o início da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes nos últimos 7 dias ficou em 606 - a mais baixa desde 7 de dezembro (quando foram registrados 603 óbitos). Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de --21% e aponta tendência de queda. Os números estão no novo levantamento do consórcio de veículos de imprensa sobre a situação da pandemia de coronavírus no Brasil, consolidados às 20h deste domingo. O balanço é feito a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Veja a sequência da última semana na média móvel: Média móvel de mortes Arte G1 Segunda (30): 671 Terça (31): 671 Quarta (1º): 643 Quinta (2): 628 Sexta (3): 622 Sábado (4): 609 Domingo (5): 606 Em 31 de julho o Brasil voltou a registrar média móvel de mortes abaixo de 1 mil, após um período de 191 dias seguidos com valores superiores. De 17 de março até 10 de maio, foram 55 dias seguidos com essa média móvel acima de 2 mil. No pior momento desse período, a média chegou ao recorde de 3.125, no dia 12 de abril. Três estados apresentam tendência de alta nas mortes: ES, RJ e RR Acre, Sergipe, Ceará e Amapá não registraram mortes neste domingo. Minas Gerais e Pernambuco não atualizaram os dados. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 20.881.555 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 9.138 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 20.414 diagnósticos por dia - a mais baixa desde 10 de novembro, resultando em uma variação de -30% em relação aos casos registrados na média há duas semanas, o que indica queda. Em seu pior momento a curva da média móvel chegou à marca de 77.295 novos casos diários, no dia 23 de junho deste ano. Mortes e casos de coronavírus no Brasil e nos estados Mortes e casos por cidade Veja como está a vacinação no seu estado Brasil, 5 de setembro Total de mortes: 583.570 Registro de mortes em 24 horas: 257 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 606 por dia (variação em 14 dias: -21%) Total de casos confirmados: 20.881.555 Registro de casos confirmados em 24 horas: 9.138 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 20.414 por dia (variação em 14 dias: -30%) Estados Em alta (3 estados): ES, RJ e RR Em estabilidade (6 estados e o Distrito Federal): RS, SC, DF, GO, MS, AP e BA Em queda (15 estados): PR, SP, MT, AC, AM, PA, TO, AL, CE, MA, PB, PI, RN e SE Não atualizaram (2 estados): MG e PE Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Vacinação O Brasil já aplicou mais de 201 milhões de doses de vacinas contra a Covid, somando a primeira dose, a segunda e a dose única, desde o começo da vacinação. São 201.449.934 doses aplicadas no total. A população que completou o esquema vacinal e está imunizada é 31,46%, com 67.102.644 de doses aplicadas. Os que estão parcialmente imunizados, ou seja, que apenas a primeira dose de vacinas, são 134.347.290 pessoas, o que corresponde a 62,98% da população. Veja a situação nos estados Estados com alta nas mortes Arte G1 Estados com estabilidade nas mortes Arte G1 Estados com queda nas mortes Arte G1 Sul PR: -25% RS: -9% SC: -10% Sudeste ES: 38% MG: Não atualizou os dados neste domingo RJ: + 33% SP: -37% Centro-Oeste DF: +9% GO: -15% MS: -14% MT: -31%: Norte AC: -100% AM: -42% AP: 0% PA: -45% RO: -41% RR: +113% TO: -29% Nordeste AL: -27% BA: -5% CE: -62% MA: -20% PB: -23% PE: Não atualizou os dados neste domingo PI: -33% RN: -35% SE: -29% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste a Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). VÍDEOS: mortes por Covid por município mês a mês . Números de Covid no Brasil Editoria de Arte/G1 Veja Mais

Variante delta não causa casos mais graves em crianças e adolescentes de Covid-19, diz órgão de saúde americano

Glogo - Ciência CDC analisou hospitalizações de crianças com a infecção em 14 estados do país. Desde que a variante se tornou dominante nos EUA, internações infantis aumentaram cinco vezes. Veja 5 pontos sobre a variante delta Um documento publicado pelo Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC), a principal agência federal de saúde dos Estados Unidos, informa que a variante delta não causa quadros mais graves de Covid-19 no público infantil., apesar do aumento nas hospitalizações de crianças no país. O CDC estudou dados de pacientes hospitalizados com Covid-19 em 99 condados em 14 estados americanos. A agência comparou as hospitalizações ocorridas no período de março a meados de junho, com o período de meados de junho ao final de julho, quando a variante Delta se tornou dominante nos Estados Unidos. Entre esses dois períodos, a taxa de hospitalização de crianças e adolescentes de 0 a 17 anos aumentou cinco vezes, mas “a proporção de crianças e adolescentes hospitalizados por doença grave”, por exemplo com admissão em unidade de cuidados intensivos, “era semelhante antes e durante o período em que Delta era dominante”, diz o documento. De um total de 3.116 crianças e adolescentes hospitalizados em três meses e meio antes da Delta, cerca de 26% foram internados em terapia intensiva, 6% foram colocados em um ventilador e menos de 1% morreu. Depois da Delta, de 164 hospitalizações registradas em um mês e meio, cerca de 23% foram internados em cuidados intensivos, 10% colocados em um ventilador e menos de 2% morreram. Segundo os pesquisadores do CDC, as diferenças entre os dois períodos não são, portanto, estatisticamente significativas. A variante delta do novo coronavírus foi identificada pela primeira vez na Índia e atualmente é a linhagem predominante em todo o mundo. Carga viral 300 vezes maior Pessoas infectadas com a delta apresentaram carga viral 300 vezes maior se comparado com os indivíduos infectados com a versão original do vírus nos primeiros dias dos sintomas da Covid-19, revelou um estudo da Coreia do Sul publicado em agosto. O valor da carga viral, entretanto, diminui gradualmente com o tempo - chegando a ser 30 vezes maior depois de quatro dias da infecção e pouco mais de 10 vezes após nove dias - se igualando aos níveis vistos em outras variantes depois de 10 dias, informou o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da Coreia (KDCA). Anvisa amplia prazo de validade da vacina contra Covid-19 Oxford/AstraZeneca para nove meses A carga mais elevada significa que o vírus se dissemina muito mais facilmente de pessoa para pessoa, aumentando as infecções e hospitalizações, disse Lee Sang-won, uma autoridade do Ministério da Saúde, em uma coletiva de imprensa. "Mas isto não significa que a Delta é 300 vezes mais infecciosa... achamos que sua taxa de transmissão é 1,6 vez a da variante Alpha, e cerca de duas vezes a da versão original do vírus", disse Lee. Para evitar a disseminação da variante delta, agora a linhagem predominante em todo o mundo, a KDCA pediu às pessoas que façam exames imediatamente quando desenvolverem sintomas da Covid-19 e que evitem encontros pessoais. Veja mais vídeos: Veja Mais

Brasil tem queda de 1,6% no reconhecimento de paternidade no primeiro semestre deste ano

Glogo - Ciência Queda foi registrada na comparação com o mesmo período do ano passado. Cem mil crianças nasceram no Brasil e não tiveram o nome do pai registrado na certidão de nascimento. VÍDEO: Brasil tem 3º ano de queda em reconhecimento de paternidade Levantamento da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen) aponta que houve queda de 1,6% no total de atos de reconhecimento de paternidade registrados no primeiro semestre deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado. Em 2019, ano recorde na série histórica, teve ao todo 35.243 atos de reconhecimento de paternidade. No ano seguinte, o número caiu para 23.921. Nos primeiros seis meses deste ano, foram 13.297. O número é 1,6% menor proporcionalmente ao primeiro semestre do ano passado. Licença-paternidade ainda é desafio; veja direitos trabalhistas e previdenciários dos pais 'Paternidade não é ajudar, mas dividir'; pais do DF contam como novas gerações encaram chegada dos filhos De acordo com especialistas, a inclusão do nome do pai na Certidão de Nascimento vem diminuindo e se manteve no 3º ano de queda (veja mais na reportagem da GloboNews no vídeo acima). Nesta ano, cerca de 100 mil crianças nasceram no Brasil e não tiveram o nome do pai registrado na certidão de nascimento. Ter o nome do pai no documento é fundamental para acesso a direitos como herança, pensão alimentar e inclusão em planos de saúde. Desde 2018, o percentual de crianças no país sem o nome do pai no registro vem crescendo. Passou de 5,5% naquele ano para 6,3% em 2021, segundo o levantamento da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais. Veja Mais

Cinco anos depois, a vida de uma família transformada pelo zika vírus e a microcefalia

Glogo - Ciência 'Ele é uma criança extremamente feliz. Onde ele pode, está dando risada, se divertindo, está brincando do jeitinho dele, interagindo com a gente'. Gabriel e seu pai BBC No dia 15 de novembro de 2015, o Ministério da Saúde decretou epidemia do zika vírus no Brasil. Desde abril daquele ano, a alta no número de casos da doença em hospitais do país, em especial no Nordeste, fez com que médicos alertassem o governo. As mulheres grávidas eram a principal preocupação. Naquele ano, a advogada Mila Mendonça, que vive em Salvador, teve a doença durante a gestação de seu segundo filho. “Tive a zika mas, como todo mundo, não dei atenção porque parecia mais uma gripe”, conta. “Quando eu falei para a obstetra, ela nem anotou no prontuário, ninguém ligava para a zika”, completa. A gravidez correu bem até agosto de 2015, quando Mila e o pai do menino, o também advogado Rodrigo Gomes, descobriram que o filho tinha microcefalia decorrente da síndrome congênita do zika vírus. LEIA TAMBÉM: Cientistas da Unicamp descobrem mecanismo que zika vírus usa para enganar organismo Crianças com microcefalia por zika regridem na pandemia: 'Estão desaprendendo a falar e a comer' Mães relatam mudanças 5 anos após diagnóstico de microcefalia das filhas: 'A gente criou forças' Os efeitos da infecção em fetos - cujo sistema nervoso central é comprometido pelo vírus - ainda não eram totalmente conhecidos. “Eu chorei até dormir, fui dormir cansada de chorar”, disse Mila em janeiro de 2016, quando o casal contou sua história pela primeira vez à BBC News Brasil. “Foi um dia bastante difícil, mas foi importante para gente ter o acompanhamento médico, porque o médico falou: ‘Olha, Vocês podem sofrer essas 24 horas, mas a partir de amanhã é vida que segue’”, lembrou Rodrigo, na reportagem de 2016. Em dezembro daquele ano, Gabriel nasceu com a circunferência da cabeça medindo 32 centímetros, número dentro da faixa que caracteriza a doença, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Veja no vídeo abaixo: Cientistas descobrem mutação do vírus da zika Cientistas descobrem mutação do vírus da zika Cinco anos depois, a BBC News Brasil conversou novamente com o casal para saber como a vida seguiu. Hoje, Gabriel divide a rotina entre sessões de fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e nutrição, tudo para otimizar a qualidade de vida. “Tem os desenhos que ele gosta. Ele ama o Lucas Netto! Bote um diferente! Quando você coloca o que ele quer, ele fica quieto, parecendo um anjo”, brinca Mila. “Ele é uma criança extremamente feliz. Onde ele pode, está dando risada, se divertindo, está brincando do jeitinho dele, interagindo com a gente”, relata Rodrigo. Apesar de exames apontarem que Gabriel é surdo, o pai tem certeza de que ele não é. “A gente em 2019 fez uma cirurgia para estirar o máximo possível a perna dele para poder facilitar de ele sentar. Foi uma cirurgia muito difícil para a gente, porque foi muita dor para ‘Gabi’, ele sofreu muito e engraçado que era a música que o acalmava”, lembra Rodrigo. Antes da operação, Gabriel não conseguia esticar a perna direita, devido à síndrome de artrogripose – que provoca contraturas nas articulações e redução no tônus muscular e, assim como a microcefalia, está relacionada a casos de infecções pelo zika vírus durante a gravidez. A chegada de Gabriel fez o pai retomar um hobby que estava esquecido. Ele voltou a fazer apresentações musicais para arrecadar fundos para o ONG aBRAÇO à microcefalia, fundada por Mila e um grupo de mães em Salvador. O espaço oferece serviços de fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e nutrição para crianças com microcefalia, e sessões de psicoterapia para as mães. A aBRAÇO também realiza oficinas com profissionais especializados, que dão dicas sobre brincadeiras, cuidados com a visão, audição e nutrição das crianças, entre outras atividades. Em cinco anos, o número de famílias atendidas pelo projeto passou de oito para 302. Confira no vídeo. Veja Mais