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Estudo sugere que pessoas que tiveram dengue recentemente podem ter alguma imunidade contra a Covid

Glogo - Ciência Pesquisa foi conduzida pelo cientista brasileiro Miguel Nicolelis. Ela ainda não passou por revisão de pares e nem foi publicada em revista científica. Estudo brasileiro indica que quem teve dengue pode ter anticorpos contra o coronavírus. Reprodução/ TV Globo Lugares em que grande parte da população contraiu dengue no ano passado e no começo deste ano demoraram mais tempo para ter transmissão comunitária exponencial da Covid-19. Além disso, registraram números menores de casos e de mortes causadas pelo novo coronavírus, indicando uma possível interação imunológica entre os dois vírus. A conclusão é de um estudo liderado pelo cientista brasileiro Miguel Nicolelis, professor catedrático da Universidade Duke, na Carolina do Norte, que desde o início da pandemia se dedica a estudar o comportamento do coronavírus no Brasil. O estudo foi enviado a um repositório de pesquisas a serem publicadas em revistas científicas e ainda não foi revisado por pares. De acordo com Nicolelis, a pesquisa indica que também há a possibilidade de que vacinas aprovadas ou em desenvolvimento para a dengue possam provocar alguma forma de proteção contra o novo coronavírus. "Essa descoberta surpreendente levanta a intrigante possibilidade de uma reação cruzada entre o vírus da dengue e o SARS-CoV-2. Se comprovada correta em futuros estudos, esta hipótese pode significar que a infecção pela dengue ou uma eventual imunização com uma vacina eficaz e segura para dengue poderia produzir algum tipo de proteção imunológica para SARS-CoV-2, antes de uma vacina para SARS-CoV-2 se tornar disponível", diz o estudo, visto com exclusividade pela Reuters. O pesquisador ressaltou, em entrevista exclusiva à Reuters, que já existem trabalhos mostrando que pessoas que têm sorologia positiva para dengue testam positivo para coronavírus sem ter coronavírus, sugerindo que essas pessoas produzem um anticorpo que age nas duas doenças. Vacina com 50% de eficácia já ajudaria, diz cientista-chefe da OMS "Isso indica que existe uma interação imunológica entre os dois vírus que ninguém poderia esperar, porque os dois vírus são de famílias completamente diferentes", afirmou. Diminuição da dengue, aumento do coronavírus O estudo aponta uma significativa correlação negativa entre incidência, mortalidade e taxa de crescimento da Covid-19 e o percentual da população com níveis de anticorpos IgM para dengue nos estados do Brasil, país que tem o terceiro maior surto de Covid-19 no mundo, com mais de 4,5 milhões, e o segundo maior número de mortes da doença, com quase 137 mil. A observação foi feita por Nicolelis e sua equipe ao elaborarem um estudo sobre a disseminação geográfica da Covid-19 no Brasil e o papel das rodovias como fator de distribuição de casos. O cientista percebeu vazios de casos no mapa em determinadas regiões do país sem explicação aparente, e partiu em busca de possíveis explicações. A resposta, segundo Nicolelis, apareceu ao analisar a distribuição geográfica dos casos de dengue no Brasil em 2019 e 2020, que ocupavam exatamente os buracos no mapa de casos da Covid-19. As curvas de casos das duas doenças reforçaram a descoberta, uma vez que o surto de dengue entrou em declive acentuado no país no mesmo momento da disparada do novo coronavírus. "Foi um choque, foi um acidente total. Em ciência isso acontece, você está atirando para um lado e acerta no alvo que você nunca imaginou que iria atirar", disse o pesquisador sobre a descoberta. "Fui olhar no Ministério da Saúde se tinha alguma explicação para essas coisas estranhas, se tinham outros indicadores de doenças que eu não estava percebendo, e de repente encontro o mapa de dengue de 2020 do Brasil. Eu peguei o mapa de casos de coronavírus e coloquei lado a lado com o mapa de dengue, e encontrei o que a gente chama de distribuição complementar: regiões com pouco coronavírus estão cheias de dengue." Estados como Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, que tiveram alta incidência de dengue no ano passado e no começo deste ano, levaram muito mais tempo para atingir um patamar de elevada transmissão comunitária de Covid-19 do que estados como Amapá, Maranhão e Pará, por exemplo, que tiveram poucos registros de dengue no mesmo período, de acordo com o estudo. Enquanto o Amapá levou cerca de 60 dias para chegar a 500 casos de Covid-19 por 100 mil habitantes, o Paraná levou mais de 120 dias. Em comparação, o Amapá tem incidência de 5,4 casos de dengue por 100 mil habitantes este ano, enquanto o Paraná tem a maior incidência do país, com 2.295,8 casos por 100 mil. Vírus competem pelos mesmos suscetíveis O estudo pondera, no entanto, que em regiões com alta densidade demográfica há uma prevalência da Covid-19 mesmo quando há uma alta incidência de dengue. "Os nossos resultados epidemiológicos sugerem a hipótese, que ainda precisa ser testada amplamente, que o SARS-CoV-2 compete com o vírus da dengue pelas mesmas pessoas, pelo mesmo pool de suscetíveis. Como o SARS-CoV-2 é transmitido homem-homem, ele teria uma grande vantagem para ganhar esta competição, em relação à dengue, que depende de um mosquito", disse Nicolelis, lembrando que a pesquisa se trata de um estudo epidemiológico, sem ter sido realizado qualquer estudo sorológico. A pesquisa aponta dados do Ministério da Saúde que mostram que os casos de dengue no Brasil, que começaram o ano em um ritmo muito mais acelerado do que em 2019, tiveram uma queda brusca a partir da semana epidemiológica de número 11 (encerrada em 13 de março), no mesmo momento em que houve uma aceleração dos casos de Covid-19. Mais do que isso, o surto de dengue se encerrou no país semanas antes do que no ano anterior, enquanto a Covid-19 avançava. "Ainda de acordo com a nossa hipótese, à medida que o coronavírus se espalhou mais rapidamente e infectou mais gente, sobrariam menos pessoas para serem contaminadas pelo vírus da dengue, e isso poderia explicar a queda repentina da curva de dengue este ano que ocorreu em todo o mundo", disse, minimizando a posição oficial das autoridades de saúde que apontam para possível subnotificação de dengue devido à pandemia. Outros países com surtos de dengue Para validar a observação feita no Brasil, Nicolelis expandiu a análise da correlação entre dengue e coronavírus para outros 15 países da América Latina, África e Ásia, e o comportamento se repetiu, segundo ele. Como exemplo, o pesquisador cita cidades a mais de 2.000 metros de altitude --onde não há dengue, uma vez que o mosquito transmissor não atinge esta altitude-- como locais com grande incidência de casos de Covid-19. "Quando a incidência de Covid-19 versus a incidência de dengue em 2019-2020 foi plotada para esses países, nós novamente obtivemos uma significativa correlação inversa exponencial. Em outras palavras, quanto mais casos de dengue um país teve durante a epidemia mundial de dengue em 2019 e nos primeiros meses de 2020, menos casos de Covid-19 o país registrou até julho de 2020. Basicamente, isso foi muito similar aos resultado obtidos usando dados para os Estados brasileiros", afirma o estudo. Como outra forma de controle do estudo, a equipe de Nicolelis também comparou as estatísticas de Covid-19 com os dados de chikungunya --doença também transmitida pelo mosquito Aedes aegypty-- no Brasil, e não houve qualquer correlação, segundo ele. Uma vez que ainda não há tratamento ou vacina disponíveis para Covid-19, Nicolelis defende que seu estudo pode abrir as portas para uma possível forma de combater a pandemia. "Evidentemente que este é um estudo preliminar do ponto de vista do que fazer, mas ele abre uma porta que pode ser rapidamente explorada, e se ela for verdadeira, você pode ter um grau de proteção para coronavírus se você teve dengue ou se você é imunizado para dengue. Eu não sei dizer qual é a porcentagem, mas ela é suficiente para aparecer nesses gráficos. Alguma coisa existe", afirmou. Initial plugin text Veja Mais

OMS diz que 2 bilhões de doses da vacina contra a Covid devem ser compradas pela aliança Covax

Glogo - Ciência Entidade informou que 156 países aderiram de fato à Covax, um número menor do que a OMS estimava. Brasil possui tradição no desenvolvimento e produção de vacinas Getty Images via BBC A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou nesta segunda-feira (21) que a aliança global Covax, que garantirá a compra e distribuição da vacina contra a Covid-19 aos países membros, começará os trabalhos nos próximos dias. A expectativa da OMS é que o grupo compre ao menos 2 bilhões de doses. O CEO da Vaccine Alliance, órgão que lidera a iniciativa junto com a OMS, Seth Berkley, explicou que, nos próximos dias, os países membros assinarão os termos do acordo. Segundo o CEO, o número de adesão à iniciativa foi menor do que o anunciado anteriormente. "Mais de 156 economias trabalharão juntas para garantir a vacina por meio da Covax", informou Berkley, afirmando que, mesmo que abaixo da expectativa de adesão, esta é a primeira vez que 64% dos países se unem para garantir uma vacina ao mundo. Até o dia 14, cerca de 170 países anunciaram o interesse em entrar para a Covax, entre eles, o Brasil. Doença que pausou testes da AstraZeneca pode não ter relação com a vacina, diz Oxford ESPECIAL: Candidatas a vacina para a Covid-19 Covax, a coalizão para garantir vacina contra coronavírus às nações mais pobres Governo brasileiro 'confirma intenção' de aderir à Covax, iniciativa que busca vacina para Covid-19 Berkley informou que outros 38 países confirmarão nos próximos dias se de fato irão participar da Covax. "Eles ainda não aderiram, mas demonstraram interesse em aderir." "Em seguida [aos acordos assinados com os países membros], na próxima fase dos trabalhos, começaremos a assinar os acordos formais com os produtores e desenvolvedores das vacinas”, disse o CEO da Vaccine Alliance. “A Covax está aberta para começar a funcionar agora”, garantiu o líder do Acelerador ACT, Bruce Aylward, que também lidera a Covax. Segundo a OMS, o Covax tem 9 vacinas no portfólio até o momento. Doses a serem garantidas A Diretora do Departamento de Imunização e Vacina da OMS, Kate O´Brien, explicou que ainda não há um número exato de doses que serão compradas, uma vez que a aliança precisa primeiro ter certeza de quantos países irão aderir à Covax, mas que o objetivo é comprar ao menos 2 bilhões de doses. "A quantidade de dois bilhões de doses se baseia em vacinas que precisam de duas doses", informou O´Brien. Até o momento, a Covax já garantiu, segundo Berkley, 850 milhões de doses. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesu, lembrou que, muitas das candidatas que fazem parte do portfólio da Covax ainda podem fracassar, contudo. "Quatro de cada cinco vacinas não chegam à sua comercialização, então precisaremos de muito mais acordos para chegar ao número de doses que queremos", explicou Tedros. Pessoas usam máscara de proteção contra o novo coronavírus no centro de Madri nesta sexta-feira (18) Manu Fernandez/AP Até esta segunda, o mundo registrou mais de 958 mil mortes por coronavírus e quase 31 milhões de casos confirmados em 216 países de acordo com a OMS. Ainda durante a coletiva, Tedros afirmou que, depois da Segunda Guerra Mundial, a pandemia é a maior crise global, e que ela demonstrou a importância da Organização das Nações Unidas (ONU) para o mundo. VÍDEOS: novidades sobre a vacina contra a Covid Initial plugin text Veja Mais

'Quem abusa de criança não tem transtorno mental, só se sente no direito'

Glogo - Ciência Presidente do Instituto Liberta, que atua no combate à exploração sexual de crianças e adolescentes, a advogada Luciana Temer defende regulamentação para a pornografia e rebate a ideia de que o abuso sexual de crianças e adolescentes é uma violência excepcional e praticada por 'monstros'. Luciana Temer é presidente do Instituto Liberta, que atua no combate à exploração sexual de crianças e adolescentes BBC O discurso de que o abuso sexual de crianças e adolescentes é uma violência excepcional e praticada por "monstros" é parte das ideias que a advogada Luciana Temer quer combater. "Minha briga é mostrar para as pessoas que essa violência não é excepcional, é cotidiana. Mais do que cotidiana, ela é praticada por pessoas de bem", diz. "As pessoas que abusam de crianças não têm, a princípio, grave transtorno mental, elas só se sentem no direito. E se sentem no direito porque somos uma sociedade que permite. A gente permite porque fica em silêncio." Luciana Temer é presidente do Instituto Liberta, que atua no combate à exploração sexual de crianças e adolescentes, e professora da Faculdade de Direito da PUC-SP. Foi delegada de polícia, secretária da Juventude, Esporte e Lazer do Estado de São Paulo e secretária de Assistência e Desenvolvimento Social do município de São Paulo. Em entrevista à BBC News Brasil, ela defende a necessidade de começar a discutir uma regulamentação da pornografia — que ela diz ter "tudo a ver com gatilho de violência sexual contra crianças e adolescentes". "Estamos em uma delicadeza que é: como enfrentar a questão da pornografia, da violência, da sexualização precoce, sem cair em um discurso conservador, reacionário, de abstinência sexual? Esse cuidado, neste momento, temos que ter." A advogada diz que o erro do Brasil, até aqui, consiste em não enxergar o problema da violência contra crianças e adolescentes, cujo debate normalmente fica concentrado em casos específicos, como o da menina de 10 anos estuprada pelo tio desde os seis. Enquanto isso, a cada hora, quatro meninas de até 13 anos são estupradas no país, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2019. A professora também diz ter medo de que o Brasil retroceda no que chama de "poucas conquistas" no âmbito do combate à violência sexual, como o aborto legal (previsto, por exemplo, em casos de estupro). E defende a necessidade de falar sobre sexualidade nas escolas para que as crianças possam se proteger de eventuais situação de abuso. "A família protege? Então por que mais de 70% dos casos de violência sexual acontecem dentro das residências, a maioria com pessoas próximas — parentes e conhecidos? Esta ideia romântica de que a família é o espaço de proteção absoluta precisa ser rompida." O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos divulgou em maio balanço do Disque 100 que aponta que a violência sexual contra crianças e adolescentes acontece, em 73% dos casos, na casa da própria vítima ou do suspeito. A cada hora, quatro meninas de até 13 anos são estupradas no país, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2019 Getty Images Leia, a seguir, os principais pontos da entrevista (e, no fim desta reportagem, veja como denunciar): Regras para a pornografia O conteúdo pornográfico disponível na internet incita a violência sexual contra crianças e adolescentes, segundo a advogada. Ela aponta que o termo "novinha" (ou teen porn, em inglês), é o mais procurado. E descreve a navegação em um site pornográfico: "Vou encontrar os seguintes títulos: ´pai se divertindo com a filha´, ´professor dando nota pra aluna´ e assim sucessivamente. Abertos, gratuitos. Isso é crime? Não, essas meninas são atrizes e estão simulando situações: o pai não é o pai da menina, ela tem mais de 18 anos, mas ela está de maria chiquinha, deitada na cama, e a simulação é que a mãe vai trabalhar e o pai entra no quarto da filha. Isto é um gatilho de violência, incitação a um tipo de violência. E minha discussão é: por que a gente permite?" "Porque não tem importância. A hora que um cara correto, legal, que tem namorada, abre o site pornográfico e vê esse título, ele não se choca, não se incomoda, não percebe a violência que tá ali. Nossa sociedade não se incomoda quando vê uma menina que nitidamente tem menos de 18 anos com um homem mais velho, na praia. Nem vai chamar a polícia." Ela defende uma regulamentação da pornografia para tirar o tema da sombra. "Tem que proibir vídeo chamando ´pai se diverte com a filha´. Não pode." "Estamos em processo de conservadorismo tão grande no Congresso Nacional, que eu tenho medo de levantar uma temática dessas e ela ser capturada por um movimento conservador que não tem nada a ver com esta lógica, que é de perseguição a liberdades, inclusive a sites pornográficos, e não é isso. Estamos em uma delicadeza que é: como enfrentar a questão da pornografia, da violência, da sexualização precoce, sem cair em um discurso conservador, reacionário, de abstinência sexual?" Além da questão da simulação do abuso de crianças e adolescentes e do aumento do consumo desse tipo de pornografia durante a quarentena, Luciana Temer aponta que as crianças têm acesso cada vez mais cedo a conteúdos de sexo que contêm violência. "Há 25 anos, quando um menino ou menina começava a ter curiosidade sexual, pegava uma revista do pai, que ia ter foto de mulher pelada, e começava a descobrir por si só a sexualidade. Hoje um menino de 11 anos dá um Google e vai ter acesso a todos os sites pornográficos, gratuitamente. (...) Aos 15, 16, ele já está entediado com o que está vendo. E aí você parte para filmes talvez mais violentos, inclusive." Falar sobre sexualidade nas escolas Luciana Temer: 'ideia romântica de que família é espaço de proteção absoluta precisa ser rompida' Getty Images Diferentemente da violência contra a mulher, que entrou na pauta de discussão nos últimos anos, Luciana Temer diz que o abuso de crianças e adolescentes está fora do debate — e esse é o problema hoje, na avalição dela. "Até agora, o Brasil não enxergou este problema. Meu medo é que a gente faça mais errado ainda. Meu medo atual é que a gente retroceda nas poucas conquistas que a gente teve", diz. Entre possíveis retrocessos, ela cita a discussão, por parlamentares, de retirar da legislação a permissão do aborto legal em casos de estupro. Hoje, o artigo 128 do Código Penal permite o aborto em casos de estupro e se não há outro meio de salvar a vida da gestante. E uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) permitiu também o aborto em casos de feto anencéfalo. Outro risco, na avaliação dela, é não falar sobre sexualidade nas escolas. "Como posso acreditar que tenho que deixar questão da sexualidade única e exclusivamente para os pais, quando sei que a maioria das violências acontecem dentro da residência, por pessoas conhecidas, inclusive pais, padrastos, tios, avós? Eu não posso tirar da escola essa possibilidade de discutir sexualidade, desde com crianças muito pequenas - para que, se vítimas, possam identificar e falar sobre elas — até meninas adolescentes, que se sentem culpadas pela violência que sofrem." "Esta ideia de que a família protege é uma ideia romântica. A família protege? Então por que mais de 70% dos casos de violência sexual acontecem dentro das residências, a maioria com pessoas próximas — parentes e conhecidos? Esta ideia romântica de que a família é o espaço de proteção absoluta precisa ser rompida." É também devido à violência dentro de casa que ela se posiciona contra a possibilidade de educação de crianças exclusivamente no domicílio. "Com altíssimos índices de violência intrafamiliar, você não pode tirar da criança o direito de ir pra escola. Um dos problemas gravados no confinamento é justamente que a criança não está tendo acesso ao espaço onde tem um adulto de confiança a quem pode denunciar, que é a escola." 'Não é pedofilia' Luciana Temer aponta que o uso do termo "pedofilia" para caracterizar as violências contra crianças e adolescentes não é adequada, já que se trata de um transtorno mental, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A pedofilia é classificada pela OMS como uma "preferência persistente ou predominante pela atividade sexual com crianças ou criança pré-púberes". "Ser um pedófilo não significa que eu seja um criminoso — posso me tratar e nunca praticar crime. (...) As pessoas que abusam de crianças não têm, a princípio, grave transtorno mental, elas só se sentem no direito. E se sentem no direito porque somos uma sociedade que permite. A gente permite porque fica em silêncio. Se eu tenho pessoa na família que sofre violência sexual eu prefiro abafar essa questão, 'afinal seu tio é meio maluco mesmo, só não vou deixar você com ele', porque assim acho que não estou estigmatizando meu filho ou filha." "Quando você fala de pedófilo, você fala de monstro, uma coisa excepcional. A minha briga é mostrar para as pessoas que essa violência não é excepcional, é cotidiana. Mais do que cotidiana, ela é praticada por pessoas de bem. Por que uma pessoa como João de deus praticou durante anos violência sexual contra mulheres que não denunciaram? Ou as poucas denúncias foram desacreditadas? Porque ele é um homem do bem. A gente não imagina que o violador sexual pode ser essa figura. A gente está falando de pais que abusam de filhas dentro de casa, ou tios, ou avós, e que são pessoas queridas da família." Ela diz que a sociedade precisa mudar a forma como encara o crime sexual. "A vítima não pode ser de nenhuma forma estigmatizada ou olhada de um jeito estranho porque foi vítima de crime sexual. Enquanto a gente faz isso, a gente silencia, deixa impune e permite a perpetuação desse crime." Como denunciar violência sexual? Se a violência estiver acontecendo neste momento ou a criança estiver correndo risco imediato, a recomendação de especialistas é de ligar para a polícia. A Polícia Militar pode ser acionada pelo número 190 em casos gerais de necessidade imediata ou socorro rápido. A ligação é gratuita. Outros números são o 192, do serviço de atendimento médico de emergência, e o 193, do Corpo de Bombeiros. Pelo Disque 100, que também é uma ligação gratuita e funciona 24 horas, é possível fazer denúncias de violações de direitos humanos. A denúncia é anônima e pode ser feita por qualquer pessoa. Também é possível fazer a denúncia pelo aplicativo Proteja Brasil, disponível para iOs e Android. Veja Mais

Governo 'confirma intenção' de aderir à Covax, iniciativa que busca vacina para Covid-19

Glogo - Ciência Prazo original para a inscrição no programa vai até a meia-noite desta sexta (18). Obter uma vacina com eficácia comprovada não será suficiente para conter a pandemia, pois será necessário garantir sua distribuição Reuters O governo federal anunciou, por volta das 21h30 desta sexta-feira (18), que "confirma a intenção" de aderir à Covax Facility, programa mundial para impulsionar o desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19. O prazo original para inscrição vai até a meia-noite desta sexta. (Veja íntegra da nota ao final desta reportagem). Na quinta (17), o país havia solicitado à Aliança Global de Vacinação (Gavi, na sigla em inglês) uma extensão do prazo, que termina à meia-noite, para formalizar seu envolvimento. A Secretaria de Comunicação Social informou ao G1 que o prazo foi estendido, e que a confirmação de intenção não sinaliza que o Brasil já aderiu ao programa. O G1 entrou em contato com a Gavi para confirmar a extensão do prazo, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. Na quinta-feira, a agência de notícias Reuters apurou com um representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) que "vários países da América Latina" manifestaram a intenção de solicitar que o prazo seja estendido. Doença que pausou testes da AstraZeneca pode não ter relação com a vacina, diz Oxford ESPECIAL: Candidatas a vacina para a Covid-19 Covax, a coalizão para garantir vacina contra coronavírus às nações mais pobres Vacinas mais avançadas contra a covid-19 estão sendo testadas no Brasil Reuters via BBC Mais de 170 países aderiram à Covax, uma alocação global de vacinas contra o novo coronavírus coliderada pela OMS que visa impulsionar o desenvolvimento de vacinas para combater a pandemia de Covid-19, informou o diretor-geral da instituição, Adhanom Ghebreyesus. "Mais de 170 países aderiram à Covax, ganhando acesso garantido ao maior portfólio mundial de vacinas candidatas", afirmou Tedros, em comentários pré-gravados em um webinar na quinta. O diretor também pediu que os países aderissem à iniciativa. “Exorto os países que ainda não aderiram à Covax a fazê-lo até o prazo de amanhã”, disse. Veja a íntegra da nota do governo: "O governo brasileiro, após tratativas com a Aliança GAVI, confirma a intenção de aderir à COVAX Facility, iniciativa inédita que tem como objetivo acelerar o desenvolvimento e proporcionar mundialmente o acesso equitativo a vacinas contra a Covid-19. O Ministério da Saúde tem atuado em diversas frentes para alcançar com agilidade e segurança uma solução efetiva para a cura da Covid-19. A aquisição de uma vacina segura e eficaz é prioridade do governo federal." VÍDEOS: Vacinas para a Covid-19 VÍDEO Initial plugin text Veja Mais

Restrições são retomadas em países da Europa para conter aumento nos casos de coronavírus

Glogo - Ciência Países temem uma possível segunda onda de infecções da Covid-19; continente chegou a ser considerado o epicentro da pandemia de Covid-19 entre março e abril. Freira sobe as escadas da estação de metrô na Praça do Sol, centro de Madri, nesta sexta-feira (18) Manu Fernandez/AP eses o Países da União Europeia voltaram a decretar medidas de distanciamento social e restrições de deslocamento para conter um novo avanço da pandemia de Covid-19 na região. Nesta sexta-feira (18), a capital da Espanha decretou o bloqueio em zonas que abrigam 13% da população de Madri. No sul da França, a cidade de Nice voltou a proibir reuniões de mais de 10 pessoas em espaços públicos. A Dinamarca e a Grécia já oficializaram também a imposição de limite de pessoas em reuniões, fechamento de bares e o aumento nas restrições em áreas mais afetadas. No sentido contrário, o governo da Itália anunciou que, a partir do próximo domingo, as competições esportivas ao ar livre poderão receber até 1 mil espectadores. Fora do bloco europeu, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, reconheceu que uma segunda onda de contágios pelo coronavírus é inevitável, mas procura não falar em um novo lockdown – fechamento total do país. A Organização Mundial da Saúde (OMS) expressou preocupação nesta quinta-feira (17) com a aceleração da pandemia na Europa em setembro. No dia 11, segundo a entidade, o continente alcançou um recorde diário de casos, com 54 mil registros em 24 horas. Fechamento em Madri Pessoas usam máscara de proteção contra o novo coronavírus no centro de Madri nesta sexta-feira (18) Manu Fernandez/AP Epicentro da pandemia da Covid-19 na Espanha, o governo de Madri anunciou que, a partir da próxima segunda (21), moradores de algumas áreas da capital terão restrições de mobilidade. A medida afeta cerca de 13% da população da capital. Os moradores destas zonas poderão sair de seus bairros apenas para tratar de "questões básicas", como trabalhar, ir ao médico, ou levar os filhos à escola. Além disso, reuniões estarão limitadas a um máximo de seis pessoas. A Espanha em mais de 640 mil casos confirmados de Covid-19. Restrições em Nice (França) Mulheres usam máscaras protetoras após um mergulho em uma praia do Mediterrâneo em Nice, no sul da França, neste sábado (16) Valery Hache / AFP A cidade de Nice, na Riviera Francesa, vai proibir as reuniões de mais de 10 pessoas em espaços públicos. A medida tenta conter uma alta no número de infecções por Covid-19 na região. A cidade tem uma incidência 3 vezes maior que a do resto do país – com 150 casos por 100 mil habitantes. Apenas nas últimas 24 horas, a França registrou um recorde de 13.201 casos novos confirmados de coronavírus, de acordo com o Ministério da Saúde. Essa foi a contagem diária mais alta do país desde o início da pandemia. Reino Unido: '2ª onda de contágios é inevitável' Centro de testes para o diagnóstico do coronavírus em Southampton, na Inglaterra, nesta quarta-feira (16) Andrew Matthews/AP O novo coronavírus está em aceleração em todo o Reino Unido, com as internações por Covid-19 dobrando a cada oito dias, disse nessa sexta o ministro da Saúde britânico, Matt Hancock. Ele não confirmou, no entanto, se outra quarentena nacional será imposta no próximo mês. O primeiro-ministro, Boris Johnson, afirmou que uma segunda onda de contágios de coronavírus é inevitável, mas disse que não quer decretar uma nova quarentena, e que há estudos sobre todas as possibilidades. O Reino Unido tem o 5º maior número de mortes provocadas pelo novo coronavírus do mundo, atrás de Estados Unidos, Brasil, Índia e México, de acordo com dados da universidade americana Johns Hopkins. Dinamarca e Grécia Na Dinamarca, a primeira-ministra Mette Frederiksen decretou que o limite de pessoas em reuniões públicas vai ser reduzido de 100 para 50 pessoas. Além disso, bares e restaurantes fecharão mais cedo. Na sexta-feira, o país registrou 454 novas infecções, número próximo ao recorde de 473 em abril. Na Grécia, que saiu praticamente ilesa da primeira onda de Covid-19 que atingiu a Europa em março e abril, o primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis disse que o governo está pronto para apertar as restrições na área da grande Atenas à medida que os casos se acelerassem. Italia amplia a reabertura As arquibancadas ao redor da quadra central do 'Foro Italico' são vistas vazias durante uma partida entre Novak Djokovic e Salvatore Caruso no Aberto da Itália, em Roma, na quarta-feira (16) Alfredo Falcone/LaPresse via AP Diferente dos outros países da região, a Itália já anunciou a volta de competições esportivas com torcida de até 1 mil pessoas. A medida passa a valer a partir de domingo, às vésperas do início da nova temporada do futebol. A Itália, que no fim de agosto registrou o maior número de novas infecções por Covid-19 desde maio, reabriu a maioria das escolas na segunda-feira (14). O país registra 293 mil casos totais e 35,6 mil mortos pela doença. VÍDEOS: Notícias internacionais o Initial plugin text Veja Mais

Anvisa autoriza ampliação do número de voluntários para teste da vacina da Pfizer contra a Covid

Glogo - Ciência Com a liberação, o número de participantes no Brasil dobrará de 1 mil para 2 mil e aumentará a faixa etária dos recrutados, incluindo adolescentes de 16 e 17 anos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, nesta sexta-feira (18), que mais 1 mil voluntários participem da fase 3 do estudo clínico da vacina da farmacêutica Pfizer e da empresa alemã BioNTech. Com isso, o país terá 2 mil voluntários na última etapa de testes do imunizante contra a Covid-19. O perfil dos voluntários continua o mesmo, mas a faixa etária foi ampliada – a idade mínima passa de 18 anos para 16 anos. Os centros de testagem serão mantidos na Bahia e em São Paulo. BioNTech e Pfizer: vacina induziu resposta imune 'robusta', mostram resultados preliminares Pfizer e BioNTech solicitam ampliação de testes de vacina contra Covid-19 Os testes da Pfizer e da BioNTech contra a Covid são desenvolvidos por pesquisadores de laboratórios dos Estados Unidos e da Alemanha. Os estudos estão na fase 3, a última etapa. A Anvisa aprovou as pesquisas dessa vacina entre os brasileiros em 22 de julho. O imunizante exige duas doses, com um intervalo de três semanas. Pfizer inicia teste de vacina com voluntários no Brasil Em agosto, resultados preliminares indicaram que a vacina induziu uma resposta imune "robusta" e não teve efeitos colaterais graves em voluntários adultos. A Pfizer já concordou em vender 100 milhões de doses de sua vacina ao governo dos Estados Unidos, oferecendo uma opção de compra de mais 500 milhões. A empresa também negociou 200 milhões de doses com a União Europeia e o Japão comprou 120 milhões de doses até a primeira metade de 2021. Vacina de Oxford A chegada de novos participantes durante os estudos clínicos permite a inclusão de mais dados sobre a eficácia e segurança, além de aumentar a diversidade. Na terça-feira (15), a Anvisa também autorizou que mais 5 mil voluntários participem da fase 3 da vacina de Oxford no Brasil, desenvolvida pela universidade em parceria com a farmacêutica AstraZeneca. Com a permissão, o país terá 10 mil voluntários. A seleção dos novos participantes é feita sem limite de idade, sendo que os idosos acima de 70 anos têm prioridade. Também serão abertos três centros extras de aplicação dos testes: São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia continuarão recebendo voluntários, mas novos núcleos serão criados em Natal (RN), Porto Alegre (RS) e em Santa Maria (RS). Nove vacinas na última fase de testes Nove vacinas estão na terceira e última fase de testes em humanos, a última antes da liberação pelas autoridades sanitárias e de saúde. Janssen Pharmaceutical Companies (EUA) Moderna/Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (EUA) BioNTech/Fosun Pharma/Pfizer (Alemanha e EUA) Sinovac (China) Instituto de Produtos Biológicos de Wuhan/Sinopharm (China) Instituto de Produtos Biológicos de Pequim/Sinopharm (China) CanSino Biological Inc./Instituto de Biotecnologia de Pequim (China) Instituto de Pesquisa Gamaleya (Rússia) Universidade de Oxford anuncia a retomada dos testes com vacina contra Covid VÍDEOS: novidades sobre a vacina contra a Covid-19 Initial plugin text Veja Mais

Ig Nobel, prêmio para os mais 'irrelevantes' da ciência, dá troféu a Bolsonaro, Trump e outros líderes

Glogo - Ciência Presidentes ganharam na categoria 'educação médica'. Ig Nobel celebrou a 30ª edição neste ano. Jair Bolsonaro, Donald Trump, Vladimir Putin, e outros líderes, ganharam o IgNobel de educação médica por provarem que podem ter um efeito mais imediato em uma pandemia do que cientistas e médicos Reprodução/IgNobel O Ig Nobel 2020 foi apresentado nesta quinta-feira (17) com a distribuição de 10 prêmios para os fatos mais inusitados e/ou irrelevantes da ciência mundial. O evento, que geralmente é feito em um teatro da Universidade de Harvard, desta vez foi transmitido on-line devido à Covid-19. Veja os vencedores por categoria: Educação médica: Jair Bolsonaro, Donald Trump, Vladimir Putin, e outros líderes, ganharam por provar que podem ter um efeito mais imediato sobre a vida e a morte do que cientistas e médicos. Economia: Cientistas do Brasil, Escócia, Polônia, França, Chile, Colômbia, Austrália e Itália tentaram quantificar a relação entre países desiguais e a taxa média de beijos na boca. Física: Pesquisadores da Austrália, Ucrânia, França, Itália, Alemanha, Reino Unido e África do Sul mostraram o que acontece com o corpo de uma minhoca ao vibrá-lo em alta frequência. Medicina: Da Bélgica e da Holanda, cientistas diagnosticaram uma nova doença psiquiátrica: misofonia, pacientes que sofrem por ouvir outra pessoa mastigando. Administração: Venceram cinco chineses assassinos que foram delegando a tarefa de matar uma pessoa um para o outro, mas ninguém conseguiu praticar o crime. Paz: Governos da Índia e do Paquistão venceram por deixarem seus diplomatas tocarem as campainhas uns dos outros no meio da noite e depois fugirem. Acústica: Equipe da Áustria, Suécia, Japão, Estados Unidos e Suíça induziram o grito de um crocodilo chinês após inalar gás hélio. Psicologia: Pesquisadores dos EUA e do Canadá desenvolveram um método para identificar pessoas narcisistas por meio das sobrancelhas. Entomologia: Cientista americano fez uma revisão de estudos sobre especialistas em insetos com aracnofobia - medo de aranhas. Materiais: Pesquisadores criaram uma faca feita de fezes para tentar repetir história descrita em livro. O objetivo do prêmio é "celebrar o incomum, homenagear a imaginação e estimular o interesses das pessoas na ciência, na medicina e na tecnologia", disseram os organizadores. Os vencedores recebem 10 trilhões de dólares do Zimbábue, moeda muito desvalorizada, sem valor em comparação com o dólar americano. Prêmio em 2019 Silvano Gallus levou o prêmio de medicina por defender que a pizza pode proteger contra doenças e a morte. Brian Snyder/Reuters No ano passado, um estudo sobre se a pizza fabricada e a comida na Itália ajudam a prevenir o câncer e um outro sobre a temperatura do escroto foram os ganhadores do prêmio. Cientistas que mediram o volume da saliva de crianças e outros que estudaram o prazer de aliviar a coceira também foram destacados na edição passada do Ig Nobel. Pizza contra câncer e estudo sobre temperatura do escroto ganham prêmio Ig Nobel 2019 Ig Nobel 2017 premia pesquisas sobre música intravaginal, gatos líquidos e orelhas grandes de idosos Veja as pesquisas 'que fazem rir' premiadas com o Ig Nobel 2016 Veja Mais

A extraordinária região 'cheia de atividade caótica e espumosa' explorada pela missão Voyager fora do Sistema Solar

Glogo - Ciência Depois que as sondas espaciais Voyager 1 e 2 conseguiram sair do Sistema Solar, muito mais se aprendeu sobre o espaço entre as estrelas no Universo. O Sol produz uma barragem constante de partículas de alta energia conhecidas como vento solar, que podem subir e descer com a atividade de nossa estrela Nasa via BBC O misterioso vácuo escuro do espaço interestelar está finalmente sendo revelado pelas duas espaçonaves que se tornaram os primeiros objetos feitos pelo homem a deixar nosso Sistema Solar. Longe do abraço protetor do Sol, a borda de nosso sistema solar parece ser um lugar frio, vazio e escuro. O espaço aberto entre nós e as estrelas mais próximas foi durante muito tempo considerado uma extensão assustadoramente vasta de nada. Até recentemente, era um lugar que a humanidade só podia espiar de longe. Os astrônomos prestaram uma atenção apenas passageira, preferindo focar seus telescópios nas massas brilhantes de estrelas, galáxias e nebulosas vizinhas. Mas duas espaçonaves construídas e lançadas na década de 1970 têm nos últimos anos enviado de volta nossos primeiros vislumbres desta estranha região que chamamos de espaço interestelar. Gás, água e gelo: entenda o que a ciência já achou e onde concentra as buscas por vida fora da Terra Como os primeiros objetos feitos pelo homem a deixar nosso Sistema Solar, elas estão se aventurando em um território desconhecido, a bilhões de quilômetros de casa. Nenhuma outra espaçonave viajou tão longe. E elas revelaram que, além dos limites de nosso Sistema Solar, existe uma região invisível de atividade caótica e espumante. A nave espacial Voyager, do tamanho de um carro, foi lançada em 1977 e agora está transmitindo dados do espaço interestelar Nasa via BBC "Quando você olha para diferentes partes do espectro eletromagnético, essa área do espaço é muito diferente da escuridão que percebemos com nossos olhos", diz Michele Bannister, astrônoma da Universidade de Canterbury em Christchurch, Nova Zelândia, que estuda os limites externos do Sistema Solar. "Os campos magnéticos estão lutando, empurrando e amarrados uns aos outros. A imagem que você deve ter em mente é como a de uma piscina embaixo das Cataratas do Niágara." Em vez da queda de água, no entanto, a turbulência é resultado do vento solar (um fluxo constante e poderoso de partículas carregadas, ou plasma, espalhando-se em todas as direções a partir do Sol), conforme se choca em um coquetel de gás, poeira e raios cósmicos que sopram entre sistemas estelares, conhecido como "meio interestelar". Cientistas estão construindo uma imagem da composição do meio interestelar, em grande parte graças a observações com telescópios de rádio e raios-X. Anúncio de sinal de vida em Vênus é 'imprudente' e 'precipitado', diz astrofísica brasileira associada à Nasa Eles revelaram que é composto de átomos de hidrogênio ionizados extremamente difusos, poeira e raios cósmicos intercalados com densas nuvens moleculares de gás que se acredita serem o local de nascimento de novas estrelas. Mas a exata natureza fora de nosso sistema solar tem sido um grande mistério, principalmente porque o Sol, os oito planetas e um distante disco de detritos conhecido como Cinturão de Kuiper estão todos contidos dentro de uma bolha protetora gigante formada pelo vento solar, conhecido como heliosfera. À medida que o Sol e seus planetas circundantes se lançam pela galáxia, esta bolha se espalha contra o meio interestelar como um escudo invisível, mantendo longe a maioria dos raios cósmicos nocivos e outros materiais. Mas suas propriedades também tornam mais difícil estudar o que está além da bolha. Mesmo determinar seu tamanho e forma é difícil a partir do lado de dentro. "É como se você estivesse dentro de sua casa e quisesse saber como é. Você tem que ir lá fora e dar uma olhada para realmente dizer", afirma Elena Provornikova, pesquisadora de pós-doutorado no Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins. "A única maneira de ter uma ideia é viajar para longe do Sol, olhar para trás e tirar uma imagem de fora da heliosfera." Esta não é uma tarefa simples. Em comparação com toda a Via Láctea, nosso Sistema Solar parece menor do que um grão de arroz flutuando no meio do Pacífico. E, no entanto, a borda externa da heliosfera ainda está tão distante que levou mais de 40 anos para as espaçonaves Voyager 1 e Voyager 2 chegarem lá depois de partir da Terra. Voyager 1 Nasa A Voyager 1, que tomou uma rota mais direta através do Sistema Solar, passou para o espaço interestelar em 2012, antes da Voyager 2 se juntar a ela em 2018. Atualmente a cerca de 13 bilhões e 11 bilhões de milhas da Terra, respectivamente, elas estão agora se afastando cada vez mais para o espaço além do nosso Sistema Solar, enviando de volta mais dados. O que essas duas sondas antigas revelaram sobre a fronteira entre a heliosfera e o meio interestelar forneceu novas pistas sobre como nosso Sistema Solar se formou e como a vida na Terra é possível. Longe de ser uma fronteira nítida, a borda do nosso Sistema Solar realmente se agita com campos magnéticos turbulentos, tempestades de vento estelares conflitantes, tempestades de partículas de alta energia e radiação em redemoinho. Fusão de dois buracos negros em um só com massa 142 vezes maior que a do Sol é captada pela 1ª vez O tamanho e a forma da bolha da heliosfera se alteram conforme a saída do Sol muda e conforme passamos por diferentes regiões do meio interestelar. Quando o vento solar sobe ou desce, ele muda a pressão externa na bolha. Em 2014, a atividade do Sol aumentou, enviando o que equivalia a um furacão de vento solar varrendo o espaço. A explosão atingiu Mercúrio e Vênus rapidamente a cerca de 800 km por segundo. Após dois dias e 150 milhões de km, envolveu a Terra. Felizmente, o campo magnético do nosso planeta nos protegeu de sua radiação poderosa e prejudicial. Imagem de satélite mostra a Terra vista do espaço Nasa/NOAA A rajada passou por Marte um dia depois e continuou através do cinturão de asteroides em direção aos gigantes gasosos distantes — Júpiter, Saturno, Urano e depois de mais de dois meses, Netuno, que orbita cerca de 4,5 bilhões de km do sol. Depois de mais de seis meses, o vento finalmente atingiu um ponto a mais de 13 bilhões de km do Sol, conhecido como "choque de terminação". Aqui, o campo magnético do Sol, que impulsiona o vento solar, torna-se fraco o suficiente para que o meio interestelar o empurre. A rajada de vento solar emergiu do choque de terminação viajando a menos da metade de sua velocidade anterior — é o furacão rebaixado para uma tempestade tropical. Então, no final de 2015, ele ultrapassou a forma irregular da Voyager 2, que tem o tamanho de um carro pequeno. A onda de plasma foi detectada pelas tecnologias de detecção da Voyager, alimentadas por uma bateria de plutônio de decomposição lenta. A sonda enviou dados de volta para a Terra, que mesmo na velocidade da luz levou 18 horas para chegar até nós. Os astrônomos só podiam receber as informações da Voyager graças a uma enorme matriz de antenas parabólicas de 70 metros e tecnologia avançada que não tinha sido imaginada, muito menos inventada, quando a sonda deixou a Terra, em 1977. A onda de vento solar atingiu a Voyager 2 enquanto ela ainda estava dentro de nosso Sistema Solar. Pouco mais de um ano depois, os últimos suspiros do vento alcançaram a Voyager 1, que havia cruzado para o espaço interestelar em 2012. As diferentes rotas percorridas pelas duas sondas significavam que uma estava cerca de 30 graus acima do plano solar, e a outra, a mesma quantidade abaixo. A explosão do vento solar os atingiu em diferentes regiões em momentos diferentes, o que forneceu pistas úteis sobre a natureza da heliopausa. Os dados revelaram que a fronteira turbulenta tem milhões de quilômetros de espessura. Ela cobre bilhões de quilômetros quadrados ao redor da superfície da heliosfera. A heliosfera também é inesperadamente grande, o que sugere que o meio interestelar nesta parte da galáxia é menos denso do que as pessoas pensavam. O Sol corta um caminho através do espaço interestelar como um barco se movendo na água, criando uma "onda de proa" e estendendo uma esteira atrás dela, possivelmente com uma cauda (ou caudas) em formas semelhantes às dos cometas. Ambas as Voyagers saíram pelo "nariz" da heliosfera e, portanto, não forneceram informações sobre a cauda. "A estimativa com base nas Voyagers é que a heliopausa tem cerca de uma unidade astronômica de espessura (93 milhões de milhas, que é a distância média entre a Terra e o Sol)", diz Provornikova. "Não é realmente uma superfície. É uma região com processos complexos. E não sabemos o que está acontecendo lá." Não apenas os ventos solares e interestelares criam um cabo de guerra turbulento na fronteira, mas as partículas parecem trocar de carga e impulso. Como resultado, uma parte do meio interestelar torna-se convertida em vento solar, aumentando o impulso para fora da bolha. E embora uma onda de vento solar possa fornecer dados interessantes, parece ter um efeito surpreendentemente pequeno no tamanho e forma geral da bolha. Parece que o que acontece fora da heliosfera é muito mais importante do que o que acontece dentro. O vento solar pode aumentar ou diminuir com o tempo, sem parecer afetar drasticamente a bolha. Mas se essa bolha se mover para uma região da galáxia com vento interestelar mais denso ou menos denso, ela encolherá ou aumentará. No entanto, muitas perguntas permanecem sem resposta, incluindo aquelas sobre o quão típica pode ser nossa bolha protetora do vento solar. Provornikova diz que entender mais sobre nossa própria heliosfera pode nos ajudar a responder sobre se estamos sozinhos no universo. "O que estudamos em nosso próprio sistema vai nos dizer sobre as condições para o desenvolvimento da vida em outros sistemas estelares", diz ela. Boitatá e Breaking Bad: as curiosidades envolvendo a fosfina, encontrada em Vênus Isso ocorre principalmente porque, ao manter o meio interestelar sob controle, o vento solar também impede um bombardeio de radiação e partículas mortais de alta energia (como os raios cósmicos) do espaço profundo. Os raios cósmicos são prótons e núcleos atômicos fluindo pelo espaço quase à velocidade da luz. Eles podem ser gerados quando as estrelas explodem, quando as galáxias colapsam em buracos negros e outros eventos cósmicos cataclísmicos. A região fora de nosso Sistema Solar é densa com uma chuva constante dessas partículas subatômicas de alta velocidade, que seriam poderosas o suficiente para causar envenenamento por radiação mortal em um planeta menos protegido. "A Voyager definitivamente disse que 90% dessa radiação é filtrada pelo Sol", diz Jamie Rankin, pesquisador de heliofísica da Universidade de Princeton e a primeira pessoa a escrever uma tese de doutorado com base nos dados interestelares das Voyagers. "Se não tivéssemos o vento solar nos protegendo, não sei se estaríamos vivos." Três sondas adicionais da Nasa logo se juntarão às Voyagers no espaço interestelar, embora duas já tenham ficado sem energia e parado de retornar dados. Essas pequenas alfinetadas na fronteira gigante fornecerão apenas informações limitadas por conta própria. Felizmente, uma observação mais abrangente pode ser feita mais perto de casa. O International Boundary Explorer da Nasa (Ibex), um minúsculo satélite que orbita a Terra desde 2008, detecta partículas chamadas de "átomos energéticos neutros" que passam pela fronteira interestelar. O Ibex cria mapas tridimensionais das interações que acontecem ao redor da borda da heliosfera. "Você pode pensar nos mapas do Ibex como uma espécie de 'radar Doppler 'e as Voyagers como estações meteorológicas no solo", diz Rankin. Ela usou dados das Voyagers, Ibex e outras fontes para analisar surtos menores do vento solar e atualmente está trabalhando em um artigo baseado na explosão muito maior que começou em 2014. Até agora, as evidências mostram que a heliosfera estava encolhendo quando a Voyager 1 ultrapassou a fronteira, mas estava se expandindo novamente quando a Voyager 2 a cruzou. "É um limite bastante dinâmico", diz ela. "É incrível que essa descoberta tenha sido capturada nos mapas 3D da Ibex, o que nos permitiu rastrear as respostas locais das Voyagers ao mesmo tempo." O Ibex revelou o quão dinâmico o limite pode ser. Em seu primeiro ano, detectou uma fita gigante de átomos energéticos serpenteando pela fronteira que mudou ao longo do tempo, com características aparecendo e desaparecendo tão rapidamente quanto seis meses. A fita é uma região no nariz da heliosfera onde as partículas do vento solar ricocheteiam no campo magnético galáctico e são refletidas de volta para o Sistema Solar. Mas há uma surpresa na história das Voyager. Embora tenham deixado a heliosfera, elas ainda estão dentro do alcance de muitas das outras influências do nosso Sol. A luz do Sol, por exemplo, seria visível a olho nu a partir de outras estrelas. A gravidade de nossa estrela também se estende bem além da heliosfera, mantendo no lugar uma esfera esparsa e distante de gelo, poeira e detritos espaciais conhecida como Nuvem de Oort. Os objetos de Oort ainda orbitam o Sol, apesar de flutuarem muito no espaço interestelar. Embora alguns cometas tenham órbitas que vão até a nuvem de Oort, uma região de 300 a 1.500 bilhões de km é geralmente considerada muito distante para que possamos enviar nossas próprias sondas. Esses objetos distantes quase não mudaram desde o início do Sistema Solar e podem conter as chaves para tudo, desde como os planetas se formam até a probabilidade de vida em nosso universo. E com cada onda de novos dados, novos mistérios e questões também surgem. Provornikova diz que pode haver uma capa de hidrogênio cobrindo parte ou toda a heliosfera, cujos efeitos ainda não foram decodificados. Além disso, a heliosfera parece estar se transformando em uma nuvem interestelar de partículas e poeira remanescente de antigos eventos cósmicos cujos efeitos sobre a fronteira (e sobre aqueles de nós que vivem dentro dela) não foram previstos. "Isso pode mudar as dimensões da heliosfera, pode mudar sua forma", explica Provornikova. "Pode ter diferentes temperaturas, diferentes campos magnéticos, diferentes ionizações e todos esses diferentes parâmetros. É muito emocionante porque é uma área de muitas descobertas, e sabemos muito pouco sobre essa interação entre a nossa estrela e a galáxia local." Aconteça o que acontecer, duas variedades de metal do tamanho de um carro parafusadas em pequenos pratos parabólicos — as intrépidas sondas Voyager — serão a vanguarda do nosso Sistema Solar, revelando cada vez mais sobre este território estranho e desconhecido à medida que avançamos através do espaço. Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 17 de setembro de 2020, segundo consórcio de veículos de imprensa

Glogo - Ciência País tem 134.198 óbitos confirmados e 4.422.025 diagnósticos de Covid-19. Brasil tem 134.198 mortos por Covid-19, aponta consórcio de veículos O Brasil tem 134.198 mortes por coronavírus confirmadas até as 8h desta quinta-feira (17), segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Desde o balanço das 20h de quarta-feira (16), 2 estados atualizaram seus dados: GO e RR. Veja os números consolidados: 134.198 mortes confirmadas 4.422.025 casos confirmados Na quarta-feira, às 20h, o balanço indicou: 134.174 mortes, 967 em 24 horas. Com isso, a média móvel de novas mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 789 óbitos, uma variação de -8% em relação aos dados registrados em 14 dias. Em casos confirmados, o balanço da noite de quarta registrou 4.421.686 brasileiros com o novo coronavírus desde o começo da pandemia, 37.387 desses confirmados no último dia. A média móvel de casos foi de 31.765 por dia, uma variação de -21% em relação aos casos registrados em 14 dias. MÉDIA MÓVEL: veja como estão os casos e mortes no seu estado PANDEMIA NAS CIDADES: consulte casos e mortes em cada município do Brasil Progressão até 16 de setembro No total, 2 estados apresentaram alta de mortes: RO e PE Estados Subindo (2 estados): RO e PE. Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (13 estados e o DF): PR, RS, MG, RJ, SP, DF, GO, MS, MT, PA, TO, MA, PI e SE. Em queda (11 estados): SC, ES, AC, AM, AP, RR, AL, BA, CE, PB e RN. Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Estados com a média de mortes em alta Arte G1 Estados com a média de mortes estável Arte G1 Estados com a média de mortes em queda Arte G1 Sul PR: +3% RS: +6% SC: -27% Sudeste ES: -22% MG: -11% RJ: +7% SP: -4% Centro-Oeste DF: -13% GO: -8% MS: +1% MT: -12% Norte AC: -20% AM: -73% AP: -41% PA: +8% RO: +25% RR: -40% TO: -10% Nordeste AL: -18% BA: -16% CE: -18% MA: +8% PB: -28% PE: +22% PI: 0% RN: -42% SE: -4% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja Mais

Em ato no Planalto, Pazuello é efetivado, e Saúde passa a ter ministro titular após 4 meses

Glogo - Ciência General está à frente do ministério desde 15 de maio, quando Nelson Teich deixou cargo; em 3 de junho, foi nomeado ministro interino. Ele é o 3º a chefiar pasta no governo Bolsonaro. Eduardo Pazuello, efetivado como ministro da Saúde Júlio Nascimento/PR Após quatro meses no cargo, o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, tomou posse nesta quarta-feira (16) como ministro efetivo da pasta. A cerimônia aconteceu no Palácio do Planalto, e coube ao presidente Jair Bolsonaro assinar o termo de posse de Pazuello. O anúncio de que Pazuello seria efetivado no cargo foi feito na segunda-feira (14). Algumas autoridades acompanharam a cerimônia, entre as quais o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), e os ministros Braga Netto (Casa Civil), Paulo Guedes (Economia), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Fernando Azevedo e Silva (Defesa), Fábio Faria (Comunicações), Milton Ribeiro (Educação) e Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura). O Salão Nobre do Palácio do Planalto, onde aconteceu a cerimônia, estava lotado. Os convidados estavam de máscara, item obrigatório em locais públicos no Distrito Federal. General do Exército, Eduardo Pazuello é o terceiro ministro da Saúde no atual governo. Antes dele, ocuparam o cargo os médicos Luiz Henrique Mandetta (janeiro-2019/abril-2020) e Nelson Teich (abril a maio/2020). Tanto Mandetta quanto Teich saíram do Ministério da Saúde após divergências com Bolsonaro sobre o uso da cloroquina no tratamento da Covid-19 e sobre medidas de distanciamento social (clique no nome do ex-ministro para relembrar as demissões). Bolsonaro contraria ciência e diz que máscara 'quase' não tem eficácia Bolsonaro faz 'apelo' para governadores reverem política de isolamento Podcast: Por que Bolsonaro insiste na cloroquina? Nelson Teich pediu demissão no dia 15 de maio e, desde então, Pazuello, à época secretário-executivo, passou a conduzir a pasta e a definir as estratégias para o enfrentamento da pandemia do novo coronavírus. Pazuello ignorou alerta de comitê técnico sobre isolamento Pazuello ignorou recomendação para não comprar cloroquina No dia 3 de junho, Pazuello foi nomeado ministro interino da Saúde e, nesta quarta, quatro meses após a saída de Teich, foi efetivado no comando da pasta. Relembre a trajetória de Eduardo Pazuello no Ministério da Saúde Eduardo Pazuello Eduardo Pazuello tem 56 anos e nasceu no Rio de Janeiro. É militar da arma de Intendência, formado em 1984 na Academia Militar das Agulhas Negras (RJ), onde também estudou o presidente Jair Bolsonaro. Entre as missões desempenhadas no Exército, Pazuello foi coordenador logístico de tropas nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. Ele também coordenou a Operação Acolhida, de auxílio a imigrantes venezuelanos, na fronteira de Roraima com o país governado por Nicolás Maduro. À frente do Ministério da Saúde, Pazuello nomeou vários militares para sua equipe; elaborou, atendendo a demandas de Bolsonaro, protocolo sobre o uso de cloroquina nos casos leves de Covid-19; e gerou polêmica ao modificar a forma de divulgação de casos da doença. O ministro também foi questionado sobre critérios de distribuição e sobre a não aplicação integral de verbas para a Covid-19. Ele foi criticado ainda por não atender a alertas sobre desabastecimento de remédios e sobre excesso de estoque de cloroquina, medicamento cuja eficácia contra o coronavírus não é comprovada. Initial plugin text Veja Mais

'Havia dias em que só queria arrancar minha pele'

Glogo - Ciência Anna Byard-Golds teve eczema a vida inteira; a jovem de 15 anos compartilhou com a BBC a experiência de conviver com doloroso e 'constrangedor' quadro dermatológico sem cura. Anna Byard-Golds percebeu que tinha um problema de pele quando tinha 4 ou 5 anos Anna Byard-Golds via BBC "Houve dias em que eu pirava e começava a cutucar. Queria arrancar minha pele." Anna Byard-Golds tem eczema desde criança. A doença cria uma série de lesões frequentes na pele. "Eu sabia do problema desde os 4 ou 5 anos de idade. Percebi que minhas mãos pareciam diferentes, e eu me sentia diferente das outras crianças", disse Anna à BBC Newsbeat. Uma pesquisa da National Eczema Society no Reino Unido revelou que 89% dos adultos com eczema acham que sua qualidade de vida foi significativamente reduzida por causa da doença. Um quarto das crianças com eczema apresenta baixa autoestima, observou a pesquisa. "É como a pele de um rinoceronte: rachada, áspera e nada bonita de se olhar", diz a jovem, de 15 anos. Segundo a pesquisa, mais de um terço das pessoas com eczema tiveram seus estudos afetados pelo problema. Anna, por exemplo, só voltou recentemente à escola. Houve vários dias, ao longo dos anos, em que ela simplesmente não queria estudar por causa do eczema. VEJA TAMBÉM: Especialistas falam sobre a relação entre as emoções e a nossa pele "Houve dias em que eu voltava para casa mais cedo porque estava com muitas dores. Era difícil me mover, escrever, então não podia realmente fazer o trabalho ou me concentrar." Eczemas apareciam em seu rosto pela manhã e faziam com que ela se sentisse envergonhada. "Eu não queria que as pessoas me vissem daquele jeito, era constrangedor", diz. Vergonha Ao longo da infância e adolescência, era vítima de bullying por causa do eczema. Quando o eczema surge em suas mãos, Anna diz que elas se transformam em um par de 'luvas vermelhas' Anna Byard-Gold via BBC "Não só percebi que era diferente, mas outras pessoas também me diziam isso", afirma. Anna usava roupas largas, para tentar se cobrir de modo que ninguém visse seu eczema. "Isso realmente teve um impacto em mim, porque eu não me sentia normal." Uma das dificuldades apontadas pela pesquisa da National Eczema Society é o isolamento social que essa condição pode causar. Foi o que aconteceu com Anna, que só se encontrava com os amigos em sua casa ou na deles, porque se sentia constrangida andando pelas ruas. Por isso, muitas vezes ela acabava cancelando encontros, "o que se torna muito irritante para os outros", diz. "Às vezes você se sente um fardo." Atitude mental correta Anna enfrenta o eczema usando cremes, ouvindo música e assistindo a vídeos de aulas de interpretação — seu sonho é ser atriz. "Quando era eu mesma, sentia que estava sendo julgada por causa da minha pele, mas quando estava interpretando um personagem, sabia que eles não podiam me julgar, porque eu era outra pessoa." Parte do processo de enfrentar a doença é tentar ganhar confiança em si mesmo, adotando "a mentalidade certa", diz. Anna costuma usar roupas grandes para esconder seu eczema Anna Byard-Gold via BBC "Levei um tempo para perceber que, a menos que você tenha a mentalidade certa, você realmente não pode obter o que deseja", explica ela. Anna diz que é importante deixar suas emoções virem à tona. "Se você precisa chorar, é importante chorar, e você tem que falar com as pessoas sobre como se sente. Então, há dias em que você pensa: 'Por que eu tenho que passar por tudo isso?' Em dias como este, eu choro." Anna iniciou um novo tratamento, e se sente melhor. Mas embora a condição de suas mãos tenha melhorado (e "elas não se parecem mais com um par de luvas vermelhas"), isso não significa que tenha encontrado uma cura para o problema. Quando eu estava interpretando um personagem, sabia que ninguém poderia me julgar', diz a jovem Anna Byard-Gold via BBC Dados de pesquisa A pesquisa da National Eczema Society, do Reino Unido, entrevistou 530 adultos com essa condição e 524 pais com filhos (de até 16 anos) com eczema. Cerca de três quartos (74%) dos adultos reconheceram que o eczema afeta negativamente sua saúde mental. Pouco mais de um terço (35%) dos pais disseram que o eczema impedia seus filhos de ir à escola. E 37% dos pais indicaram que achavam que essa condição afetava o desempenho escolar de seus filhos. De acordo com a enfermeira clínica especializada em dermatologia Julie Van Onselen, "não se trata de encontrar uma cura para o eczema, mas de mantê-lo sob controle". "Mesmo com um tratamento que funciona para você, você ainda tem eczema e precisa cuidar de sua pele." Para Anna, as rachaduras na pele "ainda estão lá e pioram com frequência, e são bastante graves no rosto e nos pulsos". Mas agora ela está mais feliz, "Agora posso me olhar no espelho sem pensar: 'Não quero ver você'", diz. Todas as causas de eczema ainda não são conhecidas, mas a condição pode ser genética e muitas vezes ocorre em paralelo a outras, como asma, febre do feno ou outras reações alérgicas. Estresse e o clima também são apontados como possíveis causas. Veja Mais

Estudo feito com vírus similares ao Sars-Cov-2 sugere que imunidade adquirida é de curta duração

Glogo - Ciência Estudo avaliou quatro tipos de coronavírus em humanos por mais de três décadas; cientistas sugerem que comportamento pode ser comparado com o vírus da Covid-19. Imagem microscópica de partículas de coronavírus NIAID-RML/AP aciPesquisadores da Holanda monitoraram dez pacientes por 35 anos para entender como funciona a infecção de "coronavírus sazonais" no corpo humano. Uma pesquisa publicada nesta terça-feira (15) pela revista "Nature Medicine" sugere que a imunidade adquirida seja de curta duração. A imunidade adquirida após a infecção com o Sars-Cov-2 pode ter curta duração, segundo um estudo holandês que monitorou as infecções sazonais por outros coronavírus em dez pacientes por 35 anos e que foi publicado nesta terça-feira (15) pela revista "Nature Medicine". Covid-19 'do futuro' deverá ser sazonal como outros vírus respiratórios Imunidade de rebanho: o que é e qual é seu custo para a sociedade? Coronavírus pode nunca desaparecer, diz OMS A pesquisa "Seasonal coronavirus protective immunity is short-lasting" é assinada por cientistas da Universidade de Amsterdã, na Holanda, que analisaram 513 amostras sorológicas colhidas em mais de três décadas. Apesar da hipótese de que a imunidade em casos de infecção com o novo Sars-Cov-2 seja de curto prazo, o estudo não avaliou pacientes infectados com o vírus causador da Covid-19, mas outros quatro tipos de coronavírus humanos – responsáveis pelo resfriado comum. 4 tipos de coronavírus O estudo liderado pela virologista holandesa Lia van der Hoek avaliou como os coronavírus NL63, 229E, OC43 e HKU1 atuam no organismo. Todos os quatro vírus, conhecidos como coronavírus sazonais, provocam infecções no trato respiratório. Segundo o artigo, os cientistas observaram a reinfecção de pacientes pelo mesmo coronavírus após um ano da primeira infecção. O estudo que acompanhou dez pacientes por 35 anos tinha o objetivo de estudar os coronavírus de resfriado. Os pesquisadores reconhecem que ainda é preciso mais pesquisas para definir o prazo de duração da imunidade contra o Sars-Cov-2, mas reforçam que não se pode depender apenas de políticas que exigem imunidade de longo prazo, como vacinação, para atingir a imunidade coletiva. VÍDEOS: Notícias sobre o coronavírus g Initial plugin text Veja Mais

Vida em Vênus: o que é a fosfina, a substância tóxica e malcheirosa encontrada nas nuvens do planeta

Glogo - Ciência A descoberta de fosfina em Vênus pode dar pistas de que existe vida extraterrestre; mas o que é essa substância e para que é usada? Astrônomos identificam possível presença de vida no planeta Vênus Ela é incolor, tóxica e cheira mal: a fosfina, a substância encontrada por um grupo de astrônomos nas nuvens de Vênus e que pode ser um indício de presença de vida. "Quando obtivemos os primeiros indícios de fosfina no espectro de Vênus, foi um choque", disse Jane Greaves, líder da equipe da Universidade de Cardiff, em um comunicado. O grupo acredita que a descoberta é significativa, mas reconhece que confirmar a presença de "vida" no planeta ainda exigirá muito mais trabalho. EXTRATERRESTRE: Gás, água e gelo: entenda o que a ciência já achou e onde concentra as buscas por vida fora da Terra O que é fosfina? A fosfina (PH3) é uma molécula composta por um átomo de fósforo e três átomos de hidrogênio. É um gás tóxico incolor com odor de alho ou peixe podre, descreve a Agência dos Estados Unidos para o Registro de Substâncias Tóxicas e Doenças (ATSDR, na sigla em inglês). Também é extremamente inflamável e explosiva. Pode inclusive inflamar-se espontaneamente em contato com o ar. A fosfina está na Lista de Substâncias Perigosas da Administração de Segurança e Saúde Ocupacional dos Estados Unidos (OSHA, na sigla em inglês), pois é tóxica para humanos. Ela afeta principalmente o sistema cardiovascular e respiratório. A inalação dessa substância pode causar desde irritação no nariz a danos nos pulmões. Também pode causar tonturas e náuseas, entre outros sintomas. Qual é a relação entre a fosfina e a vida? Imagem do planeta Vênus é uma combinação de dados da espaçonave Magellan da Nasa e da Pioneer Venus Orbiter NASA / JPL-Caltech Em nosso planeta, a fosfina está associada à vida porque é encontrada nos micróbios que vivem nas entranhas dos animais. Por exemplo, a substância foi encontrada em rochas que tinham fezes de pinguins. A substância também está presente em ambientes pobres em oxigênio, como pântanos. A fosfina é mais comum, entretanto, no controle de pragas e na indústria eletrônica. A fumigação com fosfina é uma técnica comum usada para combater pragas em sementes e grãos armazenados. É um componente essencial na fabricação de semicondutores, pois é usado como agente de dopagem — a introdução de impurezas nos semicondutores para permitir a condução. A professora Greaves e seus colegas identificaram a fosfina em Vênus com a ajuda do telescópio James Clerk Maxwell, no Havaí, e então confirmaram sua presença usando o telescópio de Atacama, no Chile. A fosfina tem uma "linha de absorção" distinta, que esses radiotelescópios percebem em um comprimento de onda de aproximadamente 1 milímetro. O gás foi observado nas latitudes médias do planeta, a aproximadamente 50 a 60 km de altitude. A concentração é pequena, eles formam apenas de 10 a 20 partes em cada bilhão de moléculas atmosféricas. Mas, neste contexto, isso é bem significativo. Portanto, a equipe de cientistas está se perguntando como a fosfina chegou lá se não há excremento animal e muito menos indústria para fabricá-lo. Junto aos detalhes sobre a descoberta da fosfina em Vênus, os astrônomos publicaram na revista Nature Astronomy várias pesquisas que fizeram para tentar mostrar que essa molécula poderia ter uma origem natural não biológica. No entanto, até agora, a verdadeira razão da presença da fosfina nas nuvens de Vênus ainda é uma incógnita. Veja Mais

A uma semana do banimento, Anvisa volta a discutir adiamento da proibição de agrotóxico associado à doença de Parkinson

Glogo - Ciência Se decisão for mantida, herbicida paraquate deverá sair do mercado em 22 de setembro. Ministério da Agricultura e produtores rurais pedem a prorrogação do prazo para julho de 2021, para que consigam apresentar novos estudos. Relator do caso votou contra o adiamento. Pulverizador utilizado na aplicação de agrotóxicos no campo Érico Andrade/G1 A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) discute nesta terça-feira (15) se altera o prazo para a proibição de um agrotóxico associado pela própria entidade à doença de Parkinson. O paraquate está previsto para sair do mercado daqui uma semana. Em agosto, a agência chegou a discutir o tema, porém, após o diretor e relator do caso, Rômison Rodrigues Mota, votar contra o adiamento, a diretora Meiruze Sousa Freitas pediu vistas. Além dela, faltam os votos de outros 3 dirigentes (leia mais abaixo). Por que a produção de alimentos depende tanto de agrotóxicos? Sexto agrotóxico mais vendido do Brasil em 2018 e comum na produção de soja, o dicloreto de paraquate é usado para secar as plantas e vagens do grão, a fim de deixar a lavoura uniforme para a colheita (a chamada dessecação). Ele também tem autorização no Brasil para as culturas de algodão, arroz, banana, batata, café, cana-de-açúcar, citros, feijão, maçã, milho e trigo. Foi banido na Na União Europeia, ainda em 2003. Nos Estados Unidos, continua autorizado, mas está em reavaliação. Quem quer adiar A diretoria Anvisa analisa um pedido do Ministério da Agricultura, juntamente com produtores rurais, indústrias e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), para que o prazo final seja adiado para julho de 2021. Na decisão de 2017, a agência deixou aberta a possibilidade de rever o prazo de proibição, caso fossem apresentadas evidências científicas de que o agrotóxico não traz malefícios às pessoas em caso de contato direto. Porém, nenhum estudo foi apresentado até agora. Produtores e indústrias defendem que é necessário mais tempo para que fiquem esses estudos fiquem prontos. Segundo o pedido, as pesquisas deverão terminar em dezembro deste ano. Agricultores argumentam ainda que não há produto no mercado capaz de substituir totalmente o Paraquate e de que essa mudança poderia gerar um gasto a mais para a atividade. De acordo com a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), o custo de produção do setor poderia aumentar em até R$ 500 milhões por safra. A Federação de Agricultura do Paraná (Faep) estima que alternativas custam entre 30% e 150% a mais. O que levou à proibição O paraquate estava em revisão desde 2008. E, em 2017, a Anvisa analisou evidências científicas e concluiu que o agrotóxico está associado ao desenvolvimento da doença de Parkinson – condição neurológica degenerativa que provoca tremor, rigidez, distúrbios na fala e problemas de equilíbrio – em quem o manupula. LISTA: quais são e para que servem os agrotóxicos mais vendidos “Há um peso de evidência forte em estudos em animais e epidemiológicos indicando que o Paraquate está associado ao desencadeamento da doença de Parkinson em humanos”, disse a Anvisa à época. Ainda segundo a agência, não há comprovação de que o herbicida deixe resíduo nos alimentos. A discussão na Anvisa A discussão sobre a "alteração dos prazos" da Resolução de Diretoria Colegiada nº 177, de 21 de setembro de 2017, que trata sobre a proibição do herbicida, deve ser retomada nesta terça, mas há outros temas na pauta. Assim, não é possível afirmar que haverá uma decisão sobre o assunto no mesmo dia. No mês passado, após apresentar as alegações de produtores rurais e da Procuradoria Federal junto à Anvisa, o relator do caso, Rômison Rodrigues Mota, votou contra o adiamento. Mota acompanhou os argumentos da Procuradoria de que não vê interesse público em adiar a proibição sem a apresentação de novas evidências científicas e que, na visão dele, este é o requisito para que a prorrogação possa ser feita. Após o voto do relator, a diretora Meiruze Freitas pediu vistas do caso e a análise foi suspensa. Além de Meiruze, faltam outros 3 votos: do presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, e dos diretores Marcus Aurélio Miranda e Alessandra Bastos. Desde a decisão de proibição, em 2017, os agricultores puderam continuar comprando e utilizando o produto seguindo algumas restrições, como ter a proteção da cabine do operador da máquina agrícola para evitar contato com o agrotóxico. Porém, após 22 de setembro, caso o prazo de proibição seja mantido, mesmo quem tiver o produto estocado não poderá fazer a aplicação. Os agricultores que comprarem volumes além do que forem usar até a data da proibição não poderão devolver o produto ao revendedor. Como reduzir os resíduos de agrotóxicos antes de comer frutas, legumes e verduras Initial plugin text Veja Mais

Trump x Ciência: os embates incomuns entre o presidente dos EUA e especialistas em clima e coronavírus

Glogo - Ciência Em mais uma postura cujos ganhos políticos não parecem evidentes para analistas, americano tem desafiado publicamente fatos — que, segundo pesquisas de opinião, parecem mais importantes para a população do que para seu próprio presidente. Para analista, Trump deu um passo 'além da sua linha usual' de ataques à ciência Sarah Silbiger/Getty Images/AFP Presidentes que buscam a reeleição costumam confrontar seus rivais políticos. Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem optado por, em vez disso, confrontar a ciência. Dois sinais claros dessa atitude desafiadora foram expressos na última semana, a menos de 50 dias da eleição de 3 de novembro. Na quarta-feira (16), Trump contradisse publicamente o diretor dos Centros de Controle de Doenças (CDC) — que havia descartado que uma vacina contra o coronavírus pudesse estar amplamente disponível antes de meados de 2021 e disse que o uso de máscaras pode ser mais eficaz em prevenir infecções do que uma eventual vacina. "Ele cometeu um erro", disse o presidente americano sobre as duas considerações do doutor Robert Redfield. O presidente insistiu, em uma coletiva de imprensa, que uma vacina contra a covid-19 poderia ser anunciada em outubro ou "um pouco mais tarde" e estaria disponível ao público "imediatamente". Poucos dias antes, Trump se recusou a admitir que os grandes incêndios na costa oeste do país estão ligados às mudanças climáticas, como afirmam vários cientistas. "Não acho que a ciência saiba" , disse o presidente durante uma visita à Califórnia na segunda-feira (14), sugerindo que em breve o clima começaria a esfriar. Esses comentários afrontosos em relação ao conhecimento científico são considerados incomuns até mesmo para um presidente como Trump, que tem um longo histórico de discordância com especialistas em assuntos como o coronavírus ou as mudanças climáticas. "É um passo além da sua linha normal, e sua linha normal já é muito extrema", diz W. Henry Lambright, professor de Ciência Política da Universidade de Syracuse. "É algo extremamente raro, não me lembro de um presidente que tenha feito isso nos últimos anos", afirma Lambright, que pesquisa a relação entre governos e ciência há anos. A questão agora é quais consequências essa posição inédita pode ter. A eleição e depois Vários cientistas associam os incêndios na costa oeste dos EUA às mudanças climáticas, mas tal relação foi rejeitada por Trump na semana passada EPA/BBC Com quase 200 mil mortes por covid-19, os Estados Unidos são o país do mundo mais atingido pela pandemia, fato que se tornou um assunto decisivo para as eleições de novembro. Embora Trump demonstre apostar tudo em uma vacina que possa ser disponibilizada o mais rápido possível, a oposição democrata o acusa de politizar a questão e de ter falhado no combate ao coronavírus — inicialmente minimizando-o. "Confio em vacinas. Confio nos cientistas. Mas não confio em Donald Trump", disse Joe Biden, rival e candidato democrata à presidência. "E, neste momento, o povo americano tampouco pode (confiar)." Biden também criticou Trump na segunda-feira (14) por suas posições sobre o aquecimento global, chamando-o de "piromaníaco climático". O presidente, que ao longo da sua gestão cortou diversas regulamentações ambientais, atribuiu os incêndios na Califórnia ao manejo florestal falho, embora grande parte das florestas naquele Estado sejam controladas pelo governo federal. Assim, o tema das mudanças climáticas também entrou na reta final da campanha eleitoral. As pesquisas sugerem que as políticas ambientais e a pandemia preocupam a maioria dos americanos, mas as opiniões variam amplamente, dependendo da posição partidária. Joe Biden caracterizou Trump como um 'piromaníaco climático' Reuters/Mark Makela Por exemplo, menos de um terço dos americanos (31%) confia nas afirmações de Trump sobre o coronavírus, enquanto a maioria (55%) confia no CDC, apontou uma pesquisa da emissora de TV NBC News do mês passado. No entanto, entre os republicanos, o nível de confiança nos comentários do presidente mais do que dobra: 69%. Sobre as mudanças climáticas, uma pesquisa do Pew Research Center de outubro indicou que dois terços dos americanos (67%) acreditavam que o governo não estava fazendo o suficiente para reduzir seus efeitos. Mas enquanto 71% dos democratas consideram as políticas de mudança climática desejáveis, dois terços dos republicanos (65%) acreditam que tais políticas não fazem diferença ou fazem mais mal do que bem ao meio ambiente. Assim, o impacto eleitoral que seus ataques com a ciência podem ter é incerto — ainda mais considerando que Trump aparece vários pontos atrás de Biden em diferentes pesquisas de intenção de voto. "Não vejo como isso pode ajudá-lo, (mas) com sua forte base de apoiadores, nada parece prejudicá-lo", analisa Robert Erikson, professor de Ciência Política na Universidade de Columbia e especialista em opinião pública e eleições, em entrevista à BBC News Mundo. Em sua opinião, Trump parece estar apelando "para aquela parte de sua base que é cética em relação à ciência, mas é claro que as consequências de longo prazo disso podem ser desastrosas". Lambright, por sua vez, também alerta que o atual presidente pode ter aberto um precedente para futuros governos. "Os sucessores de Trump podem não ser tão radicais quanto ele", diz ele, "mas serão menos relutantes em desafiar os cientistas quando isso estiver de acordo com suas posições políticas". Initial plugin text Veja Mais

O que é o treinamento de olfato que combate um dos sintomas da Covid-19

Glogo - Ciência Coletamos testemunhos de pessoas que perderam o olfato, alguns devido ao Covid-19. Uma terapia cada vez mais popular oferece uma luz no fim do túnel. A que se deve a perda de olfato e qual é seu impacto emocional? Getty Images via BBC "É como se uma barreira invisível separasse você da realidade", diz Saulo. "É como se minhas memórias tivessem sido apagadas", acrescenta Ana. "Tudo tem o mesmo cheiro para mim", completa Virginia. Saulo e Ana são brasileiros. Já Virginia é mexicana, mas mora nos Estados Unidos. Em comum, todos os três perderam o olfato e, em alguns casos, o paladar, devido ao novo coronavírus. A BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC, entrou em contato com eles por meio do AbScent.org, um site que oferece ajuda para aqueles que ficaram, total ou parcialmente, sem a capacidade de perceber odores. "Em 13 de março, havia cerca de 1,5 mil pessoas no grupo do Facebook", diz Chrissi Kelly, fundadora da AbScent, à BBC News Mundo. "Agora tenho três grupos no Facebook com cerca de 11 mil membros no total. Eles começaram a entrar em contato comigo de repente do Irã, Itália, Espanha e, em seguida, um monte de pessoas da América Latina." Especialistas recomendam exercícios de reabilitação do olfato Science Photo Library via BBC "Nos tornamos um termômetro do impacto do coronavírus." No AbScent, os usuários encontram informações sobre um tratamento que, embora já fosse oferecida antes de Covid-19, está ganhando popularidade devido à pandemia. VEJA TAMBÉM: Sintomas do coronavírus: por que perda de olfato e paladar na Covid-19 é diferente da que ocorre na gripe A terapia é um "treinamento olfativo", uma série de exercícios para restaurar a percepção dos cheiros e, no caso de muitas pessoas, devolver normalidade a suas vidas. Perda de olfato e causas Várias pesquisas já estabeleceram uma conexão entre a perda do olfato e o novo coronavírus. "Em nosso estudo, que foi realizado em 15 hospitais em toda a Espanha, de 989 pacientes com Covid-19, 53% tiveram alteração no olfato", diz Adriana Izquierdo Domínguez, alergista do Centro Médico Teknón em Barcelona e integrante da Sociedade Espanhola de Otorrinolaringologia (SEORL). Mas o novo coronavírus é apenas o mais recente em uma longa lista de possíveis causas. Saulo Segreto faz o tratamento há mais de quatro meses. "Depois de perder meu olfato, sinto como se uma barreira invisível me separasse da realidade." Patricia Portillo Mazal, otorrinolaringologista e especialista em olfato e paladar do Hospital Italiano de Buenos Aires, explica que "uma das causas mais frequentes de perda do olfato são as infecções virais, como resfriados e gripes". Outra origem comum são os golpes na cabeça ou no rosto que danificam alguma parte do sistema olfativo, acrescenta. Às vezes, o motivo da perda do olfato não é identificado, que também pode apresentar graus diferentes. VEJA TAMBÉM: 'Carne agora tem gosto de gasolina para mim': os efeitos da Covid-19 no paladar "Fala-se em anosmia, quando não se percebe cheiro, e em hiposmia, quando a percepção é parcial", explica Portillo Mazal. "Mas às vezes o mais limitante ainda é a chamada parosmia, os cheiros distorcidos, quando um café tem um cheiro diferente para você do que você lembrava, muitas vezes de algo desagradável." "E dentro da parosmia existe até a fantosmia, que é sentir um cheiro que não existe, mas que você percebe." Impacto emocional A perda do olfato pode afetar profundamente o bem-estar de uma pessoa, a exemplo do que aconteceu com Chrissi Kelly, criadora do AbScent. Kelly, que nasceu nos Estados Unidos e mora na Inglaterra, perdeu o olfato devido a uma infecção viral em 2012. "Entre seis e nove meses depois, caí em depressão profunda", diz ela à BBC Mundo. "Há algo fundamental que eu gostaria que as pessoas entendessem. Perder o olfato é um duro golpe para o seu bem-estar. Afeta todos os aspectos da sua vida. Você sente como se tivesse perdido o sentido de quem você era", acrescenta. Chrissi Kelly é fundadora da AbScent. "Há algo fundamental que gostaria que as pessoas entendessem. Perder o olfato é um golpe para o seu bem-estar, afeta todos os aspectos da sua vida." Arquivo Pessoal via BBC Depois de consultar médicos que "examinaram seu nariz sem apresentar soluções", Kelly começou a procurar informações e a participar de conferências especializadas. Em uma delas, ela conheceu Thomas Hummel, especialista do Centro de Olfato e Paladar da Universidade de Dresden, na Alemanha. Hummel foi o primeiro cientista a publicar, em 2009, um estudo avaliando a eficácia do treinamento olfativo. "Quando contei minha história a Hummel, ele ouviu com compaixão por meia hora. Foi a primeira vez que falei com alguém que me compreendia." Kelly começou a frequentar os cursos que o especialista alemão ministrava para especialistas e em 2015 acabou fundando a AbScent. O site conta com um canal no YouTube com vídeos explicativos e, mais recentemente, passou a disponibilizar guias em espanhol e português para usuários da América Latina. Saulo, Ana e Virginia Muitos leitores do AbScent, como Saulo, Ana e Virginia, afirmam ter encontrado no site o apoio que Kelly experimentou ao ser ouvida por Hummel. "Procurei três otorrinolaringologistas, um neurologista e um pneumologista. Inclusive um deles me passou um antiepiléptico que me deixou bem mal. E através de buscas incansáveis na internet cheguei ao AbScent, que foi fundamental para manter a calma e encontrar suporte", diz Saulo Segreto, que mora no Rio de Janeiro. Ana Carbone: "Fico chateada porque não percebo cheiros como os da minha filha, um perfume, ou não sei se pode haver um vazamento de gás". Ana Carbone via BBC Ele sofre de parosmia. "E todos os alimentos com muita gordura ou fritos têm cheiro de queimado", diz ele. "Tenho sentido um cheiro 'esquisito' ultimamente; é como um cheiro de 'terra', misturado a um cheiro de condimento, e eu sinto esse mesmo cheiro em várias coisas. Isso tem me deixado nauseada, é como se eu ouvisse a mesma música 24 horas", acrescenta Ana Carbone, de São Paulo, que sofre do mesmo problema. "Não sinto cheiro da minha filha, nem meu próprio cheiro, não sei se estou com cheiro de perfume, ou se minhas mãos estão com cheiro da comida que preparei, por exemplo. Se minha casa está perfumada. Se tem vazamento de gás...", lamenta. No caso de Virginia Mata, algumas experiências são até difíceis de descrever. "Passei o dia 23 de agosto sem conseguir cheirar nada para então sentir um cheiro estranho. Não sei dizer o que é, apenas que é algo estranho." "A perda do olfato devido ao coronavírus fez a carne ficar com gosto de gasolina para mim", acrescenta. Treinamento olfativo Não se sabe desde quando a técnica de treinamento olfativo já existe, mas clinicamente ela tem sido usada há cerca de uma década. A reabilitação consiste basicamente em inalar diferentes odores, concentrando a mente, pelo menos duas vezes ao dia. "Tem que ser todos os dias, e são inalações curtas, mais ou menos de 20 segundos", explica Portillo Mazal. Patricia Portillo Mazal, médica do Hospital Italiano de Buenos Aires, faz com que os pacientes preparem seus próprios kits Arquivo Pessoal via BBC Geralmente, quatro frascos com cheiros diferentes são usados em cada exercício. Os quatro aromas usados por Hummel em seus primeiros estudos foram rosa, limão, cravo e eucalipto, mas outras substâncias podem ser usadas. Portillo Mazal faz com que seus pacientes preparem seus próprios kits. "Tenho duas variantes. Uma é com óleos, que podem ser de frutas, flores, hortelã-pimenta, ou coisas como lavanda, tomilho ou cravo. Os pacientes põem cerca de 40 gotas em um algodão ou em um pedaço de papel, repetindo o procedimento de vez em quando". "A outra opção é um kit com as coisas da casa: mando meus pacientes prepararem potes com café, sabão em pó, orégano ou chocolate picado, por exemplo." Kelly recomenda o uso de potes escuros para que a luz não afete os óleos perfumados. E ele aconselha não cheirar diretamente dos frascos conta-gotas, pois eles limitam a dispersão dos odores Absent via BBC Um dos centros que oferece este tipo de reabilitação na Espanha é a Unidade de Treinamento Olfativo do Hospital Quirónsalud Sagrado Corazón de Sevilha. "Por duas ou três semanas, submetemos os pacientes a odores e concentrações diferentes por 15 a 20 minutos", diz o rinologista Juan Manuel Maza, diretor do centro e cirurgião da base do crânio do Hospital Universitário Virgen Macarena de Sevilha. Um dos centros de reabilitação na Espanha é a Unidade de Treinamento Olfativo do Hospital Quirónsalud Sagrado Corazón de Sevilha Quiron Salud via BBC "Podemos treinar a diferenciação. Com um estímulo repetido, fazemos o paciente começar a identificar e discriminar esse odor." "E depois de três semanas, os pacientes podem ter acesso a odores ou fórmulas que coletam em diferentes farmácias e dedicam aproximadamente três minutos por dia ao treinamento." Concentração Um aspecto fundamental do treinamento é fazer os exercícios com grande foco. "Você tem que estar completamente focado naquele minuto e meio de exercícios, sem pensar no que você tem que fazer naquele dia", diz Portillo Mazal. Chrissi Kelly também recomenda evocar memórias. Virginia Mata: "Existem coisas que você simplesmente dá como certas até não as ter mais, como o cheiro do seu perfume favorito ou uma pizza recém-entregue por um entregador." Arquivo pessoal via BBC "Ao abrir a garrafa com óleo de limão, mesmo que não sinta cheiro algum, feche os olhos e lembre-se de todos os detalhes de quando cheirou ou comeu um limão." "E você deve estar atento a qualquer mensagem olfativa que perceber , mesmo que não seja a esperada." Mesmo quando não está concentrada em seus exercícios, Virginia Mata frequentemente tenta "evocar um momento, algum sentimento". "Por exemplo, sempre que está chovendo, tento me lembrar do cheiro de terra úmida que imediatamente me lembra aqueles dias caóticos de chuva e trânsito na Cidade do México." Resultados "Em geral, cerca de 60% das pessoas que perdem o olfato o recuperam até certo ponto", diz Thomas Hummel à BBC News Mundo. "E o que nossos estudos mostram de forma convincente é que com o treinamento olfativo a taxa de recuperação dobra. Ou seja, as pessoas se recuperam de forma mais rápida e completa", acrescenta. Em alguns casos, "recuperar" não significa sentir o mesmo cheiro novamente. "Às vezes é como se você estivesse em um país estranho, há cheiros que são como uma nova realidade", diz Kelly. Médica Adriana Izquierdo Domínguez: "Há muitos pacientes com covid-19 que estamos atendendo na consulta que estão na clínica há quatro ou cinco meses e ainda não recuperaram o cheiro ou o recuperaram muito parcialmente". Arquivo pessoal via BBC Zara Patel, professora de otorrinolaringologia e cirurgia da base do crânio na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, também investigou a eficácia da terapia olfativa. "A principal conclusão dos meus estudos é que o treinamento olfativo traz um benefício significativo", diz ela. "E quando combinado com budesonida, um esteroide tópico, o treinamento ajuda até metade dos pacientes com disfunção olfatória." "50% pode não parecer muito, mas pense que isso é um avanço em relação à situação de 10 anos atrás, quando literalmente não tínhamos nada a oferecer a esses pacientes." Maza diz, por sua vez, que "entre 45 a 70% dos pacientes" se recuperam. Em relação à duração do treinamento, Hummel fala de um período mínimo de seis a nove meses. No caso de Portillo Mazal, o especialista argentino diz a seus pacientes: "Colocamos como meta seis meses antes de dizer que o tratamento não funciona". "Digo a eles que, com sorte, em dois meses eles terão percepções momentâneas. Ou de repente sentirão o cheiro de pão, e olharão e haverá uma padaria." Motivos Mas como explicar que inalar algo sem sentir seu odor pode ajudar a recuperar o olfato? Para entender o motivo, a primeira coisa a lembrar é que o sistema olfativo engloba uma série de órgãos, inclusive o cérebro. "Na parte interna superior do nariz, estão as primeiras células que captam informações, os chamados neurônios receptores olfativos", explica Portillo Mazal. "A viagem começa aí, e dessa célula a informação vai para o cérebro, onde a primeira parada é o bulbo olfatório, um centro pequeno, mas de transmissão e comando." "Dali a informação segue para o resto do cérebro. Uma primeira parada é o cérebro mais primitivo, o das emoções. Outra é na área que permite identificar ou discriminar um cheiro do outro". "E também vai para uma zona de memória emocional de longo prazo, que é o que faz você sentir o cheiro de um chocolate e se lembrar daquela primeira vez com sua avó." Base científica Uma das chaves que explicam a eficácia da reabilitação é que o sistema olfativo tem uma capacidade extraordinária de regeneração. "Uma característica do olfato que não vemos em outros sentidos é sua plasticidade", explica Hummel à BBC Mundo. "Os neurônios receptores olfatórios estão em constante regeneração". Junto com esses neurônios receptores, existem também dois tipos de células. "As células de suporte ajudam os neurônios a funcionar corretamente", diz Portillo Mazal. "E há também as chamadas células basais, que são totipotentes como as famosas células-tronco e que podem ser transformadas em qualquer uma das outras duas, células de suporte ou neurônios." Zara Patel explica que "as células basais produzem novos neurônios receptores olfativos ao longo de nossas vidas. Ao estimulá-las repetidamente com a exposição a odores, estamos tentando dizer a elas para 'acordarem'." Juan Manuel Maza: "O olfato é um sentido que também está intimamente ligado ao paladar, e parte dos cheiros pode ser reconhecida com alguns quimiorreceptores na língua" Arquivo pessoal via BBC A estimulação também produz mudanças no cérebro. "Ao mesmo tempo, acreditava-se que a regeneração ocorria apenas em neurônios na camada superior interna do nariz", diz Portillo Mazal. "Mas graças à ressonância funcional, percebeu-se que o cérebro também fica mais ágil, consegue fazer mais com as poucas informações que recebe, então a melhora também se deve à plasticidade ao nível do cérebro". Maza lembra que em alguns casos é até possível recorrer a terapias alternativas. "O olfato é um sentido que também está intimamente ligado ao paladar, e parte dos cheiros pode ser reconhecida com alguns quimiorreceptores na língua que dependem de outros nervos que não necessariamente estão danificados." Portillo Mazal observa que o treinamento olfativo visa melhorar o paladar, assim como o olfato, porque o paladar é em grande parte constituído pelo olfato. "Costumo dizer aos meus pacientes que se eles estão fazendo o exercício de cheirar o café, por exemplo, devem fazê-lo duas vezes por dia, ao saborear a bebida". "Quando você faz exercícios com algo que não pode comer (sabonete, por exemplo) você pode inalar pela boca, segurar por alguns segundos e exalar pelo nariz." Enigma Uma das grandes questões em torno do novo coronavírus é por que alguns pacientes recuperam o olfato em menos de duas semanas, enquanto outros perdem a função por meses. Algumas pessoas com covid-19 recuperam o olfato em menos de duas semanas, mas em outras a recuperação é muito mais complexa Getty Images via BBC Hummel levanta uma possível explicação. "O novo coronavírus demonstrou afetar as células da glia", explicou o especialista. "Trata-se apenas de uma hipótese, mas pode ser que em algumas pessoas apenas essas células morrem, e os restos dessas células causam inflamação que afeta os neurônios receptores. Mas quando a inflamação aguda diminui, os neurônios ainda funcionam". VEJA TAMBÉM: Perda permanente de olfato pela Covid-19 é improvável, sugere pesquisa de Harvard "Em outras pessoas, por outro lado, a inflamação é tão forte que também mata os neurônios receptores olfativos, tornando a recuperação muito mais longa e difícil." No caso do levantamento realizado em 15 hospitais da Espanha, "na época do estudo, 45% dos pacientes já haviam recuperado o olfato espontaneamente", explica Izquierdo Domínguez. "Mas há muitos pacientes que estamos atendendo no consultório que apresentam esse sintoma há quatro ou cinco meses e ainda não recuperaram o olfato ou o recuperaram parcialmente." Não desista Quatro meses após iniciar o treinamento olfativo, Saulo garante que seu olfato "está em 80%". Ana ainda percebe cheiros estranhos e sente que está "reaprendendo cada cheiro". "A memória olfativa é um tesouro e às vezes é pouco valorizada", diz Virginia Mata Science Photo Library via BBC Virginia admite sentir-se frustrada, "porque o tratamento é um processo lento, mas também há dias bons em que percebo uma nota diferente no ar e que me incentiva a continuar". Quanto a Chrissi Kelly, a fundadora da AbScent perdeu o olfato novamente neste ano por causa da Covid-19. E embora ele tenha voltado em grande parte, ela ainda sofre de parosmia. O fundamental, para Portillo Mazal, é não desanimar. "Isso pode levar muito tempo. Não podemos prometer que todos vão melhorar, mas eu não me daria por vencida." "É preciso tentar, e isso é difícil, conseguir o equilíbrio entre começar o tratamento sem se deixar levar pela ansiedade, sabendo que talvez daqui a alguns meses você perceberá alguma mudança". Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 20 de setembro, segundo consórcio de veículos de imprensa

Glogo - Ciência País tem 136.575 óbitos confirmados e 4.528.756 diagnósticos de Covid-19. Brasil tem 136.575 mortes por Covid, aponta consórcio de veículos de imprensa O Brasil tem 136.575 mortes e 4.528.756 casos de coronavírus confirmados até as 8h deste domingo (20), segundo o consórcio de veículos de imprensa. Mortes: 136.575 Casos: 4.528.756 Goiás e Roraima divulgaram novos dados desde o último balanço consolidado, das 20h de sábado (20). Até as 20h de sábado (20), o Brasil tinha 136.565 mortes confirmadas por coronavírus. Dessas, 708 foram confirmadas em 24 horas. A média móvel de novas mortes estava em 756 óbitos por dia, uma variação de -9% em relação aos dados registrados em 14 dias. Em casos confirmados, eram 4.528.347 até as 20h de sábado, com média móvel de novos casos de 30.356 por dia, uma variação de -23% em relação aos casos registrados em 14 dias. MÉDIA MÓVEL: veja como estão os casos e mortes no seu estado PANDEMIA NAS CIDADES: consulte casos e mortes em cada município do Brasil Dois estados apresentaram alta de mortes no balanço de sábado: RJ e PE. O governo de Pernambuco afirma que, em 3 de setembro, retirou dos balanços 65 mortes de pessoas que moravam em outros estados ou países mas morreram no estado, o que afetou a média móvel de sábado. EM VÍDEO: Veja todos os detalhes sobre o uso de máscaras Brasil, 19 de setembro Total de mortes: 136.565 Registro de mortes em 24 horas: 708 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 756 por dia (variação em 14 dias: -9%) Total de casos confirmados: 4.528.347 Registro de casos confirmados em 24 horas: 30.913 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 30.356 por dia (variação em 14 dias: -23%) Estados Subindo (2 estados): RJ e PE Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (14 estados): PR, RS, MG, SP, GO, MS, MT, AP, PA, RO, BA, MA, PI e RN Em queda (10 estados e o DF): SC, ES, DF, AC, AM, RR, TO, AL, CE, PB e SE Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Estados com alta de mortes em 19/09/2020 G1 Estados com mortes em estabilidade em 19/09/2020 G1 Estados com mortes em queda em 19/09/2020 G1 Sul PR: -4% RS: -3% SC: -29% Sudeste ES: -42% MG: -11% RJ: +20% SP: -1% Centro-Oeste DF: -32% GO: -7% MS: -7% MT: -15% Norte AC: -27% AM: -67% AP: +8% PA: +5% RO: +2% RR: -73% TO: -20% Nordeste AL: -19% BA: -2% CE: -36% MA: +3% PB: -27% PE: +19% PI: -8% RN: -8% SE: -37% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja Mais

Escola que tiver caso de Covid deve reavaliar manutenção de atividades, diz ministério em guia sobre retomada

Glogo - Ciência Guia do Ministério da Saúde traz dicas básicas e indica que gestores devem avaliar situação de cada município e estado. O Ministério da Saúde divulgou nesta sexta-feira (18) um documento sobre a retomada das atividades escolares. Nas 16 páginas do arquivo (Orientações para retomada segura das atividades presenciais nas Escolas de Educação Básica no Contexto da Pandemia da Covid-19, aqui em PDF), a pasta compila dicas básicas de higiene e reforça que a responsabilidade na condução do processo de reabertura é das autoridades locais. Em um dos pontos, o Ministério se propõe a responder à pergunta: "O que fazer com casos de Covid-19 na escola?". "Em situação de caso confirmado, os profissionais e a comunidade escolar devem ser informados, e as atividades escolares devem ser reavaliadas" - Ministério da Saúde A pasta não divulgou orientações mais específicas e não respondeu, durante coletiva de imprensa nesta sexta, qual o protocolo exato que deve ser adotado nessa situação ou quais as possíveis consequências da "reavaliação". Crianças e Covid-19: veja em 7 pontos o que a ciência já sabe sobre o tema OMS alerta para prejuízos no fechamento prolongado de escolas durante a pandemia No documento, o ministério apenas cita que "é necessário acompanhar as normativas estaduais e municipais sobre o retorno às aulas, distanciamento social e demais iniciativas de enfrentamento da Covid-19". "A finalidade [do guia] é garantir condições de segurança para quando voltarem as aulas, as escolas terem condições de higiene e os alunos retomem às aulas com segurança", disse Élcio Franco, secretário-executivo do ministério. Medidas de prevenção Além do ponto sobre a reavaliação das atividades quando houver casos confirmados, o ministério lista medidas de prevenção: Capacitar profissionais Manter comunicação constante com a comunidade escolar Preservar distância mínima de 1 metro entre alunos Uso de máscara pelos alunos Evitar atividades em grupo Limpeza das mãos e etiquetas respiratórias Manter ambientes limpos Evitar uso de áreas comuns "O retorno às aulas será decidido pelo gestor local baseado em aspectos relativos a variação da curva epidemiológica, a capacidade de resposta da rede de atenção à saúde e a outros critérios que ele poderá considerar para tomar essa decisão." - Élcio Franco, secretário-executivo Rio de Janeiro vive vai e vem de reabertura das escolas particulares Repasse de verba O Ministério da Saúde informou ter repassado R$ 454,3 milhões para apoiar as atividades de retomada nas escolas. "Esse recurso ele pode ser utilizado para comprar exatamente o que o muitos gestor tem dificuldade para comprar: como álcool gel, como material de higiene, de limpeza, máscara para criança e adolescente que acharem necessário", disse Raphael Câmara Parente, secretário de Atenção Primária à Saúde. Escolas privadas de Natal foram as primeiras a retomarem aulas presenciais no Rio Grande do Norte, durante a pandemia da Covid-19 Anna Alyne Cunha VÍDEOS: Boas iniciativas durante a pandemia Veja Mais

Síndrome rara que já atingiu 197 crianças e jovens pós-Covid no Brasil poder causar febre e mais 8 sintomas

Glogo - Ciência Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) pode ser desenvolvida em pessoas de 0 a 19 anos que foram previamente infectadas. Quatorze morreram por complicações. Doença atinge crianças e jovens que já tenham contraído Covid-19 O Brasil já registrou 197 casos e 14 óbitos de crianças e jovens que desenvolveram uma síndrome inflamatória rara após terem sido infectados pelo novo coronavírus, de acordo com dados do Ministério da Saúde. A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) pode se desenvolver em pessoas de 0 a 19 anos que tiveram Covid-19 previamente e que, inclusive, já estão curadas da doença. "Cabe ressaltar que estas ocorrências foram raras até o momento, frente ao grande número de casos com boa evolução da doença entre crianças e adolescentes", afirmou o Ministério da Saúde. "Esses casos começaram a ser reportados na Europa, nos Estados Unidos e depois aqui no Brasil. Eles foram classificados como uma síndrome inflamatória pós-Covid", explica o infectologista e pediatra membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Renato Kfouri. A maioria dos casos (38%) está entre crianças de 0 a 4 anos. São 75 registros da síndrome nessa faixa etária. Em seguida, está a faixa dos 5 aos 9 anos, com 65 casos; dos 10 aos 14, com 49; e de 15 a 19, com 8 casos. O primeiro critério para avaliação dessa síndrome é que o paciente tenha tido Covid-19 previamente. Entre os sintomas, estão: febre conjuntivite manchas vermelhas no corpo problemas gastrointestinais dor abdominal vômitos inchaço nas articulações tosse falta de ar "São sintomas muito parecidos com os da Síndrome de Kawasaki, que também só atinge crianças e jovens. Mas é uma síndrome nova, e ninguém sabe ainda o porquê de algumas crianças estarem tendo isso depois da Covid-19, e outras não", afirma o infectologista Kfouri. Esse foi o caso de João Vitor, de 6 anos. Ele apresentou febre por cinco dias, fortes dores abdominais e manchas no corpo. A família do menino o levou a quatro médicos diferentes até conseguir receber um diagnóstico. "Um deles chegou a dizer que era dor psicológica", conta Fernanda Janneo, tia dele. Quatro dias após o início dos sintomas, quando a conjuntivite apareceu, os médicos conseguiram realizar o diagnóstico. João Vitor está internado desde 5 de setembro no Hospital Universitário da USP. Ele foi para a UTI e chegou a ser entubado. “Primeiro, falaram que era Síndrome de Kawasaki. Depois, descobriram que ele já teve Covid-19. A gente não sabia, ele foi assintomático. Foi então que classificaram como essa síndrome pós-Covid”, explica Fernanda. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, a principal diferença entre as duas síndromes é que a SIM-P registra maior frequência de manifestações gastrointestinais e de disfunção miocárdica nos pacientes. Além disso, a SIM-P também afeta crianças mais velhas, enquanto a Síndrome de Kawasaki é predominante em crianças até os cinco anos de idade. A nova síndrome, que é considerada rara, foi registrada em 14 das 27 unidades federativas do país. O estado que registrou mais casos (21%) é o Ceará, com 41 notificações. Em seguida, estão: Pará (24 casos), Rio de Janeiro (22), São Paulo (19) e Distrito Federal (19). Também foram registrados casos em Alagoas (9), Bahia (11), Espírito Santo (8), Minas Gerais (5), Paraíba (6), Pernambuco (9), Piauí (6), Rio Grande do Norte (9) e Rio Grande do Sul (9). Entre as 14 mortes, 64% foram registradas em crianças de 0 a 4 anos. Foram 9 óbitos nessa faixa etária. As mortes aconteceram nos estados da Bahia (1), Ceará (2), Pará (3), Paraíba (2), Pernambuco (1), Piauí (1), Rio de Janeiro (3) e São Paulo (1). O pediatra Kfouri afirma que o tratamento para essa síndrome inflamatória consiste num suporte cardiovascular, com remédios para o coração e também para a inflamação. A doença se tornou notificação obrigatória no Ministério da Saúde em 17 de agosto, a pedido da Sociedade Brasileira de Pediatria. Além disso, desde 24 de julho, o ministério disponibiliza uma plataforma online para monitorar casos de SIM-P associados à Covid-19. Initial plugin text Veja Mais

Laboratório estatal vaza bactéria e contamina mais de 3 mil pessoas na China

Glogo - Ciência O patógeno causa a brucelose, doença transmitida pelo gado. Ela causa febre, diarreia, fadiga, entre outros sintomas. Os pacientes serão indenizados pela empresa a partir de outubro. Autoridades chinesas informaram que mais de 3 mil pessoas no noroeste da China adoeceram depois que uma bactéria "escapou" de um laboratório biofarmacêutico que produz vacinas para animais, de acordo com a agência France Presse. O acidente aconteceu em 2019, e foi divulgado pelas autoridades na terça-feira (8). A bactéria em questão causa a brucelose, uma doença transmitida pelo gado para as pessoas ou por produtos de origem animal, principalmente por produtos lácteos não pasteurizados. A infecção pode causar fadiga, perda de peso, febre, diarreia, dores nas articulações e dores de cabeça. Brucelose é causada por bactéria e atinge mamíferos TV Globo Desde o ocorrido, um total de 3.245 pessoas foram testadas e tiveram resultado positivo para a bactéria, segundo autoridades sanitárias de Lanzhou, capital da província de Gansu. O governo local afirma, ainda de acordo com a France Presse, que não houve transmissão de humano para humano. Entenda a importância da vacinação contra a brucelose, doença causada por bactéria em mamíferos Os pacientes receberão uma indenização a partir de outubro, de acordo com as autoridades de Lanzhou. O vazamento Na terça, as autoridades chinesas explicaram , segundo a France Presse, que em julho e agosto de 2019, um laboratório estatal, a Unidade Biofarmacêutica de Lanzhou para Pecuária, usou um desinfetante vencido na produção de vacinas contra brucelose para animais. Como resultado, a esterilização foi incompleta e as bactérias ficaram nas emissões de gases da empresa. O gás contaminado se espalhou pelo ar até o vizinho Instituto de Pesquisa Veterinária, onde infectou quase 200 pessoas em dezembro passado. O laboratório pediu desculpas no início deste ano. Ele teve sua licença para produzir vacinas contra a brucelose revogada. Brucelose coloca em risco a saúde das pessoas caso não haja o devido cuidado com o gado Casos no Brasil Em maio de 2019, uma produtora rural contaminada com brucelose passou duas semanas internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de Juiz de Fora, em Minas Gerais, mas se recuperou da doença. Em dezembro, três pessoas foram diagnosticadas com brucelose no Tocantins após um churrasco. Em junho, a Justiça do Trabalho determinou que um frigorífico em Confresa, a 1.160 km de Cuiabá, tome medidas de segurança contra a exposição dos trabalhadores a animais e carcaças contaminados com brucelose. Mais de 20 casos de contaminação foram identificados em exames periódicos ou demissionais da empresa. VÍDEOS: Ciência e Saúde Veja Mais

Ministério da Agricultura critica Guia Alimentar e pede fim da classificação que desaconselha ultraprocessados

Glogo - Ciência Pasta afirma que ao recomendar o consumo mínimo de ultraprocessados, o Guia 'impede ampliar a autonomia das escolhas alimentares'. Pesquisadores da USP rebatem as críticas. O aumento no consumo de industrializados ultraprocessados, como salgadinhos, aumenta a obesidade Pixabay Uma nota técnica do Ministério da Agricultura enviada ao Ministério da Saúde faz críticas e pede a revisão do "Guia Alimentar para a População Brasileira", principalmente no que se refere à redução de alimentos ultraprocessados. O posicionamento do governo foi duramente criticado por especialistas, que lembram que órgãos internacionais e outros países adotam os padrões do guia brasileiro. Procurado pelo G1, o Ministério da Agricultura não se posicionou sobre o tema. O Guia Alimentar oferece informações sobre alimentação e saúde com base em uma classificação que divide os alimentos de acordo com o nível de processamento em sua produção, além de alertar sobre doenças como obesidade e diabetes (veja mais detalhes abaixo). Alimentos ultraprocessados: o perigo nas letras miúdas Cientistas ligam alimentos ultraprocessados a mortes prematuras; saiba quais são eles Na nota técnica, o Ministério da Agricultura avalia a classificação - chamada de NOVA - como "confusa, incoerente, que impede ampliar a autonomia das escolhas alimentares". "A recomendação mais forte nesse momento é a imediata retirada das menções a classificação NOVA no atual guia alimentar e das menções equivocadas, preconceituosas e pseudocientíficas sobre os produtos de origem animal", diz trecho do documento da pasta. Reprodução de trecho do Guia Alimentar Ministério da Saúde A nota ainda pede uma revisão de todo o Guia com a participação de "setores especializados na ciência dos alimentos", citando como exemplo engenheiros de alimentos O documento é assinado por Luís Eduardo Rangel e Eduardo Mazzoleni, diretor e coordenador do departamento de Análise Econômica e Políticas Públicas da Secretaria de Política Agrícola do ministério. Evite alimentos ultraprocessados na dieta Classificação NOVA Nesta quinta-feira (17), o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (Nupens/USP) publicou posicionamento contra a nota técnica do Ministério da Agricultura. O órgão científico é criador da classificação NOVA e ajudou na elaboração do Guia Alimentar. "Tais críticas se resumem a afirmações não amparadas por qualquer evidência científica", afirma a nota do Nupens. Os pesquisadores da USP também rebatem a afirmação da nota técnica do Ministério da Agricultura de que o Guia Alimentar brasileiro seria "um dos piores do mundo". Falta de acesso à alimentação de qualidade causa obesidade e subnutrição "Assim não pensam organismos técnicos das Nações Unidas, como a FAO, a OMS e o UNICEF, que consideram o Guia brasileiro um exemplo a ser seguido. Assim não pensam os Ministérios da Saúde do Canadá, da França, do Uruguai, do Peru e do Equador, que têm seus guias alimentares e suas políticas de alimentação e nutrição inspirados no Brasil", afirmou o Nupens. Em 2016, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) elogiou o Guia brasileiro e o classificou como um dos quatro mais completos do mundo por considerar tanto aspectos de saúde como do meio ambiente, equiparando-o com os documentos da Suécia, da Alemanha e do Qatar. Consumo de alimentos ultraprocessados aumentou durante a pandemia, revela nutricionista O Guia Alimentar: 'descasque mais' Lançado em novembro de 2014 pelo Ministério da Saúde, o Guia Alimentar tem como máxima o consumo mínimo de alimentos ultraprocessados. "Prefira sempre alimentos in natura ou minimamente processados e preparações culinárias a alimentos ultraprocessados. A regra de ouro é: descasque mais e desembale menos", informa o texto do Guia Alimentar de 2014. Alimentos ultraprocessados são aqueles fabricados pela indústria com a adição de gordura, sal, açúcar, conservantes e demais substâncias que alteram o alimento in natura. São exemplos: Refrigerante Carne processada, como salsichas e hambúrgueres Biscoitos industrializados Salgadinhos Macarrão instantâneo Alimentos in natura são aqueles vindos diretamente de plantas ou de animais, que não sofreram qualquer alteração após deixarem a natureza. São exemplos: Verduras e legumes Grãos Frutas Ovos Leite A Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar que os países adotassem Guias de alimentação como forma de prevenis doenças como obesidade e diabetes a partir da década de 1980. Tanto a FAO como a OMS recomendam uma dieta rica em cereais integrais, legumes, frutas e vegetais, assim como o consumo reduzido de carne e de alimentos com alto teor de gordura e de açúcar. VÍDEOS: Tudo sobre alimentação Veja Mais

As incríveis imagens do urso da idade do gelo encontrado praticamente intacto na Rússia

Glogo - Ciência O urso, achado no nordeste da Rússia por pastores de renas, é considerado uma descoberta de 'grande importância'. O urso da idade do gelo foi achado nas ilhas Lyakhovsky, no nordeste da Rússia NORTH-EASTERN FEDERAL UNIVERSITY Pastores de renas no Ártico russo desenterraram os restos perfeitamente preservados de um urso da idade do gelo, informou a Universidade Federal do Nordeste da Rússia (NEFU) na segunda-feira (14). O urso foi exposto pelo derretimento do permafrost nas ilhas Lyakhovsky, parte do arquipélago das Novas Ilhas Siberianas, no nordeste da Rússia. Esqueleto bem preservado de mamute é encontrado em lago no Ártico russo Cidade da Sibéria, no Circulo Polar Ártico, registra 38°C em junho Com os dentes e o nariz intactos, acredita-se que o urso seja uma espécie de urso-pardo que viveu de 22 mil a 39,5 mil anos atrás. Seus restos mortais serão estudados na NEFU, localizada na cidade de Yakutsk, no leste da Rússia. Uma análise está sendo feita para determinar a idade do urso NORTH-EASTERN FEDERAL UNIVERSITY Com tecido mole Lena Grigorieva, pesquisadora de Paleontologia do NEFU, disse à BBC que o animal seria um antigo parente do urso-pardo, uma espécie que vive hoje na Eurásia e na América do Norte. Cientistas da universidade, conhecidos por suas pesquisas com mamutes-lanosos e outras espécies pré-históricas, acreditam que a descoberta não tem precedentes. Grigorieva disse que o urso foi "a primeira e única descoberta desse tipo" a ser recuperada inteira com "tecido mole", de acordo com um comunicado da NEFU. "Ele está completamente preservado, com todos os órgãos internos no lugar, até o nariz", disse Grigorieva. "Anteriormente, apenas crânios e ossos haviam sido encontrados. Esta descoberta é de grande importância para todo o mundo", acrescentou. A universidade também disse que vai convidar outros cientistas russos para participar do estudo, com mais detalhes a serem anunciados em breve. Agora, "é necessário fazer uma análise de radiocarbono para determinar a idade precisa do urso", acrescentou a universidade, citando Maxim Cheprasov, pesquisador do laboratório do Museu Yakutsk Mammoth. O urso foi encontrado por pastores de renas no permafrost da Sibéria NORTH-EASTERN FEDERAL UNIVERSITY Mais descobertas Além desse urso, o cadáver preservado de um filhote também foi encontrado na região de Yakutia, no extremo leste da Rússia, de acordo com a NEFU. Em 2019, um filhote de 18 mil anos foi encontrado perfeitamente preservado, com dentes e pelo, no permafrost da Sibéria. Fósseis de mamutes são descobertos em lago da Sibéria Lobo que viveu há 40 mil anos é encontrado congelado na Sibéria Veja Mais

Bactérias da flora intestinal: o segredo para um envelhecimento saudável

Glogo - Ciência Estudo da microbiota pode levar ao desenvolvimento de novos tratamentos No mesmo evento da Sociedade Europeia de Cardiologia que alertou para os riscos das longas sonecas, tema da coluna de terça-feira, nossa microbiota ou flora intestinal foi assunto de destaque. Ela é composta por trilhões de microorganismos – basicamente bactérias e seres unicelulares conhecidos como arqueias – que realizam uma série de funções úteis. Tão úteis que pesquisadores divulgaram estudo, considerado especialmente importante, que reforça a tese da grande influência da microbiota na saúde e na doença, por estar associada a condições de pressão arterial, níveis de colesterol e o índice de massa corporal (IMC). Flora intestinal: a microbiota tem papel relevante na manutenção da saúde e pode ajudar a desenvolver novos tratamentos Alicia Harper para Pixabay “Nosso estudo indica que a microbiota tem papel relevante na manutenção da saúde e pode nos ajudar a desenvolver novos tratamentos. Pesquisas anteriores mostraram que a composição do microbioma humano podia ser parcialmente explicada por variantes genéticas. Em vez de pesquisar a composição genética do microbioma em si, usamos as alterações genéticas para estimar sua composição”, declarou a doutora Hilde Groot, da Universidade de Groningen, na Holanda. O percurso do trabalho foi o seguinte: foram avaliados os dados genéticos de mais de 420 mil pessoas, com idade média de 57 anos e sem relações de parentesco, sendo que 54% eram mulheres. Os pesquisadores descobriram que a existência de níveis elevados de 11 bactérias – a estimativa foi feita a partir dos dados do banco de genes – estava atrelada a 28 indicadores na saúde dos indivíduos, como, por exemplo, doença pulmonar obstrutiva crônica, atopia (a tendência hereditária de desenvolver doenças alérgicas como asma e eczema), frequência de consumo de álcool, pressão alta, níveis de colesterol e de índice de massa corporal acima do normal. A doutora Groot citou como exemplo que níveis elevados da bactéria do gênero Ruminococcus estavam ligados ao risco aumentado para pressão alta. Em relação ao consumo de álcool, afirmou que tudo o que comemos e bebemos tem relação com o perfil do microbioma: “observamos níveis aumentados de Methanobacterium quando há consumo frequente de bebida. São achados que sustentam a tese de associação entre as substâncias produzidas em nossa microbiota intestinal e doenças”. E nós com isso? Num futuro não muito distante, podemos imaginar alimentos capazes de mudar o perfil da flora intestinal e diminuir os riscos de algumas doenças. Veja Mais

Revista 'Scientific American' declara apoio a Biden e rompe com 175 anos de neutralidade eleitoral

Glogo - Ciência Editorial justifica posicionamento como resposta ao negacionismo de Donald Trump. É a primeira vez em quase 200 anos que a publicação apoia um candidato. Joe Biden, candidato democrata a presidente dos EUA, usa máscara ao chegar ao estado de Wisconsin nesta quinta-feira (3) Kevin Lamarque/Reuters Pela primeira vez em quase dois séculos de existência, a revista "Scientific American" anunciou seu apoio ao candidato democrata à Casa Branca, Joe Biden. Em editorial publicado na terça-feira (15), a revista se posicionou contra o negacionismo do presidente Donald Trump. A famosa publicação disse não ter tomado a decisão "de maneira leviana" depois de ficar fora do processo eleitoral durante 175 anos: "Fomos obrigados a fazer isso, Trump rejeita as evidências científicas". "O exemplo mais devastador é sua [de Trump] resposta desonesta e inepta à pandemia da Covid-19", escreve a Scientific American. A revista é uma das mais respeitadas entre os títulos de divulgação científica e foi fundada em 1845. Com reportagens especializadas, chegou a publicar em seu editorial, um artigo de Albert Einstein em 1950. Biden, em busca do voto dos latinos, visita a Flórida "Em sua negação da realidade, Trump bloqueou a ações dos EUA contra as mudanças climáticas", disse o editorial. "Alegando falsamente elas não existem, e tirando o país dos acordos internacionais que buscam a mitigação das emissões." A publicação disse ainda que Trump tem "atacado medidas de proteção ambiental, assistência médica, pesquisadores e agências científicas públicas que estão ajudando o país a se preparar para seus maiores desafios". A revista incentiva seus leitores a votar em Biden porque o candidato apresenta um programa que "busca proteger nossa saúde, nossa economia e nosso meio ambiente". O democrata propõe investir US$ 2 bilhões em meio ambiente e energia limpa, para alcançar a neutralidade de carbono até 2050. VÍDEOS: Eleições nos EUA 2020 d Initial plugin text Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 16 de setembro, segundo consórcio de veículos de imprensa (atualização das 8h)

Glogo - Ciência País tem 133.217 óbitos confirmados e 4.384.860 diagnósticos de Covid-19. Brasil tem 133.127 mortos por Covid-19, aponta consórcio de veículos O Brasil tem 133.217 mortes por coronavírus confirmadas até as 8h desta quarta-feira (16), segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Desde o balanço das 20h de terça-feira (15), 2 estados atualizaram seus dados: AP e GO. Veja os números consolidados: 133.217 mortes confirmadas 4.384.860 casos confirmados Na terça-feira, às 20h, o balanço indicou: 133.207 mortes, 1.090 em 24 horas. Com isso, a média móvel de novas mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 813 óbitos, uma variação de -7% em relação aos dados registrados em 14 dias. Em casos confirmados, já são 4.384.299 brasileiros com o novo coronavírus desde o começo da pandemia, 34.755 desses confirmados no último dia. A média móvel de casos foi de 31.311 por dia, uma variação de -22% em relação aos casos registrados em 14 dias. MÉDIA MÓVEL: veja como estão os casos e mortes no seu estado PANDEMIA NAS CIDADES: consulte casos e mortes em cada município do Brasil Progressão até 15 de setembro No total, 3 estados apresentaram alta de mortes: RS, RO e CE. Em relação a segunda-feira (14), RO e RS estavam com a média de mortes em estabilidade e, hoje, estão em alta. RJ e MA estavam com a média em queda e, agora, estão em estabilidade. MT estava em estabilidade e, agora, está em queda. AC estava em alta e, hoje, está em estabilidade. Estados Subindo (3 estados): RS, RO e CE. Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (12 estados): PR, RJ, SP, DF, GO, MS, AC, PA, RR, MA, PE e SE. Em queda (11 estados): SC, ES, MG, MT, AM, TO, AL, BA, PB, PI e RN. O estado do Amapá não divulgou os dados até as 20h. Considerando os dados até 20h de segunda-feira (14), estava em queda (-67%). Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Estados com a média de mortes em alta Arte G1 Estados com a média de mortes em estabilidade Arte G1 Estados com a média de mortes em queda Arte G1 Sul PR: +2% RS: +21% SC: -31% Sudeste ES: -24% MG: -19% RJ: -13% SP: +4% Centro-Oeste DF: -1% GO: +14% MS: -1% MT: -19% Norte AC: +9% AM: -76% AP: - PA: +11% RO: +25% RR: 0% TO: -20% Nordeste AL: -17% BA: -21% CE: +35% MA: -6% PB: -23% PE: -12% PI: -20% RN: -48% SE: +4% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja Mais

Taxa de transmissão da Covid-19 no Brasil volta a cair ao menor patamar desde abril, aponta Imperial College

Glogo - Ciência Ritmo do contágio no país está em R0 = 0,9, o que significa que cada grupo de 100 infectados transmite o novo coronavírus a outras 90 pessoas. Modelo 3D do Sars-Cov-2, o novo coronavírus Reprodução/Visual Science A taxa de transmissão (R0) do novo coronavírus no Brasil atingiu o menor valor desde o início do acompanhamento do Imperial College London, em abril, segundo relatório da instituição divulgado nesta terça-feira (15). O estudo mostra que o índice está em 0,9 — ou seja, cada grupo de 100 pacientes com o vírus infecta outras 90 pessoas, o que indica um freio nos contágios da Covid-19. Segundo o relatório, os dados levam em conta a mediana das estimativas de mortes na comparação das duas semanas. Pelas estatísticas, essa taxa pode ser maior (até R0 = 1,21) ou menor (até R0 = 0,86). A instituição também informa que as autoridades brasileiras têm revisado os números, e pede que os índices do Brasil sejam lidos com cautela. Há quase um mês, em 16 de agosto, a taxa de transmissão do novo coronavírus no país caiu pela primeira vez para valores abaixo de R0 = 1. Nas semanas seguintes, o Imperial College registrou pequenas oscilações para mais ou para menos. Veja a série abaixo. Taxa monitorada desde abril no Brasil Casos e mortes no Brasil Balanço diário de segunda-feira (15) feito pelo consórcio de meios de comunicação com base nas secretarias estaduais de Saúde mostrou que o Brasil registra mais de 132 mil mortes desde o início da pandemia. O número de casos de Covid-19 no país desde a primeira transmissão passa de 4,3 milhões. Na comparação com 14 dias atrás, o Brasil registrou queda de 28% no número de novos casos. Em relação às novas mortes diárias, o país esteve na segunda-feira no limite da estabilidade, com queda de -15% nos novos óbitos confirmados por dia. PLAYLIST: veja novidades sobre as pesquisas para uma vacina contra a Covid-19 Veja Mais

Covid-19 'do futuro' deverá ser sazonal como outros vírus respiratórios, sugerem pesquisadores

Glogo - Ciência Artigo publicado nesta terça-feira (15/9) indica que, após imunidade coletiva ser atingida, Sars-CoV-2 poderá ser mais problemática em determinadas épocas do ano. Foto microscópica mostra célula humana sendo infectada pelo Sars Cov-2, o novo coronavírus NIAID via Nasa Já conhecemos diversos vírus que causam mais problemas em determinadas estações do ano, como o da influenza e o vírus sincicial respiratório (RSV) no inverno ou o da parainfluenza em setembro para o Hemisfério Sul. Segundo um artigo publicado nesta terça-feira (15/9) no periódico Frontiers in Public Health, tudo indica que, no futuro, o novo coronavírus também se tornará uma doença respiratória sazonal, possivelmente trazendo mais problemas no inverno — mas isto apenas depois que a imunidade coletiva para a nova doença seja atingida por vias naturais ou por meio de uma vacina. O trabalho foi fruto de uma revisão de estudos anteriores sobre diversos tipos de vírus e sua sazonalidade. Imunidade de rebanho: o que é e qual é seu custo para a sociedade? "A Covid-19 veio para ficar e ela continuará a causar surtos ao longo do tempo até que a imunidade coletiva seja atingida. Assim, o público precisará aprender a viver com a doença e a continuar praticando as melhores medidas de prevenção, incluindo usar máscaras, evitar aglomerações, distanciamento físico e higiene das mãos", explicou em comunicado à imprensa Hassan Zaraket, líder do estudo e pesquisador da Universidade Americana em Beirute, no Líbano. "Continua se tratando de um vírus novo e, apesar do rápido e crescente volume de evidências científicas sobre ele, ainda há muitas coisas desconhecidas. Se nossas previsões serão confirmadas ou não no futuro, ainda não sabemos. Mas acreditamos que é muito provável que a Covid-19 se torne sazonal, como outros coronavírus." Coronavírus pode nunca desaparecer, diz OMS A sazonalidade de vírus respiratórios é mais evidente em regiões de clima temperado, enquanto em regiões tropicais, como no Brasil, vírus como o influenza (causador da gripe) podem afetar de forma mais diluída ao longo do ano. Para o Sars-CoV-2, porém, a etapa da sazonalidade ainda não chegou pois as populações que ele encontrou pela frente eram desprotegidas imunologicamente — uma evidência disso é sua taxa de reprodução maior do que outros vírus, como da gripe. Um exemplo de que, por enquanto, condições climáticas ainda não afetam tanto a propagação do coronavírus é que a maior taxa de infecção per capita no mundo foi registrada no Golfo Pérsico em pleno verão, dizem os autores. Ainda assim, segundo o artigo, ainda que regiões tropicais estejam sofrendo fortemente com a Covid-19, há evidências de que a transmissão foi mais agressiva no inverno de regiões temperadas — o que indica que o frio e o clima seco podem favorecer a infecção. Crianças e Covid-19: veja em 7 pontos sobre o que a ciência já sabe sobre o tema A sazonalidade já foi relatada recentemente para outros coronavírus, como o NL63 e o HKU1. Já o coronavírus que causa a síndrome respiratória do Oriente Médio (Mers, na sigla em inglês), que gerou surtos em vários países a partir de 2012, ainda está produzindo infecções "intermitentes e esporádicas", sem uma sazonalidade evidente, diz o artigo na Frontiers in Public Health. Esperar imunidade de rebanho 'é absurdo e antiético', diz líder de estudo que investiga quantos tiveram Covid-19 no Brasil A sazonalidade dos vírus é resultado de uma combinação de fatores envolvendo temperatura e umidade — como as condições de sobrevivência dos patógenos no ar e nas superfícies; a baixa da imunidade diante de alterações climáticas; e a hábitos, como o de se aglomerar em ambientes fechados quando está frio. 'Imunidade de rebanho': o que é e quais os riscos de deixar a pandemia correr seu curso Veja Mais

Crianças e Covid-19: veja em 7 pontos sobre o que a ciência já sabe sobre o tema

Glogo - Ciência Pesquisas apontam que o risco de morte é muito baixo, mas que as crianças podem desenvolver uma síndrome rara e grave associada à doença. Além disso, podem ter mais vírus no corpo que adultos e são capazes de transmitir a doença mesmo sem sintomas. Crianças checam a temperatura em um robô em uma demonstração em uma escola primária em Madri, no dia 4 de setembro, em meio à pandemia da Covid-19. Paul White/AP Estudos publicados nos últimos meses ajudam a ciência a responder a algumas perguntas sobre as crianças e a Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2): quais os sintomas da Covid-19 nelas? Se elas forem infectadas, qual a chance de terem um caso grave da doença? Quanta carga viral têm no corpo? Nesta reportagem, você lerá sobre 7 pontos que a ciência já sabe sobre como a Covid-19 afeta as crianças: Sintomas da doença Síndrome associada à Covid-19 Gravidade da doença Risco de morte Quantidade de vírus no corpo (carga viral) Tempo do vírus fica no corpo Por que as crianças tendem a ser menos afetadas Ao final, poderá saber mais sobre o que os cientistas ainda precisam entender. Veja abaixo: 1) Quais os sintomas da Covid-19 em crianças? Crianças com mochilas esperam em fila em um parquinho de uma escola primária em Montpellier, na França, no dia 1º de setembro Pascal Guyot / AFP Um estudo britânico publicado no fim de agosto no "British Medical Journal" (BMJ) mostrou que os sintomas mais comuns da doença entre crianças e adolescentes de 0 a 19 anos foram a febre (70%), a tosse (39%), náusea ou vômito (32%) e falta de ar (30%). O estudo avaliou 651 pacientes. A febre e a coriza (nariz escorrendo) eram menos comuns quanto mais velhas fossem as crianças; já ter náusea, vômito, dor abdominal, de cabeça e garganta tendia a ser mais frequente conforme a idade aumentava, segundo o estudo. Mas as crianças, assim como os adultos, também podem não ter nenhum sintoma da infecção: em um estudo feito com 91 crianças e adolescentes, com idades de 0 a 18 anos na Coreia do Sul, cientistas perceberam que 20 delas, o equivalente a 22%, não mostraram nenhum sinal da doença durante o tempo em que foram monitoradas, que foi, em média, 16 dias. Outras 18 crianças, o equivalente a 25%, começaram assintomáticas, mas desenvolveram sintomas depois; e apenas 6 (o equivalente a 9%) foram diagnosticadas na época do início dos sintomas. Os mais comuns foram a tosse (41%), a febre baixa (38%), o catarro (32%), a febre acima de 38°C (30%). "As crianças com Covid têm um quadro clínico, em geral, mais leve que os adultos. Como elas são menos sintomáticas, o quadro pode passar despercebido", avalia o pediatra Artur Figueiredo Delgado, coordenador do CTI do Instituto da Criança e do Adolescente do Hospital das Clínicas da USP (HCFMUSP). Crianças também podem desenvolver problemas intestinais, como diarreia. Mas o pediatra lembra que outros vírus – como o rotavírus e o adenovírus – podem causar os mesmos sintomas. Ele ressalva, entretanto, que, se houver um diagnóstico positivo de Covid, os problemas intestinais devem servir de alerta. "Pacientes com sintomas gastrointestinais, diarreia, dor abdominal podem ter uma evolução pior. Tendo Covid, a presença de diarreia, vômito e dor abdominal é um sinal de alerta que a evolução é mais grave", afirma Delgado. "A família precisa estar atenta a sintomas, e, não estando confortável, levar para avaliação médica, tomando aqueles cuidados sempre – distanciamento social, uso de máscara [na criança] acima de dois anos e os cuidados de contato", completa. 2) Síndrome associada à Covid Crianças fazem aula de educação física em uma escola de jardim-de-infância em Medellín, na Colômbia, usando máscaras, no dia 3 de setembro, em meio à pandemia de Covid-19. Joaquin Sarmiento / AFP As crianças também podem desenvolver um problema chamado Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), associada à Covid-19. A SIM-P pode ser leve, moderada ou grave, explica Artur Figueiredo Delgado, do HCFMUSP. A síndrome é uma grande resposta inflamatória que, em casos graves, pode acometer diversos órgãos e sistemas do corpo. Os principais atingidos são o sistema cardiovascular e o trato digestivo, e também há alterações na pele e nas mucosas. PERNAMBUCO: Primeira morte de criança por síndrome rara associada à Covid-19; número de doentes chega a nove A principal característica da SIM-P é a febre persistente e difícil de abaixar, o que nem sempre aparece em casos de Covid-19. Ela pode ser acompanhada de dores no corpo, de cabeça, mal-estar e indisposição. Meninas lavam as mãos antes de entrarem na sala de aula em uma escola primária em Lille, no norte da França, no dia 1º de setembro, primeiro dia letivo em meio à pandemia de Covid-19. Denis Charlet/AFP "No trato digestivo, tem diarreia, dor abdominal que pode simular uma apendicite aguda. Nas alterações mucocutâneas, há vermelhidão e manchas na pele e lábios com fissuras", explica Artur Delgado. Uma outra forma de apresentação da SIM-P é semelhante à síndrome de Kawasaki, uma doença de origem imunoalérgica que também causa febre difícil de abaixar. "Mas o que mais chama a atenção é o quadro cardiovascular, que pode levar a insuficiência cardíaca ou estado de choque, com pressão arterial muito baixa e que pode levar à morte", completa o pediatra. Delgado afirma que há dois motivos pelos quais a Covid-19 leva a um quadro de SIM-P: o primeiro é a agressão direta do vírus aos órgãos, que já foi comprovada com necrópsias descritas ao redor do mundo. O segundo mecanismo é mais tardio: primeiro a criança tem a Covid (que pode ser leve ou assintomática) e, depois, em um período de 14 a 30 dias, desenvolve a SIM-P, desencadeada por uma reação do sistema imunológico. Ele esclarece, entretanto, que a SIM-P é rara e já existia antes da Covid-19, e, ainda que sua incidência tenha aumentado com a pandemia, a síndrome continua ocorrendo pouco: cerca de mil crianças podem ter tido o problema em todo o mundo, afirma. Aluna escreve durante uma aula improvisada em uma caçamba transformada em centro educacional no sul da Cidade do México, no dia 4 de setembro. Rebecca Blackwell/AP No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, foram registrados, até o dia 22 de agosto, 197 casos de SIM-P associados à Covid-19 em crianças e adolescentes de 0 a 19 anos, com 14 mortes. A maioria dos casos foi registrada em crianças e jovens do sexo masculino: 115, o equivalente a cerca de 58%, e a maior parte dos óbitos foi em crianças com idades entre 0 e 4 anos: 9 (6 meninos e 3 meninas). A maior concentração dos casos de SIM-P associados ao novo coronavírus está nos estados do Ceará, Distrito Federal, Pará, Rio de Janeiro e São Paulo, segundo o ministério. No estudo feito no Reino Unido, a ocorrência da síndrome multissistêmica foi mais comum entre crianças mais velhas (com uma média de idade em torno de 11 anos) e que não eram brancas: ao houve 52 ocorrências entre 456 crianças para as quais havia resultados disponíveis (o equivalente a 11%). 3) Crianças podem ter quadros graves de Covid-19? Pesquisa britânica conclui que crianças e adolescentes têm menos risco de Covid grave Sim, mas a probabilidade é menor que nos adultos. No estudo publicado no BMJ, com 651 crianças com idades entre 0 e 19 anos no Reino Unido, os cientistas constataram que: 18% das crianças precisaram de cuidados intensivos (116 de 632 para as quais havia resultados disponíveis); 9% precisaram de ventilação não invasiva (57 de 619 para as quais havia resultados disponíveis); e outros 9% (58 de 620 para as quais havia resultados disponíveis) precisaram de ventilação mecânica (intubação). Segundo os autores da pesquisa, ter idade abaixo de um mês ou entre 10 e 14 anos foram fatores de risco para admissão na UTI. Ter a pele negra também foi um risco a mais: essas crianças tiveram cerca de 3 vezes mais chance, em média, de precisar de cuidados intensivos em relação a crianças brancas, mesmo quando outros fatores também eram levados em conta. Foto mostra menina colorindo figura em uma biblioteca comunitária na favela do Morro do Salgueiro, no Rio de Janeiro, no dia 27 de agosto. Silvia Izquierdo/AP "Não podemos explicar os achados. Nosso estudo foi apenas descritivo", afirmou, em entrevista ao G1, o pesquisador Calum Semple, professor de pediatria, medicina de surtos e consultor de saúde respiratória pediátrica da Universidade de Liverpool, no Reino Unido, e autor sênior do estudo. Semple afirma que diversos fatores associados à realidade das crianças negras ajuda pode ajudar a entender a estatística. "'É múltiplo. Tem a ver com a nutrição da criança ao longo da vida, moradia, educação dos pais, acesso aos serviços de saúde. É tudo", explicou o cientista. Mas ele frisa que deve também haver fatores genéticos envolvidos, porque o mesmo padrão foi encontrado em adultos com relação à cor da pele. Ele não soube dizer se, por exemplo, as crianças negras demoram mais tempo para serem levadas ao médico do que as brancas. (Essa relação é apontada por pesquisadoras brasileiras como uma possível razão para que as mulheres grávidas pretas no Brasil morram duas vezes mais do que as brancas pela Covid-19). O estudo feito na Coreia do Sul, com 91 pacientes, registrou apenas 2 casos graves da doença. Mesmo assim, nenhum deles precisou de ventilação mecânica (intubação). Uma outra pesquisa, feita em um hospital infantil em Nova York e publicada em junho, analisou 50 crianças e adolescentes com idade até 21 anos e constatou que: era comum que os pacientes que precisavam de hospitalização tivessem comorbidades. Pacientes acima dos 2 anos de idade que fossem obesos tinham probabilidade de precisar de ventilação mecânica; bebês pequenos tinham uma forma menos grave da doença; ter marcadores inflamatórios elevados no momento da internação e ao longo da hospitalização foi associado a casos graves da doença; ter algum tipo de comprometimento do sistema imunológico não foi associado a um caso mais grave de Covid-19. 4) Crianças podem morrer de Covid-19? Crianças voltam para a sala de aula em uma escola primária em Montpellier, na França, no primeiro dia de volta às aulas em meio à pandemia de Covid-19 no país, no dia 1º de setembro. Pascal Guyot/AFP Sim, mas o risco é muito baixo. Os cientistas britânicos classificaram a morte por Covid-19 em crianças como "excepcionalmente rara". Eles tinham dados de 69,5 mil pessoas internadas em 260 hospitais britânicos até o dia 3 de julho (as crianças e adolescentes analisados estavam incluídos nessa população). Na população em geral, com idades entre 0 e 106 anos, a mortalidade foi de 27% (18,8 mil pessoas morreram). Considerando somente as crianças e adolescentes com idade entre 0 e 19 anos, esse índice foi de 1% (houve 6 mortes entre os 627 pacientes para os quais havia resultados disponíveis). No estudo coreano, com 91 crianças e adolescentes, nenhuma delas morreu. Na pesquisa no hospital de Nova York, com 50 pacientes, um morreu. No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, 821 crianças e adolescentes (de 0 a 19 anos) morreram por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) causada pela Covid-19 (veja gráfico) até o dia 5 de setembro. Outros 74 casos ainda estavam em investigação. O número representa 0,67% do total de mortes registradas pela pasta até aquela data (122.772, número ligeiramente menor que o levantado pelo consórcio de veículos de imprensa do qual o G1 faz parte). 5) As crianças têm menor quantidade de vírus (carga viral) no corpo que os adultos? Não necessariamente. Em um estudo publicado em 20 de agosto, pesquisadores dos Estados Unidos constataram que crianças com a Covid-19 internadas em uma UTI tinham maior carga viral do que adultos hospitalizados. As maiores quantidades de vírus foram encontradas nos pacientes com idades entre 11 e 16 anos, segundo o estudo. A pesquisa considerou como "crianças" todos aqueles com idade entre 0 e 22 anos, mas não especificou a idade dos adultos que foram analisados. Crianças e jovens têm carga viral superior à de adultos hospitalizados, diz estudo dos EUA Quanto maior a carga viral, maior é a capacidade que uma pessoa tem de transmitir a doença. Até agora, ainda não se sabe o quanto as crianças conseguem transmitir a doença – mas já se sabe que elas são capazes disso, explica Artur Delgado, da USP. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que crianças acima dos 2 anos de idade usem máscaras sempre que possível, para evitar a transmissão da doença. (Veja as recomendações completas). O potencial de transmissão infantil foi um dos pontos levantados pelos cientistas coreanos como uma limitação da pesquisa deles. Essa limitação ocorre por um motivo: o rastreio de pessoas infectadas é bastante eficaz na Coreia do Sul (o que permitiu, inclusive, que encontrassem crianças com o vírus antes de elas desenvolverem os sintomas da Covid-19); uma vez que essas pessoas são encontradas, elas são mantidas em quarentena rígida, para evitar que contaminem outras. 6) Por quanto tempo o vírus fica no corpo das crianças? Ainda não há uma resposta exata. No estudo coreano, com 91 crianças e adolescentes entre 0 e 19 anos, os pesquisadores constataram que, de forma geral, o vírus ficou detectável por uma média de 17,6 dias nas crianças. Nos casos assintomáticos, esse tempo foi de 14,1 dias. Uma outra pesquisa, feita no Children's National Hospital, na capital dos Estados Unidos, apontou que pacientes de 6 a 15 anos demoram mais tempo para eliminar o vírus (32 dias) quando comparados a pacientes de 16 a 22 anos (18 dias). As meninas na faixa etária de 6 a 15 anos também demoraram mais que os meninos (média de 44 dias para as meninas e 25,5 dias para os meninos). A mesma pesquisa também encontrou 33 crianças que tiveram resultados positivos tanto para a presença do material genético do vírus como para os anticorpos contra ele. 7) Por que as crianças tendem a ser menos afetadas? Crianças correm mais risco de se contaminar em casa do que na escola, diz estudo inglês A ciência ainda não sabe – mas já existem hipóteses. Um estudo publicado no dia 3 de setembro no periódico científico "PNAS" (Proceedings of the National Academy of Sciences) levantou as seguintes possíveis explicações para isso: ACE2 (enzima conversora de angiotensina) é reduzida no trato respiratório das crianças Tanto o primeiro vírus Sars (Sars-CoV-1) quanto o vírus SARS-CoV-2 ligam-se à enzima conversora de angiotensina 2 (ACE2). Segundo o estudo, a expressão de ACE2 aumenta com a idade no trato respiratório. Por isso, é reduzida nas crianças. O coronavírus associado a resfriados comuns em crianças pode oferecer alguma proteção Estudos mostram que crianças com menos de dois anos têm cinco ou mais infecções respiratórias por ano e passam cerca de 44 dias com doenças respiratórias superiores leves. A imunidade adaptativa aos resfriados comuns pode fornecer alguma proteção contra infecções microbianas, incluindo o Sars-CoV-2. As respostas imunes do Th2 são protetoras em crianças Citocinas produzidas pelas células Th2 ajudam a ativar células B, resultando na produção de anticorpos. As citocinas são proteínas produzidas pelas células em resposta ao processo inflamatório. A eosinofilia, associada ao Th2, pode ser protetora A eosinofilia, na maioria das vezes, tem relação com processos inflamatórios. A inflamação de Th2 pode predispor o indivíduo a experimentar melhores resultados de Covid-19, por meio de uma diminuição nos níveis de ACE2 nas vias aéreas. Crianças geralmente produzem níveis mais baixos de citocinas inflamatórias Crianças produzem níveis reduzidos de citocinas inflamatórias nas células pulmonares e isso pode reduzir a chance de um fenômeno chamado de “tempestade de citocinas”, quando há descontrole na resposta imunológica. Até agora, as crianças têm sido protegidas de casos mais graves de coronavírus. Segundo o órgão de controle e prevenção de doenças americano (CDC), desde 1º de março de 2020, foram 576 hospitalizações pediátricas associadas ao coronavírus. Estudos da China, Itália, Espanha e América do Norte também indicam que as crianças são hospitalizadas com menos frequência do que os adultos, e muitas das internações ocorreram porque esses pacientes já tinham problemas pré-existentes. Pesquisadores dizem que descobrir o motivo de as crianças serem menos propensas a desenvolver Covid-19 (embora a taxa de infecção seja semelhante à de adultos) pode oferecer pistas produtivas para conter e erradicar a transmissão do vírus. Initial plugin text Veja Mais

A desconhecida extinção em massa que mudou a Terra e permitiu que os dinossauros dominassem o planeta

Glogo - Ciência O evento consistiu em uma série de violentas explosões vulcânicas e fez com que os dinossauros se tornassem a espécie dominante por 165 milhões de anos. Lava é expelida pelo Vulcão de Fogo, visto da comunidade de San Antonio em Colima, no México, no domingo (12). Centenas de pessoas foram removidas da região e um aeroporto foi fechado por medo de esta se tornar uma das maiores erupções do vulcão Hector Guerrero/AFP Enormes erupções vulcânicas há 233 milhões de anos lançaram dióxido de carbono, metano e vapor d'água na atmosfera. Essa série de explosões violentas, na região onde hoje está a costa oeste do Canadá, levou a um aquecimento global massivo. Uma nova pesquisa revelou que este foi um evento de extinção em massa que alterou o planeta, matou muitos dos tetrápodes dominantes e anunciou a aurora dos dinossauros. O enigma da inóspita nuvem de Vênus que pode ter vida extraterrestre Anúncio de sinal de vida em Vênus é 'imprudente' e 'precipitado', diz astrofísica brasileira associada à Nasa A extinção em massa mais conhecida ocorreu no final do período Cretáceo, há 66 milhões de anos. Foi quando os dinossauros, pterossauros, répteis marinhos e amonoides morreram. Esse evento foi causado principalmente pelo impacto de um asteroide gigante que escureceu a luz do sol e causou escuridão e congelamento, seguido por outras perturbações maciças dos oceanos e da atmosfera. Geólogos e paleontólogos concordam com uma lista de cinco desses eventos, dos quais a extinção em massa do fim do Cretáceo foi o último. Portanto, nossa nova descoberta de uma extinção em massa até então desconhecida pode parecer inesperada. No entanto, esse evento, denominado Carnian Pluvial Episode (CPE), parece ter matado tantas espécies quanto o asteroide gigante matou. Os ecossistemas terrestres e marítimos foram profundamente alterados, à medida que o planeta ficou mais quente e seco. Em terra, isso desencadeou mudanças profundas nas plantas e nos herbívoros. Por sua vez, com o declínio dos tetrápodes herbívoros dominantes, como rincossauros e dicinodontes, os dinossauros tiveram sua chance. Um dos mais completos esqueletos de T-rex vai a leilão e pode ultrapassar os US$8 milhões Mike Segar/Reuters Os dinossauros se originaram cerca de 15 milhões de anos antes e nosso novo estudo mostra que, como resultado do CPE, eles se expandiram rapidamente nos 10 milhões a 15 milhões de anos subsequentes e se tornaram a espécie dominante nos ecossistemas terrestres. O CPE desencadeou a "era dos dinossauros", que durou mais 165 milhões de anos. Não foram apenas os dinossauros que tiveram uma oportunidade. Muitos grupos de tetrápodes modernos, como tartarugas, lagartos, crocodilos e mamíferos, datam dessa recém-descoberta época de revolução. Seguindo as pistas Este evento foi notado pela primeira vez, de forma independente, na década de 1980. Mas pensava-se que estava restrito à Europa. Primeiro, geólogos na Alemanha, Suíça e Itália reconheceram uma grande rotatividade entre as faunas marinhas há cerca de 232 milhões de anos, denominado Rheingraben. Então, em 1986, foi reconhecido independentemente como uma mudança em escala global entre tetrápodes e amonoides. Mas, naquela época, o processo de determinação da idade era muito mais fraco do que agora e era impossível ter certeza se ambos eram o mesmo evento. As peças do quebra-cabeça começaram a se encaixar quando um episódio de cerca de 1 milhão de anos de climas úmidos foi reconhecido em todo o Reino Unido e em partes da Europa pelos geólogos Mike Simms e Alastair Ruffell. Então, o geólogo Jacopo dal Corso identificou uma coincidência no momento do CPE com o pico das erupções dos basaltos de Wrangellia – um termo que os geólogos dão a uma placa tectônica estreita que está ligada à costa oeste do continente norte-americano, ao norte de Vancouver e Seattle. Finalmente, em uma revisão das evidências de rochas com idade triássica, a assinatura do CPE foi detectada — não apenas na Europa, mas também na América do Sul, América do Norte, Austrália e Ásia. Este estava longe de ser um evento exclusivo para a Europa. Foi global. Placas tectônicas BBC Erupções vulcânicas As enormes erupções de Wrangellia liberaram dióxido de carbono, metano e vapor d'água na atmosfera, levando ao aquecimento global e ao aumento das chuvas em todo o mundo. Houve até cinco pulsos de erupções associadas a picos de aquecimento de 233 milhões de anos atrás. As erupções levaram à chuva ácida, pois os gases vulcânicos se misturaram à água da chuva para banhar a Terra em ácido diluído. Oceanos rasos também sofreram acidificação. O forte aquecimento expulsou plantas e animais dos trópicos e a chuva ácida matou plantas em terra, enquanto a acidificação do oceano atacou todos os organismos marinhos com esqueletos carbonáticos. Isso removeu a superfície dos oceanos e da terra. Coluna de fumaça provocada pela erupção do Monte Sinabung, em Sumatra, na Indonésia, na segunda-feira (10) Antara Foto/Sastrawan Ginting/via Reuters A vida pode ter começado a se recuperar, mas quando as erupções cessaram, as temperaturas permaneceram altas enquanto as chuvas tropicais cessaram. Isso é o que causou a subsequente secagem da terra em que os dinossauros floresceram. O mais extraordinário foi a reformulação da fábrica de carbonato marinho. Esse é o mecanismo global pelo qual o carbonato de cálcio forma grandes espessuras de calcários e fornece material para organismos como corais e moluscos construírem suas conchas. O CPE marcou o início dos recifes de coral modernos, bem como de muitos dos grupos modernos de plâncton, sugerindo mudanças profundas na química dos oceanos. Antes do CPE, a principal fonte de carbonato nos oceanos vinha de ecossistemas microbianos, como montes de lama dominados por calcário, nas plataformas continentais. No entanto, depois do CPE, isso passou a ser impulsionado por recifes de coral e plâncton, onde novos grupos de microrganismos, como dinoflagelados, apareceram e floresceram. Essa mudança profunda nos ciclos químicos fundamentais dos oceanos marcou o início dos ecossistemas marinhos modernos. E haverá lições importantes sobre como ajudamos nosso planeta a se recuperar das mudanças climáticas. Os geólogos precisam investigar os detalhes da atividade vulcânica de Wrangellia e entender como essas erupções repetidas impulsionaram o clima e mudaram os ecossistemas da Terra. Houve uma série de extinções em massa induzidas por vulcanização na história da Terra e as perturbações físicas, como aquecimento global, chuva ácida e acidificação dos oceanos, estão entre os desafios que vemos hoje. Os paleontólogos precisarão trabalhar mais de perto com os dados de registros fósseis marinhos e continentais. Isso nos ajudará a entender como a crise se desenrolou em termos de perda de biodiversidade, mas também a explorar como o planeta se recuperou. VÍDEOS: Notícias de ciência e saúde Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 21 de setembro, segundo consórcio de veículos de imprensa

Glogo - Ciência País tem 136.923 óbitos confirmados e 4.544.347 diagnósticos de Covid-19. Brasil tem 136.923 mortos por Covid-19, aponta consórcio de veículos O Brasil tem 136.923 mortes por coronavírus confirmadas até as 8h desta segunda-feira (21), segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Desde o balanço das 20h de domingo (20), 3 estados atualizaram seus dados: BA, GO e RR. Veja os números consolidados: 136.923 mortes confirmadas 4.544.347 casos confirmados No domingo, às 20h, o balanço indicou: 136.895 mortes, 330 em 24 horas. Com isso, a média móvel de novas mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 747 óbitos, uma variação de -5% em relação aos dados registrados em 14 dias. Em casos confirmados, já são 4.544.262 brasileiros com o novo coronavírus desde o começo da pandemia, 15.915 desses confirmados no último dia. A média móvel de casos foi de 30.587 por dia, uma variação de -10% em relação aos casos registrados em 14 dias. MÉDIA MÓVEL: veja como estão os casos e mortes no seu estado PANDEMIA NAS CIDADES: consulte casos e mortes em cada município do Brasil Progressão até 20 de setembro 2 estados apresentaram alta de mortes: RJ e RO. Estados Subindo (2 estados): RJ e RO Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (14 estados): PR, RS, MG, SP, GO, MS, MT, AP, PA, BA, MA, PE, PI e RN Em queda (10 estados e o DF): SC, ES, DF, AC, AM, RR, TO, AL, CE, PB e SE Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Estados com mortes em alta em 20/09/2020 G1 Estados com mortes em estabilidade em 20/09/2020 G1 Estados com mortes em queda em 20/09/2020 G1 Sul PR: -1% RS: +2% SC: -32% Sudeste ES: -31% MG: -15% RJ: +30% SP: -1% Centro-Oeste DF: -18% GO: +11% MS: -1% MT: -11% Norte AC: -25% AM: -67% AP: +8% PA: +8% RO: +38% RR: -73% TO: -26% Nordeste AL: -18% BA: -5% CE: -18% MA: +1% PB: -20% PE: +11% PI: -10% RN: -5% SE: -22% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja Mais

Quatro cientistas brasileiras criam produto para combater o envelhecimento da pele que será lançado nos EUA

Glogo - Ciência Pesquisadoras desenvolveram algoritmo e criaram peptídeo com potencial de ser utilizado em outros tecidos do corpo Todas estão na faixa dos 30 anos e são PhDs em campos do conhecimento como bioquímica, imunologia e bioinformática. Carolina Oliveira, Alessandra Zonari, Mariana Boroni e Juliana Lott de Carvalho são cientistas, pesquisadoras e empreendedoras. Em outubro, as quatro amigas lançarão, nos Estados Unidos, um produto capaz de reverter o envelhecimento da pele, fruto de anos de trabalho. Quem me conta a trajetória do quarteto é Carolina, que se mudou para San Francisco, na Califórnia, para transformar o sonho em realidade. Alessandra se juntou a ela depois do pós-doutorado em Portugal. Mariana e Juliana são, respectivamente, pesquisadoras do Inca (Instituto Nacional de Câncer) e da UnB (Universidade de Brasília), e permanecem no Brasil, de onde participam do projeto. “O objetivo inicial era analisar a eficácia dos produtos voltados para combater o envelhecimento. Nosso trabalho seria uma prestação de serviço para checar a eficiência do que estava disponível para os consumidores. A ciência evoluiu muito nos últimos dez anos, mas a indústria cosmética não incorporou as inovações. As opções atuais são temporárias e voltadas para encobrir os efeitos do envelhecimento, não tratam das causas. Algumas são até intervenções invasivas que podem ter efeitos colaterais. Isso nos fez abandonar a ideia de analisar o que havia no mercado e investir na criação do nosso próprio produto”, diz. Da esquerda para a direita, Alessandra Zonari, Juliana Lott de Carvalho, Mariana Boroni e Carolina Oliveira: cientistas, pesquisadoras e empreendedoras Divulgação Numa primeira etapa, desenvolveram um algoritmo capaz de medir a idade da pele, testado em centenas de amostras. Na fase seguinte, criaram o OS-1, um peptídeo, que é uma biomolécula composta de aminoácidos. Nos testes clínicos, o OS-1 aumentou a espessura da epiderme, melhorou sua elasticidade e textura, e reduziu a quantidade de células senescentes numa proporção entre 25% e 40%. “Diminuímos a idade molecular da pele sem efeitos colaterais. Podemos identificar a sua idade e quanto rejuvenesceu, é o DNA que está dizendo, e não o marketing”, enfatiza. O mais bonito disso tudo: o peptídeo tem potencial para ser aplicado em outros tecidos, com a mesma finalidade. O suplemento tópico OS-1 da OneSkin, nome da empresa das cientistas, será lançado primeiro nos EUA, mas elas têm planos de levá-lo para outros países, inclusive o Brasil. Foi em 2016 que conseguiram o apoio da IndieBio, uma aceleradora de empresas iniciantes. “No Brasil, ainda há pouco interesse na área da biotecnologia, e aqui tivemos acesso a uma rede de mentores e investidores”, explica Carolina, acrescentando que a pele, o maior órgão do corpo, não tem o espaço que merece nas pesquisas: “trata-se de uma barreira natural contra infecções e agressões do meio ambiente, inclusive a poluição. É um componente vital para a saúde e a longevidade, mas vai ficando mais sujeita a doenças, como psoríase, eczemas e câncer. O acúmulo de células senescentes na pele nos levou a formular uma hipótese audaciosa: será que a sua deterioração não teria influência no nível de inflação do corpo, já que a barreira de proteção diminui? Nesse caso, um produto capaz de reverter seu envelhecimento poderia beneficiar o organismo como um todo”. Como este blog abordou em diversas ocasiões, a idade cronológica é marcada pela data do aniversário, mas há muito o que fazer em relação à idade biológica – justamente a proposta das pesquisadoras: “temos como modular algumas variáveis da idade biológica com exercício, alimentação adequada e sono de qualidade, por exemplo. Nosso suplemento tópico vai auxiliar a retardar o processo de envelhecimento, que não deve ser encarado como um limitador para as pessoas terem uma vida plena de significado. Também queremos inspirar meninas a seguir o caminho da ciência e mostrar que cientistas podem, sim, empreender”, finaliza Carolina. Nada como uma história bacana como essa para animar o domingo! Veja Mais

Atmosfera ácida e temperaturas altíssimas de Vênus podem ser o futuro da Terra, dizem astrônomos

Glogo - Ciência Acredita-se que Vênus já teve oceanos, mas se tornou o planeta mais quente do Sistema Solar por causa de um aquecimento global descontrolado. Aquecimento global na Terra pode transformar planeta em local inóspito como é Vênus. Pixabay "A Terra pode esquentar tanto por causa do aquecimento global que começará a se transformar em um planeta inóspito e ácido como Vênus." Parece profecia, mas a frase é um alerta do astrofísico especialista em atmosfera venusiana, Pedro Machado, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, em Portugal. "Parece um cenário dantesco, mas infelizmente um aquecimento global descontrolado na Terra pode fazer com toda a água que temos hoje evapore", explica Machado. Ele é colaborador do grupo de cientistas que anunciou nesta semana a descoberta de fosfina nas nuvens de Vênus, apontando para a possibilidade de existência de vida microbiana no planeta. O astrônomo Lewis Dartnell, professor da Universidade de Westminster, no Reino Unido, e autor do livro 'Origens: Como a Terra Nos Criou', também acredita nesta possibilidade de a Terra se transformar em um lugar como Vênus. "[Com o aumento das temperaturas] Os mares começarão a evaporar muito mais rápido. Todo esse vapor na atmosfera vai agir como um gás de efeito estufa e aprisionar mais do calor do sol na Terra; os oceanos irão ferver até secar e as próprias rochas começarão a se quebrar para liberar enormes quantidades de dióxido de carbono", diz Dartnell. A "boa notícia", brinca Machado, é que a catástrofe ambiental e climática terrestre por causa do aquecimento global pode não ser tão devastadora quanto foi no planeta vizinho. Gás, água e gelo: entenda o que a ciência já achou e onde concentra as buscas por vida fora da Terra Anúncio de sinal de vida em Vênus é 'imprudente' e 'precipitado', diz astrofísica brasileira associada à Nasa "A água dos oceanos funciona como uma esponja que retira o dióxido de carbono da atmosfera. Estimamos que, na sua origem, Vênus também tinha água líquida, mas em uma quantidade bem menor que a Terra. Além disso, Vênus está 30% mais perto do sol do que a gente, recebendo o dobro da radiação solar por segundo", explica o astrofísico português. Dartnell lembra, contudo, que o sol está ficando cada vez mais quente e, por isso, a vantagem de estar mais longe dele não será tão relevante no futuro como é atualmente. "O sol está ficando cada vez mais quente e brilhante à medida que envelhece como uma estrela. Portanto, em algum ponto no futuro, a Terra ficará muito quente e começará a se transformar em um planeta como Vênus", diz Dartnell. Aquecimento global terrestre e venusiano Imagem do planeta Vênus é uma combinação de dados da espaçonave Magellan da Nasa e da Pioneer Venus Orbiter NASA / JPL-Caltech No caso da Terra, há ainda que se considerar na conta do aquecimento global a ação do homem, que tem acelerado o fenômeno, principalmente, com a queima de combustíveis fósseis. De acordo com um relatório publicado em 2018 pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), agência ligada à ONU, o aquecimento global causado pela ação humana já pode ser observado em diversos fatores que incluem mudanças de temperaturas tanto nas superfícies terrestres quanto nos oceanos. Também há evidências de que o aquecimento global tenha alterado a frequência e a duração das ondas de calor marinhas e o volume de chuvas, em escala global, além da acentuação das secas na região mediterrânea. "O controle das emissões de dióxido de carbônico é algo sério, que deveria ser seguido à risca, mas estamos vendo justamente o contrário em algumas partes", alerta Machado. Sem ação, temperaturas podem subir de 3 a 5 graus Celsius neste século, diz representante da ONU Emissão de gases precisa cair mais de 7% ao ano para evitar aumento de 3,2°C na temperatura, diz ONU "Quando queimamos e desmatamos as florestas, estamos liberando para a atmosfera o dióxido de carbono que a natureza aprisionou por anos seguidos. Estamos libertando o dragão", diz Machado, citando como exemplo os incêndios e as queimadas que ocorrem na Amazônia e no Pantanal. "A árvore ainda é a tecnologia mais eficiente para retirar o dióxido de carbono da atmosfera e desacelerar o aquecimento global", afirma o astrofísico. A astrofísica Stephane Vaz Werner, pesquisadora da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, explica que é justamente a enorme concentração de dióxido de carbono que faz de Vênus o planeta mais quente do Sistema Solar, com cerca de 460ºC. "A atmosfera de Vênus é tão espessa que os raios solares ficam 'presos' no planeta. Esse processo mantém sua temperatura muito alta", explica Werner. A astrofísica afirma que o efeito estufa que acontece no planeta vizinho é muito mais intenso do que o que ocorre na Terra por causa da água líquida. "Mas a essência do efeito estufa em Vênus e na Terra é o mesmo", diz Werner. "Vênus é o melhor exemplo de como o aquecimento global pode acabar com as condições favoráveis à vida. Ele já foi considerado um irmão gêmeo da Terra, mas evoluiu de modo diferente e se transformou em um incinerador capaz de derreter até metal e chumbo", aponta Machado. Refugiados do clima Em 2016, a Nasa, agência espacial americana, publicou um estudo afirmando que, por 2 milhões de anos, Vênus possivelmente teve uma temperatura habitável, um clima temperado e água líquida em sua superfície. Devido ao aquecimento global, os oceanos secaram e a atmosfera se tornou uma espécie de estufa muito espessa, aprisionando o calor no planeta. Apesar de a atmosfera de Vênus ser um incinerador com centenas de graus celsius, como descreveu Machado, a superfície do planeta tem temperaturas muito mais amenas. "A medida que subimos na superfície de Vênus, temperatura e pressão diminuem. No ponto onde foi localizada a fosfina, por exemplo, a temperatura fica em torno de 20ºC", explica Machado. Vida nas nuvens de Vênus teria que ser 'muito simples', diz pesquisadora após descoberta do gás fosfina Por isso, para Dartnell, se realmente for comprovada a existência de vida microbiana nas nuvens de Vênus, estaremos diante do que o astrônomo chama de "refugiados do clima". "Se os mares venusianos tinham vida, à medida que o planeta ficou cada vez mais quente durante esse processo de efeito estufa descontrolado, as formas de vida microbiana precisaram migrar cada vez mais para cima na atmosfera para permanecer na zona habitável. Nesse sentido, se há vida nas nuvens ácidas de Vênus hoje, elas seriam refugiadas do clima de uma superfície escaldante", diz Dartnell. VÍDEOS: descoberta de fosfina em Vênus Veja Mais

Casos de SRAG continuam em queda no Brasil, mas Fiocruz pede cautela com cenário em capitais

Glogo - Ciência O pesquisador Marcelo Gomes, coordenador do InfoGripe, diz que capitais que passaram por longo período de queda e se encontram com tendência de estabilidade exigem atenção especial para evitar uma possível retomada do crescimento. O Instituto Butantan realiza testes gratuitos para a Covid-19 no Raposo Shopping, na Zona Oeste de São Paulo Aloísio Maurício/Fotoarena via Estadão Conteúdo O Boletim InfoGripe, da Fiocruz, registrou manutenção da queda no número de novos casos semanais da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Brasil. Os dados são referentes à semana de 6 a 12 de setembro e foram divulgados nesta sexta-feira (18). O boletim reforça que os valores ainda estão em um patamar muito acima do nível considerado alto. O Sars-Cov-2, vírus que causa a Covid-19, é o responsável por 97,5% dos casos e 99,3% das mortes de todas as ocorrências com resultado positivo para os vírus respiratórios. No recorte geográfico dos casos de SRAG, todas as regiões brasileiras se encontram na zona de risco e com ocorrência de casos muito alta. VEJA TAMBÉM: Anvisa autoriza ampliação do número de voluntários para teste da vacina da Pfizer contra a Covid-19 Este ano foram reportados 447.840 casos de SRAG no país, sendo que 54% (242.040) tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório. Desses, 97,5% deram positivo para Covid-19, 0,5% para Influenza A, 0,2% para Influenza B e 0,4% para vírus sincicial respiratório (VSR). O pesquisador Marcelo Gomes, coordenador do InfoGripe, destaca que embora a maioria das capitais esteja com sinais de queda ou estabilidade no longo prazo, o cenário é de cautela. “As capitais que passaram por longo período de queda e se encontram com tendência de estabilidade requerem atenção especial para evitar uma possível retomada do crescimento”. Mapa mostra probabilidade da tendência de aumento, estabilidade ou queda nos casos da Síndrome Respiratória Aguda Grave Reprodução/Fiocruz Cidades como João Pessoal e Manaus mantiveram tendência moderada de crescimento dos casos de SRAG em período de longo prazo (6 semanas), com a probabilidade maior que 75%. Em João Pessoa, porém, essa tendência também se apresenta para o curto prazo (3 semanas). Em Aracaju, tanto a tendência de longo quanto de curto prazo apresentam forte sinal de crescimento, com mais de 95% de probabilidade. Já Palmas apresenta um sinal moderado (probabilidade maior que 75%) de crescimento no curto prazo. Gomes também alerta que a tendência registrada para Cuiabá não é confiável. Foi observada uma grande diferença entre os dados de SRAG no InfoGripe, que utiliza o Sivep-Gripe, e os dados registrados no sistema próprio do estado, indicando subnotificação no Sivep-Gripe. Essa baixa adesão ao sistema de notificação nacional impacta as análises e compromete esses dados. SRAG e Covid-19 nos estados Apesar da tendência de queda na curva de casos do país, 11 estados e pelo menos uma macrorregião de saúde apresenta tendência de crescimento no curto ou longo prazo. É o caso de Amazonas (Norte), Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe (Nordeste), São Paulo (Sudeste), e Santa Catarina (Sul). Além disso, o boletim mostra que diversas macrorregiões em estabilização ainda não iniciaram o processo de queda, o que reforça a importância de avaliar este indicador junto com a evolução dos casos. Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 18 de setembro, segundo consórcio de veículos de imprensa (atualização das 8h)

Glogo - Ciência País tem 135.066 óbitos confirmados e 4.457.569 diagnósticos de Covid-19. Brasil tem 135.066 mortes por coronavírus, diz consórcio de veículos de imprensa O Brasil tem 135.066 mortes por coronavírus confirmadas até as 8h desta sexta-feira (18), segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Desde o balanço das 20h de quinta-feira (17), 1 estado atualizou seus dados: GO. Veja os números consolidados: 135.066 mortes confirmadas 4.457.569 casos confirmados Na quinta-feira, às 20h, o balanço indicou: 135.031 mortes, 857 em 24 horas. Com isso, a média móvel de novas mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 779 óbitos, uma variação de -9% em relação aos dados registrados em 14 dias. Sobre os infectados, já são 4.457.443 brasileiros com o novo coronavírus, 35.757 desses confirmados no último dia. A média móvel de casos foi de 31.097 por dia, uma variação de -22% em relação aos casos registrados em 14 dias. MÉDIA MÓVEL: veja como estão os casos e mortes no seu estado PANDEMIA NAS CIDADES: consulte casos e mortes em cada município do Brasil Progressão até 17 de setembro No total, 2 estados apresentaram alta de mortes: RO e PE A BA e o AP, que apresentavam tendência de queda nos óbitos, agora estão estável. O DF e os estados de MT, PI, SE e TO estavam em estabilidade e, hoje, mostram queda. Estados Subindo (2 estados): RO e PE. Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (11): PR, RS, MG, RJ, SP, GO, MS, AP, PA, BA e MA. Em queda (13 estados e o DF): SC, ES, DF, MT, AC, AM, RR, TO, AL, CE, PB, PI, RN e SE. Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Estados com a média de mortes em alta Arte G1 Estados com a média de mortes em estabilidade Arte G1 Estados com a média de mortes em queda Arte G1 Sul PR: -3% RS: +4% SC: -31% Sudeste ES: -28% MG: -9% RJ: -4% SP: -2% Centro-Oeste DF: -26% GO: +9% MS: -6% MT: -17% Norte AC: -27% AM: -72% AP: -8% PA: +6% RO: +24% RR: -64% TO: -17% Nordeste AL: -20% BA: -10% CE: -22% MA: -5% PB: -29% PE: +22% PI:-19% RN: -34% SE: -19% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja Mais

Sapatos com ponta 'curva' podem enfraquecer músculos do pé, diz pesquisa de Harvard

Glogo - Ciência Formato é comum principalmente nos tênis esportivos. Estudo foi publicado em revista do grupo 'Nature'. Imagem mostra sapato com ponta levemente curvada para cima; cientistas de Harvard afirmam, em pesquisa publicada nesta quinta-feira (17), que a característica facilita movimentos, mas contribui para o enfraquecimento de músculos. Freddy Sichting Uma pesquisa publicada nesta quinta-feira (17) por cientistas de Harvard sugere que sapatos que têm "pontas curvadas", como os tênis esportivos, podem levar a um enfraquecimento dos músculos do pé. Os resultados do estudo foram publicados na revista científica "Scientific Reports", do grupo Nature. Para chegar aos resultados, eles reuniram 13 voluntários, que andaram em uma esteira descalços e, depois, usando quatro pares de sandálias personalizadas. A esteira também havia sido especialmente projetada, com plataformas de força e um sistema de câmeras de infravermelho que media a quantidade de energia aplicada em cada passo. Cada uma das sandálias tinha vários graus de ângulos de mola – 10, 20, 30 ou 40 graus. Elas haviam sido desenhadas para imitar a rigidez e a forma encontradas em calçados disponíveis comercialmente. Imagem mostra as sandálias usadas nos participantes do estudo de Harvard (foto mais abaixo), modeladas conforme a curvatura do tênis (imagem do meio). A primeira imagem mostra como ficam os dedos do pé em um sapato com a ponta curvada. Freddy Sichting, Nicholas B. Holowka, Oliver B. Hansen & Daniel E. Lieberman Os cientistas descobriram que, quanto mais curvada para cima a ponta do sapato é – a chamada "mola do dedo do pé" –, menos força o pé precisa fazer contra o chão para dar cada passo. Isso significa, dizem os pesquisadores, que os músculos fazem menos esforço. Ao longo do tempo, essa diferença vai se acumulando – eles consideram que uma pessoa comum vivendo em um país industrializado dá de 4 a 6 mil passos por dia. "É lógico que, se os músculos do pé tiverem que trabalhar menos, eles provavelmente terão menos resistência, visto que milhares de vezes por dia você toma impulso com os dedos dos pés", afirmou Daniel Lieberman, professor de biologia da universidade e autor sênior do artigo, ao jornal de Harvard, o "The Harvard Gazette". "De uma perspectiva evolucionária, usar sapatos modernos com suportes em arco, amortecimento e outras características de suporte é um fenômeno muito recente. Várias linhas de evidência sugerem que os músculos do pé fracos podem ser, parcialmente, uma consequência de tais características", afirmou, também ao jornal de Harvard, Freddy Sichting, primeiro autor do estudo, que na época da pesquisa era pós-doutorando na universidade e agora ensina locomoção humana na Universidade de Tecnologia de Chemnitz, na Alemanha. Músculos fracos Os pesquisadores trazem a hipótese de que essa fraqueza em potencial pode tornar as pessoas mais suscetíveis a problemas como a fascite plantar – uma inflamação que afeta a fáscia plantar, uma membrana de tecido conjuntivo que recobre a musculatura da sola do pé. Mas eles frisam que a ligação entre as "molas dos dedos dos pés" e a fascite plantar ainda precisa de mais estudos. Foto mostra pessoa amarrando tênis esportivo com a ponta curvada para cima; pesquisadores de Harvard sugerem que bico virado 'para cima' pode levar a um enfraquecimento muscular no pé. Pexels "Mais estudos são necessários para investigar o efeito das molas dos dedos do pé em indivíduos que ficam habitualmente descalços", ponderam os cientistas. Outras limitações incluem a velocidade de caminhada e o modo de andar: o estudo não avaliou o que aconteceria em uma corrida, por exemplo. "Investigações futuras também devem testar velocidades maiores, que aumentem as demandas de estabilidade do arco e atividade muscular", dizem os pesquisadores. O próximo passo, dizem os cientistas, é validar essa hipótese em estudos futuros. Além de Lieberman e Sichting, a pesquisa foi realizada por um ex-aluno da graduação de Harvard, Oliver B. Hansen, e outro pesquisador de pós-doutorado, Nicholas B. Holowka. Veja Mais

Covid-19 acelera na Europa e transmissão em setembro está mais rápida que no início da pandemia, diz OMS

Glogo - Ciência Continente teve recorde de casos diários em 11 de setembro. Pessoas com até 49 anos são os principais responsáveis pela aceleração da pandemia na região. Homem participa de protesto contra o uso de máscaras em Madri, na Espanha, em 16 de agosto. Juan Medina / Reuters A Organização Mundial da Saúde (OMS) expressou preocupação nesta quinta-feira (17) com a aceleração da pandemia na Europa em setembro. No dia 11, segundo a entidade, o continente alcançou um recorde diário de casos, com 54 mil registros em 24 horas. Coronavírus em alta: OMS registra alta recorde de infecções diárias; veja onde casos estão subindo mais Espanha tem o maior número de novos casos de Covid registrados em um só dia: 12.183 Segundo o diretor da OMS Europa, Hans Kluge, a transmissão do coronavírus em setembro está mais rápida que no início da pandemia. "Os números de setembro deveriam servir de alerta para todos nós na Europa, onde o número de casos é superior aos registrados em março e abril", informou Kluge. O diretor regional afirmou que os principais responsáveis pela aceleração da pandemia no continente seguem sendo as pessoas mais jovens, com até 49 anos. "Embora tenhamos observado um aumento de casos nas faixas etárias mais velhas, 50 a 64 e 65 a 79 anos, na primeira semana de setembro, a maior proporção ainda está entre os de 25 a 49 anos", disse. A entidade destacou o caso da França, que registrou 10 mil novos casos nas últimas 24 horas. Casos diários de Covid-19 batem novo recorde na França Quarentena não deve ser reduzida A OMS também manifestou preocupação com a redução do tempo da quarentena das pessoas infectadas em alguns países europeus, como a França. A entidade ressaltou que permanece a recomendação de um isolamento de 14 dias para todas as pessoas que tiveram contato com vírus. Crianças e Covid-19: veja em 7 pontos o que a ciência já sabe sobre o tema 'Nem todo mundo tem uma recuperação imediata', alertam diretores da OMS sobre a Covid "Nossa recomendação de quarentena de 14 dias está baseada em nossa compreensão do período de incubação e transmissão da doença. Apenas a revisaríamos com base em nosso conhecimento científico, o que não é o caso no momento", destacou Catherine Smallwood, diretora de Emergências da OMS Europa. Na França, a duração do isolamento foi reduzida para sete dias em caso de contato. No Reino Unido e Irlanda, o prazo agora passa a ser de 10 dias. Outros países europeus, como Portugal e Croácia, também planejam encurtar as quarentenas. VÍDEOS: novidades sobre a vacina Initial plugin text Veja Mais

Esqueleto de Tiranossauro Rex vai a leilão em NY com lances que podem passar os US$ 8 milhões

Glogo - Ciência Espécime tem 4 metros de altura e 12 de comprimento; fóssil foi descoberto em uma propriedade privada dos Estados Unidos em 1987. Esqueleto de Tiranossauro Rex vai a leilão em Nova York Um dos esqueletos mais completos de um Tiranossauro Rex em todo o mundo vai a leilão em Nova York no próximo dia 6 de outubro. A casa de leilões Christie's disse nesta quarta-feira (16) que esse lote pode quebrar o recorde absoluto de sua categoria e ser arrematado por mais de US$ 8 milhões. Novo dinossauro 'primo' do Tiranossauro Rex é descoberto em ilha britânica Tiranossauro Rex encontrado no Canadá em 1991 é o maior do mundo A ossada foi batizada de Stan, que chegou a pesar até oito toneladas quando viveu há 67 milhões de anos. O espécime tem quatro metros de altura e 12 metros de largura, um digno representante do reino dos dinossauros que fascina o mundo inteiro. Um dos mais completos esqueletos de T-rex vai a leilão e pode ultrapassar os US$ 8 milhões Mike Segar/Reuters O fóssil foi descoberto nos Estados Unidos em 1987, perto de Buffalo, no estado da Dakota do Sul. Paleontólogos do Instituto de Pesquisa Black Hills trabalharam mais de 30 mil horas para desenterrar e recompor seu esqueleto, que tem 188 ossos. Seus restos foram usados para fazer moldes de gesso para dezenas de museus no mundo inteiro que desejavam adquirir uma cópia do T-Rex. Pesquisadores estimam que Stan morreu com aproximadamente 20 anos de idade. Em exposição no museu do Instituto Black Hills desde 1996, a venda ocorre após um desacordo entre os administradores do instituto, de acordo com James Hyslop, responsável pelo Departamento de Instrumentos Científicos, Globos e História Natural na casa de leilões, em Londres. Um dos mais completos esqueletos de T-rex vai a leilão e pode ultrapassar os US$8 milhões Mike Segar/Reuters Segundo a lei norte-americana, é permitida a venda de fósseis quando eles são descobertos em uma área privada, como foi o caso de Stan. O preço de venda estimado deste esqueleto fossilizado é de US$ 6 milhões a US$ 8 milhões. Até o momento, a ossada mais cara de um T-Rex já vendida ficou conhecida como Sue. O lance foi dado em outubro de 1997. O Museu de História Natural de Chicago arrebatou por uma bagatela de US$ 8,4 milhões, segundo Sotheby's. Um dos mais completos esqueletos de T-rex vai a leilão e pode ultrapassar os US$8 milhões Mike Segar/Reuters Apenas cerca de 50 T-Rex foram encontrados em todo o mundo. O primeiro deles foi descoberto em 1902. Hyslop explicou que não há muitos esqueletos completos à disposição. Segundo ele, a oportunidade de se comprar um "tão completo é algo único em toda uma geração". "Seria a obra-prima de qualquer museu de história natural", destacou Hyslop. "O T-Rex tem um status de ícone, o que é refletido em seu preço. É o dinossauro que atrai multidões." Stan será exposto em uma das vitrines da sede da Christie's em Nova York, no coração de Manhattan até o dia 21 de outubro. Como a cabeça é muito pesada, foi colocada uma réplica no esqueleto. O crânio verdadeiro será exposto ao lado da ossada. VÍDEOS: Notícias internacionais a Veja Mais

Em carta, cientistas manifestam 'preocupação' com resultado de teste da vacina da Rússia contra a Covid

Glogo - Ciência 37 pesquisadores alegaram “inconsistência nos dados”, com possível duplicação de resultados. Diretor de fundo que coordena a produção da vacina diz que dados estão corretos e são confiáveis. A foto, do dia 6 de agosto, mostra a vacina desenvolvida na Rússia contra a Covid-19, a primeira a ser registrada em todo o mundo contra a doença. Handout / Russian Direct Investment Fund / AFP Em uma carta aberta, 37 cientistas de universidades em 12 países manifestaram “preocupação” com os resultados dos primeiros testes da vacina “Sputnik V”, produzida pelo Instituto Gamaleya, na Rússia, contra a Covid-19. O fundo estatal russo que coordena a produção da vacina nega haver problemas nos dados. A manifestação dos cientistas foi publicada no blog de um deles em 7 de setembro e reportada pela revista científica "Nature". Os cientistas dizem que pode haver resultados duplicados nos ensaios da vacina (veja detalhes mais abaixo), e pedem que os dados numéricos de todos os experimentos e os arquivos originais das análises feitas sejam divulgados, para que outros cientistas possam examiná-los. “Embora a pesquisa descrita neste estudo seja potencialmente significativa, a apresentação dos dados levanta várias questões que requerem acesso aos dados originais para uma investigação completa”, afirma o texto no blog, que pertence ao biólogo italiano Enrico Bucci, professor adjunto da Universidade Temple, no estado americano da Pensilvânia. Os dados dos ensaios foram publicados no dia 4 na revista “The Lancet”, uma das mais importantes do mundo, quase um mês depois de a Rússia anunciar o registro da vacina. A liberação sem os resultados publicados gerou críticas na comunidade científica internacional, que foram refutadas pelo governo russo. Em nota enviada ao G1 pelo fundo estatal russo que coordena a produção da vacina, o RDIF, o vice-diretor científico do Instituto Gamaleya, Denis Logunov, respondeu que "nega categoricamente as acusações de dados estatísticos imprecisos publicados na 'The Lancet'." "Os dados publicados são confiáveis e precisos e foram estudados por cinco revisores da 'The Lancet', um protocolo clínico completo foi fornecido ao escritório editorial da revista", diz a nota de Logunov. "Apresentamos exatamente os dados que recebemos durante os testes, e não números que deveriam ser apreciados pelos especialistas italianos", continua a resposta. O G1 entrou em contato com a "The Lancet" sobre o assunto, mas, até a mais recente atualização desta reportagem, não havia obtido resposta. A vacina russa foi a primeira no mundo – e, até agora, a única – a ser liberada para aplicação em massa, prevista para ocorrer de forma simultânea aos ensaios de fase 3 no território russo. A manobra também gerou críticas entre especialistas, que afirmam que a terceira etapa – que testa a segurança e a eficácia de uma vacina em maior escala, com milhares de voluntários – é necessária para que a imunização possa ser aplicada na população geral. No Brasil, testes da "Sputnik V" estão previstos nos estados da Bahia e do Paraná. Autoridades da Rússia anunciam que já recrutaram 55 mil voluntários para teste de vacina Dados Na reportagem publicada na revista "Nature" na terça-feira (15), o cientista Enrico Bucci, responsável pelo blog onde o manifesto foi publicado, afirma que notou problemas com o artigo assim que ele foi publicado. Bucci observa que, em uma das figuras no estudo, os autores mostram as medições de respostas imunes no sangue em dias diferentes pós-vacinação para todos os voluntários (que receberam formulações diferentes da vacina – ou líquida, ou liofilizada, e com adenovírus diferentes como vetores). "Existem vários padrões de dados que aparecem repetidamente para os experimentos relatados", afirma Bucci no texto. Em um dos casos que cita como exemplo no blog, 9 de 9 voluntários que receberam a vacina com o rAd26-S – tipo de adenovírus modificado que serviu como vetor, "carregando" o material genético do coronavírus para o corpo da pessoa – parecem ter a mesma quantidade de anticorpos no dia 21 e no dia 28 depois da vacinação. O mesmo ocorre para 7 de 9 voluntários que usaram a vacina com o adenovírus modificado rAd5-S. "Por isso, conectar as medições de cada indivíduo ao longo do tempo seria altamente benéfico no relatório, e, portanto, na interpretação dos resultados. Esta sugestão também se aplica a medidas semelhantes nas outras figuras do manuscrito", continua o texto. “As chances de isso surgir por coincidência são extremamente pequenas”, disse Bucci à Nature. O cientista italiano tem uma empresa de "comercialização de ferramentas e serviços para a melhoria da integridade da pesquisa de dados em publicações científicas", segundo a descrição do próprio site da companhia, chamada Resis, na Itália. “Ver esses padrões de dados semelhantes entre medições não relacionadas é realmente improvável”, afirmou, também à "Nature", Konstantin Andreev, pesquisador de infecções respiratórias virais na Northwestern University, no estado americano de Illinois. Andreev também assina o manifesto. “Essas discrepâncias não são secundárias [pouco importantes]", completou. “Não estamos alegando má conduta científica, mas pedindo esclarecimentos sobre como surgiram esses dados aparentemente semelhantes”, continuou Bucci. “Quando lemos relatos de que a Rússia havia começado a injetar a vacina em pessoas fora dos testes clínicos, sentimos que precisávamos falar imediatamente". Vídeos: vacinas contra a Covid-19 Initial plugin text Veja Mais

O Assunto #276: Descoberta em Vênus - a busca por vida no espaço

Glogo - Ciência Um sinal luminoso emitido a partir das nuvens de Vênus denunciou a existência de fosfina no planeta - uma substância encontrada onde há atividade biológica. É mais uma pista na investigação científica por vida extraterrestre. Você pode ouvir O Assunto no G1, no Spotify, no Castbox, no Google Podcasts, no Apple Podcasts, no Deezer ou no aplicativo de sua preferência. Assine ou siga O Assunto, para ser avisado sempre que tiver novo episódio no ar. Fosfina. A presença deste elemento no nosso vizinho mais próximo é a mais recente revelação astronômica com potencial de mudar nossa compreensão do universo. A partir de um pequeno sinal luminoso, emitido das nuvens de Vênus, cientistas encontraram o que pode ser atividade biológica a mais de 40 milhões de km da Terra. Neste episódio, Renata Lo Prete busca explicar o significado científico e existencial da notícia em duas entrevistas: com Douglas Galante, astrobiólogo do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (Cnpem), e com Marcelo Gleiser, físico e astrônomo professor da Universidade de Dartmouth, nos EUA. Galante esclarece por que a novidade põe Vênus na rota da exploração de outros planetas e detalha o método científico que tenta, agora, desvendar se há ou não vida por lá. E Gleiser debate a repercussão existencial de, eventualmente, não estarmos sozinhos no universo. Em depoimento, Clara Sousa-Silva, astroquímica portuguesa que integra a equipe responsável pelo trabalho, relata como a fosfina se tornou o centro desta investigação. O que você precisa saber: Vida em Vênus: o que é a fosfina, a substância tóxica encontrada nas nuvens do planeta Vida nas nuvens de Vênus teria que ser 'muito simples', diz pesquisadora Gás, água e gelo: o que a ciência já achou e onde concentra as buscas por vida fora da Terra Nasa envia missão a Marte para descobrir sinais de vida no planeta Conheça brasileiro que faz parte de missão da Nasa que leva drone à superfície de Marte O podcast O Assunto é produzido por: Rodrigo Ortega, Gessyca Rocha, Luiz Felipe Silva, Thiago Kaczuroski, Giovanni Reginato, Mônica Mariotti e Renata Bitar. Apresentação: Renata Lo Prete Comunicação/Globo O que são podcasts? Um podcast é como se fosse um programa de rádio, mas não é: em vez de ter uma hora certa para ir ao ar, pode ser ouvido quando e onde a gente quiser. E em vez de sintonizar numa estação de rádio, a gente acha na internet. De graça. Dá para escutar num site, numa plataforma de música ou num aplicativo só de podcast no celular, para ir ouvindo quando a gente preferir: no trânsito, lavando louça, na praia, na academia... Os podcasts podem ser temáticos, contar uma história única, trazer debates ou simplesmente conversas sobre os mais diversos assuntos. É possível ouvir episódios avulsos ou assinar um podcast – de graça - e, assim, ser avisado sempre que um novo episódio for publicado. Veja Mais

OMS alerta para prejuízos no fechamento prolongado de escolas durante a pandemia

Glogo - Ciência Diretor-geral disse que fechamento deve ser 'último recurso'; diretor de emergências da entidade, Michael Ryan, declarou que, para reabrir escolas e ao mesmo tempo conter a disseminação do vírus, é necessário que os adultos se afastem para proteger os grupos mais vulneráveis. Crianças chegam para o primeiro dia de aulas desde o início da pandemia de Covid-19 em Scarborough, na província de Ontário, no Canadá, nesta terça-feira (15). Carlos Osorio/Reuters Líderes da Organização Mundial de Saúde (OMS), da Unesco e do Unicef alertaram, nesta terça-feira (15), para os prejuízos no fechamento prolongado de escolas durante a pandemia de Covid-19. Na segunda, as entidades lançaram, de forma conjunta, um guia (em inglês) com diretrizes de saúde pública para escolas, para evitar a disseminação do vírus nesses locais. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou que a decisão de fechar escolas deve ser feita de forma temporária e como "último recurso", e apenas onde há transmissão intensa da doença. VOLTA À ESCOLA: Os argumentos científicos de quem é contra, a favor ou está em dúvida sobre retomar aulas no Brasil durante a pandemia CRIANÇAS E COVID-19: veja em 7 pontos o que a ciência já sabe sobre o tema "Dadas as consequências devastadoras em crianças, jovens e na nossa sociedade como um todo, a decisão de fechar escolas deve ser um último recurso, temporário, e apenas a nível local, em áreas com intensa transmissão", disse Tedros. Fechamento de escolas traz riscos à saúde das crianças, diz estudo. Especialistas debatem Tedros ressaltou que, com as escolas fechadas, a educação dos alunos precisa ser garantida por aprendizado remoto. SEM EaD: Sem internet, merenda e lugar para estudar: veja obstáculos do ensino à distância na rede pública durante a pandemia de Covid-19 "Manter as crianças seguras e na escola não é um trabalho só para as escolas, os governos ou as famílias. É um trabalho para todos nós", continuou Tedros. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em coletiva em fevereiro Fabrice Coffrini / AFP O diretor de emergências da OMS, Michael Ryan, reforçou a responsabilidade coletiva na tentativa de conter o vírus. "Nós estabelecemos, globalmente, que queremos proteger as pessoas mais velhas e vulneráveis que correm alto risco de vida se contraírem a doença. A segunda coisa em que vimos consenso é que as escolas são importantes e que a educação de nossas crianças é algo que vemos acima de tudo. Como mantemos esses dois princípios – proteger os vulneráveis da morte e levar as nossas crianças de volta à escola?", perguntou Ryan. Michael Ryan, diretor-executivo do programa de emergências da Organização Mundial da Saúde (OMS) Christopher Black/OMS "O único jeito de fazer isso é que os adultos se afastem o suficiente para diminuir a transmissão. Então, o que é mais importante: as nossas crianças de volta à escola ou bares e clubes noturnos abertos?", questionou o diretor de emergências. "Temos que manter a pressão sobre o vírus, reduzir a transmissão comunitária e diminuir o risco para pessoas mais velhas e vulneráveis, [além de] manter um ambiente em que nossas crianças possam continuar indo à escola", disse Ryan. "[A escola] é o melhor lugar para uma criança. A dificuldade é colocar os seus filhos na escola em um ambiente seguro – para eles, para os professores, para a comunidade", continuou o diretor. Meninos usando máscaras brincam na primeira semana de retorno às aulas em meio à pandemia de Covid-19 em uma escola na cidade de Mungia, no País Basco, Espanha, no dia 8 de setembro. Vincent West/Reuters "Não há balas mágicas, eu já disse antes, e precisamos parar de buscar unicórnios. A evidência está surgindo de que as crianças, obviamente, podem ser infectadas, tendem a processar a infecção rápido e não parecem ser uma grande parte parte da transmissão nesta pandemia, mas isso ainda precisa ser descoberto totalmente. O que sabemos é que as crianças são prejudicadas do ponto de vista educacional ao não estarem na escola, e estamos trocando uma coisa pela outra", lembrou Ryan. Nenhum dos líderes da entidade fez recomendações sobre quando cada país deveria determinar a reabertura das escolas. "Se aceitarmos que estamos todos nesse processo de aprendizado, então podemos olhar para países individuais e a nível subnacional. Países diferentes estão em estágios diferentes de conseguir aprendizado remoto", observou. No Brasil, a maioria das escolas continua fechada. Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 15 de setembro, segundo consórcio de veículos de imprensa (atualização das 8h)

Glogo - Ciência País tem 132.125 óbitos registrados e 4.349.723 diagnósticos de Covid-19. Brasil tem 132.125 mortos por Covid-19, aponta consórcio de veículos O Brasil tem 132.125 mortes por coronavírus confirmadas até as 8h desta terça-feira (15), segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Desde o balanço das 20h de segunda-feira, 1 estado atualizou seus dados: GO. Veja os números consolidados: 132.125 mortes confirmadas 4.349.723 casos confirmados No dia anterior, às 20h, o balanço indicou 454 mortes pela Covid-19 confirmadas nas últimas 24 horas, chegando ao total de 132.117 óbitos desde o começo da pandemia. Com isso, a média móvel de novas mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 731 óbitos, uma variação de -15% em relação aos dados registrados em 14 dias. Após uma semana registrando queda, o Brasil volta à estabilidade na média de mortes por Covid-19. Em casos confirmados, já são 4.349.544 brasileiros com o novo coronavírus desde o começo da pandemia, 19.392 desses confirmados no último dia. A média móvel de casos foi de 28.849 por dia, uma variação de -28 % em relação aos casos registrados em 14 dias. MÉDIA MÓVEL: veja como estão os casos e mortes no seu estado PANDEMIA NAS CIDADES: consulte casos e mortes em cada município do Brasil Progressão até 14 de setembro No total, 2 estados apresentaram alta de mortes: AC e CE. Em relação a domingo (13), RR estava com a média de mortes em alta e agora está em estabilidade. SP e RO estavam com a média em queda e, agora, estão em estabilidade. Estados Subindo (2 estados): AC e CE. Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (13 estados): PR, RS, SP, DF, GO, MS, MT, PA, RO, RR, MA, PE e SE. Em queda (12 estados): SC, ES, MG, RJ, AM, AP, TO, AL, BA, PB, PI e RN. Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Estados com a média de mortes em alta Arte G1 Estados com a média de mortes em estabilidade Arte G1 Estados com a média de mortes em queda Arte G1 Sul PR: -3% RS: -5% SC: -35% Sudeste ES: -22% MG: -16% RJ: -38% SP: -14% Centro-Oeste DF: -8% GO: +4% MS: -6% MT: -3% Norte AC: +78% AM: -33% AP: -67% PA: +13% RO: -3% RR: +9% TO: -22% Nordeste AL: -17% BA: -23% CE: +16% MA: -10% PB: -23% PE: -12% PI: -21% RN: -68% SE: -2% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja Mais

Gás, água e gelo: entenda o que a ciência já achou e onde concentra as buscas por vida fora da Terra

Glogo - Ciência Descobertas recentes como a presença de água líquida em Marte, de jatos d´água na lua Europa e de metano líquido na lua Titã animam os cientistas na busca por condições para a vida extraterrestre. Um grupo internacional de cientistas informou nesta segunda-feira (14) ter encontrado moléculas de fosfina na superfície de Vênus, um gás que não é produzido naturalmente na Terra, indicando, assim, que pode existir vida microbiana no planeta vizinho. Vida nas nuvens de Vênus? A hipótese que vem ganhando apoio desde os anos 60 Lua de Saturno tem cânions que expelem água e é uma das preferidas dos cientistas Cientistas descobrem moléculas necessárias para a vida em lua de Saturno A notícia animou a comunidade científica que busca indícios de vida extraterrestre, mas os pesquisadores afirmaram que novos estudos precisam ser realizados na superfície de Vênus para que se comprove que a fosfina encontrada no planeta é produzida pela ação de micróbios. (Veja mais abaixo) O astrobiólogo e pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), Douglas Galante, explica que a descoberta é importante, mas lembra que esta não é primeira vez que se descobre fosfina na superfície de um planeta. "A fosfina já foi encontrada na superfície de Saturno. Depois, os cientistas descobriram que ela é produzida naturalmente lá, e não pela ação de um ser vivo, como acontece na Terra. Agora os cientistas precisam descobrir qual é a fonte da fosfina em Vênus", explica o astrobiólogo. "Até hoje, não encontramos nenhuma evidência incontestável de vida extraterrestre. A ciência ainda não comprovou a existência de vida em outros planetas", diz Galante. "Mas onde tem água e onde tem fonte de energia, a ciência está lá procurando por vida." Além da fosfina em Vênus, a ciência fez outras descobertas importantes recentemente, como a descoberta de água em Marte e de condições promissoras em uma lua de Saturno coberta de gelo, a Europa. (veja mais abaixo) "Quando falamos nas apostas de vida fora da Terra, existem pesquisadores que apostam em Marte, assim como existem os que apostam muito mais nas luas geladas de Júpiter e Saturno", conta Galante, que tem se debruçado sobre as possibilidades do solo marciano. Em 2016, o telescópio Hubble registrou água jorrando na superfície de Encélado, a lua de Saturno. Nasa E não param por aí as apostas. Segundo uma das autoras do estudo que descobriu a fosfina em Vênus, a busca por vida fora da Terra está a todo vapor - seja em Vênus ou em algum dos milhares de planetas que a ciência já descobriu no universo. “Estamos procurando por sinais de vida em exoplanetas, procurando por gases que não esperamos que estejam lá e há muitas missões em busca de potenciais sinais de vida em nosso Sistema Solar”, informou Sara Seager, professora do MIT. Água líquida em Europa Europa vista pela sonda Galileo Nasa Em novembro de 2019, cientistas conseguiram identificar a presença de vapor d’água em Europa, uma das luas de Júpiter. Uma das observações mostrou que o volume de água expelida na forma de vapor seria suficiente para encher uma piscina olímpica em poucos minutos. Jatos d´água semelhantes também foram detectados jorrando da superfície na lua Enceladus, de Saturno. "Essas luas [Enceladus e Europa] têm enormes oceanos de água líquida debaixo de uma crosta de gelo, uma espécie de Antártica com um oceano embaixo do seu gelo", explica Galante, que defende que ambas luas têm condição para a vida microbiana. O astrônomo Cássio Barbosa explicou à época que a descoberta era animadora, principalmente porque a água encontrada em Europa estava na forma líquida. "Se alguém quiser detectar vida fora da Terra, deve começar sua procura por locais que tenham água. Não gelo e nem vapor, água líquida mesmo. O motivo é muito simples, a vida como conhecemos se desenvolveu com a água como o meio líquido que, entre outras coisas, intermedeia as trocas de substâncias ao nível celular", comentou Barbosa. Vida em Marte? Nasa tem uma missão a Marte para descobrir sinais de vida no planeta Rede Globo O queridinho dos filmes e da literatura quando se fala em vida extraterrestre, contudo, ainda é Marte. Galante lembra que a ciência ainda não comprovou a existência de vida em Marte, mas afirma que a sua fama se deve, principalmente, à sua semelhança com a Terra. "Marte é o planeta mais próximo da Terra. Ele em uma atmosfera razoável para a vida, mesmo que mais rarefeita, e tem água. Aliás desde os primórdios da astronomia, já se observa na superfície de Marte marcas na forma de rios, de lagos e de oceanos. Ou seja, sabemos que Marte teve água líquida em abundância na superfície no passado", afirma Galante. 2020 no espaço estará focado em Marte Apesar de não ter sido mais encontrada água líquida na superfície do planeta marciano, ele ainda conserva a água. "Estudos modernos mostram que existe água na forma de gelo e até água líquida, mas embaixo do solo", explica o astrobiólogo. Marte tem água em estado líquido, anuncia Agência Espacial Europeia A Agência Espacial Europeia (ESA) enviou neste ano o jipe Rosalind Franklin em uma missão para percorrer a superfície de Marte. Entre outras coisas, o jipe irá procurar por depósitos subterrâneos de gelo (com capacidade de perfuração e aquisição de amostras) e terá um laboratório para identificação de moléculas orgânicas, que podem denunciar a atividade de vida microbiana. Vale destacar que tanto a missão Curiosity quanto a missão Mars 2020 também têm por objetivo explorar o solo marciano em busca de sinais que evidenciem vida. Metano e etano em Titã Titã, uma lua de Saturno, também se tornou de interesse na busca por vida após um estudo publicado no final do ano passado revelar que Titã tem um ciclo hidrológico igual ao da Terra, mas com a diferença que, no lugar da água, o elemento líquido na lua é o metano e o etano. Segundo os cientistas, um dos pré-requisitos para que a vida surja e se desenvolva é haver um meio líquido. Apesar da vida terrestre ser baseada na água, metano e etano líquidos poderiam servir como meio aquoso para a condição da vida. "É claro que a vida baseada em hidrocarbonetos líquidos seria muito diferente da vida baseada em água e provavelmente não haveria estruturas muito mais complexas do que seres unicelulares. Ainda assim, seria vida e motivo de todo o interesse da ciência", explicou Cássio Barbosa em seu blog sobre o estudo de Titã. Fosfina em Vênus Vênus já foi considerado um planeta parecido com a Terra, mas a esperança de encontrar vida nele acabou quando se descobriu que sua superfície era a mais quente do Sistema Solar. "No passado, há 4 bilhões de anos, Vênus teve muito provavelmente condições parecidas com a Terra, mas ele entrou num efeito estufa descontrolado, que aumentou a temperatura da sua superfície até alcançar o extremo. Atualmente, ele é um planeta extremamente quente, com cerca de 450ºC na sua superfície. Por isso, ele era tido como um 'planeta morto'", explica Galante. Com a descoberta de fosfina em sua superfície nesta segunda, a fama de 'planeta morto' promete ficar no passado. Em 2016, a Nasa já havia publicado um estudo levantando a hipótese de que Vênus pode ter tido um clima habitável e água líquida em sua superfície no início de sua existência. Foi neste mesmo ano, aliás, que o grupo de cientistas que descobriu a fosfina em Vênus nesta segunda-feira começou a observar o planeta venusiano em busca de sinais de vida. Cientistas encontram gás na atmosfera de Vênus que pode indicar vida extraterrestre Veja Mais

Vacina contra a Covid-19 com 50% de eficácia ainda pode ser útil, diz cientista-chefe da OMS

Glogo - Ciência Soumya Swaminathan alertou que futura vacina não será capaz de controlar sozinha a pandemia e que países precisarão de um 'pacote de intervenções'. Pessoas usam máscara de proteção contra o novo coronavírus no centro de Madri nesta sexta-feira (18) Manu Fernandez/AP A cientista-chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), Soumya Swaminathan, afirmou nesta segunda-feira (21) que uma vacina contra a Covid-19 com 50% de eficácia ainda será capaz de ajudar a conter a pandemia. Apesar disso, Soumya alertou que "uma vacina com menos de 30% talvez não seja muito eficaz". "Não alcançaremos o nível de imunidade pretendido", explicou a cientista-chefe da OMS. Espanha impõe restrições a mais de 850 mil para conter casos de Covid-19 No caso da futura vacina contra o coronavírus não se aproximar dos 100% de eficácia, ela precisará ser usada pelos países de maneira estratégica. "Então, teremos dois cenários: uma vacina a ser usada como prevenção e outra a ser usada em surtos", disse Swaminathan. "Precisamos ver [a solução] como um pacote de intervenções para que a pandemia seja controlada, incluindo o lado da prevenção, dos tratamentos e dos diagnósticos", alertou a cientista-chefe. Mais de 200 vacinas são testadas contra o coronavírus e, segundo a OMS, 9 dessas candidatas fazem parte do portfólio da aliança global Covax, que garantirá a compra e distribuição da vacina contra a Covid-19 aos países membros. Covax começará os trabalhos Ainda nesta segunda-feira (21), a OMS anunciou que a Covax começará os trabalhos nos próximos dias. Doença que pausou testes da AstraZeneca pode não ter relação com a vacina, diz Oxford ESPECIAL: Candidatas a vacina para a Covid-19 Covax, a coalizão para garantir vacina contra coronavírus às nações mais pobres Governo brasileiro 'confirma intenção' de aderir à Covax, iniciativa que busca vacina para Covid-19 O CEO da Vaccine Alliance, órgão que lidera a iniciativa Covax junto com a OMS, Seth Berkley, explicou que, nos próximos dias, os países membros assinarão os termos do acordo. Segundo o CEO, o número de adesão à iniciativa foi menor do que o anunciado anteriormente. "Mais de 156 economias trabalharão juntas para garantir a vacina por meio da Covax", informou Berkley, afirmando que, mesmo que abaixo da expectativa de adesão, esta é a primeira vez que 64% dos países se unem para garantir uma vacina ao mundo. Até o dia 14, cerca de 170 países haviam anunciado o interesse em entrar para a Covax, entre eles, o Brasil. Berkley informou que outros 38 países confirmarão nos próximos dias se de fato irão aderir à Covax. "Eles ainda não aderiram, mas demonstraram interesse em aderir." "Em seguida [aos acordos assinados com os países membros], na próxima fase dos trabalhos, começaremos a assinar os acordos formais com os produtores e desenvolvedores das vacinas”, disse o CEO da Vaccine Alliance. “A Covax está aberta para começar a funcionar agora”, garantiu o líder do Acelerador ACT, Bruce Aylward, que também participa da Covax. Doses a serem garantidas A Diretora do Departamento de Imunização e Vacina da OMS, Kate O´Brien, explicou que ainda não há um número exato de doses que serão compradas, uma vez que a aliança precisa primeiro ter certeza de quantos países irão aderir à Covax, mas que o objetivo é adquirir ao menos 2 bilhões de doses. "A quantidade de dois bilhões de doses se baseia em vacinas que precisam de duas doses", informou O´Brien. Até o momento, a Covax já garantiu, segundo Berkley, 850 milhões de doses. Contudo, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesu, lembrou que, muitas das candidatas que fazem parte do portfólio da Covax ainda podem fracassar. "Quatro de cada cinco vacinas não chegam à sua comercialização, então precisaremos de muito mais acordos para chegar ao número de doses que queremos", explicou Tedros. Até esta segunda, o mundo registrou mais de 958 mil mortes por coronavírus e quase 31 milhões de casos confirmados em 216 países de acordo com a OMS. VÍDEOS: novidades sobre a vacina contra a Covid Initial plugin text Veja Mais

Egito anuncia a descoberta de 14 sarcófagos com cerca de 2,5 mil anos em Saqqara

Glogo - Ciência Na semana passada, arqueólogos já haviam desenterrado outros 13 sarcófagos na mesma região a 25 km das pirâmides de Gizé. Um dos 14 sarcófagos de mais de 2,5 mil anos descoberto no Egito Ministério de Antiguidades/AFP As autoridades do Egito anunciaram, neste domingo (20), a descoberta de 14 sarcófagos com cerca de 2,5 mil anos em Saqqara, a 25 km das pirâmides de Gizé. Eles estavam no fundo de um poço e se somam a outros 13 que foram encontrados na semana passada. Múmias egípcias de animais são 'abertas' por cientistas em imagens 3D; veja VÍDEO Os arqueólogos que atuam na região encontraram os artefatos ainda na sexta-feira (18), segundo um comunicado do Ministério de Antiguidades. O sítio de Saqqara é uma vasta necrópole – espécie de cemitério antigo – que abriga a famosa pirâmide de Djoser, a primeira da era faraônica e uma das obras mais antigas do mundo. Sarcófago é um dos 14 encontrados em Saqqara, no Egito Ministério de Antiguidades/AFP Os sarcófagos encontrados estão bem preservados e suas imagens mostram motivos marrons e azuis, bem como numerosas inscrições hieroglíficas. Nos últimos anos, as autoridades egípcias têm anunciado descobertas arqueológicas com bastante frequência, com o objetivo, entre outros, de reativar o turismo. Muito importante para a receita do país, o setor se viu bastante afetado, tanto pela instabilidade política, quanto pelos ataques posteriores à revolução de 2011, que derrubou o ditador Hosni Mubarak do poder. O país enfrenta outra crise no setor promovida pela pandemia da Covid-19. VÍDEOS: Mais notícias internacionais Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 19 de setembro, segundo consórcio de veículos de imprensa (atualização das 8h)

Glogo - Ciência País tem 135.872 óbitos confirmados e 4.498.227 diagnósticos de Covid-19, segundo o consórcio dos veículos de imprensa. Brasil chega a 135.872 mortos pela Covid-19, segundo consórcio de veículos O Brasil tem 135.872 mortes e 4.498.227 casos de coronavírus confirmados até as 8h deste sábado (19), segundo o consórcio de veículos de imprensa. Mortes: 135.872 Casos: 4.498.227 Goiás e Roraima divulgaram novos dados desde o último balanço consolidado, divulgado às 20h de sexta-feira (18). Até então, o país registrava 826 mortes pela Covid-19 confirmadas em 24 horas, chegando ao total de 135.857 óbitos desde o começo da pandemia. Com isso, a média móvel de novas mortes no Brasil em 7 dias até a noite de sexta foi de 769 óbitos, uma variação de -6% em relação aos dados registrados em 14 dias. Em casos confirmados, eram 4.497.434 até as 20h de sexta, com média móvel de 30.494 por dia, uma variação de -22% em relação aos casos registrados em 14 dias. MÉDIA MÓVEL: veja como estão os casos e mortes no seu estado PANDEMIA NAS CIDADES: consulte casos e mortes em cada município do Brasil Dois estados apresentavam alta de mortes, segundo os dados das 20h de sexta-feira: PE e RJ, que estava em estabilidade havia três dias. Já RO, que estava em alta, passou para o grupo de estados em estabilidade. EM VÍDEO: Veja todos os detalhes sobre uso de máscaras Brasil, 18 de setembro Total de mortes: 135.857 Registro de mortes em 24 horas: 826 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 769 por dia (variação em 14 dias: -6%) Total de casos confirmados: 4.497.434 Registro de casos confirmados em 24 horas: 39.991 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 30.494 por dia (variação em 14 dias: -22%) Estados Subindo (2 estados): RJ e PE. Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (12): PR, RS, MG, SP, GO, MS, RO, AP, PA, BA, MA e PI. Em queda (12 estados e o DF): SC, ES, DF, MT, AC, AM, RR, TO, AL, CE, PB, RN e SE. Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Estados com a média de mortes em alta Arte G1 Estados com a média de mortes em estabilidade Arte G1 Estados com a média de mortes em queda Arte G1 Sul PR: -7% RS: -2% SC: -29% Sudeste ES: -36% MG: +5% RJ: +36% SP: -2% Centro-Oeste DF: -32% GO: -7% MS: 0% MT: -16% Norte AC: -31% AM: -68% AP: +8% PA: +7% RO: +15% RR: -64% TO: -24% Nordeste AL: -20% BA: -3% CE: -39% MA: -4% PB: -25% PE: +25% PI: 0% RN: -23% SE: -28% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja Mais

Trump prevê doses suficientes de vacina contra o coronavírus para toda a população dos EUA até abril

Glogo - Ciência Presidente quer começar a distribuir doses antes das eleições para que a população esteja imunizada até abril. Autoridades de saúde, porém, acham difícil haver resultados antes da votação. Presidente dos EUA, Donald Trump, durante coletiva de imprensa nesta sexta (18) Kevin Lamarque/Reuters O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (18) que prevê que o país tenha doses suficientes de uma vacina contra a Covid-19 para toda a população americana até abril. Segundo Trump, as vacinas contra o novo coronavírus começarão a ser disponíveis apenas 24 horas depois da aprovação pelas autoridades de saúde federais. Até agora, todas as candidatas ainda estão em fases de testes. "Centenas de milhões de doses estarão disponíveis a cada mês, então esperamos ter vacinas o suficiente para todos os americanos até abril", disse. Entenda as fases de testes para aprovação de uma vacina O presidente vinha dizendo que a vacinação começaria antes das eleições presidenciais de 3 de novembro, em que Trump tentará se reeleger. No entanto, as maiores autoridades de saúde dos EUA acham o prazo pouco realista, uma vez que os ensaios clínicos continuam em andamento. As principais farmacêuticas que atuam na busca por um imunizante contra a Covid-19 disseram que não pular etapas, em um compromisso para evitar que uma vacina sem eficácia ou que ofereça riscos seja distribuída nos EUA e no mundo. Laboratório espera resultado em novembro Uma placa na entrada da sede da Moderna, que está desenvolvendo uma das candidatas à vacina contra o coronavírus, em Cambridge, Massachusetts, EUA Brian Snyder/Reuters O laboratório americano Moderna, um dos mais avançados na pesquisa por uma vacina nos EUA, não descarta apresentar resultados ainda em outubro. Porém, os representantes da empresa acreditam que só em novembro haverá dados que permitirão avaliar a eficácia da candidata. "Nosso plano de base, o mais provável, é novembro", disse seu presidente-executivo, Stéphane Bancel, à emissora CNBC na quinta-feira. Entretanto, o prazo pode ser estendido. "Nosso melhor plano é outubro, é improvável, mas possível. E se a taxa de infecções no país diminuir nas próximas semanas, pode atrasar para dezembro, nosso pior cenário". O outro estudo de fase 3 em andamento nos Estados Unidos está sendo liderado pela Pfizer, e um terceiro é conduzido pela AstraZeneca em parceira com a Universidade de Oxford. Anvisa permite mais 5 mil voluntários em testes da vacina; total chega a 10 mil Os testes da instituição britânica, porém, ainda estão interrompidos nos EUA após o laboratório parar os ensaios para reavaliar possíveis colaterais. Após constatarem que a internação de uma paciente não tinha relação com a vacina, os testes foram considerados seguros e voltaram no Reino Unido, no Brasil e na África do Sul — mas não nos EUA. PLAYLIST: Novidades sobre a busca por uma vacina contra a Covid-19 Initial plugin text Veja Mais

A surpreendente maneira como os animais compreendem os números

Glogo - Ciência Os humanos, como espécie, usam números para sobreviver, mas a habilidade matemática é algo que compartilhamos com várias outras criaturas. A matemática e os números nasceram para resolver problemas reais Getty Images via BBC Uma das descobertas mais importantes das últimas décadas foi a de que a habilidade dos seres humanos de trabalhar com números está profundamente arraigada na nossa ancestralidade biológica e não se baseia na nossa capacidade em usar a linguagem. Considerando a variedade de situações em que nós humanos usamos informações numéricas, a vida sem números é inconcebível. Mas como a competência numérica beneficiou nossos ancestrais, antes de eles virarem o Homo sapiens? E por que esses animais precisariam usar matemática? Pois se descobriu que processar números oferece uma vantagem significativa para sobrevivência, que é o porquê dessa característica de comportamento estar presente em muitas populações de animais. Muitos estudos examinando animais nos seus ambientes ecológicos sugerem que ter uma representação dos números melhora a habilidade de um animal de explorar recursos alimentares, caçar, evitar predadores, navegar pelo seu habitat e insistir em interações sociais. Antes que animais com competências matemáticas evoluíssem no planeta, bactérias microscópicas — os organismos mais antigos da Terra — já exploraram informações quantitativas. As bactérias sobrevivem consumindo nutrientes do seu ambiente. Em geral, elas crescem e se dividem, para se multiplicarem. No entanto, nos últimos anos, microbiólogos descobriram que elas também têm uma vida social e conseguem sentir a presença ou ausência de outras bactérias. Em outras palavras, elas conseguem pressentir o número de bactérias. Pegue, por exemplo, a bactéria marinha Vibrio fischeri. Ela possui uma propriedade especial que permite que ela produza luz através de um processo chamado de bioluminescência, parecido com a forma como os vagalumes se iluminam. Se essas bactérias são diluídas em soluções de água (onde estão essencialmente sozinhas), elas não conseguem produzir luz. Mas quando crescem até atingir um certo número de células, todas produzem luzes simultaneamente. Portanto, as Vibrio fischeri conseguem distinguir entre estarem sozinhas e estarem juntas. Descobriu-se que elas fazem isso usando uma linguagem química. Elas fazem a secreção de moléculas de comunicação, e a concentração destas moléculas na água aumenta em proporção ao número de células. E, quando essa molécula atinge uma certa quantidade, chamada de "quórum", ela informa as demais bactérias quantas vizinhas existem, e todas passam a emitir luz. Esse comportamento é chamado em inglês de "quorum sensing"— as bactérias "votam" emitindo moléculas, os votos são contados e, se um determinado quórum é atingido, todas as bactérias reagem. As leoas julgam quantos intrusos podem enfrentar antes de se aproximarem Getty Images via BBC Esse comportamento não é exclusivo das Vibrio fischeri — todas as bactérias usam esse método para comunicar o número de células de forma indireta, através da sinalização de moléculas. E o "quorum sensing" não acontece apenas com bactérias — animais usam isso para se deslocar também. Formigas japonesas (Myrmecina nipponica), por exemplo, decidem mudar suas colônias de lugar se elas sentem que há um quórum. Nesta forma de decisão por consenso, as formigas começam a transportar juntas o seu ninho só se houver um determinado número de formigas presentes já no local de destino. Só depois disso que elas decidem que é seguro mudar seus ninhos de lugar. A cognição numérica também desempenha um papel vital quando se trata de navegação e desenvolvimento de estratégias eficientes de busca por comida. Em 2008, os biólogos Marie Dacke e Mandyam Srinivasan realizaram um experimento controlado no qual descobriram que as abelhas são capazes de estimar o número de pontos de referência em um túnel de voo para chegar a uma fonte de alimento — mesmo quando o layout espacial é alterado. As abelhas usam pontos de referência para medir a distância de uma fonte de alimento até a colmeia. Fazer uma avaliação sobre números é vital para sua sobrevivência. Quando se trata de procurar comida de forma eficiente, "buscar mais" é uma boa regra prática na maioria dos casos e parece algo óbvio, mas às vezes a estratégia oposta é melhor. Os ratos adoram formigas vivas, mas as formigas são presas perigosas porque mordem quando estão sob ameaça. Quando um rato é colocado em uma arena junto com dois grupos de formigas de quantidades diferentes, ele surpreendentemente "busca menos". Em um estudo, os ratos que podiam escolher entre cinco contra 15, cinco contra 30 e 10 contra 30 formigas sempre preferiram a menor quantidade de formigas. Os ratos parecem escolher o grupo menor de formigas para garantir uma boa caçada, com menor risco de serem mordidos com frequência. As dicas numéricas também desempenham um papel relevante na caça de presas em grupos. A probabilidade, por exemplo, de que os lobos capturem alces ou bisões varia de acordo com o tamanho de um grupo de caça. Os lobos frequentemente caçam presas grandes, como alces e bisões, mas presas grandes podem chutar, arranhar e pisar nos lobos até a morte. Portanto, há incentivo para "se segurar" e deixar que outros entrem em ação, principalmente em grupos de caça maiores. Como consequência, os lobos têm um tamanho de grupo ideal para caçar presas diferentes. Para alces, o grupo ideal de caça deve ter de dois a seis lobos. No entanto, para o bisão, é melhor que o grupo tenha de nove a 13 lobos. Portanto, para os lobos, prevalece a regra do "quanto mais melhor" durante a caça, mas apenas até um certo número, que depende da resistência de sua presa. Animais que são mais ou menos indefesos frequentemente procuram abrigo entre grandes grupos de companheiros sociais — a estratégia de sobrevivência do "quanto mais melhor" dificilmente precisa de explicação. Mas esconder-se em grandes grupos não é a única estratégia contra predadores que envolve competência numérica. Em 2005, uma equipe de biólogos da Universidade de Washington descobriu que o chickadee preto-tampado (uma espécie de ave) na Europa desenvolveu uma maneira surpreendente de anunciar a presença e a periculosidade de um predador. Como muitos outros animais, os chickadee emitem gritos de alarme quando detectam um predador potencial, como um falcão, para alertar seus companheiros. Para predadores parados, esses pequenos pássaros cantam um som chamado de "chick-a-dee". Foi demonstrado que o número de notas "dee" no final deste canto indica o nível de perigo de um predador. Um grito como "chick-a-dee-dee" com apenas duas notas "dee" pode indicar a presença de uma coruja cinza bastante inofensiva. As grandes corujas cinzentas são grandes demais para conseguir perseguir os chickadee na floresta, então elas não são vistas como uma ameaça séria. Já a mesma manobra entre árvores não é problema para a pequena coruja do gênero Gaucidium, razão pela qual ela é um dos predadores mais perigosos para essas pequenas aves. Quando os chickadees vêem uma coruja pigmeu, eles aumentam o número de notas "dee" e passam a gritar "chick-a-dee-dee-dee-dee". Aqui, o número de sons serve como uma estratégia ativa contra predadores. Os grupos e o tamanho dos grupos também são importantes se os recursos não podem ser defendidos apenas por indivíduos — e a capacidade de avaliar o número de indivíduos em seu próprio grupo em relação à parte rival tem valor adaptativo claro. Várias espécies de mamíferos foram investigadas na natureza, e todas têm em comum o fato de que a vantagem numérica determina o resultado dessas lutas. Em um estudo pioneiro, a zoóloga Karen McComb e colegas da Universidade de Sussex investigaram o comportamento espontâneo de leoas no Parque Nacional do Serengeti quando estavam diante de intrusos. Os autores exploraram o fato de que animais selvagens respondem a vocalizações tocadas por um alto-falante como se indivíduos reais estivessem presentes. Quando o alto-falante tocava o som de um leão intruso, que representa uma ameaça, as leoas abordavam agressivamente o alto-falante, como se ele fosse o inimigo. Neste estudo de reprodução acústica, os autores imitaram a intrusão hostil tocando o rugido de leoas desconhecidas para os residentes. Duas condições foram apresentadas aos indivíduos: ou as gravações de leões "solteiros" rugindo ou de grupos de três fêmeas rugindo juntas. Os pesquisadores estavam curiosos para ver se o número de atacantes e o número de defensores teriam impacto na estratégia do defensor. Curiosamente, uma única mulher defensora estava muito hesitante em abordar as reproduções de um ou três intrusos. No entanto, três defensores prontamente se aproximaram do rugido de um único intruso, mas não do rugido de três intrusos juntos. Obviamente, o risco de se machucar ao travar uma luta com três oponentes era um prenúncio. Somente se o número de residentes fosse cinco ou mais é que as leoas se aproximavam dos rugidos dos três intrusos. Em outras palavras, as leoas decidem abordar os intrusos de forma agressiva apenas se elas os superarem — outro exemplo claro da capacidade de um animal de levar em consideração informações quantitativas. Nossos primos mais próximos no reino animal, os chimpanzés, apresentam um padrão de comportamento muito parecido. Usando uma abordagem de reprodução semelhante, Michael Wilson e colegas da Universidade de Harvard descobriram que os chimpanzés se comportavam como estrategistas militares. Eles seguem intuitivamente as equações usadas pelas forças militares para calcular as forças relativas dos seus oponentes. Em particular, os chimpanzés seguem as previsões feitas no modelo de combate da Lei de Lanchester Quadrática. Este modelo prevê que, em competições com vários indivíduos de cada lado, os chimpanzés desta população devem estar dispostos a entrar em uma competição apenas se superarem o lado oposto por um fator de pelo menos 1,5. E é exatamente isso que os chimpanzés selvagens fazem. Sobreviver — do ponto de vista biológico — é um meio para se chegar a um fim, e o objetivo é a transmissão de genes. Nos besouros da larva-da-farinha (Tenebrio molitor), muitos machos acasalam com muitas fêmeas e a competição é intensa. Portanto, um besouro macho sempre irá atrás de mais fêmeas para maximizar suas oportunidades de acasalamento. Após o acasalamento, os machos até guardam as fêmeas por algum tempo para evitar futuros atos de acasalamento de outros machos. Quanto mais rivais um macho encontrar antes do acasalamento, mais tempo ele guardará a fêmea após o acasalamento. É óbvio que tal comportamento desempenha um papel importante na reprodução e, portanto, tem um alto valor adaptativo. Ser capaz de estimar quantidade melhorou a competitividade sexual dos machos. Isso pode, por sua vez, ser uma força motriz para uma estimativa de quantidade cognitiva mais sofisticada ao longo da evolução. Pode-se pensar que tudo se ganha com uma cópula bem-sucedida. Mas isso está longe de ser verdade para alguns animais, para os quais o verdadeiro prêmio é fertilizar um ovo. Uma vez que os parceiros de acasalamento individuais cumpram sua parte na peça, o esperma continua a competir pela fertilização do óvulo. Já que a reprodução é de suma importância na biologia, a competição de espermas causa uma variedade de adaptações no nível comportamental. Tanto em insetos quanto em vertebrados, a capacidade dos machos de estimar a magnitude da competição determina o tamanho e a composição da ejaculação. No pseudoescorpião Cordylochernes scorpioides, por exemplo, é comum que vários machos copulem com uma única fêmea. Obviamente, o primeiro macho tem as melhores chances de fertilizar o óvulo dessa fêmea, enquanto os machos a seguir têm chances cada vez menores de gerar filhos. No entanto, a produção de espermatozoides é cara, então a alocação de espermatozoides é pesada considerando as chances de fertilizar um óvulo. Os machos cheiram o número de machos competidores que copularam com uma fêmea e se ajustam diminuindo progressivamente a alocação de esperma à medida que o número de diferentes pistas olfativas masculinas aumenta de zero para três. Enquanto isso, algumas espécies de pássaros inventaram todo um arsenal de truques para se livrar do fardo da paternidade e permitir que outros façam esse trabalho. Criar uma ninhada e criar filhotes são empreendimentos caros, afinal. Eles se tornam parasitas de crias ao colocar seus ovos em ninhos de outras aves e deixar o hospedeiro fazer todo o trabalho duro de incubar os ovos e alimentar os filhotes. Naturalmente, os potenciais anfitriões não estão satisfeitos e fazem de tudo para evitar serem explorados. E uma das estratégias de defesa que o hospedeiro potencial tem à sua disposição é o uso de pistas numéricas. Os galeirões-americanos, por exemplo, enfiam ovos nos ninhos de seus vizinhos e esperam enganá-los para que eles criem os filhotes. Claro, seus vizinhos tentam evitar serem explorados. Um estudo no habitat natural dos galeirões sugere que potenciais hospedeiros galeirões podem contar seus próprios ovos, o que os ajuda a rejeitar ovos parasitas. Eles normalmente colocam uma ninhada de tamanho médio de seus próprios ovos e, posteriormente, rejeitam qualquer excesso de ovo parasita. Portanto, os galeirões parecem avaliar o número de seus próprios ovos e ignorar quaisquer outros. Um tipo ainda mais sofisticado de parasitismo de ninhada é encontrado em chupins (aves do gênero Molothrus), uma espécie de pássaro canoro que vive na América do Norte. Nesta espécie, as fêmeas também depositam seus ovos nos ninhos de uma variedade de espécies hospedeiras, desde pássaros pequenos até os maiores, e elas precisam ser espertas para garantir que seus futuros filhotes tenham um futuro brilhante. Ovos de chupim se abrem após exatamente 12 dias de incubação; se a incubação for de apenas 11 dias, os pintinhos não nascem. Portanto, não é por acaso que os tempos de incubação dos ovos dos hospedeiros mais comuns variam de 11 a 16 dias, com média de 12 dias. As aves hospedeiras geralmente colocam um ovo por dia — uma vez que um dia se passa sem que nenhum ovo seja adicionado pelo hospedeiro ao ninho, o hospedeiro começa a incubação. Isso significa que os pintinhos começam a se desenvolver nos ovos e o período começa a contar. Para uma fêmea de chupim, portanto, não é apenas importante encontrar um hospedeiro adequado, mas também determinar o momento exato para colocar o ovo. Se a chupim botar seu ovo muito cedo no ninho hospedeiro, ela corre o risco de seu ovo ser descoberto e destruído. Mas se ela botar o ovo muito tarde, o tempo de incubação terá expirado antes que seu filhote de chupim possa chocar. Experimentos de David J White e Grace Freed-Brown, da Universidade da Pensilvânia, sugerem que as fêmeas do chupim monitoram cuidadosamente a ninhada do hospedeiro para sincronizar seu parasitismo com a incubação de um hospedeiro em potencial. As fêmeas do chupim ficam atentas aos ninhos hospedeiros nos quais o número de ovos aumentou desde sua primeira visita. Isso garante que o hospedeiro ainda está em processo de colocação de ovo e a incubação ainda não começou. Além disso, a chupim está procurando ninhos que contenham exatamente um ovo adicional por número de dias decorridos desde sua visita inicial. Por exemplo, se a fêmea do chupim visitou um ninho no primeiro dia e encontrou um ovo hospedeiro no ninho, ela só depositará seu próprio ovo se o ninho hospedeiro contiver três ovos no terceiro dia. Se o ninho contiver menos ovos adicionais do que o número de dias decorridos desde a última visita, ela sabe que a incubação já começou e é inútil para ela botar seu próprio ovo. Isso é extremamente exigente do ponto de vista cognitivo, já que a fêmea do chupim precisa visitar um ninho ao longo de vários dias, lembrar-se do tamanho da ninhada de um dia para o outro, avaliar a mudança no número de ovos no ninho de uma visita anterior ao presente, avaliar o número de dias que se passaram e, em seguida, comparar esses valores para tomar a decisão de botar o ovo ou não. Mas não é só isso. As mães-chupim também têm estratégias de reforço sinistras. Elas vigiam os ninhos onde colocam seus ovos. Na tentativa de proteger seu ovo, elas agem como gangsters na máfia. Se a chupim descobre que seu ovo foi destruído ou removido do ninho do hospedeiro, ela revida destruindo os ovos do pássaro hospedeiro, bicando-os ou levando-os para fora do ninho e jogando-os no chão. É melhor que os pássaros hospedeiros criem o filhote de chupim, ou então terão que pagar caro. Para os pais anfitriões, pode valer a pena passar por todo o trabalho de criar um filhote adotivo de um ponto de vista adaptativo. O chupim é um exemplo surpreendente de como a evolução levou algumas espécies a permanecer no negócio de transmitir seus genes. As pressões de seleção existentes, sejam impostas pelo ambiente inanimado ou por outros animais, forçam as populações de espécies a manter ou aumentar as características adaptativas causadas por genes específicos. Se avaliar os números ajuda nessa luta para sobreviver e reproduzir, certamente isso é apreciado e confiável. Isso explica por que a competência numérica é tão difundida no reino animal: ela evoluiu porque foi descoberta por um ancestral comum anterior e passada a todos os descendentes, ou porque foi inventada em diferentes ramos da árvore da vida animal. Independentemente de sua origem evolutiva, uma coisa é certa — a competência numérica é certamente um traço adaptativo. Veja Mais

Médicos brasileiros investigam mortes de crianças por Covid-19

Glogo - Ciência Patologistas da USP foram primeiros a provar presença de vírus no coração de paciente infantil com forma rara da doença e tentam desvendar mecanismos por trás de óbitos de outras crianças. A equipe da FMUSP usa a autópsia minimamente invasiva guiada por ultrassom, um método que permite coletar tecidos com uma agulha, sem a abertura do corpo e com mínimos riscos de contaminação. FMUSP "A pergunta que eu mesma me faço é aquela que não sabemos responder: afinal de contas, do que estão morrendo essas crianças?" Com essas palavras, a médica patologista e professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) Marisa Dolhnikoff define, em entrevista à BBC Brasil, a missão de um grupo de pesquisadores brasileiros que se destaca por usar um método particular de autópsia para estudar — e tentar explicar — as mortes pela Covid-19 entre crianças. No cumprimento dessa missão, a equipe da FMUSP acaba de dar um passo importante: foi a primeira no mundo a confirmar a presença do novo coronavírus (Sars-CoV-2) no coração de uma criança que morreu de uma manifestação atípica de covid-19, a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P). Crianças e Covid-19: veja em 7 pontos o que a ciência já sabe sobre o tema Crianças e jovens com Covid-19 têm carga viral superior à de adultos hospitalizados, diz estudo dos EUA Coronavírus: crianças podem ter vírus e anticorpos ao mesmo tempo no corpo, diz estudo Crianças sem sintomas podem carregar coronavírus por semanas A descoberta, relatada em um estudo de caso publicado em agosto na revista científica Lancet Child and Adolescent Health, chamou a atenção da comunidade científica internacional. Agora, o grupo quer explicar os mecanismos por trás dos óbitos de outras quatro crianças que perderam suas vidas por covid-19 no Hospital das Clínicas da FMUSP. "O estudo que a gente quer fazer seria mostrar o espectro de possíveis apresentações da Covid grave em crianças que chegaram a morrer e em que pudemos fazer autópsia", diz Dolhnikoff que, ao lado do patologista Paulo Saldiva, coordena os estudos em autópsia de óbitos da covid na USP. A Universidade de São Paulo tem tradição no uso da autópsia como instrumento de pesquisa e a equipe trabalha em ritmo acelerado: explicar o que está levando as crianças pode ser crucial para que outras sejam salvas. Entenda como a covid-19 se apresenta nas crianças, o que se sabe sobre os mecanismos que levaram algumas delas a morrer e por que médicos patologistas estão tendo um papel crítico no enfrentamento à pandemia. Covid infantil 'clássica' Para a pediatria, crianças são pacientes com até 18 anos de idade. Estudos indicam que este grupo, quando infectado pelo novo coronavírus, tende a ser assintomático (64,5%, segundo estudo recente realizado pela prefeitura de São Paulo) ou apresentar quadros leves de covid-19. Estudo da USP que aponta reinfecção por coronavírus em SP é publicado em revista científica Hospital das Clínicas da USP investiga 28 pacientes que podem ter sido reinfectados pela Covid-19 Óbitos são raros. No Brasil, mortes nesse segmento representam um pouco mais do que 0,6% do total de óbitos registrados. Até abril, manifestações sintomáticas da doença identificadas em crianças seguiam o padrão que é mais comum em adultos, onde o paciente apresenta doença respiratória. A pediatra do Hospital das Clínicas Juliana Ferranti, coautora do estudo de caso, explicou em linhas gerais como essa forma da covid-19 se manifesta: "Os sintomas podem ser parecidos com os do adulto. Crianças podem apresentar quadros leves, com febre, tosse e desconforto respiratório. Outros sintomas, como mialgia, náuseas, vômitos e dor de cabeça também podem estar presentes", escreveu a pediatra em e-mail para a BBC Brasil. Essa forma, que podemos chamar mais "clássica" da covid-19 na criança, tende a acometer pacientes com comorbidades, como câncer, por exemplo, explica a patologista Dolhnikoff. "Uma criança morrer por insuficiência respiratória pela Covid pode acontecer, mas são poucos casos", responde. Mas a partir do final de abril, começaram a surgir relatos de uma manifestação atípica da doença — também em crianças sem comorbidades. SIM-P, a covid infantil atípica Essa outra apresentação da covid-19 em crianças está sendo chamada de Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P). "A Síndrome Inflamatória Multissistêmica em crianças é uma doença em que diferentes partes do corpo podem ficar inflamadas, incluindo o coração, os pulmões, os rins, pele, olhos e órgãos gastrointestinais", escreveu Ferranti. Segundo a médica, essas crianças apresentam febre e uma série de outros sintomas, entre eles, dor abdominal, vômitos, diarreia, manchas na pele, olhos vermelhos e sensação de cansaço. O estudo publicado na revista Lancet Child and Adolescent Health descreve o caso de uma criança de 11 anos que morreu após apresentar um quadro grave de SIM-P. "O mundo inteiro está falando sobre a síndrome inflamatória, uma apresentação em que as crianças podem ficar com quadro clínico grave, e algumas podem morrer", diz a médica, autora principal do estudo de caso. "Quando ficam graves, é por doença no coração. Elas têm miocardite, uma disfunção cardíaca." 'Nem todo mundo tem uma recuperação imediata', alertam diretores da OMS sobre a Covid O estudo esclareceu uma questão que intrigava os especialistas: qual seria a relação entre o coronavírus e o quadro inflamatório sistêmico (incluindo a miocardite)? A resposta está nas imagens abaixo. A figura 1 mostra uma célula muscular cardíaca da criança cujo caso foi descrito no estudo. A imagem original foi produzida em tons cinza, mas para melhor visualização, nesta imagem, o núcleo da célula está artificialmente colorido em azul. Há regiões nas quais as miofibrilas apresentam-se degeneradas, como pode ser visto na área delimitada pela linha vermelha. No caso dessa criança havia muitas células musculares cardíacas total ou parcialmente degeneradas' Elias Garcia/FMUSP Em e-mail para a BBC Brasil, a bióloga e professora da FMUSP Elia Caldini, responsável pelas imagens, explicou o que estamos vendo: "A maior parte do citoplasma está preenchido por miofibrilas (que aparecem aqui como massas escuras). Ao se contraírem, as miofibrilas promovem o batimento cardíaco eficiente e regular em um coração normal." Mas na figura 1 nota-se algo diferente: "Há regiões nas quais as miofibrilas apresentam-se degeneradas, como pode ser visto na área delimitada pela linha vermelha. No caso dessa criança havia muitas células musculares cardíacas total ou parcialmente degeneradas." Quando as áreas degeneradas foram analisadas no microscópio eletrônico, com potencial de aumento de milhares de vezes, apareceram imagens como a figura 2: magem gerada por microscopia eletrônica revela 'a presença de vírus com tamanho e forma de Sars-CoV-2 (indicados pelas setas) no interior das células musculares cardíacas lesadas'. Elias Garcia/FMUSP Ela revela "a presença de vírus com tamanho e forma de Sars-CoV-2 (indicados pelas setas) no interior das células musculares cardíacas lesadas", disse Caldini, que é chefe do Centro de Microscopia Eletrônica da FMUSP. Dolhnikoff explica por que a descoberta é importante: "Nesse trabalho, mostramos que, na verdade, esse quadro de insuficiência cardíaca foi (causado) pela presença do virus no coração." "O vírus está implicado como agente causal por dois mecanismos: primeiro, pela lesão direta nos tecidos, segundo, pela resposta inflamatória local (no coração) e sistêmica." "Fomos o primeiro grupo a fazer a relação direta entre a presença do virus no coração causando uma inflamação no coração que levou ao óbito da criança." A SIM-P em números O número de casos registrados da SIM-P no mundo é pequeno. Nos Estados Unidos, país com o maior índice de pessoas infectadas pelo coronavírus, o Centro para o Controle de Doenças (CDC) registrou, até o início de setembro, 792 casos da síndrome e 16 mortes. No Brasil, são pouco mais de cem registros, diz Dolhnikoff. "Estou falando de registros da síndrome, não óbitos. Óbitos são 2 ou 3% disso." "São poucos casos, não podemos ser alarmistas", ela diz. "Mas as sociedades pediátricas no mundo estão lançando alertas para as comunidades médicas, para que se atentem a esse tipo de apresentação atípica da covid-19. Para que façam a testagem, para que não deixem de diagnosticar a doença." A contribuição da patologia A covid-19 trouxe para a boca de cena um tipo de médico que não trata o paciente, ele trabalha nos bastidores: o patologista. E a razão de ser da patologia, diz Dolhnikoff, é entender o mecanismo por trás da doença. "Sempre que você tem um melhor entendimento, tem condições de propor um melhor tratamento." Uma das ferramentas usadas pelo patologista é a autópsia, ou seja, o exame do cadáver. E é nessa área que Dolhnikoff e equipe se sentem bem posicionados para fazer uma contribuição. "Aqui na USP, a autópsia virou instrumento de pesquisa científica. Somos um dos maiores centros de autópsia do mundo." O grupo redobrou seus esforços e trabalha longas horas, ela conta. "É a pressão da situação, dessa vontade que a gente tem de trazer respostas mais rápidas. Isso está acontecendo com toda a classe de pesquisadores, muita gente parou o que estava fazendo para trabalhar com essa doença." E os desafios são imensos. O boletim epidemiológico especial 29 do Ministério da Saúde diz que 796 crianças (com até 19 anos) morreram de covid-19 no Brasil até o final de agosto, comenta a médica. "E voltamos ao começo", diz. "Se morreram quase 800, sabemos do que morreram?", pergunta. "Não sabemos, não temos registros específicos. Pode ser que haja casos de síndrome inflamatória no meio, pode ser que tenham morrido pela forma mais clássica." Na ausência de respostas para o total de óbitos no país, a equipe da FMUSP concentra seu foco em explicar todas as mortes de pacientes crianças por covid-19 no Hospital das Clínicas — foram cinco, incluindo-se aquela descrita no estudo de caso. "O estudo continua", diz Dolhnikoff. "Estamos investigando os mecanismos envolvidos no óbito de outras criancas." "Como elas apresentam manifestações de alteração de vários órgãos — coração, trato digestivo, pulmões — é importante a gente saber se os mecanismos que levaram ao óbito podem ser distintos do caso que a gente já estudou", ela explica. Feita essa análise, seria importante entendermos as condições sociais das crianças que têm casos graves, diz a especialista. "Quem são essas criancas?", pergunta. As imagens produzidas por ultrassonografia permitem que a equipe veja a posição da agulha dentro do corpo. FMUSP via BBC "Seria importante saber seu nível de exposição ao vírus. Tiveram contato com carga viral mais alta, tiveram condição de fazer distanciamento social? Tiveram dificuldade de ter atendimento?Procuraram atendimento tardiamente?" Entender tudo isso pode ajudar a explicar o que existe em comum entre elas. E, possivelmente, dar a pista sobre quem são as crianças mais vulneráveis. Mas um estudo dessa abrangência teria de contar com a colaboração de outros especialistas. Por agora, Dolhnikoff e sua equipe se contentam em oferecer algumas peças para o grande quebra-cabeças que é a covid-19. Na patologia "você vê, você enxerga a doença no local onde ela está acontecendo", ela diz. Não temos todas as respostas, "mas temos todas as condições de ajudar a responder. Porque quando você faz a autópsia, traz informações que não tem como trazer sem estudar o tecido. Você vê o vírus lá, machucando, lesando aquele tecido." Técnica 'brasileira' de autópsia Em sua pesquisa, a equipe da FMUSP trabalha com um método de autópsia que hoje é único no mundo, a autópsia minimamente invasiva guiada por ultrassom. Dolhnikoff explica que, como a doença é muito contagiosa, esse método oferece mais segurança às equipes. "Não só para os médicos, mas também os técnicos de autópsia e as pessoas que preparam aquele corpo." O método consiste em retirar amostras de tecido usando uma agulha, como se faz em biópsias de pacientes vivos. "A autópsia minimamente invasiva são múltiplas biópsias em vários órgãos e a gente coleta material sem ter de abrir o corpo", explica. "Isso é difícil de fazer, você pode errar porque não sabe onde está a agulha." "A novidade do grupo brasileiro é que a autópsia é guiado pelo ultrassom. A ultrassonografista da equipe, dra. Renata Monteiro, localiza o órgão, vê qual é a área mais doente e direciona a agulha para o lugar certo." "É uma coisa que só se faz aqui, no nosso grupo." Initial plugin text Veja Mais

Covid-19 pode causar retrocesso na expectativa de vida em várias partes do mundo, diz estudo

Glogo - Ciência Levantamento mostra que lugares com longevidade muito alta, como Europa e América do Norte, podem ser especialmente afetados no indicador após a pandemia. Impacto maior deve se dar em regiões com expectativa de vida mais elevada, como Europa e América do Norte Getty Images via BBC Em lugares com expectativa de vida alta, como o Brasil e os Estados Unidos, um percentual acima de 2% da população infectada com a Covid-19 poderá já ser capaz de quebrar uma histórica tendência de crescimento neste indicador, em que conforme os anos passam, mais longamente as pessoas tendem a viver. É o que diz um estudo publicado nesta quinta-feira (17) no periódico PLOS ONE, que combinou em um modelo matemático dados da probabilidade de se infectar e morrer por Covid-19 dentro de um ano em diferentes faixas etárias, além de números sobre outras causas de mortalidade e expectativa de vida em quatro grandes regiões do mundo. Com a nova doença, é esperado um declínio pelo menos em curto prazo na expectativa de vida em vários países, sobretudo aqueles com maior expectativa de vida, na Europa e na América do Norte; e particularmente em localidades específicas fortemente afetadas pela doença, como Nova York, nos EUA, e Bergamo, na Itália. De acordo com a publicação, uma prevalência (parcela de infectados em relação à população total) de 10% poderá levar à perda de um ano na expectativa de vida na Europa, América do Norte, América Latina e Caribe. Modelo 3D do Sars-Cov-2, o novo coroavírus Reprodução/Visual Science Para que tal perda aconteça no Sudeste Asiático e na África Subsaariana, seria necessária uma prevalência de 15% e 25% respectivamente. O impacto é menor em lugares com expectativa de vida mais baixa pois, neles, a sobrevivência em idades mais avançadas já é menor. Com uma prevalência de 50% de Covid-19 na população dentro de um ano, a expectativa de vida poderia cair de 3 a 9 anos na América do Norte e Europa; de 3 a 8 anos na América Latina e Caribe; de 2 a 7 anos no Sudeste Asiático; e de 1 a 4 anos na África Subsaariana. "A Europa levou quase 20 anos para que a expectativa de vida média ao nascer crescesse seis anos - de 72,8 anos em 1990 para 78,6 anos em 2019. A covid-19 pode fazer retroceder este indicador para valores de algum tempo atrás", diz um dos autores do estudo, Sergei Scherbov, do Centro Wittgenstein para Demografia e Capital Humano Global, na Universidade de Viena, Áustria. Ele assina o trabalho junto com Guillaume Marois, do Instituto de Pesquisas Demográficas da Ásia, na Universidade de Xangai, China; e Raya Muttarak, da Universidade de East Anglia, no Reino Unido. "No entanto, não temos certeza do que vai acontecer ainda. Em muitos países a letalidade da Covid-19 está diminuindo fortemente, provavelmente porque o protocolo de tratamento ficou melhor definido", pondera Sherbov sobre a possibilidade dos cenários serem confirmados ao longo do tempo ou não. No último século, a expectativa de vida cresceu significativamente em várias partes do mundo. Este é um dos indicadores que entra na conta do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e é influenciado por condições sociais, econômicas, e de acesso à educação e saúde. O artigo na PLOS ONE considerou a seguinte classificação por regiões do mundo: expectativa de vida muito alta (América do Norte e Europa, 79,2 anos); alta (América Latina e Caribe, 76,1 anos); média (Sudeste Asiático, 73,3 anos); e baixa (África Subsaariana, 62,1 anos). Epidemias do passado já mostraram que curvas podem ser alteradas de repente, como a pandemia de influenza em 1918 e o surto de ebola em 2014, que diminuíram a expectativa de vida em 11,8 anos nos EUA e de 1,6 a 5,6 anos na Libéria, respectivamente, segundo calcularam estudos anteriores. Os autores destacam, porém, que o impacto da Covid-19 na expectativa de vida pode não ser tão óbvio. Isto porque, por um lado, o vírus é mais letal em idades mais avançadas, então o número de anos perdidos não é tão grande na soma final da expectativa de vida; por outro, a doença pode ter impacto devastador e rápido em certas localidades, sendo capaz de afetar, sim, o indicador de um país ou região. Outra ressalva feita pela equipe é sobre os dados de prevalência e mortalidade por covid-19, que não são tão confiáveis e completos; por isso, foi escolhido um modelo matemático que combinasse vários tipos de dados, apontando para tendências e diferentes cenários e focado em grandes regiões. Só para se ter um parâmetro da situação do Brasil, o país contabilizava, até esta quinta, 4,4 milhões de diagnósticos positivos de Covid-19, cerca de 2% da população de 212 milhões estimada pelo IBGE. Sabe-se, no entanto, que os números são provavelmente subestimados. O balanço mais recente do estudo EpiCovid-19, feito pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) e financiado pelo Ministério da Saúde, apontam que o total de infectados no país pode ser até sete vezes maior. PLAYLIST: Todos contra a Covid-19 Veja Mais

Anúncio de sinal de vida em Vênus é 'imprudente' e 'precipitado', diz astrofísica brasileira associada à Nasa

Glogo - Ciência Em meio a ondas de euforia sobre indício mais forte de vida extraterrestre já anunciado pela ciência, Duilia Mello diz que cientistas deveriam ter esperado mais e que anúncio pode ser fruto de 'coincidência'. Astrofísica brasileira Duilia Fernandes de Mello pede cautela pede cautela na divulgação de gás que poderia indicar a presença de micróbios na atmosfera de Vênus Duilia de Mello/ BBC Março de 2014: cientistas chocam o planeta com o anúncio da detecção de ondas gravitacionais descritas como "ecos" do Big Bang, em uma descoberta retratada como das mais importantes da história sobre as origens do universo. O anúncio é destaque nas principais revistas científicas e especialistas dão o prêmio Nobel como certo para a equipe de astrônomos. Janeiro de 2015: os mesmos cientistas voltam atrás, pedem desculpas à comunidade científica, e afirmam que o que haviam descrito como reflexo da megaexplosão que aconteceu há 14 bilhões de anos era na verdade uma interpretação equivocada. As ondas atribuídas ao Big Bang eram, na verdade, sinais emitidos pela poeira que se espalha pela Via Láctea. A descoberta virava pó. Imagem do planeta Vênus é uma combinação de dados da espaçonave Magellan da Nasa e da Pioneer Venus Orbiter NASA / JPL-Caltech Cinco anos depois, na segunda-feira (14), veio o anúncio da descoberta de um gás que, apesar de várias ressalvas apontadas pelos próprios cientistas, pode indicar a presença de micróbios na atmosfera de Vênus. Divulgada pela revista "Nature Astronomy" e pela Sociedade Astronômica Real, de Londres, a descoberta causou euforia e foi vista, por muitos, como o indício mais forte de vida extraterrestre já anunciado pela ciência. Explica-se: no planeta Terra, as mesmas moléculas de fosfina identificadas pelo estudo em Vênus só existem na natureza como fruto da ação de seres microscópicos que vivem nas entranhas dos animais e em ambientes pobres em oxigênio, como pântanos. Gás, água e gelo: entenda o que a ciência já achou e onde concentra as buscas por vida fora da Terra Como não há outra explicação para a presença natural de fosfina além da atuação destes micróbios, a descoberta poderia ser um sinal concreto de vida na atmosfera venusiana. Mas cientistas importantes como a astrofísica brasileira Duilia Fernandes de Mello, vice-reitora da Universidade Católica de Washington e pesquisadora junto à Nasa há 18 anos, pedem cautela. "As pessoas, às vezes, na ansiedade de mostrar resultados, acabam cometendo erros", diz a professora em entrevista à BBC News Brasil. Na avaliação da brasileira, responsável pela descoberta da supernova SN1997 (supernovas são as megaexplosões que ocorrem no fim do ciclo de uma estrela) e participante da equipe que identificou as chamadas "bolhas azuis" (aglomerados estrelares detectados pelo famoso telescópio Hubble), o anúncio sobre Vênus é "imprudente", carece de "confirmação" e pode ser fruto de uma "coincidência". "Estamos em uma fase muito complicada da ciência, com as pessoas negando a ciência. Então é preciso ser muito cuidadoso." Cientistas encontram gás na atmosfera de Vênus que pode indicar vida extraterrestre Coincidência? Liderada por astrônomos da Universidade de Cardiff, no País de Gales, em parceria com outros cientistas no Reino Unido, nos EUA e no Japão, a pesquisa identificou a presença de moléculas de fosfina em Vênus por meio de ondas de rádio pelo telescópio James Clerk Maxwell, no Havaí. Elas foram confirmadas por um conjunto de 45 das 66 antenas que formam uma espécie de telescópio gigante no importante observatório Alma, que fica no deserto do Atacama, no Chile. "Só que são dois instrumentos completamente diferentes", aponta a astrofísica brasileira. "Era preciso que fosse feita uma reconfirmação com o próprio Alma." Molécula de fosfina é composta por um átomo de fósforo e três átomos de hidrogênio Eso/M.Kornmesser/L.Calcada/ Nasa/ BBC A principal interrogação levantada pela equipe de cientistas chefiados pela professora Jane Greaves, autora do estudo pela Universidade de Cardiff, é sobre a origem da fosfina encontrada em Vênus — e a possibilidade de que a molécula, diferente do que acontece no planeta Terra, possa ser fruto de fenômenos que não envolvam organismos vivos. "Estamos genuinamente encorajando outras pessoas a nos mostrar um fator (que explique a fosfina sem envolver a vida) que nós podemos ter deixado passar", disse Greaves em comunicado à imprensa. "Nossos artigos e dados podem ser acessados por outros pesquisadores; é assim que a ciência funciona." No texto que detalha a descoberta, os autores mostram que fizeram uma série de testes na tentativa de identificar a possibilidade de uma origem natural e não-biológica para a molécula. Mas não encontraram uma resposta convincente — o que poderia reforçar a tese de vida microscópica em Vênus. Em coro com outros cientistas, por outro lado, a brasileira Duilia de Mello chama atenção para o método usado para a identificação da fosfina na atmosfera venusiana. À reportagem, ela explica que os dados captados pelos equipamentos usados no estudo são fruto de uma razão entre o sinal emitido pelo objeto pesquisado, no caso Vênus, e o ruído intrínseco à observação — como o barulho da atmosfera da Terra ou dos instrumentos usados, por exemplo. "Nesse caso, esta razão, que é a divisão entre o sinal e o ruído, é muito baixa. O ruído está quase dominando o sinal, a detecção", avalia a brasileira. Ela continua: "Quando é assim, quando são sinais muito fraquinhos, é preciso observar várias vezes e em outras épocas, para confirmar realmente se a detecção foi feita ou se não foi apenas uma coincidência por conta de um, digamos, sinalzinho errado (um ruído confundido com um sinal)". Foto de maio de 2016 mostra planeta Vênus, visto da sonda Akatsuki da Agência de Exploração Aeroespacial do Japão J. Greaves / Cardiff University / JAXA via AP Ponderação A especialista brasileira ressalta a relevância de pesquisas detalhadas sobre Vênus — "um planeta muito parecido com o nosso em tamanho e muito próximo". "Dada a importância de uma substância que tem a ver com vida em outro planeta, achei imprudente terem publicado agora", pondera. "Eles poderiam ter esperado mais para confirmar o resultado." Antenas formam telescópio gigante no importante observatório Alma, no deserto do Atacama, no Chile ESO/BBC A Nasa se limitou a fazer um breve comentário sobre o anúncio, destacando que "não fez parte da pesquisa e não pode comentar diretamente sobre as descobertas". "No entanto, nós acreditamos no processo científico de revisão por pares e aguardamos a discussão encorpada que vai acontecer na sequência dessa publicação", disse a agência. A hipótese sobre a existência de vida nas nuvens de Vênus que vem ganhando apoio desde os anos 60 Segundo o estudo, o gás fosfina foi observado nas latitudes médias do planeta, a aproximadamente 50 a 60 km de altitude. A concentração é pequena, eles formam apenas de 10 a 20 partes em cada bilhão de moléculas atmosféricas. Mas, neste contexto, isso é bem significativo. Uma hipótese semelhante à levantada pela brasileira aparece em um artigo publicado pela "The Planetary Society" (Sociedade Planetária), fundada há 40 anos pelo astrônomo Carl Sagan — que, por sua vez, foi o primeiro cientista a levantar a possibilidade de vida nas nuvens de Vênus em um artigo publicado em 1967, na revista "Nature", junto ao biofísico molecular Harold Morowitz. "Este é o primeiro anúncio de uma detecção difícil que exigiu uma significativa modelagem e análise de dados para separar o sinal de fosfina do ruído", diz o texto. "É possível que a análise dos autores contenha um erro ou tenha ignorado algum contexto importante, levando a um resultado falso-positivo. Equipes científicas independentes devem agora fazer o trabalho para confirmar esse sinal". Em entrevista à BBC News, o professor da Universidade de Oxford Colin Wilson, que trabalhou na sonda Venus Express da Agência Espacial Europeia entre 2006 e 2014, mencionou pontos semelhantes aos da brasileira, mas disse acreditar na metodologia usada. "É realmente emocionante e levará a novas descobertas — mesmo que a detecção de fosfina original acabe sendo uma interpretação espectroscópica incorreta, o que eu não acho que será", ponderou. "Acho que a vida nas nuvens de Vênus hoje é tão improvável que nós vamos encontrar outras vias químicas de criação de fosfina na atmosfera. Mas vamos descobrir muitas coisas interessantes sobre Vênus nesta pesquisa", prosseguiu o professor inglês. Missões a Vênus Vênus tem condições atmosféricas inóspitas para a vida como a conhecemos, com temperaturas da superfície ultrapassando 400°C Detlev Van Ravenswaay/SPL/BBC Questionada pela BBC News Brasil sobre o que poderia ter levado os pesquisadores à uma eventual publicação precipitada, Duilia de Mello lembra que "estamos em momento de decidir missões espaciais, tanto na Europa quanto aqui (nos EUA)". Em fevereiro deste ano, a Nasa anunciou dois projetos de lançamentos com destino a Vênus entre os finalistas de um processo de seleção de missões espaciais. A decisão será divulgada em 2021. Também em meados do ano que vem, a Agência Espacial Europeia bate o martelo sobre uma expedição que pretende estudar a geologia e a composição química da atmosfera de Vênus. "Um resultado desse tipo motiva missões", diz a brasileira. "Estou só especulando que isso poderia ser, até inconscientemente, algo que nos leva a divulgar esse tipo de resultado para mostrar a importância de se ir a Vênus, por exemplo." Nascida em Jundiaí, no interior de São Paulo, e criada no subúrbio do Rio por uma família com poucos recursos financeiros, a astrofísica se tornou uma das raras representantes da ciência brasileira no Centro de Voos Espaciais Goddard, maior laboratório de pesquisas da Nasa em Washington, capital dos EUA. Com um currículo que inclui participação, em 2013, na descoberta da então maior galáxia em espiral do Universo, a brasileira se tornou uma das poucas astrônomas a conhecerem em detalhes o telescópio Espacial Hubble, da Nasa, um de seus principais meios de pesquisa em colaboração com a agência espacial norte-americana. "A Universidade Católica de Washington tem um instituto dentro da Nasa que possibilita esta colaboração. Temos 100 funcionários da universidade dentro da Nasa trabalhando full-time", diz a brasileira, que também coordena o projeto Mulher das Estrelas, que desde 2016 oferece mentoria em especialidades como física, matemática e robótica a jovens que sonham em seguir carreiras científicas. A experiência leva a brasileira a optar pela prudência na divulgação científica. "Vênus não vai sair de lá, né?" Veja Mais

Doença que pausou testes da AstraZeneca pode não ter relação com a vacina, diz Oxford

Glogo - Ciência Universidade britânica explicou que testes são suspensos quando voluntários desenvolvem sintomas neurológicos inexplicáveis, como alterações nos sentidos ou fraqueza nos membros. O excesso de coagulação no sangue pode causar trombose, infartos ou embolia pulmonar John Cairns/University of Oxford via AP Os efeitos adversos que interromperam os ensaios clínicos da candidata a vacina contra a Covid-19 da AstraZeneca podem não estar associados à própria vacina, de acordo com um documento publicado pela Universidade de Oxford na internet que detalha informações dos participantes. A inscrição nos testes globais da vacina foram suspensas temporariamente depois que um participante do Reino Unido teve um efeito colateral grave que se acreditou ser uma inflamação da medula espinhal chamada de mielite transversa. EUA mantêm suspensão temporária de testes para a vacina de Oxford ESPECIAL: Candidatas a vacina para a Covid-19 Avaliações de segurança são feitas quando voluntários dos teste da candidata a vacina desenvolvem sintomas neurológicos inexplicáveis, como alterações nos sentidos ou fraqueza nos membros, explica o documento. "Após uma avaliação independente, ou se considerou improvável a doença estar associada à vacina ou não havia indícios suficientes para dizer com certeza que a doença estava ou não estava associada à vacina", disse o documento. Os testes da vacina foram retomados no Reino Unido, no Brasil e na África do Sul, mas não nos Estados Unidos. A AstraZeneca e a Universidade de Oxford não responderam de imediato a pedidos de comentário da Reuters. VÍDEOS: Vacina para Covid-19 Initial plugin text Veja Mais

Espermatozoide mais antigo é revelado por paleontólogos: 'gigante' e com 100 milhões de anos

Glogo - Ciência Célula reprodutiva foi encontrada em crustáceo no atual território de Mianmar, segundo publicação no periódico Proceedings of the Royal Society B. Ilustração da reprodução dos ostracodes; após acasalamento, fêmea ficou presa em gota de âmbar, guardando o espermatozoide que foi revelado cerca de 100 milhões de anos depois Divulgação/Dinghua Yang Dentro da conchinha de um crustáceo cujo fóssil ficou escondido por 100 milhões de anos em um âmbar no território de Mianmar, paleontólogos encontraram o que, segundo eles, seriam os espermatozoides animais mais antigos de que se tem notícia. Além de serem do período Cretáceo, as células reprodutivas masculinas encontradas se destacam por seu tamanho "gigante" em comparação com as de outras espécies — como os próprios seres humanos —, trazendo novas informações sobre diferentes estratégias de reprodução animal. Espermatozoides nadam com 'giro de pião', e não com movimentos paralelos, aponta cientista brasileiro Os espermatozoides foram encontrados dentro do fóssil de um ostracode (classe de crustáceos) fêmea, que possivelmente acasalou antes de ser capturada pela resina de uma árvore (que forma o âmbar). O fóssil estava muito bem preservado, então foi possível, com a ajuda de raio-X 3D, reconstruir a anatomia do seu sistema reprodutivo. Os espermatozoides estavam armazenados em receptáculos, prontos para serem liberados quando os óvulos da fêmea amadurecessem. A partir deste ostracode, a equipe internacional revelou também uma nova espécie, denominada Myanmarcypris hui. As descobertas foram publicadas nesta quarta-feira (16/9) em artigo no periódico Proceedings of the Royal Society B. Múmias egípcias de animais são 'abertas' por cientistas em imagens 3D; veja VÍDEO Cientistas descobrem embrião preservado de dinossauro que viveu há 80 milhões de anos Os ostracodes existem há pelo menos 500 milhões de anos, e milhares de espécies vivas hoje já foram descritas. Eles costumam ser encontrados nos oceanos, em lagos e rios. Durante o Cretáceo e no território do que é hoje Mianmar, os ostracodes provavelmente viviam na costa e também na água doce, rodeados por florestas cujas árvores produziam grandes quantidades de resina. A nova espécie descrita foi um dos muitos organismos envoltos — e preservados — por gotas desta substância pegajosa. Tanto que a província de Kachin tem revelado um impressionante conjunto de fósseis, incluindo sapos, cobras e um ser que cientistas ainda estão tentando concluir se era um dinossauro ou um lagarto. Nos últimos cinco anos, diversas novas espécies foram reveladas a partir de achados feitos ali. A província de Kachin, no norte de Mianmar, tem sido o local de descoberta de várias espécies nos últimos cinco anos G1 Aposta em espermatozoides gigantes Segundo os paleontólogos, a descoberta sobre a intimidade da fêmea de Myanmarcypris hui contribui para o entendimento da evolução de espécies ao longo de centenas de milhões de anos, e também para o conhecimento de diferentes "apostas" reprodutivas. Os machos da maioria das espécies animais, incluindo a humana, produzem um grande número de espermatozoides muito pequenos. Alguns pouco animais, como as moscas de frutas e, claro, os ostracodes, evoluíram com uma estratégia diferente: produzem um número relativamente pequeno de espermatozoides "gigantes", cujas caudas móveis podem ser mais longas que o próprio animal. Os espermatozoides encontrados em Mianmar mediam até 4,6 vezes o corpo do macho. "Seria o equivalente a cerca de 7,3 metros em um corpo humano de 1,7 m, isso requer muita energia para sua produção", disse a geobióloga Renate Matzke-Karasz, da Universidade de Munique Ludwig-Maximilians, na Alemanha, à agência AFP. "A complexidade do sistema reprodutivo encontrada nessas amostras levanta a pergunta se o investimento em espermatozoides gigantes é uma estratégia evolutiva consistente", explicou ela. "Para provar que espermatozoides gigantes não são um capricho extravagante da evolução, mas sim uma estratégia viável que pode conferir uma vantagem (evolutiva) duradoura, fazendo com que espécies sobrevivam por um longo tempo, devemos definir quando esse modo de reprodução apareceu pela primeira vez." Exemplares de espermatozoides fossilizados são extremamente raros — até então, o mais antigo era de uma espécie de verme de 50 milhões de anos. Para os ostracodes, o espermatozoide mais antigo tinha 17 milhões de anos. A nova descoberta em Mianmar multiplica por ao menos duas vezes essa linha do tempo, o que indica que a estratégia reprodutiva pode ter sido realmente bem sucedida por milhões de anos. "Esse é um registro bastante impressionante para uma característica que requer um investimento considerável de machos e fêmeas da espécie. Do ponto de vista evolutivo, a reprodução sexuada com espermatozoides gigantes deve, portanto, ser uma estratégia totalmente vantajosa", afirma Matzke-Karasz. Veja Mais

Maioria de jovens mortos pela Covid-19 nos EUA fazia parte de minorias raciais, diz estudo

Glogo - Ciência Das 121 mortes causadas pelo novo coronavírus com menos de 21 anos identificados nos Estados Unidos, 45% eram hispânicos, 29% negros e 4% indígenas ou nativos do Alasca. Crianças almoçam em escola de Stamford, em Connecticut (EUA), reaberta na pandemia do novo coronavírus,. Foto de 9 de setembro John Moore/Getty Images/AFP Crianças, adolescentes e jovens adultos de minorias hispânicas, negras e indígenas são proporcionalmente muito mais vulneráveis à Covid-19 do que pessoas brancas nos Estados Unidos, de acordo com um estudo publicado nesta terça-feira (15) pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Das 121 mortes causadas pelo novo coronavírus com menos de 21 anos identificados nos Estados Unidos, 45% eram hispânicos, 29% negros e 4% indígenas ou nativos do Alasca, de acordo com o relatório que cobre o período de fevereiro a julho. Essas minorias representam 41% da população dessa faixa etária. CRIANÇAS E COVID-19: Veja o que já se sabe sobre o tema Jovens não estão imunes 14 de setembro - Adultos assistem crianças brincarem em torno de instalações de lanternas em forma de peixe no Sun Yat Sen Nanyang Memorial Hall, em Singapura Roslan Rahman/AFP Em termos gerais, a mortalidade de crianças e jovens é muito mais baixa do que entre adultos e idosos. O CDC identificou um total de 392 mil casos de Covid-19 entre os mais jovens. Eles representaram 8% de todos os casos e apenas 0,08% das mortes. Mas o estudo confirma que crianças e adolescentes não estão de forma alguma imunes, especialmente contra o que os especialistas chamam de síndrome inflamatória multissistêmica infantil. Pesquisa britânica conclui que crianças e adolescentes têm menos risco de Covid grave Como outros estudos mostraram, meninos e homens são mais suscetíveis a complicações e são responsáveis por 63% das mortes. Três quartos das mortes tinham pelo menos uma patologia prévia (asma, obesidade, doenças neurológicas e do desenvolvimento, problemas cardiovasculares). Em relação à idade, 12 crianças que morreram tinham menos de um ano e os jovens entre 18 e 20 anos correspondiam a 50 óbitos, 41% do total. O relatório publicado pelo CDC em seu boletim informativo "Relatórios semanais de morbidez e mortalidade", muito seguido por profissionais de saúde em todo o país, foi adiado devido à pressão do governo Donald Trump, de acordo com o site Politico. O governo pressiona para incentivar escolas e faculdades em todo o país a reabrirem. VEJA TAMBÉM: OMS alerta para prejuízos no fechamento prolongado de escolas Initial plugin text Veja Mais

Anvisa mantém proibição de agrotóxico associado à doença de Parkinson, que deve sair do mercado na próxima semana

Glogo - Ciência Herbicida paraquate não poderá ser utilizado a partir de 22 de setembro. Produtores pediam prorrogação do prazo até julho de 2021. Apesar do banimento, diretor da agência sinaliza para apresentar solução 'meio-termo' na próxima semana. Aplicação de agrotóxicos no campo Reprodução/TV Diário A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu nesta terça-feira (15) manter a proibição de um agrotóxico associado pela própria entidade à doença de Parkinson. O herbicida paraquate deverá sair do mercado e deixar de ser usado a partir de 22 de setembro, conforme definiu a Anvisa em 2017. A agência avaliou nesta terça um pedido feito por Ministério da Agricultura, produtores rurais e indústrias para que a proibição ocorresse em 31 de julho de 2021. O setor pediu essa data para que pudesse apresentar novas evidências científicas de que o pesticida não faz mal à saúde dos trabalhadores rurais, se adotadas medidas de proteção. Porém, por 3 votos a 2, a diretoria colegiada da Anvisa decidiu manter a proibição em 22 de setembro. Votaram pela manutenção do banimento o relator do caso, Rômison Mota, e os diretores Marcus Aurélio de Araújo e Alessandra Soares. Pelo adiamento, votaram o presidente da agência, Antonio Barra Torres, e Meiruze Soares Freitas. A partir de agora, indústrias e comércios que vendem o paraquate deverão recolher todo o estoque do produto em até 30 dias. Os diretores da agência deixaram claro em seus votos de que a decisão do banimento poderá ser revista a qualquer momento, desde que novas evidências científicas sejam apresentadas. Porém, até que isso seja feito, o produto não poderá ser vendido e nem usado. Sexto agrotóxico mais vendido do Brasil em 2018 e comum na produção de soja, o dicloreto de paraquate é usado para secar as plantas e vagens do grão, a fim de deixar a lavoura uniforme para a colheita (a chamada dessecação). Ele também tem autorização no Brasil para as culturas de algodão, arroz, banana, batata, café, cana-de-açúcar, citros, feijão, maçã, milho e trigo. Foi banido na Na União Europeia, ainda em 2003. Nos Estados Unidos, continua autorizado, mas está em reavaliação. Em setembro de 2017, a Anvisa decidiu pela retirada do produto do mercado e deu 3 anos para que ela ocorresse. Punições De acordo com a Lei dos Agrotóxicos, de 1989, quem produzir, vender, transportar e aplicar pesticidas não autorizados no país poderá sofrer multas, interdição da propriedade, destruição da lavoura ou, até mesmo, penas de até 4 anos de prisão. Chance de 'meio-termo' Diante do argumento do Ministério da Agricultura de que o agrotóxico já foi comprado e que a substituição dele neste momento elevaria os custos de produção no campo, o diretor Marcus Aurélio de Araújo se dispôs a apresentar uma proposta de meio-termo para decisão desta terça na próxima semana. "Eles (agricultores) já compraram matéria-prima (paraquate), este é um ponto importante e que a gente tem que se debruçar (...) porque senão a gente vai impactar na economia", explica. "Eu quero apresentar na (reunião da) diretoria colegiada da semana que vem uma proposta em atendimento ao ofício do Mapa (Ministério da Agricultura) em relação à safra 2020/21. A gente tem, por obrigação, definir as regras de mitigação de risco e de esgotamento deste estoque", acrescenta Araújo. Segundo ele, a ideia é que as importações do produto sejam proibidas, mas que continue o uso e a comercialização do pesticida que já está no Brasil até 31 de julho de 2021, para que os estudos do setor produtivo sejam analisados. Projeto na Câmara quer anular decisão Em paralelo, o deputado federal Luiz Nishimori (PL-PR), integrante da bancada ruralista no Congresso, apresentou em junho um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que anula a decisão da Anvisa. Porém, o texto ainda não foi votado e não há previsão. No projeto, o deputado também apontou aumento nos custos de produção e uma possível perda de competitividade do setor. "O aumento de custos, iniciado na base da produção, acarretará no aumento de preços finais (...) perda de competitividade externa e aumento da inflação". Quem queria adiar o banimento A diretoria Anvisa analisou um pedido do Ministério da Agricultura, juntamente com produtores rurais, indústrias e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), para que o prazo final fosse adiado para julho de 2021. Na decisão de 2017, a agência deixou aberta a possibilidade de rever o prazo de proibição, caso fossem apresentadas novas evidências científicas de que o agrotóxico não traz malefícios às pessoas em caso de contato direto. Porém, nenhum estudo foi apresentado até agora. Produtores e indústrias defendem que é necessário mais tempo para que fiquem esses estudos fiquem prontos. Segundo o pedido, as pesquisas deverão terminar em dezembro deste ano. Agricultores argumentam ainda que não há produto no mercado capaz de substituir totalmente o paraquate e de que essa mudança poderia gerar um gasto a mais para a atividade. De acordo com a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), o custo de produção do setor poderia aumentar em até R$ 500 milhões por safra. A Federação de Agricultura do Paraná (Faep) estima que alternativas custam entre 30% e 150% a mais. O que levou à proibição O paraquate estava em revisão desde 2008. E, em 2017, a Anvisa analisou evidências científicas e concluiu que o agrotóxico está associado ao desenvolvimento da doença de Parkinson – condição neurológica degenerativa que provoca tremor, rigidez, distúrbios na fala e problemas de equilíbrio – em quem o manipula. A agência deu 3 anos para a retirada gradual do produto do mercado. LISTA: quais são e para que servem os agrotóxicos mais vendidos “Há um peso de evidência forte em estudos em animais e epidemiológicos indicando que o Paraquate está associado ao desencadeamento da doença de Parkinson em humanos”, disse a Anvisa à época. Ainda segundo a agência, não há comprovação de que o herbicida deixe resíduo nos alimentos. VÍDEOS: últimas notícias sobre agrotóxicos Initial plugin text Veja Mais

Sonecas longas podem não ser boas para a saúde

Glogo - Ciência A Sociedade Europeia de Cardiologia alerta para o risco aumentado de doença cardiovascular e morte precoce Um aviso para os que não podem passar sem uma soneca depois do almoço, e também para aqueles que invejam a siesta espanhola do meio da tarde: no fim do mês passado, a Sociedade Europeia de Cardiologia, que reúne profissionais de 150 países, alertou para o risco de cochilos que durem mais de uma hora. Apesar de ser um hábito generalizado no mundo todo, principalmente em lugares onde o calor chega a ser insuportável depois do meio-dia, a atividade, ou melhor, a inatividade tem contraindicações. Segundo o médico Zhe Pan, da Universidade Guangzhou, na China, “é senso comum que tirar uma soneca melhora o desempenho e neutraliza os efeitos negativos das horas de sono perdidas à noite, mas nosso estudo vai de encontro a essas opiniões arraigadas”. Sonecas longas: a Sociedade Europeia de Cardiologia alertou para o risco de cochilos que durem mais de uma hora Pexels para Pixabay O trabalho foi apresentado no congresso da entidade, realizado entre 29 de agosto e 1 de setembro, e se dedicou a analisar mais de 20 estudos, com 313.651 participantes – do total, perto de 40% tinham o costume de cochilar. O objetivo era estabelecer evidências entre o hábito e doenças cardiovasculares e morte precoce. A conclusão foi de que sonecas com duração superior a 60 minutos estavam associadas a um aumento de 30% no risco de morte precoce e 34% de doenças cardiovasculares em comparação com os que não dormiam. Quando eram somadas as horas do sono noturno, o risco só aumentava para aqueles que descansavam mais de seis horas por noite. De um modo geral, sonecas de qualquer duração estavam ligadas ao aumento de 19% nas chances de morte precoce, com um achado mais relevante entre as mulheres: neste caso, o percentual subia para 22%. Já os cochilos breves, de menos de uma hora, não tinham conexão com o surgimento de doença cardiovascular. Ainda de acordo com o doutor Pan, poderiam inclusive beneficiar quem dorme mal à noite. Embora as causas das consequências negativas para o corpo ainda não tenham sido esclarecidas, há estudos que sugerem sua relação com altos níveis de inflamação no organismo – um perigo para a saúde do coração e para a longevidade. Veja Mais

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Vida nas nuvens de Vênus teria que ser 'muito simples', diz pesquisadora após descoberta do gás fosfina

Glogo - Ciência Fosfina é produzida na atmosfera terrestre por micróbios anaeróbicos (que não precisam de oxigênio) ou pela atividade industrial. Origem em Vênus é desconhecida, dizem pesquisadores. A pesquisadora portuguesa Clara Sousa Silva é uma das responsáveis pela descoberta de fosfito na atmosfera de Vênus Reprodução/TV Globo A astrofísica molecular Clara Sousa Silva buscava em todo o universo a presença de uma substância bastante peculiar, a fosfina, que pode indicar a presença de vida na atmosfera de planetas. Ela foi surpreendida há pouco mais de um ano ao descobrir que esse gás estava mais perto do que pensava. A pesquisadora portuguesa participa do grupo de cientistas internacionais que, nesta segunda-feira (14), publicou a descoberta do gás fosfina na atmosfera de Vênus. A presença dessa substância pode ser um indício da presença de vida microscópica no planeta vizinho. "Se realmente tivermos achado vida em Vênus, isso seria fantástico", disse Silva em entrevista à TV Globo. "Se isso realmente acontecer, a vida seria muito mais comum que pensávamos, nossa 'vizinhança galática' pode estar cheia de vida, só falta que a gente a encontre." Vida nas nuvens de Vênus? A hipótese que vem ganhando apoio desde os anos 60 Cássio Barbosa: Vênus poderia ter sido habitável no passado? Planeta Vênus NASA / JPL-Caltech Ela explicou que a molécula da fosfina é muito difícil de ser feita e está bastante vinculada à presença de vida. Segundo ela, dificilmente esta substância é produzida espontaneamente. Ela não descarta, no entanto, que alguma reação ainda desconhecida pela ciência possa ser responsável pela presença da molécula em Vênus "O que sabemos é que a superfície de Vênus não é habitável", disse a cientista. "É muito quente, com muita pressão, e nada complexo consegue sobreviver. Mas nas nuvens de Vênus, que é onde nós achamos fosfina, as temperaturas são boas e a pressão atmosférica é razoável." LUA: o que explica a existência de ferrugem no satélite natural da Terra MARTE: conheça o brasileiro que faz parte de missão da Nasa que leva drone à superfície do planeta vermelho As temperaturas na superfície de Vênus podem ultrapassar facilmente os 800 ºC, enquanto que as nuvens se mantêm com temperaturas entre 30ºC e 50ºC. Silva explicou que as nuvens daquele planeta são mais secas que as zonas mais secas da Terra e que se existir, a vida em Vênus teria que se adaptar a falta de água e a alta concentração de ácido sulfúrico. "[A possível vida em Vênus] tem que ser anaeróbica [que não consome oxigênio] e teriam que ser muito simples, mas é claro que isso não sabemos", disse a cientista. A descoberta A pesquisa que encontrou o fosfito na atmosfera de Vênus foi liderada por outra cientista, a pesquisadora da Universidade de Cardiff, Jane Greaves. Ela procurava por esta substância desde 2016 com a ajuda de dois telescópios, um no Havaí (EUA) e outro no Chile. Segundo o artigo, apesar das suspeitas da professora Greaves, a descoberta do gás na atmosfera de Vênus é surpreendente porque as condições na superfície do planeta são hostis à vida e a composição das suas nuvens, local onde foi identificada a fosfina, é altamente ácida. "Em tais condições, a fosfina seria destruída muito rapidamente", diz o texto publicado pelo grupo na "Nature Astronomy". Cientistas detectam indícios de possível vida em Vênus Diferenças da fosfina de Terra e de Vênus A fosfina existente na atmosfera terrestre é produzida por micróbios anaeróbicos (que não precisam de oxigênio) ou pela atividade industrial. Em Vênus, os cientistas acreditam que a fosfina pode ter origem em processos fotoquímicos ou geoquímicos desconhecidos. Os cientistas não conseguiram identificar a fonte. "Há duas possibilidades: pode haver alguma reação completamente desconhecida que está criando fosfina em Vênus, ou, a mais excitante, pode ser vida", explicou William Bains, pesquisador do Instituto de tecnologia de Massachusetts (MIT), nos EUA, que também assina o artigo. Cientistas anunciam em coletiva que encontraram em Vênus gás fosfina, gás existente na atmosfera da Terra. Reprodução Animados, mas nem tanto Os cientistas afirmam que outras observações de Vênus e demais estudos são necessários para explorar a origem da fosfina na atmosfera do planeta. "Estamos animados com a descoberta", afirmou outra autora, Sara Seager, professora do MIT. "Mas não estamos afirmando que encontramos vida em Vênus", ponderou. “Estamos procurando por sinais de vida em exoplanetas, procurando por gases que não esperamos que estejam lá e há muitas missões em busca de potenciais sinais de vida em nosso Sistema Solar”, informou Seager. “Esperamos que nossa descoberta motive futuras missões focadas em Vênus”, pediu a astrônoma, lembrando que o planeta estava praticamente esquecido pela comunidade científica. VÍDEOS o que são e qa entenda os buracos negros u Veja Mais

Gás encontrado na atmosfera de Vênus pode indicar vida extraterrestre microbiana

Glogo - Ciência Fosfina é produzida na atmosfera terrestre por micróbios anaeróbicos (que não precisam de oxigênio) ou pela atividade industrial. Origem em Vênus é desconhecida, dizem pesquisadores. Planeta Vênus NASA / JPL-Caltech Um grupo internacional de cientistas publicou nesta segunda-feira (14), na revista científica "Nature", um artigo que aponta a descoberta do gás fosfina na atmosfera de Vênus. A fosfina é um gás que existe também na Terra. A descoberta sugere que o planeta pode hospedar vida microbiana. "Isso pode apontar para a presença de vida nas nuvens do planeta", informou a líder do estudo, Jane Greaves, professora da Universidade de Cardiff, no Reino Unido. Vida nas nuvens de Vênus? A hipótese que vem ganhando apoio desde os anos 60 Cássio Barbosa: Vênus poderia ter sido habitável no passado? LUA: o que explica a existência de ferrugem no satélite natural da Terra MARTE: conheça o brasileiro que faz parte de missão da Nasa que leva drone à superfície do planeta vermelho Greaves procurava por fosfina na atmosfera de Vênus desde 2016. Ela e sua equipe observaram a superfície do planeta por meio de dois telescópios, um no Havaí (EUA) e outro no Chile. "[A descoberta] É inesperada e emocionante", disse a astrônoma. Segundo o artigo, apesar das suspeitas da professora Greaves, a descoberta do gás na atmosfera de Vênus é surpreendente porque as condições na superfície do planeta são hostis à vida e a composição das suas nuvens, local onde foi identificada a fosfina, é altamente ácida. "Em tais condições, a fosfina seria destruída muito rapidamente", diz o texto publicado pelo grupo na "Nature". Cientistas detectam indícios de possível vida em Vênus Diferenças da fosfina de Terra e de Vênus A fosfina existente na atmosfera terrestre é produzida por micróbios anaeróbicos (que não precisam de oxigênio) ou pela atividade industrial. Em Vênus, os cientistas acreditam que a fosfina pode ter origem em processos fotoquímicos ou geoquímicos desconhecidos. Os cientistas não conseguiram identificar a fonte. "Há duas possibilidades: pode haver alguma reação completamente desconhecida que está criando fosfina em Vênus, ou, a mais excitante, pode ser vida", explicou William Bains, pesquisador do Instituto de tecnologia de Massachusetts (MIT), nos EUA, que também assina o artigo. Cientistas anunciam em coletiva que encontraram em Vênus gás fosfina, gás existente na atmosfera da Terra. Reprodução Animados, mas nem tanto Os cientistas afirmam que outras observações de Vênus e demais estudos são necessários para explorar a origem da fosfina na atmosfera do planeta. "Estamos animados com a descoberta", afirmou outra autora, Sara Seager, professora do MIT. "Mas não estamos afirmando que encontramos vida em Vênus", ponderou. “Estamos procurando por sinais de vida em exoplanetas, procurando por gases que não esperamos que estejam lá e há muitas missões em busca de potenciais sinais de vida em nosso Sistema Solar”, informou Seager. “Esperamos que nossa descoberta motive futuras missões focadas em Vênus”, pediu a astrônoma, lembrando que o planeta estava praticamente esquecido pela comunidade científica. VÍDEOS o que são e qa entenda os buracos negros Veja Mais

Blogueira de 90 anos ensina idosos a escrever sua história

Glogo - Ciência Em curso on-line, Neuza Guerreiro de Carvalho, a vovó Neuza, resgata as memórias autobiográficas dos alunos “Na minha idade, o importante é compartilhar o que sei”, resume Neuza Guerreiro de Carvalho. Conhecida como vovó Neuza, em 2004 criou o curso “Resgate de memória autobiográfica”, na USP Aberta à Terceira Idade. A cada semestre, oito ou nove alunos aprendiam a contar sua trajetória. Por alto, calcula que mais de 150 idosos passaram por esses “bancos escolares”. “É muito bom para a autoestima deles, que se tornam protagonistas da própria história. Certa vez uma aluna me disse: ‘antes eu era sempre algo de alguém, como mãe, filha, namorada, esposa. Agora sou eu mesma’”. No começo do ano, a pandemia inviabilizou os encontros, que, depois de um período de adaptação, passaram a ser on-line. Foi quando Neuza decidiu que poderia se valer da internet para ampliar o trabalho. Enxugou o programa – “com certa dor no coração”, reconhece – que passou de 16 para oito aulas. No novo formato, a primeira turma começou no dia 1º. com 17 participantes. Entre eles, apenas um homem, ou “menino”, como a professora gosta de chamá-lo, apesar de ter 99 anos. “É a primeira vez que não sou a mais velha da classe. Ele não tem intimidade com computadores, mas já se ofereceram para digitar seus textos”, afirma. A próxima turma começa no dia 22 de setembro e as inscrições podem ser feitas aqui. São dois módulos que cobrem cronologicamente a trajetória dos participantes. O primeiro abre como “a família que recebi”, para que resgatem a história de seus pais e avós. Em seguida vêm: infância, escolas e juventude. O segundo módulo compreende a vida afetiva, “a família que constituí”, espaços de vivência – as casas e cidades onde as pessoas moraram – e se encerra com a período atual. Ela conta com a ajuda de uma assistente e utiliza trechos de autores consagrados, como Graciliano Ramos e Gabriel García Márquez, para ilustrar como a literatura trata temas que serão abordados nos relatos. Os alunos escrevem seus textos no computador, digitalizam as fotos que consideram relevantes e o resultado pode ser impresso ou virar um pendrive de presente para a família. “Há sempre muita ansiedade para falar”, avalia Neuza, que foi professora de biologia, formada em 1951 no extinto curso de História Natural da USP. Aposentou-se em 1980 e, durante os 15 anos seguintes, dedicou-se à família, mas, em 2005, começou a fazer diversos cursos da Universidade Aberta à Terceira Idade: “foram uns 50 até 2015”, diz. Vovó Neuza: aulas on-line para resgatar as memórias autobiográficas dos alunos Acervo pessoal Além disso, desde 2008, mantém o blog da Vovó Neuza, que reúne mais de 600 textos. “Não sou escritora, registro fatos, que às vezes são testemunhos históricos”, relata, lembrando que, na formatura do antigo ginásio, em 1945, os estudantes cantaram o Hino Nacional em latim. Em vez de encarar a tecnologia como um bicho-papão, faz tempo que a incorporou à sua rotina. Em 1997, notou que não conseguia acompanhar a conversa dos netos (são quatro) e pediu ajuda ao filho – a filha mora no exterior – para ingressar no mundo on-line. “Aprendi pelo menos umas cem palavras novas que desconhecia”, lembra. São 180 dias de isolamento, mas com agenda cheia. Lê dois ou três livros ao mesmo tempo e aproveita para recomendar as obras de Yuval Noah Harari, autor de “Sapiens: uma breve história da humanidade”, “Homo Deus” e “21 lições para o século 21”. Dribla a surdez com próteses auditivas de última geração e alterna o trabalho no computador com atividades domésticas. Neuza completou 90 anos em 12 de abril, mas me conta que, na verdade, nasceu no dia 9: “antigamente havia multa se o registro não fosse feito no dia do nascimento, então meu pai trocou a data”. Conversar com ela é o equivalente a fazer uma pós-graduação em longevidade. Veja Mais

Estudo detecta novas evidências de ação direta do coronavírus dentro de células cerebrais

Glogo - Ciência Cientistas usaram minicérebros, que são organoides criados em laboratório. Eles infectaram camundongos e também fizeram autópsia do tecido de pacientes mortos pela Covid-19. Imagem colorida artificialmente mostra célula, em azul, infectada pelo Sars CoV-2, em vermelho NIAID Um novo estudo liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade Yale, nos Estados Unidos, detectou evidências de que o Sars CoV-2, vírus causador da Covid-19, tem uma ação direta dentro das células cerebrais. O artigo é uma pré-publicação, ou seja, ainda sem revisão de outros especialistas e em análise por revistas científicas. Três diferentes abordagens foram utilizadas: Uso de minicérebros, versões microscópicas do órgão criadas em laboratório para conseguir testar a ação do vírus nas células. Foram observadas "evidências claras" de infecção nos neurônios e células vizinhas. Infecção de camundongos com a expressão aumentada do receptor ACE2 – uma espécie de porta de entrada do coronavírus nas células - mostrou que a ação do Sars CoV-2 no órgão está relacionada à mortalidade dos animais. Por último, os pesquisadores também analisaram o tecido cerebral de pacientes que morreram de Covide detectaram o vírus nas células do córtex. De acordo com o artigo, os resultados trazem sinais da capacidade de invasão do Sars-CoV-2 no cérebro e, como consequência, uma "inesperada infecção direta dos neurônios". Akiko Iwasaki, imunologista da Universidade de Yale e um dos autores, explica que o vírus pode se duplicar dentro do órgão, o que impede o acesso das células vizinhas ao oxigênio. Ele diz, no entanto, que não está confirmada a frequência com que isso acontece. Como o Sistema Nervoso Central (SNC) não é uma das áreas do corpo humano de preferência para a infecção do coronavírus, os pesquisadores dizem que os estudos sobre as doenças neurológicas em pacientes com Covid-19 tem diversos desafios: há apenas um subconjunto de pacientes com essas invasões neurocelulares do vírus; existe uma limitação tecnológica para a análise dos tecidos do SNC dos infectados; e também é importante desenvolver a capacidade de diferenciar uma invasão direta das células de uma ação viral sistêmica dentro do cérebro. Coronavírus: como a Covid-19 danifica o cérebro Pesquisadores da UnB estudam impacto do coronavírus no cérebro de infectados A longa lista de possíveis sequelas da Covid-19 Até então, uma das teorias para uma infecção mais limitada do cérebro humano pelo Sars CoV-2 era o fato de os tecidos terem uma presença menor, ou até desconhecida, do receptor ACE2. Como já foi demonstrado por outras pesquisas, o coronavírus tem uma coroa de espinhos com a proteína Spike, capaz de se ligar ao ACE2 e entrar nas células. Esta nova pré-publicação sugere que, mesmo em menor quantidade, o receptor presente no cérebro pode ser suficiente para ação do vírus. "Mesmo que os níveis de expressão do ACE2 no cérebro humano ainda estejam sendo investigados, nós mostramos que o ACE2 é expresso no nível funcionalmente necessário para a infecção do Sars-CoV-2 em minicérebros", diz o texto do artigo em sua conclusão. Em entrevista à France Presse, Andrew Josephson, que não participou da pesquisa e é chefe do departamento de neurologia da Universidade da Califórnia, elogiou as técnicas usadas pelos pesquisadores e destacou que "compreender se existe ou não uma participação viral direta no cérebro é extremamente importante". Trinte e nove autores assinaram a pesquisa. Também participaram especialistas da Universidade Sorbonne e do Hospital de Assistência Pública de Paris, na França, do Geisinger Medical Center, na Pensilvânia, e do Instituto Médico Howard Hughes, em Maryland, nos Estados Unidos. Pesquisas apontam que coronavírus se dissemina por vários órgãos, como o cérebro Initial plugin text Veja Mais

Imagem de satélite mostra grande nuvem de fumaça causada por incêndio na Califórnia

Glogo - Ciência Nuvens formadas por fumaça de queimadas podem chegar a 8 mil metros de altura. Queimadas continuam a destruir casas no oeste dos EUA. Satélite flagra nuvem de fumaça causada por incêndio florestal na Califórnia em 9 de setembro Pierre Markuse/Copernicus Uma fotografia capturada por satélite mostra uma grande nuvem de fumaça gerada por um dos incêndios florestais que atingem a Califórnia, nos Estados Unidos, nesta semana. Pela imagem, é possível ver que a fumaça se espalha em um raio de quase 20 km. No meio, onde está o foco do incêndio, uma grande coluna se levanta. Imagem tratada mostra focos de incêndio na Califórnia perto de coluna de nuvem de fumaça Pierre Markuse/Copernicus A foto foi capturada pelo satélite Copernicus Sentinel-2, do Programa de Observação da Terra da União Europeia. Em outra imagem, tratada com fotografia infravermelha, é possível localizar onde estão os maiores focos da queimada. Veja na FOTO acima. Nuvens do tipo causadas por incêndios recebem o nome de pirocúmulos e podem alcançar 8 mil metros de altura, de acordo com a Nasa. Incêndios nos EUA Fogo consome parte do condado de Butte, no norte da Califórnia, EUA. Região foi afetada por um grande incêndio em 2018 que devastou a cidade de Paradise e deixou 85 mortos Noah Berger/AP O fogo deixou três mortos na Califórnia e levou destruição ao norte do estado. Na região da cidade de Paradise, a mesma destruída por incêndios florestais há dois anos, as chamas voltaram a causar danos. As fumaças deixaram o céu na região da Baía de San Francisco com tom alaranjado. Pontual: ‘Califórnia está devastada por incêndios florestais’ Incêndios florestais destroem 5 cidades no estado americano do Oregon Além da Califórnia, o fogo preocupa os estados de Oregon e Washington, que também fazem parte da Costa Oeste dos Estados Unidos. Ventos secos e o calor da época do ano ajudam a alastrar as chamas. Do outro lado das Montanhas Rochosas, porém, os americanos viveram dias de tempo atípico: em pleno verão, as temperaturas baixaram para perto de 0°C em estados como Montana e Colorado. Chegou inclusive a nevar em algumas áreas. Veja Mais

Pazuello diz que está em andamento processo para SUS oferecer remédio à base de canabidiol

Glogo - Ciência Substância é um dos princípios ativos da planta da maconha. Ministro da Saúde disse que pasta não tem restrição em oferecer os medicamentos. O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse nesta quinta-feira (10) que está em andamento na pasta um processo para que o Sistema Único de Saúde (SUS) passe a oferecer medicamentos feitos à base de canabidiol. A substância é um dos princípios ativos da Cannabis sativa, a planta da maconha. Em agosto, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) determinou que a União incluísse remédios à base de cannabidiol (CBD) e tetraidrocanabinol (THC) já registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária na lista de fármacos ofertados pelo SUS. Em abril, a Anvisa autorizou a comercialização em farmácias e drogarias do primeiro medicamento à base de canabidiol. “Nós temos um medicamento chamado cannabidiol, e alguns outros que são similares estão em processo de regulamentação para fornecimento pelo SUS. Isso não é de hoje. Já é um processo antigo”, disse Pazuello durante evento do Ministério da Saúde. Folhas da planta Cannabis sativa, conhecida como maconha, que dá origem ao canabidiol Unsplash Segundo o ministro, não há uma restrição dentro do ministério aos medicamentos feitos à base da cannabis. “Nós deixamos claro que todos os medicamentos que tenham resultado e que mereçam ter esse tipo de ação, no SUS, no Ministério da Saúde, não há nenhuma restrição”, afirmou. “Se é necessário o medicamento, que tenha a certificação do medicamento e seja fornecido, naturalmente, pelo SUS”, complementou Pazuello. Canabidiol tem potencial de evitar progressão da epilepsia, aponta estudo da USP Canabidiol no Brasil Desde 10 de março deste ano, está em vigor no país uma resolução que cria uma nova categoria de produtos derivados de Cannabis. Em maio, após 35 anos de pesquisas e testes, o primeiro medicamento brasileiro feito à base de canabidiol começou a ser vendido nas farmácias no Brasil. O remédio foi desenvolvido por cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto (SP) em parceira com uma indústria farmacêutica do Paraná. O fármaco à base de canabidiol comercializado no país pode ser usado somente com prescrição médica e é indicado para quadros graves e resistentes de epilepsia, em que outros medicamentos não surtiram efeito. Veja Mais

Suspensão dos testes da vacina de Oxford contra a Covid-19: veja perguntas e respostas

Glogo - Ciência AstraZeneca diz que suspensão é temporária; comitê independente vai avaliar caso de voluntária que teve sintomas de doença neurológica que pode ou não estar relacionada com a vacina. ‘A gente nunca sabe quando vai acabar a fase 3 de testes de uma vacina’, diz especialista A farmacêutica AstraZeneca e a Universidade de Oxford pausaram temporariamente a última etapa de testes (fase 3) da candidata à vacina contra a Covid-19. Abaixo, veja respostas para as principais perguntas sobre o tema: Qual foi o motivo da suspensão temporária dos testes? Qual foi a reação adversa no paciente? Foi a primeira paralisação dos estudos da vacina? Quando os testes devem ser retomados? O que os resultados das fases anteriores de testes mostram sobre as reações? O que disseram as autoridades do Brasil? Veja abaixo as respostas: 1. Qual foi o motivo da suspensão temporária dos testes? Na terça-feira (8), a farmacêutica AstraZeneca informou que o protocolo de segurança foi acionado após uma voluntária no Reino Unido apresentar uma reação adversa que poderia ou não estar vinculada à vacina. A interrupção passou a valer também para o Brasil, de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), instituição responsável pelo estudo no país. A Unifesp informou que 5 mil voluntários brasileiros já foram vacinados. Segundo a farmacêutica, a pausa foi voluntária "para permitir a revisão dos dados de segurança por um comitê independente". Os pesquisadores deverão investigar se reação estava realmente relacionada à aplicação da vacina. 2. Qual foi a reação adversa no paciente? Nesta quarta-feira (9), a AstraZeneca disse não haver confirmação no diagnóstico da voluntária, segundo a agência de notícias Reuters. Segundo a farmacêutica, é incorreto relacionar a suspensão a um caso de mielite transversa, síndrome inflamatória que afeta a medula espinhal. A mielite foi inicialmente citada em reportagem do jornal "The New York Times" na terça-feira. A mesma informação foi recebida pela pneumologista brasileira Margareth Dalcolmo após entrar em contato com pesquisadores da Inglaterra (assista ao vídeo abaixo). Nesta quarta, o presidente da AstraZeneca, Pascal Soriot, citou que a voluntária teve sintomas associados à mielite, mas que o diagnóstico ainda estava em investigação. A informação foi divulgada pelo "STAT", site especializado em saúde que foi o primeiro em noticiar a pausa nos estudos. Ainda de acordo com o "STAT", Soriot afirmou que se trata de uma voluntária, uma mulher, que está melhorando e provavelmente terá alta do hospital na quarta. Caso de mielite transversa em voluntário parou os testes, diz Margareth Dalcolmo 3. Foi a primeira paralisação dos estudos da vacina? Não. A AstraZeneca informou que os estudos foram pausados em julho após um voluntário apresentar sintomas de doença neurológica. Depois de exames e de uma investigação independente, foi descoberto que o paciente tinha um quadro ainda não diagnosticado de esclerose múltipla. 4. Quando os testes devem ser retomados? Não há previsão. Os especialistas do comitê independente deverão investigar os sintomas, determinar o que de fato causou as reações e avaliar se há segurança necessária para a retomada dos testes. Pacientes já vacinados continuarão sendo acompanhados pelos pesquisadores. Porém, segundo uma reportagem do "The Financial Times", os testes com a vacina poderão ser retomados na próxima semana. A informação foi atribuída pelo jornal a pessoas ligadas aos ensaios clínicos. 5. O que os resultados das fases anteriores de testes mostram sobre as reações? De acordo com resultados preliminares das fases 1 e 2, publicados em 20 de julho, a vacina é segura e induziu resposta imune no corpo dos voluntários. Nestas duas primeiras etapas, que foram conduzidas simultaneamente no Reino Unido, as pesquisas tiveram 1.077 voluntários. Os ensaios mostraram que a vacina foi capaz de induzir a resposta tanto por anticorpos como por células T até 56 dias depois da administração da dose. Todos os efeitos colaterais, como febre, dores de cabeça, dores musculares e reações no local da injeção, foram considerados leves ou moderados. "Exatamente o tipo de resposta imune que esperávamos", declarou à época, Andrew Pollard, professor de pediatria na Universidade de Oxford. 6. O que disseram as autoridades do Brasil? A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) disse que nenhum paciente brasileiro apresentou "eventos adversos graves" durante os testes da vacina de Oxford. "No Brasil, não há relato de eventos adversos graves em voluntários", disse a instituição em um comunicado. "A Anvisa já está em contato com o laboratório AstraZeneca para o acesso à totalidade das informações e interlocução com outras autoridades de medicamentos no mundo." Segundo a Anvisa, a informação sobre a suspensão chegou ainda na terça-feira, uma vez que o Brasil é um dos países que participa do estudo global. Ela explicou que a investigação deve verificar se o caso do paciente britânico tem relação com a vacina aplicada. "O laboratório informou que o estudo COV002, que trata da avaliação de segurança e eficácia da vacina ChAdOx1 nCoV-19, será interrompido temporariamente até que o evento adverso grave observado num voluntário no Reino Unido seja investigado quanto à sua relação com a vacina", disse a agência reguladora brasileira. Já a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que deverá produzir as doses da vacina no país, disse que foi informada pelo laboratório britânico e que vai acompanhar os resultados das investigações para se manifestar oficialmente. O Ministério da Saúde informou que o contrato para produção da vacina no Brasil não sofrerá alterações após a suspensão temporária. "O contrato da Fiocruz com a AstraZeneca não sofrerá qualquer alteração", disse em entrevista coletiva o secretário-executivo da pasta, Élcio Franco. "Ainda não sabemos o quanto o cronograma previsto para o desenvolvimento da vacina da AstraZeneca está impactado em razão da suspensão do teste. É preciso aguardar e avaliar", disse Franco. Unifesp diz que no Brasil ninguém teve complicações com a vacina de Oxford Initial plugin text Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 9 de setembro, segundo consórcio de veículos de imprensa (atualização das 8h)

Glogo - Ciência País tem 127.571 óbitos registrados e 4.165.614 diagnósticos de Covid-19, segundo dados das secretarias estaduais de saúde. O Brasil tem 127.571 mortes por coronavírus confirmadas até as 8h desta quarta-feira (9), segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Desde o balanço das 20h de terça-feira (8), dois estados atualizaram seus dados: GO e RR. Veja os números consolidados: 127.571 mortes confirmadas 4.165.614 casos confirmados Na terça-feira, às 20h, o balanço indicou: 127.517 mortes confirmadas, 516 em 24 horas. Com isso, a média móvel de novas mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 691 óbitos, uma variação de -26% em relação aos dados registrados em 14 dias. Depois de sábado (5), esta é a terceira vez que a média móvel de mortes aparece com tendência de queda desde 5 de junho, e a primeira em que a queda supera os 20%. Pelos critérios do consórcio, variações de até 15%, para mais ou para menos, são consideradas indicativo de estabilidade. Entenda os critérios. Em casos confirmados, eram 4.165.124 brasileiros com o novo coronavírus desde o começo da pandemia, 17.526 desses confirmados neste segunda. A média móvel de casos foi de 30.333 por dia, uma variação de -19% em relação aos casos registrados em 14 dias. MÉDIA MÓVEL: veja como estão os casos e mortes no seu estado PANDEMIA NAS CIDADES: consulte casos e mortes em cada município do Brasil Os novos números de casos e mortes costumam apresentar queda durante os finais de semana e segundas-feiras, devido à redução temporária das equipes que fazem esses registros. Isso tende a ser compensado com números mais altos o longo da semana. Dessa forma, o feriado prolongado desta segunda-feira (7) pode ter influenciado ainda mais na baixa dos últimos dias. Brasil, 8 de setembro Apenas um estado apresenta alta de mortes: AM. Em relação a segunda (7), RS, SP e TO estavam com o número de mortes estáveis, segundo a média móvel, e agora estão em queda. MT e AC apareciam em queda, e agora estão em estabilidade. RR aparecia em alta e agora tem tendência de baixa. No AM, ainda há reflexo da reclassificação de mortes de meses anteriores, das quais mais de 200 foram divulgadas com Covid como causa nas últimas semanas. Veja a situação de todos estados: Subindo (1 estado): AM Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (7 estados): PR, MG, MS, MT, AC, PA e CE. Em queda (19 estados): RS, SC, ES, RJ, SP, DF, GO, AP, RO, RR, TO, AL, BA, MA, PB, PE, PI, RN e SE. Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Estado com tendência de alta no número de mortes por Covid-19 Arte G1 Estados com tendência de estabilidade no número de mortes por Covid-19 Arte G1 Estados com tendência de queda no número de mortes por Covid-19 Arte G1 Sul PR: -5% RS: -16% SC: -37% Sudeste ES: -17% MG: 0% RJ: -45% SP: -34% Centro-Oeste DF: -21% GO: -42% MS: -15 MT: -7% Norte AC: -13% AM: +208% AP: -52% PA: +5% RO: -49% RR: -29% TO: -16% Nordeste AL: -20% BA: -43% CE: +7% MA: -18% PB: -34% PE: -29% PI: -26% RN: -66% SE: -45% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste o Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Initial plugin text Veja Mais

Mercado voltado para reverter o envelhecimento pode valer 600 bilhões de dólares em 2025

Glogo - Ciência Na semana passada, encontro on-line reuniu pesquisadores e investidores do mundo todo O 7º. Aging Research & Drug Discovery Meeting aconteceu na semana passada, entre terça e sexta-feira, reunindo pesquisadores do mundo todo cujo campo de atuação é o envelhecimento e as drogas que podem retardar ou reverter o processo. Foram dezenas de apresentações on-line que mostram como o segmento vem crescendo sem parar. O português João Pedro de Magalhães, professor da Universidade de Liverpool, na Inglaterra, afirmou que o Bank of America estima que esse mercado valerá 600 bilhões de dólares em 2025. Em 2014, eram cerca de 20 empresas buscando soluções nessa área. Atualmente, estão listadas 55 e há mais de 2 mil drogas voltadas para o mercado da longevidade. Investidores marcaram presença e, no último dia do evento, Sergey Young, fundador do Longevity Vision Fund, fez uma análise do cenário que se descortina: “há abundância de capital, de grandes farmacêuticas, empresas de investimento e gigantes de tecnologia, que se casa perfeitamente com as mudanças demográficas. O número de idosos vai dobrar nos próximos 25 ou 30 anos. Além de a idade significar risco aumentado para doenças crônicas, o estilo de vida pouco saudável piora a situação. A tecnologia vai possibilitar uma mudança conceitual, com abordagem personalizada e o uso de inteligência artificial para detecção precoce e diagnóstico. Além disso, teremos a medicina genômica como um divisor de águas: edição de genes, terapias de células-tronco e regeneração de órgãos através de transplantes de suínos”. Idosas dançando: mercado das drogas que podem retardar ou reverter o envelhecimento está em expansão https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Retirement#/media/File:Retired_and_Dancing_(7391277322).jpg Young afirmou que gigantes como Google e Apple estão com a faca e o queijo na mão: dispõem de dinheiro, um volume enorme de dados e cultura de inovação. Embora o que algumas empresas propõem soe como ficção, a ciência já avançou muito na engenharia genética, com o objetivo de curar doenças através da tecnologia chamada CRISPR, (do inglês Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats). A técnica permite cortar o DNA, desativar genes, adicionar novos ou alterar suas funções – e é mais ou menos isso que os especialistas pretendem fazer com idosos que tenham a carteira recheada para se submeter a tais tratamentos. Em 2013, pesquisadores da Escola de Medicina de Harvard demonstraram, em camundongos, que é possível reverter efeitos do envelhecimento através do aumento dos níveis do composto orgânico nicotinamida adenina dinucleótido (NAD), encontrado nas células de todos os seres vivos e que tem um papel importante na produção de energia. A genética de centenários também vem sendo estudada em diversos centros de pesquisa, para se entender melhor que tipo de “proteção” esses indivíduos carregam em seu genoma. No entanto, ninguém – e especialmente os que não pertencem a essas famílias longevas – deve perder de vista o mantra para garantir qualidade de vida na velhice: exercício, boa alimentação, horas de sono, manter o cérebro afiado e uma rede de relações sociais de apoio e afeto. Veja Mais

Vacina da Rússia pode receber aval esta semana para início da aplicação na população do país

Glogo - Ciência Segundo agência, liberação da vacina Sputnik V ocorrerá junto com os testes clínicos da Fase 3, que testarão 40 mil voluntários. Pessoas do grupo de risco receberão as primeiras doses liberadas para a população civil. Centro Nacional de Epidemiologia e Microbiologia de Moscou analisa vacina russa, a primeira registrada no mundo, mas que levanta suspeitas da comunidade científica. Alexander Zemlianichenko Jr/ Russian Direct Investment Fund via AP O vice-diretor do Instituto Gamaleya de Epidemiologia e Microbiologia, órgão do Ministério da Saúde da Rússia, Denis Logunov, informou na sexta-feira (4) que a vacina candidata do país contra o coronavírus, a Sputnik V, poderá ser liberada para a população esta semana. "Dentro de alguns dias, entre 10 e 13 de setembro, devemos obter permissão para lançar um lote da vacina para uso civil. A partir deste momento, a população passará a ser vacinada", disse Logunov no dia 4 à agência de notícias Tass. "O registro da vacina permite a vacinação de toda a população, mas os grupos de alto risco virão primeiro. Não há restrições para os demais grupos, mas o Ministério da Saúde definiu a tarefa de proteger os grupos de risco em primeiro lugar ", afirmou Logunov. Segundo o vice-diretor, existe uma "vasta base de evidências de que a vacina é segura" e que a segurança "foi o principal pré-requisito para seu registro". CORRIDA PELA VACINA: conheça as principais candidatas VACINAS TESTADAS NO BRASIL: entenda pesquisas "[O registro da vacina russa] Permite proteger os grupos de risco imediatamente, sem gastar dois, três, quatro ou cinco anos testando a vacina em voluntários, durante os quais muitas pessoas nos grupos de alto risco podem morrer ou ser prejudicadas", explicou Logunov. Um estudo com resultados preliminares publicado na revista científica "The Lancet" no dia 4 mostrou que a vacina russa para a Covid-19 não teve efeitos adversos e induziu resposta imune. Testes da Fase 3 Vacina russa: 40 mil pessoas serão testadas na fase 3 Nesta segunda-feira (7), o Ministério da Saúde da Rússia informou que a liberação da Sputnik V para a população ocorrerá junto com os testes clínicos da Fase 3. “Começa esta semana a vacinação dos que farão os ensaios clínicos na Fase 3. Paralelamente, começarão as primeiras entregas da vacina [às regiões], até agora modestas, para atender a todos os interesses”, disse o ministro da Saúde, Mikhail Murashko, à agência Tass. Ainda segundo a Tass, um total de 40 mil voluntários serão vacinados a partir desta semana na Fase 3, sendo que 30 mil receberão o imunizante e 10 mil receberão uma substância placebo. No Brasil, o governo do Paraná firmou uma parceria para desenvolver a vacina russa no Brasil. Por aqui, os testes devem começar em 1 mês. Initial plugin text Veja Mais

Vacinas evitam 4 mortes por minuto e poupam R$ 250 milhões por dia

Glogo - Ciência Cálculos envolvem doenças como difteria, sarampo, coqueluche, poliomielite, rotavírus, pneumonia, diarreia, rubéola e tétano. Maioria delas foi controlada no Brasil após campanhas de vacinação, mas pode voltar sem a imunização. Vacinação em massa evita atualmente ao menos quatro mortes por minuto Getty Images/ BBC A vacinação em massa evita atualmente ao menos quatro mortes por minuto no mundo e gera uma economia equivalente a R$ 250 milhões por dia, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de um grupo de 21 pesquisadores, respectivamente. Os cálculos envolvem doenças como difteria, sarampo, coqueluche, poliomielite, rotavírus, pneumonia, diarreia, rubéola e tétano. A maioria delas foi controlada ou eliminada no Brasil após campanhas de vacinação, mas pode voltar rapidamente se o patamar de pessoas vacinadas cair, como ocorreu com o sarampo. Sem infecções no Brasil desde 1989, a poliomielite ainda ronda pelo mundo. O continente africano, por exemplo, só foi declarado livre da doença em agosto de 2020. Sem erradicação, a doença pode voltar a infectar até 200 mil crianças por ano, afirma a Opas, braço da OMS para América Latina e Caribe. Vacinas evitam de 2 (o que daria uma média de 4 por minuto) a 3 milhões de mortes anualmente, e poderiam salvar mais 1,5 milhão de vidas se sua aplicação fosse ampliada, afirma a OMS. Mas para a Universidade de Oxford, no Reino Unido, essa estimativa pode ser considerada cautelosa. A ver pelo exemplo da varíola, que matou 300 milhões de pessoas no século 20, até ser erradicada do mundo em 1977. "É impossível saber exatamente quantas pessoas morreriam hoje de varíola caso os cientistas não tivessem desenvolvido uma vacina. Estimativas razoáveis apontam cerca de 5 milhões de vidas por ano, o que significa que, de 1980 a 2018, foram salvas entre 150 milhões e 200 milhões de vidas." Ou seja, quase 5 milhões de mortes evitadas por ano. Vacinação ajudou a reduzir casos de caxumba, sarampo e rubéola no mundo OMS/BBC Ainda segundo a Universidade de Oxford, o número de crianças mortas por doenças para as quais existem vacinas caiu de 5,5 milhões em 1990 para 1,8 milhão em 2017. Ainda assim, a OMS estima que quase 20 milhões de crianças correm riscos de contrair essas doenças por falta de imunização. Não há cálculos atualizados do tipo para o Brasil, mas há algumas tentativas pontuais. Em sua dissertação de mestrado pela Universidade de Brasília (UnB), o epidemiologista Ernesto Renoiner calculou, por exemplo, que a imunização contra o rotavírus evitou a morte de 1.411 crianças de até cinco anos por diarreia infecciosa no Brasil, de 2007 a 2010. Outro estudo aponta que um grupo de cinco doenças evitáveis com vacina matou 5.500 crianças de até cinco anos no Brasil em 1980 e, após campanhas de imunização, o número caiu para 277 em 2000. No século 20, o Brasil eliminou a febre amarela na forma urbana em 1942, a varíola em 1971 e a poliomielite (poliovírus selvagem) em 1989. Em 2000, o país confirmaria o último caso autóctone de sarampo até então. Também foram zerados (ou quase) os casos de rubéola, tétano neonatal e difteria. Vacina contra sarampo evita 1 milhão de mortes por ano Extremamente contagioso, o sarampo foi praticamente eliminado de diversos países graças à vacinação. Na maioria dos casos, o sarampo é uma doença com baixa gravidade, mas ele também pode levar a complicações que oferecem risco de vida, como pneumonia, meningite e inflamação cerebral. Estima-se que as vacinas tenham evitado 21 milhões de mortes pela doença entre 2000 e 2017 ao redor do mundo. Morriam 2,6 milhões de pessoas por ano no mundo antes da primeira vacina, na década de 1960. Depois de mais de 80% da população mundial ser imunizada, o número caiu para 95 mil em 2017, a maioria menores de cinco anos de idade. No Brasil, o número de casos despencou no início dos anos 1990, quando teve início um plano de controle e eliminação da doença por meio de vacinação em massa. O resultado: foram registrados 46 mil casos em 1990 e 3 mil em 1992, quando a cobertura vacinal girava em torno de 90% dos menores de 1 ano. Mas a disseminação de informações falsas, o avanço de grupos antivacinação e a redução da chamada cobertura vacinal (percentual da população vacinada) tem feito a doença ganhar força novamente. De acordo com o Unicef (braço da ONU para a infância), 98 países registraram um aumento de infecções por sarampo em 2018. O Brasil teve quase 18 mil casos confirmados da doença em 2019. Segundo especialistas, para que a transmissão do sarampo seja interrompida é preciso que 95% da população esteja vacinada. Mas dados do Ministério da Saúde apontam que todas as vacinas destinadas a crianças menores de dois anos de idade no Brasil vêm registrando queda desde 2011. Bilhões em perdas por mortes prematuras O impacto das vacinas é calculado ao redor do mundo também sob o ponto de vista econômico. Em 2017, um grupo de 21 pesquisadores calculou as perdas causadas por dez doenças que podem ser evitadas, entre elas sarampo, rubéola e hepatite B. A estimativa trata de 73 países em desenvolvimento que são apoiados pela Aliança Global para Vacinação e Imunização (Gavi), entre eles Bolívia, Etiópia e Paquistão. As projeções indicam que o programa ajuda a evitar 350 milhões de casos de doença, 14 milhões de mortes e 8 milhões de casos de incapacidade permanente. O estudo faz os cálculos para duas décadas, de 2001 a 2020, a partir de custos de internação, medicamentos e transporte e perda de produtividade, entre outros pontos. Da economia total estimada de US$ 350 bilhões — o que dá US$ 45 milhões por dia, equivalentes a R$ 250 milhões —, US$ 240 bilhões correspondem ao que seria a renda na vida adulta dessas pessoas que morreram prematuramente. Outro grupo de pesquisadores, ligados ao Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), se debruçou sobre as consequências econômicas da vacinação contra a varicela, que entrou no calendário de imunização nos Estados Unidos em 1995. Em cinco anos, o número de internações caiu 88% e atendimentos em ambulatório, 59%. Os custos totais com a doença passaram de US$ 85 milhões para US$ 22 milhões. Veja Mais

“A experiência me ensinou a negociar melhor e a não perder tempo com o que não vale a pena”

Glogo - Ciência Empreendedor de 60 anos afirma que inclusão digital dos mais velhos é uma prioridade Há dez anos, quando tinha 50, Ricardo Pessoa apresentou um projeto de startup na área de telemedicina. Apesar de a ideia ter sido bem recebida, acabou não sendo contemplado com o aporte de capital do fundo de investimentos. Foi investigar o motivo e o que descobriu o deixou enfurecido: “no relatório, eu era descrito como um CEO muito articulado, mas que já tinha 50 anos. Ou seja, na visão dos analistas, estava velho demais para empreender”. O “já” em negrito é por minha conta, para enfatizar o descalabro da situação. Ainda bem que ignorou o preconceito e seguiu em frente – afinal, tinha aberto sua primeira empresa com 29 anos. Tive o prazer de conhecê-lo ao escrever uma coluna sobre negócios voltados para a longevidade selecionados para um programa de aceleração. Sua startup, a SeniorGeek, estava entre eles, mas a estrada como empreendedor é longa. Engenheiro formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, aos 27 anos decidiu passar dois anos na Alemanha, com uma bolsa da Fundação Krupp. De volta ao Brasil, abriu uma firma de consultoria e desenvolvimento de sistemas. Na sequência, vieram empresas ligadas ao meio ambiente, educação à distância e telemedicina, até decidir, em 2015, embarcar no oceano da longevidade, com foco em inclusão digital. “Sem tecnologia, os mais velhos estão condenados à invisibilidade política”, afirma. Ricardo Pessoa, CEO da SeniorGeek: "a experiência me ensinou a negociar melhor e a não perder tempo com o que não vale a pena” Acervo pessoal Utilizou o WhatsApp como plataforma de comunicação pedagógica no Saber para Cuidar, voltado para cuidadores de pacientes de Alzheimer, e ampliou o escopo do negócio incluindo informações para portadores de diabetes. “O volume de dados de que dispomos mostra a verdadeira jornada do paciente, detalha o que acontece com a pessoa e sua família depois do diagnóstico”, analisa. O projeto e sua metodologia serão implantados pelo SUS no Vale da Ribeira (SP), no tratamento de pacientes crônicos e gestantes. O sotaque nordestino é forte, mas ele nasceu no Rio de Janeiro. Passou boa parte de infância entre os Estados Unidos e o México, mas a mãe decidiu buscar a acolhida da família, em Natal, no Rio Grande do Norte, quando ficou viúva. Em homenagem a ela, criou com as irmãs a Casa Séfora, que leva seu nome: um espaço de economia compartilhada, do qual participavam 20 empresas, que espera a pandemia passar para voltar a pleno vapor. Considera uma missão ampliar o protagonismo sênior ou, como define bem-humorado, “aumentar a ‘trababilhidade’ dos mais velhos”, e se inclui nesse grupo: “pretendo trabalhar até morrer, porque parar é a morte. Na minha vida toda, sempre busquei entender as necessidades do outro. No universo da longevidade, agora estou pensando em mim, trabalhando para mim”. Quero saber de onde vem tanta energia e a resposta é simples: “hoje trabalho menos porque a experiência me ensinou a negociar melhor e a não perder tempo com o que não vale a pena”. Veja Mais

Estudo observa brasileiros por 22 anos e cria sistema para prever transtorno bipolar

Glogo - Ciência Equipe de cientistas do Brasil, Canadá e Estados Unidos acompanharam 3.810 pessoas que nasceram em 1993 na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, com entrevistas e recolhimento de avaliações aos 11, 15, 18 e 22 anos. Quase 10 milhões de brasileiros têm transtorno bipolar Um time internacional de pesquisadores conseguiu criar um sistema para prever se, aos 18 anos, um paciente é pré-disposto a desenvolver o transtorno bipolar 4 anos depois, aos 22 anos. O estudo começou em 1993, quando 3.810 brasileiros nasceram em Pelotas, no Rio Grande do Sul. Eles permaneceram monitorados por mais de duas décadas e são base para o estudo divulgado nesta segunda-feira (14). Transtorno bipolar reduz a expectativa de vida em pelo menos 10 anos Falta de sono pode causar transtorno bipolar, alerta neurologista Os cientistas apresentaram os resultados no Congresso do Colégio Europeu de Neuropsicofarmacologia (ECNP). O artigo foi aprovado por uma revista científica, de acordo com o líder da pesquisa, Francisco Diego Rabelo-da-Ponte. O trabalho foi financiado pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), uma parceria entre a Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) com as universidades de Hamilton, no Canadá, e do Texas, nos Estados Unidos. "Esta pode ser uma nova ferramenta para o diagnóstico do transtorno bipolar. Isso não vai substituir o diagnóstico médico, mas pode permitir que sejam usadas medidas preventivas para retardar ou evitar o início da doença", disse Rabelo-da-Ponte. Jovens que apresentam tendência suicida, ansiedade generalizada, evidências de abuso físico pelos pais, problemas financeiros, entre outros, são alguns dos sinais relacionados à bipolaridade. Há, ainda, a condição genética. Os pesquisadores criaram um modelo capaz de relacionar os fatores e prever as chances da doença. "Descobrimos que podemos identificar quem irá desenvolver o transtorno bipolar cerca de 4 anos antes do início da doença, observando os indivíduos do nascimento até a idade adulta" - Francisco Rabelo-da-Ponte. Os pesquisadores usaram técnicas de machine learning (aprendizagem de máquina, em português), área que estuda e reconhece padrões, inteligência artificial e criação de algoritmos. Análise do estudo Sem participar do estudo, mas com a proposta de contribuir para a análise, o professor de psiquiatria da Universidade de Barcelona Eduard Vieta apresentou críticas à pesquisa e disse que outras iniciativas semelhantes já foram criadas com a mesma perspectiva. "Estudos de coorte (metodologia que considera uma população pré-definida) são extremamente importantes para desenvolver modelos preditivos que podem ajudar na prevenção de doenças graves, como o transtorno bipolar", disse o especialista catalão. "No entanto, o presente estudo tem os seus méritos, mas é relativamente pequeno e precisa da replicação em uma coorte separada e independente". Dois tipos do transtorno A Associação Americana de Psiquiatria define o transtorno bipolar como uma doença que causa "alterações no humor, na energia e na capacidade de funcionamento de uma pessoa". Existem dois tipos diferentes da condição: transtorno bipolar I e transtorno bipolar II. Os danos são sentidos em todo o corpo e quem tem a doença sofre com inflamações até no organismo. "Pessoas com transtorno bipolar tem mais obesidade, mais infarto do miocárdio, mais alterações de pressão arterial", explica o psiquiatra Rodrigo Bressan, ao Bem Estar. Estima-se que 10 milhões de pessoas tenham a doença no Brasil. Tipo 1: é o transtorno de humor mais raro, se inicia mais precocemente, antes dos 20 anos. Pode ter poucos episódios de depressão, mas tem episódios de mania bem evidentes, que podem precisar de internação. Os episódios de mania podem ser psicóticos. É mais fácil de ser diagnosticado porque a fase maníaca é muito marcante. É uma doença crônica que apresenta episódios de depressão ao longo da vida, mas a pessoa fica intervalos longos de tempo sem doença. Tipo 2: é o segundo transtorno de humor mais comum, só perde para a depressão clássica e se inicia numa faixa etária intermediária, entre os 20 e os 30 anos. O diagnóstico pode demorar 15 anos. Os episódios de ativação são leves (chamados de hipomania) e costumam ser tão sutis que se acredita que ela está acelerada porque houve uma melhora da depressão. Tem episódios recorrentes de depressão (mais de cinco episódios no ano). Transtorno bipolar pode ser confundido com depressão, diz psiquiatra Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 14 de setembro, segundo consórcio de veículos de imprensa (atualização das 8h)

Glogo - Ciência País tem 131.663 óbitos registrados e 4.330.219 diagnósticos do novo coronavírus. Brasil tem 131.663 mortes por Covid-19, aponta consórcio de veículos O Brasil tem 131.663 mortes por coronavírus confirmadas até as 8h desta segunda-feira (14), segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Desde o balanço das 20h de domingo (13), um estado atualizou seus dados: RR. Veja os números consolidados: 131.663 mortes confirmadas 4.330.219 casos confirmados Na domingo, às 20h, o país registrou 389 mortes pela Covid-19 confirmadas nas últimas 24 horas, chegando ao total de 131.663 óbitos desde o começo da pandemia. Com isso, a média móvel de novas mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 711 óbitos, uma variação de -18% em relação aos dados registrados em 14 dias. Em casos confirmados, já são 4.330.152 brasileiros com o novo coronavírus desde o começo da pandemia, 14.294 desses confirmados no último dia. A média móvel de casos foi de 27.507 por dia, uma variação de -32% em relação aos casos registrados em 14 dias. MÉDIA MÓVEL: veja como estão os casos e mortes no seu estado PANDEMIA NAS CIDADES: consulte casos e mortes em cada município do Brasil Progressão até 13 de setembro No total, 3 estados apresentaram alta de mortes: AC, RR e CE. Em relação a sábado (12), ES, MG e RO estavam com a média de mortes em estabilidade e, hoje, estão em queda. MT e MA estavam com a média em queda e, agora, estão em estabilidade. Estados Subindo (3 estados): AC, RR e CE Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (10 estados): PR, RS, DF, GO, MS, MT, PA, MA, PE e SE Em queda (14 estados): SC, ES, MG, RJ, SP, AM, AP, RO, TO, AL, BA, PB, PI e RN Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Estados com a média de mortes em alta Arte G1 Estados com a média de mortes em estabilidade Arte G1 Estados com a média de mortes em queda Arte G1 Sul PR: -3% RS: -5% SC: -36% Sudeste ES: -20% MG: -17% RJ: -37% SP: -17% Centro-Oeste DF: -8% GO: -6% MS: -12% MT: -11% Norte AC: +100% AM: -42% AP: -75% PA: +13% RO: -19% RR: +50% TO: -28% Nordeste AL: -18% BA: -27% CE: +62% MA: -11% PB: -30% PE: -11% PI: -29% RN: -65% SE: -13% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste o Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Initial plugin text Veja Mais

Professores da UFV desenvolvem método analítico para monitorar qualidade do álcool em gel

Glogo - Ciência Durante uma análise de amostras de antissépticos, eles identificaram diversas com teor de etanol inferior aos 70% recomendados pela Anvisa. Produção de álcool em gel UFTM/Divulgação Por causa da pandemia do novo coronavírus, o álcool em gel tem sido bastante utilizado pela população. Para verificar a situação destes produtos, professores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) desenvolveram um método analítico para monitorar a qualidade do material. Durante uma análise de 41 amostras de antissépticos, os docentes identificaram que 19 apresentaram teor de etanol inferior aos 70% recomendados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e sete, 62% - o valor é o mínimo necessário para se conseguir eficácia na neutralização da doença. Método De acordo com a UFV, o método foi desenvolvido baseado na Espectroscopia de Infravermelho Próximo (NIRS) - uma tecnologia amplamente utilizada para análises quantitativas e qualitativas de sólidos, líquidos e gases. O estudo foi descrito em um artigo recentemente publicado no Microchemical Journal. Na ocasião, os pesquisadores descreveram o método a partir do uso de um espectrofotômetro. Conforme o grupo, "a pesquisa se mostrou eficiente nas análises diretas das amostras, permitindo um controle rápido - de um minuto - da qualidade dos antissépticos". Conforme a instituição, o espectrofotômetro utilizado pela equipe foi previamente avaliado quanto ao desempenho em longo prazo com bons resultados, considerando a relação custo/benefício. O método completo está descrito em detalhes no artigo e pode ser utilizado, sem restrições, por qualquer empresa ou órgão de fiscalização, segundo os pesquisadores. A pesquisa é assinada pelos professores do Departamento de Química da UFV, Maria do Carmo Hespanhol e Alexandre Fontes Pereira; o professor do Departamento de Solos, Celio Paquini, coordenador do Instituto Nacional de Ciências e Tecnologias Analíticas Avançadas (INCTAA), da Unicamp; e o doutorando do Programa de Pós-Graduação em Agroquímica da UFV, Kaíque Augusto Moreira Lourenço Cruz. O estudo também teve o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e também das empresas Clorofitum Amaral Marques Indústria de Comércio LTDA e Indústria de Cosméticos Haskell Ltda, que forneceram a maioria dos reagentes empregados verificados. Initial plugin text Veja Mais

O que é um pirocumulonimbus, a perigosa nuvem 'artificial' de tempestade criada por queimadas

Glogo - Ciência Comunicado da Nasa aponta que megaincêndios na Califórnia estariam associados aos maiores pirocumulonimbus já registrados na história dos EUA. Nuvem 'artificial' em decorrência dos incêndios foi captada por satélites da Nasa Nasa Como acontece todos os anos, partes da Califórnia se transformaram recentemente em um inferno em chamas: centenas de pessoas precisaram ser deslocadas, o ar foi tomado por partículas de poluição, propriedades foram destruídas, florestas e cidades inteiras viraram cinzas. Em 2020, no entanto, os incêndios e a fumaça não apenas escureceram o céu de grande parte do Estado, mas também geraram fenômenos meteorológicos incomuns: de tornados de fogo a nuvens de tempestade em decorrência da fumaça. PODCAST: O impacto da fumaça das queimadas na sua saúde 'Um cenário desolador e frustrante': 25 imagens que ilustram a tragédia no Pantanal Uma delas foi gravada na semana passada e, segundo a Nasa, pode ser a maior da história dos Estados Unidos. Trata-se de uma gigantesca pirocumulonimbus, uma nuvem "artificial" gerada pela fumaça que se espalhou por 15 quilômetros sobre o condado de Fresno e podia ser vista do espaço, por meio satélites da agência espacial norte-americana, mas que também foi observada por passageiros de aviões que cruzavam a área. Initial plugin text De acordo com a agência espacial americana, ela chegou a bloquear a visibilidade de seus satélites sobre partes da Califórnia no dia 6 de setembro, tornando impossível o acompanhamento da evolução dos incêndios desde o espaço. Garoto de 14 anos aprende a dirigir ao fugir do fogo na Califórnia Imagem de satélite mostra grande nuvem de fumaça causada por incêndio na Califórnia O que são pirocumulonimbus? Ainda segundo a Nasa, esse tipo de nuvem, também chamada de cumulonimbus flammagenitus, é produzido "artificialmente" como resultado de uma fonte natural de calor, como um incêndio florestal ou um vulcão. “O ar quente que sai do fogo pode levar vapor d'água para a atmosfera e gerar nuvens. (...) Nesse caso, foi criado um cumulonimbo ou nuvem de tempestade”, aponta o texto. A agência acrescenta que este tipo de formação costuma ser a mais perigosa, pois, ao gerar uma nuvem de tempestade, os raios e os ventos que ela provoca podem fazer com que o fogo se espalhe ou ainda gerar novos focos de incêndios. Initial plugin text Medições já feitas e outras que ainda estão em análise sugerem que esta pode ser a maior pirocumulonimbus já registrado no país. "Os valores do índice de aerossol criado pela nuvem indicam que este é um dos maiores eventos, senão o maior, visto nos Estados Unidos", disse Colin Seftor, cientista atmosférico do Goddard Space Flight Center, no texto da Nasa. Mais de 900 focos de incêndio atingem Califórnia desde 15 de agosto Qual é a situação dos incêndios nos EUA? De acordo com o National Interagency Fire Center, atualmente há mais de 100 incêndios em pelo menos 12 Estados dos EUA. A Califórnia, o estado de Washington e Oregon, todos na costa oeste dos Estados Unidos, foram os mais afetados, registrando pelo menos 12 mortes, milhares de desabrigados e cidades inteiras destruídas. O governador do Oregon disse que os incêndios podem causar "a maior perda de vidas e propriedades" da história do Estado. Enquanto isso, em Washington, autoridades indicaram que o incêndio é um dos piores já registrados em 50 anos. A Califórnia, que vive uma estiagem prolongada junto a uma onda de calor, é o Estado que mais registra incêndios: mais de 25, incluindo três dos cinco maiores de sua história. Segundo dados oficiais, mais de 3,1 milhões de hectares foram queimados nos últimos dias, um recorde. "Essa área é do tamanho de mais de dez vezes a cidade de Nova York. É uma loucura. Ainda não entramos na temporada de incêndios de outubro e novembro e já quebramos o recorde de todos os tempos", disse o bombeiro-chefe Richard Cordova à emissora CNN. O que há por trás desses incêndios? O grande número de incêndios na região oeste foi causado por uma série de razões, desde linhas de transmissão derrubadas até uma festa na qual fogos de artifício foram lançados. No entanto, especialistas notam que, nos últimos anos, a área passou por eventos climáticos extremos. De acordo com um estudo da Universidade da Califórnia em San Diego, esta é em grande parte uma tendência causada por efeitos maiores associados às mudanças climáticas. Embora as mudanças climáticas em si não sejam a causa direta, elas ajudam a estabelecer as condições para incêndios florestais em larga escala, dizem os cientistas. O oeste dos EUA experimentou recentemente sérias ondas de calor, incluindo um dia que levou ao que poderia ser a temperatura mais alta já registrada de forma confiável no planeta, 54,4°C, também na Califórnia. Na semana passada, outra onda de calor no sul daquele estado também levou a temperaturas recordes e apagões. Essas condições quentes e secas tornaram a região mais sujeita a incêndios florestais. Temperaturas recorde e até neve em outros Estados, como no Colorado, também geraram ventos fortes de oeste. As correntes de ar seco conhecidas como ventos de Santa Ana ou do Diablo (dependendo se afetam o norte ou o sul da Califórnia) também tendem a contribuir para a propagação dos incêndios durante os meses de outono. E neste ano elas começaram mais cedo. De acordo com o jornal Los Angeles Times, além das mudanças climáticas, outros fatores, como mais pessoas vivendo em áreas sujeitas a incêndios florestais e crescimento excessivo de ervas daninhas em algumas áreas, também contribuíram com a tragédia. Incêndios deixam animais sem moradia e alimentos Veja Mais

Estudo mapeia 'polos de desconfiança' em vacinas no mundo; Brasil tem sinal de queda no apoio a elas

Glogo - Ciência Publicação no periódico científico "The Lancet" traz dados globais inéditos sobre a confiança sobre a importância, a eficácia e a segurança da imunização. 'Por muito tempo, América Latina foi vista como tendo uma blindagem à desconfiança em vacinas. Mas sabemos que confiança em vacinas é algo muito volátil', diz pesquisadora Getty Images/via BBC O mesmo mundo que vive em compasso de espera por uma vacina contra o novo coronavírus abriga também países onde o percentual de pessoas que concordam que imunizações são importantes pode variar dos 26% na Albânia a 95% no Iraque. Estes e outros números sobre a confiança em vacinas em 149 países foram publicados nesta quinta-feira (10) no periódico científico "The Lancet", com base em uma pesquisa com 284 mil adultos sobre a importância, segurança e eficácia das vacinas. Países com instabilidade política e extremismo religioso tendem a confiar menos nas vacinas, aponta estudo global O trabalho lembra que, em 2019, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a hesitação sobre as vacinas como uma das dez maiores ameaças para a saúde global. História mostra que houve fake news e resistência a vacinas em outras epidemias Ela se reflete no atraso ou recusa à imunização, muitas vezes motivados por boatos e notícias falsas. Esses comportamentos estão associados a surtos recentes de doenças que podem ser prevenidas com vacinas, como sarampo, poliomielite e meningite. O Brasil aparece no grupo dos países em que o percentual de pessoas que acredita fortemente nestes três benefícios das vacinas (importância, segurança e eficácia) fica acima de 50%. Entretanto, em todos esses indicadores, houve declínio na confiança entre 2015 e 2019, com queda de 73% para 63% na parcela da população brasileira que acredita fortemente que as vacinas são seguras; de 75% para 56% que elas são eficazes; de 92,8% para 88% que elas são importantes (neste caso, a pergunta aos entrevistados menciona especificamente a importância das vacinas para crianças). Acompanhando o perfil da América Latina, o país historicamente apresenta níveis bastante altos de confiança nas vacinas na comparação com outras partes do mundo, explica Clarissa Simas, pesquisadora da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, uma das autoras da publicação no Lancet e brasileira. Entretanto, há sinais de que isto pode estar mudando, ela diz — ressaltando, porém, que são necessários mais dados para confirmar o que seria um aumento da desconfiança em vacinas no país. "Para o Brasil, tivemos dados apenas de 2015 e 2019, então os modelos (matemáticos usados na pesquisa) ficam muito sensíveis (a variações). Não dá pra ter certeza estatística da queda. Mas os resultados sugerem, sim, que há um problema. É um sinal de que precisamos monitorar e coletar mais dados, inclusive qualitativos, sobre a confiança em vacinas no país", diz Simas, graduada em psicologia na Universidade de Brasília (UnB) e mestre em antropologia médica na Universidade College London. Ela acredita que no Brasil, particularmente, o acesso gratuito a uma ampla variedade de vacinas, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Programa Nacional de Imunizações (PNI), pode ter contribuído para a construção da confiança ao longo do tempo, que no entanto está agora sob alerta. "A América Latina, e o Brasil inclusive, foi vista por muito tempo como tendo uma blindagem à desconfiança em vacinas. Mas sabemos que a confiança em vacinas é algo muito volátil, e esse perfil vem mudando", explica a pesquisadora, que trabalha no Vaccine Confidence Project ("Projeto Confiança em Vacinas", sigla VCP) na Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres. Vacina contra tuberculose vai ser testada contra Covid-19 "Se os responsáveis não prestarem atenção, isso pode se reverter em queda na cobertura vacinal." Problemas com vacina de dengue nas Filipinas e de HPV no Japão Esta é uma preocupação que se estende a outras partes do mundo. A pesquisa associa à instabilidade política e ao extremismo religioso a situação de seis países em particular com aumento significativo da parcela de pessoas que discordam fortemente da segurança das vacinas: Azerbaijão (2% em desacordo com a segurança em 2015 versus 17% em 2019); Afeganistão (2-3%); Indonésia (1-3%); Nigéria (1-2%); Paquistão (2-4%) e Sérvia (4-7%). Também são relatados episódios polêmicos envolvendo vacinas que foram depois sucedidos por queda em vacinações. Foi o que ocorreu nas Filipinas, quando a farmacêutica Sanofi anunciou em 2017 que sua recém-disponibilizada vacina Dengvaxia, contra a dengue, colocava em risco pessoas que não tinham tido contato com o vírus anteriormente. Isto gerou pânico e revolta na população, levando o projeto VCP a acompanhar a situação mais de perto. Foi constatado que o país asiático saiu do grupo dos dez países com maior confiança em geral nas vacinas (considerando tanto segurança, importância e eficácia) em 2015 para aparecer na 70ª posição mundial em 2019. O Japão figura entre os países com a menor confiança em vacinas no mundo, o que, segundo os autores, pode ter sido impulsionado pelo medo da imunização contra o HPV que tomou conta do país em 2013. Iniciado após relatos não confirmados de reações adversas em crianças, o temor levou o governo a suspender a vacinação, o que é criticado no relatório: "A forma como a crise da vacina contra o HPV foi abordada pelas autoridades de saúde, bem como um surto contínuo de rubéola no Japão, indicam problemas contínuos com o programa de vacinação japonês que precisam ser resolvidos". Por outro lado, em alguns países onde a confiança em vacinas tem sido persistentemente baixa, houve melhoras — como na França, onde o percentual de pessoas concordando fortemente com a segurança de vacinas passou de 22% em novembro de 2018 para para 30% em dezembro de 2019. Clarissa Simas brinca que a confiança e desconfiança em vacinas são "democráticas", ocorrendo em grupos e lugares com perfis sociais, econômicos e culturais distintos. Ao mesmo tempo, a pesquisa constatou a partir de dados qualitativos que ser homem ou ter menos anos de escolaridade estão associados com chance menor de vacinação; enquanto a confiança em profissionais de saúde, mais do que na família ou amigos, foi associada à maior chance de vacinação. Segundo os autores, o estudo publicado no Lancet é o maior de que se tem notícia sobre a confiança em vacinas a nível global, permitindo comparações entre diferentes países e alterações ao longo do tempo. Fundado há uma década, o projeto Vaccine Confidence Project (VCP) monitora as opiniões e comportamentos do público sobre vacinas — no caso desta pesquisa publicada, usando entrevistas com amostras da população e depois modelos estatísticos. Assinam o artigo no Lancet pesquisadores da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres e do Imperial College London, no Reino Unido; Universidade de Washington, nos EUA; e Universidade da Antuérpia, na Bélgica. Expectativa de vacina contra a Covid-19 Especialistas acreditam que vacina contra covid-19 estará pronta no ano que vem Arte/BBC Diante da pandemia de coronavírus, a pesquisadora lembra que já há grupos antivacinas se mobilizando contra uma eventual imunização para covid-19. Nos últimos dias, o próprio presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, manifestou ressalvas a vacinas em potencial. Ele defendeu que pessoas possam escolher se imunizar ou não e afirmou, na terça-feira (8), que "a gente não pode injetar qualquer coisa nas pessoas e muito menos obrigar". O relatório publicado no Lancet aponta para a importância da divulgação, por governos, empresas e profissionais de saúde, de informações sobre a segurança das vacinas. Na atual corrida por uma imunização contra a Covid-19, Clarissa Simas destaca a iniciativa de nove diretores de farmacêuticas que publicaram, também na terça-feira, uma carta aberta se comprometendo a solicitar registro de uma vacina a órgãos sanitários apenas "após a demonstração de segurança e eficácia em estudo clínico de fase 3". VÍDEOS: veja reportagens com as novidades sobre a vacina Initial plugin text Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 10 de setembro, segundo consórcio de veículos de imprensa (atualização das 8h)

Glogo - Ciência País tem 128.694 óbitos registrados e 4.202.191 diagnósticos de Covid-19, segundo dados das secretarias estaduais de Saúde. Brasil tem 128.694 mortes por Covid, aponta consórcio de veículos de imprensa O Brasil tem 128.694 mortes por coronavírus confirmadas até as 8h desta quinta-feira (10), segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Desde o balanço das 20h de quarta-feira (9), quatro estados atualizaram seus dados: GO, MA, PI e RR. Veja os números consolidados: 128.694 mortes confirmadas 4.202.191 casos confirmados Na quarta-feira, às 20h, o balanço indicou: 128.653 mortes confirmadas, 1.136 em 24 horas. Com isso, a média móvel de novas mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 679 óbitos, variação de -25% em relação aos dados registrados em 14 dias. O país segue em tendência de queda considerando a média móvel. Pelos critérios do consórcio, variações de até 15%, para mais ou para menos, são consideradas indicativo de estabilidade. Entenda os critérios. Em casos confirmados, eram 4.199.332 brasileiros com o novo coronavírus desde o começo da pandemia, 34.208 desses confirmados nesta quarta. A média móvel de casos foi de 28.273 por dia, uma variação de -24% em relação aos casos registrados em 14 dias. Os estados do Piauí e do Maranhão não divulgaram novos dados até as 20h de ontem. MÉDIA MÓVEL: veja como estão os casos e mortes no seu estado PANDEMIA NAS CIDADES: consulte casos e mortes em cada município do Brasil Brasil, 9 de setembro Os novos números de casos e mortes costumam apresentar queda durante os finais de semana e segundas-feiras, devido à redução temporária das equipes que fazem esses registros. Isso tende a ser compensado com números mais altos o longo da semana. Dessa forma, o feriado prolongado desta segunda-feira (7) pode ter influenciado ainda mais na baixa da última semana. Apenas um estado apresenta alta de mortes: CE. Em relação a terça (8), CE estava com o número de mortes estáveis, segundo a média móvel, e agora aparece em alta. RS, DF e RR apareciam em queda, e agora estão em estabilidade. A mudança mais drástica nas tendências ocorreu no AM, que aparecia em alta de mortes com 208% e agora tem baixa com -32%. Isso se deveu à inclusão no dia 2 de setembro de 146 mortes de meses anteriores cujas causas foram revisadas. Essa inclusão pesou na média móvel do estado na última semana, e agora saiu do cálculo que leva em conta os últimos 7 dias. Veja todos os estados: Subindo (1 estado): CE Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (9 estados): PR, RS, MG, DF, MS, MT, AC, PA e RR. Em queda (17 estados): SC, ES, RJ, SP, GO, AM, AP, RO, TO, AL, BA, MA, PB, PE, PI, RN e SE. Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Estado com tendência de alta no número de mortes por Covid-19 Arte G1 Estados com tendência de estabilidade no número de mortes por Covid-19 Arte G1 Estado com tendência de queda no número de mortes por Covid-19 Arte G1 Sul PR: +4% RS: +4% SC: -36% Sudeste ES: -25% MG: -15% RJ: -42% SP: -24% Centro-Oeste DF: -9% GO: -22% MS: -9% MT: -9% Norte AC: +8% AM: -32% AP: -73% PA: +7% RO: -28% RR: 0% TO: -31% Nordeste AL: -22% BA: -45% CE: +19% O estado do MA não divulgou novos dados até as 20h. Considerando os dados até 20h de terça-feira (8), estava em queda (-18%) PB: -34% PE: -39% O estado do PI não divulgou novos dados até as 20h. Considerando os dados até 20h de terça-feira (8), estava em queda (-26%) RN: -76% SE: -36% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste o Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Initial plugin text Veja Mais

'É assustador: tem um movimento contra uma vacina que nem existe ainda', diz Miguel Nicolelis

Glogo - Ciência Em entrevista à BBC News Brasil, o neurocientista brasileiro falou de vacinas, coronavírus e seu novo livro sobre o cérebro. O neucientista brasileiro Miguel Nicolelis falou à BBC sobre vacinas, coronavírus e seu novo livro sobre o cérebro. BBC No próximo sábado (12/9), assim como muitos brasileiros, o neurocientista Miguel Nicolelis vai completar uma estranha marca, bastante simbólica dos tempos atuais: seis meses de reclusão. Naquela quinta-feira, um dia depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar a pandemia da Covid-19, ele decidiu que era melhor não mais sair de seu apartamento em São Paulo. Nicolelis, cuja vida é baseada nos Estados Unidos desde 1989, havia vindo no início de fevereiro para São Paulo para visitar a mãe, a escritora infanto-juvenil Giselda Laporta Nicolelis. ESPECIAL: Conheça as candidatas a vacina para a Covid-19 A imensa logística por trás da futura vacina contra Covid-19 "O plano era ficar um mês, um mês e meio", conta ele. Com a pandemia, acabou se licenciando da Universidade Duke, onde é pesquisador do Departamento de Neurobiologia, e aceitou o convite para assumir, voluntariamente, a coordenação do comitê científico de combate ao coronavírus do Consórcio Nordeste, que congrega os governadores dos nove Estados nordestinos. "Comecei a fazer alguns vídeos com análises do que estava acontecendo e alertando que a coisa ia pegar fogo por aqui. No dia 30 de março recebi o convite para coordenar o comitê junto ao Sergio Rezende [que foi Ministro da Ciência entre 2005 e 2010]", conta. "Refleti por 24 horas e achei que não tinha como fugir. Eu poderia ajudar com minha experiência científica." Entre inúmeras reuniões virtuais e muitas reflexões sobre o mundo durante esse período de pandemia, Nicolelis acaba de lançar a versão brasileira do seu livro "O verdadeiro criador de tudo: Como o cérebro humano esculpiu o universo como nós o conhecemos" (Editora Planeta). Presidente da AstraZeneca afirma que voluntária de vacina teve sintomas neurológicos e pode ter alta nesta quarta, diz site Em conversa com a BBC News Brasil, realizada por telefone na última sexta-feira (4), o cientista falou sobre a nova obra, comentou sobre discursos negacionistas atuais, reafirmou a importância de seu projeto com os exoesqueletos e disse que, pela primeira vez na vida, não assistiu a um jogo de futebol que terminou com seu Palmeiras campeão — ele é fanático torcedor. BBC News Brasil - Comecemos pelo seu novo livro: como explicar de forma simples o poder do cérebro humano? Miguel Nicolelis - O cérebro humano na verdade é o centro de toda a cosmologia humana, a única ferramenta disponível ao ser humano para construir uma interpretação da realidade. Toda a história da nossa civilização é totalmente dependente do tipo de biologia que rege o funcionamento do cérebro, porque foi essa biologia que deu origem às decisões e interpretações da realidade. É através de nosso cérebro que a nossa espécie interpreta o universo, tudo o que existe ao redor e cria a narrativa do que é o mundo e o que envolve a nossa existência. A partir do cérebro humano foram criadas as abstrações humanas de alta complexidade, as religiões, os mitos, os sistemas políticos e econômicos que definiram a trajetória de nossa espécie — e tudo o que foi determinante para o bem e para o mal depende, dependeu e vai depender de como nosso cérebro funciona. É ele que rege essa produção de abstrações mentais que se transformaram em coisas mais importantes do que a própria vida humana. BBC News Brasil - Como vimos durante a pandemia… Nicolelis - Como vimos durante a pandemia, quando as pessoas passaram a falar que a gente precisa defender a economia em primeiro lugar. Mas o que é a economia? A economia é um sistema de troca de relações sociais estabelecidas pela mente humana para agilizar nossa capacidade de viver. Mas se estivermos mortos, as abelhas e os elefantes não têm um sistema econômico. Só nós criamos algo assim. BBC News Brasil - Essa inversão de valores é culpa do cérebro humano? Nicolelis - É culpa do fato de que o cérebro humano tem várias fragilidades. E uma delas é a fraqueza de ser facilmente sincronizado com outras mentes humanas, com outros indivíduos, por meio dessas abstrações que eu chamo de vírus. O cérebro é um criador de universos. Para quem é religioso, o cérebro criou divindades e disseminou mensagens para milhões de pessoas para quem essas divindades estão acima da vida humana. Um número muito grande de seres humanos, mais de 90%, passou a aceitar isso como verdade absoluta. É o mesmo com o culto dos mercados, o deus dinheiro. Para as pessoas que fazem parte dessa rede de cérebros, o culto ao dinheiro é mais relevante do que a sobrevivência da espécie. Daí surge esse fenômeno da criatura que começa a devorar o criador. BBC News Brasil - Em seu livro você aborda as implicações do mundo digital sobre nossos cérebros. Estamos nos tornando mais burros? Nicolelis - [Este mundo] está certamente esculpindo o nosso cérebro, porque passou a ser um elemento primordial no processo de evolução de nossa mente. O cérebro é plástico, quer dizer que ele se autorremodela continuamente. Imagina você desde a infância imerso na lógica digital, que não é a lógica de funcionamento de nosso cérebro — nosso cérebro é analógico. O digital tem grande dificuldade de reproduzir o analógico. Nossa imersão no mundo digital e o fato de que, para você ter recompensas e estímulos digitais, você tem de jogar o jogo digital, estar nas redes sociais, ter um microcomputador ou um tablet, tudo isso está ligado a essa lógica digital. Nosso cérebro está interpretando isso de que maneira? Opa, o modo antigo de jogar não está mais dando certo, preciso me adaptar. Isso significa reduzir ou, no limite, eliminar atributos da mente humana que foram importantes para a gente chegar onde a gente chegou: empatia humana, intuição, criatividade, pensar fora da caixa, inteligência. Tudo isso está sendo atrofiado, com a nossa capacidade de relacionamento social em alta escala, em detrimento de nossos comportamentos robóticos artificiais. BBC News Brasil - É um achatamento do cérebro? Nicolelis - Eu chamaria de remodelagem. BBC News Brasil - Essa remodelagem está se acelerando em um tempo como o atual, quando a pandemia precipitou uma série de mudanças no dia a dia, naturalizando reuniões online, teletrabalho e uma vida 100% conectada? Nicolelis - As empresas estão economizando luz, espaço físico, aluguel, internet… Olha o que aconteceu: as pessoas estão ficando em um grau de ansiedade, de angústia, de tensão. Elas estão trabalhando mais do que trabalhavam, não têm mais o convívio humano que é fundamental — porque nós somos animais sociais por excelência, construímos a nossa civilização por causa da extrema facilidade de tecer relações sociais. Nós só sobrevivemos porque aprendemos a caçar em grupo, eu digo isso no livro. Mas aí o sujeito tem de trabalhar enquanto cuida dos filhos, da casa, paga a luz, a internet, o aluguel. Todo o ônus do trabalho. Os meios de produção não são mais o foco, o grande embate é sobre informação e conhecimento. E quem dominar a informação e o conhecimento vai dominar a espécie humana. Quem dominar como esses apps são criados, quem estiver por trás do desenho deles, vai impor sistemas de controle à humanidade nunca antes conseguidos. Hoje nossa vida não está sendo só monitorada, ela está sendo guiada — e a vasta maioria dos seres humanos não se dá conta disso. BBC News Brasil - Como ocorre esse monitoramento? Nicolelis - Somos provedores de graça de nossos dados comportamentais para grandes empresas do Vale do Silício usarem esses troços para estudarem as melhores formas de marketing. Eles pegam da gente as coisas grátis e vendem informações comportamentais humanas. Por que o [aplicativo de webconferências] Zoom subiu? Porque ele coletou a maior quantidade de informação humana, de interações humanas, nesse tempo de pandemia. Facebook, Twitter, Instagram, todos coletam [informações]. Você compra um livro na Amazon e, de repente, chegam sugestões de 50 livros. BBC News Brasil - Voltando à questão da covid-19, como é seu envolvimento no Consórcio Nordeste? Nicolelis - As pessoas não sabem, mas eu comecei minha carreira na USP [Universidade de São Paulo] estudando dados epidemiológicos de um bactéria, devido a uma resistência a múltiplos antibióticos que começou a explodir no Hospital das Clínicas. Durante quatro anos [a partir de 1982] eu produzi vários trabalhos mostrando como bactérias trocavam pedaços, padrões de resistência a múltiplos antibióticos pelas diferentes UTIs do HC. Isso é extremamente irônico. Tantos anos depois eu comecei a reler meus trabalhos para lembrar de todas as ferramentas que eu utilizei na época, e agora estudar a covid. BBC News Brasil - Essa tem sido sua rotina desde março? Nicolelis - Minha sala de estar virou o QG do comitê [científico]. Mas as reuniões são todas online. Eu não recebi ninguém aqui, faz seis meses que ninguém vem aqui. Fui no jogo do Palmeiras [3 a 1 contra o Guaraní do Paraguai, pela primeira fase da Copa Libertadores, no Allianz Parque] e aí no dia 12 acabou a festa. Quando tomamos posse [do comitê] no começo de abril, criamos nove subcomitês temáticos e uma sala de situação virtual para monitorar toda a epidemia. Como a gente sabia de cara que o Brasil não ia ter capacidade de testagem, adotamos um aplicativo chamado Monitora covid-19, que estava sendo finalizado pelo governo da Bahia. Por meio dele, as pessoas podem autorreferenciar os sintomas, e aquelas classificadas como tendo alto risco de covid passaram a receber consultas por telemedicina, podendo ser encaminhadas a um hospital ou UPA, ou serem orientadas a fazer isolamento em casa. Já passamos de 250 mil downloads do app e mais de 160 mil consultas por telemedicina foram realizadas. Isso foi decisivo, salvou muitas vidas. Passamos a sugerir toda a sorte de medidas. Não temos poder operacional, mas a gente faz sugestões e recomendações, publicamos boletins. As maiores recomendações foram lockdowns em cidades e criação de brigadas emergenciais de saúde. BBC News Brasil - Como funcionam essas brigadas? Nicolelis - São grupos de agentes de saúde que passaram a ir nas casas e locais de trabalho para quebrar a transmissão do vírus lá. Elas examinam, testam e decidem se as pessoas precisam se isolar. Você não consegue quebrar a transmissão em hospital, em leito de UTI. Claro que tem de ter UTI, mas essa não pode ser a única estratégia como o Brasil fez. Tem de ir a campo. (...) BBC News Brasil - Como você vê o negacionismo científico aflorado por essa pandemia, muitas vezes até endossado pelo presidente da República — seja não utilizando máscaras em público, seja não reconhecendo a necessidade de que todos se vacinem, seja menosprezando a letalidade do coronavírus? Nicolelis - É assustador. O negacionismo científico está conosco há muito tempo. Não foi à toa que [o astrônomo polonês Nicolau] Copérnico só publicou sua teoria [o heliocentrismo] três dias antes de morrer [em 1543]. Ele sabia que na hora que aquilo saísse ele estaria frito. Mas [o negacionismo] se propagou rapidamente nos Estados Unidos nos últimos anos, e como sempre nós importamos tudo aquilo que não presta para o Brasil. E agora está assustador porque tem um movimento contra uma vacina que nem existe ainda. Curiosamente, a gente ouviu nos últimos dias o inominável presidente [em uma referência a Jair Bolsonaro] alegar que é uma coisa espontânea, decisão pessoal [se vacinar ou não], isso quando estamos no meio de uma pandemia que daqui a pouco vai matar um milhão de pessoas no mundo. É assustador, e não se trata só do presidente falando isso, hoje tem até secretário de Saúde, não do governo federal, tem médico falando um absurdo desses. BBC News Brasil - É difícil ser cientista no Brasil? Nicolelis - Quando eu comecei, ser cientista era basicamente ser o nonsense, um cara sem sentido, ignorado. A única imagem que se tinha era a de Hollywood, um cara louco. Quando eu fui embora (do Brasil), em 1989, cientista era uma coisa como que não fede e não cheira. Mas de repente o Brasil teve uma renascença científica com os investimentos nas universidades federais retomando em 2003, o programa Ciência sem Fronteiras… O que aconteceu com a pandemia? De repente cientistas de todas as partes começaram a aparecer em tudo que é lugar na mídia. E o Brasil tomou um choque: nós temos cientistas. Mas a relação ainda é ambígua. Como o conhecimento científico básico da sociedade brasileira é pequeno, os cientistas ainda são vistos com certo ar de desconfiança. Mas no cômpito geral, neste momento, a ciência e a saúde pública saíram do fundo do quintal e são vistos como as únicas esperanças para sair desta condição. BBC News Brasil - Como deve ser a relação da política com a ciência — e vice-versa? Nicolelis - No Brasil e no mundo todo ela é tensa, sempre foi tensa. Veja o que aconteceu nos Estados Unidos. O Dr. [Anthony] Fauci [chefe do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas] primeiro se transformou em herói nacional. Mas quando ele começou a falar coisas que iam contra a experiência política do [presidente Donald] Trump, ele basicamente foi afastado da linha de frente, sumiu, não dá mais entrevistas para as grandes TVs americanas. Foi criada uma tensão do que a ciência preconiza e do que a experiência política deseja. Isso é bem diferente da Alemanha, onde o cientista-chefe do Instituto Robert Koch diz que vai dormir e acorda com a [chanceler federal] Angela Merkel ao telefone. E ela o ouve. No Brasil, essa relação de aconselhamento científico com a classe política, dirigentes e gestores públicos não é tradição. Aqui isso nunca ocorreu. Então os políticos não têm experiência de dialogar com cientistas e vice-versa. E uma relação sendo construída, um namoro que ainda não virou noivado. Por isso fiquei surpreso quando os nove governadores do Nordeste decidiram criar esse comitê e o fato de que, seis meses depois, ainda estamos aqui. Mas não é fácil, evidentemente, porque a experiência política sempre tem prioridade. Só que quando a política bate de frente com a biologia, a biologia ganha de goleada. Repito isso sempre. Às vezes funciona, mas nem sempre é trivial convencer um gestor de que certas coisas têm de ser feitas. BBC News Brasil - Na abertura da Copa de 2014, o pontapé inicial foi dado por um paciente de seu projeto mais conhecido. O chute foi dado por um paraplégico utilizando um exoesqueleto controlado pelo cérebro dele. Houve muita repercussão e não foram poucas as críticas da importância do projeto… Nicolelis - No Brasil teve gente indo para cima de mim, de nossa equipe, dizendo "que isso, gastar dinheiro para fazer paraplégico andar, isso é prioridade? Não é melhor dar cadeira de rodas para todo mundo". E eu pensando: não acredito. Na China, os caras mostraram que a audiência do chute na Copa atingiu 1,2 bilhão de pessoas no mundo. É a maior audiência de demonstração pública de ciência da história. O pouso na Lua de Neil Armstrong atingiu 400 milhões de pessoas. BBC News Brasil - As pesquisas continuam? Nicolelis - Fizemos a demonstração em 2014 e continuamos a seguir os pacientes. Um mês depois tivemos a feliz surpresa de documentar que eles estavam começando a ter uma recuperação neurológica nunca antes documentada, readquirindo sensibilidade nos membros inferiores abaixo da lesão. De repente começaram a relatar a volta de sensibilidade nas pernas, de controle na bexiga, movimentos de músculos mesmo na perna como um todo. Movimentos voluntários controlados pela mente delas, sugerindo que o treinamento que a gente tinha feito por seis meses com interface cérebro-máquina estava produzindo uma reorganização do cérebro e permitindo que o cérebro encontrasse caminhos alternativos pra mandar sinais de controle motor para baixo dos membros para eles se moverem e recebessem sinais vindo da periferia. Porque em toda lesão medular, (ou) na vasta maioria delas, do ponto de vista anatômico, a pessoa não perde todos os nervos. Você tem uma fração pequena que sobra conectado. Mantivemos o treinamento até o final de 2018, publicamos uma série de trabalhos. No ano passado publicamos outro artigo mostrando que três pacientes não precisavam mais do exoesqueleto, apenas o apoio de uma descarga elétrica na superfície da pele e o apoio de um suporte [como um andador para idosos] e espero nas próximas semanas termos mais novidades. BBC News Brasil - Então o projeto prossegue? Nicolelis - Acabou oficialmente no que tange à parte brasileira porque acabou o financiamento. E não houve como buscar mais. Acabou oficialmente em dezembro de 2018. Mas temos montanhas de dados e laboratórios implementando nosso método ao redor do mundo. Então posso dizer que aquele chute de 2014 foi o pontapé inicial de verdade. As pessoas não tinham a dimensão. BBC News Brasil - E o Palmeiras? Como está acompanhar o futebol nesses tempos de pandemia e estádios vazios? Nicolelis - A coisa está crítica, está muito ruim. Eu não tenho seguido o futebol porque acho um absurdo a gente estar jogando bola. Não era para ter jogo. O título [do Campeonato Paulista, decidido em 8 de agosto] pela primeira vez eu não vi em minha vida. Neste ano eu ignorei completamente. Mas o fato de ter ganho, contra o Corinthians, não me perturbou. Só que não devia estar tendo futebol de jeito nenhum, é ridículo o que estamos fazendo. Não vejo graça. Não tenho nenhuma volição de assistir a jogo. E eu adoro futebol. Initial plugin text Veja Mais

Metade das crianças brasileiras não recebeu todas as vacinas que deveria em 2020, apontam dados do Ministério da Saúde

Glogo - Ciência Segundo índices do Programa Nacional de Imunização, cobertura vacinal está em 51% para o calendário infantil. O ideal é que fique entre 90% e 95% para garantir proteção. Foto mostra menina colorindo figura em uma biblioteca comunitária na favela do Morro do Salgueiro, no Rio de Janeiro, no dia 27 de agosto. Silvia Izquierdo/AP Dados do Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde apontam que cerca de metade das crianças brasileiras não recebeu todas as vacinas previstas no Calendário Nacional de Imunização em 2020. Segundo os índices do PNI, atualizados até segunda-feira (7), a cobertura vacinal está em 51,6% para as imunizações infantis. O ideal é que ela fique entre 90% e 95% para garantir proteção contra doenças como sarampo (que tem índice ideal de 95%), coqueluche, meningite e poliomielite. Neste ano, entretanto, a cobertura vacinal da primeira dose da tríplice viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola) está abaixo de 60%. A da segunda dose está abaixo de 50%. Nenhuma das vacinas previstas no calendário infantil teve índices acima de 60% (veja tabela abaixo). Cobertura vacinal (em % por tipo de vacina) até 07/09 O baixo índice de imunização já tem consequências: dados do Ministério da Saúde mostram que, até o início de agosto, o país tinha 7,7 mil casos confirmados de sarampo. No ano passado, o Brasil perdeu o certificado de erradicação da doença. Para Isabella Ballalai, pediatra e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), o motivo da baixa cobertura é a pandemia de Covid-19, que levou as pessoas a ficarem em casa e não saírem para vacinar os filhos. "Essa situação se repete no mundo inteiro. Houve uma queda entre 30% e 50%", afirma Ballalai. A médica lembra que, apesar das quedas vistas nas taxas de imunização no Brasil nos últimos anos, o país continua com uma das melhores coberturas vacinais do mundo. "Essa cobertura não é simplesmente um número. Sem cobertura vacinal, nós estamos suscetíveis a todas essas doenças – surtos de meningite, retorno da poliomielite", lembra a pediatra. "Essas doenças eliminadas só estão eliminadas por causa da vacinação", pontua Ballalai. A infectologista Raquel Stucchi, da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), avalia que a chance de o país alcançar a cobertura ideal de vacinação ainda neste ano é "quase nenhuma". "Acho muito pouco provável que em 3 meses a gente consiga recuperar e chegar a essa cobertura", afirma Stucchi. No ano passado, o país não atingiu a meta da cobertura vacinal infantil (veja vídeo abaixo). O último ano em que a cobertura infantil alcançou os 90% foi 2015. Brasil não atinge meta das principais vacinas infantis em 2019 Outros fatores O professor Túlio Batista Franco, do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói (RJ), aponta para fatores políticos como contribuintes para a baixa cobertura vacinal. "Essa redução das vacinas certamente já é impacto da descoordenação que nós temos no Sistema Único de Saúde (SUS)", avalia. "O governo federal desorganizou todo o equilíbrio técnico que havia no Ministério da Saúde. Houve duas alterações de ministros, e hoje há um ministro militar que não conhece dos aspectos da Saúde, do funcionamento da máquina do SUS, e que levou para as áreas técnicas militares que também não conhecem", afirma. Raquel Stucchi avalia que outra questão pode ser a de que pediatras mais novos, ao contrário dos mais antigos, enfatizam pouco a necessidade de manter as vacinas em dia. "Era uma coisa muito enfatizada pelos pediatras mais antigos", diz. "Outro fator é que, na maior parte das famílias, os adultos responsáveis pelas crianças trabalham, e os horários das vacinas são em horário comercial. Isso limita muito o acesso", diz Stucchi. A infectologista também aponta o movimento antivacina como um fator que contribui para a queda da cobertura vacinal, mas, na avaliação de Isabella Ballalai, da SBIm, esse movimento não tem tanta força no Brasil. Os motivos que levam as pessoas a atrasarem o calendário de vacinação, segundo a pediatra, são o que chama de "três Cs": a confiança, a complacência e a conveniência. Se as pessoas não confiam nos profissionais de saúde, por exemplo, a probabilidade de que elas se vacinem é menor (mas os brasileiros costumam confiar em vacinas, afirma Ballalai). "No Brasil, todas as pesquisas realizadas mostram que pelo menos 90% dos brasileiros confiam em vacina. Cerca de 10% às vezes ficam na dúvida. E cerca de 4%, 5% realmente não querem se vacinar. Isso sempre existiu", diz. Para a pediatra, os dois fatores principais no Brasil são os "Cs" da "complacência" e "conveniência": a complacência ocorre pela falta de percepção de risco – quando as pessoas não percebem o risco de não se vacinar por não terem visto um caso daquela determinada doença há muito tempo, por exemplo), também podem demorar em fazê-lo; e, se no dia em que forem a um posto de saúde a vacina não estiver disponível, elas tendem a não voltar (a conveniência). Uma pesquisa do Ibope divulgada na segunda-feira (7) apontou que 72% dos brasileiros das classes A, B, e C, os alunos só devem voltar a ter aulas presenciais depois que uma vacina para o novo coronavírus (Sars-CoV-2) estiver disponível. Em agosto, uma pesquisa do Datafolha apontou que 89% dos brasileiros pretendem se vacinar contra o novo coronavírus assim que a vacina estiver disponível. Por estado Os dados do PNI mostram que o Distrito Federal é a unidade da federação (UF) com maior índice de cobertura vacinal infantil: fica próxima de 70%. Em seguida vêm o Tocantins, com 64%, Rondônia, com 61%, e Minas Gerais e Espírito Santo, com 60%. Os piores estados foram o Amapá, com 25%, o Maranhão, com 35,5%, e o Rio de Janeiro, com 36% de cobertura. O Pará também teve cobertura abaixo de 40%. Cobertura vacinal (em %) em 2020 por UF Para o infectologista José David Urbaéz, diretor científico da Sociedade Brasileira de Infectologia no Distrito Federal, o distrito tem um histórico de boa cobertura vacinal, e os motivos incluem o fato de a criação de Brasília ter sido planejada. "Isso se seguiu, na década de 80, da melhor rede de saúde pública do país, que inclui tanto a parte hospitalar como uma rede de centros de saúde muito capilarizados em torno do DF. Nenhum outro lugar conseguiu essa rede de postos de saúde, que são fundamentais para essas políticas de imunização", explica. "Dos anos 2000 para cá, começou com uma política de desmonte – no Brasil todo e em Brasília também. Começou a ter ausência de recursos humanos – e o treinamento dos recursos humanos na imunização é muito particular, tem que saber de cadeia de frio, transporte, armazenamento. As pessoas foram se aposentando e não teve reposição. Foi então murchando toda essa estrutura, que era muito forte. Ainda é, mas nem a sombra do que foi", afirma Urbaéz. Ele explica que o Amapá, o último do ranking, tem uma estrutura de saúde precária; já o Maranhão tem o segundo menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país, atrás apenas de Alagoas, "o que aponta para precariedade em estrutura de saúde", lembra o médico. O Rio de Janeiro, por outro lado, "chama atenção" pelas condições do sistema de saúde, diz Urbaéz. "A crise econômica do Estado do Rio de Janeiro, que vem desde meados da década passada, tem muito reflexo na parte de saúde publica, que é muito, muito, difícil, com dificuldade de acesso. A estrutura de salário é muito ruim, a infraestrutura bem mais sucateada, embora a doença do sucateamento seja geral", avalia. Veja Mais

Covid-19: qual o risco de contágio que cada atividade oferece?

Glogo - Ciência Gráfico feito por especialistas americanos avalia possibilidade de se expor ao vírus fazer coisas como abrir cartas ou frequentar cultos religiosos com mais de 500 fiéis. Especialistas americanos identificaram quais seriam as possibilidades de que as pessoas possam se expôr ao Sars-cov-2 em atividades cotidianas. Getty Images via BBC Um gráfico da Associação Médica do Texas (TMA, na sigla em inglês) se tornou viral nos Estados Unidos e no Reino Unido ao apontar os diferentes graus de risco de contágio por covid-19 que atividades cotidianas oferecem. A tabela foi elaborada por um grupo de 14 médicos da força-tarefa de covid-19 e do Comitê de Doenças Infecciosas da TMA. São especialistas em saúde pública, epidemiologia e infectologia. "É um gráfico feito para o Texas, mas pode ser usado em outros países. Temos que considerar as diferenças nas realidades de cada lugar, é claro, mas também há muitas coisas que são semelhantes", disse à BBC News Brasil o médico John Carlo, especialista em saúde pública e membro da TMA, que participou da elaboração da tabela. Ir à academia de ginástica, frequentar bares e cultos religiosos com mais de 500 fiéis estão entre as atividades mais arriscadas. Confira abaixo: Especialistas americanos identificaram quais seriam as possibilidades de que as pessoas possam se expôr ao Sars-cov-2 em atividades cotidianas. BBC Como o ranking foi feito? As atividades receberam notas de 1 (menos arriscada) a 10 (mais arriscada) de acordo com os seguintes critérios: se eram realizadas em área interna ou externa; a proximidade de outras pessoas; o tempo de exposição ao vírus; a probabilidade de manter as práticas de prevenção contra o vírus, como o uso da máscara, e o risco pessoal — ou seja, a possibilidade de que uma pessoa seja infectada enquanto realiza a atividade. Para todas as atividades da lista, os médicos assumiram que os participantes estariam usando máscaras, mantendo uma distância de pelo menos dois metros de pessoas que não são familiares e lavando as mãos sempre que possível. "Este é o resultado de um esforço coletivo e subjetivo, é o ponto de vista de um grupo de médicos que tinham que responder como essas atividades se comparam uma à outra em termos de risco. Mas só a própria pessoa pode saber as condições em que vai praticar cada atividade e determinar o risco total", disse John Carlo. É o caso dos shoppings e praias, que aparecem na mesma categoria. Mesmo que um shopping normalmente seja um ambiente fechado, o que está sendo frequentado pela pessoa pode ser espaçoso e bem ventilado, permitindo manter o distanciamento social. E a praia em questão, mesmo sendo um espaço aberto, pode estar abarrotada. O médico também ressalta que até o risco de um mesmo tipo de negócio pode variar de acordo com a realidade de cada local. "O melhor exemplo, para mim, é o item 'ir ao salão de beleza ou à barbearia'. Aqui temos salões em que você é o único cliente, tudo é bem limpo, e as duas pessoas podem usar máscaras. O risco aí é menor do que em um salão onde há muitas pessoas juntas", afirma. "É preciso usar o bom senso sobre o cenário em que você vai praticar cada atividade. Nosso gráfico é um bom guia, mas as pessoas têm que analisar seus próprios casos." Casos no Texas O governo do Texas causou polêmica nos Estados Unidos ao ser um dos primeiros a anunciar a reabertura de sua economia e a retomada das atividades normais, em maio. No mês de julho, durante o verão americano, o Estado chegou a ter uma média semanal de 10 mil novos casos, um dos índices mais altos de infecções por covid-19 nos país. Agora, a taxa de novas infecções no Texas é considerada em declínio, de acordo com um levantamento do jornal The New York Times, usando dados oficiais. Initial plugin text Veja Mais

Projeto de lei homenageia pesquisador José Martin Suárez em denominação de sítio paleontológico em Presidente Prudente

Glogo - Ciência Trabalho mais significativo do professor Pepe foi a descoberta de um jazigo de tartarugas, onde identificou uma espécie ainda desconhecida, que descreveu e batizou, a Podocnemis elegans. Pesquisador José Martin Suárez, conhecido popularmente como 'Pepe' Altino Correia/Cedida Um projeto de lei em tramitação na Câmara Municipal de Presidente Prudente (SP) propõe uma homenagem ao pesquisador José Martin Suárez, conhecido popularmente como “Pepe”, para dar nome ao sítio paleontológico da cidade localizado no Parque dos Girassóis. O projeto, de autoria do vereador José Geraldo de Souza (PTB), está na pauta da sessão ordinária prevista para esta terça-feira (8), a partir das 14h, com votação em discussão única. De acordo com os dados biográficos apresentados no projeto de lei, José Martin Suárez nasceu em Sevilha, na Espanha, e veio para o Brasil em 1953. Em 1962, ingressou no curso de geografia e, em 1973, defendeu a tese de doutoramento em ciências (geologia) na então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Presidente Prudente – atual campus da Universidade Estadual Paulista (Unesp) –, com o trabalho “Contribuição à Geologia do Extremo Oeste do Estado de São Paulo”. Era um autodidata e trabalhou com geologia e paleontologia na região de Presidente Prudente, onde encontrou muitos fósseis pré-históricos de diferentes espécies. Dedicava muitos de seus fins de semana a percorrer a região para observar detalhes da geologia. Quando ainda estava ativado o Ramal de Dourados, da antiga Ferrovias Paulista S. A. (Fepasa), Pepe se utilizava frequentemente do carro de manutenção da estrada de ferro e seguia, através dos trilhos, observando os barrancos. Foi assim que encontrou o “cemitério de tartarugas”, certamente sua descoberta mais importante pela riqueza do material paleontológico, que colocou a região de Presidente Prudente na literatura internacional sobre fósseis. Sítio paleontológico em Presidente Prudente apresenta novas descobertas relacionadas a aves e répteis do Período Cretáceo Sítio paleontológico é cercado por alambrado para preservação e proteção da área em Presidente Prudente Decreto oficializa tombamento de sítio paleontológico em Presidente Prudente e área deve ser isolada em março Seis meses após anúncio, trâmite de tombamento de sítio paleontológico continua na Prefeitura de Presidente Prudente Pesquisadores encontram novos fósseis de aves, crocodilo e peixes em sítio paleontológico em Presidente Prudente Pesquisadores estrangeiros visitam escavações no sítio paleontológico de Presidente Prudente nesta semana Trabalhou com pesquisadores e equipes do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, da Unesp, do Museu Zoológico da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Nacional da Patagônia, da Argentina. O trabalho mais significativo foi a descoberta de um jazigo de tartarugas em Pirapozinho (SP), onde identificou uma espécie ainda desconhecida, que descreveu e batizou, a Podocnemis elegans, em 1969. Nesse sítio paleontológico, também existem crocodilos e dinossauros, peixes, crustáceos (ostracódeos) e ainda restos de vegetais (carófitas). Outros trabalhos que merecem destaque foram o encontro de fósseis de dinossauros e de preguiças gigantes, em Álvares Machado (SP), com o pesquisador Fausto Luiz Souza Cunha; a descoberta de uma espécie desconhecida de crocodilo – Stratiotosuchus maxhechti –, descrita e batizada por Diógenes de Almeida Campos, José Martin Suarez, Douglas Riff e Alexandre Kellner, em 2001, em Irapuru; e os ostracódeos, que são microfósseis, achados em Presidente Prudente e que resultaram em publicação sobre o tema. Sítio paleontológico de Presidente Prudente fica no Parque dos Girassóis Willian Roberto Nava/Arquivo Pessoal Em 2011, foi homenageado pela equipe do Museu Nacional do Rio de Janeiro (RJ) e seu nome foi dado a uma nova espécie de crocodilo (Pepesuchus deisae), que viveu há cerca de 70 milhões de anos e cujo fóssil tinha sido encontrado por ele. Pepe foi professor da Unesp, em Presidente Prudente, durante 41 anos, dos quais oito como voluntário, depois que se aposentou. Foi responsável pelas disciplinas de geologia, para o curso de geografia, e geologia ambiental, na pós-graduação em geografia. Em 1983, passou a fazer parte de uma equipe de pesquisadores, coordenada pela professora Ruth Kunzli e que trabalhava com material arqueológico de grupos indígenas que habitaram a região. Colaborava com a análise e a descrição geológica dos sítios arqueológicos. Como aprendeu a identificar os artefatos indígenas feitos, por exemplo, de pedra lascada e de cerâmica, quando estava fazendo seus trabalhos de campo de geologia e de paleontologia e identificava algum material, já avisava a equipe. Com isso, participou de vários trabalhos de arqueologia também. Publicou vários trabalhos em revistas nacionais e no exterior e seus achados em paleontologia deram origem a muitos outros, tanto de autores brasileiros como de estrangeiros. Pepe faleceu no dia 16 de maio de 2007, devido a complicações cardiovasculares, deixando a esposa Antonia, cinco filhos e seis netos. Sítio paleontológico de Presidente Prudente fica no Parque dos Girassóis Stephanie Fonseca/G1 Veja mais notícias em G1 Presidente Prudente e Região. Veja Mais

Dor no ciático durante a quarentena? Veja 8 exercícios de alívio para fazer em casa

Glogo - Ciência BBC consultou especialistas para ver como fortalecer as costas e aliviar dores no nervo ciático, que podem se tornar mais comuns com mais gente trabalhando de casa. Imagem mostra região lombar Scx.hu A pandemia obrigou muita gente a trabalhar em casa, sem os cuidados ergonômicos ideais e com menos acesso a atividade física. Entre os problemas que podem vir à tona está a dor no nervo ciático, que pode ser sentida desde a parte baixa das costas e até estender-se pelas nádegas, a parte atrás dos músculos, os joelhos e os pés — já que o nervo se ramifica desde a região lombar até essas extremidades. Algumas das causas possíveis dessa dor são a presença de uma hérnia discal, de tumores na coluna, de estenose (estreitamento da coluna) ou a síndrome do piriforme (problema muscular que comprime o nervo). ''O tipo de dor pode nos dar informações sobre a sua origem", afirma à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC) o médico Delmas Bolin, professor de Medicina Esportiva e Familiar da Faculdade Edward Via de Medicina Osteopática, nos EUA. Mas "passar muito tempo sentado, especialmente em posição estática, exerce mais pressão sobre a região lombar e, especificamente, sobre os discos lombares. Uma pressão maior sobre os discos pode, com o tempo, fazer com que estes fiquem salientes ou provoquem uma hérnia, que pode pressionar o nervo ciático", explica à reportagem Kenneth Mautner, professor de Medicina Física da Universidade de Emory (EUA). Mautner destaca que "manter um tronco forte é a melhor forma de prevenir problemas no ciático", mas, caso a dor já exista, há exercícios que podem aliviá-la. A seguir, apresentamos alguns deles. Mas, antes, uma advertência: a primeira coisa a fazer no caso da dor é consultar um especialista, que vai identificar a causa e sugerir o tratamento adequado. 1 - Alongamento em uma cadeira É um dos exercícios recomendados por Bolin e pelo Hospital Ortholndy para aliviar a síndrome do piriforme. Sente-se em uma cadeira e coloque um tornozelo sobre o joelho da outra perna. Mantendo a coluna ereta, use os braços para gentilmente puxar o joelho ao peito, em direção ao ombro oposto. Tente não curvar as costas ou para um dos lados do corpo durante o exercício. Mantenha a posição por 15 segundos e repita cinco vezes de cada lado. 2 - Alongamento deitado de costas Deite-se de costas, com as pernas dobradas e os pés no chão. Coloque seu tornozelo sobre o joelho da perna oposta. Gentilmente use o joelho para trazer o tornozelo próximo ao tronco, com a ajuda das mãos. Mantenha a postura por 15 segundos e repita-a cinco vezes por dia, de cada lado. 3 - Joelho perto do peito Este exercício é "bom para a saúde em geral da coluna e pode ajudar com a dor ciática", afirma David Schwartz, cirurgião de coluna do Hospital OrthoIndy. Mas ele adverte que o exercício pode acabar piorando a dor se a causa desta for uma hérnia de disco. A orientação do NHS (serviço de saúde pública britânico) para o exercício é de deitar de costas, com a cabeça apoiada em uma almofada fina, dobrar os joelhos e apoiar os pés no chão, na altura do quadril. Usando as duas mãos, traga os joelhos para perto do peito, mantendo a posição por 20 ou 30 segundos. Você pode repeti-lo três vezes com cada joelho, ou com ambos juntos. E, em vez de manter o joelho parado perto do peito, pode também ficar indo e voltando com o joelho. Essa variação do exercício pode ajudar a aliviar a dor causada pela estenose, diz a fisioterapeuta Sammy Margo em um guia de exercícios para o ciático feito pelo NHS. 4 - Mexer os joelhos juntos, de um lado para o outro Deite-se de costas, com os joelhos dobrados e os pés no chão. Mova os joelhos para um lado rumo ao chão, e depois para o outro. Esse exercício serve para "mover a parte baixa das costas, de onde sai o ciático", diz Margo no guia do NSH, e ajuda a aliviar a dor causada por síndrome do piriforme, estenose e problemas degenerativos dos discos. 5 - Ponte Deite-se de costas, com as pernas dobradas e os pés apoiados no chão. Eleve os quadris, até formar uma "ponte" com o tronco. Faça três séries de 10 repetições cada. O Hospital OrthoIndy diz que isso pode aliviar inflamações no piriforme. Além disso, diz Schwartz, isso ajuda a fortalecer o tronco, prevenindo dores futuras. 6 - Alongamento dos isquiotibiais Os isquiotibiais são um grupo de músculos da região posterior da coxa. Para alongá-los, fique de pé e apoie um dos pés um em uma superfície estável, mantendo a perna esticada. Incline o tronco em direção à perna, mas sem arquear as costas. Mantenha a postura por 20 a 30 segundos, sugere o NHS, e repita-a duas ou três vezes em cada perna. "Os exercícios que alongam os isquiotibiais (...) reduzem o risco de exacerbações do ciático", afirma Jeffrey N. Katz, professor de Medicina e Cirurgia da Escola de Medicina de Harvard, à BBC News Mundo. Mas Schwartz adverte também que, em algumas pessoas, a atividade pode irritar o ciático. 7 - Alongamento das costas De barriga para baixo, apoie os antebraços com as palmas das mãos sobre o chão e arqueie suas costas para trás. Os cotovelos devem ficar na altura das costelas, "colados" a elas, e o pescoço deve ficar reto. O NHS recomenda manter a posição por 5 ou 10 segundos, repetindo-a de oito a dez vezes. 8 - A pose gato-vaca A pose de ioga gato-vaca é um dos exercícios que ajudam a aliviar a dor ou o estresse nas costas baixas ou no ciático, além de fortalecer a coluna, diz o Hospital OrthoIndy. Fique de quatro no chão, apoiando mãos e pés. Primeiro, arqueie a coluna para cima, com a cabeça inclinada para baixo. Em seguida, arqueie a coluna para baixo, com a cabeça para cima. Fique alternando os dois movimentos. Veja Mais

Queimadas no Pantanal e falta de vento e chuva fazem camada de poluição sobre São Paulo dobrar, detecta Ipen

Glogo - Ciência Altura da camada de poluição nesta época do ano costuma ser de 1.500 metros, mas com a combinação das condições atuais, ela alcançou 2.800 metros. Fenômeno foi registrado com medição a laser. Imagem de satélite mostra fumaça estendendo-se do Centro-Oeste do Brasil até o Sudeste. Fumaça de queimadas contribuiu para elevar a camada de poluição sobre São Paulo, de acordo com cientistas do Ipen Ipen A cidade de São Paulo passa por dias de poluição acima da média, de acordo com o monitoramento com laser feito pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen). A camada de poluição sobre a metrópole nessa época do ano costuma se estender até uma altitude de 1.500 metros. No último domingo e nesta segunda-feira (14), no entanto, ela alcançou quase o dobro: 2.800 metros. A piora acontece por um conjunto de condições desfavoráveis: falta de vento e chuva, que poderiam ajudar a levar os poluentes embora, e queimadas em outras regiões do país. Ventos do Centro-Oeste Foto aérea mostra a fumaça das queimadas ao redor do rio Cuiabá, em Poconé (MT), no Pantanal Amanda Perobelli/Reuters Quando há aproximação de uma frente fria, forma-se uma espécie de "canaleta de vento" que traz ar das regiões Oeste e Centro-Oeste do continente para a cidade. Isso é uma característica natural, mas com as mudanças climáticas, tornou-se mais evidente. Como há poluição vinda das queimadas no Pantanal, isso veio para o Sudeste, explica Eduardo Landulfo, pesquisador do Centro de Lasers e Aplicações do Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares). A poluição que fica em camadas mais altas geralmente é de queimadas. É comum que esse material seja levado de São Paulo pela brisa do mar ou pela chuva. Isso não aconteceu nos últimos dias, segundo ele. "A poluição está se acumulando. Há um ciclo diário de trocas de calor com o terreno, com a vegetação, com a umidade, mas os níveis de poluição se sedimentaram, um ficou em cima do outro." Em algumas regiões da cidade também há concentração de ozônio, mas o principal poluente é material particulado --são elementos como poeira, areia e cinzas. Uma das provas de que a poluição que está estacionada na capital paulista vem de outras regiões do país é que há camadas distintas em textura -- Landulfo usa a palavra "desacopladas" para descrever isso. Espera-se que a altitude deste transporte esteja acima da cidade e misture-se pouco com a atmosfera local, mas os dados parecem indicar que o material chegou em níveis mais baixos e se adicionou à poluição local, ou seja, virou mais uma camada. Esse resultado preocupa e deve ser melhor estudado, diz ele. A alta coluna de poluição já é ruim, mas ela implica em outro problema: os raios do sol enfrentam dificuldade para penetrar nas camadas mais próximas do solo, o que causa um efeito de inversão térmica. Isso significa que a atmosfera perto do chão está quente, mas acima dela o calor é ainda mais intenso, então a poluição das camadas mais baixas fica retida embaixo, sem se dispersar. Veja vídeos das queimadas no Pantanal A grande maioria das estações de monitoramento da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) indica condições de moderadas a ruim. O laboratório do Ipen que identificou esses fenômenos tem apoio federal do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, além da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de S. Paulo (Fapesp). A equipe inclui o próprio Landulfo, Alexandre Cacheffo, Alexandre Yoshida, Gregori Moreira, Fábio Lopes, Fernando Morais, Jonathan Silva e estudantes de mestrado e doutorado. Veja Mais

Por que a existência de 1 nonilhão de vírus na Terra é uma boa notícia

Glogo - Ciência Pandemia de Covid-19 não ajudou muito a reputação desses seres, mas várias espécies foram ou são essenciais para o surgimento e manutenção da vida no planeta. Os vírus não são parentes da grande família que surgiu há 4 bilhões de anos, das quais os humanos são parte Getty Images via BBC Estima-se que haja mais vírus na Terra do que estrelas em todo o universo. A informação pode soar assustadora em meio a uma pandemia viral, e muitos cientistas de fato preveem novas pandemias, potencialmente tão ou mais destrutivas que a da Covid-19 em um futuro não muito distante. Mas a ciência também faz uma ressalva: as pesquisas com os vírus conhecidos até o momento apontam que menos de 10% deles fazem mal aos humanos. A grande maioria, na verdade, não causa problemas de saúde e várias espécies foram e são essenciais para o surgimento e manutenção da vida no planeta. Algumas, inclusive, nos protegem de doenças bacterianas. Células do vírus HIV (viriões), em imagem microscópica produzida em 2011 Maureen Metcalfe, Tom Hodge/CDC/AP Os números por trás das comparações são grandiosos: a estimativa é de que existam no planeta um nonilhão (o algarismo 1 seguido de 30 zeros) de vírus individuais (como há 7 bilhões de humanos), pertencentes a 6,5 mil espécies já catalogadas e a centenas de milhares de outras que sequer são conhecidas até o momento, explica à BBC News Brasil o biólogo e virologista Rodrigo Araújo Rodrigues, da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Esse número pode ser mais alto do que o de estrelas no universo observável, que, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) é de 10 setilhões de estrelas (1 seguido de 22 zeros). Segundo a pesquisadora Ana Cláudia Franco, do Laboratório de Virologia do Instituto de Ciências Básicas da Saúde (ICBS) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a vasta maioria dos vírus que existem no planeta infecta outros seres vivos que não os humanos. "Mesmo entre aqueles que se replicam em seres humanos, a maior parte não causa doença grave", destaca. O vírus da zika (pontos pretos) em tecido humano, visto por microscópio Cynthia Goldsmith/CDC Além disso, de acordo com ela, é importante deixar claro que, do ponto de vista evolutivo, não é interessante para o vírus ser muito agressivo ou letal para seu hospedeiro, pois, à medida em que causa a sua morte, também não consegue mais se replicar e tem que "encontrar" um novo hospedeiro antes que seja inativado no meio ambiente (por ação de desinfetantes, luz UV, calor e outros meios). Rodrigues, da UFOP, estima que menos de 10% dos vírus conhecidos sejam capazes de infectar e causar algum tipo de doença no ser humano. "Alguns podem nos ser prejudiciais de forma indireta, no entanto, ao afetarem animais e plantas de interesse comercial, levando à queda na produção de alimentos", ressalva. Mas esses também não são a maioria. "A maior parte dos vírus no planeta são parasitas de bactérias e, nesse sentido, trazem um benefício enorme para nós", diz. "Eles são responsáveis por controlar a população bacteriana e impedir que o planeta seja consumido por elas. Logo, não apenas os seres humanos, mas todos os seres vivos dependem muito deles para a própria sobrevivência." O pesquisador Fabrício Campos, da área de Engenharia de Bioprocessos da Universidade Federal de Tocantins (UFT), tem uma estimativa mais conservadora sobre o número de espécies de vírus que podem causar doenças: "É menos de 1%". "Há uma tendência de estudarmos e dedicarmos uma maior quantidade de recursos para aqueles que causam prejuízos econômicos para a produção de alimentos ou que colocam em risco a nossa saúde." Assim, prossegue ele, é muito fácil fazer uma lista de vírus que causam doenças, desde um rinovírus que causa um resfriado — podemos ter cerca de 50 resfriados por rinovírus ao longo da vida — até o vírus ebola, considerado um dos mais letais. "Mas, somente no nosso genoma (que possui 3,2 bilhões de pares de bases) nós temos 8,3% de genes virais (cerca de 265 milhões de pares de bases) como resultado de infecções ocorridas há milhares de anos e que foram transmitidas a nós por nossos ancestrais", explica. 'Somos um pouquinho de vírus' Reprodução em 3D do modelo do novo coronavírus (Sars-CoV-2) criada pela Visual Science. Dentro do verde mais claro, as bolinhas vermelhas representam o 'centro' do vírus, o genoma de RNA; as bolinhas verdes são proteínas 'especiais', que protegem esse material genético. Ao redor do verde, o vermelho mais fraco é a 'casca', feita de uma membrana retirada da célula hospedeira. O vermelho mais vivo são as proteínas 'matrizes' codificadas pelo vírus. As 'pontas' que saem do vírus são as 'lanças de proteínas', que o vírus usa para se conectar às células hospedeiras e infectá-las. Reprodução/Visual Science Esses vírus são chamados de retrovírus endógenos e fazem parte do DNA humano. "É bem possível que esse percentual expressivo de genomas virais e sua forma de inserção aleatória tenha nos moldados para a forma ou aparência do que somos hoje", diz Campos. "Então, podemos afirmar que todos nós somos um 'pouquinho de vírus'. Se temos 30 trilhões de células no nosso organismo e mais 100 trilhões de bactérias, e todas essas células e bactérias podem potencialmente estar infectadas por vírus, nós somos na verdade um 'montão' ambulante deles." As diferentes espécies delas no organismo, acrescenta Campos, estão competindo por espaço e alimento a todo momento. "Toda vez que determinada população de bactérias se multiplica em excesso, os vírus entram em ação para controlar este crescimento excessivo delas, impedindo infecções e mantendo a nossa saúde", explica. "Se não fossem os vírus, é muito provável que todos nós tivéssemos diarreias constantes." Apesar de sua importância para a vida no planeta — para o bem ou para o mal — ainda há uma grande discussão na comunidade científica se os vírus são ou não seres vivos. Alguns vírus cometem muitos erros ao replicar seu genoma e isso complica nossa reação a eles porque se transformam GETTY IMAGES "Do ponto de vista biológico, podemos considerar duas situações: quando ele está fora do seu hospedeiro não é um ser vivo, pois não se reproduz e não evolui", explica Rodrigues. "Mas, uma vez dentro, ele seria vivo, pois se reproduz e evolui naturalmente. Independentemente de (serem considerados) ser vivo ou não, eles exercem um impacto muito profundo no nosso planeta e na nossa vida em geral." Vírus no combate a bactérias Isso vem de longe, beneficiando a vida na Terra. Segundo Campos, os vírus, de uma maneira geral, são essenciais para a vida, desde a sua função no ciclo do carbono até os benefícios que trazem para os seres humanos. Eles infectam e destroem bactérias em comunidades microbianas aquáticas e são um dos mecanismos mais importantes de reciclagem do carbono e de nutrientes em ambientes marinhos. Além disso, esses organismos limitam a proliferação de algas nos oceanos — a biomassa marinha é composta por 70% de micro-organismos. "Os vírus infectam e matam diariamente 20% dessa biomassa, reciclando as macromoléculas e fornecendo alimento para a base da cadeia alimentar marinha, ou seja, os fitoplâncton.", conta Campos. "São também os principais agentes responsáveis pela contenção de algas nocivas, mantendo em equilíbrio essas populações." "O surgimento dos mamíferos placentários (com placenta) e, por consequência, dos seres humanos, está diretamente relacionado com os vírus", diz Rodrigues. "No passado, foram os chamados retrovírus endógenos que infectaram os ancestrais dos mamíferos e providenciaram os genes necessários para que a placenta pudesse ser desenvolvida e, por fim, o total desenvolvimento dos embriões dentro dela. Além disso, os vírus vêm moldando a evolução do ser humano desde o seu surgimento, atuando como importante fator de pressão evolutiva. Precisamos estar sempre nos adaptando para não perecermos diante deles, o que chamamos tecnicamente de uma coevolução." Pesquisadores estudam a memória imunológica contra o vírus da Covid-19 Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 12 de setembro, segundo consórcio de veículos de imprensa (atualização das 8h)

Glogo - Ciência País tem 130.508 óbitos registrados e 4.285.277 diagnósticos de Covid-19. Brasil tem 130.508 mortes por Covid-19, segundo consórcio de veículos O Brasil tem 130.508 mortes por coronavírus confirmadas até as 8h deste sábado (12), segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Desde o balanço das 20h de sexta-feira (11), três estados atualizaram seus dados: GO, PI e RR. Veja os números consolidados: 130.508 mortes confirmadas 4.285.277 casos confirmados Na sexta-feira (11), às 20h, o balanço indicou: 130.474 mortes, sendo 899 nas últimas 24 horas. Com isso, a média móvel de novas mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 699 óbitos, uma variação de -21% em relação aos dados registrados em 14 dias. O Brasil completou 1 mês com a média móvel de mortes abaixo do patamar de 1 mil. Em casos confirmados, já são 4.283.978 brasileiros com o novo coronavírus desde o começo da pandemia, 44.215 desses confirmados no último dia. A média móvel de casos foi de 28.180 por dia, uma variação de -25% em relação aos casos registrados em 14 dias. Entenda os critérios. MÉDIA MÓVEL: veja como estão os casos e mortes no seu estado PANDEMIA NAS CIDADES: consulte casos e mortes em cada município do Brasil No total, 4 estados apresentaram alta de mortes: AC, PA, RR e CE. O estado do Piauí não publicou atualizações até as 20h. Em relação a quinta (10), PA, RR e CE estavam em estabilidade e passaram a tendência de alta. ES, GO e RO estavam em queda e, hoje, aparecem em estabilidade. MS aparecia em estabilidade e, hoje, passou a queda. Brasil, 11 de setembro Total de mortes: 130.474 Registro de mortes em 24 horas: 899 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 699 por dia (variação em 14 dias: -21%) Total de casos confirmados: 4.283.978 Registro de casos confirmados em 24 horas: 44.215 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 28.180 por dia (variação em 14 dias: -25%) (Antes do balanço das 20h, o consórcio divulgou dois boletins parciais, às 8h, com 129.667 mortes e 4.241.797 casos; e às 13h, com 129.865 mortes e 4.251.455 casos confirmados.) Estados Subindo (4 estados): AC, PA, RR e CE. Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (9 estados): PR, RS, ES, DF, GO, MT, RO, MA e PE. Em queda (13 estados): SC, MG, RJ, SP, MS, AM, AP, TO, AL, BA, PB, RN e SE. O estado do PI não divulgou os dados até as 20h. Considerando os dados até 20h da véspera, estava em queda Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Estados com tendência de alta no número de mortes por Covid-19 Arte G1 Estados com tendência de estabilidade no número de mortes por Covid-19 Arte G1 Estados com tendência de queda no número de mortes por Covid-19 Arte G1 Sul PR: +2% RS: +2% SC: -37% Sudeste ES: -15% MG: -24% RJ: -44% SP: -20% Centro-Oeste DF: -4% GO: -9% MS: -19% MT: -14% Norte AC: +30% AM: -36% AP: -76% PA: +16% RO: -8% RR: +38% TO: -36% Nordeste AL: -20% BA: -41% CE: +54% MA: -14% PB: -35% PE: -6% O estado do PI não divulgou os dados até as 20h. Considerando os dados até 20h de quinta (10), estava em queda (-23%) RN: -65% SE: -24% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste o Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Initial plugin text Veja Mais

Brasileiros estudam drogas psicodélicas para tratar depressão e dependência química

Glogo - Ciência Cientistas estão na vanguarda de estudos sobre potenciais de drogas como LSD, ayahuasca, psilocibina, ibogaína e MDMA para patologias que têm se mostrado difíceis de tratar. Drogas psicodélicas são estudadas para tratamento de depressão e de dependência química Getty Images/ BBC "Sou hoje (semanas depois da primeira experiência) um homem mais desamarrado, sobretudo bem mais livre de mim mesmo [...] Livrei-me de algumas túnicas da minha fantasia, quase todas depressivas. Despertei certa manhã de domingo, muito mais curioso do universo e muito menos angustiado pela catástrofe humana. Existir ficou um pouco menos difícil." O trecho acima é parte de uma série de crônicas em que o escritor Paulo Mendes Campos (1922-1991), um dos mais importantes nomes da literatura brasileira, relatou suas experiências com o LSD (dietilamida do ácido lisérgico), uma substância psicodélica hoje proibida. Em 1962, quando participou dos testes, a droga estava sendo explorada e pesquisada pela ciência e pela medicina. Poucos anos depois, o LSD e outras substâncias psicotrópicas foram proibidas e criminalizadas praticamente no mundo todo, interrompendo os estudos científicos sobre o potencial dessas drogas. Nos últimos anos, no entanto, as pesquisas com as drogas psicotrópicas, também chamadas simplesmente de "psicodélicos", renasceram como uma possibilidade de tratamento eficaz para patologias que têm se mostrado difíceis de tratar: depressão, ansiedade, dependência química, transtorno de estresse pós-traumático, entre outras. E, mais uma vez, cientistas brasileiros estão na vanguarda dos estudos nessa área. Médicos, psiquiatras, neurocientistas, psicólogos e terapeutas do país estão pesquisando os efeitos positivos de substâncias sintéticas, como LSD e MDMA, mas também algumas que têm origem na natureza, como ibogaína, psilocibina e ayahuasca. Nas últimas semanas, a BBC New Brasil conversou com alguns deles para entender o que vem sendo estudado, qual o potencial dos psicodélicos e como eles podem ser usados por pacientes e médicos brasileiros. MDMA e estresse pós-traumático Um dos pesquisadores é o neurocientista Eduardo Schenberg, diretor do Instituto Phaneros. Neste ano, ele publicou um estudo sobre uso psiquiátrico de MDMA (metilenodioximetanfetamina), em parceria com uma entidade americana que também pesquisa essas drogas. No mercado ilegal de drogas, o MDMA já teve dezenas de apelidos, como ecstasy e molly, e é usado principalmente por jovens em festas e baladas — também é conhecido como "a droga do amor", por sua capacidade de gerar empatia. Neurocientista Eduardo Schenberg fez um estudo clínico com MDMA Divulgação/BBC No tráfico, as substâncias são produzidas sem controle de qualidade: já foram apreendidas centenas de tipos diferentes de ecstasy, grande parte deles sem nenhuma molécula de MDMA. Já o composto puro, sem acréscimo de elementos que podem fazer mal à saúde, é considerado seguro e não causa grandes efeitos colaterais — no máximo, dor de cabeça e no maxilar, náusea, inquietude e uma angústia temporária. No ensaio, Schenberg utilizou a droga em três pacientes diagnosticados com transtorno de estresse pós-traumático (Tept), cujo gatilho, em geral, são experiências de violência extrema, como abuso sexual, tiroteios, sequestros, morte repentina na família e, hoje, até a Covid-19. "O transtorno causa um medo paralisante: a pessoa tem pesadelos recorrentes, ataques de pânico, palpitações, desespero, raiva. Para lidar com isso, ela reprime as emoções, pois não consegue falar sobre o trauma. Algumas vivem num estado de anestesiamento, sem propósito. Esse transtorno tem uma taxa alta de suicídios", diz o neurocientista. Os três pacientes passaram por uma terapia assistida por drogas psicodélicas de quatro meses. Foram 15 consultas de 90 minutos cada uma, sob supervisão de dois terapeutas, mas em apenas três delas houve uso de MDMA, com quantidade escalonada. Nessas consultas, o paciente ouve música e é estimulado a ficar introspectivo, em contato com seus sentimentos e memórias. Mas ele também pode dialogar com os terapeutas sobre o que está sentindo. Dois dos participantes ficaram curados do transtorno, segundo o pesquisador. O terceiro melhorou muito, mas ainda precisa continuar se tratando. "Os resultados no Brasil foram espetaculares, muito parecidos com o que vem sendo observado no exterior. As estatísticas mostram que dois terços dos pacientes saem do tratamento curados", diz. Nesse contexto, o MDMA surge como uma possibilidade efetiva de melhorar o transtorno. Hoje, a medicação tradicional consegue tratar apenas sintomas secundários, como ansiedade, depressão e insônia. Já a terapia com MDMA propõe justamente o contrário: ela busca curar o trauma em si. Mas como ela pode fazer isso? "O MDMA não causa visões alucinatórias, como outros psicodélicos. Muita gente nem o considera parte dessa classe. Ele funciona como uma espécie de turbo neuroquímico, induzindo a produção de serotonina e dopamina, noradrenalina. No cérebro, ele estimula os neurônios a liberar mais neurotransmissores", explica Schenberg. "Basicamente, ele acelera o raciocínio e intensifica as emoções. Quem usa consegue enxergar com muita clareza seus problemas afetivos e suas próprias emoções. A droga tem o poder de reduzir o medo que o paciente de Tept sente o tempo todo, aumentando a capacidade de uma análise profunda do trauma e de outros problemas pessoais", diz. Recentemente, os ótimos resultados de pesquisas realizadas nos Estados Unidos fizeram a FDA (autoridade americana de saúde e medicamentos) a permitir uma expansão das pesquisas de tratamentos com ecstasy para transtorno de estresse pós-traumático. Ayahuasca para depressão Ayahuasca, utilizada em rituais indígenas, tem sido estudada para dependência química e depressão Getty Images/BBC Outro psicodélico em estudo no Brasil é a famosa ayahuasca, um chá produzido com várias plantas originárias da Amazônia e historicamente utilizada em rituais indígenas. No país, a substância também é conhecida por ser o elemento sacramental de algumas religiões, como o Santo Daime e a União do Vegetal — e por causa do uso religioso, ela é não é proibida. A ayahuasca é rica em DMT (dimetiltriptamina), um poderoso psicoativo. Estudos em universidades brasileiras têm apontado efeitos positivos da substância em tratamentos de depressão crônica e dependência química. Segundo Dráulio Barros de Araújo, professor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, um dos focos de pesquisa tenta compreender os efeitos da ayahuasca no corpo, como as imagens psicodélicas são representadas no cérebro e quais são as bases neurais da introspecção e da autoanálise de emoções, processo relatado pelos usuários durante o efeito da substância. Outro caminho é mais terapêutico. "Estamos avaliando os efeitos antidepressivos da ayahuasca fora do contexto religioso. Nosso grupo é o único no mundo a fazer ensaios clínicos com ayahuasca dentro do hospital com pacientes com depressão resistente ao tratamento", diz Araújo, que comanda uma das equipes pioneiras nos estudos do composto. Mas de onde vem esse efeito antidepressivo? Pesquisadores brasileiros avaliaram o sistema imunológico de dois grupos de pacientes com depressão. Uma das turmas tomou ayahuasca, e outra ingeriu um placebo que simulava apenas os efeitos colaterais da droga, como vômitos. "Hoje, já se sabe que pacientes com depressão apresentam um aumento de marcadores de inflamação, como a proteína C-reativa. Inclusive, há teorias que falam que a depressão é uma doença do sistema imunológico. Depois da sessão, percebemos que os pacientes que beberam ayahuasca diminuíram a concentração da proteína C-reativa, o que não aconteceu com quem recebeu o placebo", explica Araújo. Mas há outro ponto importante. Pessoas com depressão normalmente apresentam alteração de uma proteína chamada "fator neurotrófico derivado do cérebro" (BDNF, na sigla em inglês). Esse marcador químico está conectado à neuroplasticidade, ou seja, à capacidade do sistema neural de promover novas sinapses. "Vimos que pacientes que apresentavam alteração do BDNF tiveram uma melhora para níveis normais depois de tomarem ayahuasca. Além disso, trabalhos de bioquímica molecular no Brasil apontaram que os componentes da ayahuasca podem aumentar os processos de neuroplasticidade, que em pacientes com depressão tendem a se reduzir", explica Araújo. Segundo ele, o psicodélico também tem outros resultados mais sutis, como uma tendência de afastar pensamentos repetitivos. "Uma característica comum da depressão são os pensamentos negativos e ruminativos, ou seja, a pessoa sempre volta para eles sem conseguir sair. Aparentemente, a ayahuasca promove uma mudança desse padrão", diz. Araújo, entretanto, não enxerga um futuro uso hospitalar da substância, principalmente por causa de seus efeitos colaterais, como náuseas e vômitos. "Acredito mais em um uso clínico da psilocibina, outro psicodélico que tem demonstrado potencial para tratamento de depressão grave", diz. Psilocibina e dependência química Psilocibina é um composto presente em cogumelos alucinógenos Getty Images/BBC A psilocibina, substância alucinógena presente em alguns cogumelos, é outro psicodélico em estudo, principalmente nos Estados Unidos. No Brasil, há pesquisas sobre possíveis tratamentos contra depressão e dependência de drogas, como álcool, cigarro e crack. Um dos estudiosos à frente desse campo é Renato Filev, pesquisador do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que também já trabalhou com cannabis e ayahuasca. Ele explica que, como acontece com outros psicodélicos, a terapia com psilocibina tem potencial de mudar comportamentos repetitivos e problemáticos. "No exterior já há diversos estudos apontando a eficácia de psilocibina nesse tratamento, mas queremos testá-la no Brasil, pois o vício também é um fenômeno social e local", explica Filev, que está em processo de importação do composto para iniciar sua pesquisa. Segundo ele, os psicodélicos atuam numa região do córtex relacionada a uma série de sincronizações do ritmo cerebral. Quando o composto "bate" no cérebro, ele dessincroniza esse ritmo, fazendo-o atuar em modo extraordinário. "Essas mudanças criam condições para uma análise profunda do eu e do sentido de individualidade. Essa experiência muda a forma como o paciente enxerga sua personalidade, seus comportamentos e suas emoções. Quando você está sob esse efeito, acaba aceitando uma segunda opinião sobre você mesmo, algo que não aceitava antes", afirma. Nesse sentido, as experiências têm mostrado que, em muitos casos, pessoas que eram dependentes de drogas acabaram perdendo a vontade de usá-las novamente depois de sessões terapêuticas com psilocibina. Mas Filev pondera: "Não é um milagre. Essa interrupção do uso problemático pode ocorrer, mas também pode não acontecer. Por isso as pesquisas científicas são tão importantes. Precisamos responder: 'por que isso funciona com alguns e com outros não?'" Ibogaína e abuso de drogas No campo do tratamento de dependência, algumas clínicas no Brasil já utilizam legalmente uma substância psicodélica, a ibogaína. Princípio ativo da raiz africana iboga, a substância não é proibida no país, ao contrário do MDMA, psilocibina e LSD — que só podem ser utilizados pela ciência. Mas seu uso também não está regulamentado. Esse limbo jurídico permite que a ibogaína seja manipulada no tratamento de dependência de outras drogas. Anúncios de clínicas na internet prometem curar o vício do paciente (em álcool ou drogas) com apenas uma sessão de psicoterapia com a substância, procedimento que chega a custar R$ 8 mil. Um trabalho da Unifesp, comandado pelo cientista Dartiu Xavier da Silveira, analisou o tratamento com ibogaína em 75 pacientes com dependência química. Um ano depois, 72% deles tinham parado de usar drogas. Assim como outros psicodélicos, não se sabe exatamente como a ibogaína age no cérebro. Mas experimentos já mostraram que ela promove a produção de um hormônio chamado GDNF, que por sua vez estimula um equilíbrio de neurotransmissores. Os efeitos visuais, bastante intensos e mais fortes que os do LSD, são semelhantes aos de um sonho e por isso são chamados de "onirofrênicos" — e duram de 12 a 15 horas. "As pessoas normalmente têm muitas visões, lembranças, como se estivessem sonhando acordadas. E quanto maior o efeito psicodélico e místico, maior também será o efeito terapêutico", explica o psicólogo e pesquisador Bruno Ramos Gomes, que trabalha com pacientes de ibogaína em seu doutorado na Universidade de Campinas (Unicamp). Ele explica que psicodélicos causam um efeito chamado de afterglow, uma sensação de bem-estar que persiste mesmo após as experiências visuais e físicas já terem passado. "Em algumas substâncias, como o LSD, o afterglow dura poucos dias. No caso da ibogaína, ele pode ser sentido por meses. Alguns pacientes contam que nunca mais foram os mesmos depois da sessão, e que não sentem mais aquela fissura pela droga que eram dependentes", diz Gomes. Por outro lado, há relatos de que a ingestão de altas doses de ibogaína tenha causado mortes no exterior, embora o procedimento adequado e controlado por profissionais de saúde não apresente riscos à vida, segundo cientistas. No Brasil, há informação de que um paciente morreu em 2016 depois de beber a substância — ele teria sofrido um ataque cardíaco em uma clínica na cidade de Paulínia, interior de São Paulo. Para psiquiatra Luís Fernando Tófoli, a grande indústria farmacêutica não demonstra interesse na venda de psicodélicos por que estes 'não dão muito retorno financeiro' Divulgação/BBC Recentemente, o uso de ibogaína tem desagradado comunidades terapêuticas ligadas a igrejas. Essas instituições oferecem tratamentos baseados principalmente em abstinência do consumo de entorpecentes, espiritualidade e isolamento. Muitas delas são financiadas pelo poder público, mantendo pacientes internados por meses e até anos. Em agosto, após reclamação de instituições religiosas, a Secretaria Nacional de Cuidados e Prevenção às Drogas (Senapred) publicou uma nota técnica alertando para riscos do uso de ibogaína, como "alteração da consciência, morte súbita e problemas cardiovasculares". Segundo a pasta do governo Jair Bolsonaro, "não há evidências científicas robustas" que comprovem a eficácia do tratamento. Para Bruno Ramos Gomes, da Unicamp, embora estudos com a droga ainda estejam em andamento, a controvérsia opõe duas visões distintas sobre cuidados com a dependência química. "Enquanto clínicas de ibogaína falam em cura, as comunidades terapêuticas dizem que não existe cura, e que o tratamento deve ser constante", explica. Qual o futuro dos psicodélicos no Brasil? Enquanto as pesquisas avançam, já é possível vislumbrar possíveis usos medicinais para as drogas psicodélicas no Brasil. Cientistas acreditam que elas podem ser administradas em psicoterapia, dentro de ambientes clínicos e com supervisão de médicos e outros profissionais de saúde — para isso, mais pesquisas terão de feitas para que esses procedimentos sejam aprovados pela Anvisa. "Eles não serão remédios que o médico receita, o paciente compra na farmácia e toma em casa", explica o médico Luís Fernando Tófoli, professor de Psiquiatria da Unicamp, e que já participou de estudos com LSD e ayahuasca. Dráulio Barros de Araújo, do Instituto do Cérebro, concorda. "Esse uso deve acontecer como ocorre com anestésicos potentes: dentro do contexto hospitalar e sob supervisão médica", diz. Já Renato Filev, da Unifesp, acredita que as terapias deveriam ocorrer em ambientes acolhedores. "O indivíduo deve ficar confortável, deitado, em um local que não seja estéril como os hospitais", afirma. Para Tófoli, "eles não dão muito retorno financeiro para as empresas, porque são usados poucas vezes durante um tratamento. Não acho que a grande indústria vá financiar esse setor, mas também não enxergo nenhum movimento para impedi-lo", diz. "Também acredito que esses tratamentos não serão massificados, porque usar psicodélico não é uma coisa fácil nem é indicado para todas as pessoas. E também não é todo mundo que está disposto a passar por essa experiência", explica o psiquiatra. Repressão da ditadura Retrato do químico suíço Albert Hoffman, que descobriu as propriedades alucinógenas do LSD em 1943 Getty Images/BBC A história das pesquisas científicas com psicodélicos no Brasil não começou agora. Os primeiros experimentos são dos anos 1950, e seguiram uma tendência mundial. Os efeitos do ácido lisérgico foram descobertos em 1943 pelo químico suíço Albert Hofmann, que trabalhava na empresa farmacêutica Sandoz. A companhia, interessada nas possíveis utilidades do composto, enviava doses de LSD a praticamente qualquer pesquisador que quisesse se aventurar. "O LSD chegou ao Brasil pela via medicinal. É difícil dizer exatamente quando isso ocorreu, mas há referências a estudos feitos já em 1952", explica o jornalista e historiador Júlio Delmanto, autor do livro História Social do LSD no Brasil (Editora Elefante). A obra relata as primeiras pesquisas com o ácido lisérgico no país, seu uso pioneiro por artistas e por adeptos da contracultura, além do início da repressão policial, a partir da década de 1970. "Os médicos brasileiros leram pesquisas do exterior, se interessaram pela substância e conseguiram lotes da Sandoz para testar aqui. Eles inicialmente usavam em si mesmos e, depois, fizeram experimentos com outras pessoas, principalmente artistas", diz Delmanto. Segundo ele, as primeiras pesquisas com LSD foram feitas por profissionais de diferentes correntes ideológicas. "Na época, não havia esse estigma contra a substância. Ela atraiu médicos ligados à esquerda, mas também pesquisadores de direita, alguns deles ligados à ditadura militar e a instituições manicomiais", diz Delmanto. Mas o LSD e outros psicodélicos foram proibidos no país em meio ao endurecimento da ditadura militar e também ao aumento da repressão às drogas por parte do governo dos Estados Unidos, que associou negativamente o LSD e outros entorpecentes aos movimentos contrários ao presidente Richard Nixon e à guerra do Vietnã. Os alucinógenos foram importantes para a contracultura e para os hippies, que viam neles uma forma de expandir a consciência, a criatividade e o bem-estar. A proibição, além de criminalizar usuários, traficantes e cientistas, interrompeu as pesquisas por mais de 50 anos. Curiosamente, um novo decreto sobre drogas no Brasil foi assinado 13 dias depois da promulgação do AI-5, em dezembro de 1968. A nova lei punia com prisão o uso ou a venda de qualquer substância que causasse "dependência química e psíquica", mas não deixava claro quais drogas se enquadravam neste conceito — ou seja, em tese, beber álcool e fumar cigarro poderia dar prisão na ditadura, embora isso não acontecesse na prática. Essa controvérsia norteou o primeiro processo criminal por tráfico de LSD no Brasil, de 1970, que foi analisado por Júlio Delmanto em seu livro. A defesa dos acusados — um grupo formado por artistas e estudantes — argumentou que a lei não citava o LSD como causador de dependência (e, de fato, não há provas científicas de que isso ocorra). Mesmo assim, o juiz Geraldo Gomes condenou os réus, principalmente com base em preceitos morais. "Na sentença, ele criticou mulheres que frequentavam festas à noite e até um dos rapazes do grupo que 'não morava com os pais'. O juiz estava imbuído de mostrar quais eram os valores morais da sociedade, dando um recado de classe, raça e geração". Anos antes da proibição, em 1962, ninguém era preso por usar LSD. O escritor Paulo Mendes Campos foi um dos primeiros brasileiros a participar de experimentos com a droga. Em uma entrevista posterior ao jornal "O Pasquim", ele relatou como foram suas viagens lisérgicas: "Minha experiência foi esplêndida. [...] um curso de madureza de autoanálise, me conheci muito melhor. Durante uns dois ou três anos eu me senti com uma segurança muito maior, e vi profundidades minhas horrendas que me levaram a me conhecer melhor. Isso alterou muito a minha vida." Veja Mais

Países com instabilidade política e extremismo religioso tendem a confiar menos nas vacinas, aponta estudo global

Glogo - Ciência Pesquisa destacou ainda que a desconfiança com os imunizantes também está presente em países laicos e com democracias estáveis. Manifestantes antimáscaras protestam também contra a obrigação da vacinação, em Roma Vincenzo Pinto/AFP Um estudo publicado nesta quinta-feira (10) na revista científica "The Lancet" mostrou que países que enfrentam instabilidade política e extremismo religioso tendem ter maior desconfiança em relação à segurança, eficácia e importância das vacinas. O estudo destaca o caso da Indonésia como uma das maiores quedas na confiança pública em todo o mundo entre 2015 e 2019: a percepção de segurança caiu 14 pontos percentuais (de 64% para 50%); a importância caiu 15 pontos percentuais (de 75% para 60%), e a eficácia caiu 12 pontos percentuais (de 59% para 47%). Os autores atribuem as quedas na Indonésia às atitudes de líderes muçulmanos que questionaram a segurança de vacinas contra sarampo, caxumba e rubéola, alegando que tais imunizantes continham ingredientes derivados de porcos e, por isso, representavam o pecado. Ao mesmo tempo, curandeiros locais promoviam alternativas à vacinação. Movimento antivacina é criminoso, diz Drauzio Varella Boris Johnson diz que os antivacinas estão 'malucos' Situação no Brasil O Brasil é citado entre os países onde a porcentagem da população que diz acreditar fortemente nos três benefícios das vacinas (importância, segurança e eficácia) fica acima de 50%. Apesar disso, houve queda na confiança dos brasileiros entre 2015 e 2019, com diminuição de 73% para 63% na parcela da população que acredita fortemente que as vacinas são seguras; de 75% para 56% que elas são eficazes; de 92,8% para 88% que elas são importantes. Vale notar que, no último item, a questão para os entrevistados era sobre a importância das vacinas para as crianças. Em entrevista para a BBC News, Clarissa Simas, pesquisadora da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, uma das autoras da publicação, disse que os níveis antes bastante altos de confiança vistos na América Latina podem estar mudando. "Para o Brasil, tivemos dados apenas de 2015 e 2019, então os modelos (matemáticos) ficam muito sensíveis (a variações). Não dá para ter certeza estatística da queda. Mas os resultados sugerem, sim, que há um problema. É um sinal de que precisamos monitorar e coletar mais dados, inclusive qualitativos, sobre a confiança em vacinas no país", diz Clarissa Simas. "A América Latina, e o Brasil inclusive, foi vista por muito tempo como tendo uma blindagem à desconfiança em vacinas. Mas sabemos que a confiança em vacinas é algo muito volátil, e esse perfil vem mudando", explica a pesquisadora, que trabalha no Vaccine Confidence Project ("Projeto Confiança em Vacinas", sigla VCP) na Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres. "Se os responsáveis não prestarem atenção, isso pode se reverter em queda na cobertura vacinal." Oriente Médio A instabilidade política e/ou extremismo religiosos também fez aumentar a desconfiança nos programas de vacinação no Oriente Médio, com destaque para: Azerbaijão: 2% em 2015 discordavam fortemente que vacinas são seguras, aumentando para 17% em 2019 Paquistão: 2% em 2015 discordavam fortemente que vacinas são seguras, aumentando para 4% em 2019 Sérvia: 4% em 2015 discordavam fortemente que vacinas são seguras, aumentando para 7% em 2019 Conduzido por cientistas da Universidade John Hopkins e da Escola de Medicina Tropical de Londres, a pesquisa ouviu mais de 284 mil pessoas com 18 anos ou mais, de 149 países, entre 2015 e 2019. Em cada entrevista, os cientistas perguntavam a opinião dos participantes em relação à segurança, importância e eficácia das vacinas. Por outro lado, o estudo destaca que, entre os países que tiveram a maior proporção de entrevistados que concordam que é importante vacinar as crianças, aparecem Iraque (95% concordam), Libéria (93%) e Senegal (92%). A pesquisa descobriu que os entrevistados do sexo masculino, assim como os menos escolarizados, apresentaram uma menor chance de se vacinarem. Brasil não atinge meta de vacinação em crianças de até um ano União Europeia: realidades distintas Os cientistas também destacam que a desconfiança e a descrença com as vacinas também está presente em países laicos e/ou relativamente estáveis da União Europeia. Na Polônia, por exemplo, houve uma queda na confiança recentemente: enquanto 64% concordavam em novembro de 2018 que as vacinas são seguras, o número caiu para 53% em dezembro de 2019, refletindo o crescente impacto de um movimento anti-vacina local. Declínio da vacinação de rotina em crianças pode ser mais prejudicial do que o coronavírus, alerta OMS 'Vacinas salvam vidas', diz OMS sobre afirmação de Bolsonaro sobre não poder 'obrigar ninguém' a se vacinar Por outro lado, a confiança nos programas de imunização estão aumentando na Finlândia, França, Itália e Reino Unido. Na França, onde a confiança nas vacinas já foi, segundo os pesquisadores, relativamente baixa, houve um aumento na confiança, de 22% em novembro de 2018, para 30% em dezembro de 2019. No Reino Unido, a confiança nas vacinas aumentou de 47% em maio de 2018 para 52% em novembro de 2019 Natália: ‘Movimento antivacina é forte e pode comprometer sucesso da imunização’ Questão de saúde global Os pesquisadores apontam a confiança pública na imunização como uma questão de saúde global cada vez mais importante, uma vez que a desconfiança leva a uma recusa em se vacinar, contribuindo para surtos de doenças que até pouco tempo já haviam sido controladas, como o sarampo, a poliomielite e a meningite. Com a esperança de aprovação de uma vacina eficaz contra o coronavírus nos próximos meses, os cientistas do estudo alertam que é preciso fazer um trabalho de informação e de conscientização da população sobre a importância dos programas nacionais de vacinação. "O público parece geralmente entender o valor das vacinas, mas a comunidade científica e os profissionais da saúde pública precisam fazer muito mais para construir a confiança da população na segurança das vacinas, particularmente com a esperança de conseguirmos uma vacina contra a Covid-19", diz uma das autoras do estudo, Clarissa Simas, da Escola de Medicina Tropical de Londres, no Reino Unido. Initial plugin text Veja Mais

Jejum de 14 horas para controlar a síndrome metabólica

Glogo - Ciência Pesquisadora mostra as vantagens de uma janela de restrição alimentar Na coluna de terça, falei sobre o promissor mercado de drogas voltadas para a longevidade. No entanto, o 7º. Aging Research & Drug Discovery Meeting, que aconteceu na semana passada, não tratou apenas de substâncias e procedimentos para deter o envelhecimento. Um outro assunto em alta no evento foi o jejum para controlar a síndrome metabólica de pacientes com pressão alta, nível aumentado de glicose e colesterol, além de gordura abdominal. Para os que se arrepiam diante da hipótese de serem privados de comida, explico que esse é um jejum que dura 14 horas, mas deve ser incorporado à rotina, ou seja, é para ser praticado sete dias por semana. O nome técnico em inglês é TRE (time restricted eating), que significa uma janela de restrição para se alimentar. De acordo com a cardiologista Pam Taub, professora da Universidade da Califórnia San Diego, essa é uma estratégia eficiente no arsenal de medidas para manter sob controle o diabetes. Ela apresentou um quadro com os números da doença no mundo: a China vem disparado na frente, com 110 milhões de casos, seguida por Índia (70 milhões), EUA (30 milhões) e Brasil (14 milhões). “É importante alinhar a ingestão de alimentos com o ciclo circadiano do corpo e comer num determinado período que compreende de oito a dez horas durante o dia. A mudança é fundamental para influir no metabolismo humano em nível celular, e leva à perda de peso e à saúde cardiometabólica”, afirmou. Gordura abdominal: um dos elementos da síndrome metabólica, que pode ser controlada com uma janela de restrição alimentar Michal Jarmoluck para Pixabay O ciclo ou ritmo circadiano é o período de 24 horas no qual se baseia nosso relógio interno, o que inclui comer e dormir. O desequilíbrio desse quadro, como ser privado do sono, tem forte efeito sobre o organismo. Por isso mesmo, a pesquisadora foi enfática ao dizer que o período de restrição alimentar não significa pular café da manhã, mudar a dieta em termos de quantidade e frequência das refeições, e muito menos jejuar por dias seguidos. “Trata-se de uma intervenção comportamental. São dez horas de janela para se alimentar e 14 horas jejuando. Os pacientes que participaram de um programa com a duração de 12 semanas apresentaram redução de peso, gorduras aterogênicas, pressão arterial, colesterol e melhora qualidade de sono”, descreveu. O estudo da médica começou em 2019 e deve se estender até 2023, com participantes entre 18 e 75 anos. Durante o programa, o grupo utiliza o aplicativo myCircadianClock, desenvolvido pelo Instituto Salk, para medir a ingestão de comida e bebida; e usa um monitor de pulso que acompanha o nível de atividade física e avalia o sono. E o que acontece quando deixamos de nos alimentar por 14 horas? Na falta de glicose, que é a principal fonte de energia do organismo, o corpo passa a produzir corpos cetônicos, como resultado da destruição das células de gordura – que aí passam a fornecer a energia necessária para as funções vitais. No entanto, como qualquer dieta, esta também demanda supervisão médica, inclusive para controlar o nível de corpos cetônicos no sangue. Em quantidades altas, são extremamente prejudiciais à saúde. Veja Mais

Teste de vacina belga contra Covid-19 será feito nos hospitais Conceição e Clínicas em Porto Alegre

Glogo - Ciência Aplicações ainda não têm data para começar. No Conceição, qualquer pessoa acima de 18 anos pode participar. Só a fase 3 dos testes clínicos realmente diz se a vacina é capaz de prevenir a ocorrência de infecções EPA Os Hospitais Conceição e Clínicas realizarão os testes da vacina Ad26.COV2.S, criada pelo laboratório belga Janssen Pharmaceuticals. O estudo foi autorizado pela Anvisa em agosto. As aplicações em Porto Alegre ainda não têm data para iniciar. ESPECIAL:Conheça as candidatas a vacina para a Covid-19 Segundo o chefe do Serviço de Infectologia do Conceição, Breno Santos, o hospital tem capacidade de receber até 2 mil voluntários. O teste não será restrito aos profissionais de saúde. O único pré-requisito é ser maior de 18 anos. "O que nós não queremos é ter um viés de seleção. A vacina precisa ter a aplicabilidade generalizada, não está sendo planejada para proteção de uma parcela da população", afirma. A estrutura para a realização do teste, com equipamentos e funcionários, já está pronta no Conceição. Os participantes serão recebidos na tenda montada para atendimento de coronavírus, na sede da instituição. As doses da vacina, porém, ainda não chegaram. Breno Santos estima que o estudo em Porto Alegre vá durar até quatro semanas. A seleção dos participantes inicia assim que o comitê de ética do hospital liberar o estudo, o que ainda não tem previsão de data. O Clínicas confirmou ao G1 que também realizará os testes, mas não deu mais informações. Bons resultados nas fases anteriores "É uma vacina produzida por engenharia médica, que produz a espícula do vírus como um antígeno. O corpo humano desenvolve anticorpos contra a espícula, que fica incapacitada de infectar uma célula, porque está recoberta de anticorpos", resume Breno Santos. O laboratório Janssen pertence ao grupo Johnson & Johnson. Segundo a Anvisa, é a quarta vacina a receber autorização para ser testada no Brasil. Além do RS, participarão dos testes centros clínicos de Bahia, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e São Paulo. Em todo mundo, mais de 60 pessoas participarão do teste. Os voluntários deverão receber uma dose única da vacina ou um placebo (substância inativa), para servir de grupo controle. A determinação de quem recebe a vacina ou o placebo será feita de forma aleatória (randomizada), e nem os voluntários, nem os pesquisadores saberão quais pessoas receberam qual substância (esse tipo de estudo é chamado de "duplo-cego"). As primeiras etapas (1 e 2) dos testes da vacina da Johnson começaram em julho, nos Estados Unidos e na Bélgica. Em um estudo com macacos publicado na revista científica "Nature", uma das mais importantes do mundo, cientistas disseram que a vacina da empresa protegeu os animais do Sars-CoV-2 (o novo coronavírus) com apenas uma dose. Existem outras três vacinas sendo testadas em última fase (a terceira) no Brasil: a de Oxford (inglesa); a da Sinovac (chinesa); a da BioNTech/Pfizer (alemã/americana). Os testes da vacina Sinovac também acontecem no RS, pelo Hospital São Lucas, da PUCRS. Initial plugin text Veja Mais

O que explica a surpreendente existência de ferrugem na Lua

Glogo - Ciência Cientistas acreditam que oxigênio da Terra seja responsável por oxidação no satélite natural há milhões de anos; mas como o gás chegou à Lua? Avião passa à frente da lua cheia nesta sexta-feira (4) no Rio Marcos Serra Lima/G1 Uma parte da Lua está enferrujando, embora o satélite não tenha oxigênio. Pesquisadores do Jet Propulsion Laboratory (JPL, sigla em inglês de Laboratório de Propulsão a Jato) da Nasa e de universidades americanas encontraram hematita, uma forma de óxido de ferro, nas regiões polares da lua. Este óxido requer a presença de água líquida e oxigênio para se formar. O óxido na superfície de Marte é o que lhe dá sua cor avermelhada e sugere que o planeta já teve água e oxigênio. A Lua não tem atmosfera, ou seja, não tem oxigênio, e prevalece o ferro metálico puro, por isso o achado do óxido é surpreendente. Mas os cientistas acreditam ter encontrado o culpado pela oxidação do nosso satélite: o oxigênio da Terra. Como isso aconteceu? Amostras lunares trazidas à Terra pelas missões Apollo da Nasa não mostraram sinais da presença de ferro oxidado. Mas os pesquisadores analisaram dados do Mapeador de Mineralogia Lunar (M3) projetado pelo JPL e instalado na sonda Chandrayaan-1, da primeira missão lunar da Índia, lançada em 2008. A Chandrayaan-1 descobriu água congelada na Lua usando radares e detectou uma variedade de minerais na superfície do satélite. "Quando examinei os dados do M3 nas regiões polares, encontrei algumas características e padrões espectrais diferentes do que vemos em latitudes mais baixas ou nas amostras da Apollo", disse Shuai Li, pesquisador assistente do Instituto de Geofísica e Planetologia (HIGP, por sua sigla em inglês) do Havaí na Escola de Ciência e Tecnologia Oceânica e Terrestre (Soest, sigla em inglês) da Universidade de Manoa. "Depois de meses de pesquisa, descobri que estava olhando para a assinatura da hematita", acrescentou Li, também autor principal do estudo, à agência de notícias PA. A princípio, Abigail Fraeman, coautora do estudo, não acreditava nessa possibilidade. "(As hematitas) não deveriam existir, considerando as condições presentes na Lua", disse Fraeman, de acordo com um comunicado do JPL. Oxigênio da Terra Mas o grupo de cientistas apresentou algumas explicações para o fenômeno. A análise dos dados do M3 mostrou que as hematitas estavam mais presentes "no lado próximo à Terra do que no lado oposto", diz o estudo publicado na revista Science Advances no início de setembro. "Mais hematitas no lado lunar mais próximo sugere que a oxidação pode estar relacionada à Terra", disse o professor Li à PA. "Isso me lembrou da descoberta da missão lunar japonesa Kaguya (lançada em 2007) de que o oxigênio da atmosfera da Terra pode ser transportado para a superfície lunar pelo vento solar quando a Lua está na cauda magnética da Terra", afirmou Li. Portanto, a hipótese de Li e sua equipe é de que as hematitas lunares se formaram graças a esse oxigênio que viajou continuamente da Terra à Lua nos últimos bilhões de anos. "O oxigênio atmosférico da Terra pode ser o principal oxidante na produção de hematitas (na Lua)", disse Li à PA. Também é possível que a Lua tenha recebido mais oxigênio quando estava mais perto da Terra, uma vez que os dois corpos estão se afastando um do outro há bilhões de anos. Papel da água Os cientistas também encontraram hematita no lado oposto da Lua, uma área que não recebe necessariamente oxigênio da Terra, diz a PA. Esta presença de hematita pode ser explicada por "moléculas de água encontradas na superfície lunar", diz a declaração do JPL. O professor Li explica que "as partículas de poeira interplanetária que tendem a chegar à Lua podem liberar essas moléculas de água na superfície e misturá-las com o ferro lunar". "O calor desses impactos pode aumentar a taxa de oxidação", diz Li. Vivian Sun, pesquisadora do JPL e coautora do estudo, acredita que "esses resultados indicam que processos químicos mais complexos ocorrem em nosso sistema solar mais do que eram reconhecidos anteriormente". Morre a matemática que ajudou a Nasa a levar o homem para a Lua Veja Mais

Os problemas de saúde que astronautas enfrentam no espaço

Glogo - Ciência Um deles acabou com o estoque de lenço de papel e todos os 24 comprimidos de descongestionante nasal que estavam no kit de primeiros socorros da espaçonave. Os astronautas das missões Apollo, realizadas de 1961 a 1972 pela Nasa, agência espacial americana, podiam estar em ótimas condições físicas, mas isso não significa que não tenham enfrentado problemas de saúde no espaço. A BBC Future selecionou alguns casos emblemáticos: Resfriado Wally Schirra foi o primeiro a descobrir os efeitos de um resfriado no espaço quando era comandante da Apollo 7 Getty Images/Nasa Lançada em 11 de outubro de 1968, a Apollo 7 foi a primeira missão tripulada a orbitar a Terra após a tragédia da Apollo 1 – quando um incêndio na cabine matou toda a tripulação. O módulo de comando foi completamente redesenhado para seu lançamento. Havia muita coisa em jogo nessa missão. Se a Apollo 7 falhasse, é provável que Neil Armstrong talvez nunca desse seu “pequeno passo” na Lua. Pelo menos não até o fim daquela década – meta estabelecida pelo então presidente John F. Kennedy em 1961. Nasa testa foguete que ajudará a levar homem de volta à Lua A Apollo 7 foi comandada por um dos astronautas mais experientes da Nasa, Wally Schirra – veterano das missões Mercury e Gemini. Ao lado dele na cápsula, estavam os astronautas novatos Don Eisele e Walt Cunningham. Os analistas da época previam que essa seria a tripulação que faria a primeira tentativa de pousar na Lua. Poucas horas após o lançamento, no entanto, Schirra ficou resfriado. "O impacto do resfriado de Wally (Schirra) foi tremendo", conta Cunningham. “Wally precisava assoar o nariz com bastante frequência, e ele assoava o nariz uma vez e jogava o lenço de papel fora. Depois de algumas vezes, Don e eu dissemos: 'Não, não, você vai ter que usar esses lenços de papel mais de uma vez’." Mas, com lenços de papel usados enfiados em todos cantos da cápsula, o resfriado de Schirra não era apenas desagradável para a tripulação. A doença deixou o comandante cansado e irritado, e isso se refletiu em suas comunicações com a base na Terra. "Foi um relacionamento muito interessante entre nós na sala de controle e a tripulação", diz Gerry Griffin, diretor de voo que estava na base de controle de missões. Em uma série de trocas de mensagens rabugentas, Schirra recusou instruções, questionou procedimentos e até mandou o chefe – seu colega na missão Mercury 7, Deke Slayton – para o inferno. "Até hoje, de certa forma, é desconcertante para mim", acrescenta Griffin. "Fiquei chocado, de verdade." Após 11 dias em órbita, a tripulação retornou à Terra. A missão foi considerada um triunfo técnico, provando a capacidade da nave Apollo. Enquanto estava no espaço, Schirra acabou com o estoque de lenço de papel e todos os 24 comprimidos de descongestionante nasal que estavam no kit de primeiros socorros da espaçonave. Infelizmente, seu comportamento foi visto como um reflexo de toda a tripulação. E nenhum deles jamais voltaria ao espaço novamente. Gases Uma equipe médica monitora os astronautas antes, durante e depois das missões. Os problemas de saúde reportados durante os voos da missão Apollo incluíam erupção cutânea causada pelo uso prolongado de um dispositivo de coleta de urina, irritação nos olhos e batimentos cardíacos irregulares. Pesquisadores e 'caçadores' internacionais disputam meteoritos após chuva de pedras no sertão pernambucano 'Não sabemos o que fazer', diz prefeito da cidade no sertão pernambucano que atraiu 'caçadores' de meteoritos após chuva de pedras Corrida por meteoritos deve motivar regulamentação do tema, diz ministro da Ciência Um astronauta deslocou o ombro coletando uma amostra lunar. A tripulação da Apollo 13 sofreu desidratação. Três astronautas relataram casos de excesso de gases – provavelmente causado por suas dietas. Os médicos acreditavam que os problemas cardíacos reportados durante a Apollo 15 se deviam à falta de potássio. Assim, aumentaram a quantidade de frutas cítricas nas refeições dos astronautas da Apollo 16. Quando o comandante da Apollo 16, John Young, pisou na Lua, ele desabafou sobre os efeitos da nova dieta com seu companheiro de missão, Charlie Duke. Os comentários foram inadvertidamente transmitidos ao controle da missão... e ao resto do mundo. "Estou peidando de novo", diz ele a Duke. "Não sei o que diabos está me causando isso... acho que é acidez no estômago." "Não como tanta fruta cítrica há 20 anos!", ele acrescenta. "E vou te dizer uma coisa, daqui a 12 dias, não vou comer nunca mais." A flatulência confinada dentro de uma nave já é desagradável o suficiente, mas durante a missão Apollo 10, um dos astronautas não conseguiu selar adequadamente o saco de lixo fecal depois de ir ao banheiro. Logo após o episódio, a conversa na cápsula era sobre de quem eram os excrementos que estavam flutuando junto com eles na nave. Alteração da frequência cardíaca Normalmente, a frequência cardíaca de Neil Armstrong não passava de 70 batimentos por minuto – mas quando estava prestes a pousar na Lua, foi diferente. Nasa, via BBC O comandante da Apollo 11 era notoriamente calmo sob pressão. Foi o que fez dele um excelente piloto de testes. Durante a missão, do lançamento à reentrada na atmosfera terrestre, a frequência cardíaca média de Neil Armstrong foi de 71 batimentos por minuto. Em 20 de julho de 1969, ele se tornou o primeiro homem a pisar na Lua, seguido por Edwin Aldrin. Enquanto desciam em direção à superfície lunar, e todos os sistemas funcionavam normalmente, a frequência cardíaca de Armstrong ainda era relativamente baixa, 110 batimentos por minuto. Mas quando os alarmes de alerta do computador soaram, a frequência cardíaca de Armstrong começou a subir – só caiu quando Houston deu autorização à tripulação para prosseguir. No entanto, quando se aproximaram da superfície da Lua e sua área de pouso planejada estava repleta de pedras, seus batimentos subiram novamente. O misterioso mau cheiro da Lua, segundo os astronautas da missão Apollo A 600m, a frequência cardíaca de Armstrong era de 120 batimentos por minuto. A 300m, com o combustível acabando, saltou para 150 batimentos por minuto – e permaneceu assim durante o pouso. Dois minutos depois, quando o controle da missão deu autorização a eles para “ficar” e as tensões diminuíram, a frequência cardíaca do comandante voltou ao normal. Fora o susto durante a Apollo 15, quando os médicos notaram irregularidades na frequência cardíaca de dois astronautas durante as caminhadas espaciais, os batimentos cardíacos mais acelerados no espaço foram registrados durante a missão Gemini 9. No último dia da missão, o astronauta Gene Cernan teve que fazer uma caminhada fora da cápsula para colocar um dispositivo na parte traseira da espaçonave. Ao tentar manobrar e ativar o dispositivo sem o apoio das mãos ou de amarras, ele ficou rapidamente exausto. "Foi uma ideia terrível", contou Cernan em entrevista alguns meses antes de morrer. "Toda vez que eu girava a válvula, ela me girava." "Minha frequência cardíaca estava em 170 batimentos por minuto, os médicos estavam ficando loucos – eles não sabiam o que fazer, sabiam que eu estava em apuros." Superaquecendo de forma perigosa e com o visor embaçado de suor, ele conseguiu entrar de volta na nave e fechar a escotilha. “Tom [Stafford] pressurizou por fim a espaçonave e eu consegui respirar”, lembrou Cernan. “Quando tirei meu capacete, ele disse que eu parecia um rabanete... pegou a pistola d'água e apenas esguichou em mim." Enjoo espacial O primeiro satélite americano, o Explorer 1, descobriu faixas de radiação intensa – chamadas Cinturões de Van Allen – ao redor da Terra. Mesmo passando rápido por eles e desviando das áreas em que é mais forte, havia uma preocupação real de que os astronautas poderiam não sobreviver à jornada até a Lua. Em 1966, a União Soviética enviou dois cães ao espaço que passaram pelos cinturões, e aparentemente não aconteceu nada. Mas os médicos da Nasa ainda estavam preocupados com os possíveis efeitos em seres humanos. Então, quando o comandante da Apollo 8 – a primeira missão a deixar a órbita da Terra – ficou doente, o primeiro pensamento foi que ele tinha sido contaminado pela radiação. Frank Borman não teve nenhum problema de saúde em seu voo anterior de 14 dias na missão Gemini 7. Tampouco a tripulação da Apollo 7, que orbitou a Terra, sentiu náusea. Mas quando a Apollo 8 deixou a órbita da Terra, Borman estava vomitando. Hoje nós sabemos que Borman apresentou sintomas comuns do que chamamos de enjoo espacial – causado pela ausência de gravidade – e, em poucas horas, ele se recuperou. A Apollo 8 se tornou uma das missões mais ousadas e bem-sucedidas da história espacial. A exposição total à radiação da tripulação da Apollo 11 foi de 0,2 rads (0,002 Gy na unidade internacional padrão de hoje), "ficando abaixo do nível clinicamente significativo". Quarentena A partir da Apollo 11, alguns astronautas tiveram que passar uma semana em quarentena após retornar à Terra. Nasa, via BBC Quando a tripulação da Apollo 11 “pousou” nas águas do Oceano Pacífico, não foi recebida com abraços ou apertos de mão. A equipe de resgate chegou de barco, abriu a escotilha, jogou três trajes de proteção biológica para dentro da cápsula e selou a escotilha novamente. Quando os astronautas finalmente saíram, estava usando esses trajes – e seus rostos estavam escondidos atrás de respiradores. Somente após serem transportados de helicóptero para um porta-aviões, o USS Hornet, e entrarem em um trailer especialmente adaptado, eles puderam tirar a roupa e respirar normalmente. O trailer era uma Instalação Móvel de Quarentena (MQF, na sigla em inglês), construída para proteger a Terra de eventuais germes da Lua – ou infecções por patógenos do espaço. Dentro dele, a tripulação podia relaxar enquanto era monitorada, caso houvesse qualquer efeito nocivo de sua viagem à Lua. Da mesma forma, todas as pessoas que manipularam amostras de rochas lunares coletadas pelos astronautas também foram mantidas em quarentena e sob observação. "É um trailer Airstream padrão construído em um palete de carga da Força Aérea para que possa ser transportado em um avião de carga", explica Bob Fish, administrador do USS Hornet, que virou um museu em Oakland, na Califórnia. O MQF da Apollo 14 está em exibição no hangar do navio. Equipado com um sistema de filtragem de ar, cozinha, áreas sociais e dormitórios, Fish diz que era relativamente luxuoso. "Três caras ficaram naquela pequena cápsula espacial por dias rastejando um sobre o outro, sem privacidade, sem dormir." "Então, na verdade, isso aqui parecia o Taj Mahal para eles – tinham seus próprios beliches, banheiro, chuveiro e um bom lugar para comer comida de verdade." O período de quarentena – no trailer e, mais tarde, nas instalações de Houston – também ofereceu à tripulação da Apollo 11 a oportunidade de reunir seus pensamentos e escrever seus relatórios de missão, antes de partirem em turnê mundial como celebridades. Veja Mais

'Esta não será a última pandemia', alerta diretor-geral da OMS

Glogo - Ciência Tedros Adhanom disse que países devem preparar sistemas de saúde. Organização pediu transparência e honestidade aos governos na comunicação com a população. Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor da OMS, fala em entrevista coletiva, em imagem de arquivo Reuters/Denis Balibouse O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou nesta segunda-feira (7) que a pandemia de Covid-19 "não será a última" a ser enfrentada pela humanidade. "Esta não será a última pandemia. A história nos ensina que surtos e pandemias são um fato da vida. Mas, quando a próxima pandemia vier, o mundo deve estar pronto – mais do que estava desta vez", alertou Tedros. Ele também chamou atenção para o fato de que os países precisarão preparar melhor seus sistemas de saúde. "Nos últimos anos, muitos países fizeram enormes avanços na medicina, mas muitos negligenciaram seus sistemas básicos de saúde pública, que são a base para responder aos surtos de doenças infecciosas", afirmou Tedros. "Parte do compromisso de cada país para se reconstruir melhor deve ser, portanto, investir na saúde pública, como um investimento em um futuro mais saudável e seguro", disse o diretor-geral. Próxima epidemia ‘já está a caminho’, alerta médico sobre desmatamento na Amazônia 'Transparência e honestidade' A entidade foi questionada sobre as mensagens enviadas pelo governo brasileiro à população durante a pandemia. O presidente Jair Bolsonaro foi visto sem máscara em público em diversas ocasiões nos últimos meses, inclusive durante a cerimônia pelo Dia da Independência, nesta segunda em Brasília. "Os cidadãos no Brasil e em muitos países podem olhar e buscar informações em várias fontes, e, certamente, acho bom estar em uma posição em que você pode ter uma confiança absoluta em qualquer governo, mas também é importante que as pessoas busquem várias fontes de informação", respondeu o diretor de emergências da OMS, Mike Ryan. Michael Ryan, diretor-executivo do programa de emergências da Organização Mundial da Saúde (OMS) Christopher Black/OMS "Os governadores estaduais e as autoridades estaduais de saúde pública têm estado muito envolvidos em oferecer aconselhamento e apoio às comunidades. Aí você tem o governo nacional, a Opas [Organização Pan-Americana de Saúde, braço regional da OMS nas Américas] e nós mesmos [a OMS]", declarou Ryan. "Os bons governos constroem a confiança das comunidades fornecendo-lhes apenas informações verificadas e baseadas em evidências. Porque, se as coisas derem errado, as comunidades vão entender", afirmou o diretor de emergências. "Mas, se as comunidades perceberem que estão obtendo informações que estão sendo politicamente manipuladas, ou que estão sendo gerenciadas de uma forma que distorce as evidências, então, infelizmente, isso volta ao governo politicamente em um estágio posterior", completou Ryan. Brasil termina agosto com 28.947 mortes pela Covid-19, apontam secretarias de Saúde; especialistas alertam que pandemia não acabou A OMS já havia se manifestado sobre alguns posicionamentos do governo brasileiro. Na sexta (4), a entidade lembrou que "vacinas salvam vidas" ao ser questionada sobre uma publicação da Secretaria de Comunicação da Presidência que dizia não poder "obrigar ninguém" a tomar vacina (veja vídeo). É #FAKE que governo não pode obrigar pessoas a se vacinar contra Covid-19 Bolsonaro diz que ‘ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina’; especialistas criticam Em maio, a organização frisou a necessidade de uma mensagem "coerente" no combate à pandemia entre os governos estaduais e federal. A declaração foi dada também por Michael Ryan, depois que a OMS foi questionada sobre a reabertura de alguns locais de comércio no país, como academias e salões de beleza. "As comunidades precisam ouvir mensagens coerentes e consistentes de lideranças, essa mensagem precisa ser clara e governos precisam seguir o que falam", afirmou Ryan. Veja Mais

Como universidade americana evitou surto de Covid-19 analisando fezes de alunos

Glogo - Ciência Universidade do Arizona conseguiu impedir um possível surto de coronavírus em seu campus graças à análise de seus esgotos. Dois alunos assintomáticos com Covid-19 foram diagnosticados graças a testes no esgoto Universidade do Arizona via BBC Na Universidade do Arizona, uma equipe que tentava prevenir surtos locais de coronavírus conseguiu uma primeira vitória usando uma estratégia não convencional: analisando fezes. Além da realização de testes Covid-19 aleatórios em seus milhares de alunos, uso obrigatório de máscaras e respeitando o distanciamento físico, com o retorno dos alunos aos dormitórios, iniciou-se uma estratégia de análise do esgoto. O plano já evitou um surto na semana passada. "Acreditamos que essa é uma ferramenta muito valiosa que nos ajuda a ficar à frente do vírus", disse o presidente da instituição, Robert C. Robbins, em entrevista coletiva. Com a volta às aulas de mais de 30 mil alunos na cidade de Tucson, no sudoeste dos Estados Unidos, começaram os exames preventivos, incluindo o monitoramento dos esgotos dos quartos dos alunos. No dia 25 de agosto, a análise de fezes detectou "um aumento na carga viral que estava chegando no esgoto de uma residência em particular", explicou Robbins. A detecção de RNA do vírus SARS-CoV-2 é uma indicação da presença de pessoas infectadas Universidade do Arizona via BBC Os laboratórios universitários vasculham as amostras em busca da presença do ácido ribonucleico (RNA) de SARS-CoV-2, o vírus que causa a pandemia da Covid-19. "Testamos 311 indivíduos daquela residência e encontramos dois casos positivos. Então aplicamos o rastreamento de contato e esses dois indivíduos foram colocados em isolamento", diz o reitor da universidade. Os dois alunos com SARS-CoV-2 eram assintomáticos, o que é um desafio para as autoridades universitárias que tentam prevenir surtos. Quatro em cada dez portadores do vírus detectados no campus costumam não manifestar sintomas, segundo Richard Carmona, diretor da força-tarefa para o retorno dos estudantes ao local. Uma recente análise das águas residuais das residências estudantis nos dias 27 e 28 de agosto não detectou a presença do vírus. Outros testes serão realizados várias vezes por semana durante o resto do ano. A reabertura das atividades no Arizona foi cancelada no dia 30 de junho, quando aquele e outros Estados americanos viram um grande aumento no contágio por Covid-19. O governador Doug Ducey determinou a medida após um registro recorde 3.858 novos casos confirmados em apenas um dia. Mas, os números caíram para 519 novas infecções confirmadas no dia 2 de setembro. O Estado acumula 5.000 mortes desde o início da pandemia. As valiosas informações dos esgotos A estratégia de detecção de águas residuais da Universidade do Arizona foi testada em outros países. Como alternativa aos altos custos de se testar toda uma população, pesquisadores recorrem aos esgotos para estimar o número de infecções por coronavírus em uma determinada comunidade. Pesquisadores de todo o mundo têm analisado águas residuais para avaliar a evolução do coronavírus Getty Images via BBC Vários estudos apoiados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) têm mostrado que as fezes excretadas por pessoas com Covid-19 contêm traços de RNA, ou seja, o material genético do novo coronavírus. Estudo que analisa esgoto em BH aponta redução no número de casos de Covid-19, mas infecções continuam em patamar elevado Novo coronavírus é descoberto em amostra de esgoto de novembro de 2019 em Florianópolis, diz UFSC Novo coronavírus já estava presente em esgoto na Itália dois meses antes de registro oficial Como disse à BBC News Mundo Jean-Marie Mouchel, professor da Sorbonne e especialista em hidrossistemas e solos, que realizou estudos no esgoto em Paris durante a pandemia, esse tipo de estudo não mede a existência do vírus, mas sim a presença de RNA nas águas com a ajuda de testes de PCR, que são capazes de detectar uma infecção ativa. "Estimamos que poderíamos detectar até um paciente com coronavírus em uma população de 100 mil. Isso significa que deveríamos ser capazes de medir a presença de um número muito pequeno de pacientes e isso nos permitiria ver a evolução do vírus em toda a cidade", diz o hidrólogo. O Brasil é um dos países que já fizeram esse tipo de análise de esgoto AFP via BBC Esse tipo de informação é útil para prevenir um surto e permite às autoridades de saúde colocar as pessoas em quarentena, se necessário, como no caso do campus universitário do Arizona. No entanto, uma das deficiências do método é que, no momento, não fornece uma estimativa precisa do número de pessoas infectadas. É por isso que o grupo de contenção da Universidade do Arizona teve que testar 311 alunos no dormitório, que também usam um aplicativo em seus telefones celulares para rastrear contatos. Covid-19 no esgoto: estimativa de infectados em BH volta a subir e chega a 250 mil Initial plugin text Veja Mais

OMS pede que nações mais ricas se juntem até o final da semana à aliança internacional que financiará vacina contra a Covid-19

Glogo - Ciência Diretor-geral afirmou que, se países mais pobres não tiverem acesso à vacina, a recuperação econômica global demorará ainda mais. OMS pede que países mais ricos entrem para o Covax Reprodução/GloboNews O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adahnon, pediu que os países mais ricos se juntem à aliança internacional que financiará às nações mais pobres a vacina contra a Covid-19, chamada de Covax, até a sexta-feira (18). "Se as pessoas em países de baixa e média renda perderem as vacinas, o vírus continuará a matar, e a recuperação econômica global atrasará mais", disse Tedros nesta segunda-feira (14) em um evento regional da OMS para a Europa. O Covax é um esforço coletivo de vários países, com o apoio da OMS, para acelerar o desenvolvimento, produção e distribuição de futuras vacinas contra o coronavírus. Covax garantirá vacina da Covid-19 para 20% da população de risco de cada país membro nas Américas, diz Opas Quando houver uma vacina, a plataforma negociará em nome dos países-membros diretamente com os produtores para garantir que o preço e a distribuição das doses sejam feitos de maneira justa, principalmente aos países mais pobres. Dos 165 países, cerca de 80 já se apresentaram como financiadores para desenvolver um "portfólio" de vacinas com as melhores chances de sucesso, informou a OMS. Muitos deles, contudo, ainda precisam confirmar sua intenção em aderir ao plano até o final desta semana. OMS anuncia que 75 países manifestaram interesse em participar do programa de vacinas As nações mais ricas que de fato aderirem ao Covax concordarão em compartilhar o possível sucesso de uma ou mais dessas vacinas com 90 outros países com menos possibilidades econômicas ou sistemas de saúde mais fracos. Segundo a agência Reuters, 92 nações de renda mais baixa estão buscando assistência por meio do Covax para, além da vacina, terem acesso equitativo a testes e tratamentos contra a Covid-19. Initial plugin text Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 13 de setembro, segundo consórcio de veículos de imprensa (atualização das 8h)

Glogo - Ciência País tem 131.281 óbitos registrados e 4.316.228 diagnósticos do novo coronavírus. Brasil chega a 131.281 mortes por coronavírus, segundo consórcio O Brasil tem 131.281 mortes por coronavírus confirmadas até as 8h deste domingo (13), segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Desde o balanço das 20h de sábado (12), dois estados atualizaram seus dados: GO e RR. Veja os números consolidados: 131.281 mortes confirmadas 4.316.228 casos confirmados No sábado (12), às 20h, o balanço indicou: 131.274 mortes, sendo 800 em 24 horas. Com isso, a média móvel de novas mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 721 óbitos, uma variação de -18% em relação aos dados registrados em 14 dias. Sobre os infectados, eram 4.315.858 brasileiros com o novo coronavírus, 31.880 confirmados no último período. A média móvel de casos foi de 27.808 por dia, uma variação de -24% em relação aos casos registrados em 14 dias. MÉDIA MÓVEL: veja como estão os casos e mortes no seu estado PANDEMIA NAS CIDADES: consulte casos e mortes em cada município do Brasil No total, 3 estados apresentaram alta de mortes: AC, RR e CE. Em relação a sexta (11), PA estava com a média subindo e, hoje, está estável. MG, MS e SE estavam com a média caindo e, hoje, estão em estabilidade. Brasil, 12 de setembro Total de mortes: 131.274 Registro de mortes em 24 horas: 800 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 721 por dia (variação em 14 dias: -18%) Total de casos confirmados: 4.315.858 Registro de casos confirmados em 24 horas: 31.880 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 27.808 por dia (variação em 14 dias: -24%) (Antes do balanço das 20h, o consórcio divulgou dois boletins parciais, às 8h, com 130.508 mortes e 4.285.277 casos; e às 13h, com 130.870 mortes e 4.297.949 casos confirmados.) Estados Subindo (3 estados): AC, RR e CE Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (11 estados): PR, RS, ES, MG, DF, GO, MS, PA, RO, PE e SE Em queda (13 estados): SC, RJ, SP, MT, AM, AP, TO, AL, BA, MA, PB, PI e RN Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Estados com a média de mortes subindo Arte G1 Estados com a média de mortes em estabilidade Arte G1 Estados com a média de mortes em queda Arte G1 Sul PR: -4% RS: -2% SC: -40% Sudeste ES: -12% MG: -8% RJ: -38% SP: -17% Centro-Oeste DF: -6% GO: 0% MS: -10% MT: -17% Norte AC: +44% AM: -38% AP: -76% PA: +13% RO: -6% RR: +50% TO: -32% Nordeste AL: -20% BA: -35% CE: +26% MA: -17% PB: -31% PE: -1% PI: -27% RN: -64% SE: -3% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste o Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Initial plugin text Veja Mais

Pesquisadores da UFMG desenvolvem produto à base de nióbio para combate à Covid-19

Glogo - Ciência Segundo o pesquisador, a substância protege superfícies do novo coronavírus por até 24 horas. Líquido pode ser borrifado em maçanetas, na própria mão ou na máscara. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está analisando o produto. Pesquisadores da UFMG criam produto a base de nióbio que pode ajudar a prevenir a Covid-19 Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), criaram solução à base de nióbio que, segundo eles, é capaz de proteger diversas superfícies do novo coronavírus por até 24 horas. Se for aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que ainda analisa a substância, o produto poderá ser usado em consultórios médicos ou em casa, por exemplo. "Aplicada na forma de gel ou líquido spray, a solução tem ação prolongada para limpeza e desinfecção das mãos e não causa reações adversas, como sensação de ressecamento da pele", explicou o professor Luiz Carlos Oliveira, do Departamento de Química da UFMG. Pesquisadores da UFMG criam produto que desativa o coronavírus por 24 horas UFMG O professor só revela que o novo produto contém moléculas de nióbio, é feito à base de água e não utiliza solventes. Por isso não é tóxico. Os testes que comprovaram a eficácia contra o coronavírus foram feitos em um laboratório da Universidade de São Paulo (USP) e foram financiados por um investidor. "Imagina que você tem um frasco de 50 ml por exemplo, você pode colocar no bolso, na bolsa, e antes de entrar em qualquer lugar a pessoa pode borrifar o produto na maçaneta, na própria mão, na própria máscara. Não deve ficar caro, a gente espera que não, para atender a sociedade", disse professor Luiz Carlos Oliveira As pesquisas começaram em 2018. Os professores criaram uma startup que fica no Parque Tecnológico, no bairro Engenho Nogueira, na Região da Pampulha em Belo Horizonte. Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 11 de setembro, segundo consórcio de veículos de imprensa (atualização das 8h)

Glogo - Ciência País tem 129.667 óbitos registrados e 4.241.797 diagnósticos de Covid-19, segundo dados das secretarias estaduais de Saúde. Brasil tem 129,6 mil mortes por Covid, segundo consórcio de imprensa O Brasil tem 129.667 mortes por coronavírus confirmadas até as 8h desta sexta-feira (11), segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Desde o balanço das 20h de quinta-feira (10), dois estados atualizaram seus dados: GO e RR. Veja os números consolidados: 129.667 mortes confirmadas 4.241.797 casos confirmados Na quinta-feira, às 20h, o balanço indicou: 129.575 mortes confirmadas, 922 em 24 horas. Com isso, a média móvel de novas mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 692 óbitos, uma variação de -21% em relação aos dados registrados em 14 dias. Em casos confirmados, eram 4.239.763 brasileiros com o novo coronavírus desde o começo da pandemia, 40.431 desses confirmados no último dia. A média móvel de casos foi de 27.659 por dia, uma variação de -29% em relação aos casos registrados em 14 dias. Foi a maior queda no número de novos casos que o Brasil registrou desde o início da pandemia. Pelos critérios do consórcio, variações de até 15%, para mais ou para menos, são consideradas indicativo de estabilidade. Entenda os critérios. MÉDIA MÓVEL: veja como estão os casos e mortes no seu estado PANDEMIA NAS CIDADES: consulte casos e mortes em cada município do Brasil Brasil, 10 de setembro Apenas um estado apresenta alta de mortes: AC. Em relação a quarta (9), o Acre estava em estabilidade e agora aparece com tendência de alta. CE aparecia em alta, e agora voltou à estabilidade. MG estava com o número de óbitos estáveis, segundo a média móvel, e agora aparece em queda. MA e PE apareciam em queda, e agora estão em estabilidade. Veja a situação em todos os estados: Subindo (1 estado): AC. Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (10 estados): PR, RS, DF, MS, MT, PA, RR, CE, MA e PE. Em queda (16 estados): SC, ES, MG, RJ, SP, GO, AM, AP, RO, TO, AL, BA, PB, PI, RN e SE. Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Estado com tendência de alta no número de mortes por Covid-19 Arte G1 Estados com tendência de estabilidade no número de mortes por Covid-19 Arte G1 Estado com tendência de queda no número de mortes por Covid-19 Arte G1 Sul PR: 0% RS: +3% SC: -34% Sudeste ES: -19% MG: -17% RJ: -27% SP: -22% Centro-Oeste DF: +2% GO: -32% MS: -13% MT: -10% Norte AC: +30% AM: -37% AP: -77% PA: +15% RO: -19% RR: 0% TO: -34% Nordeste AL: -20% BA: -45% CE: +12% MA: -14% PB: -35% PE: -2% PI: -23% RN: -70% SE: -26% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste o Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Initial plugin text Veja Mais

Redução de danos: como se proteger da Covid-19 no ônibus, no trem e no metrô

Glogo - Ciência Em meio a uma pandemia que já causou mais de 128 mil mortes no país e cuja curva de transmissão continua subindo, milhões de brasileiros são obrigados a pegar o transporte público para ir trabalhar. É possível reduzir os riscos nesse cenário? Passageiros usam máscara protetora facil ao entrarem em metrô em São Paulo Amanda Perobelli/Reuters Em meio a uma pandemia que já causou mais de 128 mil mortes no país e cuja curva de transmissão continua subindo, milhões de brasileiros são obrigados a pegar o transporte público para ir trabalhar. Quem não tem o privilégio de poder trabalhar de casa ou de morar perto do trabalho precisa enfrentar todos os dias ônibus, trens e metrôs frequentemente lotados, correndo risco de se contaminar com o coronavírus. SINTOMAS: Covid persistente: os sintomas e as sequelas mais comuns e que duram semanas VACINAS: Brasil está entre os países que teve queda na confiança nas vacinas Conforme os locais que aderiram à quarentena vão flexibilizando as medidas de isolamento, o uso do transporte público aumenta ainda mais. O uso do carro, embora seja uma opção mais segura para quem tem, coletivamente pode levar a um caos urbano ainda maior em cidades nas quais o trânsito já é extremamente problemático, como São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis. "Os carros são muito ineficientes no uso da infraestrutura urbana. Se todos nós andarmos de carro, ninguém se mexe", diz o engenheiro Carlo Ratti, diretor do laboratório de cidades no MIT, nos EUA. Para quem não tem escolha e precisa usar o transporte público, há medidas que podem ser tomadas para se proteger e ajudar na "redução de danos". Algumas são mais óbvias e outras nem tanto — entenda quais são elas e porque elas são importantes. Diarreia e vômito podem ser sintomas de Covid-19 em crianças Cuidados básicos O ponto essencial para a proteção de todos, segundo a Fiocruz, é que todos os passageiros e funcionários estejam usando máscaras. Embora não haja uma lei nacional, a maioria dos Estados tornou o uso do item obrigatório em espaços públicos, incluindo no transporte. O uso por todos é importante porque as máscaras funcionam como "uma barreira para gotículas potencialmente infecciosas", segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). "Com a força da tosse ou do espirro, as gotículas voam longe. A máscara cirúrgica não filtra o vírus, mas ajuda a impedir que essas gotículas se espalhem demais, contaminando pessoas e superfícies", explica o virologista Jonatas Abrahão, da Sociedade Brasileira de Virologia e professor da Universidade Federal de Minas Gerais. É por isso que é fundamental que, além de usar máscara o tempo todo, se mantenha o máximo de distância possível caso veja alguém sem máscara. A máscara é a medida mais básica necessária no transporte durante a pandemia, mas há outras que estão entre as mais essenciais, orientadas pela Fiocruz e também por empresas de transporte, como a SPTrans, que regula a circulação em São Paulo. São elas: Não coloque as mãos no rosto durante o trajeto (mantenha-as especialmente longe dos olhos, boca e nariz) Ande com álcool em gel e aplique nas mãos durante a viagem se o trajeto for longo Assim que chegar ao destino, lave as mãos antes de fazer qualquer outra coisa — inclusive antes de tirar a máscara E limpe com álcool em gel os objetos pessoais que tocar durante o trajeto (como chaves e o celular) Dê preferência de pagamento por cartões magnéticos (como o Bilhete Único, em São Paulo), já que o uso de dinheiro ajuda a propagar a transmissão Se tossir ou espirrar, cubra o rosto com o antebraço Ao chegar em casa, coloque as roupas imediatamente para lavar Circulação de ar Há também uma série de outras medidas que devem ser tomadas por quem consegue, segundo pesquisas que se debruçam sobre a relação entre o uso de meios de transporte e a transmissão de doenças. Se você tiver a opção de planejar mais de uma rota diferente ao trabalho (como ir de ônibus + metrô; só de ônibus; de trem) é preferível sempre escolher a rota menos lotada. Se o nível de lotação for o mesmo, dê preferência para o meio que vá ter mais circulação de ar, explica Nick Tyler, pesquisador de transporte da University College London, que modelou a maneira como o vírus se propaga nos ônibus. "Ao ar livre, as gotas se dissipam no ar e no vento", explica. "Uma vez dentro de algum ambiente, você tem muito menos movimento." Apesar dos metrôs nas cidades brasileiras empurrarem o ar horizontalmente e formarem grande corredores de vento, o ar que circula neles é essencialmente o mesmo, não se dissipa. Por esse motivo, a circulação de ar nos trens do metrô é mais difícil do que em ônibus ou em trens de superfície. De acordo com um estudo de 2018 realizado por Lara Gosce na University College London, as pessoas que usavam o metrô de Londres regularmente eram mais propensas a sofrer sintomas de gripe do que aquelas que não o faziam. Portanto, se você tem a opção de circular somente de ônibus em vez de usar o metrô, e a lotação de ambos os meios for a mesma, o ônibus é preferível. Médico brasileiro que teve Covid-19 nos EUA dá dicas de prevenção Onde sentar Há um conselho muito comum para o metrô de Nova York: "nunca entre em um vagão de metrô vazio". A ideia é que você não quer descobrir por que todo mundo evitou aquele vagão — na melhor das hipóteses, um cheiro ruim; na pior das hipóteses, você pode ser assaltado. Esse conselho ainda vale para muitos — se você for uma mulher que precisa se deslocar à noite, por exemplo —, mas, na pandemia, evitar multidões é prudente, se possível. No Brasil, no entanto, nem sempre as pessoas têm sequer a opção de escolher pegar o próximo ônibus ou escolher onde ficar no metrô, já que a oferta de transporte público não costuma ser abundante. Se você estiver entre os que têm o privilégio de poder escolher o seu lugar, há uma série de coisas que pode fazer. Um estudo chinês recente observou como a proximidade dos assentos afetava o risco de transmissão nos trens. Ao rastrear as viagens e lugares sentados de mais de 2 mil pessoas com o vírus na rede ferroviária de alta velocidade da China entre dezembro de 2019 e março de 2020, eles foram capazes de ver como o vírus se moveu entre os passageiros. Sentar na mesma fileira, especialmente ao lado, carregava o maior risco neste ambiente específico. Aparentemente os encostos entre as fileiras do tipo de trem que eles examinaram — um trem intercidades chinês de alta velocidade — podem ter fornecido uma espécie de barreira. Trajetos mais longos, talvez sem surpresa, aumentaram o risco, mesmo para aqueles sentados a algumas fileiras de distância. Depois de duas horas, uma distância de menos de 2,5 m sem máscara era insuficiente para evitar a transmissão, descobriram os pesquisadores. Um fato um tanto tranquilizador descoberto pela pesquisa é que usar o mesmo assento anteriormente ocupado por uma pessoa com coronavírus não aumentou significativamente o risco de contraí-lo. Evite comer e evite conversar dentro de ônibus, metrôs e trens. Essas são duas das orientações da SPTrans para os usuários do transporte público na pandemia que dão uma pista de onde escolher sentar ou ficar de pé, se tiver opção. Ambientes barulhentos, onde as pessoas devem se inclinar e gritar para serem ouvidas, apresentam maior risco do que espaços mais silenciosos. Acredita-se que essa seja uma das razões pelas quais boates, bares ou frigoríficos tiveram altos níveis de contágio. Portanto, se puder escolher seu lugar no transporte, fique longe de grupos de pessoas conversando e de pessoas comendo — que precisam retirar a máscara para fazê-lo. O que vem pela frente Embora viajar regularmente no transporte público envolva um aumento no risco para os indivíduos, no momento não está claro exatamente quanto. Christina Goldbaum relatou recentemente para o jornal "The New York Times" que o rastreamento de contatos no Japão, na França e Áustria não encontrou ligações entre os surtos e as redes de transporte público — a situação do transporte nesses países, no entanto, é bem diferente da brasileira. E não há uma pesquisa do tipo publicada no Brasil. Alguns modelos matemáticos também sugerem que o transporte público bem ventilado com o uso de máscara é menos arriscado do que alguns outros ambientes internos, como um bar lotado e abafado. O momento aumenta ainda mais a necessidade de o poder público priorizar a questão do transporte, ampliando a oferta e o alcance das redes municipais. Como passageiros, o que podemos fazer é exigir essas mudanças das autoridades, seguir as medidas de segurança e esperar chegarmos a um ponto melhor. Initial plugin text Veja Mais

Queda na média móvel de mortes por Covid no Brasil deve ser vista com cautela; veja análise de especialistas

Glogo - Ciência Cientistas e pesquisadores atribuem o dado à evolução natural da própria doença, e ainda refutam tese da influência da imunidade de rebanho e dizem que redução ocorre após pico da pandemia. Membro das Forças Armadas desinfecta local onde fica o Cristo Redentor, no Corcovado, no Rio de Janeiro, contra a Covid-19. Mauro Pimentel/AFP O Brasil registrou na quarta-feira (9) o terceiro dia de queda consecutiva na média móvel de mortes por Covid-19. Todas as datas com queda no índice foram registradas no mês de setembro. Antes disso, não houve outros períodos de queda na média móvel. Semana até 5 de setembro: média de 819 mortes por dia, redução de 17% Semana até 7 de setembro: média de 784 mortes por dia, redução de 17% Semana até 8 de setembro: média de 691 mortes por dia, redução de 26% Semana até 9 de setembro: média de 679 mortes por dia, redução de 25% A notícia é boa, mas, segundo especialistas ouvidos pelo G1, o dado deve ser interpretado com cautela, uma vez que os registros são recentes para já afirmar que esta é a tendência da pandemia no Brasil. Para explicar os principais pontos do tema, os especialistas respondem, abaixo, as seguintes perguntas: A queda na média móvel representa a realidade de todo o país? O que explica a queda na média móvel das mortes? A queda significa que o Brasil atingiu o pico da pandemia? A queda significa que o Brasil atingiu a imunidade de rebanho? A queda na média móvel das mortes será constante daqui em diante? Poderemos ter um segundo aumento de mortes tão alto quanto registrado no pico? Já é possível relaxar medidas de isolamento? Veja abaixo as respostas: 1. A queda na média móvel representa a realidade de todo o país? O epidemiologista Paulo Lotufo afirma que é preciso olhar com ponderação para a média móvel nacional, uma vez que o Brasil tem diferentes epidemias acontecendo ao mesmo tempo. "O coronavírus não atingiu todo o Brasil ao mesmo tempo, chegou primeiro em São Paulo capital e foi se espalhando. É complicado falar da pandemia no Brasil como um todo, pois ela tem uma realidade própria em cada lugar, tem dinâmicas muito distintas", afirma Lotufo. Por isso, o epidemiologista prefere analisar a curva epidêmica de cada estado separadamente. "Muito do que vemos na média móvel nacional é resultado da situação da pandemia em São Paulo e Minas Gerais, os estados mais populosos. O interior paulista conseguiu controlar as mortes neste período, por exemplo, isso refletiu na média nacional. Por outro lado, os óbitos continuam crescendo em alguns estados", diz. De fato, quando o Brasil apresentou a segunda queda de mortes na média móvel, em 7 de setembro, 17 estados - dos 26 estados mais o Distrito Federal - apresentaram redução de fato (SC, ES, RJ, DF, GO, MT, AC, AP, RO, AL, BA, MA, PB, PE, PI, RN e SE), enquanto que dois ainda apresentavam aumento das mortes (AM e RR), e o restante estava em estabilidade. O infectologista Alberto Chebabo, da Sociedade Brasileira de Infectologia, ressalta ainda que as duas últimas médias móveis passaram por um feriado seguido de final de semana, o que pode ter interferido no registro dos óbitos. "Segunda-feira tivemos 315 mortes notificadas, é um número muito baixo quando comparado com dias anteriores, que já chegou a mais de mil. Provavelmente esse número teve impacto do feriado [7 de setembro]. Geralmente as notificações caem nesses períodos", diz Chebabo. 2. O que explica as quedas de morte na média móvel nacional? O epidemiologista Pedro Hallal, reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), explica que, ao contrário de países da Europa que conseguiram conter a disseminação do vírus por meio de políticas de saúde pública rigorosas, a queda das mortes na média móvel brasileira é resultado do que os cientistas chamam de "história natural da doença". "Fizemos pouca política de isolamento, falhamos com a saúde pública, não conseguimos conter o vírus, deixamos seguir a 'história natural da doença', em que um vírus diminui a sua disseminação naturalmente quando atinge o seu próprio limite. É o que está acontecendo neste momento no Brasil", afirma o epidemiologista. Hallal lembra que, em abril, o Ministério da Saúde previu que a curva epidemiológica começaria a baixar em junho ou julho, mas como as medidas para conter a Covid-19 não foram tomadas no tempo certo, o pico da pandemia se transformou em um platô, matando por semanas mais de mil pessoas por dia. "O vírus está nos mostrando que a sua história natural foi bem mais longa que isso. Nossa curva durou de março a setembro pelo fato de que o Brasil descumpriu sistematicamente as recomendações da ciência, como lockdown e distanciamento. Pagamos o preço, tivemos a curva epidêmica mais longa do mundo", diz Hallal. Ativistas da ONG Rio de Paz usam roupa de proteção e fazem covas na areia da praia de Copacabana, no Rio, para simbolizar as mortes de Covid-19 durante a pandemia do novo coronavírus no Brasil Pilar Olivares/Reuters 3. A queda significa que o Brasil atingiu o pico da pandemia? Segundo o infectologista Chebabo, todo o Brasil já alcançou o pico da pandemia. "Estamos em uma fase de redução de números de casos justamente porque atingimos o pico em todos os estados. Então, a tendência agora é diminuir, mas a gente tem que esperar para ver se a queda irá se manter", diz Chebabo. Crescimento exponencial e curva epidêmica: entenda os principais conceitos matemáticos que explicam a pandemia de coronavírus “[Em epidemias] Você tem um pico e, após ele, a transmissão continua acontecendo, mas num limiar mais baixo. É o que está acontecendo no Brasil agora e o que já aconteceu em quase todo o mundo. É a evolução natural da doença”, compara o infectologista. 4. A queda significa que o Brasil atingiu a imunidade de rebanho? A imunidade de rebanho ocorre quando uma parcela grande o suficiente de uma população foi infectada naturalmente e desenvolveu uma defesa contra o vírus. Com isso, o vírus não consegue se espalhar. "Numa imunidade de rebanho, você tem uma circulação muito baixa do vírus porque a maioria das pessoas está imune. Isso não aconteceu no Brasil, o vírus continua se espalhando de pessoa à pessoa aqui, ele está em intensa circulação", diz Chebabo. Um estudo da UFPel de julho mostrou que, apesar das mais de 120 mil mortes no país, apenas 3,8% dos brasileiros já foram infectados com o coronavírus. "Isso é uma bobagem, é uma especulação, ainda não temos uma base segura para falar em imunidade de rebanho na pandemia. Não conhecemos o vírus direito e sabemos pouco sobre como funcionada a imunidade", afirma Lotufo. Para Hallal, imunidade de rebanho não é uma solução para conter a pandemia, uma vez que, para ser alcançada, milhões de brasileiros ainda precisariam ser infectados. "A imunidade de rebanho não deve ser objetivo de uma política de saúde na pandemia, não é responsável, custaria muitas vidas", afirma o reitor da UFPel. 'Imunidade de rebanho': o que é e quais os riscos de deixar a pandemia correr seu curso 5. Poderemos ter um segundo aumento de mortes? Existe a possibilidade de uma segunda onda de casos e mortes em todo o mundo, mas, no caso do Brasil, um aumento não deve ser tão alto quanto o que foi registrado no pico da pandemia. "Não podemos fazer uma previsão de que terá uma segunda onda e qual será o tamanho dela, mas a tendência é que, se houver no Brasil, ela será menor do que a primeira porque já tivemos um percentual muito grande da população infectada", explica Hallal. Já em países da Europa, uma segunda onda tenderia a ser maior que a primeira porque os países conseguiram proteger a população com as medidas de lockdown e distanciamento. "Países europeus, por causa das medidas rigorosas que adotaram, têm grande parte da população que não foi exposta ao vírus. Pode parecer uma desvantagem, mas se vier uma segunda onda, agora conhecemos melhor a infecção e logo podermos ter uma vacina", afirma Hallal. Fiocruz alerta para possível segunda onda de Covid-19 no Rio 6. A queda na média móvel das mortes será constante daqui em diante? Não necessariamente, uma vez que ainda existem muitas pessoas suscetíveis ao vírus. "As quedas ainda são recentes. Precisamos acompanhar para vez se a tendência se manterá. O vírus não parou de circular", diz Chebabo. Coronavírus: por que a Espanha enfrenta nova onda de infecções após quarentena rigorosa Sob temor de segunda onda de Covid, Europa vive novo abre-e-fecha de fronteiras 7. É possível relaxar as medidas de isolamento? Para Hallal, é possível afrouxar as medidas de confinamento e pensar em reabertura de algumas atividades, porém com restrições e analisando caso a caso. "A queda na média móvel não quer dizer que é possível retomar todas as atividades. Por outro lado, quando a curva epidemiológica está descendente, é possível planejar uma retomada da economia de forma gradativa e deve levar em consideração o cenário epidemiológico de cada estado, diria até de cada cidade", diz Hallal. eriado do Dia da Independência do Brasil de praias lotadas no Rio de Janeiro em plena pandemia de Covid 19, nesta segunda-feira, 7 de Setembro. Erbs jr./Framephoto/Estadão Conteúdo Os especialistas avaliam que não é hora de promover aglomerações ou diminuir o distanciamento social. Como exemplo da retomada sem aglomeração, Hallal afirma que já é possível realizar campeonatos de esportes coletivos, mas com todas as medidas contra a transmissão (testagem e isolamento dos envolvidos), e sem o público. Os países que foram exemplo mas sofrem agora com segunda onda de Covid-19 "Agora é o momento para voltar o futebol, por exemplo, mas não dá para retomar os campeonatos na pandemia com presença do público", exemplifica. Nesta lógica, as aulas presenciais nas escolas e universidades devem ser as últimas atividades a serem retomadas. "A sala de aula é um lugar que não permite muito o distanciamento", alerta Hallal. Conforme recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), o distanciamento entre as pessoas para evitar a transmissão do coronavírus por gotículas expelidas ao falar, rir ou tossir deve ser de 1 metro e meio a dois metros, além do uso da máscara. Initial plugin text Veja Mais

'Coronavírus não é um inimigo, é um tropeço da natureza', diz autor espanhol

Glogo - Ciência Doutor em genética e biologia celular, Miguel Pita, autor de 'Um dia na vida de um vírus', explica como novo coronavírus eventualmente se dará conta de que seria melhor para ele que não nos matasse. Miguel Pita é autor de livros de divulgação científica CARLOS GIVAJA via BBC "O coronavírus não é um inimigo", diz o doutor em genética e biologia celular Miguel Pita, que também é professor pesquisador de genética da Universidade Autônoma de Madri. "É uma casualidade, um tropeço dos muitos que acontecem na natureza", diz o cientista espanhol. De fato, foi graças a um vírus e um desses tropeços que os próprios mamíferos surgiram. Mas é claro que em tempos de uma pandemia que devastou economias, sistemas de saúde e famílias inteiras, é difícil pensar com esse desapego. A boa notícia é que "os vírus tendem a ser mais agressivos no começo e menos no final", não porque sejam bons ou inteligentes, mas por uma pura lógica de sobrevivência. Em seu mais recente livro, "Um dia na vida de um vírus", Pita usa dois vírus fictícios para explicar o que são, como operam e, sobretudo, como eles convivem com os humanos. Veja a seguir, trechos da entrevista concedia por ele à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC) no festival literário Hay em Querétero, no México. BBC: Existe um debate na comunidade científica sobre se os vírus são seres vivos ou não. Por que é tão difícil defini-los? Pita: O difícil é definir o que é um ser vivo, porque o que são vírus já se sabe muito bem: eles são material genético. Funcionam com DNA ou RNA, como todos os demais seres vivos, e basicamente sua essência é se reproduzir, que, de novo, é uma das características principais de um ser vivo. Mas eles não fazem isso de forma independente e precisam de um hóspede, que pode ser uma bactéria, uma planta, um humano... São parasitas químicos, que necessitam algum de nós que somos claramente seres vivos para entrar em nossas células e poder levar adiante a sua reprodução. Cada uma das nossas ridículas células, essas que caem aos milhares de seu corpo toda vez que você coça seu braço, tem dentro delas uma maquinaria de enorme complexidade. Mas um vírus não. É como se em um simples fragmento de DNA ou RNA estivesse escrito: "Entre nesta célula maravilhosa e aproveite-se dela". Os vírus não são parentes da grande família que surgiu há 4 bilhões de anos, das quais os humanos são parte Getty Images via BBC Então o que é que os vírus não são? Eles não são seres celulares e não possuem outra série de características típicas de seres vivos, como a presença de um metabolismo, do tipo que seja. As bactérias, os fungos, as plantas e os animais todos vêm de um mesmo ser que surgiu há quatro bilhões de anos. Ou seja, nós temos uma relação familiar com as bactérias, por mais longínqua que pareça, que não é a mesma que temos com os vírus. BBC: O vírus não tem um cérebro que permita tomar decisões como nos infectar ou nos matar. Então o que o senhor pensa quando escuta o termo "inimigo"? Pita: Obviamente como cidadão eu entendo porque é algo que colocou de cabeça para baixo o mundo no qual vivemos. Então não se pode deixar de encará-los, de forma inconsciente até, como inimigo. Mas é claro, como biólogo, percebemos que o que desencadeia esta situação é pura química. Ou seja, uma molécula que anda solta encontrou uma forma de entrar nas nossas células e desencadear uma reação. Simplesmente se produziu um milagre químico ou uma coincidência, se olharmos do ponto de vista dos nossos interesses pessoais. Então não é um inimigo, é uma casualidade, um tropeço dos muitos que acontecem na natureza. Outros tropeços maravilhosos levaram a que existamos. Se você enxerga assim, não pode encará-los como um inimigo. Mas é claro, quantas vezes por dia alguém pensa desta forma? Quantas vezes por dia alguém se reconhece como uma estrutura celular, como reações químicas, como uma soma de coincidências? Não é assim que você se vê. O que você é seu nome, seu sobrenome, sua família, seu trabalho. Um ponto interessante é que os vírus nem sempre causam problemas. No livro eu conto um exemplo, que é o mais exagerado, de que a existência de uma placenta e, no fundo, a existência de todos nós mamíferos, se deve à interação com um vírus. Então eles não são sempre inimigos. O que acontece é que quando eles são, chamam muito mais atenção. BBC: No seu livro o senhor compara o vírus e seu DNA/RNA com um ladrão que busca uma empresa para roubar. O senhor poderia explicar melhor essa ideia? Pita: Como você dizia antes, o vírus se aproveita desta fábrica maravilhosa que é a célula, onde tudo está organizado e pensado para ler nosso material genético. Mas agora, em vez de ler e, por exemplo, fabricar algo útil para nosso pigmento ou digestão, ele faz cópias do vírus. Então é um hack. É um assalto. É um aproveitamento de recursos que, obviamente, é químico, inconsciente. No fundo são apenas reações. A única razão de compará-lo a um ladrão é para entendê-lo melhor. Em suma, um material genético parecido ao seu chegou, se aproveitou de tudo que existia ali, saqueou e, ainda por cima, ao sair, arrebentou a célula, deixando-a exausta. Porque, claro, a célula está acostumada a seguir em um ritmo. Mas se entram milhares de vírus, eles fazem ela trabalhar muito. E ainda por cima, quando eles saem, eles perfuram a célula. É isso que te dá febre. É um saque brutal nas suas células que faz com que você vá caindo, caindo, caindo, e que o sistema imunológico tenha que dizer: "Alguma coisa está acontecendo aqui". Capa do último livro de Pita, que trata de assunto científico com linguagem ditática Editorial Periférica via BBC BBC: No livro, o senhor diz que cada vírus estaria condenado a se extinguir no primeiro hóspede não fosse pelo contágio e pelo sistema imunológico já mencionado, o que parece contraditório. O que cada um faz para "ajudar" na sobrevivência do vírus? Pita: Nessa dinâmica em que os vírus entram na célula, se copiam e se decompõem, há uma progressão. Se entraram dez, saem mil, que simultaneamente atacam um monte de outras células. Agora temos então um milhão de cópias. Em um momento seriam muitíssimos milhões —sem célula para entrar. E, no final, o vírus é uma molécula flutuante que, sem essa dinâmica ativa, acaba se degradando. Às vezes isso acontece em minutos, às vezes em horas, depende do vírus ou da superfície onde ele se deposita, mas se passa um tempo, ele entra em colapso. A não ser que seja capaz de saltar para outro corpo onde haja novas células para invadir. Pode acontecer que um vírus novo infecte uma planta, a mate e nunca mais contagie outra. É provável que nem fiquemos sabendo que isso existiu. Mas os humanos são uma espécie que em geral se contagia muito bem porque vivemos em contato uns com os outros. Por isso, a superpopulação é um fator de risco. Primeiro, porque nos contagiamos e segundo, porque passa a ser muito mais provável que surja um vírus. Além do contágio por proximidade, há outro fator que é o sistema imunológico. O sistema imunológico é a grande invenção do corpo humano. É estar preparado para lutar contra coisas que ainda não existem. É uma singularidade espetacular da natureza. Enquanto um vírus destrói uma de nossas células, o sistema imunológico se dá conta de que algo vai mal e basicamente manda agentes para pegar amostras. Com este exame, ele vai perguntando: "você já viu essa proteína?" O que acontece é que em muito pouco tempo o corpo começa a combater o vírus. Ou seja, o indivíduo tem a possibilidade de lutar, mas também de contaminar durante muito mais tempo do que teria se o vírus simplesmente chegasse ao primeiro infectado e o matasse. Seria muito triste para ele, mas melhor para todos porque a pandemia acabaria ali. No caso do novo coronavírus, ele não pode destruir e em poucas horas matar todas as células de nossa mucosa respiratória. Ninguém morre em três minutos. O que acontece é uma guerra tremenda, que ocorre inclusive nas pessoas que acabam morrendo da doença. Na verdade, existem problemas causados pela própria batalha, e por como nossas defesas estão reagindo de forma exagerada. Nosso sistema imunológico fica desorientado porque é uma doença nova que luta, luta e luta. E no final, em alguns pacientes, isso causa tantos danos quanto o vírus. Em todo caso, o que temos é que o sistema imunológico, que é nossa única chance contra uma nova doença, também faz o vírus ganhar tempo para se espalhar. "A existência de uma placenta, ou seja, a existência de mamíferos, é explicada como uma função adquirida ao longo da evolução graças a uma (ou várias) inserções de DNA viral em nosso DNA", explica Pita em seu livro. Getty Images via BBC BBC: O senhor também diz que "os vírus mais agressivos são menos contagiosos", e é por isso que "diante de um vírus que não é muito agressivo e altamente contagioso, o isolamento é muito eficaz". Onde o novo coronavírus se encaixa nesse espectro? Pita: É verdade que podemos dizer que os vírus mais agressivos são menos contagiosos e os menos agressivos são mais contagiosos, mas isso não é uma regra matemática, não é uma verdade imutável. É uma consequência lógica. O coronavírus está causando problemas sérios que não precisamos lembrar aqui porque todos já sabem sobre eles, mas não é um vírus particularmente agressivo. Muitos o superam sem perceber e, proporcionalmente, poucas pessoas morrem. É verdade que temos números horríveis, com quase um milhão de mortos. Mas a porcentagem é muito menor do que se tivéssemos uma pandemia de ebola, por exemplo, que é um vírus de uma agressividade tremenda. Mas com o coronavírus estamos pagando caro por este ser muito mais contagioso que agressivo. BBC: Em relação à ideia de que um vírus tende a ser mais agressivo quando surge e que, no longo prazo, busca "um equilíbrio de convivência na batalha contra o hospedeiro", como o senhor diz no livro, o quão longe estamos com o coronavírus? Pita: Os vírus tendem a ser mais agressivos no início e menos no final devido a um processo evolutivo. É outra consequência lógica, mas não uma regra. A verdade é que nossa máquina de copiar material genético é muito precisa, mas não é perfeita. Portanto, introduz erros no nosso, mas também no dos vírus. Na verdade, a célula é uma empresa coordenada tão grande que também tem um departamento de correção de erros. Ela assume que haverá erros, corrige-os e, ainda assim, alguns vazam. Mas o vírus não passa por esse departamento. Além disso, seu material genético é copiado muitas vezes. Tudo isso torna a taxa de erro muito alta. E esses erros se traduzem em mudanças, mutações. Uma coisa fascinante que estamos vendo com esse coronavírus é o rastreamento de mutações ao redor do mundo. Temos tantos recursos sendo usados para estudá-lo e um nível de conhecimento genético tão alto que as bases de dados são atualizadas a cada dia. "O coronavírus" na verdade já são milhões de coronavírus diferentes, embora muito semelhantes. Todos sabem fazer a mesma coisa, e as mutações que não sabem mais entrar na célula e nos infectar, nós nem ficamos sabendo que elas desapareceram. Ou seja, o ideal para a sobrevivência do próprio coronavírus seria transformar-se em um vírus que dificilmente nos faça adoecer. Isso nos causaria apenas tosse ou inflamação. E não estou falando do ideal para nós, que também ficaríamos felizes se o vírus fosse menos agressivo. Mas para o coronavírus o melhor é chegar a um equilíbrio. Ou seja, ele tem que nos maltratar o suficiente para fazer cópias, e para isso tem que quebrar nossas células, mas sem ser agressivo demais, porque assim é mais contagioso. No fim das contas, há um número finito de corpos para nos invadir, um número finito de células para nos infectar e os vírus que são mais capazes de atingir mais células terão melhor desempenho. Mas é claro, em uma pandemia com tantas situações, tantas mutações, não podemos prever como os eventos se desenrolarão. Este é um modelo lógico de longo prazo muito provavelmente. BBC: Os padrões de educação estão repletos de comportamentos que, segundo o senhor, provavelmente se originaram de epidemias antigas, como cobrir a boca ao bocejar ou mastigar com a boca fechada. Você acha que algo do que vivemos no "novo normal" vai acabar sendo tão incorporado que nos esqueceremos de seu vínculo com a pandemia? Pita: O que restará disso é uma abordagem fascinante. No livro, levanto a questão de tossir na parte interna do cotovelo, algo que pelo menos na Espanha realmente pegou. Outra coisa que eu noto aqui, e que talvez em outros países menos quentes não seja assim, é a questão do contato. Na verdade, acho que é uma das explicações para os altos índices de contágio no início da pandemia. Mas, em poucos meses, foi criada uma normalidade na falta de contato que agora seria até estranho dar um abraço. É incrível. Aos poucos, isso vai se incorporando entre parentes ou amigos, mas o ato de encontrar alguém na rua e dar um abraço nele, não sei se isso vai voltar um dia. Abraços são muito agradáveis para mim, como para todo mundo, mas acho que em algumas culturas havia um comportamento um pouco despreocupado que não era higiênico. A covid-19 pode levar a grandes mudanças como a cultura de se compartilhar mate no Uruguai, Argentina e Brasil Getty Images via BBC BBC: No Uruguai, que é o exemplo que conheço mais de perto, muitos não compartilham mais o mate em escritórios e até em reuniões com familiares e amigos. Pita: Eu não tinha pensado nisso. Copos grandes de cerveja e coisas assim às vezes eram compartilhados aqui. Mas se no Uruguai e na Argentina o mate não for mais dividido, isso pode ser uma mudança cultural maior. Claro, talvez tudo isso seja apagado, pode ser que em dois anos tenhamos esquecido disso e passando o mate novamente. Na verdade, há uma coisa que me preocupa muito, que é quanto tempo levaremos para esquecer que essa pandemia era evitável. Ou, pelo menos, que podem ser tomadas medidas necessárias para diminuir sua probabilidade. Porque agora estamos muito envolvidos com o assunto e parece que está tudo péssimo. Mas nossos cérebros são muito bons em esquecer. Não podemos descartar que em 2022 lembraremos disso tudo como aquela época em que morreram algumas pessoas. E então sigo com minha vida, me sentindo confortável no meu carro mesmo que ele polua, votando em um presidente só porque ele baixou meus impostos e, quando vier outra pandemia, vou voltar a pensar nisso. Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 8 de setembro, segundo consórcio de veículos de imprensa (atualização das 8h)

Glogo - Ciência País tem 127.004 óbitos registrados e 4.147.697 diagnósticos de Covid-19, segundo dados das secretarias estaduais de Saúde. Brasil passa de 127 mil mortes por Covid, diz consórcio O Brasil tem 127.004 mortes por coronavírus confirmadas até as 8h desta terça-feira (8), segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Desde o balanço das 20h de segunda-feira (7), dois estados atualizaram seus dados: GO e RR. Veja os números consolidados: 127.004 mortes confirmadas 4.147.697 casos confirmados Na segunda-feira, às 20h, o balanço indicou: 127.001 mortes confirmadas, 315 em 24 horas. Com isso, a média móvel de novas mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 784 óbitos, uma variação de -17% em relação aos dados registrados em 14 dias. Depois de sábado (5), esta é a segunda vez que a média móvel de mortes aparece com tendência de queda desde 5 de junho. Pelos critérios do consórcio, variações de até 15%, para mais ou para menos, são considerados estabilidade. Entenda os critérios. Em casos confirmados, eram 4.147.598 brasileiros com o novo coronavírus desde o começo da pandemia, 9.992 desses confirmados nesta segunda. A média móvel de casos foi de 33.814 por dia, uma variação de -10% em relação aos casos registrados em 14 dias. MÉDIA MÓVEL: veja como estão os casos e mortes no seu estado PANDEMIA NAS CIDADES: consulte casos e mortes em cada município do Brasil Brasil, 7 de setembro Dois estados apresentam alta de mortes: AM e RR. Em relação a domingo (6), ES, DF, GO, MT e RO estavam com o número de mortes estáveis, segundo a média móvel, e agora estão em queda. RR aparecia estável e agora está subindo. No AM, ainda há reflexo da reclassificação de mortes de meses anteriores, das quais mais de 200 foram divulgadas com Covid como causa nas últimas semanas. Veja a situação dos estados: Subindo (2 estados): AM e RR Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (8 estados): PR, RS, MG, SP, MS, PA, TO e CE. Em queda (17 estados): SC, ES, RJ, DF, GO, MT, AC, AP, RO, AL, BA, MA, PB, PE, PI, RN e SE. Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Estados com tendência de alta no número de mortes por Covid-19 Arte G1 Estados com tendência de estabilidade no número de mortes por Covid-19 Arte G1 Estados com tendência de queda no número de mortes por Covid-19 Arte G1 Sul PR: +5% RS: -5% SC: -30% Sudeste ES: -16% MG: -5% RJ: -37% SP: -15% Centro-Oeste DF: -18% GO: -19% MS: -2% MT: -23% Norte AC: -29% AM: +213% AP: -48% PA: +13% RO: -36% RR: 38% TO: +3% Nordeste AL: -21% BA: -42% CE: +5% MA: -18% PB: -32% PE: -26% PI: -29% RN: -58% SE: -48% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste o Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Initial plugin text Veja Mais

'É importante buscar várias fontes de informação', diz diretor da OMS sobre forma como governo Bolsonaro trata da Covid-19

Glogo - Ciência 'Se as comunidades perceberem que estão obtendo informações politicamente manipuladas ou gerenciadas de forma que distorce evidências, isso volta ao governo politicamente em um estágio posterior', opinou o diretor de emergências da OMS, Mike Ryan. OMS pede transparência e honestidade dos governos Respondendo a pergunta do G1 sobre as mensagens enviadas pelo governo brasileiro à população durante a pandemia do novo coronavírus, o diretor de emergências da Organização Mundial de Saúde (OMS), Mike Ryan, disse que "é importante que as pessoas busquem várias fontes de informação". O presidente Jair Bolsonaro foi visto sem máscara em público em diversas ocasiões nos últimos meses, inclusive durante a cerimônia pelo Dia da Independência, nesta segunda, em Brasília. "Os cidadãos no Brasil e em muitos países podem olhar e buscar informações em várias fontes, e, certamente, acho bom estar em uma posição em que você pode ter uma confiança absoluta em qualquer governo, mas também é importante que as pessoas busquem várias fontes de informação", respondeu o diretor de emergências da OMS, Mike Ryan. O presidente Jair Bolsonaro interage com admiradores durante cerimônia no Palácio da Alvorada, em Brasília, neste feriado de 7 de setembro Alan Santos/PR "Os governadores estaduais e as autoridades estaduais de saúde pública têm estado muito envolvidos em oferecer aconselhamento e apoio às comunidades. Aí você tem o governo nacional, a Opas [Organização Pan-Americana de Saúde, braço regional da OMS nas Américas] e nós mesmos [a OMS]", declarou Ryan. "Os bons governos constroem a confiança das comunidades fornecendo-lhes apenas informações verificadas e baseadas em evidências. Porque, se as coisas derem errado, as comunidades vão entender", afirmou o diretor de emergências. Próxima epidemia ‘já está a caminho’, alerta médico sobre desmatamento na Amazônia "Mas, se as comunidades perceberem que estão obtendo informações que estão sendo politicamente manipuladas, ou que estão sendo gerenciadas de uma forma que distorce as evidências, então, infelizmente, isso volta ao governo politicamente em um estágio posterior", completou Ryan. Brasil termina agosto com 28.947 mortes pela Covid-19, apontam secretarias de Saúde; especialistas alertam que pandemia não acabou A OMS já havia se manifestado sobre alguns posicionamentos do governo brasileiro. Na sexta (4), a entidade lembrou que "vacinas salvam vidas" ao ser questionada sobre uma publicação da Secretaria de Comunicação da Presidência que dizia não poder "obrigar ninguém" a tomar vacina (veja vídeo). É #FAKE que governo não pode obrigar pessoas a se vacinar contra Covid-19 Bolsonaro diz que ‘ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina’; especialistas criticam Em maio, a organização frisou a necessidade de uma mensagem "coerente" no combate à pandemia entre os governos estaduais e federal. A declaração foi dada também por Michael Ryan, depois que a OMS foi questionada sobre a reabertura de alguns locais de comércio no país, como academias e salões de beleza. "As comunidades precisam ouvir mensagens coerentes e consistentes de lideranças, essa mensagem precisa ser clara e governos precisam seguir o que falam", afirmou Ryan. Outras pandemias Na mesma entrevista coletiva desta segunda, o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou que a pandemia de Covid-19 "não será a última" a ser enfrentada pela humanidade. "Esta não será a última pandemia. A história nos ensina que surtos e pandemias são um fato da vida. Mas, quando a próxima pandemia vier, o mundo deve estar pronto – mais do que estava desta vez", alertou Tedros. Ele também chamou atenção para o fato de que os países precisarão preparar melhor seus sistemas de saúde. "Nos últimos anos, muitos países fizeram enormes avanços na medicina, mas muitos negligenciaram seus sistemas básicos de saúde pública, que são a base para responder aos surtos de doenças infecciosas", afirmou Tedros. "Parte do compromisso de cada país para se reconstruir melhor deve ser, portanto, investir na saúde pública, como um investimento em um futuro mais saudável e seguro", disse o diretor-geral. Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 7 de setembro, segundo consórcio de veículos de imprensa (atualização das 8h)

Glogo - Ciência País tem 126.686 óbitos registrados e 4.137.722 diagnósticos de Covid-19. Brasil tem 126.686 óbitos registrados por Covid-19, aponta consórcio de veículos O Brasil tem 126.686 mortes por coronavírus confirmadas até as 8h desta segunda-feira (7), segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Desde o balanço das 20h de domingo (6), um estado atualizou seus dados: RR. Veja os números consolidados: 126.686 mortes confirmadas 4.137.722 casos confirmados No domingo, às 20h, o balanço indicou: 126.686 mortes, sendo 456 em 24 horas. Com isso, a média móvel de novas mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 827 óbitos, uma variação de -15% em relação aos dados registrados em 14 dias. Sobre os infectados, eram 4.137.606 brasileiros com o novo coronavírus, 16.403 confirmados no domingo. A média móvel de casos foi de 39.356 por dia, uma variação de +4% em relação aos casos registrados em 14 dias. No total, apenas o Amazonas apresentou alta de mortes. Em relação a sábado (5), ES, MG, DF, TO e CE estão em situação de estabilidade. Os três primeiros estavam antes em queda; TO e CE estavam subindo no boletim de sábado. Brasil, 6 de setembro Total de mortes: 126.686 Registro de mortes em 24 horas: 456 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 827 por dia (variação em 14 dias: -15%) Total de casos confirmados: 4.137.606 Registro de casos confirmados em 24 horas: 16.403 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 39.356 por dia (variação em 14 dias: +4%) (Antes do balanço das 20h, o consórcio divulgou dois boletins parciais, às 8h, com 126.237 mortes e 4.121.581 casos; e às 13h, com 126.266 mortes e 4.121.819 casos confirmados.) Estados Subindo (1 estado): AM Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (14 estados): PR, RS, ES, MG, SP, DF, GO, MS, MT, PA, RO, RR, TO e CE. Em queda (12 estados): SC, RJ, AC, AP, AL, BA, MA, PB, PE, PI, RN e SE. Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Situação das mortes no Brasil Arte/G1 Apenas Amazonas tem alta de mortes entre os estados segundo o critério da média móvel Arte/G1 Estados com estabilidade nas mortes segundo o critério da média móvel Arte/G1 Estados com queda no número de mortes segundo o critério da média móvel Arte/G1 Sul PR: +12% RS: -4% SC: -25% Sudeste ES: -12% MG: -12% RJ: -35% SP: -14% Centro-Oeste DF: -12% GO: -12% MS: +6% MT: -10% Norte AC: -32% AM: +210% AP: -40% PA: +8% RO: 0% RR: 0% TO: +9% Nordeste AL: -19% BA: -38% CE: +12% MA: -18% PB: -27% PE: -32% PI: -27% RN: -59% SE: -36% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste o Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Initial plugin text Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 6 de setembro, segundo consórcio de veículos de imprensa (atualização das 8h)

Glogo - Ciência País soma 126.237 mortes pela Covid-19 e 4.121.581 infectados pelo novo coronavírus, aponta o balanço do consórcio de veículos de imprensa. O Brasil tem 126.237 mortes por coronavírus confirmadas até as 8h deste domingo (6), segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Desde o balanço das 20h de sábado (5), dois estados atualizaram seus dados: GO e RR. Veja os números consolidados: 126.237 mortes confirmadas 4.121.581 casos confirmados No sábado, às 20h, o balanço indicou: 126.230 mortes confirmadas, 646 em 24 horas. Com isso, a média móvel de novas mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 819 óbitos, uma variação de -17% em relação aos dados registrados em 14 dias. Em casos confirmados, eram 4.121.203 brasileiros com o novo coronavírus desde o começo da pandemia, 34.487 desses confirmados no último dia. A média móvel de casos foi de 39.466 por dia, uma variação de +4% em relação aos casos registrados em 14 dias. Esta foi a primeira vez desde o início da pandemia que a média móvel de mortes por coronavírus no Brasil apresentou queda (-17%). Pelos critérios do consórcio, variações de até 15%, para mais ou para menos, são considerados estabilidade. Desde 5 de junho, as mortes no Brasil estavam nessa condição. Entenda os critérios. MÉDIA MÓVEL: veja como estão os casos e mortes no seu estado PANDEMIA NAS CIDADES: consulte casos e mortes em cada município do Brasil Brasil, 4 de setembro No total, 3 estados apresentaram alta de mortes: AM, TO e CE. Em relação a sexta (4), RS estava em queda e passou para estabilidade. RO estava subindo e passou para estabilidade. CE estava em estabilidade e agora está subindo. Veja como estão os estados: Subindo: AM, TO e CE Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente: PR, RS, SP, GO, MS, MT, PA, RO, RR, MA Em queda: SC, ES, MG, RJ, DF, AC, AP, AL, BA, PB, PE, PI, RN, SE Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Evolução de mortes por coronavírus nos estados Arte/G1 Evolução de mortes por coronavírus nos estados Arte/G1 Evolução de mortes por coronavírus nos estados Arte/G1 Sul PR:+9% RS: -12% SC: -26% Sudeste ES: -26% MG: -33% RJ: -30% SP: -15% Centro-Oeste DF: -16% GO: -8% MS: +1% MT: -6% Norte AC: -33% AM: + 159% AP: -33% PA: + 15% RO: +6% RR: 0% TO: +18% Nordeste AL: -17% BA: -35% CE: +17% MA: -15% PB: -27% PE: -39% PI: -26% RN: -60% SE: -47% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste o Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Initial plugin text Veja Mais