Meu Feed

Hoje

Brasileira cita Capitão América para explicar criopreservação, e vence competição para tornar a ciência mais clara à população

Glogo - Ciência Além de Gabriela Ramos Leal, outros três pesquisadores também venceram pelo voto do público: Sauradeep Majumdari (Suíça), Rebecca Ellis (Reino Unido) e Ahmed Maani (Catar). Gabriela Ramos Leal, 34 anos, venceu a Famelab 2020 pelo voto popular Divulgação Por trás da história do Capitão América – que ficou congelado no fundo do oceano por 70 anos, e voltou à vida como se o tempo não tivesse passado – há ciência. Foi usando este exemplo pop para explicar o conceito científico da criopreservação que a médica veterinária Gabriela Ramos Leal, de 34 anos, venceu uma competição internacional de comunicação científica, pelo voto popular, a Famelab 2020. O objetivo da competição, que envolveu pesquisadores de 32 países, é estimular cientistas e pesquisadores a traduzirem os conceitos científicos em uma linguagem acessível à população. "Quando você faz a pessoa entender o impacto da pesquisa científica na vida dela, ela passa a valorizar. É importante, justamente porque aquilo que a gente desenvolve em laboratório é feito para a sociedade, que paga e financia essas pesquisas", afirma Leal. Apresentador do Famelab anuncia Gabriela Leal, 34 anos, como vencedora no voto popular. Edição foi virtual devido à pandemia. Reprodução/Youtube Se a pesquisadora falasse sobre o congelamento de embriões para melhorar a estrutura genética de um rebanho, por exemplo, talvez poucas pessoas se interessassem. Mas a ciência por trás do método pode despertar a atenção de muitos, basta saber contar uma história, afirma. "Gosto de contar histórias, e quando você pega e conta uma história sobre aquele conceito científico e consegue chamar a atenção da pessoa para isso, você consegue uma conexão", fala. "A criopreservação é uma forma de conservação pelo frio. Não usamos gelo, mas são temperaturas muito baixas. Sempre uso como exemplo o Capitão América, da Marvel. Ele afundou no oceano, voltou 70 anos depois com a mesma cara, sem um fio de cabelo branco, como se não tivesse passado nenhum dia dele. Esse é o processo pelo frio", explica. Pôster de 'Capitão América: o primeiro vingador' Divulgação/Marvel "As baixas temperaturas param o metabolismo, as reações que acontecem dentro das células. Justamente por isso, aquela estrutura congela. A criopreservação, é como se o tempo parasse", afirma. Doutora em reprodução animal e professora da Universidade Castelo Branco (UCB), no Rio de Janeiro, Leal usa a criopreservação em suas pesquisas para congelar embriões e óvulos. "A diferença do que faço para o Capitão América é que a gente não consegue fazer isso com corpos inteiros, somente com estruturas menores", afirma. Ciência nas escolas Imagem de arquivo, anterior à pandemia, mostra estudantes em laboratório de ciência. Dioneia /Arquivo Pessoal Ciência sempre foi a matéria que Gabriela Leal mais gostava na escola, ao lado de língua portuguesa. Não à toa, as duas habilidades se uniram para que ela vencesse a premiação. Para ela, é na escola que o interesse inicial pela ciência deve ser desenvolvido. "Não existe momento mais apropriado para conquistar os jovens", fala. Mas, há entraves, como a estrutura física das escolas. Dados do Censo Escolar apontam que 38% das escolas públicas têm laboratórios de ciências, enquanto na rede privada o índice é de 57,2%. "O que poderia ajudar [a despertar o interesse dos alunos] são as aulas práticas. Nem toda escola tem um laboratório. A prática ajuda muito a visualizar aquilo que está na teoria, e comunica a importância daquilo para o aluno", reflete. Conhecimento é antídoto à 'fake news' na pandemia Para Leal, o conhecimento é um antídoto para não cair em notícias falsas que circulam na internet e pode trazer uma maior compreensão sobre o que está acontecendo na pandemia. "Mais do que nunca a gente consegue observar como é importante comunicar ciência. No meio da pandemia, com uma doença nova, descobertas científicas ocorrendo a todo momento, e ainda assim há uma rede incrível de fake news, onde cada um solta uma coisa, que daqui a pouco vira verdade absoluta", reflete. Caso o conhecimento científico fosse disseminado, diz Leal, talvez a pandemia nem tivesse começado. Isso porque a suspeita é que o vírus, que circula entre morcegos, tenha passado para humanos por meio da alimentação, seja diretamente pelo mamífero ou pelo intermediário pangolim. "As pessoas tiveram contato com animais silvestres, sem controle de inspeção. Nós [médicos veterinários] que fazemos o controle de inspeção não comeríamos um animal daquele porque sabemos dos riscos que pode trazer", afirma. Vídeos: Educação Veja Mais

Calendário da vacinação contra a Covid pelo mundo: veja cronograma dos primeiros países a vacinarem

Glogo - Ciência Rússia já começou; Reino Unido tem planos de iniciar na semana que vem. Veja o calendário do início da vacinação em massa contra a Covid-19 pelo mundo A Rússia anunciou, nesta sexta-feira (4), que pretende imunizar 2 milhões de pessoas contra a Covid-19 ainda este mês. Na quarta, o Reino Unido anunciou que começaria a vacinar a população na semana que vem. Vários outros países europeus também fizeram anúncios. Veja, abaixo, o que se sabe sobre o início da vacinação em cada país: Alemanha Previsão de início: ainda em dezembro, mas com data não confirmada. No fim de novembro, a previsão era vacinar 450 mil moradores de Berlim, a capital, até a metade do mês, com 20 mil imunizações diárias. Pessoas com dificuldade de mobilidade serão vacinadas em casa. Quem terá prioridade: ainda não está definido, mas instituições de pesquisa e um comitê de ética sugeriram, em um documento, que idosos e pessoas que pertencem ao grupo de risco, como diabéticos, obesos e hipertensos, deverão ter prioridade. Também entram na lista profissionais de saúde, bombeiros, policiais, professores e educadores. Como será: vacinação voluntária e gratuita. Etapas seguintes: ainda sem definição. Segundo o chefe do painel de vacinas do país, demorará até 2022 para vacinar toda a população. Quantas doses deve comprar: já garantiu 300 milhões de doses de diferentes fabricantes. Bulgária Previsão de início: ainda incerta. O Ministério da Saúde já disse que espera começar a vacinação uma semana após a chegada das primeiras 125 mil doses da vacina da Pfizer, previstas para o fim de dezembro. Quem terá prioridade: médicos, enfermeiros, dentistas e farmacêuticos. Como será: vacinação voluntária e gratuita. Etapas seguintes: Segundo o plano voluntário, professores, pessoas em lares de idosos e trabalhadores em fazendas de visons serão vacinados em seguida. Depois virão trabalhadores de serviços sociais e de empresas de infraestrutura crítica e pessoas com mais de 65 anos. Quantas doses deve comprar: de 12 a 13 milhões, por cerca de 250 milhões de euros (R$ 1,56 bilhão). Freezers já estão sendo preparados para armazenar a vacina da Pfizer, que precisa ficar a uma temperatura de -70°C. O Parlamento apoiou o plano do governo de participar de um esquema da União Europeia e obter vacinas da Pfizer, AstraZeneca e Sanofi. Portugal Previsão de início: janeiro de 2021. A primeira etapa de vacinação deve terminar até fevereiro, e, se houver atrasos, pode acabar em abril. A intenção é vacinar quase 10% da população nessa fase. Quem terá prioridade: Pessoas com mais de 50 anos com doenças preexistentes, profissionais da linha de frente – como da saúde, da segurança e militares, pessoas em casas de repouso e unidades de terapia intensiva. Como será: vacinação voluntária e gratuita. Etapas seguintes: 2,7 milhões de pessoas deverão ser imunizadas na segunda fase de vacinação – incluindo pessoas com mais de 65 anos. O resto da população será vacinado em uma terceira etapa. Quantas doses deve comprar: 22 milhões, por 200 milhões de euros (cerca de R$ 1,25 bilhão). Assinou acordos com os fabricantes potenciais CureVac, Pfizer-BioNTech, Moderna, Johnson, Sanofi e GSK. A Pfizer já disse que as primeiras doses podem chegar ao país nos primeiros dias de 2021. Vacina da Pfizer contra Covid usa tecnologia chamada de RNA mensageiro; veja como funciona Reino Unido Previsão de início: 8 de dezembro, segundo o chefe do NHS, o serviço público de saúde britânico, Chris Hopson. A expectativa é de começar a vacinação com 800 mil doses disponíveis já na semana que vem. No dia 3, Hopson disse em uma rede social que essas doses podem ser as únicas que o país receberá "por um tempo". Quem terá prioridade: Idosos em casas de repouso e funcionários foram colocados no topo da lista de prioridades recomendada pelo Comitê Conjunto de Vacinação e Imunização (JCVI). Depois vêm os maiores de 80 anos e as equipes de saúde e atenção da linha de frente. Em seguida, nesta ordem: pessoas acima de 75, 70 e 65 anos; pessoas de 16 a 64 anos com doenças preexistentes; pessoas acima de 60, 55 e 50 anos. Como será: vacinação voluntária e gratuita. Etapas seguintes: A segunda fase da vacinação provavelmente terá como alvo aqueles com maior risco de exposição ocupacional e/ou prestação de serviços públicos essenciais, incluindo professores e trabalhadores de transporte. Depois virá o resto da população. Quantas doses deve comprar: já adquiriu 40 milhões da vacina da Pfizer/BioNTech, suficiente para vacinar 20 milhões de pessoas. Rússia Previsão de início: já começou para parte da população. Até o dia 4 de dezembro, mais de 100 mil pessoas já haviam sido vacinadas, segundo o governo. A meta é que 2 milhões sejam imunizadas até o fim do mês. Campanha em Moscou começa no dia 5, com prioridade para grupos de alto risco. Quem terá prioridade: Grupos com maior risco – como profissionais de saúde, professores e trabalhadores de transporte. Como será: vacinação voluntária e gratuita. Etapas seguintes: uma segunda candidata desenvolvida e aprovada no país, a EpiVacCorona, também deverá ser aplicada em massa no ano que vem. Quantas doses deve comprar: produziu a própria vacina, a Sputnik V. Expectativa é fazer parcerias internacionais para produzir a vacina, que é aplicada em duas doses, para mais de 500 milhões de pessoas no mundo em 2021. VÍDEOS: Veja novidades sobre vacinas contra a Covid-19 Veja Mais

Últimos dias

Progresso das vacinas contra a Covid dá 'tranquilidade', mas não é sinal de que a pandemia acabou, diz OMS

Glogo - Ciência "Vacinas e [campanhas de] vacinação não resolverão por si só o problema", disse o diretor Michael Ryan. "Nem todo mundo terá acesso às vacinas no início do ano que vem". OMS alerta que pandemia não acabou, apesar de progresso nas vacinas A distribuição das vacinas contra a Covid-19 não eliminará a pandemia, advertiu a Organização Mundial da Saúde (OMS), nesta sexta-feira (4). "As vacinas não significam zero Covid. Vacinas e [campanhas de] vacinação não resolverão por si só o problema", explicou o diretor de Emergências da OMS, Michael Ryan. "Nem todo mundo terá acesso às vacinas no início do ano que vem" - Michael Ryan, diretor de Emergências da OMS O Reino Unido se tornou na quarta-feira, o primeiro país ocidental a aprovar o uso de uma vacina contra a pandemia. Rússia diz que já vacinou 100 mil pessoas contra Covid-19 e pretende chegar a 2 milhões ainda em dezembro Bahrein é o segundo país a aprovar a vacina da Pfizer e BioNTech O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, explicou que o progresso vivido nesse ano no campo das vacinas "nos dá tranquilidade, podemos começar a ver uma luz no fim do túnel". "Mas a OMS está preocupada diante da crescente percepção de que a pandemia acabou", alertou. "A verdade é que nesses momentos, muitos países estão sofrendo uma alta transmissão do vírus, o que impões uma enorme pressão nos hospitais, nos cuidados intensivos (UTIs) e aos profissionais da saúde", completou. Pobres pisoteados pelos ricos Em outro evento, a cúpula virtual da ONU sobre a pandemia do coronavírus, o diretor-geral da OMS alertou para a preocupação com a imunização dos mais pobres. "Simplesmente não podemos aceitar um mundo no qual os pobres e marginalizados sejam pisoteados pelos ricos e poderosos na corrida pelas vacinas", ressaltou Tedros. "Esta é uma crise global e as soluções devem ser compartilhadas equitativamente como bens públicos globais. Não como matérias-primas privadas que aumentam as desigualdades e se tornam mais um motivo pelo qual algumas pessoas são deixadas para trás", disse. O diretor da OMS também alertou que o mundo tem muitos outros desafios. "Não existe vacina contra a pobreza, não existe vacina contra a fome. Não existe vacina contra a desigualdade. Não existe vacina contra as mudanças climáticas", afirmou. Tedros, um médico e diplomata etíope, elogiou os países por fornecerem vacinas, testes e tratamentos gratuitos para a doença, mas questionou o motivo de não haver esforços semelhantes com outras doenças já existentes, como câncer, tuberculose ou HIV/AIDS, ou para necessidades como cuidados maternos. "A pandemia apenas ressaltou por que a cobertura universal de saúde é tão importante", finalizou. VÍDEOS: novidades sobre a vacina contra a Covid Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 4 de dezembro, segundo consórcio de veículos de imprensa (atualização das 13h)

Glogo - Ciência País tem 175.432 óbitos e 6.496.050 diagnósticos de Covid-19, segundo levantamento junto às secretarias estaduais de Saúde. Brasil tem mais de 175 mil mortes confirmadas por coronavírus, segundo consórcio O Brasil tem 175.432 mortes por coronavírus confirmadas até as 13h desta sexta-feira (4), segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Desde o balanço das 20h de quinta-feira (3), 7 estados atualizaram seus dados: CE, GO, MG, MS, RN, PE e RR. Veja os números consolidados: 175.432 mortes confirmadas 6.496.050 casos confirmados Na quinta-feira, às 20h, o balanço indicou: 175.307 mortes confirmadas, 776 em 24 horas. Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 544. A variação foi de 0% em comparação à média de 14 dias atrás, indicando tendência de estabilidade nas mortes por Covid, quando não há aumento ou queda significativos. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 6.487.516 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 50.883 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 40.421 novos diagnósticos por dia, a maior desde 31 de agosto --quando chegou a 40.526. Isso representa uma variação de +37% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de alta nos diagnósticos. Brasil, 3 de dezembro Treze estados apresentaram alta na média móvel de mortes: PR, RS, SC, ES, MS, AC, AP, RO, CE, PB, PE, RN e SE. Também vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Estados Subindo (13 estados): PR, RS, SC, ES, MS, AC, AP, RO, CE, PB, PE, RN e SE Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (10 estados + o DF): MG, SP, DF, MT, AM, PA, RR, TO, BA, MA e PI Em queda (3 estados): RJ, GO e AL Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Estados com mortes em alta Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em estabilidade Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em queda Editoria de Arte/G1 Sul PR: +22% RS: +28% SC: +112% Sudeste ES: +31% MG: 0% RJ: -36% SP: -12% Centro-Oeste DF: +6% GO: -41% MS: +87% MT: +7% Norte AC: +100% AM: -3% AP: +31% PA: +7% RO: +183% RR: +14% TO: -5% Nordeste AL: -26% BA: -5% CE: +77% MA: +5% PB: +16% PE: +18% PI: -2% RN: +137% SE: +40% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja Mais

Casos de SRAG crescem pela segunda semana; 22 estados têm tendência de alta, aponta Fiocruz

Glogo - Ciência Sigla para síndrome respiratória aguda grave, a SRAG pode ser causada por vários vírus respiratórios, mas, neste ano, quase 98% dos casos no país são por Covid-19. Número de capitais sob alerta subiu de 12 para 13. Foto mostra aula no dia 24 de novembro na Escola Municipal de Aplicação Carioca Coelho Neto, no Rio de Janeiro, enquanto algumas escolas retomam a abertura gradual. Pilar Olivares/Reuters Os casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) mostraram uma tendência de aumento no país pela segunda semana consecutiva, indica o boletim semanal de monitoramento da Fiocruz, o Infogripe, divulgado nesta quinta-feira (3). O levantamento indica que 22 estados têm ao menos uma região com alta no número de casos nas últimas 3 ou 6 semanas. Além disso, o número de capitais com a mesma tendência nesse período aumentou de 12 para 13 (veja listas mais abaixo). Entre as capitais, Maceió, Rio de Janeiro, São Luís e São Paulo já mostram tendência de aumento de casos há pelo menos 6 semanas. A SRAG pode ser causada por vários vírus respiratórios, mas, neste ano, cerca de 98% dos casos no país têm o vírus da Covid-19 (Sars-CoV-2) como causa, segundo a Fiocruz. Na semana passada, a fundação apontou a primeira tendência de aumento de casos para todo o território nacional desde julho. Os sinais de crescimento nos casos já vinham aparecendo há pelo menos 2 meses e meio nas capitais, mas aquela foi a primeira sinalização para todo o Brasil. O mês passado também foi o primeiro, desde agosto, em que a queda percentual das mortes por Covid-19 foi menor do que a do mês anterior. 13 capitais em alta As tendências calculadas pela Fiocruz se referem ao período anterior à data do boletim. Por exemplo: as tendências de longo prazo apontam para o que foi visto nas 6 semanas anteriores; já as de curto prazo apontam para as 3 semanas anteriores. O monitoramento desta semana indica que 13 das 27 capitais brasileiras têm sinal moderado ou forte de que houve crescimento de casos nas últimas 6 semanas. Na semana passada, eram 12 capitais. Capitais com sinal forte de crescimento nas últimas 6 semanas: Campo Grande Curitiba Goiânia Maceió Palmas Salvador Capitais com sinal moderado de crescimento nas últimas 6 semanas: Belo Horizonte Cuiabá Manaus Plano Piloto de Brasília e arredores (Região de Saúde Central do DF) Rio de Janeiro São Luís São Paulo Além disso, Teresina mostrou um sinal moderado de crescimento nos casos nas últimas 3 semanas (tendência de curto prazo). A Fiocruz alerta que as tendências para Mato Grosso não são confiáveis, porque há muita diferença entre os dados usados no boletim e os vistos no sistema do próprio estado. Aumento nos estados Além do aumento nas capitais, agora há 22 estados que mostraram tendência de aumento de casos nas últimas 6 ou 3 semanas em ao menos uma macrorregião de saúde. As macrorregiões são formadas por uma ou mais regiões de saúde estruturadas para atender casos de média e alta complexidade. Veja, abaixo, as tendências nos estados: Tendência de aumento para mais da metade das macrorregiões de saúde: Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Tendência de aumento para metade das macrorregiões de saúde: Alagoas, Rio Grande do Norte, Rondônia e Tocantins. Tendência de aumento para um quarto das macrorregiões de saúde: Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Pará, Pernambuco e Piauí. Tendência de aumento para um terço das macrorregiões de saúde: Amazonas, Bahia e Maranhão. Nenhum estado apresentou tendência de aumento em todas as macrorregiões de saúde. Acre, Amapá, Roraima, Sergipe e Distrito Federal – que haviam aparecido com tendência de aumento na semana passada – têm somente uma macrorregião de saúde. A situação voltou a se estabilizar nesses lugares, mas o número de casos não voltou a cair depois do aumento. Veja vídeos sobre novidades da vacina contra a Covid-19: Veja Mais

Algumas lições sobre o manejo da insônia e do estresse

Glogo - Ciência III Congresso de Medicina de Estilo de Vida valoriza abordagens terapêuticas não farmacológicas Há alguns meses, quando entrevistei a médica Sley Tanigawa Guimarães, presidente do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida, me encantou a abordagem terapêutica desses profissionais da saúde. Ela se baseia em seis pilares, que são nutrição, atividade física, sono, manejo do estresse, relacionamentos saudáveis e controle de tóxicos, categoria que inclui cigarro, álcool, drogas ilícitas e mesmo automedicação. Tudo isso foi abordado no III Congresso de Medicina de Estilo de Vida, realizado de 18 a 21 de novembro. A aula sobre como combater a insônia foi do psiquiatra e psicogeriatra Rafael Góis Campos, que lembrou que o sono tem múltiplas funções: além de descanso e regeneração, consolidação do aprendizado e defesa do sistema imunológico. “Portanto, noites maldormidas causam problemas físicos, sociais, cognitivos e psicológicos, como fadiga, falta de atenção e memória, baixo rendimento e complicações cardiovasculares, para quem dorme menos de seis horas por dia”, alertou. Segundo ele, tanto dormir demais (hipersonia) quanto de menos (insônia) podem ser quadros patológicos – o normal ficaria em torno de sete horas e meia por noite, embora o dormidor curto, que se contenta com seis horas, e o longo, que precisa de dez, sejam variações dentro da normalidade. “A sociedade moderna não valoriza o sono, dorme-se 25% a menos que há cem anos, mas nosso organismo não mudou”, complementou. Noites maldormidas causam problemas físicos, sociais, cognitivos e psicológicos Gerd Altmann para Pixabay Há causas clínicas que interferem no sono, como dores agudas ou crônicas, doenças neurológicas e psiquiátricas. No entanto, o doutor Campos afirmou que questões comportamentais e condições inadequadas são as principais vilãs, correspondendo a 70% dos casos de insônia. “O primeiro passo é romper o círculo vicioso de estado de hipervigilância, que leva à crença de que não se vai dormir e acaba se transformando numa noite maldormida”, ensinou, listando orientações que chamou de “higiene do sono”: 1) Evite cochilos diurnos e se exercitar à noite: o limite é duas horas antes da hora de se deitar. Não durma com fome, mas fuja de refeições de difícil digestão, assim como de cafeína e tabaco. Bebidas alcoólicas parecem relaxar, mas tornam o sono superficial. 2) Luminosidade, temperatura e ruídos devem ser ajustados: o ambiente não pode ser claro, nem quente, nem frio, e silencioso. Cuidado com cônjuges que roncam, filhos que vão para a cama dos pais e animais de estimação – todos interferem na qualidade do sono. 3) Colchão e travesseiros devem ser confortáveis e adequados. O papo de vendedor de que passamos um terço das nossas vidas na cama é a mais pura verdade! 4) É importante ter horários regulares para deitar e acordar. Criar um ritual, como tomar chá, ajuda o corpo a entender que está indo dormir. Sobre o manejo do estresse, as lições são da neurologista Ana Rosa Airão, chefe do ambulatório de neuropediatria do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle. “Quando é tóxico, ele ultrapassa o limite de resistência, mas experiências positivas podem barrar o estresse”, disse. “Temos dois caminhos: podemos mudar o meio externo para nos proteger, o que nem sempre é possível; ou mudar nossa experiência interna – e isso sempre é possível”, enfatizou. Há diversas opções para construir essa barreira interna e listo algumas das citadas pela médica: desenvolver a autoconsciência, para reconhecer a situação; desenvolver técnicas de manejo como frequentar aulas de ioga, praticar meditação ou mindfulness, ficar em contato com a natureza; ou abraçar a espiritualidade, laica ou religiosa. Sobre a meditação, vale lembrar que a palavra tem origem no latim meditare, que significa voltar-se para o centro, isto é, buscar o equilíbrio. Algo capaz de diminuir a pressão arterial e a frequência cardíaca e respiratória – há diversos tutoriais para iniciantes na internet. Na próxima coluna, cuide da sua microbiota! Veja Mais

Quarentena para pessoas com suspeita de contato com o coronavírus nos EUA tem prazo reduzido para 7 dias em caso de teste negativo, indica CDC

Glogo - Ciência Prazo reduzido se aplica para quem teve proximidade com um paciente infectado pela Covid-19 e depois passou por exame. Desde o início da pandemia, recomendação é que, após possível contato com o vírus, a pessoa fique 14 dias em isolamento. Ilustração feita pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos EUA, mostra a morfologia do novo coronavírus Alissa Eckert, MS; Dan Higgins, MAM/CDC/Handout via Reuters O Centro de Controle de Prevenção de Doenças (CDC), órgão de saúde dos Estados Unidos, redefiniu o tempo recomendado para que uma pessoa fique em isolamento após ter contato com um paciente infectado pela Covid-19. Quem teve proximidade com um amigo ou qualquer outra pessoa que teve a doença confirmada precisa ficar ao menos 10 dias em isolamento. Caso faça um teste e ele dê negativo, o tempo cai para 7 dias, de acordo com a agência de notícias Associated Press. (CORREÇÃO: o G1 errou ao informar inicialmente que o CDC reduziria a quarentena para pacientes infectados pelo novo coronavírus. Na verdade, o órgão de saúde americano diminuirá o período para pessoas que testaram negativo para o vírus depois de terem tido contato próximo com pacientes da Covid. A informação foi corrigida às 16h39). Apesar da mudança nos EUA, a recomendação da Organização Mundial da Saúde, no entanto, continua sendo de 14 dias de isolamento. Em entrevista à Associated Press, um funcionário do alto escalão do governo americano informou que a medida estava em discussão há algum tempo com base em estudos de cientistas sobre o período de incubação do vírus (tempo entre o contato com o coronavírus e o desenvolvimento dos sintomas). Henry Walke, um dos diretores da agência, fez uma ressalva à emissora americana CNBC. Ele explicou que o período de 14 dias ainda é "a melhor forma de evitar a transmissão do Sars-CoV-2", mas a nova opção é uma alternativa mais curta e "aceitável". "Reduzir a duração da quarentena pode tornar mais fácil para as pessoas seguirem com as ações mais críticas de saúde, reduzindo as dificuldades econômicas associadas a um período mais longo, especialmente se não puderem trabalhar durante esse tempo" - Henry Walke, diretor do CDC Segundo levantamento da Universidade Johns Hopkins, os Estados Unidos têm mais de 13,7 milhões de casos confirmados da Covid-19, com 271.347 mortes devido à doença. A mesma base de dados aponta o Brasil como terceiro país mais afetado em número de infectados pela doença, com 6,3 milhões de casos e 173.817 mortes. Vídeos: novidades sobre vacinas contra a Covid-19 Initial plugin text Veja Mais

Vacinação contra a Covid-19: veja o que se sabe sobre os planos de cada país

Glogo - Ciência Reino Unido deve começar a imunizar a população na semana que vem; Rússia já havia anunciado aplicação em massa, mas ainda não começou. No Brasil, idosos, profissionais da saúde e indígenas terão prioridade, segundo Ministério da Saúde, mas ainda não há data prevista para o início da aplicação das vacinas. Enfermeira prepara dose da vacina russa contra Covid-19 Sputnik V, em Moscou, em foto de 10 de setembro Natalia Kolesnikova/AFP O Reino Unido anunciou, nesta quarta-feira (2), que deve começar a vacinar sua população na semana que vem contra a Covid-19. Profissionais de saúde deverão estar entre os primeiros a serem vacinados. A Rússia já havia anunciado a imunização de equipes de saúde e, ao mesmo tempo, da população como um todo, mas ainda não começou a aplicação em massa. No Brasil, o Ministério da Saúde anunciou, na segunda (1°), que idosos, profissionais da saúde e indígenas terão prioridade de imunização, mas ainda não há data prevista para o início da aplicação das vacinas. Veja, abaixo, o que se sabe sobre os planos de vacinação contra a Covid-19 de cada país que já fez anúncios: Brasil VÍDEO: Entenda o plano de vacinação contra Covid-19 proposto pelo Ministério da Saúde Ainda não há data prevista para o início da aplicação das vacinas no Brasil. No dia 1° de dezembro, o Ministério da Saúde divulgou os primeiros pontos da estratégia "preliminar" para a vacinação da população contra a Covid-19. De acordo com a pasta, o plano será dividido em quatro etapas de vacinação: Primeira fase: trabalhadores da saúde, população idosa a partir dos 75 anos de idade, pessoas com 60 anos ou mais que vivem em instituições de longa permanência (como asilos e instituições psiquiátricas) e população indígena. Segunda fase: pessoas de 60 a 74 anos. Terceira fase: pessoas com comorbidades que apresentam maior chance para agravamento da Covid-19 (como pacientes com doenças renais crônicas e cardiovasculares). Quarta fase: professores, forças de segurança e salvamento, funcionários do sistema prisional e população privada de liberdade. O governo não prevê vacinar toda a população do país no ano que vem. Em nota, a pasta da Saúde informou que a expectativa é imunizar 109,5 milhões de pessoas em 2021. Alemanha Países da Europa planejam vacinação contra Covid já para dezembro O país deve preparar a vacinação de 450 mil habitantes de Berlim até a metade de dezembro, segundo anúncio feito no fim do mês passado. Centros de vacinação estão sendo criados em diferentes regiões da Alemanha, e o objetivo é fazer 20 mil aplicações por dia – mas apenas em idosos e pessoas que pertencem a grupos de risco, como diabéticos, obesos e hipertensos. Os centros de vacinação devem ficar abertos sete dias por semana, das 9h às 19h. O governo pretende convocar enfermeiros aposentados, estudantes de medicina, recepcionistas e agentes de segurança para auxiliar na campanha, segundo a emissora "RFI". Depois, as vacinas serão dadas pelos médicos em seus consultórios. China A CoronaVac está sendo desevolvida pela chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan EPA Não se sabe exatamente quantas nem quais pessoas já receberam ou irão receber uma vacina contra a Covid-19 na China, que desenvolve vários imunizantes. Segundo a rede britânica BBC, as vacinas da estatal Sinopharm e da Sinovac, ambas ainda na última fase de testes, têm sido aplicadas em profissionais de saúde, integrantes das equipes de controle da pandemia, funcionários públicos que atuam nas fronteiras do país, empregados de empresas estatais e outras pessoas. No início de outubro, a Sinopharm disse que centenas de milhares de pessoas já haviam recebido suas vacinas candidatas, segundo o jornal americano "The New York Times" noticiou no início de outubro. A estatal tem dois imunizantes na corrida: um é produzido por seu laboratório em Pequim e o outro, em Wuhan, cidade onde os primeiros casos de Covid-19 do mundo foram reportados à Organização Mundial de Saúde (OMS). Já a Sinovac, que testa sua candidata no Brasil, disse que mais de 10 mil pessoas em Pequim foram imunizadas com sua vacina, também de acordo com o "The New York Times". Além dessas, outras cerca de 3 mil pessoas – quase todos os funcionários da empresa – e suas famílias também aceitaram tomar a vacina, de acordo com a Sinovac. Uma outra candidata, da CanSino, foi aplicada em militares, de acordo com a rede britânica BBC. Reino Unido VÍDEO: Vacina da Pfizer é aprovada no Reino Unido e imunização começa na próxima semana No dia 2 de dezembro, o secretário de Saúde britânico, Matt Hancock, afirmou que idosos e pessoas em casas de repouso, incluindo funcionários, seriam os primeiros na fila de imunização. Profissionais do NHS, o serviço público de saúde do Reino Unido, também estão no topo da lista, segundo Hancock. Rússia No fim de novembro, a Rússia anunciou a liberação de lotes da vacina Sputnik V para militares e ao menos um hospital. Quando registrou a vacina, em agosto, o país disse que começaria a vacinar toda a população em outubro, mas, no mês passado, o laboratório que desenvolveu e produz o imunizante afirmou que a vacinação poderia começar entre janeiro e fevereiro de 2021. Até agora, os lotes da Sputnik V que já foram entregues em várias partes da Rússia são apenas para grupos de risco, principalmente médicos e professores, segundo o governo. A segunda vacina produzida em solo russo, a EpiVacCorona, tem previsão de entrar em "circulação civil" no dia 10 de dezembro. A vacinação em massa com o segundo imunizante está prevista para o ano que vem, segundo a agência de notícias estatal Tass. VÍDEO: Entenda as semelhanças e diferenças entre as principais vacinas em testes mundo VÍDEOS: Veja novidades sobre vacinas contra a Covid-19 Veja Mais

Plano de imunização do governo não prevê vacinas que exijam baixíssimas temperaturas, afirma secretário

Glogo - Ciência Arnaldo Medeiros destacou que plano exigirá que vacina seja 'termoestável', ou seja, que não precise de baixíssimas temperaturas de armazenamento, como ocorre com candidatas da Pfizer e da Moderna. Secretário de Vigilância em Saúde diz que vacina ideal é a que seja 'termoestável' O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Arnaldo Medeiros, disse nesta terça-feira (1) que o plano de vacinação contra Covid-19, que ainda está em elaboração, tem como meta a adoção de imunizantes que sejam termoestáveis, ou seja, que não precisem de baixíssimas temperaturas de armazenamento, como ocorre com candidatas da Pfizer e da Moderna. A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) já havia alertado que países nas Américas não estão prontos para receber vacinas contra a Covid-19 baseadas em RNA (material genético), que precisam ser armazenadas em temperaturas muito baixas. Vacinação contra a Covid no Brasil não será obrigatória e grupos de risco terão prioridade Insumos, aprovação e transporte: o caminho até a vacinação contra a Covid-19 Durante entrevista coletiva sobre o combate à Aids, o secretário retomou pontos já apresentados pelo governo em relação à vacinação, mas acrescentou que o plano de imunização só ficará pronto quando a Anvisa já tiver concedido o registro de uma ou mais vacinas. “É fundamental pensarmos que esse plano operacional para a vacinação da Covid-19 só definitivamente ficará pronto, fechado, quando tivermos uma vacina, ou mais de uma, que esteja registrada na Anvisa. Para isso, ela precisa mostrar seus dados de segurança e eficácia para a população brasileira”, disse Medeiros. Entenda os desafios para o armazenamento das vacinas contra Covid que estão em teste Temperatura de armazenamento Sem citar nomes de laboratórios, Medeiros falou também sobre o perfil de vacina desejada. Um dos pontos, segundo o secretário, é que ela seja termoestável. "Desejamos que a vacina seja fundamentalmente termoestável por longos períodos, em temperaturas de 2 a 8 graus, porque a nossa rede de frios é montada e estabelecida com essa temperatura". Tanto a Pfizer quanto a Moderna buscam alternativas para driblar a exigência de baixas temperaturas. No caso da Pfizer, a vacina precisa ficar em temperatura inferior -70° C durante o transporte. A empresa conta que desenvolveu uma embalagem especial (em formato de caixa) com temperatura controlada que utiliza gelo seco para manter a condição de armazenamento recomendada (...) por até 15 dias. Já a Moderna conseguiu alcançar uma temperatura de armazenamento a -20° C. A microbiologista e pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP) Natalia Pasternak afirma que a empresa já conseguiu ainda que o imunizante seja mantido por um mês em geladeira tradicional. Mais sobre o perfil das vacinas Outros pontos sobre o perfil desejado são: segurança, proteção contra doença grave e moderada, eficácia, indução de memória imunológica, possibilidade de uso em todas as faixas etárias e grupos populacionais, proteção com dose única e que ela acrescente tecnologia com baixo custo de produção. "Nós estamos avançando com o plano de imunização para Covid-19 e devemos ter os resultados ainda esta semana sobre os 10 eixos", completou Medeiros. Na sexta-feira (27), o Ministério da Saúde informou que uma vacina contra a Covid-19 não deve ser oferecida para toda a população em 2021. A coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI) da pasta, Francieli Fontana, explicou que, como alguns grupos não estão participando dos testes das vacinas, não seria possível imunizar toda a população brasileira. Entenda como funcionam os testes da vacina contra Covid "Nós definimos objetivos [com grupos prioritários] para a vacinação, porque não temos uma vacina para vacinar toda a população brasileira. Além disso, os estudos não preveem estar trabalhando com todas as faixas etárias inicialmente, então não teríamos mesmo como vacinar toda a população brasileira", disse Francieli. O secretário-executivo Elcio Franco citou também as limitações mundiais de produção. “Quando a gente fala em imunização, o mundo não entende que terá que ter vacina para todos. A própria Covax Facility, iniciativa que junta uma série de laboratórios, ela almeja acesso a 2 bilhões de doses para a vacinar todo o mundo, e por aí verificamos que é uma meta bastante ambiciosa porque não se imagina que haverá vacina para vacinar todos os cidadãos do planeta Terra.” VÍDEOS: Novidades sobre as vacinas Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 1° de dezembro, segundo consórcio de veículos de imprensa (atualização das 13h)

Glogo - Ciência País tem 173.229 óbitos e 6.344.345 diagnósticos de Covid-19, segundo levantamento junto a secretarias estaduais de Saúde. Brasil tem média de 35,4 mil casos de Covid por dia na última semana O Brasil tem 173.229 mortes por coronavírus confirmadas até as 13h desta terça-feira (1°), segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Desde o balanço das 20h de segunda-feira (30), 6 estados atualizaram seus dados: CE, GO, MG, MS, PE e TO. Veja os números consolidados: 173.229 mortes confirmadas 6.344.345 casos confirmados Na segunda-feira, às 20h, o balanço indicou: 173.165 mortes confirmadas, 317 em 24 horas. Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 518. A variação foi de -7% em comparação à média de 14 dias atrás, indicando tendência de estabilidade nas mortes por Covid, quando não há aumento ou queda significativos. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 6.336.278 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 22.622 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 35.468 novos diagnósticos por dia, a maior desde 6 de setembro --quando chegou a 39.356. Isso representa uma variação de 20% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de alta nos diagnósticos. Brasil, 29 de novembro Oito estados apresentaram alta na média móvel de mortes: Santa Catarina, Espírito Santo, Acre, Amazonas, Rondônia, Ceará, Pernambuco e Sergipe. Também vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Estados Subindo (8 estados): SC, ES, AC, AM, RO, CE, PE e SE Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (7 estados): PR, RS, RJ, AP, PA, BA e MA Em queda (11 estados + DF): MG, SP, DF, GO, MS, MT, RR, TO, AL, PB, PI e RN Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Estados com alta de mortes por coronavírus Arte/G1 Estados em que há estabilidade nas mortes por coronavírus Arte/G1 Estados com queda nas mortes por coronavírus Arte/G1 Sul PR: +4% RS: -8% SC: +111% Sudeste ES: +55% MG: -24% RJ: -1% SP: -21% Centro-Oeste DF: -23% GO: -50% MS: -26% MT: -64% Norte AC: +80% AM: +33% AP: -6% PA: +2% RO: +50% RR: -50% TO: -38% Nordeste AL: -22% BA: -4% CE: +206% MA: -4% PB: -22% PE: +22% PI: -37% RN: -22% SE: +71% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja Mais

Plano de imunização só ficará pronto quando tivermos vacina registrada na Anvisa, diz secretário do Ministério da Saúde

Glogo - Ciência O secretário de Vigilância em Saúde explicou como vai funcionar o plano de vacinação contra Covid-19 durante uma coletiva sobre combate à Aids. Ele também falou sobre o perfil de vacina desejada: "que ela seja termoestável". O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Arnaldo Medeiros, disse nesta terça-feira (1), em coletiva sobre o combate à Aids, que o plano de vacinação contra Covid-19 só ficará pronto quando a vacina estiver registrada na Anvisa. Vacinação contra a Covid no Brasil não será obrigatória e grupos de risco terão prioridade Insumos, aprovação e transporte: o caminho até a vacinação contra a Covid-19 “É fundamental pensarmos que esse plano operacional para a vacinação da Covid-19, ele só definitivamente ficará pronto, fechado, quando tivermos uma vacina ou mais de uma, que esteja registrada na Anvisa. Para isso, ela precisa mostrar seus dados de segurança e eficácia para a população brasileira”. Medeiros falou também sobre o perfil de vacina desejada. Um dos pontos, segundo o secretário, é que ela seja termoestável. "Desejamos que a vacina seja fundamentalmente termoestável por longos períodos, em temperaturas de 2 a 8 graus, porque a nossa rede de frios é montada e estabelecida com essa temperatura". Outros pontos sobre o perfil desejado são: segurança, proteção contra doença grave e moderada, eficácia, indução de memória imunológica, possibilidade de uso em todas as faixas etárias e grupos populacionais, proteção com dose única e que ela acrescente tecnologia com baixo custo de produção. "Nós estamos avançando com o plano de imunização para Covid-19 e devemos ter os resultados ainda esta semana sobre os 10 eixos", completou Medeiros. Vacina contra Covid Jornal Nacional Vacina não deve contemplar toda população Na sexta-feira (27), o Ministério da Saúde informou que uma vacina contra a Covid-19 não deve ser oferecida para toda a população em 2021. A coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI) da pasta, Francieli Fontana, explicou que, como alguns grupos não estão participando dos testes das vacinas, não seria possível imunizar toda a população brasileira. "Nós definimos objetivos [com grupos prioritários] para a vacinação, porque não temos uma vacina para vacinar toda a população brasileira. Além disso, os estudos não preveem estar trabalhando com todas as faixas etárias inicialmente, então não teríamos mesmo como vacinar toda a população brasileira", disse Francieli. O secretário-executivo Elcio Franco citou também as limitações mundiais de produção. “Quando a gente fala em imunização, o mundo não entende que terá que ter vacina para todos. A própria Covax Facility, iniciativa que junta uma série de laboratórios, ela almeja acesso a 2 bilhões de doses para a vacinar todo o mundo, e por aí verificamos que é uma meta bastante ambiciosa porque não se imagina que haverá vacina para vacinar todos os cidadãos do planeta Terra.” Veja os 10 eixos do plano de vacinação Situação Epidemiológica Atualização das vacinas em estudo Monitoramento e orçamento Operacionalização da campanha Farmacovigilância Estudos de monitoramento e pós-marketing Sistema de informação Monitoramento, supervisão e avaliação Comunicação Encerramento da campanha VÍDEOS: Novidades sobre vacinas Veja Mais

Alta do desmatamento não é 'surpresa' diante do desmonte das políticas ambientais, dizem entidades

Glogo - Ciência Amazônia teve 11 mil km² de desmatamento entre agosto de 2019 e julho de 2020, apontam dados do Inpe divulgados nesta segunda-feira (30). Pesquisadores e entidades avaliam que o aumento de 9,5% no desmatamento na Amazônia entre agosto de 2019 e julho de 2020 não é "surpresa" diante do que classificam como "desmonte das políticas ambientais" durante a gestão do presidente Jair Bolsonaro. O balanço da temporada foi divulgado nesta segunda-feira (30) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e aponta que os estados da Amazônia Legal somaram 11 mil km² de desmatamento no período. Amazônia teve mais de 53 mil focos de incêndio em áreas públicas sem destinação em um ano Pará concentra quase metade de todo o desmatamento da Amazônia na última temporada Prodes: série histórica do desmatamento nos estados da Amazônia Legal Arte/G1 "Nada disso é uma surpresa para quem acompanha o desmonte das políticas ambientais no Brasil desde janeiro de 2019. Os números do Prodes simplesmente mostram que o plano de Jair Bolsonaro deu certo" - Observatório do Clima De acordo com a avaliação do Observatório do Clima, que é uma rede com 56 organizações não governamentais e movimentos sociais, os números do desmatamento anual "refletem o resultado de um projeto bem-sucedido de aniquilação da capacidade do estado Brasileiro e dos órgãos de fiscalização de cuidar de nossas florestas e combater o crime na Amazônia". "É o preço da 'passagem da boiada" - Observatório do Clima O Greenpeace, organização internacional que atua na proteção do meio ambiente no Brasil, tem um posicionamento semelhante: "A visão de desenvolvimento do governo Bolsonaro para a Amazônia nos leva de volta ao passado, marcado por altas taxas de desmatamento. É uma visão retrógrada, que não conversa com a maioria dos brasileiros e não condiz com os esforços necessários para lidar com as crises do clima e da biodiversidade." Cristiane Mazzetti, Gestora Ambiental do Greenpeace. "A incômoda verdade se revela por meio de números que dão a dimensão do descaso e da ineficácia", disse Cristiane Mazzetti. Esse número mostra que a gestão do preside Jair Bolsonaro e do ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles não conseguiram cumprir a intenção anunciada no ano passado. Sem citar meta, Salles disse que pretendia eliminar o desmate ilegal. Redução de multas do Ibama Em reportagem do G1, com base nos dados abertos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), constatou-se que apenas três de quase mil autuações aplicadas na Amazônia Legal foram pagas. A baixa reversão das autuações por desmatamento em multas está relacionada ao enfraquecimento da ação do Ibama. Ex-presidente do Ibama e especialista sênior em políticas públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo diz que a falta de fiscais em campo é um problema antigo, neste ano impulsionado pela pandemia e pelo aumento no pedido de aposentadorias. Ela diz que há anos o Ibama não tem feito novos concursos públicos para a contratação, com um quadro que ficou ainda mais reduzido com parte dos servidores em quarentena. Além disso, há uma tendência em tentar substituir os fiscais e reforçar a ação do Exército na Amazônia. Na visão de Araújo, a medida também enfraquece o combate ao desmatamento. "Os fiscais ambientais sabem olhar imagens, pegar o computador e ver o que está acontecendo na região. Tem toda uma sofisticação de como fazer essas operações, que é totalmente diferente de colocar um monte de gente do Exército. A solução é repor esse quadro de pessoal", completou. Veja as recentes polêmicas sobre o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles Incentivo ao garimpo Em fevereiro deste ano, o presidente Jair Bolsonaro assinou um projeto de lei para regulamentar a mineração e a geração de energia elétrica em terras indígenas. O projeto também abria a possibilidade de as aldeias explorarem as terras em outras atividades econômicas, como agricultura e turismo. A exploração mineral e hídrica está prevista na Constituição Federal, mas nunca foi regulamentada. Meses depois, uma pesquisa feita por quatro instituições apontou que a liberação da mineração em terras indígenas poderia aumentar em 22% a área afetada. Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), Centro de Sensoriamento Remoto da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Instituto Socioambiental (ISA) e Universidade de Queensland assinaram o estudo: "Grandes empresas de mineração não estariam inclinadas a correr o risco reputacional de se associarem com à destruição ambiental, uma vez que os fundos de investimentos levam esse aspecto em consideração. Assim, existe a possibilidade de que essa lei atraia apenas a ação de garimpeiros ilegais que, além de não pagarem impostos, degradam o meio ambiente sem qualquer prestação de contas", disse Britaldo Soares-Filho, professor da UFMG e coautor. Fundo Amazônia O Fundo Amazônia, que capta doações para projetos de preservação e fiscalização do bioma, tem cerca de R$ 2,9 bilhões parados e está sem atividade desde 2019, apontou a rede Observatório do Clima em uma audiência pública que analisou a paralisação das contas do Fundo pelo governo federal. "Informações prestadas pelo BNDES, gestor dos recursos, na ação que corre no Supremo indicam que a extinção dos comitês ou qualquer estabelecimento de governança diferente da original, sem prévia negociação com os doadores, afeta os compromissos já estabelecidos, podendo ensejar, inclusive, a restituição de recursos já doados", diz o documento apresentado por Suely Araújo. A audiência foi convocada por Rosa Weber, ministra do Supremo Tribunal Federal (STF). O tribunal analisa uma ação de partidos de oposição, que apontam omissão da União ao não executar a verba doada pelos países europeus. Eles pedem a retomada imediata das atividades do Fundo Amazônia. VÍDEOS: mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 30 de novembro, segundo consórcio de veículos de imprensa (atualização das 8h)

Glogo - Ciência País tem 172.850 óbitos e 6.313.679 diagnósticos de Covid-19. O Brasil tem 172.850 mortes por coronavírus confirmadas até as 8h desta segunda-feira (30), segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Desde o balanço das 20h de domingo (29), 1 estado atualizou seus dados: Goiás. Veja os números consolidados: 172.850 mortes confirmadas 6.313.679 casos confirmados No domingo, às 20h, o balanço indicou: 172.848 mortes, 261 em 24 horas. Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 522. A variação foi de 6% em comparação à média de 14 dias atrás, indicando tendência de estabilidade nas mortes por Covid, quando não há aumento ou queda significativos. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 6.313.656 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 23.496 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 34.748 novos diagnósticos por dia. Isso representa uma variação de 21% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de alta nos diagnósticos. Progressão até 29 de novembro Oito estados apresentaram alta na média móvel de mortes: SC, ES, RJ, AC, AM, RO, CE e SE. Também vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Brasil, 29 de novembro Total de mortes: 172.848 Registro de mortes em 24 horas: 261 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 522 (variação em 14 dias: 6%) Total de casos confirmados: 6.313.656 Registro de casos confirmados em 24 horas: 23.496 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 34.748 por dia (variação em 14 dias: 21%) Estados Subindo (8 estados): SC, ES, RJ, AC, AM, RO, CE e SE Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (8 estados e o DF): PR, RS, SP, DF, PA, BA, MA, PB e PE Em queda (10 estados): MG, GO, MS, MT, AP, RR, TO, AL, PI e RN Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Sul PR: +3% RS: +15% SC: +153% Sudeste ES: +35% MG: -18% RJ: +48% SP: -6% Centro-Oeste DF: -12% GO: -44% MS: -25% MT: -66% Norte AC: +43% AM: +93% AP: -41% PA: +13% RO: +56% RR: -50% TO: -39% Nordeste AL: -21% BA: -3% CE: +239% MA: -4% PB: -14% PE: +9% PI: -32% RN: -38% SE:+81% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 28 de novembro, segundo consórcio de veículos de imprensa (atualização das 13h)

Glogo - Ciência País tem 172.079 óbitos e 6.243.216 diagnósticos pela Covid-19, segundo consórcio de veículos de imprensa. O Brasil tem 172.079 mortes por coronavírus confirmadas até as 13h deste sábado (28), segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Desde o balanço das 20h de sexta-feira (27), 2 estados atualizaram seus dados: GO e MG. Veja os números consolidados: 172.079 mortes confirmados 6.243.216 casos confirmados Na sexta-feira, às 20h, o balanço indicou: 501 mortes pela Covid-19 nas últimas 24 horas, chegando ao total de 171.998 óbitos desde o começo da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 477. A variação foi de -2% em comparação à média de 14 dias atrás, indicando tendência de estabilidade nas mortes por Covid, quando não há aumento ou queda significativos. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 6.238.076 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 33.506 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 31.496 novos diagnósticos por dia. Isso representa uma variação de +13% em relação aos casos registrados em duas semanas; também indica tendência de estabilidade nos diagnósticos. Brasil, 27 de novembro Oito estados apresentaram alta na média móvel de mortes: RS, SC, ES, RJ, AC, AM, CE e SE. Os estados de Goiás e Rondônia não tiveram atualizações em seus números em 24 horas. As duas secretarias relataram problemas de acesso ao sistema de registros do Ministério da Saúde. Também vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Em Sergipe, por exemplo, a média móvel estava em 3 e permaneceu em 3 após duas semanas, resultando em variação de alta de +22%. Já em Santa Catarina, que tem a maior tendência de alta entre os estados (+117%), a média variou de 15 para 33 em duas semanas. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Veja como estão os estados: Subindo (8 estados): RS, SC, ES, RJ, AC, AM, CE e SE Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (7 estados): MG, SP, PA, BA, MA, PB e PE Em queda (9 estados + o DF): PR, DF, MS, MT, AP, RR, TO, AL, PI e RN Não atualizaram os dados (2 estados): GO* e RO* Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Estados com mortes em alta Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em estabilidade Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em queda Editoria de Arte/G1 Sul PR: -26% RS: +24% SC: +117% Sudeste ES: +56% MG: -13% RJ: +35% SP: -13% Centro-Oeste DF: -21% *O estado de GO não divulgou novos dados até as 20h. Considerando os dados até 20h de quinta-feira (26), estava em -33% MS: -24% MT: -69% Norte AC: +22% AM:+52% AP: -31% PA: +8% *O estado de RO não divulgou novos dados até as 20h. Considerando os dados até 20h de quinta-feira (26), estava em -8% RR: -36% TO: -52% Nordeste AL: -20% BA: 0% CE: +84% MA: +4% PB: -4% PE: +10% PI: -25% RN: -50% SE: +22% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja Mais

Pesquisadores da UFMG estudam medicamento que pode acabar com comorbidade e reduzir mortes por Covid-19

Glogo - Ciência Pesquisa tem o foco no tratamento da esteatose hepática, que é a famosa gordura no fígado, uma comorbidade presente em 33% da população mundial. Camundongo utilizado na pesquisa do Centro de Biologia Gastrointestinal - ICB/UFMG Centro de Biologia Gastrointestinal - ICB/UFMG / Divulgação Enquanto grande parte dos pesquisadores está trabalhando no desenvolvimento de uma vacina ou de um remédio para a Covid-19, membros do Centro de Biologia Gastrointestinal do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG estão em busca de soluções para as comorbidades, que aumentam consideravelmente o risco de morte pelo coronavírus. A pesquisa tem o foco no tratamento da esteatose hepática, que é a famosa gordura no fígado, uma comorbidade presente em 33% da população mundial, segundo o professor Gustavo Menezes, que está a frente do laboratório. Há uma semana, os pesquisadores receberam uma verba de R$ 400 mil para a pesquisa que realiza testes em camundongos com um medicamento que, em três dias de uso, reduz drasticamente a gordura no fígado. A redução deixaria o animal, que antes poderia ter complicações se fosse infectado pelo coronavírus, com os mesmos riscos de morte de um camundongo saudável. Segundo o professor Gustavo Menezes, testes já comprovaram que camundongos gordos, com excesso de gordura no fígado, que receberam o medicamento tiveram a mortalidade reduzida em relação a camundongos magros, no caso de infeções bacterianas. "Nós verificamos que em torno de 20% dos animais magros morriam da infecção, enquanto os animais gordos tinham uma taxa de mortalidade de 80%. Mas quando o animal gordo é tratado, ele volta a morrer 20%. Aí a gente aplicou a mesma técnica pra testar essa redução de gordura no fígado, em relação à Covid-19". Pesquisadora Maísa Mota Antunes realizando experimentos da pesquisa no ICB/UFMG Foto: Fernanda Torquatto A expectativa é que, também no caso do coronavírus, os animais tenham a comorbidade hepática reduzida para o mesmo risco de camundongos saudáveis, que é baixíssimo, afirma Menezes. Se os testes forem bem-sucedidos, essa será uma boa indicação de que o medicamento agiria da mesma forma em seres humanos, já que há grande semelhança entre as duas espécies. "Temos 98% de homologia com o camundongo. Muitas das coisas que acontecem no camundongo acontecem muito parecido com a gente. Não é o perfeito, mas é o modelo ideal para se estudar em grande escala", disse o professor. Coronavírus de camundongo Para fazer a pesquisa, os estudiosos tiveram que criar um coronavírus de camundongo, porque ele não se infecta pelo coronavírus humano. Isso porque os vírus são muito específicos, infectam determinadas espécies e outras não. O camundongo só se infecta com o Sars-CoV-2 humano se o próprio camundongo for modificado, ou seja, quando os pesquisadores fazem com que os animais passem a expressar proteínas humanas. Esse tipo de camundongo é vendido já modificado. Mas não serão esses os camundongos utilizados na pesquisa da UFMG. “No nosso caso nós estamos criando um coronavírus no mundo do camundongo, como se fosse a Covid do camundongo e não a Covid humana no camundongo. O que não sabemos é se no coronavírus a redução vai ter um impacto positivo no desfecho da doença. Mas essa é uma pandemia, vão vir outras. Então alguém tem que olhar para como reduzir os efeitos da comorbidade", defendeu o professor. Camundongos utilizados na pesquisa do Centro de Biologia Gastrointestinal - ICB/UFMG Centro de Biologia Gastrointestinal - ICB/UFMG / Divulgação. Os vídeos mais vistos do G1 Minas nesta semana: Veja Mais

Rússia diz que já vacinou 100 mil pessoas contra Covid-19 e pretende chegar a 2 milhões ainda em dezembro

Glogo - Ciência Cerca de 80 mil vacinados não fazem parte dos testes clínicos. Imunização em Moscou começa neste sábado (5). Profissional de saúde recebe vacina Sputnik V contra a Covid-19 em um hospital regional de Tver, cidade a cerca de 180km a noroeste de Moscou, em outubro. Tatyana Makeyeva/Reuters A Rússia anunciou, nesta semana, que já vacinou mais de 100 mil pessoas contra a Covid-19 e que pretende imunizar 2 milhões até o fim deste mês. A imunização está sendo feita com a Sputnik V, registrada pelo país em agosto e ainda em testes de última fase. Até agora, a imunização foi feita da seguinte forma, segundo o G1 apurou junto ao fundo estatal russo que financia o desenvolvimento da vacina: Dos 100 mil vacinados, cerca de 25 mil são participantes dos ensaios clínicos de fase 3 (a última) que estão sendo feitos na própria Rússia. A meta é incluir 40 mil voluntários. Desses 25 mil participantes, 19 mil receberam a vacina, e 6 mil receberam um placebo (substância inativa). As outras cerca de 80 mil pessoas que já foram vacinadas no país não fazem parte dos estudos. A meta de vacinação de 2 milhões de pessoas foi anunciada pelo diretor do fundo, Kirill Dmitriev, em entrevista à BBC nesta sexta-feira (4). Quando anunciou o registro da Sputnik V, o governo russo também disse que pretendia aplicar a vacina, antes do fim dos testes, em pessoas que não faziam parte dos ensaios clínicos. A estratégia foi criticada por cientistas, porque a fase 3 serve para avaliar a segurança e eficácia da vacina em maior escala antes que ela seja aplicada na população como um todo. Rússia diz que vacina contra Covid-19 teve eficácia 'acima de 95%' após segunda dose No fim de novembro, o país anunciou que a eficácia da Sputnik V ficou acima de 95% 21 dias após a aplicação da segunda dose. Na prática, se uma vacina tem 95% de eficácia, isso significa dizer que 95% das pessoas que tomam a vacina ficam protegidas contra aquela doença. Vacinação em Moscou Na quinta-feira (3), a prefeitura de Moscou anunciou que começaria a vacinação na cidade neste sábado (5). De acordo com o fundo russo, serão 300 cabines de vacinação apenas na capital do país. Até agora, a vacina já foi distribuída na Rússia para grupos de risco – como equipes de saúde, trabalhadores de transporte e professores. Alguns países também já receberam a Sputnik V, como a Sérvia, e outros têm acordo de produção ou fornecimento, como o Cazaquistão, a Índia, a Coreia do Sul, o Egito, o Nepal e o México. O governo russo também firmou uma parceria com o governo do Paraná, em agosto, para produção da Sputnik V em solo brasileiro. No mês passado, o fundo russo que financia o desenvolvimento da vacina anunciou que o Brasil poderia começar a produzi-la em dezembro. Como funcionam as 3 fases Entenda como funcionam os testes da vacina contra Covid Nos testes de uma vacina — normalmente divididos em fase 1, 2 e 3 —, os cientistas tentam identificar efeitos adversos graves e se a imunização é capaz de induzir uma resposta imune (ou seja, uma resposta do sistema de defesa do corpo). ETAPAS: Por que a fase 3 dos testes clínicos é essencial para seu sucesso e segurança Os testes de fase 1 costumam envolver dezenas de voluntários; os de fase 2, centenas; e os de fase 3, milhares. Essas fases costumam ser conduzidas separadamente, mas, por causa da urgência da pandemia, várias empresas têm realizado mais de uma etapa ao mesmo tempo. Antes de começar os testes em humanos, as vacinas são testadas em animais – normalmente em camundongos e, depois, em macacos. Veja VÍDEOS com novidades sobre as vacinas contra a Covid-19: Veja Mais

CNPEM e Sirius fecham acordo de colaboração científica com maior colisor de partículas do mundo

Glogo - Ciência Parceria com o CERN estabelece colaboração e compartilhamento de recursos em qualquer área de interesse mútuo, em especial nas tecnologias aplicadas à física de aceleradores, ímãs e materiais supercondutores. Sirius, laboratório de luz síncrotron de 4ª geração, reforça a ciência no enfrentamento do novo coronavírus Nelson Kon O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), que abriga o superlaboratório Sirius, em Campinas (SP), firmou nesta sexta-feira (4) acordo de cooperação científica e tecnológica com a Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), responsável pela operação do maior colisor de partículas do mundo. O acordo estabelece colaboração e compartilhamento de recursos em qualquer área de interesse mútuo, em especial nas tecnologias aplicadas à física de aceleradores, ímãs e materiais supercondutores. Há a possibilidade de que estudos que possam ser desenvolvidos no CNPEM e no Sirius ajudem no projeto do Futuro Colisor Circular (FCC), quatro vezes maior que o Grande Colisor de Hádrons (LHC), em operação na divisa entre Suíça e França. “A parceria do CNPEM com o CERN permitirá o desenvolvimento de projetos conjuntos em diversas áreas, em especial a de supercondutividade. Como todo projeto de alta tecnologia, haverá um grande envolvimento da indústria nacional que se beneficiará do projeto em áreas como no desenvolvimento e construção de criostatos, desenvolvimento e fabricação de fios supercondutores e materiais para operarem condições extremas, desenvolvimento de eletrônicas rápidas de potência e diagnóstico, entre outros”, destaca, em nota, James Citadini, gerente de Engenharia e Tecnologia do CNPEM. "Por 30 anos, o Brasil tem sido um forte parceiro nas atividades científicas do CERN. A assinatura deste novo acordo aumentará nossa colaboração em pesquisa científica, treinamento, inovação e no compartilhamento de conhecimento na área de tecnologia de aceleradores", disse, em nota, Frédérick Bordry, diretor de Aceleradores e Tecnologia do CERN. lhc Andrew Strickland / cortesia Cern 7-8-2010 Sirius x LHC, quais as diferenças? Apesar de serem aceleradores de partículas, o Sirius, em Campinas, e o LHC são muito diferentes no modo de operação e objetivos científicos. No Grande Colisor de Hádrons (LHC), feixes de prótons são acelerados em direções opostas, em um anel com 27 km de extensão, para que se choquem entre si. "Pesquisadores detectam e analisam as colisões para estudar a matéria em uma escala subatômica e investigar a estrutura mais fundamental do universo", detalha, em nota. Entenda o Sirius, o novo acelerador de partículas do Brasil Já em relação ao Sirius, que é uma fonte de luz síncrotron de 4ª geração, elétrons são acelerados em uma única direção, sem colidir uns com os outros - eles devem circular de maneira estável por longos períodos para gerar a luz capaz de analisar a estrutura de diferentes tipos de materiais em escala de átomos e moléculas. Para efeito de comparação, o anel em que os elétrons são acelerados para gerar a luz síncrotron no Sirius tem 500 metros de extensão - como eles são acelerados a 99,9% da velocidade da luz, os elétrons percorrem esse túnel 600 mil vezes por segundo. Estação de pesquisa Manacá, primeira a ficar pronta e operacional no Sirius, em Campinas (SP) CNPEM/Divulgação Sirius em operação Maior projeto científico brasileiro, o Sirius realizou em julho os primeiros experimentos ao obter imagens em 3D de estruturas de uma proteína imprescindível para o ciclo de vida do novo coronavírus. Em setembro, um grupo do Instituto de Física da USP de São Carlos utilizou o acelerador na busca por uma "chave" para desativar o novo coronavírus. Foi o primeiro experimento de pesquisadores externos no Sirius. Em outubro, a linha de luz batizada de Manacá, a primeira das 14 previstas na primeira fase, passou a operar oficialmente e a aceitar propostas de outros objetos de estudo que não a Covid-19. Antônio José Roque da Silva, diretor-geral do CNPEM, afirmou na ocasião que a organização social vinculada ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTIC) tem recursos garantidos para a montagem de seis dessas 14 linhas de luz. Para o restante, o projeto ainda depende de verba que não está garantida. "Precisaria de algo em torno de R$ 180 milhões no ano que vem, mas os recursos estão em negociação [...] mas o ministério entende que é uma obra prioritária e o presidente deu a entender que tem prioridade", disse Silva. Sirius: maior estrutura científica do país, instalada em Campinas (SP). CNPEM/Sirius/Divulgação O que é o Sirius? Principal projeto científico do governo federal, o Sirius é um laboratório de luz síncrotron de 4ª geração, que atua como uma espécie de "raio X superpotente" que analisa diversos tipos de materiais em escalas de átomos e moléculas. Além do Sirius, há apenas outro laboratório de 4ª geração de luz síncrotron operando no mundo: o MAX-IV, na Suécia. Para observar as estruturas, os cientistas aceleram os elétrons quase na velocidade da luz, fazendo com que percorram o túnel de 500 metros de comprimento 600 mil vezes por segundo. Depois, os elétrons são desviados para uma das estações de pesquisa, ou linhas de luz, para realizar os experimentos. Esse desvio é realizado com a ajuda de imãs superpotentes, e eles são responsáveis por gerar a luz síncrotron. Apesar de extremamente brilhante, ela é invisível a olho nu. Segundo os cientistas, o feixe é 30 vezes mais fino que o diâmetro de um fio de cabelo. Entenda como funciona o Sirius, o Laboratório de Luz Síncrotron Infográfico: Juliane Monteiro, Igor Estrella e Rodrigo Cunha/G1 Veja mais notícias da região no G1 Campinas Veja Mais

Vídeo mostra momento em que radiotelescópio de Arecibo desaba em Porto Rico; ASSISTA

Glogo - Ciência Imagens gravadas por drone mostram cabos se rompendo e o início do colapso da estrutura. Radiotelescópio era o segundo maior do mundo. Ele suportou furacões, umidade tropical e uma série de terremotos em seus 57 anos de operação. VÍDEO: Radiotelescópio de Arecibo desaba após meses de deterioração Imagens gravadas por drone e divulgadas nesta quinta-feira (3) pela Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos mostram o momento em que a estrutura do Observatório de Arecibo, em Porto Rico, começa a desabar. Assista ao VÍDEO acima. Nas imagens, é possível ver cabos se rompendo e derrubando uma plataforma de mais de 900 toneladas que abrigava o radiotelescópio. A estrutura caiu sobre o prato do refletor, que ficava a cerca de 120 metros abaixo. No momento da queda, ouve-se um grande estrondo. O desabamento do radiotelescópio de Arecibo aconteceu na terça-feira (1º), após as autoridades científicas dos EUA já terem anunciado o fechamento do observatório por problemas na estrutura. Em agosto, um cabo auxiliar quebrou e, no começo de novembro, um dos cabos principais rompeu. O telescópio capaz de ver coisas que ocorreram há 13 bilhões de anos Como é o maior telescópio do mundo, que busca pistas sobre a origem do universo Telescópios registram momento em que estrela é engolida por buraco negro Imagem mostra o radiotelescópio danificado no Observatório de Arecibo, em Porto Rico, no dia 17 de novembro de 2020 Imagem de satélite / Maxar Technologies via AP Foto de 11 de agosto de 2020 mostra os danos causados por um cabo rompido Observatório de Arecibo via AP Testemunhas relatam incidente e lamentam perda O colapso surpreendeu muitos cientistas. "Soou como um estrondo", disse Jonathan Friedman, que trabalhou por 26 anos como pesquisador associado sênior no observatório e ainda vive perto dele. “Eu estava gritando. Eu estava fora de controle. Não tenho palavras para expressar isso. É uma sensação muito profunda e terrível". Friedman contou que subiu correndo uma pequena colina perto de sua casa e confirmou suas suspeitas: uma nuvem de poeira pairava no ar onde a estrutura ficava, destruindo as esperanças de alguns cientistas de que o telescópio pudesse ser consertado de alguma forma. “É uma grande perda”, disse Carmen Pantoja, astrônoma e professora da Universidade de Porto Rico que usou o telescópio em seu doutorado. “Foi um capítulo da minha vida.” Vista do Observatório de Arecibo, um dos telescópios mais importantes do mundo, no dia 13 de julho de 2016 Danica Coto/Arquivo/AP 57 anos de operação O telescópio foi construído na década de 1960 com dinheiro do Departamento de Defesa. Ele suportou furacões, umidade tropical e uma série de terremotos recentes em seus 57 anos de operação. O telescópio era usado para rastrear asteroides, conduzir pesquisas e determinar se um planeta é potencialmente habitável. Também serviu como campo de treinamento para alunos de pós-graduação e atraiu cerca de 90 mil visitantes por ano. “O mundo sem observatório perde, mas Porto Rico perde ainda mais", disse Abel Méndez, professor de física e astrobiologia da Universidade de Porto Rico em Arecibo, que usou o telescópio para pesquisas. Cerca de 250 cientistas em todo o mundo estavam usando o observatório quando ele foi fechado em agosto, incluindo Méndez, que estava estudando estrelas para detectar plantas habitáveis. "Estou tentando me recuperar. Ainda estou muito afetado", disse o professor de física. Veja VÍDEOS sobre astronomia e exploração espacial Veja Mais

Pesquisa investiga hormônio que 'desliga' a fome e pode ajudar no combate a obesidade

Glogo - Ciência Pesquisa realizada em humanos e animais aponta que o hormônio LCN2 pode reduzir o apetite sem apresentar toxicidade e diminuir os índices de obesidade. Hormônio pode ser usado como um possível tratamento em pessoas com obesidade, limitando a ingestão de alimentos. Unsplash Um hormônio que pode reduzir a ingestão de alimentos e aumentar a sensação de saciedade em ratos, mostrou resultados semelhantes em humanos e primatas não-humanos, segundo um novo estudo publicado nesta terça-feira (01) na revista "Elife Sciences". A pesquisa realizada na Universidade Columbia, em Nova York, identificou um hormônio chamado Lipocalin-2 (LCN2) que pode ser usado como um possível tratamento em pessoas com obesidade cujos sinais naturais de saciedade não funcionam mais. Por que algumas pessoas têm o olfato superpoderoso Segundo os pesquisadores, o hormônio atua como um sinal de saciedade após uma refeição, levando os ratos a limitar a alimentação. Os animais que receberam a ingestão da LCN2 por longo prazo, reduziram a ingestão de alimentos, prevenindo o ganho de peso, sem causar desaceleração no metabolismo. Em uma segunda etapa, o estudo foi levado para um centro de diabetes em Munique, na Alemanha, para identificar os efeitos em humanos e verificar se uma dose do hormônio seria capaz de ultrapassar a barreira hematoencefálica - uma estrutura de permeabilidade altamente seletiva que protege o Sistema Nervoso Central (SNC) de substâncias potencialmente tóxicas presentes no sangue, essencial para função metabólica normal do cérebro. Os resultados em humanos foram parecidos com os resultados apresentados em camundongos. O hormônio é produzido principalmente por células ósseas e é encontrado naturalmente em camundongos e humanos. Ministério da Saúde deve investir R$ 200 milhões em tratamentos de doenças como obesidade Resultados em humanos Em um primeiro momento, a equipe analisou dados de quatro estudos diferentes de pessoas nos Estados Unidos e na Europa que tinham: peso normal sobrepeso obesidade. As pessoas em cada estudo receberam uma refeição após um jejum noturno. A quantidade de LCN2 no sangue antes e depois da refeição foi analisada. Os pesquisadores descobriram que houve um aumento nos níveis de LCN2 após a refeição em quem estava com o peso normal, o que coincidiu com a satisfação que sentiram após comer. Por outro lado, os níveis de LCN2 diminuíram após uma refeição em pessoas com sobrepeso ou obesidade. Com base nessa resposta pós-refeição, os pesquisadores agruparam as pessoas como não respondentes ou respondentes. Os que não responderam ao aumento no hormônio após uma refeição, tendem a ter uma circunferência da cintura maior e marcadores mais elevados de doença metabólica - incluindo Índice de Massa Corporal (IMC), gordura corporal, aumento da pressão arterial e da glicose no sangue. As pessoas que perderam peso após a cirurgia de redução do estômago tiveram uma sensibilidade restaurada ao hormônio, mudando seu estado de não respondentes antes da cirurgia para respondente depois. Prevenção de ganho de peso A equipe explorou também se o tratamento com o hormônio pode reduzir a ingestão de alimentos e prevenir o ganho de peso. Para realizar essa análise, eles trataram macacos com LCN2 por uma semana. Com o tratamento, eles observaram uma diminuição de 28% na ingestão de alimentos em comparação com o período anterior ao tratamento. Os animais também comeram 21% menos do que aqueles que não receberam tratamento com o hormônio. Após uma semana de tratamento, as medições de peso corporal, gordura corporal e níveis de gordura no sangue mostraram uma tendência de declínio nos animais tratados. Para os pesquisadores, os resultados mostram que o hormônio pode reduzir o apetite sem apresentar toxicidade e estabelecer as bases para o próximo nível de teste de LCN2 para uso clínico. Vídeos: Viva Você Veja Mais

Brasil se aproxima de 174 mil mortes por Covid-19, segundo o consórcio do coronavírus

Glogo - Ciência País tem 173.979 óbitos e 6.396.754 diagnósticos de Covid-19, segundo levantamento junto às secretarias estaduais de Saúde. Brasil registra 697 novas mortes e mais de 52 mil casos de Covid em 24 horas O Brasil tem 173.979 mortes por coronavírus confirmadas até as 13h desta terça-feira (2), segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Desde o balanço das 20h de terça-feira (1°), 6 estados atualizaram seus dados: CE, GO, MG, MS, PE e TO. Veja os números consolidados: 173.979 mortes confirmadas 6.396.754 casos confirmados Na segunda-feira, às 20h, o balanço indicou: 173.862 mortes confirmadas, 697 em 24 horas.Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 526. A variação foi de -10% em comparação à média de 14 dias atrás, indicando tendência de estabilidade nas mortes por Covid, quando não há aumento ou queda significativos. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 6.388.526 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 52.248 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 38.154 novos diagnósticos por dia, a maior desde 6 de setembro --quando chegou a 39.356. Isso representa uma variação de 35% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de alta nos diagnósticos. Brasil, 1º de dezembro Oito estados apresentaram alta na média móvel de mortes: PR, SC, ES, AC, RO, RR, CE e SE. Também vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Estados Subindo (8 estados): PR, SC, ES, AC, RO, RR, CE e SE Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (8 estados): RS, AM, AP, PA, BA, MA, PB e PE Em queda (10 estados + DF): MG, RJ, SP, DF, GO, MS, MT, TO, AL, PI e RN Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Estados com mortes em alta Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em estabilidade Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em queda Editoria de Arte/G1 Sul PR: +23% RS: +2% SC: +141% Sudeste ES: +39% MG: -38% RJ: -26% SP: -18% Centro-Oeste DF: -28% GO: -54% MS: -22% MT: -63% Norte AC: +175% AM: +7% AP: +15% PA: +4% RO: +52% *RR: não é possível calcular a variação, pois 14 dias atrás a média ficou em 0. Só é possível afirmar que agora, estando a média em 2 mortes por dia, ela está em alta. TO: -33% Nordeste AL: -23% BA: -3% CE: +142% MA: 0% PB: -2% PE: +5% PI: -16% RN: -18% SE: +53% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja Mais

Anunciada descoberta de nova espécie de antepassado do tiranossauro rex em Agudo

Glogo - Ciência Fragmento de fóssil do animal que viveu há 230 milhões de anos foi localizado em sítio arqueológico e apresentado em jornal internacional. Ele teria cerca de 2 metros de comprimento e pesaria em torno de 9 kg. 'Caçador vermelho do Rio Jacuí' foi estudado e reconstituído por pesquisador da UFSM Márcio L. Castro O paleontólogo da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Rodrigo Temp Müller apresentou uma nova espécie de um antepassado do tiranossauro rex e do velociraptor, descoberto no Sítio Niemeyer, em Agudo, na Região Central do Rio Grande Sul. O Erythrovenator jacuiensis viveu há 230 milhões de anos, no período triássico, durante a ascensão da era dos dinossauros, segundo pesquisador, que atua no Laboratório de Paleontologia no Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia, da UFSM. Pesquisador fala sobre nova espécie de dinossauro descoberta em Agudo Um fragmento ósseo fossilizado de uma perna do animal foi descoberto em 2017, e o estudo sobre ele, apresentado recentemente no Journal of South American Earth Sciences. É o quarto dinossauro descoberto em Agudo. A pesquisa e a reconstituição do animal mostram que ele era menor do que os parentes mais famosos: teria cerca de 2 metros de comprimento e pesaria em torno de 9 kg. "Entretanto, apesar do tamanho pequeno, ele provavelmente foi um predador ágil, uma vez que o fêmur preserva estruturas de inserção muscular bastante desenvolvidas", explica o Müller. Animal é antepassado do tiranossauro rex e do velociraptor Divulgação 'Caçador vermelho do Jacuí' O animal recebeu o nome de Erythrovenator jacuiensis que significa “caçador vermelho do Rio Jacuí. É uma referência à coloração avermelhada do fóssil e ao rio próximo a localidade onde ele foi descoberto. Pertencente da linhagem dos terópodes, ele seria um dos mais antigos representantes do grupo já descobertos. O pesquisador salienta que os animais dessa linhagem ainda são raros. Além disso, vêm de uma camada fossilífera nova, já que outros animais descobertos nela eram desconhecidos. "Alguns destes animais correspondem a parentes dos mamíferos. Desta maneira, é possível que o Erythrovenator jacuiensis tenha caçado alguns dos precursores dos mamíferos". VÍDEOS: RBS Notícias Veja Mais

Covid-19: o estudo americano que aumenta dúvidas sobre real origem da pandemia

Glogo - Ciência O que se sabe até agora é que o primeiro grande surto surgiu em Wuhan dezembro de 2019, mas diversos indícios apontam que o vírus já circulava pelo mundo semanas ou meses antes do início oficial da pandemia. Modelo 3D do Sars-Cov-2, o novo coroavírus Reprodução/Visual Science Um estudo publicado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos acrescentou mais uma grande interrogação à real origem da pandemia de Covid-19. O ponto de partida da cronologia oficial ocorreu em 31 de dezembro de 2019, quando o órgão de saúde da cidade chinesa de Wuhan emitiu um alerta sobre uma série de casos associados a um misterioso vírus respiratório. O ponto em comum era um mercado municipal que vendia animais silvestres vivos e mortos. Agora, quase um ano depois, pesquisadores ligados ao governo americano identificaram retroativamente que 39 pessoas de três Estados do país já tinham desenvolvido anticorpos contra coronavírus duas semanas antes do alerta na China. Os EUA, inclusive, só identificaram oficialmente o primeiro caso no país em 21 de janeiro de 2020. O estudo se baseou em amostras de sangue de doações feitas entre 13 de dezembro de 2019 e 17 de janeiro de 2020. As 7.389 amostras analisadas foram coletadas de modo rotineiro em doações organizadas pela entidade não governamental Cruz Vermelha em nove Estados americanos. Um estudo publicado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos acrescentou mais uma grande interrogação à real origem da pandemia de covid-19. Getty Images via BBC Das 1.912 amostras de doações feitas entre 13 e 16 de dezembro passado, 39 deram positivo (26 na Califórnia e 16 do Oregon ou de Washington). Outras 67 amostras que continham o vírus foram identificadas entre 30 de dezembro de 2019 e 17 de janeiro de 2020. A idade média dessas pessoas infectadas é 52 anos e a maioria era homem. Para os autores do estudo, parte desses anticorpos identificados devem estar ligados a outros tipos de coronavírus que circulam pelo mundo, mas o alto número de pessoas encontradas com esses anticorpos na análise aponta que outra parte muito provavelmente estava com Covid-19 naquela época. Mas de que maneira isso muda o que sabemos sobre a origem da pandemia? Quando surgiu o novo coronavírus? Coronavírus Sars-Cov-2 em imagem de microscópio eletrônico NIAID-RML/Handout via Reuters Essa pergunta não tem resposta exata, e talvez nunca tenha. O que se sabe até agora é que o primeiro grande surto surgiu em Wuhan dezembro de 2019, mas diversos indícios apontam que o vírus já circulava pelo mundo semanas ou meses antes. Os autores do estudo que identificou anticorpos contra o novo coronavírus em dezenas de pessoas nos EUA afirmam que essa descoberta tem algumas limitações, entre elas determinar se as pessoas se infectaram de modo comunitário (no país) ou por meio de viagens. Uma pista está num levantamento feito anteriormente pela própria Cruz Vermelha com seus doadores para entender o perfil deles. Do total, 3% diziam ter viajado para fora do país no mês anterior à doação, e apenas 5% desses 3% afirmaram que origem da viagem era a Ásia. Essa descoberta não é a primeira (e provavelmente não será a última) que aponta a presença do vírus antes do alerta oficial na China. Pesquisadores de pelo menos quatro países, incluindo o Brasil, apontaram a presença do novo coronavírus em amostras de esgoto coletadas semanas ou meses do surto na China. O estudo que mais chamou a atenção foi liderado por pesquisadores da Universidade de Barcelona. Segundo eles, havia presença do novo coronavírus em amostras congeladas — coletadas na Espanha — de 15 de janeiro de 2020 (41 dias antes da primeira notificação oficial no país) e de 12 de março de 2019 (nove meses antes do primeiro caso reportado na China). Mas não está claro ainda como e quando o vírus Sars-CoV-2 passou a infectar a espécie humana. E nem de que animal o vírus "pulou" para os humanos. Há consenso entre cientistas de que o primeiro surto ocorreu em um mercado de Wuhan que vendia animais selvagens vivos e mortos. Mas pesquisadores não sabem se o vírus surgiu ali ou "se aproveitou" da aglomeração para se espalhar de uma pessoa para outra. "Se você me pergunta qual é a maior possibilidade, digo que o vírus veio de mercados que vendem animais selvagens", afirmou Yuen Kwok-yung, microbiologista da Universidade de Hong Kong, à BBC. Imagem de célula infectada pelo coronavírus Sars-Cov-2 Cynthia Goldsmith e Azaibi Tamin/CDC A própria linha do tempo na China tem retroagido, algo comum no surgimento de uma doença que se espalha rapidamente como é o caso da covid-19. Um estudo de médicos de Wuhan, publicado em janeiro pela revista médica The Lancet, apontou que o primeiro caso (até agora) de covid-19 ocorreu em 1º de dezembro de 2019 e não tinha nenhum vínculo aparente com o mercado público de animais selvagens. Alguns especialistas afirmam ainda que dificilmente um vírus com potencial de virar pandemia poderia circular por meses pelo mundo sem ser detectado. Mas circular por semanas poderia ser mais factível, ainda mais durante o inverno no hemisfério norte. Também pairam dúvidas sobre o momento em que o novo coronavírus chegou ao Brasil e passou a circular no país. O primeiro diagnóstico oficial no país ocorreu em 26 de fevereiro, envolvendo um empresário de 61 anos de São Paulo que retornava de uma viagem à Itália, segundo epicentro da pandemia. Taxa de transmissão do coronavírus volta a cair no Brasil, mas continua alta Mas uma equipe liderada por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) identificou a presença do vírus a partir de 27 de novembro no esgoto de Florianópolis. Além disso, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontaram ao menos um caso de Sars-Cov-2 no Brasil um mês antes do primeiro registro oficial, ocorrido entre 19 e 25 de janeiro. Não se sabe se essa pessoa foi infectada durante uma viagem ou de modo comunitário (a partir de outros habitantes do lugar onde mora ou circula). VÍDEOS: novidades sobre vacinas contra a Covid-19 Initial plugin text Veja Mais

Nave chinesa pousa na Lua para coletar amostras lunares

Glogo - Ciência A missão não tripulada tentará coletar 2 kg de material lunar para tentar aprender mais sobre as origens da Lua. Lançamento da Chang'e-5 em centro espacial de Wenchang, na China, no dia 24 de novembro de 2020 Tingshu Wang/Reuters A China pousou com sucesso uma espaçonave na Lua nesta terça-feira (1º) em uma missão histórica para recuperar amostras da superfície lunar, informou a mídia estatal chinesa. O país lançou a sonda Chang'e-5 em 24 de novembro. A missão não tripulada, nomeada em homenagem à mítica deusa chinesa da Lua, visa coletar material lunar para aprender mais sobre as origens do satélite natural da Terra. Nasa diz que encontrou moléculas de água na superfície da Lua Gás, água e gelo: entenda o que a ciência já achou e onde concentra as buscas por vida fora da Terra A missão tentará coletar 2 kg de amostras em uma área anteriormente não visitada, conhecida como Oceanus Procellarum, ou "Oceano de Tempestades". Se a missão for concluída conforme o planejado, a China será a terceira nação a ter recuperado amostras lunares, depois dos Estados Unidos e da antiga União Soviética. A emissora estatal CCTV disse que começaria a coletar amostras na superfície lunar nos próximos dois dias. As amostras seriam transferidas para uma cápsula de retorno para a viagem de volta à Terra, pousando na região da Mongólia, interior da China. A China fez seu primeiro pouso lunar em 2013. Em janeiro do ano passado, a sonda Chang'e-4 pousou no lado oculto da Lua, a primeira sonda espacial de qualquer nação a fazer isso. Veja VÍDEOS sobre astronomia e exploração espacial: Veja Mais

Pfizer e Moderna pedem autorização para uso de vacinas contra Covid-19 na Europa

Glogo - Ciência Decisões podem sair até 29 de dezembro e 12 de janeiro, respectivamente, e vão depender de dados sobre qualidade, segurança e eficácia das vacinas. Voluntário recebe injeção durante fase de testes de potencial vacina contra a Covid-19 da empresa Moderna, em Seattle, nos EUA, em foto de 16 de março AP Photo/Ted S. Warren As farmacêuticas Pfizer e Moderna pediram autorização, nesta terça-feira (1º), para uso de suas vacinas contra a Covid-19 na Europa. As solicitações foram feitas à Agência Europeia de Medicamentos, que pode decidir sobre os usos até 29 de dezembro e 12 de janeiro, respectivamente – a depender dos dados sobre qualidade, segurança e eficácia das vacinas. Segundo a agência reguladora, as autorizações só podem ser feitas tão rapidamente porque a agência já vinha recebendo dados sobre ambas as vacinas de forma contínua. Os prazos também podem mudar. Ambas as farmacêuticas já haviam pedido aprovação para uso emergencial de suas vacinas nos Estados Unidos. A solicitação da Moderna foi feita na segunda-feira (30); a da Pfizer, no dia 20 de novembro. Esta última desenvolve sua vacina candidata junto com o laboratório alemão BioNTech. CANDIDATAS: 4 das 11 vacinas contra Covid na fase final de testes já apresentaram taxas satisfatórias de eficácia e de segurança; veja comparativo Brasil: Vacina contra Covid-19 não deve ser oferecida para toda a população em 2021 Os dois laboratórios também já tinham anunciado a eficácia de suas vacinas, segundo dados preliminares: a da Pfizer foi de 95%, enquanto a da Moderna ficou em cerca de 94%. Na prática, se uma vacina tem 94% de eficácia, isso significa dizer que 94% das pessoas que tomam a vacina ficam protegidas contra aquela doença. Candidatas Ambas as vacinas – tanto da Pfizer quanto da Moderna – são genéticas, isto é, usam um pedaço do código genético do novo coronavírus (Sars-CoV-2) para induzir a produção de anticorpos pelo sistema de defesa do corpo. As duas também requerem temperaturas baixas para armazenamento: a vacina da Pfizer precisa ser mantida a -70°C, enquanto a da Moderna precisa ficar a -20ºC. Isso, segundo especialistas, pode ser um obstáculo para uso das vacinas. (As candidatas de Oxford e da Sinovac podem ser mantidas em temperaturas de 2°C a 8°C, por exemplo). O imunizante da Pfizer é um dos quatro que estão sendo testados em fase 3 no Brasil. Em meados de novembro, executivos da farmacêutica se reuniram com o Ministério da Saúde para falar da vacina, mas ainda não houve anúncio de compra pelo governo brasileiro. Já a Moderna não anunciou parcerias e nem faz testes no país. Como funcionam as 3 fases Os testes para desenvolver uma vacina são normalmente divididos em 3 fases. Neles, os cientistas tentam identificar efeitos adversos graves e se a imunização foi capaz de induzir uma resposta imune – ou seja, uma resposta do sistema de defesa do corpo. ETAPAS: por que a fase 3 dos testes clínicos é essencial para o sucesso e a segurança das vacinas Os testes de fase 1 costumam envolver dezenas de voluntários; os de fase 2, centenas; os de fase 3, milhares. Essas fases costumam ser conduzidas separadamente, mas, por causa da urgência em achar uma imunização da Covid-19, várias empresas têm realizado mais de uma etapa ao mesmo tempo. Antes de começar os testes em humanos, as vacinas são testadas em animais – normalmente em camundongos e, depois, em macacos. Veja VÍDEOS com novidades sobre vacinas da Covid-19: Veja Mais

USP começa a fazer teste de Covid-19 por saliva a partir de terça para moradores de SP

Glogo - Ciência Exame é pago e resultados saem em até 24 horas. É necessário agendamento prévio pelo site. Universidade também realiza teste semelhante de Covid-19 com coleta de saliva Divulgação/Comurg A Universidade de São Paulo (USP) começa a oferecer a partir de terça-feira (1) o exame capaz de diagnosticar a Covid-19 por meio da saliva. O exame poderá ser feito inicialmente por moradores da capital paulista ao custo de R$ 90 – para quem for à USP para a coleta – ou de R$ 150 – para quem optar por fazer a autocoleta e enviar a amostra para análise por um serviço de retirada e entrega. Interessados devem se cadastrar aqui - o site de Genoma da Covid-19 da USP. Para solicitar o teste é preciso fazer um cadastro no site do Centro de Pesquisas e Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH), um centro de pesquisa financiado pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Segundo a médica Maria Rita Passos-Bueno, coordenadora do projeto, serão feitos, inicialmente, 90 testes por dia. Os resultados saem em até 24 horas. O teste é baseado em uma técnica molecular amplamente utilizada para o diagnóstico de doenças infecciosas, como dengue, chikungunya, hepatite A e zika. Método diferente O método da amostra pela saliva é uma alternativa ao exame de RT-PCR tradicional, considerado o padrão-ouro para detectar o novo coronavírus durante a fase aguda da infecção; O teste foi homologado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Nos Estados Unidos, a agência regulamentadora de alimentos e fármacos concedeu até o fim de agosto autorização para uso emergencial de cinco testes para diagnóstico de COVID-19 baseados em saliva. No Brasil, o laboratório de genômica Mendelics criou e já comercializa um teste similar, e pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) estão desenvolvendo um modelo na mesma linha. Como funciona A técnica molecular tem algumas semelhanças com o método RT-PCR, que utiliza como amostras para realização dos testes secreções do fundo da garganta e do nariz. Em ambas as técnicas são induzidas reações para a realização de uma fase de transcrição reversa, na qual o RNA do vírus é transformado em DNA, e uma fase de amplificação, em que regiões específicas do vírus são replicadas milhões de vezes para que ele possa ser identificado. Um teste com mais de mil pessoas foi realizado para aprovar a utilização. O trabalho foi apoiado pela Fapesp e pela empresa JBS. Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 29 de novembro, segundo consórcio de veículos de imprensa (atualização das 13h)

Glogo - Ciência País tem 172.706 óbitos e 6.295.695 diagnósticos pela Covid-19. O Brasil tem 172.706 mortes por coronavírus confirmadas até as 13h deste domingo (29), segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Desde o balanço das 20h de sábado (28), 5 estados atualizaram seus dados: CE, ES, GO, MG e RN. Veja os números consolidados: 172.706 mortes confirmadas 6.295.695 casos confirmados No sábado, às 20h, o balanço indicou: 172.637 mortes, 639 em 24 horas. Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 517. A variação foi de 5% em comparação à média de 14 dias atrás, indicando tendência de estabilidade nas mortes por Covid, quando não há aumento ou queda significativos. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 6.290.160 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 52.084 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 34.002 novos diagnósticos por dia. Isso representa uma variação de 19% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de alta nos diagnósticos. Progressão até 28 de novembro Sete estados apresentaram alta na média móvel de mortes: RS, SC, RJ, AM, RO, CE e SE. Também vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Brasil, 28 de novembro Total de mortes: 172.637 Registro de mortes em 24 horas: 639 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 517 (variação em 14 dias: +5%) Total de casos confirmados: 6.290.160 Registro de casos confirmados em 24 horas: 52.084 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 34.002 por dia (variação em 14 dias: +19%) Estados Subindo (7 estados): RS, SC, RJ, AM, RO, CE e SE Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (8 estados): MG, SP, AC, PA, BA, MA, PB e PE. Em queda (10 estados + DF): PR, DF, GO, MS, MT, AP, RR, TO, AL, PI e RN Não atualizou os dados (1 estado): ES Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Sul PR: -23% RS: +24% SC: +126% Sudeste ES: não atualizou MG: -14% RJ: +46% SP: -6% Centro-Oeste DF: -25% GO: -35% MS: -30% MT: -65% Norte AC: +11% AM: +46% AP: -35% PA: +14% RO: +52% RR: -36% TO: -48% Nordeste AL: -20% BA: -1% CE: +224% MA: +15% PB: -12% PE: +4% PI: -28% RN: -38% SE: +63% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja Mais

Cuidados com o coração: entidades brasileiras lançam orientações sobre volta aos exercícios após infecção pelo coronavírus

Glogo - Ciência Mesmo em casos leves, o coronavírus pode afetar o coração. Para piorar, essa falha muitas vezes passa despercebida e traz graves consequências somente durante a atividade física. A recomendação é procurar o médico e fazer uma avaliação antes de retomar rotina de treinos. Antes de retomar os treinos, especialistas brasileiros sugerem que todos os recuperados da covid-19 façam uma avaliação médica e alguns exames Getty Images via BBC Levantamentos realizados ao redor do mundo calculam que até 16% dos pacientes com covid-19 apresentam algum tipo de complicação cardíaca. Os danos ao coração independem do grau da doença: mesmo os quadros mais leves podem trazer prejuízos ao sistema cardiovascular. O problema é que, muitas vezes, essa sequela no peito não dá sintoma algum e a pessoa só vai sentir suas consequências ao exigir um trabalho extra do sistema cardiovascular. Isso acontece, por exemplo, durante uma atividade física: o coração precisa bater mais para bombear sangue aos músculos e, se tiver com algum dano provocado pelo coronavírus, pode funcionar mal e até pifar. Foi para evitar que isso aconteça que a Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE) fez uma parceria com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) para lançar a primeira diretriz sobre o retorno aos exercícios com segurança após a covid-19. "Sentimos a necessidade de orientar nossos colegas médicos e toda a população que faz alguma atividade física sobre como minimizar qualquer problema", justifica a médica Cléa Simone Colombo, representante da SBC e uma das autoras do documento recém-lançado. Entre as recomendações mais importantes, o destaque é marcar uma consulta com um médico, que vai pedir alguns exames cardiológicos antes de liberar a realização de qualquer esforço mais intenso. Mas como o coronavírus afeta o coração? Foi-se o tempo em que a covid-19 era encarada apenas como uma doença respiratória. Hoje em dia, sabe-se que ela não se limita aos pulmões e tem diversas repercussões no organismo, com ataques ao intestino, aos rins, ao cérebro e, claro, ao coração. No músculo cardíaco, o Sars-CoV-2, vírus responsável pela pandemia atual, tem uma ação direta e indireta. Em primeiro lugar, o patógeno pode se alojar ali e devastar as células do órgão. Segundo, a infecção gera uma resposta desmedida do sistema imune. Isso, por sua vez, leva a um estado de inflamação que prejudica o funcionamento de várias partes do corpo (entre elas, o próprio sistema cardiovascular). "Esses processos podem levar a uma miocardite, com o surgimento de áreas com cicatrizes e fibroses que estão relacionadas a arritmias", desvenda o médico Marcelo Leitão, ex-presidente da SBMEE e outro responsável pela diretriz recém-publicada. A arritmia nada mais é do que um descompasso nas batidas que permitem o coração contrair para bombear sangue pelas artérias. Num momento de esforço, o órgão precisa trabalhar com muita rapidez e eficiência, já que aumenta a demanda por oxigênio e nutrientes do corpo inteiro. É exatamente numa situação dessas em que esse desajuste cardíaco pode dar as caras. "A miocardite é uma das causas de morte súbita mais frequentes", observa Colombo. Estima-se que um piripaque desses possa acontecer até 60 dias após o diagnóstico e a recuperação da covid-19. Os estudos feitos durante a pandemia mostram que as complicações cardiovasculares relacionadas ao coronavírus aparecem mesmo nos quadros mais leves. A infecção pode ser um fator que piora uma doença cardíaca pré-existente, mas também é o gatilho para o surgimento de uma enfermidade no peito em cerca de 12% dos pacientes. Em tempos de pandemia, aplicativos de vídeo chamada ajudam a conectar professores e alunos nas sessões de exercícios e permitem manter o condicionamento mesmo dentro de casa Getty Images via BBC Como se proteger? O documento assinado pelas duas sociedades médicas é taxativo: antes de voltar a praticar qualquer esporte, todo mundo que teve covid-19 precisa passar por uma avaliação médica. "O profissional vai analisar o quadro de acordo com a gravidade da infecção, fazer um exame físico no consultório e pedir alguns testes complementares", descreve Leitão. Os especialistas indicam que todos os recuperados realizem ao menos o eletrocardiograma, um exame simples que mede como está a atividade elétrica do coração — que é responsável por regular os batimentos deste músculo. Agora, para os casos mais graves ou para os atletas profissionais e praticantes de esportes competitivos, o check-up depois da covid-19 precisa ser mais completo. Além do eletrocardiograma, a diretriz lista outros exames, como a dosagem no sangue da troponina (uma proteína que fica alterada quando o coração não está bem), o teste ergométrico (aquele feito numa esteira para medir a resistência física, cardíaca e pulmonar), o holter (que mede a pressão arterial durante 24 horas) e até uma ressonância magnética. Se os resultados estiverem ok, a pessoa está liberada para retomar os treinamentos. Caso apareça alguma alteração ou seja diagnosticada a tal da miocardite, é importante aguardar mais um pouco. "Geralmente o paciente precisa ficar entre três e seis meses de repouso e fazer algumas reavaliações nesse meio-tempo para ver como a situação evolui", diz Colombo. O recomeço e os cuidados básicos Para aqueles que receberam o sinal verde para voltar à academia, à pista, ao ginásio ou aos gramados, é importante pegar leve no início. Não dá pra empregar o mesmo ritmo de antes da pandemia, pois o corpo está desacostumado e perdeu condicionamento nos últimos meses. "O retorno precisa ser gradativo e vale fazer um fortalecimento muscular antes de partir para o treinamento aeróbico, como correr ou andar de bicicleta", sugere Colombo. Ter a orientação de um profissional de educação física é ainda mais essencial neste momento. Não custa reforçar também as medidas básicas de proteção contra o coronavírus. Procure fazer exercícios em casa ou em lugares abertos, como parques, praças e clubes, com boa circulação de ar. Se você for à academia, prefira horários com menos movimento e verifique se há boa circulação de ar no local. Antes de usar qualquer equipamento, faça a desinfecção com álcool 70% Getty Images via BBC As dicas continuam: use máscaras antes e após o treino. Não pare para conversar com outras pessoas e mantenha sempre uma distância mínima de 2 metros dos outros praticantes de exercícios. Por fim, lave as mãos com água e sabão e desinfete objetos que vá utilizar no treino com álcool em gel ou álcool 70%. Essas recomendações continuam a valer mesmo se você já teve covid-19, pois ainda não se sabe ao certo quanto tempo dura a imunidade contra o coronavírus e há sempre o risco de levar e transmitir o agente infeccioso para as pessoas ao seu redor. Cabe uma reavaliação? "Se, durante ou após o exercício, você sentir muito cansaço e estiver com palpitação, falta de ar ou dor no peito, consulte um profissional de saúde novamente", destaca Leitão. Esses podem ser sinais de algo errado no sistema cardiovascular. Caso esteja tudo bem e o ritmo das atividades está evoluindo sem percalços, os especialistas das duas sociedades médicas pedem que todo mundo passe por uma reavaliação dois ou três meses após a liberação inicial. Assim, é possível ter certeza que não surgiram novos problemas. Afinal, ainda há muita coisa que não se sabe sobre o coronavírus e seus efeitos em longo prazo. Para evitar surpresas desagradáveis no coração, o melhor caminho é sempre ter cuidado em dobro. Veja Mais

Atividades físicas de maior intensidade podem reduzir a mortalidade por doenças crônicas, aponta estudo

Glogo - Ciência Pesquisa conduzida pela Unifesp analisou dados de 400 mil adultos norte-americanos. Pessoas que realizavam de 50% a 75% do total de atividade física semanal em intensidade vigorosa tiveram uma redução de 17% na mortalidade. Entre os participantes que realizam qualquer atividade física - moderada a vigorosa -tiveram uma menor mortalidade por todas as causas, com exceção a doenças cardiovasculares e câncer. Shutterstock Um estudo coordenado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) aponta que pessoas que realizam mais exercícios físicos intensos têm uma diminuição no risco de mortalidade por doenças crônicas como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer. Entre outros dados, o levantamento concluiu que pessoas que realizaram de 50% a 75% do total de atividade física de forma vigorosa tiveram uma redução de 17% na mortalidade em comparação aos que realizaram apenas atividade moderada (veja detalhamento mais abaixo). A pesquisa, realizada com dados coletados entre os anos de 1997 e 2013 de mais de 400 mil adultos norte-americanos, encontrou relação entre a intensidade da realização de uma atividade física e os índices de mortalidade. O trabalho foi publicado na revista científica JAMA Internal Medicine. Acordar mais tarde pode ajudar a diminuir a enxaqueca em adolescentes, aponta estudo Os pesquisadores consideraram a data da morte até dia 31 de dezembro de 2015. Foram excluídos dados de pessoas com alguma deficiência que tinham dificuldades em realizar atividades físicas ou incapazes de realizar atividades físicas moderadas ou vigorosas, e aqueles com um diagnóstico de doença cardíaca, derrame ou câncer no início. A análise estatística foi realizada em parceria com Universidade de Wuhan (China), Universidade de Santiago do Chile (Chile) e a Universidade Europeia Miguel de Cervantes (Espanha). "Nós utilizamos dados abertos de uma pesquisa realizada anualmente em território norte-americano, conectando os dados com os índices de mortalidade do país. Com isso, é possível informar a associação. Nesse estudo a pesquisa foi feita por meio de questionário, que incluía uma pergunta sobre a frequência em que a pessoa realizava atividades físicas entre moderada e vigorosa", afirma o coordenador da pesquisa e professor da Unifesp, Leandro Rezende. Rezende explica que a intensidade é medida pela quantidade de gasto energético quando a atividade é realizada, o que varia de acordo com o perfil de cada pessoa. "Uma atividade metabólica tem um equivalente metabólico, ou seja, produz um gasto energético. As atividades de intensidade leve gastam de 1 a 3 unidades, equivalente a até 3 vezes o gasto energético de repouso. A vigorosa gasta até 6 vezes ou mais", afirma Rezende. Embora a maioria dos benefícios para a saúde associados ao cumprimento das metas de exercícios físicos semanais recomendados possam ser alcançados por meio de atividade física moderada, os resultados sugerem que uma proporção maior de atividade física vigorosa está associada a benefícios adicionais para a saúde. Como é definido o nível de intensidade? Segundo Paulo Azevedo, professor de educação física da Unifesp, o nível de intensidade dos exercícios pode ser classificado por uma percepção de esforço em uma escala de 0 a 10: O exercício leve traz algum benefício de capacidade cardiorrespiratória, transporte de oxigênio para o metabolismo da pessoa. Esse exercício leve tem uma percepção de esforço de 4 ou 5 em uma escala de zero a 10. Uma pessoa sedentária consegue se exercitar bem nesse perfil por cerca de 40 minutos até 1 hora. No moderado, a pessoa consegue se exercitar em torno de 30 minutos de forma contínua com uma percepção de esforço de 7 ou 8. A pessoa passa a se sentir mais ofegante, como a atividade é intensa, o exercício tem menos duração. Os benefícios citados na categoria leve são mais fáceis de serem adquiridos. No vigoroso, a pessoa precisa se exercitar de forma intercalada, com estímulo e tempo de pausa, entre o exercício e a recuperação. A escala de percepção de esforço chega ao limite entre 9 e 10. Apesar de fazer intercalado, é possível aumentar a duração total do exercício. As respostas cardiovasculares e musculares são adquiridas de forma mais rápida. "No vigoroso, quando você para de treinar por um certo período, ocorre um 'destreinamento' mais rápido. Nos exercícios mais leves existe uma demora nos resultados, porém, as adaptações são mais duradouras", alerta Azevedo. Perfil dos participantes Com a pandemia, é importante manter uma rotina de exercícios físicos No geral, os participantes eram em grande maioria mulheres com menos de 45 anos que consumiam bebidas alcoólicas e não fumantes. Do total de participantes, 45% realizavam atividades físicas. Entre os que realizavam atividades, 65,7% relataram fazer um treino de moderado a vigoroso. Os pesquisadores analisaram também se os participantes realizavam alguma ou nenhuma atividade com intensidade vigorosa: 32,5% nenhuma 5,1% relataram realizar 25% ou mais de atividades vigorosas 10,0% relataram mais de 25% a 50% de atividades vigorosas 21,3% relataram mais de 50% a 75% de atividades vigorosas 15,8% relataram mais de 75% a menos de 100% de atividades vigorosas 15,2% relataram mais de 100% realizavam somente exercícios de atividade vigorosa Homens mais jovens, não hispânicos, brancos, com maior escolaridade, com Índice de Massa Corporal normal, em torno de 25, com renda alta, e sem histórico de tabagismo eram mais propensos a relatar que realizavam mais de 25% de atividades vigorosas. Resultados Entre os 403.681 indivíduos, 36.861 morreram até o final de 2015, incluindo 7.634 por doenças cardiovasculares e 8.902 de câncer. Os participantes que não realizavam nenhuma atividade vigorosa tiveram uma mortalidade de 96 a cada grupo de 10 mil pessoas. Os que realizavam mais de 50% a 75% de atividade vigorosa alcançaram o índice de mortalidade de 64,7 a cada 10 mil. Entre quem realizou mais de 75% a 99% de atividade vigorosa, a mortalidade ficou em 64,1 por 10 mil. O estudo observou que adultos que realizaram de 50% a 75% do total de atividade física semanal em intensidade vigorosa tiveram uma redução de 17% na mortalidade por todas as causas, quando comparados aos adultos que realizaram apenas atividades físicas de intensidade moderada. Entre os participantes que realizam qualquer atividade física - moderada a vigorosa - houve uma menor mortalidade por todas as causas, com exceção a doenças cardiovasculares e câncer. Pessoas que realizaram em torno de 150 a 299 minutos por semana de exercícios moderados e 150 minutos por semana ou mais de exercícios vigorosos tiveram um menor risco de mortalidade por todas as causas. Questionado se é possível fazer o mesmo levantamento ou comparar os resultados com a população brasileira, Rezende explica que não existem no país dados referentes a atividade física. "O efeito das atividades físicas no corpo humano são os mesmos, porém precisamos ter cautela com qualquer comparação". "Temos pesquisas nacionais realizadas anualmente que a princípio poderiam ser relacionadas com o nosso sistema de mortalidade. Mas logisticamente, por enquanto, isso ainda não é possível". Recomendação da OMS Na quarta (25) a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou novas diretrizes globais sobre atividade física e comportamento sedentário. A OMS recomenda que os adultos aumentem o tempo de atividade física semanal para 300 minutos – até uma hora de exercícios por cinco dias ou 40 minutos por sete dias – ou façam 150 minutos de atividade física intensa por semana, quando não tiver contraindicação. A última diretriz da organização, de 2010, se concentrava em alcançar "pelo menos" 150 minutos de atividade física moderada ou 75 minutos de exercício de alta intensidade por semana. "A princípio qualquer pessoa poderia realizar exercícios vigorosos, desde que a intensidade seja previamente determinada e que exista uma prescrição adequada da intensidade, duração do esforço e recuperação", afirma Paulo Azevedo. O professor reforça que existem recomendações que esse tipo de exercício seja realizado por diabéticos, cardiopatas e assim por diante. "Porém, temos que reforçar que a atividade precisa estar adaptada de acordo com o perfil de cada pessoa. Cada pessoa suporta uma intensidade diferente". Vídeos: Viva Você Veja Mais

Exploradores descobrem pinturas da Era do Gelo na Amazônia colombiana

Glogo - Ciência Cenas de dança, caça e comida – mas também retratos de animais extintos – cobrem quilômetros de rochas na selva. Arte rupestre de pelo menos 12,5 mil anos estava em área isolada do antigo território das Farc. Rochas têm desenhos de animais e figuras geométricas José Iriarte/Arquivo Pessoal As pinturas rupestres na Serranía de la Lindosa são de tirar o fôlego: é uma superfície de quase 12 quilômetros coberta de formas geométricas e dezenas de milhares de imagens de animais e humanos. Peixes, tartarugas, lagartos e pássaros, gente dançando ou dando-se as mãos, figuras de máscaras, muitas impressões manuais. O mais fascinante é quão detalhadas e realistas algumas das representações são. Pinturas rupestres são encontradas em propriedade rural no Brasil Pinturas rupestres são ameaçadas por queimadas e vandalismo no Tocantins Elas retratam também animais há muito extintos, como bichos-preguiça gigantes, cavalos da era glacial ou palaeolamas, um mamífero da família dos camelos. Há até um mastodonte, ancestral pré-histórico dos elefantes que há pelo menos 12 mil anos não vive mais na América do Sul. Eles são um dos indícios de que essas pinturas foram realizadas há mais de 12,5 mil anos. Algumas das figuras se localizam tão no alto da parede rochosa que só podem ser observadas com o auxílio de drones. Foram pintadas com terracota avermelhada, mas os arqueólogos também encontraram pedaços de ocre raspados para fabricação de tinta. Território das Farc As fascinantes pinturas foram descobertas em 2019 por uma equipe de exploradores colombianos e britânicos, porém o achado foi mantido em segredo enquanto era produzida uma série da emissora Channel 4: Jungle mystery: Lost kingdoms of the Amazon (Mistério na selva: Reinos perdidos da Amazônia), que será transmitida no Reino Unido em dezembro. Não é surpreendente essa arte da Era do Gelo ter permanecido tanto tempo secreta: ela se encontra em plena selva da Colômbia, cerca de 400 km a sudeste de Bogotá. Nas imagens de satélite, a região em torno da Serranía de la Lindosa parece simplesmente verde, ao norte o rio Guaviare serpenteia em meio à Floresta Amazônica. Pintura rupestre na Serranía la Lindosa, na Colômbia Francisco Javier Aceituno Bocanegra/Museu Britânico Acima de tudo, porém, até pouco tempo atrás a isolada área se encontrava sob controle dos rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), sendo, portanto, totalmente inacessível a arqueólogos. Eles só puderam adentrá-la depois de 2016, quando os guerrilheiros assinaram um armistício com o governo, após 50 anos de guerra civil. Semelhanças com pinturas de Chiribiquete Os novos achados arqueológicos lembram muito a arte rupestre do Parque Nacional Chiribiquete, situado próximo. Elas provam que, já há 19 mil anos, seres humanos habitavam o território e decoravam suas rochas com cenas envolvendo caça, dança e comida. Ao lado as figuras humanas, encontram-se também imagens de cervos e alces, porcos-espinho, cobras, pássaros, macacos e insetos. No entanto a maioria dessas pinturas se situa nas áreas mais elevadas e de difícil acesso no Parque Nacional Chiribiquete, que é Patrimônio da Humanidade. Os arqueólogos esperam que o sensacional achado revele novas facetas da vida humana na Amazônia da era glacial. Pois as pinturas não só informam sobre as espécies animais e vegetais então existentes, como também sobre como seus habitantes se comunicavam, seus rituais xamânicos. O tesouro de conhecimento preservado na Amazônia colombiana provavelmente levará décadas para se documentar e analisar. VÍDEOS mais vistos da semana D Veja Mais

Estudo relaciona estresse e relógio biológico a distúrbios do sono

Glogo - Ciência Pesquisa realizada em camundongos e hipopótamos conseguiu identificar um neurônio que se torna excessivamente ativo quando o animal está sob estresse, o que pode desencadear insônia e outros distúrbios do sono. Pesquisadores conseguiram captar imagens dos neurônios que fazem parte da via neural que é crucial para a regulação circadiana do sono e da vigília. Divulgação/ Daisuke Ono Os problemas com sono agravados pela pandemia têm uma forte influência do estresse e da rotina, como o horário em que a pessoa vai dormir, a quantidade de horas dormidas e outros fatores que atrapalham uma boa noite de sono e podem passar despercebidos de imediato, mas tornam o dia seguinte exaustivo. Um estudo conduzido pela Universidade de Nagoya, no Japão, por meio de uma pesquisa feita em camundongos e hipopótamos conseguiu identificar uma via neural que liga relógio biológico, estresse e estado de vigília dos animais. Os pesquisadores identificaram um neurônio chamado de 'neurônio do fator liberador de corticotropina' (CRF), que se torna excessivamente ativo quando o animal está sob estresse, o que pode desencadear insônia e outros distúrbios do sono. Estudo francês com 10 mil pessoas avaliará efeitos da Covid-19 na saúde mental A hiperatividade dos neurônios CRF devido ao estresse ou distúrbio do ritmo circadiano podem causar insônia e outros distúrbios do sono em humanos. Para os humanos, as descobertas podem levar ao desenvolvimento de novas terapias para distúrbios do sono. Estresse demais e sono de menos O estresse manifestado nos animais do levantamento como causador de distúrbios no sono parece se assemelhar com problemas manifestados por humanos. A estudante Júlia Nogueira da Silva, 23 anos, normalmente dorme cerca de 4 horas por dia devido ao trabalho e à rotina acadêmica. As poucas horas de sono são o suficiente para proporcionar um desgaste e cansaço diário. "Isso bagunçou completamente minha rotina, me sinto indisposta, desanimada e extremamente cansada", conta. Segundo Júlia, o estresse atrapalha na hora de ir dormir e após acordar: "Demoro para dormir justamente por me sentir ansiosa, e consequentemente, já acordo estressada e fico assim o dia todo". Já a analista Ramires Gomes, de 24 anos, apesar de dormir horas suficientes para ficar disposta durante o dia, a rotina afetada pela pandemia gera um estresse e acaba atrapalhando o seu horário de pegar no sono. "Às vezes, quando estou estressada por qualquer motivo, isso fica na minha cabeça na hora de ir para a cama, esse pensamento fica rondando e eu acabo demorando muito para pegar no sono". Atividades físicas podem ajudar a dormir melhor Resultados da pesquisa Segundo os pesquisadores, em mamíferos, o relógio circadiano central (relógio biológico), localizado nos neurônios do chamado núcleo supraquiasmático (centro primário de regulação dos ritmos circadianos) do cérebro, regula o ciclo vigília-sono. No entanto, em situações de risco de vida, o sinal do ritmo circadiano é desligado para manter o animal acordado para que ele possa escapar do perigo mesmo quando normalmente seria hora de dormir. Embora o desligamento temporário do ciclo vigília-sono seja necessário para a sobrevivência, o estresse excessivo ou prolongado causado por esses perigos pode desencadear insônia e outros distúrbios do sono. Os pesquisadores analisaram neurônios CRF conhecidos por desempenhar um papel na resposta ao estresse. Eles investigaram como o sono e a vigília (despertar) em camundongos seriam afetados quando os neurônios CRF estivessem ativados. Os resultados apontaram que os neurônios ativados mantinham os animais acordados, fazendo com que eles se movessem de forma mais vigorosa, indicando o estado de vigília. Os pesquisadores também observaram que os neurônios CRF permaneceram ativos quando os ratos estavam acordados e que, quando a atividade dos neurônios foi anulada, a vigília e as atividades locomotoras dos animais foram reduzidas. Como identificar problemas no sono? É possível identificar possíveis problemas com o sono por meio de três pontos: dificuldades em iniciar o sono fragmentação do sono durante a noite dificuldades de voltar a dormir durante a noite Se esses fatores levam a consequências no dia a dia, esse indivíduo está sofrendo com insônia. Nesse caso é importante procurar um especialista para indicar o tratamento adequado. A quantidade de horas dormidas que podem ser consideradas saudáveis variam de acordo com o relógio biológico de cada pessoa. Segundo os especialistas, a primeira medida que deve ser tomada para ter uma boa noite de sono é entender o seu próprio relógio biológico e descobrir quantas horas de sono são necessárias para te deixar disposto. A partir disso, o indivíduo deve se disciplinar para mudar a rotina. Vídeos: Viva Você Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 3 de dezembro, segundo consórcio de veículos de imprensa (atualização das 13h)

Glogo - Ciência País tem 174.647 óbitos e 6.445.691 diagnósticos de Covid-19, segundo levantamento junto às secretarias estaduais de Saúde. O Brasil tem 174.647 mortes por coronavírus confirmadas até as 13h desta quinta-feira (3), segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Desde o balanço das 20h de quarta-feira (2), 6 estados atualizaram seus dados: CE, GO, MG, MS, RN e TO. Veja os números consolidados: 174.647 mortes confirmadas 6.445.691 casos confirmados Na quarta-feira, às 20h, o balanço indicou: 174.531 mortes confirmadas, 669 em 24 horas. Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 533. A variação foi de -2% em comparação à média de 14 dias atrás, indicando tendência de estabilidade nas mortes por Covid, quando não há aumento ou queda significativos. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 6.436.633 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 48.107 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 38.534 novos diagnósticos por dia, a maior desde 6 de setembro --quando chegou a 39.356. Isso representa uma variação de +35% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de alta nos diagnósticos. Brasil, 2 de dezembro Onze estados apresentaram alta na média móvel de mortes: PR, RS, SC, ES, MS, AC, AM, RO, CE, PE e SE. Também vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Em Rondônia, por exemplo, a média móvel de mortes passou de 3 a 6 em duas semanas, resultando em variação de 114%. Já no Ceará, que teve a maior variação entre os estados (151%), a média saltou de 6 para 15. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Estados Subindo (11 estados): PR, RS, SC, ES, MS, AC, AM, RO, CE, PE e SE Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (10 estados + o DF): SP, DF, MT, AP, PA, RR, BA, MA, PB, PI e RN Em queda (5 estados): MG, RJ, GO, TO e AL Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Estados com mortes em alta Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em estabilidade Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em queda Editoria de Arte/G1 Sul PR: +22% RS: +17% SC: +139% Sudeste ES: +36% MG: -32% RJ: -29% SP: -2% Centro-Oeste DF: -11% GO: -66% MS: +65% MT: +6% Norte AC: +100% AM: +43% AP: +7% PA: +4% RO: +114% RR: +7% TO: -19% Nordeste AL: -22% BA: -4% CE: +151% MA: +2% PB: +7% PE: +16% PI: -10% RN: +3% SE: +40% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja Mais

Anvisa define requisitos para pedido de uso emergencial de vacina da Covid-19

Glogo - Ciência Um dos critérios é que a vacina precisa estar em estudos clínicos de fase 3 - última etapa de testes - no Brasil. Homem recebe dose de vacina em fase de testes contra a Covid-19 Jornal Nacional A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou nesta quarta-feira (2) um guia com as exigências para o pedido do uso emergencial das vacinas da Covid-19. Segundo a reguladora, cada caso será analisado de forma independente. A decisão será tomada pela Diretoria Colegiada; Serão considerados estudos não-clínicos e clínicos (em humanos); Será avaliada a qualidade, boas práticas de fabricação, estratégias de monitoramento e controle, resultados provisórios de ensaios clínicos, entre outras evidências científicas; A empresa interessada deverá apresentar as informações que comprovem que a fabricação e a estabilidade do produto garantem a qualidade da vacina; É necessário também que a vacina seja acompanhada de um Dossiê de Desenvolvimento Clínico de Medicamento (DDCM) aprovado pela agência; O estudo clínico na fase 3 – última etapa de testes – deve estar em andamento e condução no Brasil. A agência faz a ressalva de que o uso emergencial de um produto será liberado apenas para o público previamente definido e testado nos estudos. Além disso, diz que a autorização não irá substituir o registro sanitário no Brasil, que será exigido para a ampliação do produto a toda a população. "Uma diferença importante entre o registro e a autorização de uso emergencial é justamente que, no registro, o medicamente já precisa ter dados completos dos estudos para necessários para um balanço de risco/benefício. No caso de autorização de uso emergencial, a gente está falando de uma vacina que ainda está em fase experimental, ainda existe a necessidade de gerar esses dados", disse Gustavo Mendes, gerente-geral de medicamentos e produtos biológicos da Anvisa. Até o momento, a Anvisa não tinha a modalidade "uso emergencial" para a vacinação. Os critérios precisaram ser estabelecidos devido à urgência da pandemia. 4 vacinas em testes finais Quatro vacinas estão na fase 3 de testes em humanos no Brasil e, caso estejam encaixadas nos outros critérios, poderão pedir uso emergencial. São elas: AstraZeneca + Universidade de Oxford: 70% de eficácia, com uma variação de 62% a 90% de acordo com a dose aplicada. CoronaVac: ainda sem a taxa de eficácia divulgada. Pfizer + BioNTech: 95% de eficácia e mais de 94% eficaz em idosos acima de 65 anos, segundo dados preliminares da fase 3. Janssen: ainda sem a taxa de eficácia divulgada. Todos esses imunizantes são destinados às pessoas com mais de 18 anos, exceto o da Pfizer, que pode ser aplicado já em pacientes a partir dos 16 anos. As farmacêuticas responsáveis já entraram com o pedido de submissão contínua junto à Anvisa – processo utilizado pela reguladora para ir recebendo os documentos aos poucos e garantir mais agilidade na aprovação. De acordo com Carla Domingues, ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde, as "crianças e adolescentes não serão vacinadas tão cedo porque os estudos clínicos não foram feitos nesses grupos". "Não foram feitos estudos clínicos nesta população. Vamos ter que aguardar a continuidade dos estudos. Até por que essa não é a população que está com mais risco, essa é a população menos afetada. Isso é a política do Ministério da Saúde e do mundo todo", disse. Grupos prioritários O Ministério da Saúde divulgou nesta terça-feira (1) os primeiros pontos da estratégia "preliminar" para a vacinação da população. De acordo com a pasta, o plano será dividido em quatro etapas. Primeira fase: trabalhadores da saúde, população idosa a partir dos 75 anos de idade, pessoas com 60 anos ou mais que vivem em instituições de longa permanência (como asilos e instituições psiquiátricas) e população indígena. Segunda fase: pessoas de 60 a 74 anos. Terceira fase: pessoas com comorbidades que apresentam maior chance para agravamento da Covid-19 (como pacientes com doenças renais crônicas e cardiovasculares). Quarta fase: professores, forças de segurança e salvamento, funcionários do sistema prisional e população privada de liberdade. Veja Mais

Comissão da ONU retira a maconha de lista de drogas consideradas mais perigosas

Glogo - Ciência Decisão não interfere no poder dos países em estabelecerem suas próprias regras e leis sobre a droga. Além disso, a cannabis e a resina derivada dela ainda se mantêm no grupo das substâncias para as quais a ONU recomenda algum controle. Folhas de cannabis, usadas para produzir maconha, fotografadas em 19 de novembro durante protesto em frente ao Senado do México Carlos Jasso/Reuters A Comissão de Drogas Narcóticas das Nações Unidas aprovou nesta quarta-feira (2) a reclassificação da maconha e da resina derivada da cannabis para um patamar que inclui substâncias consideradas menos perigosas segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Na prática, a decisão não retira a necessidade de os países estabelecerem controles contra a proliferação da droga. A medida também não tem o poder de mudar, por si, as políticas adotadas por cada nação sobre a maconha e seus derivados. Porém, com a reclassificação, a maconha deixa de ocupar uma lista de substâncias consideradas "particularmente suscetíveis a abusos e à produção de efeitos danosos" e "sem capacidade de produzir vantagens terapêuticas". Nessa lista de drogas mais perigosas, a maconha estava posicionada ao lado de substâncias como a heroína. Agora, a cannabis fica posicionada entre outros entorpecentes como a morfina, que a organização também recomenda controle mas admite ter menos potencial danoso. A decisão segue uma recomendação da própria OMS e teve aprovação de 27 países. Outros 25 votaram contra, e uma representação se absteve. Além disso, as delegações rejeitaram outras recomendações como a retirada de todas as listas de alguns componentes da cannabis. Países que legalizaram o uso recreativo da maconha Luisina Mezquita abre pacote de maconha comprado em farmácia de Motevidéu, no Uruguai, em julho de 2017 AP Photo/Matilde Campodonico O uso recreativo da maconha é permitido em países como o Uruguai, o Canadá e a Geórgia, que recentemente aprovaram leis que retiram a penalização para quem consumir a substância ou que legalizam completamente o consumo da droga. A legalização também foi recentemente aprovada em algumas partes dos Estados Unidos, onde houve referendo no mesmo dia da eleição presidencial. Já o México pode ser o próximo a liberar o uso do entorpecente — o Senado aprovou a legalização da maconha no mês passado tanto para fins medicinais quanto para uso recreativo. VÍDEOS mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias Veja Mais

Mortes por Covid tiveram queda menor em novembro do que em outubro, indicam secretarias de Saúde

Glogo - Ciência Foram 13,2 mil mortes pela doença no mês passado, segundo dados levantados pelo consórcio de veículos de imprensa. Apesar de queda em relação a outubro, diminuição é menor que a vista nos dois últimos meses. Monja budista reza em uma cerimônia japonesa antes de soltar lanternas na água em Brasília com nomes de pessoas que morreram de Covid-19, no dia 30 de novembro. Adriano Machado/Reuters O Brasil fechou o mês de novembro com 13.263 mortes pela Covid-19, mostram dados apurados pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias de Saúde do país. É o segundo mês seguido que o país termina com menos de 20 mil mortes pela doença, e o quarto consecutivo em que há queda no número de óbitos (veja gráfico). A diminuição percentual nas mortes, entretanto, foi menor de outubro para novembro do que de setembro para outubro. É a primeira vez em que a queda percentual de um mês para o outro é menor do que a vista nos dois meses anteriores: De julho para agosto, as mortes caíram 9% (julho foi o mês da pandemia com maior número de mortes no país. De agosto para setembro, a queda foi de 22%. De setembro para outubro, de 28%. De outubro para novembro, de 17%. "A queda já não é mais tão marcante, como foi na virada de mês passado. E infelizmente, com os números mais recentes, na próxima virada de mês nem sabemos se teremos queda", afirma o epidemiologista e reitor da Universidade de Pelotas Pedro Hallal. O dado referente a novembro foi calculado subtraindo-se as mortes totais no dia 31 de outubro (159.902) do total de mortes até segunda-feira (30 de novembro), que era de 173.165 até as 20h. Os números dos meses anteriores foram determinados com a mesma metodologia. (Veja mais ao final da reportagem). Aumento do contágio A taxa de transmissão do coronavírus alcançou, no mês passado, o índice mais alto desde maio: 1,30, antes de cair novamente nesta semana, para 1,02. Isso significa que cada 100 pessoas infectadas no país transmitem o vírus para outras 102. Na prática, simboliza um avanço no contágio da doença. MATEMÁTICA: Crescimento exponencial e curva epidêmica: entenda os principais conceitos matemáticos que explicam a pandemia de coronavírus Segundo a margem de erro do monitoramento britânico, a taxa de transmissão no país pode ser maior (Rt de até 1,11) ou menor (Rt de até 0,94). Nesses cenários, cada 100 pessoas com o vírus infectariam outras 111 ou 94, respectivamente. Na segunda-feira (30), a Organização Mundial de Saúde (OMS) disse que o Brasil "precisa levar muito, muito a sério" a alta no número de casos de Covid-19. Casos de SRAG Foto mostra profissional de saúde em UTI no Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre, no dia 19 de novembro. Diego Vara/Reuters Também em novembro, a Fiocruz indicou, pela primeira vez desde julho, um aumento nos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em todo o território nacional. Antes, esse cenário só era sinalizado para algumas capitais. A SRAG pode ser causada por vários vírus respiratórios, mas, neste ano, cerca de 98% dos casos da síndrome têm sido provocados pelo Sars-CoV-2, segundo a Fiocruz. Por isso, os dados ajudam a entender o cenário apesar do atraso na confirmação de testes diagnósticos, por exemplo. Doze das 27 capitais brasileiras tiveram sinal moderado ou forte de que houve crescimento de casos nas 6 semanas anteriores ao boletim: Belo Horizonte, Campo Grande, Maceió e Salvador tiveram sinal forte; Curitiba, Natal, Palmas, Plano Piloto de Brasília e arredores, Rio de Janeiro, São Luís, São Paulo e Vitória tiveram sinal moderado de crescimento. Metodologia O consórcio de veículos de imprensa começou o levantamento conjunto no início de junho. Por isso, os dados mensais de fevereiro a maio são de levantamentos exclusivos do G1. A fonte de ambos os monitoramentos, entretanto, é a mesma: as secretarias estaduais de Saúde. Outra observação sobre os dados é que, no dia 28 de julho, o Ministério da Saúde mudou a metodologia de identificação dos casos de Covid e passou a permitir que diagnósticos por imagem (tomografia) fossem notificados. Também ampliou as definições de casos clínicos (aqueles identificados apenas na consulta médica) e incluiu mais possibilidades de testes de Covid. Desde a alteração, mais de mil casos de Covid-19 foram notificados pelas secretarias estaduais de Saúde ao governo federal sob os novos critérios. Veja vídeos sobre novidades da vacina contra a Covid-19: Veja Mais

Radiotelescópio de Arecibo desaba após meses de deterioração

Glogo - Ciência Radiotelescópio era o segundo maior do mundo. Ele suportou furacões, umidade tropical e uma série de terremotos em seus 57 anos de operação. Imagem mostra o radiotelescópio danificado no Observatório de Arecibo, em Porto Rico, no dia 17 de novembro de 2020 Imagem de satélite / Maxar Technologies via AP O radiotelescópio gigante do Observatório de Arecibo, em Porto Rico, que desempenhou um papel fundamental nas descobertas astronômicas por mais de meio século, desabou completamente nesta terça-feira (1º). Uma plataforma de mais de 900 toneladas que abrigava o telescópio caiu no prato refletor, que ficava a cerca de 120 metros abaixo dela. A Fundação Nacional de Ciência dos EUA já havia anunciado que o Observatório de Arecibo seria fechado. Em agosto, um cabo auxiliar quebrou e, no começo de novembro, um dos cabos principais rompeu. O telescópio capaz de ver coisas que ocorreram há 13 bilhões de anos Como é o maior telescópio do mundo, que busca pistas sobre a origem do universo Telescópios registram momento em que estrela é engolida por buraco negro Foto de 11 de agosto de 2020 mostra os danos causados por um cabo rompido Observatório de Arecibo via AP O colapso surpreendeu muitos cientistas. “Soou como um estrondo”, disse Jonathan Friedman, que trabalhou por 26 anos como pesquisador associado sênior no observatório e ainda vive perto dele. “Eu estava gritando. Eu estava fora de controle. Não tenho palavras para expressar isso. É uma sensação muito profunda e terrível". Friedman contou que subiu correndo uma pequena colina perto de sua casa e confirmou suas suspeitas: uma nuvem de poeira pairava no ar onde a estrutura ficava, destruindo as esperanças de alguns cientistas de que o telescópio pudesse ser consertado de alguma forma. “É uma grande perda”, disse Carmen Pantoja, astrônoma e professora da Universidade de Porto Rico que usou o telescópio em seu doutorado. “Foi um capítulo da minha vida.” Vista do Observatório de Arecibo, um dos telescópios mais importantes do mundo, no dia 13 de julho de 2016 Danica Coto/Arquivo/AP 57 anos de operação O telescópio foi construído na década de 1960 com dinheiro do Departamento de Defesa. Ele suportou furacões, umidade tropical e uma série de terremotos recentes em seus 57 anos de operação. O telescópio era usado para rastrear asteroides, conduzir pesquisas e determinar se um planeta é potencialmente habitável. Também serviu como campo de treinamento para alunos de pós-graduação e atraiu cerca de 90 mil visitantes por ano. “O mundo sem observatório perde, mas Porto Rico perde ainda mais", disse Abel Méndez, professor de física e astrobiologia da Universidade de Porto Rico em Arecibo, que usou o telescópio para pesquisas. Cerca de 250 cientistas em todo o mundo estavam usando o observatório quando ele foi fechado em agosto, incluindo Méndez, que estava estudando estrelas para detectar plantas habitáveis. “Estou tentando me recuperar. Ainda estou muito afetado, disse o professor de física. Veja VÍDEOS sobre astronomia e exploração espacial Veja Mais

Como um dos grandes mistérios da biologia foi solucionado com inteligência artificial

Glogo - Ciência É esperado que esse avanço em relação ao entendimento das proteínas seja capaz de acelerar pesquisas relacionadas a uma série de doenças que afetam os humanos, inclusive a covid-19. DeepMind foi capaz de prever a formação de estruturas de proteínas como essa em um nível sem precedentes. DEEPMIND/PA WIRE via BBC Um dos maiores mistérios da biologia foi resolvido usando inteligência artificial, anunciaram especialistas. Prever como uma proteína adquire uma forma tridimensional única intrigou os cientistas por meio século. Agora, o laboratório de inteligência artificial DeepMind, que pertence ao Google e tem sede em Londres, resolveu o problema, dizem os organizadores de um desafio científico. Uma melhor compreensão das formas das proteínas pode desempenhar um papel fundamental no desenvolvimento de novos medicamentos para o tratamento de doenças. Espera-se que esse avanço acelere pesquisas sobre uma série de doenças, incluindo a covid-19. O programa determinou a forma das proteínas em um nível de precisão comparável a métodos de laboratório caros e demorados, segundo o anúncio. Andriy Kryshtafovych, da Universidade da Califórnia em Davis, nos Estados Unidos, é um dos jurados científicos e descreveu o feito como "verdadeiramente notável". "Ser capaz de investigar a forma das proteínas com rapidez e precisão tem o potencial de revolucionar as ciências da vida", disse ele. O que são proteínas? As proteínas estão presentes em todos os seres vivos, onde desempenham um papel central nos processos químicos essenciais para a vida. Descobertas sobre uso das proteínas levam o prêmio Nobel de Química Compostos por cadeias de aminoácidos, eles se dobram em um número infinito de maneiras em formas elaboradas que contêm a chave sobre como realizam suas funções vitais. Muitas doenças estão ligadas ao papel das proteínas na catalisação de reações químicas (enzimas), no combate a doenças (anticorpos) ou na atuação como mensageiros químicos (hormônios como a insulina). "Mesmo pequenos rearranjos dessas moléculas vitais podem ter efeitos catastróficos em nossa saúde, então uma das maneiras mais eficientes de entender a doença e encontrar novos tratamentos é estudar as proteínas envolvidas", disse John Moult, da Universidade de Maryland, EUA. "Existem dezenas de milhares de proteínas humanas e muitos bilhões em outras espécies, incluindo bactérias e vírus, mas descobrir a forma de apenas uma requer equipamentos caros e pode levar anos". Como foi o desafio científico? Em 1972, Christian Anfinsen recebeu o Prêmio Nobel por seu trabalho mostrando que deveria ser possível determinar a forma das proteínas com base na sequência de seus blocos de aminoácidos. A cada dois anos, dezenas de equipes de mais de 20 países tentam cegamente prever, usando computadores, a forma de um conjunto de cerca de 100 proteínas a partir de suas sequências de aminoácidos. Ao mesmo tempo, as estruturas 3D são trabalhadas em laboratório por biólogos usando técnicas tradicionais como cristalografia de raios-X e espectroscopia por ressonância magnética nuclear (também chamada de espectroscopia por RMN), que determinam a localização de cada átomo em relação a outro na molécula de proteína. Uma equipe de cientistas do Casp (experimento comunitário sobre a avaliação crítica de técnicas para predição de estrutura de proteínas) compara essas previsões com as estruturas 3D encontradas usando os métodos experimentais. O Casp usa uma métrica conhecida como teste de distância global para avaliar a precisão, variando de 0 a 100. Uma pontuação de cerca de 90, que o programa AlphaFold da DeepMind alcançou, é considerada comparável às técnicas de laboratório. O que aconteceu este ano? Na última rodada do desafio Casp-14, o AlphaFold determinou a forma de cerca de dois terços das proteínas com precisão comparável a experimentos de laboratório. Os avaliadores disseram que a precisão com a maioria das outras proteínas também era alta, embora não tenham chegado a esse nível. AlphaFold é baseado em um conceito denominado aprendizado profundo. Nesse processo, a estrutura de uma proteína dobrada é representada como um gráfico espacial. O programa então "aprende" usando informações sobre as formas 3D de proteínas conhecidas mantidas no Banco de Dados Público de Proteínas. O programa de Inteligência Artificial foi capaz de fazer em questão de dias o que poderia levar anos em uma bancada de laboratório. Como essa informação será usada? Conhecer a estrutura 3D de uma proteína é importante na fabricação de medicamentos e na compreensão de doenças humanas, incluindo câncer, demência e doenças infecciosas. Um exemplo é a covid-19, em que os cientistas estudam como a proteína spike (ou "de pico") na superfície do vírus Sars-CoV-2 interage com os receptores nas células humanas. O professor Andrew Martin, da University College London (UCL), ex-participante e assessor do Casp, disse à BBC News: "Entender como uma sequência de proteína se dobra em três dimensões é realmente uma das questões fundamentais da biologia. Toda a maneira como uma proteína funciona depende de sua estrutura tridimensional e a função da proteína é relevante para tudo na saúde e na doença". "Conhecendo as estruturas tridimensionais das proteínas, podemos ajudar a projetar medicamentos e intervir em problemas de saúde, sejam infecções ou doenças hereditárias." A professora Dame Janet Thornton, do Instituto Europeu de Bioinformática da EMBL no Reino Unido, disse que a forma como as proteínas se dobram para criar "estruturas tridimensionais extraordinariamente exclusivas" é um dos maiores mistérios da biologia. "Uma melhor compreensão das estruturas das proteínas e a capacidade de prevê-las usando um computador significa uma melhor compreensão da vida, da evolução e, claro, da saúde e das doenças humanas", explicou ela. O que acontece agora? Outros cientistas vão querer olhar os dados para determinar o quão preciso é o método de Inteligência Artificial e quão bem ele funciona em um nível muito detalhado. Ainda há uma lacuna de conhecimento, incluindo descobrir como várias proteínas se encaixam e como as proteínas interagem com outras moléculas, como DNA e RNA. "Agora que o problema foi amplamente resolvido para proteínas individuais, o caminho está aberto para o desenvolvimento de novos métodos para determinar a forma de complexos de proteínas — coleções de proteínas que trabalham juntas para formar grande parte da maquinaria da vida e para outras aplicações", disse Kryshtafovych. VÍDEOS: os mais vistos do G1 nos últimos 7 dias Veja Mais

'Era como se meu sangue e sêmen fossem venenosos': o homem que descobriu 'sem querer' que tinha HIV

Glogo - Ciência Christopher Klettermayer é austríaco, tem 38 anos e recebeu seu diagnóstico em um ashram na Índia. O austríaco Christopher Klettermayer recebeu seu diagnóstico em um ashram na Índia Arquivo pessoal Christopher Klettermayer/via BBC "Sendo um homem heterossexual, branco, europeu, nunca imaginei que o diagnóstico viria positivo." Christopher Klettermayer — também conhecido pelo pseudônimo Philipp Spiegel — é austríaco, tem 38 anos e foi diagnosticado com o vírus da imunodeficiência humana (HIV) em 2014. Ele se lembra perfeitamente do dia: estava na Índia, realizando uma trabalho como repórter fotográfico. Ao contrário de muitos, ele não recebeu a notícia em um hospital, mas em um ashram, um centro de meditação hinduísta — que, como pré-requisito para entrada, exige aos visitantes que se submetam a um teste de HIV. "Aceitei prontamente fazer. Sendo branco e hetero, achei que daria negativo. Mas não foi assim." Alguns meses antes, na Áustria, Christopher havia ficado muito doente, mas nem lhe ocorreu que poderia ser algo relacionado ao vírus. "Nenhum médico me pediu exame porque eu não estava no grupo de risco. Fiz o teste meio por acaso na Índia — e o resultado me deixou em choque." "Na verdade tive sorte, porque poderia ter demorado anos até efetivamente fazer um exame diagnóstico." 'Por que eu?' "Senti medo no começo. Tinha muitas perguntas a respeito do HIV. Pensei: 'Por que eu?' E me dei conta de que tinha que eliminar um monte de clichês sobre o vírus que trouxe sobre dos anos 80 e 90 para o século 21." E foi isso que ele fez. Christopher passou as 48 horas seguintes ao diagnóstico pesquisando e descobriu conceitos como o limite de detecção e a carga viral, além de acalmar o temor que sentiu de que nunca mais fosse aceito, de que não poderia ter filhos ou uma família ou que nunca mais pudesse dividir momentos de intimidade com outra pessoa. Descobriu com o tempo que a maior parte dos problemas que enfrentaria seriam psicológicos e relacionados ao estigma que existe ainda hoje a respeito do HIV. "Não sinto nenhuma consequência negativa real muito além disso. Na Europa Ocidental temos o privilégio de poder contar com um bom sistema de saúde, que nos oferece tratamento gratuito." Ainda que não haja cura para o HIV, existem hoje tratamentos retrovirais bastante efetivos, que permitem que a maioria das pessoas com o vírus tenha uma vida longa e saudável. 'Era como se meu sangue e sêmen fossem venenosos' Christopher lembra que, pouco depois de começar a tomar os medicamentos, a tosse irritante que tinha há algum tempo desapareceu. Mas outros problemas surgiram, como o momento de ir em um encontro com alguém novo. "Por algum tempo senti algo estranho dentro de mim. Me sentia tóxico, era como se meu sangue e sêmen fossem venenosos. Sentia que era um perigo para as pessoas, especialmente aquelas que queriam se aproximar de mim." "No começo, sair com alguém era algo quase impossível, porque o HIV destrói a confiança que você tem em si mesmo, e, se você vai em um encontro sem confiança, é melhor nem ir." Para ele, é assustador não saber como as pessoas vão reagir quando se conta para elas sobre o vírus. 'Posso pegar pelo beijo?' Christopher já se deparou como todo tipo de reação. "É uma loteria", diz. "Uma experiência positiva aconteceu quando perguntei a uma garota: 'Como você reagiria se dissesse que sou HIV positivo?' E ela só sorriu e disse que isso deixaria as coisas muito mais interessantes. Mas também já encontrei pessoas que de cara me perguntaram: 'posso pegar pelo beijo?'" "Hoje posso dizer que tenho orgulho de conviver com o HIV e consigo transmitir isso à pessoa com quem estiver saindo. Não sempre, claro, às vezes bate o medo, o ceticismo, a rejeição." "Acho que esse é outro aspecto do HIV: viver constantemente com medo de ser descoberto. É preciso ter cuidado com o que se diz e com as consequência que as palavras podem ter. É como viver a vida como um agente secreto", acrescenta. Com o tempo, ele decidiu abandonar a vida dupla e concluiu que deveria aproveitar "o privilégio de viver em um país em que ter HIV é algo menos problemático" para educar e inspirar outras pessoas. "Percebi que, se eu não pudesse dizer que tenho HIV, quem então poderia?" O medo de ser excluído Há muitos anos então Christopher luta contra o estigma relacionado às pessoas que vivem com o vírus. No passado, ele chegou a usar um pseudônimo, Philipp Spiegel, para falar sobre o HIV e dar entrevistas. Tinha tanto medo de ser visto e tratado de forma diferente que se sentiu obrigado a criar uma espécie de personagem. "Tinha medo de ser isolado, de ser excluído da sociedade." "Quanto mais me confrontava comigo mesmo e desafiava minhas percepções sobre sexualidade e masculinidade, menos importância dava a tudo isso. Assim, foi ficando cada vez mais fácil sair do armário, porque em algum momento disse pra mim mesmo: 'Isso não é nada do outro mundo'." Foram anos, entretanto, e muitas experiências até que ele chegasse a essa conclusão. Uma delas foi se apaixonar novamente. "Me ajudou muito quando finalmente me envolvi emocionalmente e vi como ela me tratava, como o assunto do vírus nunca estava presente, que se resumia apenas a tomar a pílula do dia." 'Hoje sou mais feliz que antes' "Uma percepção equivocada é a de que o HIV domina sua vida. No meu caso, se eu não trabalhasse com o tema, praticamente nem tocaria no assunto. Há momento em que meus amigos e minha família simplesmente esquecem que tenho o vírus — porque isso efetivamente não é um problema." Ele confessa que um de seus maiores medos era ser tachado como "o rapaz soropositivo". "Mas sou muito mais que isso, o HIV é só um aspecto da minha vida." Hoje, o escritor e ex-jornalista diz que o diagnóstico abriu-lhe a oportunidade para refletir sobre sua vida e lhe ofereceu uma visão mais ampla das coisas. "Vivo mais o presente. Hoje vivo mais feliz do que antes do HIV, também porque essa foi uma experiência traumática." Toda sua trajetória também acabou lhe dando um propósito artístico e a meta de escrever um livro sobre o que é viver com HIV. 'O conhecimento dispersa o medo' Ele acredita que o processo pode ser mais traumático para muitos homens heterossexuais por problemas ligados à masculinidade. "Muitos homens hetero não falam que têm HIV porque têm medo de serem chamados de gays ou de drogados." Ele não tem, entretanto, um conselho pronto para quem, como ele, acabou de receber o diagnóstico e está perdido, em choque. "É difícil, porque o conselho seria diferente a depender do país, da região e até da família da pessoa. Conheço pessoas que foram expulsas de suas famílias por causa disso." Independentemente disso, sua mensagem é para todos aqueles que vivem com HIV no século 21. "Sentir culpa ou ter vergonha é um esforço inútil. Não tenha pressa. Tenha paciência, aceite o que está aí, mas dê ao HIV o espaço que ele tem de ocupar na sua vida. Não deixe que ele decida que espaço vai ocupar — essa decisão é sua." "Procure conhecer sobre o vírus, porque o conhecimento dispersa o medo." Veja os VÍDEOS mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias: Veja Mais

Estudo francês com 10 mil pessoas avaliará efeitos da Covid-19 na saúde mental

Glogo - Ciência Pesquisa irá avaliar os efeitos da pandemia na saúde mental até o ano de 2022. Os participantes serão convidados a responder, uma vez por mês, a um questionário elaborado pela federação France Assos Santé, uma rede de 85 associações de pacientes na França. Ansiedade e depressão já atingiram 47,3% dos trabalhadores essenciais no Brasil durante a pandemia Quais os impactos psicológicos da epidemia de coronavírus na saúde mental dos franceses e os prejuízos causados a pacientes que sofrem de doenças crônicas, mas deixaram de ser atendidos por causa do lockdown e da saturação dos hospitais? Em breve, um grande estudo científico lançado nesta segunda-feira (30) poderá avaliar as consequências desse período atípico. O estudo "Viver-Covid-19", até agora único no país, espera recrutar 10.000 participantes adultos na França continental. Até maio de 2022, os integrantes serão convidados a responder, uma vez por mês, a um questionário elaborado pela federação France Assos Santé, uma rede de 85 associações de pacientes. A amostra inclui pessoas com doenças crônicas, portadores de deficiência, cuidadores e pessoas saudáveis. Atividades físicas de maior intensidade podem reduzir a mortalidade por doenças crônicas, aponta estudo “Percebemos que a situação iria durar e que, além das pessoas com Covid ou outras patologias, haveria um impacto em nosso estilo de vida”, explica Gérard Raymond, presidente da federação.   Segundo Caroline Guyot, representante da associação France Assos Santé, que defende os direitos dos pacientes e participa da elaboração do projeto, as questões incidem sobre três temas: ansiedade, atendimento e vida cotidiana. Uma fase piloto foi realizada durante o primeiro lockdown, decretado entre meados de março e maio, com 2.000 entrevistados. Os primeiros retornos mostram que 78,9% dos participantes notaram um aumento da ansiedade e 61,5% disseram ter tido consultas e cirurgias canceladas. Apenas a metade (32,9%) teve uma nova data agendada, segundo a rede France Assos Santé. "O número de respostas da fase piloto foi muito baixo para dizer que temos resultados sólidos, mas apontaram tendências", explicou Guyot. Por isso, a federação decidiu solicitar um número maior de voluntários, o que permitirá estabelecer estatísticas justas. O estudo será dirigido pelo médico Jean-Pierre Thierry, que supervisiona o conselho científico da associação. Os resultados preliminares devem ser divulgados em maio de 2022. Autoridades não descartam terceira onda No domingo (29), 9.784 novos casos positivos da Covid-19 foram registrados na França, segundo a agência nacional de saúde pública, longe do pico de quase 60.000 infectados por dia no início de novembro. O número de hospitalizações ligadas à forma severa da doença se mantém estável, com 28.284 pacientes no domingo (contra 28.139 no sábado e 28.620 na sexta-feira), após um pico de mais de 33.000 no dia 16 de novembro. Apesar de o governo ter divulgado um plano em três etapas de flexibilização das medidas de restrição, com a suspensão do lockdown prevista para 15 de dezembro, as autoridades não descartam uma terceira onda da epidemia e se apressam para organizar a campanha de vacinação. Desde o início da epidemia, a França acumula 2.218.483 de contaminados, 161.427 pessoas curadas e 52.325 mortes atribuídas à Covid-19. (Com informações da AFP) Vídeos: Viva Você Veja Mais

Ciência, inteligência artificial, políticas públicas: a longevidade nos livros

Glogo - Ciência Autores chamam a atenção de governos e empreendedores para necessidades não atendidas dos mais velhos Livros sobre o envelhecimento saindo do forno. Ou ainda em pré-venda, com lançamento previsto para o começo do ano que vem – um bom sinal de que o assunto está em alta. O painel “Longevity: read all about it” (“Longevidade: leia tudo sobre o tema”) era parte do seminário on-line, realizado de 9 a 13, que foi objeto da coluna do dia 19. O moderador foi Andrew Scott, professor de economia da London Business School e ele próprio autor de uma obra que estará disponível em dezembro: “The new long life” (“A nova vida longa”). Anna Dixon, presidente do Centro para Envelhecer Melhor, no Reino Unido, lançou “The age of ageing better? – a manifesto for our future” (“A era para envelhecer melhor – um manifesto para nosso futuro”) em junho. O livro, segundo a autora, pretende “desafiar a narrativa negativa sobre a velhice, dando ênfase às ações que visem a transformar o envelhecimento numa fase na qual possamos viver prazerosamente”. Na sua opinião, a sociedade terá falhado se não se mobilizar para atender às mudanças do perfil demográfico da população: “os governos têm que focar em políticas públicas que possibilitem que idosos longevos vivam decentemente”. Andrew Steele: “com as terapias gênicas, será possível curar uma doença mudando uma única letrinha do DNA” Divulgação Físico e especialista em biologia computacional, que usa tecnologia para resolver problemas da biologia, Andrew Steele escreveu “Ageless – the new science of getting older without getting older” (“Sem idade: a nova ciência de envelhecer sem ficar velho”), previsto para março de 2021. Diz que, como cientista, se entusiasma com o potencial desse campo de conhecimento. “Não há uma data para a cura de senescência, mas são muitas frentes de pesquisa. Com as terapias gênicas, será possível curar uma doença mudando uma única letrinha do DNA utilizando o CRISPR (um sistema de edição genética). É algo para daqui a cinco, dez anos, muitos dos idosos estarão vivos para se beneficiar”, afirma. Para ele, a principal barreira é financiamento: “a biogerontologia, ou seja, a biologia do envelhecimento, ainda tem pouca visibilidade. Os investimentos se concentram no câncer. No entanto, é o envelhecimento que leva ao câncer, às doenças coronarianas, às demências. Deveria interessar aos governos, empreendedores e filantropos”, acrescentou. A empreendedora social Tina Woods, autora de “Live longer with AI” (“Viva mais com a inteligência artificial”), publicado em setembro, é uma defensora da tecnologia para trazer qualidade de vida aos idosos: “a inteligência artificial está em todos os lugares e será usada maciçamente nos cuidados de saúde. Pode ser a peça chave para mudanças no estilo de vida. Além disso, drogas poderão ser personalizadas. A indústria de seguros deveria estar interessada em investir para que as pessoas tenham ferramentas para manter a saúde pelo maior tempo possível”. Por último, Andrew Scott também falou sobre seu livro, em nova parceria com Lynda Gratton. Os dois abordam as muitas questões relacionadas à longevidade: como manter a saúde; se preparar para a aposentadoria; e o que fazer com o bônus de uma existência estendida. Veja Mais

Vacina contra Covid-19 não deve ser oferecida para toda população em 2021, diz Ministério da Saúde

Glogo - Ciência Coordenadora do Programa Nacional de Imunizações explicou que alguns grupos não estão participando dos testes. Secretário-executivo do Ministério da Saúde citou também as limitações mundiais de produção. O Ministério da Saúde informou na sexta-feira (27), que uma vacina contra a Covid-19 não deve contemplar toda a população brasileira em 2021. A coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI) da pasta, Francieli Fontana, explicou que, como alguns grupos não estão participando dos testes das vacinas, não seria possível imunizar toda a população brasileira. "Nós definimos objetivos [com grupos prioritários] para a vacinação, porque não temos uma vacina para vacinar toda a população brasileira. Além disso, os estudos não preveem estar trabalhando com todas as faixas etárias inicialmente, então não teríamos mesmo como vacinar toda a população brasileira", disse Francieli. O secretário-executivo Elcio Franco citou também as limitações mundiais de produção. “Quando a gente fala em imunização, o mundo não entende que terá que ter vacina para todos. A própria Covax Facility, iniciativa que junta uma série de laboratórios, ela almeja acesso a 2 bilhões de doses para a vacinar todo o mundo, e por aí verificamos que é uma meta bastante ambiciosa porque não se imagina que haverá vacina para vacinar todos os cidadãos do planeta Terra.” Sobre o plano de vacinação no país, o secretário-executivo disse que a pasta está acompanhando o desenvolvimento das vacinas em estágio mais avançado. "Estamos conversando com os laboratórios e acompanhando os estudos. Dessa forma vamos desenhar a vacinação no país". “Tanto no Brasil como em todos os países se está estudando os imunizantes, as vacinas. Nenhuma vacina está registrada em nenhum órgão sanitário no mundo”, completou o secretário-executivo. Entenda cada fase dos testes para vacinas Quatro laboratórios estão fazendo testes no Brasil: Sinovac, Oxford e AstraZeneca, Janssen e BioNTech/Pfizer. As duas primeiras já têm algum acordo para fornecimento de doses. O governo do Paraná assinou acordo com a Sputnik V, da Rússia, para parceria no desenvolvimento. Nesta sexta-feira, a Anvisa recebeu o pedido para avaliação de estudos da vacina da Janssen. O laboratório é o quarto a enviar os dados à agência. Nenhum solicitou ainda o registro da vacina. O secretário-executivo adjunto do Ministério da Saúde, Elcio Franco, durante entrevista em maio de 2020 Wallace Martins/Futura Press/Estadão Conteúdo Teste não é requisito para tratar Covid O secretário-executivo Elcio Franco disse que a realização de testes não é requisito para que pacientes com a Covid-19 recebam tratamento. Franco afirmou, além disso, que a letalidade da doença causada pelo novo coronavírus caiu no Brasil após a chegada de Eduardo Pazuello ao comando do ministério. A afirmação ocorre no momento em que o Ministério da Saúde é criticado por especialistas sobre uma gestão da pandemia que levou a: 7 milhões de testes correrem o risco de não serem usados, pois estão prestes a vencer e agora necessitam de uma aprovação da Anvisa para ampliação da validade; Defesa de uso da cloroquina e hidroxicloroquina, apesar de a Organização Mundial da Saúde (OMS) apontar que o remédio não foi eficaz contra a doença; Exclusão de post nas redes sociais do Ministério da Saúde com a afirmação: "não existem vacina, alimento específico, substância ou remédio que previnam ou possam acabar com a Covid-19"; Queda no total de testes realizados, item considerado essencial para o rastreamento e isolamento de contato de pacientes de Covid. Durante entrevista coletiva, Elcio Franco não tratou da importância da realização de testes moleculares de diagnóstico da Covid para o rastreamento de contatos e para isolar casos confirmados. Especialistas alertam que exames são essenciais para rastrear e frear avanço da pandemia. "O teste vai ocorrer mediante demanda do médico. Nós destacamos que o médico poderá realizar o diagnóstico clínico físico. (...) Não é requisito que o paciente necessariamente faça o teste", disse o secretário. O cardiologista e pesquisador do Hospital Universitário da USP Marcio Bittencourt diz que o teste não é requisito obrigatório, mas é "altamente recomendado". "Não é requisito obrigatório, mas é altamente recomendado. Eu posso até fazer o diagnóstico clínico-epidemiológico ou por tomografia quando eu não tenho o teste. É um quebra-galho. Eu posso errar muito mais. A gente precisa do teste e precisava ter muito mais teste do que tem", afirma. Bittencourt lembra, ainda, que a OMS recomenda uma taxa de positividade de testes em torno de 5% para que a disseminação da doença seja considerada sob controle. No Brasil, essa taxa é de 30% (a taxa de positividade representa o percentual de casos positivos em relação ao número de testes feitos). "E [a taxa de positividade] nunca foi abaixo de 20%, em nenhuma semana. A nossa positividade msotra que a gente testa pouco, e quando testa pouco a positividade vem alta. Tem que testar de 5 a 10 vezes mais do que a gente testa para chegar em 5%", diz o médico da USP. A afirmação do secretário do ministério sobre a possibilidade de os médicos adotarem condutas independentemente da confirmação laboratorial do diagnóstico foi feita depois de ele afirmar que há "excedentes" de testes já distribuídos aos estados. A declaração foi proferida em um contexto em que cerca de 7 milhões de testes do tipo PCR, considerado o padrão "ouro" para diagnóstico da Covid-19, estão parados, perto da data de vencimento, em um armazém do governo. Um segundo levantamento, feito pela Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial, aponta que há ao menos outros 8 milhões de testes nessa situação no país, levando o número a, no mínimo, 15 milhões de testes de Covid-19 com vencimento em março de 2021 no Brasil. VÍDEOS: mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias Initial plugin text Veja Mais

Bahrein aprova vacina da Pfizer e BioNTech

Glogo - Ciência País é o segundo a aprovar o uso da vacina contra Covid-19. O Reino Unido já havia aprovado o imunizante na quarta (2). O Bahrein aprovou, nesta sexta-feira (4), a vacina contra a Covid-19 desenvolvida pelas farmacêuticas Pfizer e BioNTech, segundo a agência de notícias Reuters. País é o segundo a aprovar o uso do imunizante, o primeiro foi o Reino Unido, dois dias antes. Em novembro, o país árabe já havia aprovado a vacina produzida pela Sinopharm para uso por funcionários da linha de frente no combate a pandemia, de acordo com a Reuters. Na terça-feira (1º), a Pfizer pediu autorização para uso de sua vacina contra a Covid-19 na Europa. A decisão deve sair até 29 de dezembro. VÍDEO: Vacina da Pfizer é aprovada no Reino Unido e imunização começa na próxima semana Status da vacinação pelo mundo: Reino Unido foi o primeiro a aprovar o uso da vacina Pfizer/BioNtech; a vacinação deverá começar na semana que vem; Em novembro, a Pfizer e a Moderna entraram com pedido de autorização de suas vacinas à Agência Europeia de Medicamentos; Brasil ainda não aprovou o uso de vacinas contra a Covid-19, mas a Anvisa liberou medidas que podem acelerar o registro dos imunizantes no país, como a submissão contínua de dados; Na terça-feira (1º), o Ministério da Saúde disse que o plano de imunização brasileiro não prevê o uso de vacinas que exijam baixíssimas temperaturas de armazenamento; Portugal aprovou plano de vacinação contra Covid-19 na quinta (3); por lá a vacinação será gratuita e voluntária; Na França, vacinação será gratuita e voluntária para todos e deve ter início em janeiro para idosos em casas de repouso; Em Moscou, na Rússia, a vacinação deve começar no sábado; A Rússia foi a primeira no mundo a aprovar uma vacina contra a Covid-19, em agosto, a Sputnik V. Em outubro, o país aprovou sua segunda vacina; No Japão, um projeto de lei aprovado na quarta-feira (2) prevê que a vacinação será gratuita Reino Unido começará vacinação Na quarta-feira (2), o Reino Unido se tornou o primeiro país a anunciar a aprovação da vacina da Pfzer/BioNtech. Na ocasião, o governo inglês também anunciou que prevê iniciar a vacinação na semana que vem. Um primeiro lote com 10 milhões de doses será disponibilizado pelo NHS, serviço público de saúde britânico, ainda em 2020. Profissionais da saúde deverão estar entre os primeiros a serem vacinados, assim como idosos e pessoas vivendo em casas de repouso, incluindo funcionários. Por causa das condições de armazenamento da vacina – que precisa ser mantida a -70°C – as campanhas de vacinação serão feitas em hospitais. O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, disse que a aprovação da vacina vai resgatar vidas e a economia do país – que tem mais de 59 mil mortes pela Covid-19, o maior número da Europa. “É a proteção das vacinas que vai finalmente nos trazer de volta às nossas vidas e fazer a economia andar novamente”, escreveu o premiê britânico na rede social Twitter. A Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA, na sigla em inglês) do Reino Unido disse, em nota, que a aprovação da vacina foi feita com base em uma "revisão contínua" dos dados disponíveis que começou em outubro. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou medidas que podem acelerar o registro de vacinas contra a Covid-19 no Brasil. Uma dessas medidas era a possibilidade de "submissão contínua" dos dados das vacinas pelas empresas para avaliação da agência. Brasil não comprou vacina A vacina da Pfizer/BioNTech é uma das quatro que estão sendo testadas no Brasil. O país ainda não fez acordo para adquirir a vacina, mas, em meados de novembro, o governo recebeu executivos da Pfizer para, segundo o Ministério da Saúde, "conhecer os resultados dos testes em andamento e as condições de compra, logística e armazenamento oferecidas pelo laboratório". Na terça-feira (1º), o Ministério da Saúde disse que o plano de imunização do país não prevê o uso de vacinas que exijam baixíssimas temperaturas de armazenamento, como é o caso da desenvolvida pelas farmacêuticas. Segundo o secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Medeiros, o governo quer um imunizante que possa ser armazenado em temperaturas de 2ºC a 8ºC, pois essa é a temperatura da rede de frio usada no sistema de vacinação brasileiro. Em entrevista à GloboNews, o diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, comemorou a aprovação – e disse que é um marco na história do desenvolvimento de vacinas. Isso porque a vacina é a primeira do tipo genético a entrar no mercado. Kfouri também reconheceu, entretanto, o armazenamento e o transporte do imunizante como um desafio. "Uma das limitações é o transporte, por conta do congelamento, mas o fabricante tem estudado alternativas, com gelo seco, em que ela pode ficar fora de freezers por até 15 dias", disse Kfouri. O especialista disse que o preço também pode ser um impeditivo para a aplicação em massa no Brasil – ele estima que a vacina da Pfizer seja até 5 vezes mais cara que a de Oxford, que será produzida em solo brasileiro pela Fiocruz. Eficácia No início de novembro, as farmacêuticas anunciaram que sua vacina candidata tem eficácia de 95% na prevenção da Covid-19, segundo dados iniciais do estudo da terceira e última fase de testes. Os dados ainda não foram publicados em revista científica. Na prática, se uma vacina tem 95% de eficácia, isso significa dizer que 95% das pessoas que tomam a vacina ficam protegidas contra aquela doença. A Pfizer informou que pretende produzir até 50 milhões de doses de vacina em 2020 para todo o mundo, e 1,3 bilhão de doses até o final de 2021. Em julho, os Estados Unidos fecharam acordo com os laboratórios para comprar 100 milhões de doses ainda este ano, pelo valor de US$ 1,95 bilhão (cerca de R$ 10,1 bilhões). VÍDEOS: Veja novidades sobre vacinas contra a Covid-19 Veja Mais

Crianças não estão previstas para vacinação da Covid, diz ministério; falta de estudos é principal motivo

Glogo - Ciência Arnaldo Medeiros, secretário de Vigilância em Saúde, explica que 'nenhum pais do mundo tem estudos que mostrem a utilização de vacinação na faixa etária pediátrica'. Quatro vacinas estão na última fase de testes no Brasil. Dado Ruvic/Reuters O Ministério da Saúde disse nesta quinta-feira (3) que as crianças, pelo menos por enquanto, não estão previstas na estratégia de vacinação contra a Covid-19. O motivo principal, além de elas não fazerem parte do grupo de risco da doença, é a falta de estudos dos imunizantes para a faixa etária. "Nenhum país do mundo tem estudos que mostrem a utilização de vacinação na faixa etária pediátrica. Até onde eu saiba, a gente não viu nenhum trabalho que mostre [a vacinação em crianças] ou nenhuma desenvolvedora que tenha colocado [uma vacina] na fase 3 nessa faixa etária. Nós não temos dados em relação a essa questão", disse Arnaldo Medeiros, secretário de Vigilância em Saúde. Nesta terça-feira (1º), o ministério divulgou um plano estratégico para a vacinação contra a Covid-19. De acordo com a pasta, serão quatro etapas. Veja abaixo os principais pontos da estratégia preliminar: Primeira fase: trabalhadores da saúde, população idosa a partir dos 75 anos de idade, pessoas com 60 anos ou mais que vivem em instituições de longa permanência (como asilos e instituições psiquiátricas) e população indígena. Segunda fase: pessoas de 60 a 74 anos. Terceira fase: pessoas com comorbidades que apresentam maior chance para agravamento da Covid-19 (como pacientes com doenças renais crônicas e cardiovasculares). Quarta fase: professores, forças de segurança e salvamento, funcionários do sistema prisional e população privada de liberdade. VÍDEO: Entenda o plano de vacinação contra Covid-19 proposto pelo Ministério da Saúde Inicialmente, o governo disse que a primeira entrega da vacina da Universidade de Oxford e da AstraZeneca, que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) adquiriu a tecnologia, deverá ser de 15 milhões de doses. Esse número cobrirá, segundo o ministério, a primeira fase do cronograma. Ainda restariam três fases, que deverão ser complementadas em seguida com novas vacinas aprovadas e/ou maior produção das que já estão licenciadas. No entanto, após a quarta fase, o ministério disse que não terá como vacinar as crianças. Isso ocorre porque nenhuma das vacinas mais avançadas, em fase 3 de estudos, fizeram testes em pessoas com menos de 16 anos. No caso da vacina de Oxford, apenas pessoas com mais de 18 anos foram imunizadas durante os estudos. Carla Domingues, especialista que já trabalhou na coordenação do Programa Nacional de Imunizações (PNI), avalia que "crianças e adolescentes não serão vacinados tão cedo". "Não foram feitos estudos clínicos nesta população. Vamos ter que aguardar a continuidade dos estudos. Até por que esta não é uma população que está com mais risco, é a população menos afetada. Isso é a política do Ministério da Saúde e do mundo todo", disse. Domingues traz como exemplo similar, neste sentido, uma das vacinas pneumocócicas conjugadas - contra pneumonia, meningite, otite - aprovada pelo ministério e que só foi liberada para crianças de até 5 anos de idade, devido aos estudos científicos feitos nessa faixa etária. A vacina da gripe também passou por processo semelhante. “Com todas as vacinas acontece isso. No caso da gripe, nós começamos a vacinar na década de 90 só o paciente idoso. E com o tempo fomos incluindo mais faixas etárias, mas a gente até hoje não vacina 100% da população. A vacinação é sempre pensando no coletivo, em quem está tendo mais risco”, complementou. Vídeos: novidades sobre vacinas contra a Covid-19 Initial plugin text Veja Mais

Moscou vai começar vacinação contra Covid-19 no sábado, diz prefeito

Glogo - Ciência Primeiros grupos imunizados serão professores, médicos e assistentes sociais. Cadastro para receber a vacina será feito on-line. Pessoas patinam no gelo na Praça Vermelha, em Moscou, no dia 2 de dezembro. Natalia Kolesnikova / AFP A prefeitura de Moscou, capital da Rússia, anunciou, nesta quinta-feira (3), que vai começar a vacinação contra a Covid-19 no sábado (5). Professores, médicos e assistentes sociais serão os primeiros a serem imunizados com a Sputnik V, uma das vacinas desenvolvidas contra a doença no país. O cadastro para receber a vacina será feito on-line a partir de sexta-feira (4), segundo a agência de notícias Reuters. Na quarta-feira (2), o presidente russo, Vladimir Putin, determinou que um programa de vacinação voluntária em grande escala deveria começar na próxima semana. A ordem foi dada depois que o Reino Unido anunciou que também começaria a vacinar a população contra a Covid-19 na semana que vem, com uma outra vacina candidata – das farmacêuticas Pfizer e BioNTech. A Rússia foi a primeira no mundo a aprovar uma vacina contra a Covid-19, em agosto – batizada de Sputnik V em homenagem aos satélites de exploração espacial da União Soviética. Em outubro, o país aprovou sua segunda vacina. Desde a aprovação da Sputnik V, foram feitos vários anúncios de início da aplicação das doses. Em agosto, o país chegou a dizer que começaria a vacinação em massa já em outubro. Segundo a agência de notícias estatal Tass, as doses entregues até agora no país são destinadas a grupos de risco, principalmente médicos e professores. Em novembro, o laboratório que desenvolveu e produz a vacina, o Instituto Gamaleya, em Moscou, afirmou que a vacinação em massa poderia começar entre janeiro e fevereiro de 2021. O novo anúncio de início da vacinação foi feito em meio a mais um recorde diário de casos de Covid-19 em solo russo, com 28.145 infecções da quarta para esta quinta (3). Destas, 7.750 foram vistas em Moscou. O país também tem o quinto maior número de mortes pela doença na Europa: 41.173 até as 8h40 desta quinta-feira (3), segundo monitoramento da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos. Eficácia Rússia diz que vacina contra Covid-19 teve eficácia 'acima de 95%' após segunda dose Na semana passada, os cientistas que desenvolveram a Sputnik V anunciaram que a vacina teve eficácia "acima de 95%" 21 dias após a aplicação da segunda dose. Os resultados ainda não foram publicados em revista científica. Na prática, se uma vacina tem mais de 95% de eficácia, isso significa dizer que mais de 95% das pessoas que tomam a vacina ficam protegidas contra aquela doença. O governo russo também firmou uma parceria com o governo do Paraná para produção da Sputnik V em solo brasileiro. Em outubro, o fundo russo que financia o desenvolvimento da vacina anunciou que o Brasil poderia começar a produzi-la neste mês. Veja VÍDEOS com novidades sobre vacinas contra a Covid-19: Veja Mais

Médico brasileiro se prepara para vacinação contra Covid-19 no Reino Unido: 'sinal de que está chegando'

Glogo - Ciência Cardiologista de hospital do sistema público inglês recebeu aviso de que equipe receberá vacinação e trabalhará para imunizar a população. Ainda não há data definida. Médico brasileiro em Londres se prepara para receber vacina contra o coronavírus O cardiologista brasileiro Ricardo Petraco, de 40 anos, se prepara para a vacinação contra o coronavírus no Reino Unido. Nesta semana, ele e a equipe do Hammersmith Hospital, em Londres, receberam avisos por e-mail de que, em breve, ainda sem data definida, os profissionais receberão a vacina das farmacêuticas Pfizer e BioNtech, aprovada nesta quarta-feira (2) pelo governo britânico. Vacinação contra a Covid-19: veja o que se sabe sobre os planos de cada país "O hospital informou a todos os médicos e profissionais de saúde que nos próximos dias ou semanas vai ser colocada em prática uma estrutura para permitir que a vacina atinja os profissionais de saúde do hospital", afirma o médico, que também é professor do Imperial College, ao G1. O governo britânico informou que um primeiro lote, de 10 milhões de doses, será disponibilizado pelo sistema público de saúde. À rede Sky News, o ministro de Saúde, Matt Hancock, afirmou que no início da próxima semana, começa o programa de vacinação. No Hammersmith Hospital, as equipes foram convocadas a trabalhar em fins de semana, o que leva Ricardo a acreditar que os médicos também serão treinados para aplicarem a vacina na população. "É um sinal de que está chegando logo, a gente não tem ideia exatamente quando", relata. Por causa das condições de armazenamento da vacina – que precisa ser mantida a -70°C – as campanhas de vacinação serão feitas em hospitais. Natural de Porto Alegre, Ricardo mora desde 2005 em Londres e atua como cardiologista no hospital que pertence ao Imperial College, referência em estudos de saúde que mede a taxa de transmissão do coronavírus, e que está dentro da NHS, o sistema público de saúde britânico. Cardiologista brasileiro Ricardo Petraco. Arquivo pessoal Pfizer anunciou nesta quarta (18) a conclusão dos testes de sua candidata a vacina contra a Covid-19 Pfizer/Handout via Reuters Estrutura 'grande e complexa' "Uma vacinação de crianças, em situações normais, exige alguns profissionais aptos a fazer isso. Mas para vacinar 50 milhões de pessoas, em seis meses, não vai ser só esses que vão dar conta do recado. Por isso, estão pedindo pra todo mundo que está disponível ajudar". Ricardo conta que o país se prepara para receber uma estrutura muito "grande e complexa" para atender a população rapidamente. "É uma situação interessante porque todo mundo está desesperado pra sair dessa situação, mas não vou negar que existe aquela sensação de um pouco de paranoia e desconfiança por esse tipo de vacina ser diferentes das outras, que interfere no processo genético da formação de anticorpos, em comparação com vacinas que só expõem o corpo ao antígeno do vírus em si", observa. Existe, entre os ingleses uma preocupação, como diz o médico, pela vacina não ter sido testada ao longo prazo. "Mas acho que, na comparação de risco e benefício, particularmente para profissionais de saúde e pacientes vulneráveis, ninguém vai se colocar numa posição de evitar se vacinar, apesar de que não é obrigatório, importante que se saliente", relata. "Acho que efeitos colaterais virão, no futuro, mas [a vacina] é a possibilidade de salvar a população, e voltar a uma normalidade, está todo mundo de saco cheio de ficar em casa, e a economia estagnada, todo mundo quer uma vida normal de volta", comenta. O Reino Unido tem 59.148 mortes pela Covid-19, o maior número da Europa. VÍDEO: Entenda as semelhanças e diferenças entre as principais vacinas em testes mundo Estrutura sobrecarregada Como médico, Ricardo não atuou na linha de frente, mas viu aumentar o número de casos de pacientes em emergência cardíaca que na verdade estavam com coronavírus. Mesmo assim, a sobrecarga no atendimento impactou as equipes disponíveis para o atendimento no hospital. "Existe uma preocupação no começo da primeira onda por todo o nosso time. Sobrecarregou [o atendimento] no sentido de que toda a logística teve que ser modificada, profissionais realocados, equipes que foram pra emergência ou intensivo", relata o médico, que não chegou a contrair o vírus. No hospital onde ele trabalha, ninguém tirou férias por oito meses. O médico explica que, como Londres é uma cidade muito grande, a pressão da doença foi sentida mais cedo. "A gente pegou pico da pandemia muito cedo, em abril e maio. Agora estamos em uma segunda onda", relata. VÍDEOS: Vacina Initial plugin text Veja Mais

O MELHOR POKÉMON (de acordo com a ciência) | Minuto da Terra

O MELHOR POKÉMON (de acordo com a ciência) | Minuto da Terra

 Minuto da Terra Existe um grande debate sobre qual Pokémon inicial da primeira geração é a melhor escolha entre Squirtle, Bulbassauro, Charmander e Pikachu - mas apenas UM tem chances de existir aqui no mundo real. Qual será? SAIBA MAIS ************* - Evolução convergente: é um fenômeno evolutivo observado em seres vivos quando estes desenvolvem características semelhantes de origens diferentes. Ou seja, é quando um caráter semelhante evolui independentemente em duas espécies, não sendo encontrado no ancestral comum delas. AJUDE O MINUTO DA TERRA ******************************* Se você gosta do que fazemos, pode nos ajudar: - Tornando-se um um membro do canal por apenas R$ 2,99 por mês https://bit.ly/clubeyt - Fazendo uma doação http://bit.ly/doarMDT - Compartilhando esse vídeo com seus amigos - Deixando um comentário (eu leio!) REDES SOCIAIS ***************** https://www.facebook.com/MinutoDaTerra/ https://twitter.com/minutodaterra https://www.instagram.com/ominutodaterra/ CRÉDITOS *********** Versão Brasileira contato@escarlatte.com Tradução e dublagem: Leonardo Gonçalves Souza Edição de vídeo: Ricardo Gonçalves Souza Produção: Maria Carolina Passos Tradução oficial e autorizada do canal MinuteEarth, produzido por Neptune Studios LLC https://neptunestudios.info Vídeo original: The Best Pokémon (According to Science) https://www.youtube.com/watch?v=Sk10Bz_TKPU FONTES (em inglês) ********************* Bels, V. L., J. Davenport, and S. Renous. "Drinking and water expulsion in the diamondback turtle Malaclemys terrapin." Journal of Zoology 236.3 (1995): 483-497. Gallant, Jason R., et al. "Genomic basis for the convergent evolution of electric organs." Science 344.6191 (2014): 1522-1525. Hultgren, K. M., et al. "Camouflage in decorator crabs: integrating ecological, behavioural and evolutionary approaches." Animal camouflage (2011): 214-229. Lewis, Danny. “This Is How Bombardier Beetles Fire Explosives From Their Butts.” Smithsonian.com, Smithsonian Institution, 5 May 2015, www.smithsonianmag.com/smart-news/machine-gun-bug-180955150. Quirós, Gabriela. “Decorator Crabs Make High Fashion at Low Tide.” KQED, 9 May 2017, www.kqed.org/science/1602625/decorator-crabs-make-high-fashion-at-low-tide. Wanninger, Marion, Thomas Schwaha, and Egon Heiss. "Form and Function of the skin glands in the Himalayan newt Tylototriton verrucosus." Zoological Letters 4.1 (2018): 15. Este canal faz parte do Science Vlogs Brasil, um selo de qualidade colaborativo que reúne divulgadores de ciência confiáveis do Youtube Brasil. Conheça todos os canais em youtube.com/sciencevlogsbrasil Veja Mais

Covid-19 e fim de ano: especialistas e entidades recomendam festas virtuais para Natal e Ano Novo

Glogo - Ciência Alternativa é comemorar apenas com pessoas que morem na mesma casa. 'Para a gente poder comemorar o Natal do ano que vem', diz médica. País tem tendência de alta de casos em todo o território. Duendes de Natal são vistos em cesta em uma loja em Hull, nordeste da Inglaterra, no dia 30 de novembro. Oli Scarff / AFP Com a chegada de Natal e Ano Novo, começam também os planos de celebrar as festas de fim de ano – que serão as primeiras em meio à pandemia de Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2). Especialistas ouvidos pelo G1 foram unânimes em aconselhar festas virtuais ou, se presenciais, apenas com pessoas que moram na mesma casa. Nesta reportagem, você verá as respostas para as seguintes perguntas: Como se reunir com segurança? Quem deve evitar ir às festas? Que fatores aumentam o risco de transmitir a doença? Qual o lugar ideal para as reuniões? Em festas presenciais, quais precauções adotar? 1. Como se reunir com segurança? O ideal é que as reuniões com pessoas de núcleos diferentes da família e com amigos sejam virtuais, recomendam os três infectologistas ouvidos pelo G1: Rosana Richtmann e Jamal Suleiman, do Hospital Emílio Ribas, em São Paulo, e Raquel Stucchi, da Unicamp. "Se não quer correr risco ou colocar as pessoas que você ama em risco, não faça reunião de Natal entre a família esse ano", diz Richtmann. Outra recomendação é se reunir apenas com pessoas que já fazem parte do grupo de convívio, dizem os médicos, ou seja: aquelas que já vivem na mesma casa. "Natal é uma festa de família, e o Ano Novo de forma geral é uma festa de amigos. Qualquer movimentação no sentido de aglomerar implica em um risco muito alto", concorda Suleiman. "O núcleo que já está em contato todo dia representa, obviamente, um risco menor. Esse núcleo já vai estar familiarizado. Se você vai adicionar alguém com quem não tem esse contato diário, vai adicionar risco. Não tem outra coisa – é risco, sempre", diz Suleiman. O Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) tem a mesma recomendação: comemorar virtualmente ou com pessoas de sua própria casa – que estejam constantemente adotando medidas para reduzir a disseminação da Covid-19 – apresenta o menor risco de propagação. 2. Quem deve evitar ir às festas? Caso decida fazer uma festa presencial mesmo com os riscos, Richtmann lembra que "não existe encontro de Natal [presencial] sem risco". O que se pode fazer é minimizar esse risco. Idosos e pessoas com doenças crônicas descompensadas devem evitar ir às festas, recomenda Raquel Stucchi, da Unicamp. A mesma recomendação vale para quem tiver contato frequente com esse tipo de pessoa. "Para quem tem uma doença crônica, mas compensada, o risco é maior do que [para] quem não tem, mas não tão grande quanto os descompensados. Essas pessoas deveriam se poupar – o que significa que as pessoas que têm contato com idosos e pessoas com doenças crônicas descompensadas não devem expor essas pessoas ao contato de muitas pessoas", diz Stucchi. Jamal Suleiman, do Emílio Ribas, lembra que idosos, por exemplo, podem ser expostos à Covid-19 por seus cuidadores. "Uma festa de fim de ano é muito parecida com isso – vai incluir nesse ambiente pessoas que estão vindo de fora. Obviamente, se a pessoa tiver algum sintoma que possa estar relacionado à Covid, esse é para não sair de casa em hipótese alguma. Mas vai ter pessoas que são assintomáticas – vindo para uma celebração em que elas vão tirar a máscara", lembra. Além das pessoas com sintomas, quem teve contato com algum caso confirmado de Covid-19 também deve ficar longe da festa e cumprir uma quarentena de duas semanas. Pessoas que estejam fazendo tratamentos que suprimem o sistema imune (imunosupressores) também não devem participar. Por último, Stucchi lembra que mesmo jovens podem ter casos graves da doença e morrer – principalmente se forem obesos. "Ninguém sabe quem terá quadro grave ou não, mesmo jovem. A obesidade é um fator de risco muito importante. Mesmo jovem, se for obeso, se adoecer, preocupa demais. Tem muita chance de precisar ir pro respirador, de complicar", afirma. "[O ideal é que] as reuniões sejam virtuais, para a gente poder comemorar o Natal do ano que vem", diz a médica. 3. Que fatores aumentam o risco de transmitir a doença? O Centro de Controle de Doenças dos EUA aponta vários elementos que podem aumentar o risco de disseminar a Covid-19 em reuniões presenciais. Eles são: Alta transmissão comunitária: estar em um local com níveis altos ou crescentes de casos de Covid-19 – ou se reunir com pessoas que estiveram neles – aumenta o risco de pegar a doença. A Fiocruz relata uma tendência de aumento de casos em todo o território nacional. Exposição durante a viagem: aeroportos, estações de ônibus, estações de trem, transporte público, postos de gasolina e paradas de descanso são todos lugares onde os viajantes podem ser expostos ao vírus no ar e em superfícies. Local da festa: reuniões internas, especialmente em locais com pouca ventilação, representam mais risco do que reuniões ao ar livre (veja detalhes mais abaixo). Duração da festa: encontros mais longos representam mais risco do que reuniões mais curtas. Quantidade de pessoas: O CDC não tem um limite nem recomenda um número específico de pessoas que podem se reunir. O tamanho do encontro deve ser determinado pela possibilidade de os presentes ficarem a cerca de 1,80m uns dos outros, segundo o órgão. Comportamento das pessoas antes da festa: pessoas que não seguem as regras de distanciamento social, uso de máscaras e lavagem de mãos, além de outros comportamentos de prevenção, oferecem mais riscos às outras do que as que seguem. Comportamento das pessoas durante a festa: reuniões que seguem as medidas preventivas oferecem menos risco do que as que não seguem (veja detalhes mais abaixo). Em meados de novembro, o Ministério da Saúde também recomendou, no Twitter, o isolamento social e a adesão às medidas de proteção individual como forma de conter o novo coronavírus. A publicação, entretanto, foi apagada. Na semana passada, durante coletiva em Genebra, a líder técnica da Organização Mundial de Saúde para a Covid-19, Maria van Kerkhove, disse que a "aposta mais segura" em alguns casos era não ter reuniões familiares no Natal. Na segunda-feira (30), a entidade disse que o Brasil "precisa levar muito, muito a sério" a alta nos casos da doença. Até as 13h desta terça (1°), o país tinha 173.229 mortes confirmadas pela Covid-19, o segundo maior número do mundo. 4. Qual o lugar ideal para as reuniões? Se decidir fazer uma reunião presencial, uma forma de minimizar riscos é fazer a festa em lugares abertos – principalmente se envolver pessoas de fora do núcleo familiar. O CDC recomenda que, mesmo nesses locais, os convidados usem máscaras quando não estiverem comendo ou bebendo e que mantenham a distância mínima de 1,80 m uns dos outros. "Nada de ter aquela mesa da sala de jantar que é fechada e que não tem janela. Tem que ser em lugar aberto: terraço, quintal. Se for em apartamento, abra todas as janelas", aconselha Raquel Stucchi. Rosana Richtmann concorda: "se possível, fazer em lugar aberto. Se houver uma área no prédio onde consiga fazer a reunião, é muito melhor. Não pode colocar dez pessoas em uma sala em que cabem 6, não vai conseguir nunca o distanciamento", diz. A médica também sugere adiar a comemoração se o adiamento permitir que a festa seja feita em lugar ventilado: por exemplo, substituindo a ceia da meia-noite no dia 24 para um almoço num ambiente aberto no dia 25. Jamal Suleiman alerta, por outro lado, que o risco existe mesmo em locais abertos. "Ambiente aberto não protege a pessoa. O risco é quando você aglomera e tira a máscara e faz contato", alerta. "Mesmo porque não é uma festa em que você vai ficar de máscara: você vai tirar a máscara, abraçar as pessoas – senão, qual o motivo de fazer uma festa assim?", questiona o médico. 5. Em festas presenciais, quais precauções adotar? Os especialistas reiteram que as precauções podem diminuir, mas não eliminam o risco. As medidas preventivas são as que já conhecemos: manter o distanciamento, usar máscaras e higienizar as mãos. Além disso, há algumas estratégias específicas para o fim do ano: não cantar é uma delas. "Nada de cantoria – quanto mais alto você fala ou canta, maior o risco da disseminação de partículas. Algumas famílias têm tradição de canto, coral; nada disso", alerta Richtmann. Na hora da comida, a recomendação é dividir os núcleos familiares por mesa – ou seja, as pessoas que convivem no dia a dia se sentam juntas. "Quando for se alimentar, atenção máxima ao distanciamento – porque não vai conseguir usar máscara", alerta a médica. E, para o Ano Novo, um alerta a mais: Richtmann afirma já esperar um aumento de casos para a primeira quinzena de janeiro, porque "a tendência para o réveillon são adultos jovens marcando e fazendo festa, alugando uma casa num grupo de 25 pessoas", diz. "O que tem que levar em conta é que o cenário epidemiológico que vinha em queda e talvez tivesse condições menos restritivas não é o que está acontecendo [agora]. É um momento de não colocar em risco a vida". Raquel Stucchi enfatiza: "cada um de nos é responsável por como a curva da pandemia vai andar nas próximas semanas aqui no Brasil". "Às vezes as pessoas que têm o risco de adoecimento mais grave estão cumprindo [as restrições], mas aí o neto, o filho que foi na confraternização com os amigos, com dez amigos, passa duas horas com a avó. É só isso o que precisava", lembra. Veja VÍDEOS com novidades sobre vacinas da Covid-19: Veja Mais

Como a segunda onda de Covid-19 explodiu e caiu após um mês de lockdowns na Europa

Glogo - Ciência Essa estratégia drástica tem dois grandes aspectos. Primeiro, ao obrigar o distanciamento social em larga escala inclusive com multas pesadas, ele enfraquece o vírus. Segundo, para ser efetivo, o lockdown tem por consequência um enorme impacto socioeconômico Lockdowns na Europa estão conseguindo deter segunda onda da Covid-19 Getty Images via BBC As duas ondas de coronavírus na Europa explodiram quase ao mesmo tempo nos maiores países do continente. Na segunda e mais mortal, que disparou nas duas primeiras semanas de outubro, o número de novas infecções parou de subir e começou a cair quase um mês depois em lugares como França, Itália, Reino Unido e Espanha. O ponto em comum dessa trajetória passa pela medida mais drástica e controversa contra o vírus: o chamado lockdown ou bloqueio total. Na Holanda, todas as lojas exceto mercados fecham às 20h. Em Portugal e na França, a população só pode sair de casa para atividades essenciais, como trabalho, escola, mercado e farmácia. A Espanha adotou toque de recolher das 23h às 6h até maio de 2021. Essa estratégia drástica tem dois grandes aspectos. Primeiro, ao obrigar o distanciamento social em larga escala inclusive com multas pesadas, ele enfraquece o vírus ao garantir que ele encontrará cada vez menos pessoas para infectar. Segundo, para ser efetivo, o lockdown tem por consequência um enorme impacto socioeconômico, com a proibição de encontros sociais e o fechamento de lojas, hotéis, cinemas, bares e restaurantes, entre outros. Um amplo estudo no Reino Unido demonstrou a eficácia do lockdown no país. Pesquisadores do Imperial College de Londres analisaram amostras colhidas de 100 mil pessoas com ou sem sintomas e escolhidas aleatoriamente. Antes das medidas, o número de casos dobrava a cada nove dias. Depois, com as medidas rígidas de distanciamento social, as infecções caíram 30% e só devem dobrar a cada quase 40 dias. Dados compilados pela Universidade de Oxford apontam uma trajetória de ascensão e queda parecida em países como Áustria, Bélgica, França, Itália, Reino Unido, Portugal, Espanha, Holanda e Grécia. Segunda onda na Europa. BBC Todos esses países adotaram lockdowns ou toques de recolher em menor ou maior grau de rigidez. Então isso significa que os especialistas e as autoridades recomendam que todos os países adotem esse tipo de medida para conter o vírus? Não. Pelo contrário. Recomenda-se que ele seja usado apenas em caso de última necessidade, quando a covid-19 saiu do controle. O problema aqui é que ele acaba sendo adotado tarde demais, e poderia ser evitado com ações menos drásticas, como o uso massivo de máscara, veto a aglomerações e rastreio de quem teve contato com alguém doente. Natal e terceira onda A primeira onda na Europa atingiu o pico em 10 de abril de 2020, quando morriam 4.134 pessoas por dia, em média. Quase seis meses depois, o continente parece estar chegando ao pico da segunda onda, que tem matado uma média de 4.965 pessoas por dia. A grosso modo, a maioria dos países europeus viram os casos explodirem em março, adotaram lockdowns em abril, voltaram ao patamar pré-pandemia em maio/junho, relaxaram distanciamento social ao longo do verão, viram os casos explodirem em outubro, adotaram lockdowns em outubro/novembro e agora esperam conter a pandemia até o Natal. Para os especialistas da Organização Pan-americana de Saúde (Opas), a principal lição da segunda onda de casos de covid-19 na Europa é mais do que óbvia. "Não devemos baixar a guarda", afirmou à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC) o diretor do departamento de doenças transmissíveis da entidade, Marcos Espinal. Há uma novidade no horizonte: os países começam a se preparar para a vacinação em massa, pelo menos das pessoas mais vulneráveis (idosos) e expostas (profissionais de saúde). Mas autoridades e especialistas temem que o otimismo e o cansaço de tanto isolamento deem lugar ao descaso, e que novas ondas de covid-19 cheguem antes que grande parte da população esteja vacinada. E com isso, mais medidas drásticas. Questionado sobre a possibilidade de um terceiro lockdown no Reino Unido, o ministro britânico Dominic Raab afirmou à BBC que isso não pode ser descartado e que o governo "está fazendo todo o possível para evitar isso". Uma fase crucial desse controle inclui o Natal, o recesso escolar e as festas de fim de ano. Na Itália, que está registrando o maior número de mortes desde o final de março, o primeiro-ministro, Giuseppe Conte, disse aos italianos para esperarem um "Natal mais sóbrio, sem festas natalinas, abraços e beijos". O governo espanhol está planejando um período festivo "diferente", com um limite de seis pessoas permitidas nas festas, diz a mídia local. O objetivo é que as reuniões sociais e confraternizações antes do Natal sejam realizadas em terraços de restaurantes ou outros locais ao ar livre. Na França, lojas, teatros e cinemas reabrirão a tempo do Natal e as pessoas poderão visitar as suas famílias no período festivo. "Poderemos viajar sem autorização, inclusive de uma região para outra do país", disse o presidente Emmanuel Macron em um discurso na TV. Muitos europeus vão para as pistas de esqui no Natal, mas o continente está dividido quanto à possibilidade de manter os resorts abertos durante o período festivo. Um acordo entre países para fechar os resorts deve enfrentar forte oposição da Áustria e da Suíça, que dependem bastante desse segmento turístico. Europa se esforça para conter o aumento nos números de casos e mortes por Covid-19 E o Brasil? Para além do debate da existência de uma segunda onda no Brasil, ou de uma primeira onda que nunca acabou e "apenas" voltou a ganhar força, o fato é que o número de infecções no país tem crescido após três meses de queda. A média diária de novos casos chegou a 35,4 mil no último dia de novembro, o maior patamar desde o início de setembro. O número de mortes deve demorar ainda algumas semanas para voltar a crescer, mas o de internações já dá sinais de aumento. Segundo relatório periódico produzido desde o início da pandemia pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o número de Estados com pelo menos uma região com tendência de alta nas hospitalizações por covid-19 passou de 15 para 21 no espaço de uma semana. Após dias de altas consecutivas, a cidade do Rio de Janeiro chegou no dia 27/11 ao patamar de 92% de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no SUS destinados a pacientes com covid-19. Na enfermaria, a ocupação é de 69%. Naquele dia, 301 pessoas aguardavam transferência para leitos na capital do Estado e na Baixada Fluminense, sendo 120 para leitos de UTI. "Importante destacar que as pessoas que aguardam leito de UTI estão sendo assistidas em leitos de unidades pré-hospitalares, com monitores e respiradores", afirmou a prefeitura. Prefeitos e governadores ao redor do país têm negado a possibilidade de adotarem lockdowns. "Não há espaço para discurso alarmista de que teremos novo lockdown nem de que a pandemia acabou", disse o prefeito reeleito paulistano, Bruno Covas (PSDB), em entrevista ao canal GloboNews. Segundo ele, "é inviável realizar um lockdown". Eduardo Paes (DEM), prefeito eleito do Rio de Janeiro, adota postura semelhante. "A princípio, descarto o lockdown. É preciso que tenhamos medidas do ponto de vista terapêutico. Não é possível que a população fique doente e não tenha um leito de hospital. O grande desafio é colocar a rede de saúde do município para funcionar. E claro, medidas como distanciamento social, uso de máscaras, e tentar conversar com as pessoas. Não adianta mandar as pessoas fazerem algo que elas não vão fazer. O lockdown me parece uma medida extrema e desnecessária", disse em entrevista à mesma emissora. VÍDEOS: Drauzio Varella analisa pandemia no Brasil Veja Mais

Depois de chegar a 1,30, taxa de transmissão da Covid-19 no Brasil cai para 1,02, aponta Imperial College

Glogo - Ciência Dados são do Imperial College de Londres. No ritmo atual, em tese, cada cem pessoas infectadas no país contaminam outras 102. Banhistas lotam a praia do Leme nesta segunda-feira, 30/11/2020 Marcos Serra Lima/G1 A taxa de transmissão (Rt) do novo coronavírus no Brasil é de 1,02, aponta monitoramento do Imperial College de Londres, no Reino Unido. Isso significa que cada 100 pessoas infectadas no país transmitem o vírus para outras 102. A atualização da estimativa foi divulgada nesta terça-feira (1) e considera dados coletados até a segunda-feira (30). Pela margem de erro das estatísticas, essa taxa pode ser maior (Rt de até 1,11) ou menor (Rt de 0,94). Nesses cenários, cada 100 pessoas com o vírus infectariam outras 111 ou 94, respectivamente. Mundo tem mais de 1,4 milhão de mortes por Covid Na semana passada, a taxa de transmissão estava em 1,30, a maior desde o fim de maio. Os cientistas apontam que "a notificação de mortes e casos no Brasil está mudando; os resultados devem ser interpretados com cautela". Simbolizado por Rt, o "ritmo de contágio" é um número que traduz o potencial de propagação de um vírus: quando ele é superior a 1, cada infectado transmite a doença para mais de uma pessoa e a doença avança. Números no Brasil O Brasil tem mais de 173 mil mortes por coronavírus e 6,3 milhões de casos confirmados, segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 35.468 novos diagnósticos por dia, a maior desde 6 de setembro -- quando chegou a 39.356. Isso representa uma variação de 20% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de alta nos diagnósticos. Brasil precisa levar a sério o aumento de casos e mortes pela Covid-19, diz OMS 'Brasil precisa levar muito, muito a sério esses números' Na segunda-feira (30), o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou que o Brasil precisa levar o aumento no número de casos de Covid-19 a sério. “O Brasil teve seu ápice em julho. O número de casos estava diminuindo, mas em novembro os números voltaram a subir. O Brasil precisa levar muito, muito a sério esses números. É muito, muito preocupante”, disse Tedros. VÍDEOS: novidades sobre as vacinas Veja Mais

“O legado de cada um de nós é um farol para quem vem atrás. Vocês não estão sozinhos”

Glogo - Ciência Médico dá depoimento emocionado e emocionante em evento sobre a velhice LGBT+ “Era uma vez um garotinho nascido na década de 1940, no bairro de Copacabana. Que não gostava de jogar bola, ou de brincar de revólver, como os outros meninos. Aos 8 anos, sua mãe o chamou para uma conversa ‘séria’, quando disse: ‘antes um filho morto do que um filho homossexual’. Embora não soubesse o significado da palavra, imaginou que deveria ser algo muito grave para a mãe preferir a morte”. Esse foi o começo do relato de Alexandre Kalache, ex-diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS) e uma das maiores autoridades brasileiras sobre o tema, num seminário sobre velhice LGBT+, realizado no sábado pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia do Rio de Janeiro. Relato pouco usual e que mobilizou os que assistiam ao evento on-line. Era como se Kalache estivesse contando a história de vida de diversos participantes. Apesar de, ano após ano, ser eleito representante da turma, o menino sofria um bullying cruel na escola. Sabendo da sua fobia por baratas, colegas implacáveis às vezes colocavam um inseto cascudo em seu colarinho, zombando enquanto ele se contorcia. Vivia paixonites platônicas e se perguntava: “só eu sou assim?”. Na faculdade de medicina, foi convencido a fazer psicanálise para se tratar – até 1990, a homossexualidade estava na lista de doenças da própria OMS. Alexandre Kalache: “o legado de cada um de nós é um farol para quem vem atrás” Reprodução TV Globo Vieram a militância política, o casamento, dois filhos – o que chama de “primeira metade da minha vida”. Aos 37 anos, conheceu Paul, seu companheiro até hoje. “No dia em que o conheci, percebi que minha vida tinha mudado para sempre”, afirmou Kalache, emocionado e emocionando todos que acompanhavam a transmissão. O título de sua palestra, “Difícil ter saído do armário, ser enfiado de volta é cruel”, traduz o drama de muitos que, na velhice, são obrigados a ocultar a orientação sexual e abrir mão de uma identidade conquistada a duras penas. No entanto, encerrou sua fala com uma mensagem de esperança: “o legado de cada um de nós é um farol para quem vem atrás. Vocês não estão sozinhos e não nos enfiaremos de novo no armário”. Michael Adams, CEO da Sage, organização que existe há 42 anos e é a mais antiga entidade de defesa dos idosos LGBT+, gravou um vídeo no qual declarava: “nos recusamos a ser invisíveis”. Nos EUA, são 4 milhões atualmente, com a previsão de, em 2040, atingirem a marca de 7 milhões. Segundo ele, o estudo do envelhecimento desse segmento é o estudo do estigma e da discriminação, mas também da resiliência. Adams lembrou que, apesar de a Suprema Corte norte-americana ter reconhecido o casamento entre pessoas do mesmo sexo, os números mostram que a velhice é mais solitária para essa comunidade: “há o dobro de chances de envelhecerem solteiros ou sozinhos, o risco de não terem filhos é quatro vezes maior, além de quase sempre estarem desconectados de sua família de origem”. A Sage investe em iniciativas como centros comunitários, rede de moradias acessíveis e treinamento com certificação para profissionais que lidam com idosos. “Não há sequer consciência de que existem”, lastima Adams, acrescentando: “70% das ILPIs (instituições de longa permanência) são privadas e 80% têm administração religiosa, o que torna o cuidado e respeito aos idosos LGBT+ bem desiguais. Nossa meta é criar uma legislação para garantir seu acesso a todos os serviços destinados aos idosos norte-americanos”. O jornalista Yuri Fernandes foi outro que, aos 13 anos, ouviu da mãe que ela preferiria se matar a ter um filho gay. Mineiro de Ipatinga, hoje se dedica a “ecoar as vozes dos mais velhos”. Autor da websérie “LGBT+60: corpos que resistem”, cujos episódios estão disponíveis no YouTube e na plataforma do Projeto Colabora, diz que é preciso lutar contra a rejeição todos os dias: “o impacto na saúde mental é tremendo e o governo tem que criar políticas públicas específicas para essas pessoas”. No sábado que vem, a SBGG-RJ fará nova rodada sobre o envelhecimento LGBT+. Que outras entidades sigam o exemplo! Veja Mais

Os polêmicos testes de virgindade e kits de 'reparo de hímen' vendidos no Reino Unido

Glogo - Ciência Muitas mulheres são obrigadas por suas famílias a fazer os exames intrusivos, que são considerados uma violação dos direitos humanos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Organização das Nações Unidas (ONU). A BBC encontrou kits de reparo de hímen sendo vendidos online, alegando restaurar a virgindade RACHEL STONEHOUSE Polêmicos "testes de virgindade" estão sendo feito em mulheres em clínicas médicas privadas britânicas, mostra uma investigação do programa de rádio Newsbeat e do projeto 100 Women (100 Mulheres), ambos da BBC. Os exames intrusivos são considerados uma violação dos direitos humanos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Organização das Nações Unidas (ONU), que querem sua proibição. Os testes — que envolvem um exame vaginal para verificar se o hímen está intacto — não têm base científica, não podem provar se alguém é virgem e podem ser uma forma de abuso. A investigação da BBC encontrou também várias clínicas privadas anunciando procedimento de "reconstituição da virgindade" que, quando contatadas, também ofereciam o chamado teste de virgindade por valores entre 150 libras (R$ 1.063) e 300 libras (R$ 2.126). A BBC identificou 21 clínicas e conseguiu fazer perguntas a 16 delas. Sete confirmaram que oferecem "teste de virgindade" e várias outras não quiseram prestar esclarecimento. Todos disseram que oferecem cirurgia de reparo do hímen, que custa entre 1,5 mil libras (cerca de R$ 10 mil reais) e 3 mil libras (cerca de R$ 21 mil). Dados do NHS (o serviço de saúde pública britânico) mostram que 69 procedimentos de reparo de hímen foram realizados na Inglaterra nos últimos cinco anos. 'Fugir era minha única opção' Reportagem também encontrou várias clínicas privadas anunciando o serviço de 'reparo da virgindade' Getty Images via BBC A BBC ouviu a história de uma mulher que teve ajuda da instituição de caridade Karma Nirvana, que apoia vítimas de um tipo de abuso emocional praticado por famílias, baseado "na honra" e casamento forçado. "Eu tinha um relacionamento emocionalmente abusivo com meus pais, que queriam que eu tivesse um casamento arranjado", diz ela. "Um dia, um ancião da comunidade me viu sair com meus amigos e disse à minha mãe que um dos meninos era meu namorado. Havia muitos rumores na comunidade sobre isso." Ela foi então ameaçada com um "teste de virgindade" pelos pais. "Meus pais e a família do homem com quem eles queriam que eu me casasse disseram que eu precisava fazer um teste de virgindade para provar que ainda era virgem para que o casamento pudesse prosseguir. Eu estava com medo e não entendi o que isso realmente significava. Senti que fugir era minha única opção — então foi o que fiz", conta ela, que pediu para não ter seu nome divulgado. "Recebemos ligações de meninas preocupadas com isso. Pode ser que estejam preocupadas que suas famílias tenham descoberto que talvez tenham tido um relacionamento ou não sejam virgens. Pode ser que a família esteja pressionando as jovens a fazer os testes e elas estão preocupadas com o resultado', diz Priya Manota, que a gerencia a linha telefônica de apoio do Karma Nirvana. "O abuso por causa da 'honra' e do casamento forçado acontece muitas vezes quando a mulher entra em um relacionamento, escolhe seu próprio parceiro e tem um relacionamento íntimo ou sexual. Sabemos que muitas vítimas em casos extremos chegaram a ser mortas", afirma. "Outras vítimas são repudiadas pela família e não têm para onde ir." O teste de virgindade é praticado em pelo menos 20 países, de acordo com a OMS. A organização afirma não haver evidências de que ele possa provar se uma mulher ou jovem fez sexo ou não. Isso ocorre porque o hímen pode rasgar por vários motivos, incluindo o uso de absorventes internos e exercícios. Também é possível que a pessoa já tenha feito sexo sem penetração ou mesmo com penetração, mas o hímen não tenha rompido. No ano passado, o rapper americano T.I. provocou indignação após admitir durante um podcast que leva sua filha todos os anos para um teste para verificar se o seu hímen ainda está intacto. O rapper americano T.I. provocou indignação após revelar que leva sua filha para fazer 'teste de virgindade' todos os anos Red Table Talk / Facebook Pinças e sangue falso A BBC também descobriu 'kits de reparação de hímen', que afirmam 'restaurar a virgindade', sendo vendidos na internet por 50 libras (R$ 354). Um kit comprado na internet e exportado da Alemanha continha 60 ml de gel que tensiona a vagina, pinças de plástico, uma cápsula de sangue e três sachês que pareciam conter sangue falso. Não havia instruções sobre como usar o kit. O ginecologista Ashfaq Khan recebe regularmente pedidos de pacientes para fazer testes de virgindade e reparo do hímen. "Não entendo por que isso não é ilegal no Reino Unido, deveria ser ilegal", diz ele. "Toda a ideia de que a ausência de parte do hímen significa que você não é virgem está errada desde o princípio. Ele pode ser rasgado por vários motivos." 'Educar as comunidades' Khan acredita que mais ações contra a prática são necessárias. "Precisamos de ações educativas como as que fazemos para esclarecer sobre os perigos da mutilação genital feminina", diz ele à BBC. "Para mim, [os testes de virgindade] são um crime — e estamos nos associando a um procedimento que é ética e moralmente incorreto." No início deste ano, a Organização para Mulheres e para a Sociedade do Oriente Médio iniciou uma campanha para proibir o "teste de virgindade" e pediu mais esclarecimento sobre o assunto. "Embora desejemos eventualmente proibir a reconstituição do hímen, banir a prática sem a educação adequada fará mais mal do que bem", diz Halaleh Taheri, fundadora da entidade. "A única razão pela qual essas práticas estão em funcionamento é por causa dessa mentalidade retrógrada em relação à virgindade." "Se ajudássemos a educar nossas comunidades e a reverter essa crença, não haveria necessidade de reconstrução do hímen. O procedimento sairia do mercado por conta própria." VÍDEOS: Ciência e Saúde Veja Mais

Por que predomínio do 'homem branco' em testes pode atrapalhar futuro de vacinas e remédios

Glogo - Ciência Não é à toa que algumas farmacêuticas estão divulgando extensivamente dados da etnia dos voluntários de ensaios clínicos para covid-19 — a falta de diversidade em testes para medicamentos é uma pauta emergente na área de saúde. 'A maior parte dos voluntários em ensaios clínicos são brancos e homens — minorias raciais e étnicas são seriamente sub-representadas', diz a agência federal sanitária dos EUA, a FDA Lena/Datsiuk/Getty Images Ao divulgar, no início do mês, resultados satisfatórios de seu projeto de vacina contra a covid-19, as farmacêuticas Pfizer e BioNTech logo destacaram em um comunicado que, dos mais de 43 mil participantes dos testes de fase 3 no mundo, "42% tinham origem étnica diversa". À frente de outra candidata a vacina, a empresa Moderna também tem divulgado dados sobre o perfil dos voluntários que estão participando dos seus testes — na fase 3, realizada nos Estados Unidos com 30 mil pessoas, 63% eram brancos, 20% latinos, 10% negros, 4% asiáticos, e 3% "outros". A empresa diz em seu site ter como objetivo que os participantes "sejam representativos das comunidades sob maior risco da covid-19 e de nossa sociedade diversa". Segundo uma reportagem com informações exclusivas publicada em outubro pela agência Reuters, a Moderna chegou a desacelerar seu cronograma de testes ao constatar que a maior parte dos voluntários recrutados por empresas terceirizadas eram brancos, o que precisou ser revisado. O esforço das empresas em comunicar a diversidade entre voluntários de testes responde a um debate que não é de hoje, mas que foi impulsionado pela pandemia de coronavírus. "Uma vez que os afro-americanos e as comunidades de latinos nos Estados Unidos têm maior taxa de infecção, hospitalização e mortalidade, acreditamos que estes grupos deveriam ter um acesso mais igualitário a ensaios clínicos (testes envolvendo humanos) referentes à covid-19. A maior inclusão também deve acontecer em estudos multinacionais", escreveu por e-mail à BBC News Brasil Daniel Chastain, professor da Faculdade de Farmácia da Universidade da Geórgia, nos EUA. Com mais cinco pesquisadores, Chastain publicou em agosto um artigo sobre isso no periódico científico mais influente do mundo na área médica, o New England Journal of Medicine. No texto, os autores defendem maior representatividade por motivos éticos, como o acesso de populações "minoritárias" a tratamentos potencialmente benéficos; e também por motivos científicos, pois um produto testado em pessoas com perfil limitado não necessariamente funcionará bem em outras populações — seja por fatores genéticos, sociais, entre outros. "A diversidade é necessária para garantir a generalização (dos resultados)", completou Chastain. O artigo que publicou com colegas mirou especificamente o remdesivir, medicamento antiviral fabricado pela farmacêutica Gilead e considerado pelo governo americano um tratamento oficial para a covid-19 — apesar de a Organização Mundial da Saúde (OMS) divergir da orientação, defendendo que o remédio não tem eficácia comprovada contra a nova doença. Os autores criticaram a falta de dados raciais em estudos iniciais com remdesivir, e também o que seria uma baixa representatividade de minorias fortemente afetadas pela covid-19 nos testes. Pesquisadores envolvidos nos estudos com o remdesivir publicaram então uma réplica garantindo que houve uma representatividade satisfatória, dando início a uma sequência de cartas, gráficos e diferentes dados defendidos por cada um dos lados. Fato é que, nos Estados Unidos, a agência sanitária federal Food and Drug Administration (FDA) incorporou a pauta há algum tempo. Anualmente, ela registra as principais características demográficas de voluntários envolvidos em ensaios clínicos de novos medicamentos registrados no país — em 2019, 72% dos participantes eram brancos, 9% negros e 18% hispânica. O percentual de voluntários negros avançou na comparação com 2015, data mais antiga para a qual o FDA tem dados disponibilizados em seu site. Naquele ano, 79% dos participantes de testes eram brancos e 5% afro-americanos (não há dados específicos para latinos). Na população americana, segundo estimativas do Censo nacional para 2019, 76% são apenas brancos, 13% apenas negros e 18,5% hispânicos ou latinos (o "apenas" se opõe à opção de declaração em duas ou mais "raças", o que é possível no Censo; hispânicos e latinos não são considerados uma raça em si, por isso têm interseção com outras categorias). Os EUA têm também uma lei federal que obriga a inclusão de minorias em pesquisas financiadas pelo governo por meio dos National Institutes of Health (NIH), apesar de o texto não prever em qual percentual ou quantidade. O NIH também obriga que ensaios clínicos de fase 3 divulguem informações sobre gênero e raça dos participantes. No Brasil, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), não há normas que determinem o registro ou participação de diferentes raças em ensaios clínicos. A assessoria do órgão explicou à BBC News Brasil que medicamentos podem ser registrados no país com dados de ensaios clínicos feitos no exterior, mas "as empresas deverão demonstrar que esses dados podem ser extrapolados para a população brasileira". "Se houver indícios de que fatores étnicos possam alterar a eficácia ou a segurança de um medicamento etnicamente 'sensível', (…) a Anvisa pode solicitar estudos adicionais em uma população que represente a população local (Brasil)", escreveu a agência em nota. "Isso ocorre especialmente para estudos conduzidos somente com uma população específica." Pesquisadores entrevistados pela reportagem afirmaram desconhecer dados e até estudos acadêmicos sobre o perfil racial de voluntários em testes realizados no Brasil. Por experiência, entretanto, a infectologista Anita Campos, atualmente diretora médica na Sarepta Farmacêutica, afirma que "com certeza" o Brasil também tem maior participação de brancos e pessoas de classes mais privilegiadas nos testes — geralmente convocados através das redes sociais, divulgação na imprensa, do contato com associações de pacientes ou recrutamento no ambiente hospitalar. Considerando tratamentos em estudo para a covid-19, a reportagem procurou representantes dos testes com vacinas que estão trabalhando com voluntários no Brasil e em fase adiantada: a CoronaVac (desenvolvida pela Sinovac) e a AZD1222 (Universidade de Oxford e AstraZeneca). A Universidade de Oxford respondeu que não poderia compartilhar dados sobre a etnia dos voluntários. Representando a AZD1222 no Brasil, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) acrescentou que foram recrutados profissionais de saúde, outros trabalhadores atuando em ambiente hospitalar (como seguranças e faxineiros) e idosos aposentados em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Natal, Santa Maria e Porto Alegre. "A vacina de Oxford também está sendo aplicada em voluntários nos Estados Unidos e na África do Sul, sem contar Reino Unido. A diversidade na localidade e o grande número de voluntários recrutados — cerca de 50 mil — permite naturalmente que seja esse um grupo de grande variedade de pessoas", escreveu a assessoria da Unifesp. A Sinovac e seu parceiro no Brasil, o Instituto Butantan, não responderam aos pedidos de informação da reportagem. Desigualdades refletidas nos ensaios clínicos Diferenças no acesso à informação e até ao transporte podem afetar diversidade em ensaios clínicos Ada da Silva/Getty Images No artigo publicado no "New England Journal of Medicine", a equipe de Daniel Chastain enumerou possíveis motivos para a pouca diversidade nos ensaios clínicos: "Pode ter a ver com uma antiga desconfiança dos médicos em relação às comunidades minoritárias, mas o problema pode ser composto também pelo custo (em particular, custos 'escondidos' com locomoção, alimentação e acomodação), pouco conhecimento para assuntos de saúde, pouca informação, limitações de idioma, acessibilidade, e vieses implícitos contra minorias." Outra possível explicação apontada é a falta de diversidade entre os próprios cientistas, o que pode influenciar no recrutamento de voluntários. Os pesquisadores levam em conta, portanto, que a raça está associada a fatores socioeconômicos. Isso é demonstrado por vários indicadores de escolaridade, saúde, emprego, representação política e cultural em que negros, por exemplo, tendem a ter menos oportunidades do que brancos, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, conforme mostrou a BBC News Brasil em junho. Para tentar reverter a falta de representatividade nos testes, o FDA apostou na divulgação, lançando em 2017 uma campanha intitulada Latinos Can Make a Difference in Clinical Trials ("Latinos podem fazer a diferença em ensaios clínicos"), que convida com vídeos e textos de orientação em espanhol pessoas de origem hispânica a participarem de mais testes. "A maior parte dos voluntários em ensaios clínicos são brancos e homens — minorias raciais e étnicas são seriamente subrepresentadas", diz o site do FDA. Entretanto, apesar da menção a um histórico predomínio dos homens, dados da agência sobre medicamentos aprovados em 2019 mostram que 72% das voluntárias dos testes eram mulheres. Em 2015, o percentual foi de 40%. Um texto em espanhol da campanha Latinos Can Make a Difference in Clinical Trials defende que "participar de um estudo clínico pode ser uma boa opção para você se: você e seu médico acreditam que os tratamentos atuais não são opções satisfatórias e um estudo clínico oferece alternativas adicionais; se você quer ajudar a assegurar que os benefícios e riscos dos produtos médicos sejam estudados em pacientes de grupos diversos". Como lembra esse material de orientação do FDA, ensaios clínicos envolvem possíveis benefícios, mas também malefícios. Assim, incluir mais perfis de voluntários não poderia também deixar estas pessoas mais expostas a riscos? "Evidente que existem riscos, mas em geral os participantes são acompanhados de forma mais frequente, há um registro rotineiro de efeitos adversos e muitas pessoas (profissionais) observando. A chance de evolução (em um quadro de saúde) costuma ser maior na pesquisa clínica do que na prática clínica", responde o médico Otavio Berwanger, diretor do centro de pesquisa clínica do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, setor que coordena e executa ensaios, muitas vezes multinacionais, patrocinados pela indústria farmacêutica. No centro, Berwanger diz que o esforço para aumentar a diversidade foca principalmente na divulgação de testes a serem realizados, com chamadas nas redes sociais e na imprensa. "Hoje sabemos que quanto mais representativos, melhores os estudos", completa o médico, especialista em pesquisa clínica pela Universidade de Oxford, na Inglaterra. Do DNA ao social Berwanger explica que, enquanto em algumas doenças, como as cardiovasculares, o comportamento é em geral semelhante independentemente da origem da pessoa, outras têm manifestações diferentes a depender da etnia, gênero, entre outras características. Isso pode acontecer por fatores internos do organismo, como características genéticas e metabólicas de determinadas populações; ou externos, como hábitos alimentares e estilo de vida mais comuns entre algumas comunidades — ou ainda uma combinação de tudo isso. Uma revisão de dados de todos os medicamentos aprovados pelo FDA nos Estados Unidos entre 2008 e 2013 mostrou que aproximadamente um quinto dos novos remédios apresentou alguma diferença na exposição ou resposta ao tratamento entre diferentes grupos raciais. Por exemplo, vários estudos já mostraram que diferenças na fisiologia da pele podem afetar a resposta a remédios e pomadas dermatológicas. Em outra área da medicina, brancos e negros já demonstraram uma resposta metabólica mais fraca a alguns antidepressivos e antipsicóticos, na comparação com asiáticos. Em 2005, o FDA aprovou o primeiro remédio direcionado a um grupo racial, o BiDil, para tratamento de insuficiência cardíaca. A empresa que patrocinou o estudo fez inicialmente dois ensaios clínicos com pessoas de diversas origens, cujos resultados não mostraram benefícios em geral, mas sugeriram melhores efeitos para pessoas negras. Então, a empresa fez testes com 1.050 pessoas que se identificaram como negras, mostrando a segurança e eficácia do medicamento, finalmente aprovado. De acordo com a Anvisa, no Brasil, "normalmente há alertas ou recomendações descritas no texto da bula" quando há diferenças na "resposta clínica ou susceptibilidade à toxicidade a fármacos, relacionada às diferenças étnico-raciais". Segundo entrevistados pela BBC News Brasil, a raça dos voluntários de estudos clínicos costuma ser registrada a partir da autodeclaração. Entretanto, nem essa alternativa para classificar a origem ou a cor de uma pessoa é simples, aponta o antropólogo Ricardo Ventura, que estuda questões étnicas relacionadas à demografia, ciência e saúde. "Desde o primeiro Censo americano, possivelmente nenhuma edição subsequente teve as mesmas categorias raciais, pois elas mudam muito com o tempo. O que é 'latino'? Que categorias raciais são essas? Não são dados simples. O debate sobre a inclusão (em estudos médicos) é muito importante, mas estas classificações precisam ser bem trabalhadas, pensadas", diz Ventura, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). "É preciso problematizar a ideia de que existem diferenças entre categorias, raças, do ponto de vista biológico. Obviamente a questão racial envolve componentes biológicos, mas também é uma construção social", completa o pesquisador, graduado em ciências biológicas e mestre e doutor em antropologia. Ele, que trabalha principalmente com povos indígenas, destaca que esta população tem mostrado maior mortalidade e letalidade pela covid-19 do que a população brasileira em geral — e, inclusive, defende que indígenas sejam mais incluídos em ensaios clínicos, o que a reportagem não conseguiu confirmar com dados se está acontecendo ou não. Mas Ventura critica que, na produção científica sobre o coronavírus, está sendo reproduzida uma abordagem "perigosa" já observada anteriormente. "Muitos estudos já relacionaram a tuberculose à população ameríndia como se estivesse ligada à genética, à ancestralidade. Mas eles deixaram de considerar outras variáveis relacionadas à doença — como a quantidade de pessoas morando no domicílio, a presença ou não de janelas nas casas, problemas no acesso aos serviços de saúde." "Tem emergido em trabalhos de covid-19 a defesa de que os povos indígenas teriam uma fragilidade imunológica por serem populações geneticamente mais homogêneas. Essa vulnerabilidade é um debate antigo, das décadas de 50 e 60, e que já apareceu em outras epidemias. Não tendo estudos consistentes demonstrando isso, se tornou um mantra." "É um argumento que, se não olhado criticamente, pode ser muito perigoso, porque olha para a saúde e a doença como estando basicamente no domínio da biologia. Vira algo determinista", aponta, acrescentando que, na transmissão do coronavírus, arranjos sociais dos indígenas, como aqueles vivendo em terras indígenas, também têm um papel — por exemplo com maior interação e contato dentro da moradia. Desconforto no ambiente médico: 'Preconceito do guarda que está na porta ao recepcionista' Falando especificamente dos ensaios clínicos, Ricardo Ventura reforça como a falta de confiança que certas populações sentem ao acessar serviços de saúde pode levar a uma baixa representatividade. Há experiências traumáticas para algumas minorias envolvidas na pesquisa médica. O antropólogo menciona um caso famoso e emblemático dos Estados Unidos, o estudo de Tuskegee, realizado entre 1932 e 1972. Por 40 anos, pesquisadores da Universidade de Tuskegee, no Alabama, acompanharam o desenvolvimento da sífilis em centenas de homens negros e pobres — que não só não sabiam ter a doença, como tampouco receberam tratamento, apesar de o antibiótico penicilina já estar disponível na época. Quase 65 anos depois, o então presidente Bill Clinton pediu desculpas em nome do governo americano pelo episódio. A falta de confiança também foi um desafio em estudos no Brasil com o PrEP, uma prevenção medicamentosa para o HIV. Quem conta é a infectologista Anita Campos, que trabalhou no desenvolvimento do truvada (um dos componentes do PrEP) na farmacêutica Gilead. Ela lembra que o Brasil, o primeiro país no mundo a ter o PrEP como política de saúde pública, pediu antes um projeto demonstrativo — aquele citado pela Anvisa, usado para provar que um remédio do exterior funciona com a população brasileira — à Fiocruz, começando em 2014. O recrutamento pediu como voluntários homens que fazem sexo com homens (HSH) e mulheres transexuais. Mas apareceram muito mais voluntários com o primeiro perfil. "Justamente por terem menos acesso à informação e também pelo preconceito no acesso à saúde, as mulheres trans foram menos incluídas (inicialmente). Existe um grande receio delas em procurarem os serviços de saúde, pois elas sentem preconceito desde o guarda que está na porta ao recepcionista." Uma solução encontrada pela Fiocruz foi buscar essas mulheres em seus locais de trabalho e moradia, e também contratar pessoas trans como agentes de saúde, facilitando o contato e a confiança no processo. "Em geral, em ensaios clínicos da área de HIV, uma das grandes críticas na hora de registrar uma droga é que ela é pouco representativa de mulheres e negros. Nesses estudos, a representação dessas populações é sempre muito baixa." "Mas vejo um movimento na indústria de maior discussão e preocupação com a diversidade nos ensaios", completa. VÍDEOS: novidades sobre vacinas contra Covid-19 Veja Mais

Professor da UFMG usa 'jeitinho brasileiro' de fazer ciência e é destacado pela 'Nature'

Glogo - Ciência Revista aponta Gustavo Menezes como um dos principais agentes de democratização da ciência atualmente no mundo. Professor Gustavo Menezes com microscópio confocal adaptado por ele para ver células em animais vivos. Fernanda Torquatto Um microscópio que foi adaptado com uma lamínula de vidro, colada com esmalte de unha, que permite ver imagens de células em animais vivos. Um transiluminador de gel – utilizado para ver amostras de DNA –, feito com uma caixa de acrílico preta, uma lâmpada encontrada no lixo e operado por meio da câmera selfie de um celular. Uma máquina de fazer gelo, dessas encontradas em bares, um saco e um martelo para fazer gelo em escamas. Essas são algumas das "gambiarras" feitas pelo professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Gustavo Menezes, utilizadas no laboratório do Centro de Biologia Gastrointestinal, no Instituto de Ciências Biológicas. Professor Gustavo Menezes fotografado através da placa de acrílico que inventou e é uma das principais adaptações do microscópio confocal para que ele possa visualizar células de animais vivos. Fernanda Torquatto / G1 O professor vem adaptando equipamentos assim desde 2010, quando voltou do Canadá onde fazia pesquisa de pós-doutorado na Universidade de Calgary. Lá ele estava acostumado com aparelhos de ponta, mas sabia que, ao voltar para o Brasil, teria que dar um jeito de manter o padrão de suas pesquisas mesmo com uma verba bem menor. As adaptações feitas no microscópio permitiram que ele custasse cerca de R$ 150 mil, em vez de R$ 2 milhões. O transiluminador convencional saiu por pouco mais de R$ 70 e é encontrado no mercado com valores que variam de R$ 8 mil a R$ 43 mil, dependendo da facilidade de manuseio. Imagem de uma sequência de DNA iluminada feita pelo transiluminador adaptado utilizando a câmera selfie de um celular. Fernanda Torquatto As máquinas de fazer gelo em escamas encontradas em laboratórios de pesquisa, custam de R$ 14 mil a R$ 15 mil. Uma que faz o gelo convencional sai por R$ 5 mil e só precisa de um pouquinho de força pra quebrar as pedras com um martelo. Pesquisadora Hortência Oliveira retirando gelo da máquina para transformá-lo em gelo em escama, utilizado em vários processos no laboratório. Fernanda Torquatto Para Menezes esse “jeitinho brasileiro” é alternativa para as dificuldades financeiras, mas não só isso: "Muitas vezes, para fazer ciência de ponta, o cientista tem que inventar os próprios métodos. O problema, às vezes, não é a falta de dinheiro. Existem perguntas que eu tenho na cabeça, mas que não tem métodos existentes para resolvê-las. Às vezes, a ciência caminha num grau tão alto de novidade que é superior à capacidade de a indústria criar mecanismos. Eu não posso esperar uma fábrica criar o que eu preciso, então eu vou lá e construo”. As adaptações levaram o professor a ser um dos destaques de uma reportagem da revista "Nature" neste mês de novembro, sobre pesquisadores que estão usando o método conhecido como do-it-yourself, ou seja, “faça você mesmo”, utilizando a criatividade para democratizar o acesso à ciência no mundo. Essa não foi a primeira vez que o professor teve seu nome estampado na prestigiosa revista. Ele já publicou uma vez com um trabalho individual e outras quatro em trabalhos realizados em parceria com outros pesquisadores. “Publicar na 'Nature' é bom, mas ser publicado é melhor. Nunca imaginei nos meus maiores sonhos que ia abrir a Nature e ia ver o meu nome”, disse o professor que afirma ter ficado satisfeito de o primeiro nome citado na reportagem ter sido de um brasileiro. Para Gustavo, parte da dificuldade que o Brasil tem no avanço na ciência, na economia, nas questões sociais, vem da ideia de que o brasileiro não é bom o bastante. “Essa crença acaba impedindo algumas pessoas de realizar grandes feitos. Quando a 'Nature' faz uma reportagem e o primeiro entrevistado é um brasileiro, um servidor público, que nasceu em Ipatinga, essa alcunha de que brasileiro não faz nada cai por terra”. A publicação individual de Gustavo na revista foi justamente o passo a passo para adaptar um microscópio confocal convencional para que ele possa ser capaz de visualizar células em animais vivos. As adaptações principais (veja no vídeo abaixo) são a eliminação do sistema de movimentação digital com um joystick e substituição por uma alavanca manual; a retirada do sistema de enxergar as imagens com os olhos – já que o que importa mesmo é a imagem transmitida para a tela de um computador e, a principal: a substituição de um sistema de aquecimento do animal com uma cerâmica que tem um orifício específico para a luz passar, pela plaquinha de acrílico colada com esmalte – que custou R$ 3 – e permite a acomodação do animal vivo, com uma lâmpada de infravermelho que o deixa bem quentinho. Professor Gustavo Menezes explica modificações no microscópio que chamou atenção da Nature. E quando o normal seria que ele escondesse a técnica ou criasse uma patente, o professor da UFMG explicou o passo a passo em texto, fotos e vídeos. A ideia era mesmo disseminar o feito e ele conseguiu. Hoje os laboratórios da Fiocruz de Belo Horizonte e Rondônia, a USP de Ribeirão Preto e o setor de neurologia da Harvard Medical School já adaptaram microscópios para conseguir visualizar células em animais vivos utilizando as orientações do professor mineiro. A UFRJ e a Universidade de Yale serão as próximas a ter microscópios adaptados. Além das orientações, o professor viaja para os locais de pesquisa para prestar assistência na montagem e operação dos aparelhos. A adaptação do microscópio fez com que o laboratório da UFMG se tornasse primeiro Centro de Excelência da Nikon no país e o segundo no hemisfério sul, já que existe um menor na Argentina. Isso quer dizer que, além de consumir tecnologia, os pesquisadores mineiros também são produtores de tecnologia. Por isso, o laboratório conta hoje com um outro microscópio, subsidiado pela empresa, que no mercado custa cerca de R$ 2 milhões e, segundo o professor, é o melhor do mundo para fazer imagens de animais vivos. Professor da Universidade Federal de Minas Gerais, Gustavo Menezes, operando microscópio de dois milhões de reais. Foto: Fernanda Torquatto "Tem gente que ficou anos pra fazer um única imagem pra acabar uma tese de doutorado, vem aqui e consegue em 20 minutos. Tem gente que já veio da Argentina, do Chile, do Rio". Por ser um equipamento de altíssimo valor, o mais comum é que somente os pesquisadores mais experientes ou técnicos tivessem acesso a ele. Mas, na UFMG, alunas como a Hortência Oliveira, de 24 anos, tem acesso livre ao microscópio. Ela sabe que essa não é a realidade de muitos pesquisadores. “Nós somos muito privilegiados, principalmente pelo fato de a gente ter contato com isso todos os dias, não ter nenhum empecilho pra usar, porque isso acontece em outros laboratórios aqui. Desde que eu entrei aqui ninguém disse que eu não poderia usar, ou porque era muito caro ou porque não acreditaram que eu conseguiria manusear. A gente fica um pouco insegura no início, mas isso tudo passa a ser nada a partir do momento que as pessoas que estão aqui a mais tempo e sabem usar te deixam confortáveis. É um problema se estragar uma coisa aqui, mas os equipamentos nunca foram mais importantes que a gente aqui no laboratório”. Para o professor Gustavo, quando equipamentos de alta tecnologia como esses são disponibilizados para que os alunos usem é a mesma coisa de tornar acessível um carro de Fórmula 1 a um piloto de kart – e assim a ciência avança cerca de 20 anos. Gustavo sabe que o trabalho dele contribui com a democratização da ciência, mas não espera reconhecimento agora. "O processo de modificação de uma nação leva décadas. Não tenho nenhuma expectativa de ver resultado hoje. Mas tenho certeza que, se hoje eu faço, é porque tem alguém antes de mim que fez e isso vai impactar a vida muitos brasileiros um dia". Os vídeos mais vistos do G1 Minas na semana: Veja Mais

No mais...

Anvisa recebe pedido para avaliação de estudos da vacina da Janssen

Glogo - Ciência Farmacêutica protocolou primeiro pacote de dados dos estudos da vacina AD26.COV2.S. Técnicos da reguladora têm 20 dias para avaliação. Vacina coronavírus Johnson & Johnson Janssen Janssen/ Divulgação A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recebeu nesta sexta-feira (27) o pedido de submissão contínua da vacina da Covid-19 em desenvolvimento pela Janssen, a AD26.COV2.S. Vacina da Johnson contra Covid-19 é segura e induziu resposta imune, apontam resultados preliminares parciais Vacinas que Brasil avalia comprar chegam às últimas etapas de testes; veja o que já se sabe sobre cada uma Com a urgência da pandemia, a agência reguladora passou a utilizar a modalidade de "submissão contínua" para agilizar o registro dos imunizantes. Os fabricantes podem enviar os documentos dos estudos aos poucos, não necessariamente de uma vez só. Assim, a Anvisa avalia a situação durante o processo e, caso esteja tudo certo, consegue aprovar a última parte dos testes em humanos com mais rapidez. De acordo com a agência, a Janssen já protocolou o primeiro pacote de dados com informações sobre a vacina nesta sexta-feira. Os técnicos terão até 20 dias para analisar os documentos. O que já sabemos sobre a vacina para Covid-19 da Johnson & Jonhson A vacina candidata da Janssen/Johnson & Johnson, a Ad26.COV2.S, também é uma das quatro que receberam autorização para testes de fase 3 (a última) no Brasil. As outras são a de Oxford, a da Pfizer-BioNTech e a da Sinovac. O estudo da Johnson no país está sendo conduzido em 11 estados, com previsão de envolver até 7.560 pessoas com mais de 18 anos. Submissão contínua No dia 18 de novembro, a Anvisa autorizou que empresas interessadas em registrar uma vacina enviassem os dados técnicos sobre os testes de forma contínua. As medidas só valem para vacinas contra a Covid-19 e não se aplicam a nenhum outro medicamento ou vacina. Os imunizantes também precisam estar em fase 3 de ensaios clínicos. Outro pré-requisito para enviar os dados de forma contínua é que a empresa interessada tenha um Dossiê de Desenvolvimento Clínico de Medicamento (DDCM) protocolado na Anvisa. O dossiê é um conjunto de documentos que dão informações detalhadas sobre a vacina e sobre os estudos clínicos de fases 1, 2, e 3. Fases de testes de uma vacina Nos testes de uma vacina – normalmente divididos em fase 1, 2, e 3 – os cientistas tentam identificar efeitos adversos graves e se a imunização foi capaz de induzir uma resposta imune, ou seja, uma resposta do sistema de defesa do corpo. ETAPAS: por que a fase 3 dos testes clínicos é essencial para o sucesso e a segurança das vacinas Os testes de fase 1 costumam envolver dezenas de voluntários; os de fase 2, centenas; e os de fase 3, milhares. Essas fases costumam ser conduzidas separadamente, mas, por causa da urgência em achar uma imunização da Covid-19, várias empresas têm realizado mais de uma etapa ao mesmo tempo. Antes de começar os testes em humanos, as vacinas são testadas em animais – normalmente em camundongos e, depois, em macacos. Vídeos: novidades sobre vacinas contra a Covid-19 Initial plugin text Veja Mais

Neurofinanças: a ciência que busca desvendar o cérebro para ficarmos mais ricos (e felizes)

Glogo - Ciência No mundo dos negócios, podemos ser consumidores, investidores, clientes — mas sempre humanos, portanto, com emoções. E há especialistas se debruçando justamente sobre questões comportamentais na área das finanças. Nossas decisões têm sempre um elemento emocional — e com as finanças não é diferente Pixabay Ganhar US$ 100 pode deixar muitas pessoas felizes, mas perder US$ 100 pode provocar uma emoção ainda mais forte do que alegria. Esse é o exemplo escolhido por Arman Eshraghi, professor de Finanças e Investimentos da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, para explicar o que ele e colegas já observaram no cérebro, por meio da ressonância magnética, quando o assunto é dinheiro. "As perdas desencadeiam uma maior atividade em áreas do cérebro associadas a emoções negativas do que ocorre nos polos de prazer quando há lucro", explica Eshraghi. Embora, por motivos óbvios, o cérebro sempre tenha sido um tema de estudo da área médica, nas últimas décadas pesquisadores de economia e finanças também têm se interessado por ele, buscando respostas sobre nosso comportamento como investidores a consumidores. Nasceu, então, a área das neurofinanças. O que ela já descobriu? E, talvez mais importante: como ela pode nos deixar mais ricos — ou mais felizes? A carga emocional Por mais que tentemos fugir disso, a natureza humana implica que cada escolha, mesmo que aparentemente racional, contém um elemento emocional. "Isso é verdade para todos os tipos de decisões e se aplica particularmente às financeiras. Especialmente quando se decide por um investimento, a promessa oculta de enriquecimento tem um forte elemento emocional", explica o professor Eshraghi. "Mesmo os gerentes financeiros mais experientes podem tomar decisões que não são baseadas apenas no pensamento racional." Há, então, alguma forma de lidar melhor com esta nossa natureza? "As melhores decisões financeiras geralmente são feitas através do pensamento lento, cuidadoso e analítico, em vez de por meio de um sentimento rápido e indutivo", descreve o professor. Evidentemente, não é possível eliminar as emoções — mas parte da solução é estar ciente delas. Por exemplo, "quando os mercados financeiros estão voláteis, geralmente é melhor 'ficar de fora' e parar de olhar para as telas". A razão é que a "fiação" de nossos cérebros reage a contextos instáveis mais emocionalmente do que analiticamente. Mesmo em situações mais rotineiras, porém, o "Tico e o Teco" podem se embolar. Por exemplo, algumas pessoas têm preferência por marcas e empresas conhecidas e, na hora de investir ou comprar, "isso pode levar à falta de diversificação, o que eventualmente impede uma estratégia financeira sólida". Há também um fenômeno observado entre alguns investidores e batizado por psicólogos de "ancoragem": a tendência de se ater a números aleatórios. "Mesmo informações aparentemente inócuas podem chegar ao nosso subconsciente. Por exemplo, os investidores podem se ancorar aos preços existentes de uma ação e, quando há novidades (que impactam nestes preços), alguns demoram a reagir e a atualizar os níveis registrados anteriormente", conta Eshraghi. Somos mais que lógica Daniel Kahneman é o autor do livro Rápido e devagar: duas formas de pensar, onde argumenta que nossa mente tem dois sistemas que influenciam a maneira como tomamos decisões. Enquanto o Sistema I é constituído pelo intuitivo, pelo instintivo e inconsciente, o Sistema II diz respeito ao analítico, ao consciente, ao lógico. Embora seja um psicólogo influente, Kahneman recebeu o Prêmio Nobel de Economia em 2002 por seu trabalho pioneiro, junto com Amos Tversky, sobre o elemento irracional na tomada de decisões. Na verdade, ambos foram os primeiros a identificar a aversão à perda. Kahneman desafiou a corrente tradicional do pensamento econômico que considerava as pessoas como predominantemente racionais, lógicas e egoístas. Ele lançou, portanto, as bases da economia comportamental. Dicas de um Nobel Por que tomamos decisões ruins sobre dinheiro (e o que podemos fazer a respeito) é o título de um vídeo no site Big Think no qual Kahneman faz preciosas recomendações. "Para certos tipos de decisões, você precisa de habilidades matemáticas. As pessoas que as possuem têm uma vantagem significativa sobre as que não as têm." "Compreender os juros compostos faz uma grande diferença, quer você pegue um empréstimo com cartão de crédito ou tenha uma poupança." Ele também fala sobre a importância de ter uma perspectiva ampla sobre o que está acontecendo e evitar reações emocionais excessivamente fortes aos acontecimentos. Busque orientação Publicado no site do Instituto CFA (que emite uma prestigiada certificação para analistas financeiros), um artigo de Kahneman afirma também que "tendemos a superestimar nossas chances de sucesso, especialmente na fase de planejamento." Quando algo não vai bem, procuramos uma explicação — buscando a sensação "de que aprendemos algo e que não vamos cometer um erro novamente", diz Kahneman. Mas talvez uma relação de causa e efeito não explique o que aconteceu. "O que você deve aprender é que foi surpreendido de novo. Você deve aprender que o mundo é mais incerto do que você pensa." Outro aspecto que o Nobel recomenda evitar é o arrependimento, pois este é "o maior inimigo da tomada de decisões nas finanças pessoais". Ele também convida as pessoas a cultivar a curiosidade e a procurar um consultor. O melhor conselheiro é "uma pessoa que gosta de você e que não se importa com seus sentimentos", ele diz. E quando você estiver prestes a tomar uma decisão importante: vá devagar. A importância da margem de erro Ser flexível e se adaptar a novas circunstâncias também é fundamental ao tomar decisões relacionadas ao dinheiro. Morgan Housel é o autor de The Phychology of Money ("A Psicologia do dinheiro") e também destaca como é importante se abrir para os erros. "Muita dedicação a uma meta, um caminho, um resultado, é invocar o arrependimento, uma vez que somos tão suscetíveis a mudanças", escreveu ele no blog com o mesmo título de seu livro. "As pessoas subestimam a necessidade de uma margem de erro em quase tudo o que envolve dinheiro." Segundo o especialista, isso se deve "à ideia de que sua visão de futuro é correta, movida pela sensação do incômodo que vem de admitir o contrário". Mas isso causa "danos econômicos", porque atrapalha melhores decisões. Housel também argumenta que a margem de erro é mal compreendida, "muitas vezes vista como uma forma de proteção conservadora, acionada por quem não quer correr muito risco ou não confia em suas opiniões". "Mas, quando usada de maneira adequada, é o oposto. A margem de erro permite que você aguente, e essa resistência o faz permanecer tempo o suficiente se expondo a chances de se beneficiar de um resultado que, de outra maneira, teria baixa probabilidade de ser favorável." E, em muitos casos, ter lucro também é questão de tempo. "Descobri que, ao tomar decisões financeiras, é útil lembrar constantemente que o objetivo de investir é maximizar os retornos, não minimizar o tédio. A chatice é perfeitamente normal, ela é boa. Se você quiser definir isso como uma estratégia, lembre-se: a oportunidade está onde os outros não estão, e os outros tendem a ficar longe do que é entediante." O que os milionários fazem William Leith é jornalista e autor de The Trick: Why Some People Can Make Money and Other People Can't ("O truque: por que algumas pessoas podem ganhar dinheiro e outras não"). Sua pesquisa o levou a mergulhar no mundo de alguns milionários. "As pessoas que entrevistei, que ficaram ricas de alguma forma, desenvolveram uma compreensão do que era o risco e como, com frequência, ele é contrário à intuição." "Isso é essencial", diz ele à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC), acrescentando que as pessoas bem-sucedidas passaram por vários erros, aprenderam com eles, mudaram e seguiram adiante. "E a cada vez elas se aproximaram um pouco mais de como as coisas funcionam" até se tornarem "as poucas pessoas que têm sucesso". "A verdade é que todo mundo desistiria muito antes porque são (sequências de) falhas, falhas e falhas. A maioria das pessoas simplesmente não aguenta." Leith destaca também um atributo que Kahneman havia antecipado: a curiosidade. "Se você quer começar um negócio, você tem que ver o que está acontecendo e o que está mudando. Você tem que descobrir por si mesmo", porque os livros vão mostrar "o mundo que existiu ontem". "Pense por si mesmo: como posso melhorar isso? É assim que as pessoas têm sucesso." Como reagir Joselyn Quintero, assessora financeira especializada em psicologia financeira e neurofinanças, aponta para exemplos de experiências bem-sucedidas na pandemia de coronavírus. Alguns empresários conseguiram encontrar oportunidades em meio a circunstâncias muito difíceis porque, como aponta Leith, pararam para observar o que estava acontecendo. "Se você pergunta a alguém de finanças: 'No meio disso tudo, o que você faria?', essa pessoa vai falar de corte de despesas. A tendência é minimizar os riscos ao máximo", diz Quintero. "Nos tornamos pessoas não apenas avessas ao risco, mas também obsessivas pela certeza. Não nos mexemos se não tivermos garantias de que as coisas vão dar certo." "Isso significa que quando você se depara com uma situação que não tem como controlar, a tendência é se retrair, se fechar." E, muitas vezes, isso nos impede de ver as oportunidades que existem. O novo paradigma Quintero menciona outra característica pessoal importante: a autoestima. "Trata-se de saber que você pode estar fazendo algo que não necessariamente vai agradar algumas pessoas. A certeza é você. É a única garantia que você tem, em vez de buscar a certeza (fora)." A especialista lembra também que vivemos em um período dinâmico, muito devido aos avanços tecnológicos e à internet — o que também vem acompanhado de mudanças culturais. Segundo ela, enquanto a geração dos baby boomers tendia a trabalhar em algo que não gostava para ganhar dinheiro, as gerações mais jovens têm uma mentalidade contrastante. "Faço o que gosto porque ganho dinheiro fazendo isso. A partir daí, construo um modelo de negócios que serve à sociedade, mas que é fundamentalmente parte de mim." "Quando você fala com uma pessoa de 25, 27 anos, a probabilidade de ela gerar dinheiro é mais evidente do que uma pessoa da minha geração, que nasceu há 40, 50 anos, ou seja, a possibilidade de ganhar mais gastando menos tempo já é uma narrativa geracional." Uma abordagem complementar Quintero defende que as neurofinanças, em comparação ao pensamento tradicional do mundo dos negócios, conseguem ser mais flexíveis a particularidades das pessoas e do ambiente. "Em vez de dizer a uma pessoa o que fazer, começo a entender o que ela está fazendo", a partir daí criando um plano de ação que "tem mais a ver com aquele indivíduo — suas aspirações, desejos —, e não aquele que o enquadra em uma fórmula pré-estabelecida". E, nessa abordagem, aparecem vários fatores que explicam por que existem pessoas com mais dificuldade em tomar boas decisões financeiras. Alguns ficam "paralisados" porque estão superpreparados e outros pelo contrário, porque "não estudaram na universidade, o que os faz sentir menos inteligentes" — quando inteligência "é, na verdade, a capacidade de aprender com o que está acontecendo, ajustar-se e melhorar", defende Quintero. "A paralisia da análise", explica ela, é frequentemente vivida por pessoas altamente analíticas: "Estou sem o último relatório, o gráfico mais recente, a última atualização. É como se a mente analítica tivesse tomado essas pessoas." Pessoas assim, segundo a especialista, têm a tendência de tomar decisões considerando "os outros". Por isso, enquanto nas finanças tradicionais se busca a maximização dos lucros, nas neurofinanças fala-se em "retornos satisfatórios", completa. Veja os VÍDEOS mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias: Veja Mais

Acordar mais tarde pode ajudar a diminuir a enxaqueca em adolescentes, aponta estudo

Glogo - Ciência Estudo realizado nos Estados Unidos aponta que adolescentes que dormiam mais, manifestaram menos dores de cabeça. Os pesquisadores relacionaram o horário de início do período escolar e a frequência das crises de enxaqueca. Pesquisadores acompanharam a rotina de cerca de mil adolescentes Unsplash Um estudo realizado pelo centro médico da Universidade de San Francisco, na Califórnia, aponta que adolescentes que tiveram mais horas de sono por irem à escola mais tarde diminuíram a quantidade de dores de cabeça durante a semana. Os pesquisadores descobriram que os adolescentes com enxaqueca - que estudavam durante a manhã - tiveram uma média de 7 dias de dor de cabeça por mês. Isso foi quase três dias a mais de dor de cabeça do que aqueles com horários escolares mais tardios. O estudo concluiu que dormir o suficiente e manter um horário regular de sono pode reduzir a frequência das enxaquecas. Foram recrutados cerca de mil alunos do ensino médio por meio das redes sociais para identificar a relação entre o horário de início do período escolar e a frequência da enxaqueca. Os voluntários foram separados em dois grupos: 509 alunos que começaram as aulas antes das 8h30 e 503 que começavam a estudar após esse horário. Foi considerado o horário em que os estudantes iam dormir e o tempo de deslocamento de casa até a escola: Ambos os grupos tinham uma média de 24 minutos de deslocamento para a escola O primeiro grupo acordava às 6h25 e começava a escola às 7h56 O segundo grupo acordava um pouco mais tarde, às 7h11 e começando a escola às 8h43. O grupo que começou mais tarde foi para a cama mais cedo nas noites de escola - em média às 22h19, contra 22h58 no grupo que começou mais cedo. Os voluntários que acordavam mais cedo, registraram em média 7 dias de dores de cabeça por mês, enquanto o segundo grupo teve uma média de 4 dias. A diferença diminuiu para 7 e 5 dias quando os pesquisadores ajustaram para fatores de risco, como sono inadequado, se tomavam café da manhã, sexo, série, volume de trabalhos de casa, uso de medicamentos para enxaqueca. Relógio biológico Especialista dá dicas de como dormir bem Os especialistas apontam que a rotina dos adolescentes não responde ao relógio biológico (ou circadiano) natural. Isso significa que os jovens estão indo dormir cada vez mais tarde, mas o horário de acordar não foi modificado. Como consequência, eles não dormem a quantidade suficiente. Em resposta ao atraso do relógio circadiano dos adolescentes, a Academia Americana de Pediatras, emitiu uma série de recomendações para que as escolas de ensino fundamental e médio nos Estados Unidos, passem a iniciar as aulas após às 8h30. No entanto, apenas 18% das escolas públicas de ensino fundamental e médio aderiram a essa recomendação, de acordo com Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Além de apresentarem sonolência, irritação e em alguns casos até prejudicar a rotina, o estudo sugere que esse fator também aumenta a incidência de crises de enxaqueca. Vídeos: Viva Você Veja Mais

Pazuello diz que números mostram 'repique' da pandemia: 'cuidado para não sermos enganados'

Glogo - Ciência Ministro da Saúde apresentou sua versão do que seriam as 4 ondas da pandemia, mas descartou que aumento dos casos verificado atualmente seja o início de uma segunda onda. Ministro da Saúde comenta Plano Nacional de Imunização e recursos para combate à Covid-19 Quinze dias depois daquele que tinha sido seu último pronunciamento em Brasília, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse nesta quinta-feira (26) que os números da Covid-19 no Brasil mostram um "repique" da doença. A taxa de transmissão do Brasil é a mais alta desde maio, segundo dados do Imperial College de Londres, no Reino Unido, e especialistas já alertam que vivemos uma segunda onda da pandemia. No evento desta quinta-feira, o ministro - militar da ativa especialista em logística - não respondeu perguntas de jornalistas e não tratou do problema com os 7 milhões de testes estocados pelo ministério e que estão perto de perder a validade. "Estamos falando de repique de contaminações e mortos em algumas regiões. Sim, é só acompanhar os dados no nosso site. No Sul e no Sudeste do país o repique é mais claro. E no Norte e Nordeste é bem menos impactante, com algumas cidades fora da curva. No Centro-Oeste ele é bem mais no meio do caminho. Sim. Isso é um repique da nossa pandemia." CRESCIMENTO: Brasil tem 170,8 mil mortes por Covid com tendência de alta em 12 estados TESTES ENCALHADOS: Ministério adia reunião mensal com gestores de saúde Pazuello afirmou que o país viverá quatro ondas na pandemia, mas o conceito usado por ele é diferente do aplicado por epidemiologistas e infectologistas. "Nós teremos quatro ondas, cuidado para não sermos enganados", disse. Segundo o ministro, a classificação por ele adotada é a seguinte: a primeira onda trata do avanço da doença. "A primeira (onda) é exatamente a contaminação, as mortes, tudo que aconteceu e vem acontecendo com o repique. Isso é uma onda que pode ter um, dois repiques. Mas é uma onda" - Eduardo Pazuello, ministro da Saúde Na segunda onda, segundo Pazuello, estão as doenças que ficaram impactadas por causa da pandemia. "A segunda onda - que é tão grave quanto a primeira - são as doenças que ficaram impactadas. Temos muitas pessoas que não se trataram corretamente." - Eduardo Pazuello Na terceira onda, de acordo com a classificação adotada pelo ministro, estão os casos de violência doméstica. "A terceira onda é muito interna, porque é dentro da família. Tem a ver com o aumento da violência doméstica, feminicídios, estupros. Isso acontece dentro de casa, com o isolamento e crise econômica", disse Pazuello. Ainda segundo o ministro, a quarta onda é o aumento de casos de automutilação e suicídios. "Não confundam ondas com novos surtos", disse Pazuello. O ministro citou que o que vive atualmente a Europa é um novo surto associado a uma mutação do coronavírus. "Lá é um novo surto que pode virar endemia e depois pandemia e pode se confundir com as ondas da primeira. Então, o troço é grave. Ele vai numa linha e precisamos estar atentos", completou Pazuello. Apesar de ter sido identificada uma mutação, especialistas não associam a mudança no vírus ao que consideram ser uma segunda onda na Europa. Plano de vacinação O ministro também abordou brevemente o plano nacional de imunização, que é alvo de cobranças do Tribunal de Contas da União (TCU). "Quando tivermos dados logísticos das vacinas, a gente fecha o plano", disse o ministro. "Precisamos aproximar um pouco mais da chegada para fechar o plano logístico", completou Pazuello, lembrando que outros aspectos já estão definidos, como público-alvo e outros detalhes. Sobre recursos, Pazuello disse que o Ministério da Saúde tem R$ 6 bilhões em verba para enfrentamento da Covid. Ele citou que o recurso será usado para leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), para bancar cirurgias e tratamentos que ficaram travados durante a pandemia e para a conclusão e execução do plano de vacinação. "Os recursos que temos vou empregar no reforço de UTIs, no reforço do atendimento das cirurgias e tratamentos que ficaram impactados", disse Pazuello. VÍDEOS: novidades sobre vacinas contra a Covid-19 Initial plugin text Veja Mais

Escócia se torna primeiro país do mundo a oferecer absorventes e tampões de graça

Glogo - Ciência Parlamento escocês aprovou por unanimidade projeto de lei na terça-feira (24/11); autoridades locais agora têm dever legal de garantir que produtos menstruais estejam disponíveis para "quem precisar deles". Parlamento escocês aprovou por unanimidade projeto de lei na terça-feira (24/11) Getty Images via BBC A Escócia se tornou o primeiro país do mundo a oferecer produtos menstruais gratuitos de forma universal. O Parlamento escocês aprovou por unanimidade o projeto de lei na terça-feira (24/11). As autoridades locais agora têm o dever legal de garantir que itens como absorventes femininos e tampões íntimos estejam disponíveis para "quem precisar deles". O projeto foi apresentado pela parlamentar Monica Lennon, do Partido Trabalhista. Ela tem feito campanha para acabar com a chamada 'pobreza menstrual' desde 2016. Parlamentar escocesa Monica Lennon foi autora do projeto de lei Getty Images via BBC Lennon disse se tratar de uma legislação "prática e progressiva" e que se tornou ainda mais importante por causa da pandemia do coronavírus. "As menstruações não param por causa das pandemias e o trabalho para melhorar o acesso a absorventes nunca foi tão importante", acrescentou. O que é a pobreza menstrual? A pobreza menstrual é quando aquelas com baixos rendimentos não podem pagar ou ter acesso a produtos menstruais adequados. Com menstruações de cerca de cinco dias, em média, uma mulher pode gastar até oito libras (R$ 56) por mês em absorventes internos e externos no Reino Unido. Algumas não conseguem pagar por isso. Qual o impacto da menstruação na saúda da mulher? Ginecologista Ana Lúcia Beltrame comenta Qual é o tamanho do problema? Uma sondagem com mais de 2 mil pessoas constatou que cerca de uma em cada quatro entrevistadas na escola, faculdade ou universidade na Escócia tinha dificuldade para acessar produtos menstruais. Enquanto isso, a pesquisa também mostrou que cerca de 10% das meninas no Reino Unido não conseguiam comprar produtos menstruais; 15% têm dificuldade em comprá-los; e 19% tiveram que optar por comprar um produto menos adequado devido ao custo. Assim como a pobreza menstrual, a lei aprovada aborda o estigma envolvendo a menstruação. Para os especialistas, o problema afeta especialmente as meninas. Eles descobriram que 71% das jovens de 14 a 21 anos se sentiam constrangidas ao comprar produtos menstruais. O impacto na educação é outra área que a nova lei pretende abordar — com a constatação de que quase metade das meninas entrevistadas faltou à escola por causa da menstruação. Impacto financeiro A lei aprovada de Produtos Menstruais impõe às autoridades locais uma obrigação legal de garantir que qualquer pessoa que precise de produtos menstruais possa obtê-los gratuitamente. Caberá aos 32 conselhos do país decidir quais arranjos práticos serão implementados, mas eles devem dar acesso a diferentes tipos de produtos menstruais "de forma razoável e fácil" e "com "dignidade" a "qualquer um que deles precise". Esquema de distribuição gratuita de preservativos pode ser usado como modelo para produtos menstruais Getty Images via BBC Uma das propostas é usar o mesmo modelo pelo qual preservativos são distribuídos gratuitamente hoje. Esse modelo deve começar a funcionar dentro de dois anos depois da aprovação do projeto de lei. O projeto diz que os ministros podem, no futuro, atribuir a outros "órgãos de serviço público específicos" o fornecimento de produtos gratuitos. Também consagra em lei o fornecimento gratuito de produtos menstruais em escolas, faculdades e universidades. Isso já está acontecendo — a Escócia foi o primeiro país do mundo a disponibilizar produtos menstruais gratuitamente em escolas, faculdades e universidades. O que já foi feito para combater a pobreza menstrual? Atualmente, absorventes internos e externos, bem como alguns produtos reutilizáveis são financiados em escolas, faculdades e universidades na Escócia. O governo escocês forneceu um financiamento de 5,2 milhões de libras (R$ 36 milhões) para apoiar essa medida, com 500 mil libras (R$ 3,5 milhões) sendo concedidas à instituição de caridade FareShare para entregar produtos gratuitos para famílias de baixa renda. Em alguns locais, incluindo vários pubs e restaurantes, os produtos já são fornecidos gratuitamente pelos proprietários. Este é um gesto de boa vontade e não uma exigência. O que acontece no restante do mundo? O governo do Reino Unido tem sua própria força-tarefa contra a pobreza durante a menstruação, com o objetivo principal de combater o estigma e a educação em torno do assunto. Ele também quer melhorar a acessibilidade dos produtos menstruais. Produtos menstruais gratuitos foram disponibilizados em todas as escolas primárias e secundárias na Inglaterra em janeiro. Desde 2001, o IVA (Imposto sobre Valor Agregado) é cobrado sobre produtos menstruais a uma taxa de 5% no Reino Unido — e as regras da União Europeia impedem que essa taxa seja abolida ou reduzida ainda mais. No entanto, nos últimos cinco anos, o governo britânico encaminhou o dinheiro arrecadado pelo IVA sobre produtos menstruais em um fundo de imposto de absorvente interno que é usado para apoiar organizações de mulheres e instituições de caridade. Agora que o Reino Unido deixou a UE, caberá ao governo definir a taxa de IVA cobrada sobre os produtos menstruais — com os ministros dizendo que querem eliminar completamente o imposto sobre os produtos sanitários femininos na primeira oportunidade. Nos EUA, vários Estados aprovaram leis que obrigam o fornecimento desses produtos de forma gratuita nas escolas. Vários outros países reduziram ou eliminaram impostos sobre produtos menstruais — incluindo Quênia, Canadá, Austrália, Índia, Colômbia, Malásia, Nicarágua, Jamaica, Nigéria, Uganda, Líbano e Trinidad e Tobago. No Brasil, ainda há a cobrança de tributos como o ICMS (de competência estadual) sobre absorventes femininos e tampões íntimos Getty Images via BBC E no Brasil? No Brasil, a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto 8.950/16, já estabelece alíquota zero para esses produtos. Mas um projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados quer tornar lei o que hoje está disposto em decreto — um ato exclusivo do chefe do Poder Executivo que não passa por discussão e aprovação do Poder Legislativo, com menor força normativa que a lei. De autoria do deputado André Fufuca (PP-MA), o projeto de Lei 3.085/19 prevê isenção de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os absorventes femininos. No Brasil, ainda há a cobrança de tributos como o ICMS (de competência estadual) sobre absorventes femininos e tampões íntimos. Bem Estar explica o que é a menstruação e desvenda mitos e verdades VÍDEOS: Mais vistos do G1 Veja Mais

Mercado continua alheio ao potencial de consumo dos 50 mais

Glogo - Ciência Estudo da Fundação Dom Cabral mostra o impacto da economia prateada nos negócios Na semana passada, foi divulgado estudo sobre o impacto da economia prateada na inovação e nos negócios. Realizado pela Fundação Dom Cabral (FDC), que tem um braço dedicado à longevidade, e pela Hype50+, o trabalho mostra, com todos os números e letras, a dimensão do mercado de consumidores maduros – e como este continua sendo visto com lentes míopes por empreendedores e investidores. “O conceito de velho ficou velho”, disse Layla Vallias, cofundadora da Hype50+. “Há uma geração que nem imaginava chegar tão bem à casa dos 60 ou 70 anos, que se permite autoindulgências e quer se divertir. Isso se aplica a todas as classes e raças. São pessoas ativas, que usam internet com desenvoltura, e é preciso saber encantar esse público, com novos serviços financeiros, educacionais e de saúde”, completou. Mercado 50 mais: à espera de produtos e serviços Ahmad Ardity para Pixabay Há uma diferença entre a economia prateada e a economia da longevidade: a primeira representa o consumo dos 50 mais e, de acordo com a Oxford Economics Group, empresa de consultoria e análise, equivaleria à terceira economia do mundo, só atrás da dos EUA e da China. Já a segunda engloba os produtos e serviços que visem à construção de uma existência longa e ativa, o que pode incluir todas as faixas etárias. Quando se fala de Brasil, em estados como o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul, o contingente acima dos 60 excede o de crianças e adolescentes até os 14 anos, e o mercado prateado deve movimentar cerca de R$ 1.8 trilhão em 2020, segundo o Instituto Locomotiva. De acordo com o estudo, apesar de terem dinheiro e vontade de consumir, quatro em cada dez brasileiros 55 mais reclamam que faltam produtos e serviços que satisfaçam suas demandas. É a mesma avaliação do investidor Edson Rigonatti, autor de “A jornada do empreendedor: o herói da nossa era”, em parceria com Laura Constantini e Martino Bagini, e um dos entrevistados para o levantamento: “os fundos têm dinheiro, estão esperando bons produtos”. O professor Carlos Arruda, da FDC, afirmou que, para a faixa entre 60 e 70, os produtos não deveriam focar apenas na área da saúde: “um bom exemplo são as soluções financeiras diversificadas, assim como serviços de lazer, entretenimento e oportunidades para usar o conhecimento”. A invisibilidade dos maduros é visível nas campanhas publicitárias, que não incluem personagens dessa faixa etária; e nos pontos de venda, que não levam em conta acessibilidade, a iluminação das lojas e o atendimento. Regras de ouro que deveriam ser seguidas: em primeiro lugar, os mais velhos são diversos, não se pode pensar neles como um bloco; é fundamental usar imagens de gente real, com quem é possível se identificar; o design é rei, a usabilidade rainha, ou seja, tenha bom gosto e simplifique sua utilização. Por último, um conselho: nunca usar a expressão “melhor idade”. O estudo prefere “maduros”, porque remete a experiência, no lugar de idosos. Infelizmente, isso é um sinal do preconceito, tão internalizado, que as próprias pessoas rejeitam a nomenclatura que define a fase da vida na qual se encontram. Veja Mais

Brasileiros ficaram 'cansados' das medidas de restrição ao coronavírus, aponta relatório de Oxford

Glogo - Ciência Cientistas apontam que as medidas restritivas, ainda que continuem em vigor, não têm a mesma efetividade que no início da pandemia. Risco com reabertura ainda é alto para todas as regiões do país. Ferramenta vai ajudar a saber se as medidas de combate à Covid no Brasil estão funcionando Um relatório da Universidade de Oxford, no Reino Unido, aponta que os brasileiros mostraram uma "fadiga" com as medidas de contenção ao novo coronavírus (Sars-CoV-2) com o passar dos meses da pandemia. No documento, publicado na terça-feira (24), os cientistas alertam que, no nível estadual e municipal, as políticas contra a Covid-19 permanecem eficazes, mas todas as regiões do Brasil ainda correm risco alto com a reabertura de atividades. O relatório marca a estreia de uma ferramenta de dados (https://www.bsg.ox.ac.uk/research/research-projects/brazils-covid-19-policy-response) que a partir de agora vai ajudar a saber se as medidas de combate à Covid-19 aqui no Brasil estão sendo eficazes. A ferramenta foi criada por pesquisadores da universidade de oxford em parceria com cientistas de universidades brasileiras. Considerando dados de diversas bases – sobre mobilidade, testagem, número de casos e medidas de restrição – os cientistas perceberam que as pessoas passaram a sair mais de casa entre março e setembro (dados mais recentes disponíveis). "Por um lado, as medidas são efetivas no sentido que a gente vê uma mudança no comportamento das pessoas com base nesses índices [de mobilidade]. Uma análise estatística de deslocamento mostra que sim, teve um impacto – mas, de uma forma muito preocupante, esse impacto diminui ao longo do tempo. As pessoas foram ficando cansadas de alguma forma", explica Beatriz Kira, pesquisadora brasileira em Oxfrod e uma das autoras do relatório. Usando dados de mobilidade, eles perceberam que, por exemplo, enquanto os índices de pessoas ficando em casa chegou a índices de 50% em abril, em setembro esse percentual passou a ficar abaixo de 40%. VÍDEOS: Mais assistidos do G1 nos últimos dias Veja Mais

Como é a missão chinesa para a Lua que foi vista no céu do Nordeste brasileiro

Glogo - Ciência Meteoro, nave alienígena, balão, míssil, foguete? Era "apenas" um fenômeno ligado à queima de combustível do mais recente avanço do programa espacial chinês: uma missão não tripulada até a Lua para tentar coletar amostras de rochas e de "solo" e preparar terreno para missões com humanos. Lançamento da missão chinesa não tripulada até a Lua para tentar coletar amostras de rochas. EPA via BBC O clarão que pôde ser visto no céu de pelo menos cinco Estados do Nordeste brasileiro eram incomum, mas as hipóteses pipocaram nas redes sociais eram as de sempre: meteoro, nave alienígena, balão, míssil, foguete? Era "apenas" um fenômeno ligado à queima de combustível do mais recente avanço do programa espacial chinês: uma missão não tripulada até a Lua para tentar coletar amostras de rochas e de "solo" e preparar terreno para missões com humanos. A espaçonave Chang'e-5 partiu do complexo de lançamento de Wenchang, no Nordeste chinês, em um foguete Long March 5 na manhã de terça-feira (24/11) e, caso seja bem-sucedida, deverá retornar à Terra em meados de dezembro. Initial plugin text A última vez em que a humanidade trouxe amostras de rocha e do "solo" lunar para análise se deu há mais de 40 anos, com missões americanas e soviéticas. Agora, a China pretende se tornar o terceiro país a alcançar essa façanha, mas a empreitada é extremamente complexa. Essa missão tem diversas etapas, que envolvem um orbitador, um módulo de pouso e de decolagem e, finalmente, um componente de retorno que usa uma cápsula para resistir a uma entrada rápida e quente na atmosfera da Terra ao final da missão. O otimismo é elevado depois de uma série de missões lunares bem-sucedidas que começaram há pouco mais de uma década com satélites. Estes foram seguidos por combinações de veículo espacial lunar, com o mais recente, Chang'e-4, fazendo um pouso suave no outro lado da Lua, algo que nenhuma nação com programa espacial havia realizado antes. Corrida entre União Soviética e EUA pelo primeiro pouso na Lua durou 15 anos; relembre Apollo 11: A célebre sala de controle da missão que levou o homem à Lua pela primeira vez Veja minuto a minuto como foi a chegada do homem à Lua há 50 anos O Chang'e-5 terá como alvo um local próximo chamado Mons Rümker, um complexo vulcânico em uma região conhecida como Oceanus Procellarum. As rochas neste local são consideradas muito jovens em comparação com as coletadas pelos astronautas da Apollo dos EUA e pelos robôs soviéticos Luna. Algo como talvez 1,3 bilhão de anos contra as rochas de 3 a 4 bilhões de anos recolhidas nas missões anteriores. Isso dará aos cientistas outra fonte de dados para o método que usam para estimar a idade de eventos no Sistema Solar. Essencialmente, os pesquisadores contam as crateras. Quanto mais velha a superfície, mais crateras ela tem. E quanto mais jovem a superfície, menos ela tem. "A Lua é como se fosse nosso cronômetro do Sistema Solar", explicou o Dr. Neil Bowles, da Universidade de Oxford, no Reino Unido. "As amostras coletadas pelas missões Apollo e Luna vieram de locais conhecidos e foram datadas radiometricamente com muita precisão, e pudemos vincular essa informação à taxa de crateras e extrapolar as idades para outras superfícies do Sistema Solar." As novas amostras do Chang'e-5 também devem ampliar nossa compreensão da história vulcânica da Lua, afirmou Katie Joy, da Universidade de Manchester, no Reino Unido. China declara que lançamento da missão para colher amostras do solo da Lua foi um sucesso "A missão está sendo enviada para uma área onde sabemos que ocorreram erupções de vulcões no passado. Queremos saber exatamente quando foi isso", disse à BBC News. "Este registro nos fala sobre a história magmática e térmica da Lua ao longo do tempo, e a partir disso podemos começar a responder a perguntas mais amplas sobre quando o vulcanismo e o magmatismo estavam ocorrendo em todos os planetas do Sistema Solar e por que a Lua poderia ter se esgotado de energia por produzir vulcões mais cedo do que alguns desses outros corpos." Quando o Chang'e-5 chegar à Lua, ele entrará em órbita. Um módulo de pouso se desconectará e fará uma descida. Uma vez ali, os equipamentos irão analisar os arredores antes de recolher algum material da superfície. A sonda também tem a capacidade de perfurar o solo, ou regolito. Um veículo de decolagem levará as amostras de volta para o veículo em órbita. Equipe da agência espacial chinesa comemora lançamento bem-sucedido da Chang'e-5. SHUTTERSTOCK via BBC É neste estágio que uma complexa transferência deve ser executada, embalando a rocha e o solo em uma cápsula para o envio de volta à Terra. Uma nave direcionará a cápsula para entrar na atmosfera sobre a Mongólia. Cada fase é difícil, mas a arquitetura é bastante semelhante às missões humanas à Lua nos anos 1960/70. A China está se desenvolvendo de olho nesse objetivo. "Você certamente pode ver a analogia entre o que está sendo feito na missão Chang'e-5, em termos dos diferentes elementos e sua interação uns com os outros, e o que seria necessário para uma missão humana", afirmou James Carpenter, coordenador científico para exploração humana e robótica da Agência Espacial Europeia. "Estamos vendo agora uma expansão extraordinária na atividade lunar. Temos o programa Artemis liderado pelos EUA (para levar astronautas de volta à Lua) e as parcerias em torno disso; os chineses com seu programa de exploração bastante ambicioso; e muitos outros novos atores (como a Índia, os Emirados Árabes Unidos e a União Europeia)." VÍDEOS: os mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias Veja Mais

Taxa de transmissão da Covid-19 no Brasil é a maior desde maio, aponta Imperial College

Glogo - Ciência Índice que mede o ritmo de contágio (Rt) passou de 1,10, em 16 de novembro, para 1,30 no balanço divulgado nesta terça-feira (24). Taxa de transmissão da Covid-19 no Brasil é a maior desde maio, aponta estudo A taxa de transmissão (Rt) do novo coronavírus (Sars-CoV-2) para esta semana no Brasil é a maior desde maio, apontam dados do Imperial College de Londres, no Reino Unido. A atualização da estimativa foi divulgada nesta terça-feira (24) e se refere à semana que começou na segunda (23). O relatório mostra que o índice está em 1,30. Isso significa que cada 100 pessoas contaminadas transmitem o vírus para outras 130 pessoas. Pela margem de erro das estatísticas, essa taxa pode ser maior (Rt de até 1,45) ou menor (Rt de 0,86). Nesses cenários, cada 100 pessoas com o vírus infectariam outras 145 ou 86, respectivamente. Infográfico mostra taxa de transmissão (Rt) do novo coronavírus (Sars-CoV-2) no Brasil, segundo Imperial College de Londres Fernanda Garrafiel/G1 A última vez que a taxa de transmissão no Brasil esteve tão alta foi na semana de 24 de maio, quando atingiu 1,31, segundo dados levantados pelo G1. O valor máximo possível naquela data, considerando a margem de erro, foi de 1,34. A última vez que a taxa máxima de transmissão no país foi maior do que a vista nesta semana foi na semana de 17 de maio. Naquela data, o Rt estava, de novo, em 1,30, mas o valor máximo podia chegar até 1,47, segundo a margem de erro. Os cientistas apontam que "a notificação de mortes e casos no Brasil está mudando; os resultados devem ser interpretados com cautela". Brasil vive 'início de 2ª onda' de Covid por falta de testes, de política centralizada e de isolamento social, apontam pesquisadores Simbolizado por Rt, o "ritmo de contágio" é um número que traduz o potencial de propagação de um vírus: quando ele é superior a 1, cada infectado transmite a doença para mais de uma pessoa e a doença avança. Depois de ficar abaixo de 1 por cinco semanas seguidas – entre o final de setembro e o final de outubro – , a taxa no Brasil voltou a ficar acima de 1 no início de novembro. Há duas semanas, o número ficou em 0,68, o menor valor desde abril – mas a data coincide com o apagão de dados que atrasou a atualização de casos e mortes por Covid-19 pelo Ministério da Saúde. Como o Rt também considera esses dados, isso afeta as estimativas. Segunda onda Brasil já enfrenta segunda onda do coronavírus, afirmam cientistas em nota técnica Na segunda-feira (23), pesquisadores brasileiros divulgaram uma nota técnica na qual, baseados em dados da pandemia do novo coronavírus no Brasil, afirmam que o país vive o "início de uma 2ª onda". Eles apontaram ao menos três fatores para o "aumento explosivo" ou "manutenção da grande circulação do vírus": falta de "testagem sistemática com rastreamento de casos"; falta de uma "política central coordenada, clara e eficaz de enfrentamento da situação"; "afrouxamento das medidas de isolamento sem evidências empíricas, sem uma análise cuidadosa por uma painel de especialistas". O Brasil tinha 169.541 mortes por coronavírus confirmadas até as 8h desta terça-feira (24), segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. O número é o segundo maior do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Taxa maior para São Paulo Além da estimativa do Imperial College de Londres, pesquisadores brasileiros também monitoram o Rt. Cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) calcularam, para esta semana, um Rt de 1,64 para o estado de São Paulo. Eles preveem um provável aumento no número de infectados no estado. AUMENTO: 'Brasil já está na 2ª onda de Covid-19', diz pesquisador da USP Dados da Secretaria de Saúde do estado mostram que as internações por Covid-19 voltaram a crescer na última semana – com um aumento de 17% nas internações entre os dias 15 e 21 de novembro. O crescimento veio mesmo após aumento de 18% na semana anterior, de 8 a 14 de novembro. VÍDEOS: novidades sobre as vacinas Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 24 de novembro, segundo consórcio de veículos de imprensa (atualização das 8h)

Glogo - Ciência País tem 169.541 óbitos e 6.088.031 diagnósticos pela Covid-19. Brasil registra 169.541 mil mortes causadas pela Covid-19 O Brasil tem 169.541 mortes por coronavírus confirmadas até as 8h desta terça-feira (24), segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Desde o balanço das 20h de segunda-feira (23), 1 estado atualizou seus dados: Goiás. Veja os números consolidados: 169.541 mortes confirmadas 6.088.031 casos confirmados Na segunda-feira, às 20h, o balanço indicou: 169.541 mortes, 344 em 24 horas. Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 496. A variação foi de 51% em comparação à média de 14 dias atrás, indicando tendência de alta nas mortes por Covid. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 6.088.004 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 17.585 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 30.181 novos diagnósticos por dia, uma variação de 57% em relação aos casos registrados em duas semanas. Progressão até 23 de novembro Onze estados apresentaram alta na média móvel de mortes: RS, SC, MG, ES, RJ, SP, GO, MS, AM, RR e CE. A partir desta semana, é necessário relembrar o problema ocorrido no sistema nacional de registros de mortes e casos de Covid-19 do Ministério da Saúde, que teve início no dia 6 de novembro. Diversos estados relataram dificuldades de acesso ao e-SUS e divulgaram dados incompletos ou até mesmo ficaram sem atualizações diárias durante alguns dias. Foi o caso de SP, estado mais afetado pela pandemia em números absolutos, que não teve mortes registradas durante 5 dias seguidos. Nos próximos dias, essa ausência de atualizações e os números incompletos terão reflexo nos percentuais indicativos de tendência de alta, estabilidade ou baixa nas mortes, nos estados afetados naquela semana, e consequentemente também nos percentuais da tendência nacional nas mortes e nos novos diagnósticos. Também vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Brasil, 23 de novembro Total de mortes: 169.541 Registro de mortes em 24 horas: 344 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 496 (variação em 14 dias: 51%) Total de casos confirmados: 6.088.004 Registro de casos confirmados em 24 horas: 17.585 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 30.181 por dia (variação em 14 dias: 57%) (Antes do balanço das 20h, o consórcio divulgou dois boletins parciais, às 8h, com 169.205 mortes e 6.071.584 casos; e às 13h, com 169.213 mortes e 6.073.058 casos confirmados.) Estados Subindo (11 estados): RS, SC, MG, ES, RJ, SP, GO, MS, AM, RR e CE Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (6 estados): PA, RO, BA, MA, PB e PI Em queda (10 estados): PR, DF, MT, AC, AP, TO, AL, PE, RN e SE Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Sul PR: -37% RS: +79% SC: +58% Sudeste ES: +55% MG: +80% RJ: +186% SP: +98% Centro-Oeste DF: -16% GO: +142% MS:+21% MT:-24% Norte AC:-33% AM:+27% AP: -20% PA:+6% RO:-14% RR:+500% TO: -27% Nordeste AL: -18% BA: +5% CE: +39% MA: -5% PB: -4% PE: -27% PI: +11% RN: -29% SE: -17% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja Mais

Jovens devem levar Covid-19 a sério, diz mulher que sofre com sequelas da gripe suína uma década depois

Glogo - Ciência Saffra Monteiro, de 26 anos, acredita que contraiu H1N1 de alguém que espirrou nela em um consultório médico quando ela tinha apenas 15 anos e nenhum outro problema de saúde. Saffra Monteiro, de 26 anos, acredita que contraiu H1N1 de alguém que espirrou nela em um consultório médico BBC Uma britânica que quase morreu após contrair a gripe suína quando adolescente, há 10 anos, defende que jovens comecem a levar vírus, incluindo o que provoca a Covid-19, mais a sério. "Vejo muitos jovens que não usam máscaras... Sim, eles podem e devem usar", diz Saffra Monteiro, de 26 anos, em entrevista à BBC. "Não só por pessoas como eu (do grupo de risco), mas por eles mesmos. Não deveria nem ser uma questão de (respeitar) outras pessoas, deveria ser sobre respeitar a si mesmo", acrescenta. Monteiro acredita que contraiu o vírus da H1N1 de alguém que espirrou nela em um consultório médico quando ela tinha 15 anos. "Em 2010, eu contraí a gripe suína. E ela quase me matou. Eu fiquei muito, muito doente. Não era o que você esperaria, considerando que eu tinha 15 anos e era saudável". "O homem sentado ao meu lado na sala de espera estava claramente muito doente e espirrava para todo o lado. Três dias depois, eu fiquei muito, muito mal". "Minha mãe me levou ao médico. Eles colheram uma amostra e no dia seguinte eu testei positivo para H1N1. Naquele momento, não me lembro de nada, porque eu desmaiei e fui levada ao hospital". Estima-se que a epidemia de gripe suína tenha matado 200 mil pessoas ao redor do mundo, das quais 2 mil no Brasil. Pacientes de Covid-19 podem ficar internados por muito tempo e com sequelas da doença Sequelas persistentes Monteiro diz que o vírus a deixou tão mal que ela passou meses sendo internada e recebendo alta do hospital — e convive com os efeitos disso até hoje. "Passei semanas entrando e saindo do hospital e essa era a minha vida. Quando eu não estava hospitalizada, estava em casa, no meu quarto, na minha cama ou no sofá, com dor e vomitando", lembra. "A doença danificou minha cavidade nasal, então eu tusso todo o tipo de catarro nojento agora. Tenho problemas com o meu sistema digestivo. Dois anos depois de contrair a gripe suína, tinha convulsões praticamente todos os dias. E sofri várias concussões por causa disso. Tenho que tomar medicamentos e há muitas coisas normais que eu não consigo fazer", conta. Os efeitos do vírus impediram Monteiro de trabalhar em tempo integral. Ela passa parte do dia em casa, cuidando de porcos-espinho resgatados. "Agora, tenho 26 anos e nada mudou. Ainda sofro os efeitos que a doença me causou e estou praticamente cuidando de mim mesma sem ajuda de ninguém. Por outro lado, as vítimas da Covid-19 estão recebendo muita ajuda. (...) É complicado quando você assiste à TV e vê toda a atenção voltada para a Covid-19 e a atenção que eles (governo) vão dar a todo mundo que sofreu com isso. E eu me sinto como se estivesse de pé balançando meus braços e perguntando: 'E eu?'", diz. Em resposta, o governo britânico afirmou que apoia o NHS (Serviço Nacional de Saúde) para "garantir que os indivíduos tenham o nível certo de cuidados para ajudar a administrar suas condições" e disse que financia pesquisas em doenças infecciosas, incluindo a gripe suína. Veja VÍDEOS de Ciência e Saúde Veja Mais

Morre um dos criadores do desafio do balde de gelo

Glogo - Ciência Pat Quinn tinha 37 anos e foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica em 2013. Brincadeira que viralizou ajudou a levantar mais de US$ 200 milhões para pesquisas no combate à doença. Pat Quinn, co-fundador do desafio do balde de gelo, em foto de 2019. Ele morreu neste domingo, 22 de novembro Scott Kauffman/The ALS Association via AP Um dos criadores do desafio do balde de gelo, Pat Quinn, morreu no domingo (22) aos 37 anos. Ele ajudou a idealizar a brincadeira que viralizou para arrecadar fundos para a pesquisa sobre a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) e conscientizar as pessoas sobre a doença. Quinn recebeu o diagnóstico de ELA em 2013, um mês antes de completar 30 anos. Segundo a associação nos Estados Unidos que divulgou o desafio, ele lutou contra a doença "com muita positividade e coragem, e inspirou a todos à sua volta". A associação ALS, que comunicou a morte de Quinn, não divulgou o local do falecimento do ativista. Ele vivia em Yonkers, cidade no estado americano de Nova York. Em 2014, Quinn e outro fundador da associação, Pete Frates, ajudaram a popularizar o desafio do balde de gelo. Juntos, conseguiram arrecadar US$ 200 mil para custear pesquisas para o combate e o tratamento à ELA. Frates morreu em dezembro do ano passado, após anos de luta contra a doença. A ELA é uma doença que afeta os neurônios motores, responsáveis pelo controle da musculatura que acompanha os ossos. Não existe hoje em dia uma cura para esta doença. Saiba como o desafio do balde de gelo começou e se espalhou O desafio do balde fez muito sucesso nas redes sociais, com milhares de pessoas participando, incluindo muitas celebridades. De Oprah Winfrey a Jeff Bezos, passando por LeBron James, Bill Gates, Steven Spielberg e Mark Zuckerberg, todos publicaram vídeos do desafio. A brincadeira consistia em derrubar um balde de gelo sobre o corpo e chamar outras pessoas para fazer o mesmo desafio. Assim, o jogo logo viralizou nas redes sociais. Esclerose Lateral Amiotrófica Infografia: Karina Almeida/G1 VÍDEOS: Os mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias Veja Mais

Levantamento do CNS aponta R$ 5,6 bilhões para combate à pandemia ainda não utilizados no orçamento do Ministério da Saúde

Glogo - Ciência Outros R$ 74,7 milhões que poderiam ter sido utilizados para enfrentar o novo coronavírus foram perdidos. Um levantamento do Conselho Nacional de Saúde (CNS) divulgado nesta sexta-feira (27) aponta que o orçamento do Ministério da Saúde tem R$ 5,6 bilhões para combate à pandemia de Covid-19 que ainda não foram utilizados. Essa verba inclui R$ 74,7 milhões que poderiam ter sido utilizados para enfrentar o novo coronavírus, mas que foram perdidos. O balanço considera dados até 24 de novembro. O CNS é uma instância do Sistema Único de Saúde (SUS) e faz parte da estrutura organizacional do próprio Ministério da Saúde. O levantamento da execução do orçamento da pasta é feito semanalmente pela Comissão de Orçamento e Financiamento (Cofin), que integra o CNS. O orçamento do Ministério da Saúde prevê R$ 43,7 bilhões para enfrentamento direto da pandemia. Os R$ 5,6 bilhões que ainda não estão empenhados – reservados para algum gasto – representam cerca de 13% desse orçamento. Mas o montante inclui cerca de R$ 74,7 milhões que não poderão mais ser empenhados pela Saúde, porque as três medidas provisórias que autorizavam seu uso perderam a validade antes de serem convertidas em lei. Duas delas venceram em julho e a terceira, em agosto. Apenas parte do valor previsto em cada uma foi empenhado (veja tabela). Medidas provisórias vencidas que previam verbas para combate à pandemia “Para nós é muito preocupante que, dos recursos de 2020, ainda tenhamos quase R$ 6 bilhões sem destinação e que, para 2021, não tenhamos sinais claros de que vamos manter esses recursos para a saúde”, destacou o conselheiro nacional de Saúde Getúlio Vargas. O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou que os recursos serão usados para reforçar UTIs, cirurgias e tratamentos atingidos pela pandemia. Na quinta-feira (26), o ministro declarou que o Brasil vive um "repique" do número de casos de Covid-19. "Temos aproximadamente R$ 6 bilhões, de todos os recursos que passamos pelo Ministério da Saúde. Esses recursos, pactuamos hoje que vamos trabalhar para incorporar com o maior número de leitos de UTI – incorporar quer dizer continuar com as UTIs feitas para a Covid-19, dentro das regras do SUS", disse o ministro. "Isso vai permitir que o Brasil dê um grande salto. Os recursos que temos vou empregar no reforço de UTIs, no reforço do atendimento das cirurgias e tratamentos que ficaram impactados", acrescentou. Veja VÍDEOS das novidades sobre vacinas contra a Covid-19: Veja Mais

'As crianças estão menos doentes do que antes': as doenças infecciosas comuns que 'sumiram' com a pandemia

Glogo - Ciência Bronquiolite, otite, gastroenterite e outras doenças que normalmente lotam as alas pediátricas dos hospitais praticamente sumiram durante os meses de quarentena, apontam estudos e médicos. Para além de mudanças nos hábitos de higiene, dados evidenciam papel dos adultos na cadeia de transmissão viral. Doenças infecciosas, muitas das quais levam a internações de crianças, deram uma trégua em meio à pandemia Getty Images via BBC Em meio às enormes dificuldades enfrentadas pelas crianças na quarentena — desde o isolamento até a interrupção nas aulas presenciais —, ao menos a maioria das famílias teve um alívio: doenças infecciosas infantis simples, como resfriados, ou graves, como bronquiolite, que lotam hospitais pediátricos, deram uma trégua em 2020. Crianças e Covid-19: veja em 7 pontos o que a ciência já sabe sobre o tema Coronavírus: crianças podem ter vírus e anticorpos ao mesmo tempo no corpo, diz estudo É o que mostram estudos científicos e relatos de hospitais e pediatras — que apontam como esse benefício indireto dentro de um período extremamente difícil pode trazer lições para redes, escolas, gestores e cidadãos comuns de olho no calendário escolar de 2021, em um momento de novos picos de contágio pela Covid-19. Na França, o médico especialista em emergências pediátricas François Angoulvant e 12 colegas começaram a coletar informações sobre visitas a seis pronto-socorros infantis de Paris e arredores a partir de março, quando o governo francês determinou um lockdown parcial e o fechamento das escolas por conta da chegada do novo coronavírus à Europa. A partir dos dados hospitalares de mais de 871,5 mil pacientes entre 2017 e 2020, Angoulvant e seus colegas observaram que as visitas e internações em pronto-socorros pediátricos caíram, respectivamente, 68% e 45% durante os meses de lockdown na França. Os resultados foram publicados em junho no periódico "Clinical Infectious Diseases". Infecções do trato urinário, que não são transmitidas pelo contato com crianças, foram usadas como grupo de controle — e não tiveram variação substancial durante a pandemia. Por conta disso, os pesquisadores acham improvável que a redução nos casos das demais doenças se deva a restrições nos transportes ou ao medo de levar as crianças aos hospitais. Mais especificamente, notou-se uma queda substancial (de mais de 70%) nos casos de doenças virais e bacterianas altamente contagiosas entre crianças, como gastroenterite aguda, resfriado comum, otite aguda e bronquiolite, em comparação com o que seria esperado para aqueles meses do ano caso não tivesse havido a quarentena e o isolamento social. Algumas dessas doenças não são apenas incômodas, como causam um grande número de internações em UTIs pediátricas. "Em geral, hospitais ficam cheios de pacientes de bronquiolite, mas não vimos isso neste ano", diz Angoulvant à BBC News Brasil. "É interessante porque não sei como vamos traduzir isso para depois (da pandemia de Covid-19), mas sabemos que temos como reduzir essa doença anualmente. Não é que eu ache que a sociedade deva viver em lockdown para sempre, mas isso levanta boas questões. As crianças estão menos doentes do que antes." Os dados da França são consistentes com o que Angoulvant diz ter ouvido de seus colegas pediatras em outros países da Europa. E parecem ter se repetido também no Brasil. Casos de bronquiolite e de outras doenças respiratórias e de contato caíram em índices semelhantes (em torno de 80%) neste ano em um dos principais hospitais infantis de São Paulo, o Sabará, informa à BBC News Brasil o infectologista Marco Aurélio Palazzi Sáfadi, coordenador do serviço de infectologia pediátrica do hospital. Em setembro, reportagem do jornal Agora São Paulo apontou reduções em internações infantis também em unidades de referência do SUS na capital, como o Hospital Municipal Menino Jesus e o Hospital do Servidor Público Estadual. As lições: da higiene ao papel dos adultos na transmissão E quais as lições disso para quando houver a retomada das aulas presenciais em larga escala? Segundo os médicos consultados pela reportagem, o primeiro aprendizado diz respeito a tornar permanentes as medidas de higiene adotadas durante a pandemia, de forma a proteger não só as crianças, mas educadores e demais adultos em contato com elas no dia a dia. "As medidas de higiene e distanciamento vieram para ficar e podem ser benéficas" mesmo depois que o novo coronavírus for superado, afirma Sáfadi. "Isso inclui aprendermos a usar máscaras sempre que tivermos sintomas gripais, assim como já costumavam fazer os asiáticos, e manter as mãos longe do rosto quando elas não estão limpas." Por sinal, lavar muito mais as mãos (preferencialmente com água e sabão em vez de apenas passar álcool) do que fazíamos antes também é um dos maiores ensinamentos da pandemia. "Estudos mostram que, se atendentes de creches e berçários lavassem mais as mãos, reduziriam muito os casos de bronquiolite e gastroenterite nas crianças, porque (ao encostar em uma e depois em outra) passam o vírus entre elas", afirma o pediatra Daniel Becker, do Instituto de Pediatria da UFRJ. "A Covid-19 traz agora para nossa consciência os conhecimentos sobre essas medidas de prevenção que podemos incorporar." A dinâmica de transmissão da Covid-19 — com risco maior em lugares fechados e com aglomerações, e por meio não apenas de gotículas de saliva, mas também pelas partículas de aerossóis que ficam suspensas no ar — evidencia, ainda, o valor dos espaços abertos na prevenção. "O aerossol é uma fumacinha da nossa respiração que pode flutuar durante horas no ar. Precisamos lembrar disso quando pensamos em atividades escolares: o melhor é que sejam ao ar livre, porque ali o aerossol é dispersado com o vento", afirma Becker. "Se a atividade não puder ser ao ar livre, que seja em salas bem ventiladas, (simultaneamente a) medidas de higiene respiratória e distanciamento social." De volta ao estudo realizado na França, a lição mais importante destacada pelo médico François Angoulvant diz respeito ao papel dos adultos nessa cadeia de transmissão. A continuação de sua pesquisa, ainda não publicada, aponta que, no fim do lockdown francês, entre junho e julho, infecções virais voltaram a subir em hospitais pediátricos, à medida que as pessoas relaxaram no distanciamento social e as aulas foram retomadas. O mais importante, porém, é que as infecções voltaram a cair em outubro, quando a França voltou a adotar medidas de quarentena — mas manteve suas escolas abertas. Para Angoulvant, o motivo disso é que, mesmo frequentando as escolas, as crianças estão interagindo com menos adultos por causa das medidas de isolamento social, impedindo que diversos vírus consigam circular em grande escala. "Claro que depende do vírus. Para o Sars-CoV-2 (vírus que causa a Covid-19), vimos que as crianças são menos afetadas e menos contagiosas do que os adultos. Em outros vírus, é o oposto: elas são mais contagiosas e espalham mais. Mas mesmo assim acho que (a escola) não causaria uma grande epidemia, porque não se trata apenas de crianças infectando crianças, é o adulto ajudando nessa cadeia." Isso, porém, desde que sejam mantidas as demais medidas de higiene e distanciamento, inclusive entre adultos no dia a dia, opina Angoulvant. "Não sou tão otimista, porque vi o que aconteceu na França em junho, quando tudo voltou ao normal (e o distanciamento e o uso de máscaras foram relaxados). Mas acho que temos de aprender essas lições." Crianças e Covid-19 No caso específico da Covid-19, o papel das crianças na cadeia de transmissão ainda não foi plenamente esclarecido, "mas as evidências até agora apontam que as pequenas (menores de dez anos) não foram identificadas como grandes vetores da doença", afirma Sáfadi, do Hospital Sabará. "Hoje, os principais vetores são os adultos jovens. A maioria não evolui mal (ou seja, tem apenas sintomas leves da Covid-19) e assume atitudes de maior risco de contágio (como festas e aglomerações)." Já as crianças maiores de dez anos parecem ter capacidade de transmissão parecida à dos jovens adultos. De modo geral, porém, alguns estudos apontam que a interação segura entre crianças (e com crianças) parece ser menos preocupante do que se pensava no início da pandemia, segundo um artigo publicado em julho na revista "Pediatrics", da Academia Americana de Pediatria. O artigo compilou pesquisas científicas feitas na Suíça, na China e na Austrália nas quais crianças diagnosticadas com Covid-19 tiveram seus contatos rastreados para tentar identificar possíveis contágios futuros. E poucos foram os episódios confirmados de transmissão criança-adulto. A partir do estudo suíço, deduziu-se que "as crianças mais frequentemente adquirem a Covid-19 de adultos do que a transmitem a eles". "Com base nesses dados, a transmissão do Sars-CoV-2 em escolas parece ser menos importante na transmissão comunitária do que se temia inicialmente", diz o artigo, de julho de 2020. "Isso seria uma outra maneira como o Sars-CoV-2 difere drasticamente do influenza (vírus da gripe), cuja transmissão em escolas é bastante reconhecida como um motor de doenças epidêmicas." Em contrapartida, um estudo de agosto dos Centros de Prevenção e Controle de Doenças dos EUA (CDC) analisou os dados de um acampamento de verão no Estado da Geórgia no mês anterior, em que 76% das crianças e monitores acabaram sendo infectados pelo coronavírus depois de uma semana de atividades e brincadeiras. Um ponto-chave, aqui, parecem ser as medidas de higiene, ventilação e distanciamento social: segundo o estudo dos CDCs, as crianças do acampamento americano não usavam máscaras, os espaços internos não tiveram sua ventilação natural aumentada e os participantes faziam "vigorosos cantos e gritos de torcida" todos os dias, potencialmente espalhando gotículas e aerossóis contaminados. No Brasil, a capacidade de escolas adotarem um conjunto semelhante de medidas preventivas — desde acesso a água potável e a higienização constante até prédios com áreas livres e boa ventilação natural — é justamente a preocupação de especialistas e professores, principalmente em um momento em que as internações e as mortes por Covid-19 têm crescido em grande parte do país e UTIs voltam a ficar lotadas. "Em escolas que tenham todas as condições adequadas, o que infelizmente não é a realidade no Brasil no momento, professores não serão grupo de risco maior do que outros profissionais", opina Daniel Becker. "Por isso, eu e um grupo de pediatras estamos em campanha por adequações urgentes nas escolas públicas. Em escolas degradadas, sem condições de higiene ou água, sabão, papel toalha, álcool gel, equipamentos de proteção individual, poucos professores para muitos alunos, aí sim o risco é maior, porque não há condições para o respeito aos protocolos de segurança." Considerando que as crianças podem estar entre os últimos grupos a receberem as vacinas, quando estas forem devidamente aprovadas, "se nada for feito, as crianças podem ficar mais um ano sem aulas, o que seria um crime contra a infância no Brasil", prossegue. "É muito importante investir pesado em escola pública agora. Temos dois ou três meses para isso, mas estamos bem em um período de transição de governos (municipais). Mas é a coisa mais importante que o Brasil pode fazer neste momento." Ao mesmo tempo, o grupo interdisciplinar Rede Escola Pública e Universidade fez, em agosto, simulações sobre a dispersão do vírus em ambientes escolares, usando São Paulo como exemplo. Levando-se em conta que populações mais vulneráveis estão mais expostas ao vírus e a densidade de pessoas (alunos e funcionários) nas escolas, o grupo concluiu que seria necessário reduzir para muito além dos 35% de estudantes permitidos pelo governo em aulas presenciais para evitar altos índices de contágio. "Além da inviabilidade prática, esta condição hipotética de reabertura 'mais segura' das escolas implicaria no aprofundamento das desigualdades educacionais em desfavor de estudantes e escolas em piores condições", diz a nota técnica do grupo. Escolas pelo mundo Crianças voltam para a sala de aula em uma escola primária em Montpellier, na França, no primeiro dia de volta às aulas em meio à pandemia de Covid-19 no país, no dia 1º de setembro. Pascal Guyot/AFP E como conciliar essas dificuldades com mais um fator: a alta de casos no Brasil e no mundo? Até o momento, diferentes países têm dado diferentes respostas. Países europeus em geral têm mantido as escolas abertas (em alguns casos, sob protestos de professores), mesmo tendo endurecido seus lockdowns novamente e restringido serviços não essenciais. Em estudo de agosto, o Centro Europeu de Prevenção de Doenças reportou que o fechamento de escolas "dificilmente daria proteção adicional à saúde das crianças". Em defesa das escolas abertas, o premiê irlandês, Micheal Martin, afirmou que "não permitiremos que o futuro de nossas crianças e jovens seja mais uma vítima dessa doença". No Reino Unido, em 27 de novembro, o epidemiologista Michael Tildesley, membro do conselho científico governamental, admitiu que houve um aumento de casos de coronavírus em escolas em algumas partes do país, mas agregou que não há evidências de "uma transmissão em larga escala". "Não estamos vendo casos das escolas se espalhando para a comunidade", afirmou. "Na verdade, há mais evidências do contrário: de casos na comunidade levarem a casos nas escolas." Já Nova York, que havia sido a primeira grande cidade americana a reabrir suas escolas públicas, decidiu fechá-las de novo a partir de 19 de novembro, diante de um grande pico de novas infecções na cidade. Na Coreia do Sul, escolas foram temporariamente fechadas entre agosto e setembro depois de quase 200 alunos e funcionários em Seul e arredores terem sido infectados. 'Bolhas de assepsia' e natureza Enquanto permanece o debate em torno das escolas, especialistas defendem que o contato das crianças com a natureza seja mantido sempre que possível (e com as devidas medidas de segurança) durante a pandemia — também para o bem da saúde infantil. Nesse sentido, não é benéfico colocar as crianças em "bolhas de assepsia", livres de qualquer tipo de contato com micróbios, defende Daniel Becker. "A maioria das infecções virais, passadas pela transmissão inter-humana, são consequência da vida em aglomerações nas cidades. Por um lado, isso é bom porque, na infância, essas infecções (nem todas: a influenza, por exemplo, pode ser muito séria) são geralmente mais leves do que na vida adulta", diz o médico. "E temos de tomar cuidado para não colocar as crianças em bolhas de assepsia: as que nunca têm contato com a lama, com a terra, não brincam na areia ou com cachorros e com a sujeira natural tendem a ficar mais doentes mais tarde. A sujeira natural é benéfica ao organismo, melhora nosso microbioma e funções corporais. Temos de evitar aglomerações e manter distanciamento, mas não evitar nosso convívio com a natureza, que é fundamental para a saúde (física e mental) das crianças — traz alegria, aprendizado, coragem e capacidade de avaliação de risco." Vídeos: novidades sobre vacinas contra a Covid-19 Initial plugin text Veja Mais

Em lágrimas, primeira-ministra da Dinamarca se desculpa por morte de visons; veja vídeo

Glogo - Ciência Especialistas temiam que variação do novo coronavírus nesses mamíferos poderia dificultar produção de vacinas. Autoridades de saúde descartaram nova ameaça, por enquanto. Primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, chora nesta quinta-feira (26) ao falar sobre visons mortos como medida para evitar propagação de mutação do SARS-CoV-2 no país Mads Nissen/Ritzau Scanpix/via Reuters Enxugando as lágrimas, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, se desculpou pessoalmente nesta quinta-feira (26) por permitir a morte de milhões de visons mantidos em criadouros para evitar o espalhamento de uma mutação do novo coronavírus. Veja o VÍDEO abaixo. Primeira-ministra lamenta abatimento de visons na Dinamarca devido ao novo coronavírus A chefe do governo visitava uma fazenda de visons no município de Kolding. Foi lá onde todos os mamíferos dessa espécie foram abatidos apesar de estarem saudáveis — algo que o Executivo não tinha direito legal de fazer, como demonstrado posteriormente (leia mais no fim da reportagem). "Não tenho problemas em me desculpar pelo curso dos acontecimentos, já que erros foram cometidos", disse Frederiksen à TV2. Com aparato de proteção, primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, (à direita) visita fazenda de visons em Kolding nesta quinta-feira (26) Mads Nissen/Ritzau Scanpix/via Reuters Visivelmente emocionada, a primeira-ministra parou várias vezes para enxugar as lágrimas, ressaltando que é importante lembrar que a culpa não é dos criadores. "É por causa do coronavírus, e espero que possa haver um pouco de luz no fim do túnel para os criadores de visons dinamarqueses neste momento", acrescentou. VISONS: Por que animais usados para casacos de pele viraram preocupação na pandemia? Morte de visons Visons são vistos em gaiolas em fazenda em Næstved, no centro-oeste da Dinamarca, nesta sexta-feira (6). Mads Claus Rasmussen / Ritzau Scanpix / AFP No início de novembro, a Dinamarca, o maior exportador mundial de peles desses mamíferos, anunciou que mais de 15 milhões de visons do país seriam sacrificados depois que foi descoberto que uma mutação do coronavírus neles poderia prejudicar a eficácia de vacinas futuras. No entanto, dias depois, o governo teve que reconhecer que não tinha base jurídica suficiente para ordenar essa medida. Mesmo assim, de acordo com o último balanço, mais de dois terços dos entre 15 e 17 milhões de visons que se estima ter no país, já foram sacrificados. O então ministro da Agricultura, Mogens Jensen, se desculpou e renunciou na semana passada. Após a renúncia, o Ministério da Saúde concluiu que a ameaça potencial às vacinas humanas estava "muito provavelmente extinta", pois não houve mais casos de animais ou humanos infectados por essa versão do vírus. Initial plugin text VÍDEOS sobre a corrida por vacinas contra a Covid Veja Mais

'Eu era um menino que começou a menstruar': intersexuais contam como foi descobrir e aceitar condição

Glogo - Ciência Lia, Iryna Kuzemko e Olga Opinko têm características sexuais femininas e masculinas (cromossomos, órgãos genitais, testículos / ovários ou hormônios sexuais) misturadas de maneiras diferentes. Eles contam suas histórias de luta, descoberta e aceitação. Iryna Kuzemko, Lia e Olga Opinko têm três variações diferentes de intersexo — há mais de 40 no total Iryna Kuzemko, Lia e Olga Opinko/BBC "Aos 22 anos, aprendi que sou intersexual. Desde então, todos os dias da minha vida têm sido mais felizes do que antes", diz a ucraniana Iryna Kuzemko. Ela é uma das muitas pessoas ao redor do mundo cujo gênero foi "redesignado" por meio de uma cirurgia polêmica quando ainda eram crianças. OMS recomenda até 300 minutos de atividade física semanal; relembre benefícios do exercício Intersexo é um termo genérico usado para abranger mais de 40 variações das características do sexo feminino e masculino. Algumas são variações hormonais, outras físicas — por exemplo, as pessoas podem ter um sistema reprodutivo de um sexo e a genitália externa do outro. Muitas pessoas intersexo passam por uma dolorosa busca por respostas, às vezes após a cirurgia de redesignação sexual. Os médicos dizem que qualquer decisão de redesignar o sexo não é fácil — um teste genético é realizado para determinar o gênero da criança e vários médicos, pais e geneticistas discutem juntos se a cirurgia deve ser realizada. Mas ativistas intersexo se opõem à cirurgia não urgente de redesignação sexual em crianças. Eles dizem que uma pessoa pode tomar a decisão certa sobre seu gênero apenas na idade adulta. Eles acreditam que os pais e os médicos não devem decidir por eles quem eles são — um homem ou uma mulher. Três mulheres intersexuais contam suas histórias aqui, descrevendo seu caminho para a autoaceitação. Iryna Kuzemko, 27, ativista intersexo Cresci como uma menina até chegar à adolescência. Todas as minhas colegas chegaram à puberdade e eu não menstruei. Com o tempo, continuei a ser a única garota da classe que não tinha seios. Um dia, nossa classe foi levada para assistir a um filme sobre puberdade em meninas. Foi uma experiência extremamente dolorosa. Não entendia porque o corpo de todo mundo estava se desenvolvendo conforme o filme explicava e o meu não. Minha mãe e minha avó não se preocupavam que eu não estivesse me desenvolvendo como as outras meninas. Elas diziam: "Sem problemas. Tudo vai ficar bem." Mas, quando completei 14 anos, convenci-as a me levar ao ginecologista. O médico disse que eu precisava fazer meus ovários funcionarem. E me prescreveu alguns procedimentos para "estimulá-los". Fiz isso uma vez por semana durante vários meses, mas em vão. Me senti ainda mais angustiada. Aos 15 anos, meu pai me levou a médicos em Moscou (Rússia). Lembro como eles passaram rapidamente por mim. Não me explicaram nada — apenas chamaram meu pai ao consultório. Meu pai disse que eu deveria fazer uma pequena operação, ou talvez duas. Não sabia o que eles estavam fazendo comigo. As meninas da escola me perguntaram, mas eu mesma não tinha ideia. Mais tarde, comentei com meu pai que seria melhor eu tirar tudo de dentro. E ele respondeu: "Mas você teve tudo removido!" Fiquei chocada. Foi assim que descobri que meus ovários foram removidos. Como estudante, mergulhei ainda mais fundo na autoagressão e no ódio por mim mesma. Encontrei um vídeo sobre pessoas intersexo na internet e percebi que minha história se assemelhava à delas. Reuni todos os meus registros médicos e chamei um médico em Moscou, com minha mãe por perto. Fiquei assustada. Iryna gostaria que os médicos e seu pai tivessem explicado sua variação intersexo antes Iryna Kuzemko Então, aos 22 anos, descobri que, sete anos antes, eu havia removido um testículo e tecidos não funcionais com elementos de tecido ovariano. Tenho tomado hormônios desde então. Também descobri que tenho cromossomos masculinos e também femininos. E que tenho um útero. Depois disso, tive uma conversa séria com meu pai. Ele disse que dois psicólogos infantis o aconselharam a não me contar sobre isso. Meu pai não admitiu seu erro: ele deveria ter me contado a verdade imediatamente. Minha vida seria diferente. Não falo com ele desde então. Alguns dias depois dessa notícia, fiquei profundamente frustrada. Não sabia mais viver. Mas me aceitei muito rapidamente. Agora tenho uma palavra para descrever minha forma de desenvolvimento sexual, "intersexo". Antes, eu vivia imersa em incerteza. Descobri que as variações do intersexo são algo com que as outras pessoas convivem pacificamente. Não precisa necessariamente haver sofrimento. Minha autoestima cresceu consideravelmente. Também decidi me tornar ativa para ajudar outras crianças e adolescentes a evitar o trauma que experimentei. Hoje, muitos de meus colegas de classe, professores e amigos me apoiam. Eu recebo muito amor das pessoas. Desde que passei a me compreender e me aceitar, todos os anos da minha vida têm sido mais felizes. Comentário médico: Julia Sydorova, pediatra "É necessário distinguir a cirurgia quando a vida da criança está ameaçada, e a chamada cirurgia estética. Esta última é realizada na maioria das vezes em bebês: sua genitália externa tem uma aparência típica. Uma criança do sexo feminino, por exemplo, pode ter genitália externa com características masculinas. Pode haver hipertrofia clitoriana. Para dar-lhe uma aparência feminina típica, o clitóris é dissecado. Embora essa condição não seja fatal, existem preocupações sociais. Essa criança pode ser vista com desconfiança no jardim de infância ou na piscina. Às vezes, a mesma variação intersexual interrompe a produção de urina — então a cirurgia é absolutamente justificada. Cada criança deve ter a chance de tomar suas próprias decisões sobre seu corpo e gênero. Elas podem fazer isso conscientemente quando crescerem. Se houver um problema específico, como uretra bloqueada, que impossibilita a ida ao banheiro, a criança precisa de ajuda. A cirurgia geralmente pode causar efeitos colaterais, como perda de sensibilidade, infertilidade ou dor crônica. A terapia hormonal aumenta o risco de câncer. O acompanhamento médico tem que ser regular, por exemplo. Também é importante entender que a variação do intersexo não deve ser confundida com a orientação sexual. A maioria de nós é heterossexual, mas existem homossexuais, assim como existem com outras pessoas. Pessoas com variações intersexuais têm famílias e filhos, mas algumas aprendem sobre suas variações intersexuais no nível dos cromossomos quando não conseguem conceber um filho. Cada história é única: características sexuais mistas podem já ser visíveis no nascimento, mas outras pessoas têm uma aparência típica e a variação intersexo se manifesta apenas durante a puberdade. Lia (nome alterado) Minha história começou na maternidade. Os médicos disseram à minha mãe que eu tinha genitália subdesenvolvida, que não parecia masculina nem feminina. "Mãe, você acha que deu à luz uma menina ou um menino?", perguntaram a ela. Minha mãe decidiu me registrar como uma menina. Este foi o primeiro erro que os médicos cometeram. Eles não deveriam ter colocado toda a responsabilidade sobre a mãe. Então, inicialmente, cresci como uma menina e, minha mãe me garante, como qualquer outra criança. Antes de começar a escola, minha mãe me levou para um exame médico. O médico da clínica infantil disse à minha mãe: "Você está sã? Você tem um menino!" Lia diz que sua mãe se sentiu culpada pelas decisões que tomou Lia Outros médicos confirmaram que eu era menino e meus documentos e nome foram alterados. Fui para a 1ª série quando menino, mas havia crianças lá do meu jardim de infância, onde todos me conheciam desde menina. Minha mãe teve que me transferir para outra escola. Até então, eu não tinha me preocupado com o que estava acontecendo comigo. Mas quando percebi como os adultos estavam preocupados, comecei a me preocupar e a me sentir estressada. Recusei-me a cortar meu cabelo comprido, mas usava calças e roupas largas, como moletons. Entendo hoje que eles me permitiram evitar a escolha do meu sexo, o que me acalmou. Mantenho esse visual até hoje. Quando eu tinha 13 anos, sofri um acidente: fui atropelada por um cavalo. Acordei no hospital com uma fratura por compressão da coluna vertebral. Coloquei um cateter, então as enfermeiras viram minha genitália e zombaram de mim, dizendo que não estava claro se eu era uma menina ou um menino. Imagine estar deitado com a coluna quebrada e ter que ouvir isso. Depois de receber alta do hospital, fiquei em casa por um ano em um quarto onde tinha uma cama, uma cadeira e duas tigelas: uma para comida e outra para banheiro. Minha mãe, avó e irmã trabalhavam o dia todo e meu pai havia nos abandonado, então não havia ninguém para cuidar de mim. Um dia, eu estava com tanta dor que me automutilei com uma tesoura — foi assim que a automutilação apareceu em minha vida. Minha mãe não se deu conta de nada. Os médicos não acreditaram que eu voltaria a ficar de pé, mas comecei a fazer exercícios e um dia levantei-me sem nenhum equipamento especial. A escola era o primeiro lugar que eu queria ir — ficava a 20 minutos da minha casa, mas depois da doença, demorei duas horas para chegar lá. Ali, as crianças me intimidaram e jogaram minha mochila no banheiro. Elas sabiam que eu não poderia correr atrás delas. Tinha 16 anos quando uma manhã acordei e encontrei sangue na minha cama. Fui levada ao hospital e um médico me examinou com ultrassom. De repente, ele gritou: "Tem um útero aqui!" Ele ignorou completamente o fato de que eu podia ouvi-lo. Foi assim que descobri que tinha genitália feminina — que era um menino que começou a menstruar. Naquela época, queria que eles removessem o que estava dentro do meu corpo, o que eu não podia ver. No entanto, os médicos nos convenceram de que era melhor deixar os órgãos internos, porque eles estavam funcionando perfeitamente e poderiam ser úteis no futuro. Então, passei por quatro cirurgias ao longo de alguns anos e me tornei uma menina. Agora, tenho dois filhos — um menino e uma menina. Dei à luz a meu filho com 20 anos de idade. Não tinha sentimentos maternos, mas meu filho e eu temos uma relação bastante amigável. Minha filha não mora comigo. Eu a levei para o jardim de infância um dia e seu pai a pegou e a levou para outra cidade. Ele a sequestrou. Conheci muitos homens e mulheres em minha vida. Me sentia atraída por mulheres e não tinha contato emocional com homens. Os homens me interessavam apenas como modelos — observava o que eles faziam, como se comportavam na cama. Afinal, eu tinha que fazer dessa maneira. Tive quatro casamentos e estou me preparando para o quinto. Vamos ter um casamento na igreja. A pessoa que amo é um homem transgênero: ele nasceu no corpo de uma mulher, mas sua identidade de gênero é de homem. Quem sabe minha vida teria sido completamente diferente, se os médicos não tivessem nos convencido a fazer o que não deveríamos. Talvez eu não tivesse tido essa longa busca pela minha identidade, quatro casamentos, problemas com filhos... Por outro lado, meus filhos, o casamento para o qual estou me preparando, meu retorno para a igreja — tudo isso é minha gratidão à minha mãe. Todos esses anos ela viveu com culpa, questionando a si mesma se escolheu o sexo correto. É hora de ela se livrar da culpa. Comentário médico: Julia Sydorova, pediatra "Os médicos raramente encontram variações intersexuais. Imagine os sentimentos de um adolescente que aprende sobre a presença de variações intersexuais aos 14 anos. E isso lhe é dito de maneira rude. Os pais dessas crianças sofrem muita pressão. Frequentemente, são questionados se têm parentesco próximo ou se a mãe fumou ou bebeu durante a gravidez. Mas ninguém está imune ao nascimento de uma criança intersexo. Além disso, existe uma grande probabilidade de que existam pessoas intersexuais entre os seus conhecidos." (A ONU diz que cerca de 1,7% da população total pode ter uma das mais de 40 variações possíveis de intersexo, embora outros médicos considerem o número bem menor.) Olga Onipko, 35, ativista intersex Depois de anos de pesquisa, análise de cromossomos deu a Olga resposta que ela procurava Olga Opinko Sempre pareci uma menina e também tenho um sistema feminino internamente. Quando era adolescente, comecei a ganhar peso e sofri bullying. Corria dia e noite e fazia dieta para perder peso, mas continuava a engordar. Aos 24 anos, fiz testes de hormônios, que revelaram que meu sistema estava totalmente bagunçado, mas ainda não tinha ideia de que era uma pessoa intersexo. O endocrinologista prescreveu hormônios para reinstaurar o equilíbrio, mas depois de um tempo eu fiquei com pelos no lábio superior e no pescoço. Imagine como é para uma garota de 25 anos que quer sair e fazer amigos. Parei de tomar esses hormônios e, de vez em quando, quando tinha dinheiro e energia, procurava mais médicos. Um médico se ofereceu para fazer uma análise do meu conjunto de cromossomos. Graças a isso, soube há quatro anos que tenho cromossomos masculinos, o que significa que sou uma pessoa intersexo. Muito antes, aos 24 anos, percebi que era lésbica. Então imagine meus sentimentos: durante toda a minha juventude eu me preocupei por não ser magra o suficiente, então percebi que era homossexual e agora estava me perguntando se eu era mulher o suficiente. Quem sou eu? Meu irmão via minha condição de intersexo com interesse. Minhas irmãs mais velhas ficaram mais preocupadas. Meus pais me aceitam, eles me amam, mas não podem falar sobre isso. Também é difícil para eles aceitarem que meu parceiro seja uma pessoa não binária. Ela nasceu menina, mas não se percebe como pertencente a nenhum dos dois gêneros. Para mim, os problemas dos intersexuais são o auge da intolerância à diversidade na sociedade. Pessoas intersexo precisam ser ouvidas. Elas dizem que as cirurgias da infância as paralisaram, que se sentem diferentes do que os médicos decidiram. Médicos e pais tentam colocar uma criança com características sexuais confusas na estrutura binária de "homem ou mulher". A sociedade sente necessidade de tornar essas pessoas "normais". Essas pessoas são intimidadas por aqueles que têm um forte medo do incerto e do incomum. Mas talvez a norma seja exatamente a possibilidade de que essas pessoas possam nascer. A natureza nem sempre se encaixa no binário dos sexos. Serhiy Kyryliuk, professor associado de psiquiatria e psicoterapia Como psicoterapeuta, lido normalmente com esses pacientes. Quando as pessoas intersexo ficam sabendo da cirurgia que fizeram quando crianças, elas podem ficar com muita raiva. O principal é não deixar essa raiva habitar as profundezas da alma. É preciso enfrentá-la. Quando elas se aceitam e percebem sua singularidade, se tornam extremamente bonitas. Seus rostos começam a brilhar. " Colaborou Megha Mohan, correspondente global de identidade da BBC Vídeos: Viva Você Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 26 de novembro, segundo consórcio de veículos de imprensa (atualização das 8h)

Glogo - Ciência País tem 170.804 óbitos e 6.166.947 diagnósticos pela Covid-19, segundo levantamento das secretarias estaduais de Saúde. O Brasil tem 170.804 mortes por coronavírus confirmadas até as 8h desta quinta-feira (26), segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Desde o balanço das 20h de quarta-feira (25), somente Goiás atualizou seus dados. Veja os números consolidados: 170.804 mortes confirmadas 6.166.947 casos confirmados Na quarta-feira, às 20h, o balanço indicou: 170.799 mortes confirmadas, 620 em 24 horas. Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 472. A variação foi de +29% em comparação à média de 14 dias atrás, indicando tendência de alta nas mortes por Covid. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 6.166.898 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 45.449 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 31.356 novos diagnósticos por dia, a maior marca desde 16 de setembro. Isso representa uma variação de +30% em relação aos casos registrados em duas semanas; também indica tendência de alta nos diagnósticos. Brasil, 25 de novembro Doze estados apresentaram alta na média móvel de mortes: RS, SC, ES, MG, RJ, SP, GO, AC, AM, RR, CE e SE. Desde a última quinta-feira (19), tem sido necessário relembrar o problema ocorrido no sistema nacional de registros de mortes e casos de Covid-19 do Ministério da Saúde, que teve início no dia 6 de novembro. Diversos estados relataram dificuldades de acesso ao e-SUS e divulgaram dados incompletos ou até mesmo ficaram sem atualizações diárias durante alguns dias. Foi o caso de SP, estado mais afetado pela pandemia em números absolutos, que não teve mortes registradas em 6 dos 8 dias a partir daquela data. A ausência de atualizações e os números incompletos seguem refletindo na comparação para análise de tendência de alta, estabilidade ou queda nos óbitos por Covid, nos estados prejudicados e no Brasil. A partir de sexta-feira (27), esse impacto já não será mais tão significativo. Também vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Tanto no Acre quanto em Roraima, por exemplo, as médias móveis mudaram de 1 para 2 em duas semanas, resultando em variação de alta de +20%. Já em Goiás, que tem a maior tendência de alta entre os estados (+154%), a média variou de 10 para 24 em duas semanas. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Total de mortes: 170.799 Registro de mortes em 24 horas: 620 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 472 (variação em 14 dias: +29%) Total de casos confirmados: 6.166.898 Registro de casos confirmados em 24 horas: 45.449 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 31.356 por dia (variação em 14 dias: +30%) (Antes do balanço das 20h, o consórcio divulgou dois boletins parciais, às 8h, com 170.194 mortes e 6.122.527 casos; e às 13h, com 170.199 mortes e 6.127.819 casos confirmados.) Estados Subindo (12 estados): RS, SC, ES, MG, RJ, SP, GO, AC, AM, RR, CE e SE Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (7 estados + DF): DF, MS, PA, RO, BA, MA, PB e PE Em queda (7 estados): PR, MT, AP, TO, AL, PI e RN Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Estados com mortes em alta Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em estabilidade Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em queda Editoria de Arte/G1 Sul PR: -42% RS: +65% SC: +62% Sudeste ES: +49% MG: +93% RJ: +132% SP: +39% Centro-Oeste DF: -12% GO: +154% MS: -4% MT: -63% Norte AC: +20% AM:+32% AP: -20% PA: +14% RO: +5% RR: +20% TO: -47% Nordeste AL: -19% BA: +1% CE: +74% MA: 0% PB: -8% PE: -8% PI: -18% RN: -16% SE: +16% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja Mais

OMS sobe para até 300 minutos o tempo de atividade física semanal indicado para combater riscos do sedentarismo

Glogo - Ciência Diretrizes de 2010 recomendavam "pelo menos" 150 minutos de atividade física por semana. Documento revelou que a alta taxa de sedentarismo está ligada a um risco maior de morte. Ciclista usando máscara de proteção pedala no Marco Zero, no Recife, neste domingo (21) Arquivo/Marlon Costa/Pernambuco Press Aumentar os minutos de atividade física moderada ao longo da semana para combater o risco de morte precoce associado ao sedentarismo. É isso que indica a Organização Mundial da Saúde (OMS), em novas diretrizes globais sobre atividade física e comportamento sedentário, publicadas nesta quarta-feira (25) no "British Journal Of Sports Medicine". 'Pandemia de sedentarismo' causada pela Covid-19 pode levar a surto de obesidade Dez mil passos para sair do sedentarismo A OMS recomenda que os adultos aumentem o tempo de atividade física semanal para 300 minutos – até uma hora de exercícios por cinco dias ou 40 minutos por sete dias – ou façam 150 minutos de atividade física intensa por semana, quando não tiver contraindicação. A última diretriz da organização, de 2010, se concentrava em alcançar "pelo menos" 150 minutos de atividade física moderada ou 75 minutos de exercício de alta intensidade por semana. "Essas diretrizes especificam um intervalo de 150-300 minutos de intensidade moderada e 75-150 de atividade física de alta intensidade. As diretrizes de 2010 se concentravam em alcançar pelo menos 150 minutos de atividade moderada ou 75 minutos de atividade alta por semana", informa a OMS. Impacto na saúde A OMS explica que a atividade física traz muitos benefícios para a saúde e reduz riscos de mortalidade por doença cardiovascular, hipertensão, diabetes tipo 2, além de ser importante para a saúde mental, saúde cognitiva e sono. "Estimativas globais mais recentes mostram que um em cada quatro adultos e 81% dos adolescentes não atendem às recomendações para exercícios aeróbicos, conforme descrito nas recomendações globais de 2010. Há uma necessidade de aumentar a prioridade e direcionar investimentos para promover a atividade física", diz a nova diretriz. A nova pesquisa, que envolveu mais de 44 mil pessoas de quatro países e 40 cientistas de todo o mundo, revelou que a alta taxa de sedentarismo (10 horas ou mais por dia) está ligada a um risco significativamente de morte, particularmente entre as pessoas fisicamente inativas. Não há evidências para classificar o comportamento sedentário, mas as pessoas devem tentar limitar o tempo sedentário diário e substitui-lo por atividades físicas, alertam as diretrizes. O documento reforça que toda atividade física conta e é boa para a saúde a longo prazo. As novas diretrizes abordam crianças e adolescentes (com idades entre 5 e 17 anos), adultos (com idades entre 18 e 64 anos), idosos (com 65 anos ou mais) e incluem novas recomendações para mulheres grávidas e puérperas e pessoas que vivem com doenças crônicas ou incapacitadas. Principais recomendações Os adultos devem fazer de 150 a 300 minutos de atividade física de intensidade moderada, ou de 75 a 150 minutos de exercício de intensidade forte, ou alguma combinação equivalente todas as semanas. Os adultos também devem realizar atividades de fortalecimento muscular em intensidade moderada ou alta em dois ou mais dias da semana. Reduza o comportamento sedentário e tente exceder as recomendações semanais para compensar os danos à saúde. Os idosos devem realizar atividades físicas que enfatizem o equilíbrio funcional e o treinamento de força em intensidade moderada ou alta em três ou mais dias da semana. As gestantes e puérperas devem praticar atividades físicas regulares durante a gravidez e após o parto. Alongamento suave também pode ser benéfico. Crianças e adolescentes devem fazer pelo menos uma média de 60 minutos por dia de atividade física de intensidade moderada a alta. Atividades que fortalecem os músculos e ossos devem ser feitas pelo menos três vezes por semana. A coeditora e líder de desenvolvimento nas diretrizes, Fiona Bull, alerta que os governos precisam investir em ações que estimulem a atividade física. "As estimativas globais mais recentes mostram que um em cada quatro (27,5%) adultos e mais de três quartos (81%) dos adolescentes não atendem às recomendações para exercícios aeróbicos, conforme descrito nas Recomendações Globais de 2010". Aprenda três exercícios que ajudam a sair do sedentarismo Veja o resumo das diretrizes por grupos A OMS explica que a recomendação vale para toda a população a partir de cinco anos de idade. Pessoas com condições crônicas, com deficiência e mulheres grávidas e puérperas devem atender às orientações sempre que possível. Crianças e adolescentes (com idade entre 5 e 17 anos) Crianças e adolescentes devem fazer pelo menos uma média de 60 minutos de atividade intensa moderada a alta por dia. Atividades aeróbicas de alta intensidade, assim como as que fortalecem os músculos e ossos devem ser feitas pelo menos três dias por semana. Adultos (com idade entre 18 e 64 anos) Todos os adultos devem praticar atividade física regular. Os adultos devem fazer de 150 a 300 minutos de atividade física de intensidade moderada, ou de 75 a 150 minutos de exercício de intensidade forte, ou alguma combinação equivalente todas as semanas. Os adultos também devem realizar atividades de fortalecimento muscular em intensidade moderada ou alta em dois ou mais dias da semana. A OMS recomenda que os adultos aumentem a atividade física de intensidade moderada para 300 minutos ou façam 150 minutos de atividade de intensidade alta por semana. Idosos (65 anos ou mais) Atividades físicas ajudam a prevenir quedas e lesões relacionadas à diminuição da saúde óssea e capacidade funcional. Idosos devem praticar atividades variadas que priorizem o equilíbrio funcional e o treinamento de força em intensidade moderada ou maior, três ou mais vezes por semana. Gestantes e puérperas Atividades durante a gravidez e no período pós-parto trazem benefícios como: redução do risco de pré-eclâmpsia, hipertensão gestacional, diabetes gestacional, complicações no parto, depressão pós-parto. Realizar atividade física regular durante a gravidez e pós-parto. Fazer pelo menos 150 minutos de atividade física aeróbica de intensidade moderada durante a semana. Incorporar uma variedade de atividades aeróbicas e de fortalecimento muscular. Mulheres que, antes da gravidez, costumavam praticar atividade de alta intensidade podem continuar durante a gestação e período pós-parto. VÍDEOS: mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias Veja Mais

Maradona teve problemas de saúde e crises por uso de cocaína e de álcool; médicos analisam complicações

Glogo - Ciência Jogador chegou a declarar: "Eu era, sou e serei um viciado em drogas". Vício em cocaína levou à primeira complicação na carreira em março de 1991, quando foi afastado por 15 meses do futebol. Diego Maradona comemora após marcar seu gol da vitória contra a Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo no México, em 22 de junho de 1986 Ted Blackbrow/Pool/Reuters/Arquivo O jogador de futebol argentino Diego Armando Maradona enfrentou um longo histórico de problemas de saúde, alguns deles decorrentes do uso de drogas e do abuso do álcool. Nesta quarta-feira (25), ele morreu em decorrência de uma parada cardiorrespiratória. (Veja abaixo um histórico dos problemas de saúde) Relembre frases marcantes de Diego Maradona Diego Maradona; FOTOS VÍDEOS: Morre Diego Maradona, aos 60 anos Maradona chegou a declarar: "Eu era, sou e serei um viciado em drogas". O histórico com o uso de cocaína levou à primeira mancha na carreira em 17 de março de 1991, quando recebeu sua primeira suspensão: 15 meses afastado do futebol. Em 1994, foi pego no exame de antidoping e cortado da seleção argentina. Depois disso, o jogador teve episódio de overdose, complicações hepáticas por causa da bebida, sobrepeso que o levou a uma cirurgia bariátrica, internação em hospital psiquiátrico e, recentemente, foi submetido a uma cirurgia no cérebro. A morte por parada cardíaca ocorreu pouco tempo depois da cirurgia. O cardiologista e médico do esporte Nabil Ghorayeb afirma que a parada cardiorrespiratória é consequência de uma doença anterior. "Tudo termina na parada do coração. Ela pode estar associada a causas cardiovasculares, por exemplo”, afirma. “Obesidade, hipertensão, uso de álcool e drogas, tudo isso afeta o nosso coração.” A médica Juliana Soares, clínica geral e cardiologista pela Unifesp e médica do Hospital Israelita Albert Einstein, lembra que “o uso de drogas, em especial cocaína e álcool, afeta diretamente o sistema cardiovascular, com maior incidência nas artérias do coração e o sistema nervoso central, que inclui o cérebro.” As substâncias podem causar alterações do ritmo de batimento do coração, levando a casos de arritmias, e parada cardiorrespiratória. Histórico dos problemas de saúde Abaixo, veja um histórico das cirurgias e outros episódios enfrentados pelo maior jogador da história do futebol argentino: 2020 - Cirurgia no cérebro No começo deste mês, Maradona passou por uma drenagem de pequena hemorragia no cérebro. Ele teve o que os médicos chamam de hematoma subdural crônico, que é um acúmulo de sangue na meninge. Os médicos associaram o problema a algum trauma cuja data não foi determinada. Maradona tinha um quadro de saúde frágil: chegou ao hospital com anemia e desidratação, e andava e comia com dificuldades nos dias anteriores à cirurgia. No hospital, relatou sintomas de abstinência. A médica Juliana Soares lembra que esportistas estão sujeitos a lesões na cabeça que podem causar um “pseudoaneurisma”, possivelmente relacionado a pancadas frequentes comuns na atividade de jogadores de futebol, de futebol americano e de boxeadores. “Esportistas acabam tendo muita lesão na cabeça e isso pode causar uma lesão nas artérias. Pode ocorrer e por muito tempo não acontecer nada”, aponta a especialista. 2019 - Cirurgias no joelho e no abdômen Maradona foi submetido, em 24 de julho de 2019, a uma operação no joelho direito em uma clínica nos arredores de Buenos Aires. Em janeiro, ele passou por uma cirurgia abdominal. A operação foi decorrência de um sangramento no estômago verificado durante uma consulta em 4 de janeiro. À época, ele teve uma hérnia abdominal devido a uma laparoscopia a que Maradona havia sido submetido há algum tempo. 2018 – Mal estar na Copa Em 27 de junho de 2018, Maradona passou mal no estádio de São Petersburgo, onde foi atendido depois da partida na qual a Argentina venceu por 2 a 1 a Nigéria. Á época, Maradona relatou que teve “muitas dores na nuca” e sofreu “uma descompensação”. 2017 – Operação no ombro Em março de 2017, Maradona fez uma operação ombro esquerdo em Dubai, na época em que comandava o Al Fujairah SC, um clube local da segunda divisão. À época, o jogador contou que operou os ligamentos do ombro esquerdo. 2007 – Hospitalização por hepatite Em 2007, os excessos no consumo de álcool o levaram a uma outra hospitalização, agora por hepatite. Ele chegou a ser internado em um hospital psiquiátrico. 2004 – Cirurgia bariátrica Pesando 100 quilos, Maradona teve uma crise cardíaca e respiratória em 2004 em Buenos Aires que o deixou à beira da morte. Recuperado, ele fez uma cirurgia bariátrica e perdeu 50 quilos, para retornar um ano depois como um apresentador de televisão. 2000 – Ataque cardíaco por overdose Em 2000, o argentino sofreu um ataque cardíaco devido a uma overdose no resort uruguaio de Punta del Este. Longe das câmeras, Maradona passou por um longo tratamento com idas e vindas a Havana. VÍDEOS: Mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias Veja Mais

1 em cada 4 pessoas vive em famílias com restrição de acesso à saúde, diz IBGE

Glogo - Ciência Falta de dinheiro foi o principal motivo alegado para restrição ao acesso aos serviços de saúde (16,9%) e para a aquisição de medicamentos (11,0%). Um em cada 5 brasileiros vive em famílias com alguma restrição a serviços de saúde, segundo dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), divulgada nesta quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento, que abrange os anos de 2017 e 2018, aponta que 26,2% das pessoas pertenciam a famílias que tiveram alguma restrição a serviços de saúde. Outros 16,4% pertenciam a famílias com alguma restrição de acesso a medicamentos. “A falta de dinheiro foi o principal motivo alegado para restrição ao acesso aos serviços de saúde (16,9%) e para a aquisição de medicamentos (11,0%)”, diz a analista do IBGE Isabel Martins. Outros 8,1% apontaram falta do produto ou serviço. Restrição de acesso à saúde Economia G1 A famílias com crianças tiveram maiores restrições em serviço de saúde (12,9%) e medicamentos (8,4%) do que famílias com idosos (5,7% e 3,7%, respectivamente). De acordo com a posição de ocupação da pessoa de referência, observa-se que as de conta própria foram as com maiores restrições, tanto em medicamentos (3,9%) como em serviços médicos (6,3%) e as menores foram de empregadores (0,3% e 0,6%, respectivamente). A pesquisa apontou que a despesa per capita (por pessoa) com saúde foi de R$ 133,23, sendo R$ 90,91 na forma monetária, quando ocorre desembolso direto para aquisição do produto ou serviço. Já a despesa não monetária foi de R$ 42,32. Nesse caso, não há desembolso e o produto ou serviço é fornecido pelo estado ou outras entidades. Do total de despesas, a maior parte foi com serviços de saúde (R$ 86,48) e o restante com medicamentos e produtos farmacêuticos (R$ 46,75). A pesquisa também apontou que as despesas com assistência à saúde são quase o dobro entre as famílias chefiadas por brancos em relação às chefiadas por pretos e pardos: R$ 183,94 e R$ 94,99, respectivamente. Já a diferença entre famílias chefiadas por homens e mulheres é menos acentuada: R$ 133,89 e R$ 132,27, respectivamente. Planos de saúde A pesquisa também apontou que apenas 18,1% das pessoas viviam em famílias em que todos possuíam plano saúde e 17,4% em que ao menos uma pessoa tinha o serviço. A maioria, contudo, vivia em famílias em que ninguém tinha plano de saúde (64,4%). Das pessoas que vivem em famílias com todos com plano de saúde, 10,3% tem o local do domicílio na Região Sudeste e 0,6% na Região Norte. Por outro lado, das pessoas que residem em famílias com ninguém com plano de saúde, 23,5% vivem na Região Sudeste e 4,7% na Região Centro-Oeste. Avaliação No período, 44,6% das pessoas viviam em famílias que avaliaram a saúde como boa, 28,9% como satisfatória e 26,5% como ruim. Dos que avaliaram a saúde ruim, 22,1% residiam em áreas urbanas e 4,3% em áreas rurais. A avaliação da saúde foi diferente entre as regiões. O maior percentual dos que avaliaram a saúde como boa foi do Sudeste (19,7%) e o menor, do Norte (3,3%). Já a maior proporção de avaliação ruim foi no Sudeste (10,3%) e a menor, no Centro-Oeste (1,90%). 1xVelocidade de reprodução0.5xNormal1.2x1.5x2x Assista as últimas notícias de economia a Veja Mais

Universidade de Cambridge denuncia roubo de cadernos de Darwin

Glogo - Ciência Eles desapareceram da biblioteca da universidade há 20 anos. Um deles contém o desenho da "árvore da vida", que se tornou o símbolo da teoria da evolução. Retrato do biólogo inglês Charles Darwin, autor da teoria da evolução e do livro 'A Origem das Espécies' Getty Images/BBC A Universidade de Cambridge classificou como "roubados" dois cadernos de Charles Darwin (1809-1882) que desapareceram de sua biblioteca há 20 anos. Um deles contém o desenho da "árvore da vida", que se tornou o símbolo da teoria da evolução. "Depois de uma busca exaustiva, a mais importante da história da biblioteca, os curadores chegaram à conclusão de que os cadernos, cujo desaparecimento foi relatado pela primeira vez em janeiro de 2001, foram provavelmente roubados", anunciou a universidade nesta terça-feira (24). O desaparecimento foi denunciado à polícia e os cadernos, avaliados em vários milhões de libras, foram adicionados ao arquivo da Interpol de obras de arte roubadas. "Lamento profundamente que esses cadernos continuem desaparecidos, apesar das inúmeras buscas em grande escala nos últimos 20 anos, incluindo a maior da história desta biblioteca no início deste ano", afirmou Jessica Gardner, diretora do serviços bibliográfico. O anúncio foi feito no "dia da evolução", que comemora o aniversário da primeira publicação do livro de "A Origem das Espécies", e a universidade lançou um convite à participação dos cidadãos para encontrar as obras. A grande obra do naturalista inglês foi publicada pela primeira em 24 de novembro de 1859. Página do livro 'A Origem das Espécies', do biólogo e naturalista inglês Charles Darwin Domínio público Cambridge diz que os dois cadernos foram retirados em setembro de 2000 da sala onde os livros mais valiosos eram guardados e, durante uma verificação de rotina em janeiro de 2001, foi descoberto que a pequena caixa que os preservava não estava em seu devido lugar. Por muitos anos, os bibliotecários acreditaram que os cadernos haviam sido colocados no lugar errado da biblioteca, que abriga cerca de 10 milhões de livros, mapas, manuscritos e outros itens. A obra de Charles Darwin, pai da teoria da evolução, possibilitou entender que o ser humano não estava no centro da vida. No verão de 1837, quando voltou de uma viagem pelo mundo a bordo de um navio científico da Marinha britânica, Darwin esboçou em seu caderno uma "árvore da vida" que forma a base de sua teoria da seleção natural. A volta ao mundo de Charles Darwin durou 5 anos e incluiu uma passagem pelo Brasil Wilson Aiello/EPTV Darwin passou quatro meses no Brasil, em 1832 e em 1836, e se encantou com a natureza, mas mencionou em seus relatos muita irritação com a corrupção e a burocracia do país. 5 experimentos de Darwin que você pode fazer em casa A viagem a bordo do navio de pesquisa HMS, que significa His Majesty's Ship ("Navio de Sua Majestade") —, durou quatro anos e nove meses e incluiu também países como Austrália, Nova Zelândia e África do Sul. Veja os vídeos mais assistidos do G1 Veja Mais

Rússia diz que vacina contra Covid-19 teve eficácia 'acima de 95%' após segunda dose

Glogo - Ciência Segundo o anúncio, vacina Sputnik V alcançou o índice 21 dias após a aplicação da segunda dose e 42 dias após a aplicação da primeira. Resultados ainda não foram publicados em revista científica. Rússia diz que vacina contra Covid-19 teve eficácia 'acima de 95%' após segunda dose A Rússia anunciou, nesta terça-feira (24), que a vacina Sputnik V, desenvolvida pelo Instituto Gamaleya contra a Covid-19, teve eficácia "acima de 95%" 21 dias após a segunda dose da vacina e 42 dias após a primeira dose. Os dados ainda são preliminares e não foram publicados em revista científica. Veja os principais pontos do anúncio: A eficácia da vacina foi "acima de 95%" 21 dias após a aplicação da segunda dose da vacina (42 dias após a aplicação da primeira dose). Antes disso, 7 dias após a aplicação da segunda dose (e 28 dias após a primeira dose), a eficácia vista foi de 91,4%. Ao todo, a análise considera dados de 18.794 pessoas vacinadas. Dessas, 14.095 receberam a vacina, em ambas as doses. As outras 4.699 receberam uma substância inativa (placebo). Entre os vacinados, houve 8 casos de Covid-19 sete dias após a aplicação da segunda dose (e 28 dias após a primeira dose). Entre os não vacinados, houve 31 casos no mesmo período. Os números equivalem à eficácia de 91,4%. Não foram divulgados números detalhados sobre a eficácia acima de 95%. Até esta terça (24), nenhum evento adverso inesperado havia sido identificado. Alguns dos vacinados apresentaram eventos adversos menores de curto prazo, como dor no ponto de injeção e sintomas semelhantes aos da gripe, incluindo febre, fraqueza, fadiga e dor de cabeça. A capacidade de produção russa é de 1 bilhão de doses – o suficiente para 500 milhões de pessoas (com duas doses para cada). Assim como a vacina de Oxford, a temperatura de armazenamento da Sputnik V é de 2°C a 8°C (condições normais de refrigeração). É uma vantagem em relação à candidata da Pfizer, que precisa ser armazenada a -70ºC durante o transporte, e da Moderna, que precisa ficar a -20ºC. Eficácia da vacina russa contra o novo coronavírus pode ultrapassar 95% Há cerca de duas semanas, a Rússia havia anunciado uma eficácia de 92% para a Sputnik V um dia após a aplicação da segunda dose (e 21 dias após a aplicação da primeira dose). Na prática, se uma vacina tem mais de 95% de eficácia, isso significa dizer que mais de 95% das pessoas que tomam a vacina ficam protegidas contra aquela doença. Recorde de infecções Profissionais de saúde usando equipamentos de proteção individual cuidam de paciente com Covid-19 em hospital de campanha em Moscou, na Rússia, no dia 30 de outubro. Alexander Avilov/Moscow News Agency/Handout via Reuters O anúncio sobre a eficácia da Sputnik V foi feito em mais um dia em que a Rússia bateu um recorde de casos diários de Covid-19: foram 24.326 novas infecções em 24 horas, anunciou o centro de crise de coronavírus nesta terça (24), segundo a agência de notícias estatal Tass. É o quinto dia seguido em que o número de novos casos no país fica acima de 24 mil. Ao todo, o país registrou 2.138.828 casos desde o início da pandemia, e 37.031 mortes – quinto maior número da Europa. Vacina A Rússia foi o primeiro país a registrar uma vacina contra a Covid-19 no mundo, em agosto. O anúncio gerou preocupação entre cientistas, entre outros motivos, por causa do anúncio dos testes de fase 3 e da vacinação em massa de forma simultânea (veja detalhes sobre as fases de testes de uma vacina mais abaixo). Em outubro, o país pediu aprovação do uso emergencial da Sputnik V à Organização Mundial de Saúde (OMS). O governo russo também firmou uma parceria com o governo do Paraná para produção da Sputnik V em solo brasileiro. No mês passado, o fundo russo que financia o desenvolvimento da vacina anunciou que o Brasil poderia começar a produzi-la em dezembro. A Rússia anunciou, também em outubro, a sua segunda vacina candidata. A vacinação em massa da população russa com a segunda vacina está prevista para o ano que vem, segundo a Tass. Concorrentes Nas últimas semanas, laboratórios como a Pfizer, a Moderna e a AstraZeneca, que desenvolve uma vacina em parceria com Oxford, divulgaram resultados iniciais de fase 3 sobre a taxa de eficácia de suas vacinas ainda em desenvolvimento. Nenhuma publicou, até agora, estudo científico com os dados. Os dados iniciais divulgados pelas empresas apontaram as seguintes taxas de eficácia para suas vacinas em desenvolvimento – os índices ainda podem mudar: Pfizer: 95% de eficácia Moderna: 94,5% de eficácia Oxford: 90% de eficácia A FDA, agência regulatória dos Estados Unidos equivalente à Anvisa no Brasil, já anunciou que qualquer vacina deve comprovar 50% de eficácia antes de ser liberada nos EUA. Como funcionam as 3 fases Entenda como funcionam os testes da vacina contra Covid Nos testes de uma vacina – normalmente divididos em fase 1, 2, e 3 – os cientistas tentam identificar efeitos adversos graves e se a imunização foi capaz de induzir uma resposta imune, ou seja, uma resposta do sistema de defesa do corpo. ETAPAS: por que a fase 3 dos testes clínicos é essencial para o sucesso e a segurança das vacinas Os testes de fase 1 costumam envolver dezenas de voluntários; os de fase 2, centenas; e os de fase 3, milhares. Essas fases costumam ser conduzidas separadamente, mas, por causa da urgência em achar uma imunização da Covid-19, várias empresas têm realizado mais de uma etapa ao mesmo tempo. Antes de começar os testes em humanos, as vacinas são testadas em animais – normalmente em camundongos e, depois, em macacos. VÍDEOS: veja novidades sobre vacinas contra a Covid-19 Veja Mais

Aplicação de meia dose da vacina de Oxford foi 'casualidade', diz vice-presidente de laboratório à Reuters

Glogo - Ciência Mene Pangalos, vice-presidente executivo de biofarmacêuticos da AstraZeneca, afirmou em entrevista à agência de notícias que a 'meia dose' aplicada em parte dos voluntários dos ensaios foi um imprevisto dos pesquisadores da universidade. Aplicação de meia dose da vacina de Oxford foi 'casualidade', diz vice-presidente de laboratório à Reuters A meia dose aplicada em parte dos voluntários da vacina de Oxford contra a Covid-19 foi uma "casualidade", disse nesta segunda-feira (23) Mene Pangalos, vice-presidente executivo de biofarmacêuticos da AstraZeneca, em entrevista à agência de notícias Reuters. A farmacêutica desenvolve a vacina em parceria com a universidade. A combinação da meia dose com uma dose completa, conforme resultado anunciado pelos cientistas, acabou tendo uma eficácia maior na proteção contra a doença, de 90%. Em contrapartida, a eficácia nos participantes que receberam as duas doses completas foi menor, de 62%. Vacina de Oxford contra Covid-19 tem eficácia de até 90%, diz laboratório "O motivo de termos a meia dose é a casualidade”, disse Mene Pangalos, chefe de pesquisa e desenvolvimento não oncológico da AstraZeneca, à Reuters. Vacina de Oxford (AstraZeneca) - Foto mostra voluntário recebendo a vacina em um hospital de Soweto, em Joanesburgo, na África do Sul, em junho de 2020 Siphiwe Sibeko/Pool via AP (A palavra usada por Pangalos na entrevista para definir o ocorrido foi "serendipity", termo que tem origem no inglês e que significa "o fato de encontrar coisas interessantes ou valiosas por acaso", segundo o dicionário de Cambridge). Segundo a agência, na época em que a farmacêutica iniciava sua parceria com Oxford, no final de abril, pesquisadores da universidade estavam aplicando doses em voluntários na Grã-Bretanha. Mas eles logo perceberam que os efeitos colaterais previstos, como fadiga, dores de cabeça ou no braço, foram mais leves do que o esperado, disse Pangalos à agência. “Então, voltamos e verificamos... e descobrimos que eles haviam calculado a dose da vacina pela metade”, disse o vice-diretor. Pangalos também afirmou que a empresa decidiu continuar com a meia dose e administrar a dose completa de reforço conforme o programado. Na prática, se uma vacina tem 90% de eficácia, isso significa dizer que 90% das pessoas que tomam a vacina ficam protegidas contra aquela doença. Das 11.636 pessoas vacinadas, 8.895 receberam 2 doses completas da vacina, com um mês de diferença, conforme planejado. Os outros 2.741 voluntários receberam uma meia dose, que foi seguida de uma dose completa um mês depois. Resultados preliminares Vacina de Oxford contra Covid-19 tem eficácia média de 70% Nesta segunda (23), cientistas de Oxford e da AstraZeneca anunciaram os resultados preliminares da eficácia da vacina desenvolvida por eles. Na média, a eficácia da vacina ficou em 70,4%, considerando tanto os 90% obtidos no grupo da meia dose quanto os 62% obtidos no grupo que tomou as duas doses completas. Foram registrados 131 casos da doença entre os voluntários: 101 entre os que receberam o placebo (substância inativa) e 30 entre os que receberam a vacina. Não houve nenhum caso grave da doença entre os que tomaram a vacina. O chefe da pesquisa da vacina, Andrew Pollard, disse estar otimista que a resposta imune gerada pela vacina dure pelo menos um ano. A vacina de Oxford pode ser armazenada, transportada e manuseada em condições normais de refrigeração (entre 2°C e 8°C) por pelo menos 6 meses. A característica é considerada uma vantagem, por especialistas, em relação à candidata da Pfizer, que precisa ser armazenada a -70ºC durante o transporte, e da Moderna, que precisa ficar a -20ºC. A Organização Mundial de Saúde anunciou, nesta segunda-feira (23), que pretende "finalizar a avaliação" da vacina no início de 2021. Como as vacinas funcionam? Vídeos: novidades sobre vacinas contra a Covid-19 Veja Mais

Brasil tem 6,8 milhões de testes de Covid-19 prestes a vencer em depósito, diz jornal

Glogo - Ciência Informação foi divulgada pelo jornal 'O Estado de S. Paulo'. Governo confirmou existência dos testes, sem informar número, e disse aguardar estudos sobre prorrogação da validade. Quase 7 milhões de testes de Covid comprados pelo Ministério do Saúde vencem em breve O Ministério da Saúde armazena em São Paulo um estoque com 6,86 milhões de testes para a Covid-19 que podem perder validade até janeiro de 2021, aponta reportagem publicada neste domingo (22) pelo jornal "O Estado de S. Paulo" Segundo a publicação, os exames são do tipo RT-PCR e estão estocados em um galpão em Guarulhos, na região metropolitana da capital paulista. Os testes custaram R$ 290 milhões à União, afirma o jornal. Em nota divulgada neste domingo (leia íntegra abaixo), o Ministério da Saúde confirmou a existência de testes com data de validade próxima – mas não informou a quantidade de kits e não confirmou o número divulgado pelo "Estado de S. Paulo". O ministério diz que espera receber, ainda esta semana, estudos de "estabilidade estendida" para os testes estocados, ou seja, estudos que indiquem a viabilidade de prorrogar essa data de vencimento. "Esses estudos serão analisados pela Anvisa, que é a agência que concede o registro de utilização do produto. Uma vez concedido esse parecer técnico, o Ministério da Saúde elaborará uma nota informativa quanto à extensão da validade e segurança da utilização dos testes", diz o governo. Na nota, o ministério também afirmou que os kits "são distribuídos de acordo com as demandas dos estados". O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) afirma, no entanto, que alertou o governo federal diversas vezes sobre a falta de materiais para processar as amostras do teste PCR. "Os entraves ainda não estão resolvidos. O contrato que permitia o fornecimento de insumos e equipamentos necessários para automatizar e agilizar a primeira fase do processamento das amostras foi cancelado pelo Ministério da Saúde. [...] É fundamental que uma nova contratação seja feita e a distribuição dos insumos seja retomada em tempo hábil", diz o conselho (veja íntegra abaixo). A importância do teste O teste RT-PCR é o de maior precisão para o diagnóstico da Covid-19. A análise é feita com base em amostras da região do nariz e da garganta, e indica o vírus ativo, ou seja, a infecção ainda em andamento. O total de testes RT-PCR realizados no Brasil caiu em outubro pelo segundo mês seguido, de acordo com dados do Ministério da Saúde compilados e divulgados pelo G1 na última semana. Até agora, pouco mais de 5 milhões de exames desse tipo foram feitos na rede pública. A queda no tipo de testes mais indicado para identificar pacientes com infecções recentes é vista com preocupação pelos especialistas. Os pesquisadores defendem que o Brasil deveria estar no caminho inverso: ampliando os testes para rastrear e frear o avanço da pandemia. TESTES: entenda os diferentes exames para detectar o coronavírus WEBSTORIES: O que ainda falta para a vacina da Covid-19 ficar pronta? CONTROLE: Rastreamento de infectados por Covid é fundamental, dizem especialistas Segundo especialistas, o teste RT-PCR é essencial para rastrear e frear o avanço da pandemia, porque os resultados indicam uma "fotografia" do nível de infecção naquele momento. O outro tipo de teste mais utilizado no Brasil é o sorológico, feito com amostras de sangue. Esse exame detecta a presença de anticorpos contra a Covid-19, mesmo que a infecção tenha ocorrido semanas antes. Saiba a diferença entre o PCR e o teste sorológico Íntegra Confira a íntegra das notas divulgadas pelo Ministério da Saúde e pelo Conass neste domingo: Ministério da Saúde O Ministério da Saúde informa que a exemplo do que ocorreu com outros lotes de testes utilizados em outros países, devem chegar ao Brasil, ainda esta semana, estudos de estabilidade estendida para os testes que a pasta tem em estoque. A empresa Seegene, fornecedora dos testes ao MS, já está em contato com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o envio dos estudos, assim que disponibilizados pelo fabricante. Esses estudos serão analisados pela Anvisa, que é a agência que concede o registro de utilização do produto. Uma vez concedido esse parecer técnico, o Ministério da Saúde elaborará uma nota informativa quanto à extensão da validade e segurança da utilização dos testes. O Ministério da Saúde esclarece ainda que diante do ineditismo e imprevisibilidade da doença no Brasil e no mundo, não mediu esforços para garantir testes diagnósticos para COVID-19 à sua população. A pasta investiu na aquisição de testes e na estruturação da rede de laboratórios públicos do Brasil, além da implantação de 4 plataformas de alta testagem para dar suporte laboratorial aos estados e municípios quando a capacidade de produção dos laboratórios estaduais chegasse ao seu limite. Cabe ressaltar que os testes RT-qPCR são distribuídos de acordo com as demandas dos estados e que o Ministério se mantém à disposição dos entes para dar suporte às ações de monitoramento, diagnóstico, tratamento e acompanhamentos dos casos, além de incentivar as ações de prevenção e assistência precoce nos serviços de saúde do SUS. A pasta vem garantindo a disponibilidade de testes RT-qPCR para todo o país, permitindo que o usuário do Sistema Único de Saúde (SUS) possa procurar o serviço de saúde e ter garantido o seu teste, quando prescrito pelo profissional de saúde. O Brasil já testou mais de 10.491.142 pessoas, sendo 5.043.469 testes RT-qPCR realizados, dos 9.317.356 milhões de testes RT-qPCR distribuídos para os Laboratórios públicos dos Estados. É importante esclarecer ainda que o RT-qPCR não é a única forma de diagnóstico da doença. A análise clínica e o tratamento precoce são as estratégias que mais contribuem para impedir a evolução e possíveis complicações decorrentes da Covid-19, sendo complementares aos testes de diagnóstico. A pasta ressalta que nenhum teste de RT-qPCR perdeu sua validade e os mesmos estão prontos para serem utilizados conforme demanda dos estados e municípios, em consonância com a gestão do SUS, que é tripartite. Por fim, é importante destacar que a imprensa tem um papel importante em informar a população sobre os locais e serviços de saúde disponíveis em todo o país. E reforçar a importância de procurar uma unidade de saúde assim que aparecer o primeiro sintoma da doença. Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) O Conass alertou o Ministério da Saúde sobre os problemas de falta de materiais para a coleta e de insumos para a amplificação das amostras para o exame PCR por diversas vezes durante a pandemia, o que afetou a quantidade de exames realizados. O Conselho não tinha informações sobre o volume de testes nos estoques do ministério. Para realização do exame de PCR é preciso disponibilidade do material de coleta (como tubos e swabs, espécies de bastões usados para coletar mostras da secreção nasal), insumos para a extração do material genético e, por fim, insumos para amplificação. São etapas interligadas e interdependentes. Os insumos de amplificação somente podem ser usados na segunda fase do teste, depois que a extração do material genético foi concluída. Os insumos para a segunda parte do teste, de amplificação, estavam de fato disponíveis. Mas eles não podiam ser usados sem que a extração tivesse sido realizada. Ao longo dos últimos meses, o Conass alertou para o problema. Passamos boa parte da pandemia com dificuldade para aquisição de insumos de coleta. O repasse desse material para Estados só ocorreu a partir de agosto. Os insumos para extração do material genético viral e equipamentos desta etapa, por sua vez, somente foram repassados a partir de setembro. No caso dos equipamentos, apenas 10 Lacens foram contemplados. Os entraves ainda não estão resolvidos. O contrato que permitia o fornecimento de insumos e equipamentos necessários para automatizar e agilizar a primeira fase do processamento das amostras foi cancelado pelo Ministério da Saúde. Há o compromisso da pasta de manter o abastecimento durante o período de 3 meses, contados a partir do cancelamento. É fundamental, porém, que uma nova contratação seja feita e a distribuição dos insumos seja retomada em tempo hábil. Temos preocupação sobre essa disponibilidade e estamos acompanhando a situação. Veja Mais

Entidade diz que Brasil tem 15 milhões de testes de Covid que podem vencer até março de 2021

Glogo - Ciência Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial apurou que, além dos 6,8 milhões de testes de Covid-19 parados no Ministério da Saúde, outros 8 milhões estão com fabricantes e importadores. Vencimento vai de novembro a março de 2021; Anvisa pode determinar extensão. Agente de saúde faz teste PCR em aluna de escola estadual em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, no dia 15 de outubro. Amanda Perobelli/Reuters Um levantamento feito pela Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL) divulgado nesta sexta-feira (27) aponta que há ao menos 15 milhões de testes de Covid-19 perto do prazo de validade no Brasil. As datas de vencimento vão deste mês até março de 2021. O número de 15 milhões abrange testes rápidos de anticorpos, testes laboratoriais de sorologia e os exames do tipo PCR, considerados o padrão "ouro" para diagnóstico da doença. Estes últimos representam 60% dos exames com data de vencimento próxima, segundo a CBDL (veja gráfico). Dos 15 milhões de testes, 6,8 milhões são exames do tipo PCR que estão em um armazém do Ministério da Saúde, conforme revelou o jornal "O Estado de S. Paulo" no último domingo (22) (veja vídeo abaixo). Os outros cerca de 8 milhões estão com fabricantes, importadores ou laboratórios privados associados à câmara que já adquiriram os testes, afirma o presidente da CBDL, Carlos Eduardo Gouvêa. Ele frisa que podem existir ainda mais testes com data de vencimento próxima no país sobre os quais a entidade não tem conhecimento – ou com empresas associadas que não responderam ao levantamento ou com empresas que têm testes próximos de vencer e não são associadas à CBDL. A organização representa de 70% a 80% das empresas do ramo, segundo Gouvêa. Quase 7 milhões de testes de covid podem perder a validade em um galpão do governo federal "Acho que ainda tem grandes empresas dentre os nossos associados que não falaram – porque estão esperando pra ver onde vai chegar e não queriam abrir o número no momento", avalia Gouvêa. O presidente da entidade acrescenta, ainda, que, durante a pandemia, várias empresas que não eram do segmento de testes diagnósticos importaram os exames. "Esse número não tenho como ter ideia", afirma. "Esse número de 15 milhões é conservador... e já assusta", diz Carlos Eduardo Gouvêa. Ele estima que o prejuízo de descartar todos os exames seria de R$ 1,5 bilhão. Extensão do prazo de validade Agente de saúde testa mulher para Covid-19 na favela Santa Marta, no Rio de Janeiro, no dia 9 de outubro. Pilar Olivares/Reuters Há discussões em andamento com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para estender a data de vencimento dos testes. Isso porque, em março, a agência aprovou uma resolução que estabeleceu o prazo de validade preliminar (cartorial) de 6 meses para os exames. A medida foi feita por precaução, até que estudos sobre a estabilidade dos exames pudessem comprovar que eles continuariam eficazes após esse período. Se esses estudos fossem feitos, o prazo de validade dos testes poderia ser estendido. Na quarta-feira (25), o Ministério da Saúde anunciou que a fabricante coreana Seegene atestou a extensão, por mais quatro meses, da validade dos 6,8 milhões de testes que estão parados com a pasta. O relatório deverá ser encaminhado à Anvisa para avaliação técnica. Segundo Gouvêa, da CBDL, uma reunião da entidade com a Anvisa está marcada para a próxima quinta-feira (3) para discutir a extensão dos prazos de validade dos exames. VÍDEOS: mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias Veja VÍDEOS das novidades sobre vacinas contra a Covid-19: Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 27 de novembro, segundo consórcio de veículos de imprensa (atualização das 8h)

Glogo - Ciência País tem 171.497 óbitos e 6.204.570 diagnósticos pela Covid-19, segundo consórcio de veículos de imprensa. Média móvel de casos está em 31,6 mil por dia, maior marca desde setembro. Brasil registra 171.497 mil mortes causadas pela Covid-19 O Brasil tem 171.497 mortes por coronavírus confirmadas até as 8h desta sexta-feira (27), segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Nenhum estado atualizou seus dados desde o balanço das 20h de quinta-feira (26). Veja os números consolidados: 171.497 mortes confirmadas 6.204.570 casos confirmados Na quinta-feira, às 20h, o balanço indicou: 171.497 mortes confirmadas, 698 em 24 horas. Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 479. A variação foi de +19% em comparação à média de 14 dias atrás, indicando tendência de alta nas mortes por Covid. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 6.204.570 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 37.672 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 31.640 novos diagnósticos por dia, novamente a maior marca desde 16 de setembro. Isso representa uma variação de +24% em relação aos casos registrados em duas semanas; também indica tendência de alta nos diagnósticos. Brasil, 26 de novembro Dez estados apresentaram alta na média móvel de mortes: RS, SC, ES, MG, RJ, SP, AC, AM, CE e SE. Desde a última quinta-feira (19), tem sido necessário relembrar o problema ocorrido no sistema nacional de registros de mortes e casos de Covid-19 do Ministério da Saúde, que teve início no dia 6 de novembro. Diversos estados relataram dificuldades de acesso ao e-SUS e divulgaram dados incompletos ou até mesmo ficaram sem atualizações diárias durante alguns dias. Foi o caso de SP, estado mais afetado pela pandemia em números absolutos, que não teve mortes registradas em 6 dos 8 dias a partir daquela data. A ausência de atualizações e os números incompletos seguem refletindo na comparação para análise de tendência de alta, estabilidade ou queda nos óbitos por Covid, nos estados prejudicados e no Brasil. A partir de sexta-feira (27), esse impacto já não será mais tão significativo. Também vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. No Acre, por exemplo, a média móvel mudou de 1 para 2 em duas semanas, resultando em variação de alta de +20%. Já no Ceará, que tem a maior tendência de alta entre os estados (+119%), a média variou de 6 para 13 em duas semanas. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Estados Subindo (10 estados): RS, SC, ES, MG, RJ, SP, AC, AM, CE e SE Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (7 estados): MS, PA, RO, BA, MA, PB e PE Em queda (9 estados + o DF): PR, DF, GO, MT, AP, RR, TO, AL, PI e RN Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Sul PR: -24% RS: +42% SC: +62% Sudeste ES: +51% MG: +24% RJ: +88% SP: +44% Centro-Oeste DF: -23% GO: -33% MS: -12% MT: -68% Norte AC: +20% AM:+51% AP: -26% PA: +12% RO: -8% RR: -64% TO: -53% Nordeste AL: -19% BA: -1% CE: +119% MA: +6% PB: -6% PE: +3% PI: -32% RN: -63% SE: +16% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja Mais

Após disputa sobre testes de Covid encalhados, ministério adia reunião mensal com gestores de saúde

Glogo - Ciência Reunião da Comissão de Intergestores Tripartite (CIT) aconteceria nesta quinta-feira (26), mas gestores dizem que ela foi adiada. Procurado, Ministério da Saúde não respondeu sobre o adiamento. A reunião mensal entre o Ministério da Saúde e representantes das secretarias estaduais e municipais da Saúde para alinhar ações de combate à Covid-19 e outros assuntos, prevista para esta quinta-feira (26), foi adiada. O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) confirmaram que o evento não ocorreu. A TV Globo procurou o Ministério da Saúde na tarde de terça-feira (24) se a reunião fora ou não adiada, o motivo do adiamento ou a nova data do encontro. Até as 19h, a pasta não havia respondido a nenhum dos questionamentos. Nesta quinta, às 17h, o ministro da Saúde, General Eduardo Pazuello, participou de um evento online para, segundo o ministério, “uma série de ações para fortalecer e ampliar o acesso e o cuidado às gestantes e recém-nascidos no SUS”, ao lado da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves. Reunião mensal agendada no início do ano A reunião é realizada mensalmente pelos membros que compõem a chama Comissão de Intergestores Tripartite (CIT). A comissão é a instância ligada ao Ministério da Saúde por meio da qual o governo federal realiza a articulação das ações de saúde pública com gestores dos governos estaduais e municipais. Segundo ex-membros da CIT consultados pela TV Globo, ela conta com a participação de sete representantes de governos estaduais, e sete representantes de governos municipais, além de técnicos e autoridades do governo federal, incluindo o ministro da Saúde e secretários. Ainda segundo especialistas, é nessas reuniões que são discutidas, além dos repasses financeiros, qual será a atuação conjunta do poder público. Arquivo/Breno Esaki/Agência Saúde Além disso, o calendário anual das reuniões da câmara técnica e do plenário é definido com antecedência. As reuniões de plenário em 2020 foram agendadas para a última quinta-feira do mês. Disputa sobre testes encalhados A notícia divulgada nessa semana de que 7 milhões de testes do tipo RT-PCR para detecção do Sars-COV-2 estariam perto de perder a validade gerou atrito entre as esferas de governo. De acordo com a reportagem, 6,86 milhões de testes do tipo RT-PCR armazenados em São Paulo podem perder a validade até janeiro de 2021. O estoque, diz o jornal, é mantido pelo Ministério da Saúde, não por estados e municípios. Na segunda-feira (23), ao comentar nas redes sociais a informação reportada pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que “todo o material foi enviado para estados e municípios”, e que “se algum estado/munícipio não utilizou deve apresentar seus motivos”. No entanto, em nota divulgada no domingo (22), o próprio Ministério da Saúde confirmou a existência de testes com data de validade próxima do vencimento e disse que os testes são distribuídos de acordo com a demanda dos estados. Na quarta-feira (25), em audiência pública no Congresso Nacional, o secretário de Vigilância em Saúde da pasta, Arnaldo Medeiros, apresentou um documento que confirma que atualmente 7.077.900 testes do tipo RT-PCR estão no Centro de Distribuição do Ministério da Saúde. Desses, 2.814.500 têm data de validade em dezembro de 2020, 3.979.700 são válidos até janeiro de 2021, 212.900 perderão a validade em fevereiro de 2021 e 70.800, em março de 2021. O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) declarou que alertou o governo federal diversas vezes sobre a falta de materiais para processar as amostras do teste PCR. VÍDEOS: mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias Veja Mais

Vacina de Oxford: especialistas questionam dados sobre eficácia da meia dose e transparência em testes

Glogo - Ciência No dia 23, o vice-presidente executivo de biofarmacêuticos da AstraZeneca afirmou que a 'meia dose' aplicada em parte dos voluntários foi um imprevisto dos pesquisadores. Com o erro, especialistas afirmam que não é possível dizer qual a real eficácia da vacina. AstraZeneca deve conduzir testes adicionais globais de vacina contra Covid Especialistas que acompanham o desenvolvimento das vacinas contra a Covid-19 passaram a reunir dúvidas sobre alguns pontos dos dados divulgados nesta semana pela farmacêutica AstraZeneca, que tem parceria com Universidade de Oxford, no Reino Unido. Vacina de Oxford deve passar por 'estudo adicional' para reavaliar eficácia com meia dose Ministério da Saúde fecha parceria para desenvolvimento e produção da vacina de Oxford O primeiro panorama com as dúvidas sobre a transparência dos estudos foi publicado em reportagem do jornal "The New York Times" na quarta-feira (25). A vacina batizada de ChAdOx1 já tem previsão de distribuição no Brasil, entre dezembro de 2020 e janeiro de 202: o governo federal vai investir R$ 1,9 bilhão para produção de 100 milhões de doses. Os dados fornecidos pelos desenvolvedores ainda não foram publicados em revista científica. A empresa relatou que o imunizante teve eficácia de 90% entre o grupo que recebeu meia dose na primeira etapa da vacinação. Entretanto, a meia dose não estava prevista no protocolo da pesquisa. Por causa deste e de outros pontos, os pesquisadores levantam os seguintes questionamentos: Foram apresentados três percentuais de eficácia (70% média, 90% no grupo meia dose e 60% no grupo duas doses). Qual a eficácia da vacina? Quantas pessoas do grupo com eficácia de 90% tiveram Covid-19? Quantos casos graves de Covid-19 ocorreram no grupo que recebeu o placebo? Apenas voluntários jovens tomaram a meia dose? Como essa dosagem se comporta em outras faixas etárias? Qual a diferença de eficácia entre a dose completa e a meia dose? Por que as pesquisas clínicas da vacina em diferentes países não seguem um protocolo único? Em nota, a AstraZeneca informou ao G1 que o regime de meia dose foi analisado pelo Comitê Independente de Monitoramento de Segurança e Dados e pela agência reguladora do Reino Unido (MHRA), que indicou a continuidade do estudo. Maior eficácia da meia dose da vacina de Oxford contra a Covid ainda não tem explicação definitiva Além disso, a farmacêutica informou que "dada a alta eficácia" verificada "com os diferentes regimes de dosagem, (...) há forte evidência em continuar a investigar e entender esses achados a fim de estabelecer o regime de dosagem mais eficaz para a vacina". Em entrevista à agência de notícias "Bloomberg" nesta quinta-feira (26), Pascal Soriot, diretor da farmacêutica AstraZeneca, disse que a vacina deve passar por um "estudo adicional" para reavaliar a eficácia de aplicar uma meia dose combinada com uma dose inteira da imunização. "Agora que descobrimos o que parece ser uma eficácia melhor, temos que validar isso, então precisamos fazer um estudo adicional" - Pascal Soriot, diretor da farmacêutica AstraZeneca, em entrevista à Bloomberg Especialistas cobram dados Em entrevista à agência Reuters, Peter Openshaw, professor de medicina experimental do Imperial College London, disse que, atualmente, tudo o que a comunidade científica conhece é uma quantidade "limitada de dados" sobre a vacina. "Temos que esperar os dados completos e ver como as agências reguladoras veem os resultados", disse Openshaw, acrescentando que as agências americana e europeia "podem possivelmente ter uma visão diferente" um do outro. No centro das preocupações está que o resultado mais promissor do teste de 90% vem de uma análise de subgrupo - uma técnica que muitos cientistas dizem que pode produzir leituras incorretas. De acordo com a agência de notícias Reuters, Moncef Slaoui, assessor científico chefe do programa de vacinas do governo dos EUA, Operação Warp Speed, ninguém no subgrupo que recebeu a meia dose inicial tinha mais de 55 anos - sugerindo que a eficácia do regime em grupos cruciais de idade avançada não foi comprovada nestes dados provisórios. No grupo que recebeu uma dose completa correta seguida por uma dose completa, segundo Slaoui, as pessoas mais velhas foram incluídas. "Há uma série de variáveis que precisamos entender e qual tem sido o papel de cada uma delas em alcançar a diferença de eficácia", disse Slaoui na terça-feira. “Ainda é possível que a diferença (em eficácia) seja uma diferença aleatória”, acrescentou. "É improvável, mas ainda é possível." Detalhes do subgrupo e dados O professor de medicina da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, Paul Hunter afirmou que "as análises de subgrupos em ensaios clínicos randomizados sempre apresentam muitas dificuldades" e aumentam o risco de "erros do tipo 1", que são o tipo que ocorre quando uma intervenção é considerada eficaz quando, na verdade, não o é. Isso acontece porque o número de participantes reduzido em um subgrupo pode tornar mais difícil ter certeza de que uma descoberta não se deve apenas a diferenças ou semelhanças casuais entre os participantes. "Para ter fé nos resultados", disse Hunter, qualquer análise de subgrupo "deve ser suficientemente desenvolvida" com um grande número de voluntários para fazer as leituras. "O diabo está nos detalhes", disse Danny Altmann, professor de imunologia do Imperial College London. "Estamos tentando avaliar projetos de teste realmente bastante complexos com base em pequenos comunicados à imprensa." "Muitas perguntas ficaram sem resposta", disse Morgane Bomsel, especialista do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França, acrescentando: "Temos a impressão de que eles (AstraZeneca) estão escolhendo seletivamente os dados." Vacina de Oxford tem vantagens de custo baixo, armazenamento e distribuição Transparência A microbiologista Natália Pasternak questionou a transparência dos estudos durante de desenvolvimento da vacina e ressaltou que a meia dose foi aplicada somente a voluntários jovens. "A meia dose foi um erro, e pior, foi dada apenas para voluntários jovens. A empresa tentou encobrir o fato", escreveu Pasternak nas redes sociais. "Não é o caso de a vacina ter subido no telhado. Ainda pode ser uma boa vacina. Mas certamente é o caso de aguardar a análise primária completa e também estudar a meia dose em um ensaio separado com número maior de voluntários e de forma transparente" - Natália Pasternak, microbiologista Para a epidemiologista Denise Garrett, não é possível afirmar qual a real eficácia da vacina, uma vez que a aplicação da meia dose foi um erro, e não parte prevista da pesquisa. Além disso, Oxford/AstraZeneca não divulgaram partes importantes do estudo, como o número de casos de Covid-19 no grupo que teve 90% de eficácia. "O que temos até o momento são dados sólidos p uma vacina menos eficaz (62%) e dados menos sólidos p uma vacina mais eficaz (90%)", postou Garrett em seu Twitter. A especialista em ensaios de vacinas, Natalie Dean, da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, postou em seu Twitter que os ensaios clínicos da vacina realizados em diferentes países não estão seguindo um protocolo unificado de desenvolvimento. "A AstraZeneca está avaliando sua vacina em vários ensaios em todo o mundo, mas eles não estão incluídos em um protocolo unificado. Na verdade, os ensaios parecem ser bastante diferentes por país, em termos de populações, subgrupos, etc.", ressaltou Dean. A especialista americana sugeriu que os dados preliminares apresentados esta semana sejam submetidos a uma revista científica para que passem pela revisão dos pares. Segundo o anúncio de Oxford/AstraZeneca na segunda-feira (23), a combinação da meia dose com uma dose completa acabou tendo uma eficácia maior na proteção contra a doença, de 90%. Em contrapartida, a eficácia nos participantes que receberam as duas doses completas foi menor, de 62%. Das 11.636 pessoas vacinadas, 8.895 receberam 2 doses completas da vacina, com um mês de diferença, conforme planejado. Os outros 2.741 voluntários receberam uma meia dose, que foi seguida de uma dose completa um mês depois. Aplicação de meia dose da vacina de Oxford foi 'casualidade', diz vice-presidente de laboratório à Reuters Casualidade dos erros Na segunda-feira (23) Mene Pangalos, vice-presidente executivo da AstraZeneca, afirmou que a meia dose aplicada em parte dos voluntários da vacina foi uma "casualidade". "O motivo de termos a meia dose é a casualidade”, disse Mene Pangalos, chefe de pesquisa e desenvolvimento não oncológico da AstraZeneca, à Reuters. Segundo a agência de notícias, na época em que a farmacêutica iniciava sua parceria com Oxford, no final de abril, pesquisadores da universidade estavam aplicando doses em voluntários na Grã-Bretanha. Mas eles logo perceberam que os efeitos colaterais previstos, como fadiga, dores de cabeça ou no braço, foram mais leves do que o esperado, disse Pangalos à agência. “Então, voltamos e verificamos... e descobrimos que eles haviam calculado a dose da vacina pela metade”, disse o vice-diretor. Pangalos também afirmou que a empresa decidiu continuar com a meia dose e administrar a dose completa de reforço conforme o programado. Vacina de Oxford contra Covid tem eficácia de 90% VÍDEOS: novidades sobre vacinas contra a Covid-19 Veja Mais

OMS recomenda até 300 minutos de atividade física semanal; relembre benefícios do exercício

Glogo - Ciência A atividade física promove uma série de benefícios para o corpo e para a mente. Além disso, quem se exercita regularmente pode ter uma qualidade de vida melhor na velhice. Alunos da 7ª série fazem exercícios em uma escola mantendo o distanciamento social em Stamford, no estado americano de Connecticut, na terça-feira (24). John Moore/Getty Images/AFP A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou novas diretrizes globais sobre atividade física e comportamento sedentário na quarta-feira (25). No documento, a entidade reforça a importância do exercício para a saúde. OMS sobe para até 300 minutos o tempo de atividade física semanal indicado para combater riscos do sedentarismo A atividade física reduz risco de mortalidade por doença cardiovascular, hipertensão, diabetes tipo 2, além de trazer benefícios para a saúde mental, saúde cognitiva, sono e memória. A OMS recomenda que os adultos aumentem o tempo de atividade física semanal para 300 minutos – até uma hora de exercícios por cinco dias ou 40 minutos por sete dias – ou façam 150 minutos de atividade física intensa por semana, quando não tiver contraindicação. A última diretriz da organização, de 2010, se concentrava em alcançar "pelo menos" 150 minutos de atividade física moderada ou 75 minutos de exercício de alta intensidade por semana. "Essas diretrizes especificam um intervalo de 150-300 minutos de intensidade moderada e 75-150 de atividade física de alta intensidade. As diretrizes de 2010 se concentravam em alcançar pelo menos 150 minutos de atividade moderada ou 75 minutos de atividade alta por semana", informa a OMS. Abaixo, relembre os principais benefícios da atividade física para a saúde mental, para o coração e para o envelhecimento saudável: Saúde mental “A atividade física traz benefício para a saúde emocional em geral. Ela pode prevenir um quadro depressivo, de ansiedade, como pode ser terapêutica – se a pessoa tiver o diagnóstico de depressão e ansiedade, por exemplo, a atividade física pode ser um dos ‘remédios’”, diz o psiquiatra Daniel Barros. Durante a prática de exercícios nosso corpo produz endorfina, substância que promove a sensação de bem-estar no organismo. "A atividade física mais intensa requer um esforço. Isso traz desgaste e por conta disso, o organismo libera um 'analgésico natural', que é a endorfina. Ela que traz a sensação de bem-estar, ela traz um alívio", explica Barros. Além disso, as atividades físicas ajudam a reduzir níveis de estresses, melhoram a concentram e o sono. “Um sono bom também melhora a saúde mental”, completa o psiquiatra. Exercício físico bom é regular e moderado; veja como evitar a dor Coração A prática regular de atividade física tem se firmado como uma importante forma de tratamento para a insuficiência cardíaca – doença caracterizada pela incapacidade do coração de bombear sangue adequadamente. Nabil Ghorayeb, cardiologista e médico do esporte, explica que a atividade física é amiga do coração. "Manter-se ativo ainda é a melhor alternativa para evitar doenças cardiovasculares. A atividade física traz qualidade de vida e longevidade”. Exercícios físicos melhoram a circulação e pressão arterial, o batimento cardíaco e a musculatura. “Além dos benefícios para o corpo, o exercício aumenta a oxigenação do cérebro. Ou seja, pessoas ativas tem menos risco de ter Alzheimer do que os sedentários, por exemplo”, completa o cardiologista. O especialista reforça que qualquer atividade física vale. “Você pode praticar a atividade mais democrática de todas: a caminhada. Ela é mais barata e você pode fazer em qualquer lugar. Em tempos de pandemia, outra opção é andar dentro de casa: 15 minutos pela manhã, 15 minutos pela tarde”, comenta Ghorayeb. Segundo o médico, você não precisa se exercitar todos os dias. "Você pode se exercitar três vezes por semana, por uma hora. Ou 30, 40 minutos de exercício cinco vezes por semana. O que importa é manter os hábitos saudáveis ativos". Idosos precisam praticar atividade física, mesmo que com baixa intensidade Arek Socha / Pixabay Envelhecimento Idosos que fazem atividade física têm mais qualidade e aumento na expectativa de vida. "Fazer exercício é imprescindível. Para você ter um envelhecimento saudável, sustentável, independente, você precisa envelhecer bem, focar em uma boa qualidade de vida", explica a geriatra Maisa Kairalla. A geriatra explica que para ter uma melhor qualidade de vida na velhice, a pessoa precisa ter músculos e ossos. Por isso a atividade física é tão importante. Mas o idoso deve misturar alongamento com exercícios aeróbios e de força. E se engana quem acha que "passou da idade" de começar a se exercitar. "Sempre vale a pena começar. Ter músculos é envelhecer bem e o ganho de massa muscular existe também nessa faixa etária", alerta a Maisa. Expectativa de vida do brasileiro ao nascer foi de 76,6 anos em 2019, diz IBGE Quantas vezes? Segundo a geriatra, o idoso deve se exercitar três vezes por semana, por pelo menos 40 minutos. A caminhada é super indicada, mas o ideal é fazer também o exercício de força, para o ganho de massa muscular. Veja VÍDEOS sobre saúde e atividade física Veja Mais

"Precisamos de políticas públicas para evitar uma nova pandemia", diz especialista em mudanças climáticas

Glogo - Ciência Vice-presidente da Academia Brasileira de Ciência alerta que a Amazônia abriga vírus desconhecidos que podem infectar as pessoas com o desmatamento. Ele diz que foi encontrado na floresta pelo menos oito variantes do Sars-CoV-2 recentemente, sendo algumas são novas e que ainda não haviam sido descritas no Brasil. Desmatamento ilegal na área de Uruará, no Pará. Marizilda Cruppe/Greenpeace Desmatamento, tráfico de animais e falta de políticas públicas que mantenham equilibrada a relação entre o homem e o meio ambiente podem favorecer o surgimento de novas pandemias, ainda no século 21. A Amazônia e sua biodiversidade abundante, mas negligenciada, é forte candidata a celeiro dessas doenças. O biólogo Adalberto Luis Val vem alertando desde o início da pandemia de covid-19 sobre esses riscos: "É muito provável que várias das pandemias que a humanidade já enfrentou tenham sido causadas por micro-organismos que pularam da floresta para o homem", disse Val ao InfoAmazonia. Adalberto é um dos pesquisadores mais experientes e respeitados da Amazônia. Vice-presidente da Academia Brasileira de Ciência (ABC) para a Região Norte, atua no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) há mais de 40 anos. 75% das doenças infecciosas emergentes que afetam o homem vieram de animais, diz brasileira que estuda relação entre epidemias e desmatamento das florestas Dinamarca diz que mutação de coronavírus em visons capaz de infectar humanos foi 'possivelmente erradicada' No local, comanda um dos mais modernos laboratórios e das mais produtivas equipes da região, que recebe pesquisadores do mundo inteiro em busca de compreensão sobre como a maior floresta tropical do mundo sobreviverá no futuro. Para ele, o Brasil vem cometendo erros que podem comprometer a luta contra doenças que coloquem o mundo sob novas pandemias. Deixar "passar a boiada" é o caminho pra gente aumentar os processos de transmissão de vírus da floresta para o homem, destaca. Leia abaixo a entrevista completa. InfoAmazonia: Existe um risco real do surgimento de uma pandemia na Amazônia? Na Amazônia, existem mais coisas do que aquilo que podemos ver, como plantas e animais terrestres e aquáticos, mas também um vasto, imenso, número de espécies que a gente não consegue ver, que são os micro-organismos, entre eles bactérias, fungos e vírus. De uma maneira geral, vários deles habitam o corpo de animais e plantas. Esses micro-organismos estão na floresta em equilíbrio, eles vivem onde encontraram os ambientes ideais para viver. É evidente que enquanto eles estiverem ali, sem nenhum distúrbio, está tudo bem e sob controle. Mas, se a gente começa a mexer com essa floresta, se a gente começa a entrar lá, derrubar essa floresta, a mudar o ambiente, contaminar a água, ter uma relação próxima com esses animais e plantas, evidentemente existe a possibilidade de alguns desses organismos "pularem" para o homem e causarem problemas extremamente sérios. Próxima epidemia ‘já está a caminho’, alerta médico sobre desmatamento na Amazônia Para responder de maneira direta a sua pergunta: se a gente não parar de interagir fortemente e de forma irresponsável com a floresta, derrubando, colocando os animais que vivem na floresta em desafios, interagindo com esses animais sem os devidos cuidados, traficando animais para outros lugares em sacos, caixas, mochilas, é óbvio que existe a possibilidade de algum desses micro-organismos "pularem" para o homem e causarem novas pandemias. E digo mais: a frequência com que isso tem acontecido nos últimos tempos tem aumentado significativamente de tal forma que isso nos coloca em uma luz amarela e com possibilidade de se tornar vermelha e nos colocar em um novo desafio pandêmico. Quais são as possibilidades? Existem vários estudos mostrando o número de novas cepas de vírus que nós temos na Amazônia. O Instituto Evandro Chagas, por exemplo, tem listado mais de 20 mil tipos diferentes de vírus. Vários desses vírus, pelo que já foi estudado até aqui, já causaram algum tipo de dano ao homem, algum episódio epidêmico em algum lugar da Amazônia. Isso quer dizer que nós temos que tomar muito cuidado, pois existe sim a possibilidade de nós termos novos processos epidêmicos a partir da interação com esses animais. Na Dinamarca, surgiu uma nova cepa de Sars-CoV-2 a partir da infecção de visons. O senhor avalia como possível isso acontecer aqui? Existe a possibilidade de acontecer, por várias razões. Até pouco tempo, não conhecíamos vírus transmitidos por plantas, mas existe um trabalho recente sobre uma espécie de vírus transmitido por uma espécie de pimenta. Não é aqui na Amazônia, mas é muito provável que também tenhamos coisa semelhante aqui, porque a gente só conhece uma pontinha da diversidade que existe na região. Nós já tivemos outras situações de vírus transmitidos de animal para animal e muitos foram sacrificados. Um exemplo disso é a gripe suína [do vírus H1N1], que atingiu o homem também. Mas existe a transmissão de zoonoses entre animais silvestres que foram domesticados para servir de alimento ao homem. Isso favorece um sistema de ponte, que é quando o vírus "pula" dos animais para o homem. Dinamarca diz que mutação do vírus em fazendas de Visons está provavelmente extinta Essas situações podem provocar mutações? Recentemente, nós ficamos sabendo da existência de, pelo menos, oito variantes do Sars-CoV-2 circulando na Amazônia. Dentre essas, algumas são novas e ainda não haviam sido descritas no Brasil, ou seja, apareceram a partir da interação com populações humanas aqui na região em função do ambiente, dos desafios e coisas desse tipo. É importante que as pessoas saibam que o material genético dos vírus vai sempre mudando, é uma coisa selecionada. Mutações estão sempre acontecendo, mas algumas podem ser problemáticas como as patogênicas [infecciosas], outras podem ser menos ruins e deixar de causar problemas. As mutações podem ter um lado bom e ruim nessa história. Fato é que nós estamos vendo no caso do Sars-CoV-2 uma dinamicidade grande do processo de aparecimento de novas variantes. Mutações no coronavírus: veja respostas para dúvidas sobre impacto na vacina, 2ª onda e reinfecção Cientistas afirmam ter identificado nova variante do coronavírus na Europa O risco de uma nova pandemia é apontado como iminente. Dizem que ela pode surgir nos próximos anos. Na sua opinião, ela pode ser evitada ou somente adiada? Precisamos trabalhar para evitar. Adiar, significa que nós vamos viver o problema daqui a alguns anos. Temos que trabalhar na recomposição do equilíbrio do ambiente, temos que entender que somos parte desse mundo e não donos dele, não podemos fazer qualquer coisa. Temos que respeitar nossa relação com a floresta, pois, toda vez que a gente vai lá e derruba a floresta, nós estamos impondo um estresse àqueles organismos que vivem lá e eles respondem da melhor forma que podem. Portanto, eu diria que são várias as políticas necessárias para recompor esse equilíbrio. Segundo, precisamos de políticas voltadas para a compreensão desses processos, que não é só a capacitação de pessoal em altos níveis, de doutorado ou pós-doutorado, na verdade precisamos de uma sociedade cada vez mais educada para se apropriar e usar as informações que temos produzido nos laboratórios, de maneira geral. Em terceiro lugar, temos que entender as verdadeiras vocações de determinados lugares e investir em transporte, comunicação e processos de saúde adequados, garantir segurança alimentar e assim sucessivamente. Então, para que a gente recomponha esse equilíbrio sistêmico de maneira geral, é necessário que tenhamos políticas nos vários estratos sociais, para que possamos trabalhá-los da melhor maneira possível. Do contrário, não tenho dúvidas de que o estresse que causamos aos ambientes nos expõe mais e mais a novas pandemias. Onde nós, como sociedade, estamos falhando para evitar essa nova pandemia? Em todos esses aspectos com falta de políticas adequadas. Deixar passar a boiada é o caminho para a gente aumentar os processos de transmissão de vírus da floresta para o homem, isso aumenta a possibilidade de novas pandemias. A presença da covid-19 no estado do Amazonas tem apontado a necessidade de uma política de vigilância epidemiológica e de saúde diferenciada para a região. No entanto, existem deficiências de comunicação, infraestrutura e outras muito básicas que favorecem a ausência do estado em municípios do interior. O senhor acredita que a ciência e a educação podem apontar alguma solução nesse sentido? Não se trata de fé cega na ciência, mas sim o único caminho. Não podemos tomar atitudes na base do achismo. A ciência tem um conjunto de verdades que assim o são até que elas sejam substituídas por outras novas, mas cientificamente provadas. Ciência e educação são fundamentais para esse processo. Aprendemos isso há centenas de anos, mas estamos vendo acontecer novamente com o Sars-CoV-2. Precisamos ter mecanismos epidemiológicos mundiais, e acredito que também precisamos de um fundo [financeiro] mundial que possa manter essa vigilância epidemiológica e surtir algum efeito. O que senhor acha que esta pandemia está ensinando ao mundo? Solidariedade. Acho que o mundo está aprendendo que é preciso acreditar na ciência e a fazer colaborações nas pesquisas científicas. Vimos que tivemos avanços significativos a partir de processos colaborativos, que são extremamente importantes e que já fazem parte do processo científico, de uma maneira geral. Mas a pandemia está nos exigindo essa colaboração em todos os níveis sociais para uma vida mais tranquila, como o uso de máscaras, higienização das mãos e distanciamento social. Isso tudo é uma coisa que cada um faz para se proteger, mas, também, para proteger o próximo. No contexto geral, isso significa cooperação, colaboração, uma solidariedade para que todos juntos caminhemos para um novo momento. VÍDOES: desmatamento na Amazônia Veja Mais

Anvisa e AstraZeneca se reúnem, mas data de envio do pedido de registro da vacina contra Covid não foi definida

Glogo - Ciência Agência informou que a "empresa tem submetido documentos para avaliação do registro da vacina por meio do procedimento de submissão contínua e não definiu prazo para submissão do pedido de registro". Vacina de Oxford contra Covid-19 tem eficácia de até 90%, diz laboratório A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que se reuniu nesta terça-feira (24) com representantes da AstraZeneca, farmacêutica que produz uma vacina contra a Covid-19 junto à Universidade de Oxford. Por enquanto, a submissão do registro não tem data definida, de acordo com a agência federal. Vacina de Oxford: eficácia maior com dose menor é 'intrigante', diz líder do estudo 10 anos em 10 meses: como cientistas de Oxford criaram em tempo recorde um novo modelo de vacina contra o coronavírus 4 das 11 vacinas contra Covid na fase final de testes já apresentaram taxas satisfatórias de eficácia e de segurança; veja comparativo Veja a nota completa: “A Anvisa realizou reunião com a empresa AstraZeneca com o objetivo discutir informações sobre o andamento dos estudos clínicos da Vacina de Oxford. Nessa reunião, foram discutidos os dados obtidos até o momento. A empresa tem submetido documentos para avaliação do registro da vacina por meio do procedimento de submissão contínua e não definiu prazo para submissão do pedido de registro junto à Anvisa”. 90% de eficácia A vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca mostrou eficácia de até 90% conforme a dosagem, segundo resultados preliminares divulgados nesta segunda-feira (23). Os dados ainda não foram revisados por outros cientistas nem publicados em revista científica. Principais pontos do anúncio: A vacina teve 90% de eficácia quando administrada em meia dose seguida de uma dose completa com intervalo de pelo menos um mês, de acordo com dados de testes no Reino Unido e no Brasil. Esse foi o regime de menor dose – o que foi um ponto positivo para os pesquisadores, porque significa que mais pessoas poderão ser vacinadas. Quando administrada em 2 doses completas, a eficácia foi de 62%. A análise que considerou os dois tipos de dosagem indicou uma eficácia média de 70,4%. O chefe da pesquisa da vacina, Andrew Pollard, disse estar otimista que a resposta imune gerada pela vacina dure pelo menos um ano. Foram registrados 131 casos da doença entre os voluntários: 101 entre os que receberam o placebo (substância inativa) e 30 entre os que receberam a vacina. Não houve nenhum caso grave da doença entre os que tomaram a vacina. Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram os dados de 11.636 pessoas vacinadas. Dessas, 8.895 receberam as duas doses completas, e 2.741 receberam a meia dose seguida de uma dose completa. A AstraZeneca pretende ter 200 milhões de doses prontas até o fim de 2020 e 700 milhões de doses até o fim do primeiro trimestre de 2021, em todo o mundo. A vacina pode ser armazenada, transportada e manuseada em condições normais de refrigeração (entre 2°C e 8°C) por pelo menos 6 meses. (É uma vantagem em relação à candidata da Pfizer, que precisa ser armazenada a -70ºC durante o transporte, e da Moderna, que precisa ficar a -20ºC). Vacina Astrazeneca REUTERS/Dado Ruvic VÍDEOS: novidades sobre as vacinas contra a Covid-19 Veja Mais

Por que mais mortes entre homens por Covid-19 ainda é mistério para a Ciência

Glogo - Ciência Banco de dados internacional voltado à igualdade de gênero na saúde, mostram que 57,2% dos 36.805 que morreram pela covid-19 na Itália eram do sexo masculino; no Equador, eles eram 66,4% dos 12.181 óbitos. Mesmo onde os dados de gênero e sexo são parciais, como no Brasil, a incidência de morte em razão do vírus era maior em homens - 57,8% Reuters Em 20 de janeiro de 2020, pouco se sabia sobre o Sars-Cov-2. As informações oficiais indicavam que apenas duas pessoas haviam morrido de uma doença respiratória ainda misteriosa, causada por um novo coronavírus surgido em um mercado de animais em Wuhan, na China. Apesar disso, o geneticista Sharon Moalem parecia saber o que estava por vir. Naquele dia, em sua conta no Twitter, ele publicou: "Por que mais homens vão sucumbir à recém-descoberta Síndrome Respiratória Aguda de Wuhan?" Moalem é um canadense de 43 anos radicado em Nova York. Dono de uma fala confiante e uma carreira de duas décadas dedicada ao estudo de condições genéticas raras, ele presumia com relativa certeza que a doença decorrente do vírus causaria uma letalidade desproporcional entre homens e mulheres. Ele estava certo. Embora a falta de testes, de informações padronizadas e a preocupação com a subnotificação de mortes impeçam uma dimensão real sobre como o sexo está se saindo como um fator de risco para a covid-19, informações coletadas até 2 de novembro pela plataforma Global Health 50/50, um banco de dados internacional voltado à igualdade de gênero na saúde, mostram que 57,2% dos 36.805 que morreram pela covid-19 na Itália eram do sexo masculino. No Equador, eles eram 66,4% dos 12.181 óbitos. No México, 64% dos 89.171 mortos. E há países onde mais que o dobro de homens morreu em consequência da doença. É o caso do Peru, onde 69,4% dos 34.187 que morreram eram homens. Mesmo onde os dados de gênero e sexo são parciais, como no Brasil, a incidência de morte em razão do vírus era maior em homens - 57,8%. Os dados da Global Health 50/50, no entanto, sugerem taxas de infecção semelhantes em pessoas de ambos os sexos. Então por que uma proporção significativamente maior de homens não resiste à doença? "Eu diria que esse é o velho normal", opinou o demógrafo e pesquisador José Eustáquio Alves. "As mulheres sempre demonstraram uma maior taxa de sobrevivência a longo prazo. A Covid-19 só reforça isso", acrescentou ele, que desde abril mantém um diário na internet sobre tendências e números da pandemia. Cabe lembrar: em média, no mundo, nascem cerca de 105 homens para cada 100 mulheres. O sexo feminino, no entanto, é mais propenso a completar o primeiro aniversário e os anos seguintes. Ou seja, morrem mais meninos do que meninas nos primeiros anos de vida. Não há uma razão clara para o fenômeno, segundo a OMS. A partir do início da idade adulta, as mulheres começam a ser maioria na sociedade e passam a viver mais do que os homens em praticamente qualquer lugar do mundo. A expectativa de vida para elas é, em média, de seis a oito anos maior. Além disso, para cada homem com um século de vida, há quatro mulheres. E das pessoas que chegam aos 110 anos de idade, mais de 95% são do sexo feminino. Os cientistas também constataram que as mulheres têm um sistema imunológico mais forte do que os homens, veem o mundo com maior variedade de cores e correm menos risco de desenvolver determinados tipos de câncer. E, caso tenham a doença, suas chances de responder positivamente ao tratamento são maiores. Um levantamento do Instituto Nacional de Saúde dos EUA (NIH, na sigla em inglês) mostrou que homens brancos, negros, hispânicos, asiáticos, indígenas — todo grupo masculino tende a ser mais vulnerável ao câncer quando comparado aos pares femininos. Outras evidências sugerem, ainda, que mulheres são mais resistentes a desenvolver doenças cardiovasculares, deficiências e certas infecções virais. Por exemplo: estudos mostram que os homens foram desproporcionalmente afetados tanto na Gripe Espanhola de 1918 quanto no surto da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), em 2003. Uma análise realizada na região de Hong Kong apontou que a maioria (57%) das 299 pessoas que sucumbiram à Sars eram homens, não mulheres. À semelhança da atual pandemia, a Sars também era causada por um coronavírus (Sars-CoV) surgido em um mercado de animais na China. A epidemia, no entanto, durou aproximadamente seis meses, alcançou 29 países e, ao todo, matou quase 800 das cerca de oito mil pessoas que contraíram a doença. Já a pandemia do Sars-Cov-2, que tem produzido uma nova onda de infectados, atingiu praticamente todos os países. Pelo menos 55 milhões de pessoas foram infectadas ao redor do mundo. Destas, 1,3 milhão morreram. Os alvos preferidos do Sars-Cov-2 À medida que os números cresciam, desde o início da pandemia, evidências mostravam que alguns grupos eram mais vulneráveis à Covid-19. Idosos, por exemplo, correm em média um risco cinco vezes maior de desenvolverem quadros graves e morrerem devido à Covid-19. Um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado em maio, mostrou que pessoas acima de 60 anos representaram 80% das mortes na China e 95% das que morreram na Europa. No Brasil, pessoas com mais de 60 anos representavam 69% dos óbitos. Fatores biológicos provavelmente colaboram para isso. Alterações no sistema imunológico, naturais da idade, fazem com que idosos tenham pulmões e mucosas mais fracas. Além disso, as vacinas tomadas na juventude já não surtem os efeitos de outrora. Portanto, há menos anticorpos no organismo. Acrescente esse contexto aos fatores sociais: como se engasgam e aspiram mais, eles levam a mão à boca com mais frequência, correndo mais risco de contágio. E ainda vão a hospitais e unidades de saúde com mais regularidade — especialistas afirmam que consultas médicas não urgentes, mas necessárias, colocam os idosos em risco desnecessário. Doenças pré-existentes também são um fator de risco à Covid-19. Obesidade, pressão alta, diabetes e doenças cardiovasculares são comuns em idosos, mas também atingem uma parcela significativa de adultos de meia-idade. Essas condições, porém, não afetam todos igualmente. Entre pobres e ricos com comorbidades, a balança da morte tende a pender para os desvalidos — pois os ricos, em tese, desfrutam de uma série de vantagens como melhores dietas, condições de moradia, de trabalho e de acesso aos serviços de saúde. Presume-se que a disparidade se repita nas comunidades negras — no Brasil, três em cada quatro pessoas que constituem os 10% mais pobres são negros, segundo a pesquisa Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil, divulgada pelo IBGE em 2019. É difícil encontrar dados confiáveis sobre a demografia racial do vírus. Mas uma nota técnica assinada por 14 pesquisadores da PUC-RJ, no começo de junho, indicou que mais da metade dos negros (54,8%) que se internaram em hospitais no Brasil para tratar casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com confirmação de Covid-19, morreram. Entre brancos, a taxa de letalidade foi de 37,9%. O estudo foi feito com base em 29.933 casos encerrados de Covid-19 (com óbito ou recuperação), a partir dos dados divulgados pelo Ministério da Saúde. Nos Estados Unidos, algumas estatísticas apontam que até 23% das mortes relatadas por Covid-19 são de pessoas negras, embora elas representem aproximadamente 13% da população. Outro levantamento afirma que a taxa de morte de negros é 2,4 vezes superior à dos brancos, embora haja comunidades americanas onde até sete negros morrem para cada pessoa de pele branca. Universidade americana dão algumas explicações para homens sofrerem mais com a Covid-19 E quanto à taxa de letalidade maior entre homens? Isso provavelmente reflete uma combinação de diversos fatores. Ganha força, contudo, a ideia de uma suposta fragilidade biológica do sexo masculino. Um dos principais defensores dessa teoria é Sharon Maolem, o geneticista que previu o fenômeno em janeiro. A afirmação vem na esteira do lançamento de The Better Half: On the Genetic Superiority of Women (A melhor metade: sobre a superioridade genética das mulheres). Trata-se do quinto livro do autor, lançado em abril, cuja versão em português será publicada no Brasil em 2021 pela editora Cultrix. A obra é resultado de uma extensa pesquisa encerrada no ano passado. Nela, Moalem apresenta evidências de que as características biológicas são determinantes à notável resiliência feminina - adicionando um importante ingrediente à teoria clássica, que costuma atribuir o prodígio a fatores sociais, como comportamento, costumes e hábitos de vida. Em geral, mulheres vão com mais regularidade ao médico, fumam menos e lavam as mãos com mais frequência EPA Em geral, mulheres vão com mais regularidade ao médico, fumam menos e lavam as mãos com mais frequência. Em contrataste, os homens tratam menos das comorbidades crônicas, têm um comportamento mais arriscado e são menos caprichosos. Observando assim, a conduta, de fato, torna o homem mais propenso a desenvolver uma síndrome respiratória. E a morrer mais cedo. Mas Sharon Moalem vai além. Para ele, a dependência excessiva de explicações comportamentais cegou a medicina para outra importante realidade: a diferença genética entre os sexos. Em um artigo de opinião no The New York Times, intitulado "Por que tantos homens morrem de coronavírus?", o geneticista admite que algumas explicações comportamentais "são quase certamente válidas". No entanto, também afirma que a maior taxa de mortes entre homens por Covid-19 "pode ser uma demonstração oportuna e de alto perfil" da genética feminina. O poderio do cromossomo X Para compreender a diferença biológica entre homens e mulheres é preciso considerar que o DNA humano é um conjunto de instruções genéticas, situado no núcleo celular e cercado por 46 cromossomos. Esses cromossomos são organizados em 22 pares que recombinam tanto o DNA do pai quanto o da mãe. Eles compartilham 99% da disposição genética hereditária, mas com milhares de pequenas diferenças que explicam a variação entre as características das pessoas. Há ainda o par 23, dos cromossomos sexuais. Na maioria das circunstâncias, a fêmea humana tem dois cromossomos X — um do pai e outro, da mãe. Já o homem tem apenas um cromossomo X, herdado da mãe, emparelhado com um cromossomo Y, de seu pai. O cromossomo X é estruturalmente maior e mais complexo do que o cromossomo Y. O primeiro é dotado de aproximadamente 1.150 genes, longas sequências do DNA que produzem proteínas essenciais ao funcionamento das células. O cromossomo Y, por sua vez, tem entre 60 e 70 genes. Significa que os cromossomos sexuais masculinos têm praticamente a metade da diversidade genética das mulheres, com seus dois X. Essa população genética em dobro poderia permitir que as mulheres produzissem duas vezes mais proteínas relacionadas a esses genes do que os homens. Mas não é o que acontece. Para o ciclo da vida, as células femininas selecionam apenas um cromossomo X. O segundo é aleatoriamente desligado ou desativado, um processo conhecido como inativação do X. Os primeiros indícios sobre a inativação do cromossomo X remontam à década de 1950. Uma importante descoberta foi que a inativação se dava no estágio de blastocisto, quando o embrião alcança a parede do útero — e as células começam a ganhar funções específicas na formação do organismo do feto. Ocorre que essas evidências provinham unicamente de experimentos com camundongos. "Conhecemos bastante sobre a inativação do cromossomo X em roedores por causa da relativa facilidade de se estudar os embriões e da capacidade de modificar o genoma deles", explicou a geneticista Lygia da Veiga Pereira, professora titular do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP). "Mas em seres humanos o conhecimento é mais limitado." Nos últimos anos, porém, a descoberta de células-tronco embrionárias e o surgimento de uma técnica de mapeamento de DNA capaz de sequenciar com precisão e integralmente o genoma de uma única célula permitiu identificar o momento em que determinados genes se tornam ativos. Foi o que Pereira e mais duas colegas analisaram a partir de 2013. Elas examinaram o material de pesquisadores da China e da Suécia — sequências de RNA, material genético mais flexível do que o DNA, de células isoladas de embriões humanos. E descobriram algo inesperado. "Verificamos que a inativação do cromossomo X se dava no início da embriogênese humana, antes de o embrião se fixar à parede do útero, em um estágio anterior ao dos embriões de camundongos", afirmou. Isso revela que o processo de desativação do X começa cinco ou seis dias após o espermatozoide (feminino, por assim dizer) fecundar o óvulo. O resultado do estudo foi publicado em 2017 no periódico Scientific Reports. Além de oferecer uma nova tese ao início da inativação do X, a pesquisa brasileira reforçou um entendimento de longa data — que o mecanismo de seleção do cromossomo sexual ocorre de forma aleatória em cada célula. Isso é vantajoso às mulheres. Afinal, o organismo feminino pode escolher entre dois cromossomos X, de maneira a compensar uma célula defeituosa. Nos homens, não há esse tipo compensação, pois não há alternativa. A fuga de inativação do X No mesmo ano em que as cientistas da USP identificaram o momento de inativação do X, pesquisadores do Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Helsinque, na Finlândia, publicaram na revista Nature um estudo que reforça outra teoria crescente: a de que o cromossomo silenciado nas mulheres, na verdade, não está totalmente adormecido. A ciência começou a suspeitar disso entre as décadas de 1970 e 1980, quando algumas pesquisas indicaram a expressão de alguns genes supostamente inativos. Presumia-se, porém, que essa expressão causava um efeito mínimo na biologia da mulher. Foi só nos últimos 15 anos que esse entendimento mudou, à medida que os pesquisadores identificavam e catalogavam os genes "fugitivos". O que o estudo finlandês concluiu é que cerca de 23% da variedade de genes do cromossomo sexual silenciado não só estavam ativas como acessíveis às células femininas. São genes que raramente atingem 100% dos níveis de expressão, como no cromossomo ativo; a média fica em torno de 10%. Mas o processo de expressão, chamado pelos pesquisadores de "fuga de inativação do X", é suficiente para fazer uma diferença biológica — inclusive porque parte desses genes está relacionado à resposta imunológica. Em outras palavras, é como se o cromossomo inativo atuasse como uma espécie backup: uma cópia de segurança, com centenas de genes à disposição do organismo para enfrentar situações estressantes como o câncer, a fome ou a infecção por um vírus mortal. A bióloga computacional Taru Tukiainen, que liderou o estudo, acredita que há ainda mais genes fugitivos para encontrar — em diferentes tipos de células, tecidos, indivíduos e pessoas de diferentes idades. "Estamos apenas dando o primeiro passo para realmente entender toda a complexidade desse fenômeno", disse Tukiainen à revista The Scientist. Para o geneticista Sharon Maolem, entretanto, a descoberta é suficiente para dar um novo sentido à maneira como entendemos a reação do organismo humano. Falando sobre os genes que escapavam da inativação, ele comentou em um e-mail à BBC News Brasil: "Isso significa uma boa potência genética dentro de cada uma das células da mulher". Moalem afirma que o estudo dá significado às evidências históricas, que demonstram que as mulheres sempre viveram mais, mas também às próprias experiências — especialmente as de quando ele dava expediente em uma UTI neonatal, dez anos atrás. Narrativa do cromossomo X, sozinha, não explica por completo a resistência feminina Reuters via BBC Cabe dizer: existem muitas razões para recém-nascidos passarem dias dentro de uma incubadora translúcida, cheios de fios conectados ao corpo e sob o escrutínio de médicos e enfermeiros. A prematuridade é a principal delas. Um bebê que nasce com menos de 37 semanas de gestação ainda não tem o cérebro e os pulmões totalmente desenvolvidos. Minúscula e indefesa, a criança permanece na UTI até atingir a completa estatura do organismo — uma enorme luta estando longe da proteção do útero materno, exposto ao frio e a trilhões de micróbios. O que Moalem identificou de forma empírica, à época, é que meninos eram mais suscetíveis a infecções — e à morte, em virtude de doenças correlatas. "Observar a vantagem de sobrevivência feminina ocorrendo em uma idade tão jovem foi muito impactante", diz Sharon Moalem. Ele só não sabia exatamente por que aquilo acontecia. A partir da conclusão dos pesquisadores da Universidade de Helsinque, Moalem passou a considerar que o fenômeno estivesse ligado ao fato de as meninas terem dois cromossomos X. O que permitiria, desde muito cedo, acessarem mais versões dos mesmos genes para resolver quaisquer desafios e traumas biológicos. Estudos mais objetivos, contudo, sugerem que o amadurecimento do pulmão fetal ocorre mais precocemente no sexo feminino. Isso reduz as chances das recém-nascidas desenvolverem problemas respiratórios — que estão entre as principais causas de morte no período neonatal. Estima-se que, entre os bebês prematuros que nascem antes das 32 semanas de gestação, o risco de morrer é de 9% para meninos e de 6% para as meninas. Outras pesquisas mostram que a tendência se repete em crianças de praticamente todas as faixas de peso ao nascer, e independentemente da idade gestacional. O Brasil não dispõe de dados oficiais sobre o tema, segundo a vice-diretora da Associação Brasileira da Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Bebês Prematuros (Prematuridade). Aline Hennemann, porém, disse à BBC News Brasil que "como enfermeira neonatal e com a minha experiência beira-leito, esses estudos recentes se confirmam: as meninas têm uma incidência menor de mortalidade ao nascer do que os meninos". Hormônios e enzimas Apesar de sedutora, a narrativa do cromossomo X, sozinha, não explica por completo a resistência feminina. "A genética desempenha um papel importante, mas outros fatores externos certamente contribuem", diz Zoe Xirocostas, uma jovem cientista de 24 anos que faz pós-doutorado na Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália. Em março, Xirocostas e os colegas publicaram na revista Biology Letters o resultado de uma análise sobre a vida útil no reino animal. O conjunto de dados incluiu toda sorte de informações sobre a longevidade de humanos, outros mamíferos e aves, como também de répteis, peixes, anfíbios, aracnídeos, baratas, gafanhotos, besouros, borboletas e mariposas. "Ao analisar essa ampla gama de espécies, descobrimos que o sexo heterogamético (os homens, no caso dos humanos) tende a morrer 17,6% mais cedo que o sexo homogamético (as mulheres, no caso dos humanos)", diz a pesquisadora. As diferenças hormonais também podem fazer diferença, segundo Xirocostas. Pesquisas apontam que níveis mais altos de testosterona, o hormônio sexual masculino, estimulam comportamentos de risco. Além disso, a testosterona pode ativar um grupo de genes presentes nas células de defesa que enfraquecem a resposta do sistema imunológico. Por isso um agente estranho, como o Sars-CoV-2, tem facilidade para abrir terreno no organismo masculino. Já o estrogênio, o hormônio feminino, contém propriedades anti-inflamatórias. Ele ajuda no reparo dos telômeros, as tampas que protegem as extremidades dos cromossomos. Os telômeros estão diretamente ligados ao envelhecimento. Quando eles se desgastam, as células param de se reproduzir. Essa, portanto, pode ser outra justificativa para a longevidade feminina. O estrogênio ainda estimula uma resposta imunológica mais vigorosa. Isso ficou evidente na pandemia do novo coronavírus. Em grande parte, gestantes infectadas pelo Sars-CoV-2 tiveram sintomas leves da doença — embora façam parte do grupo de risco. Isso pode estar atrelado ao fato de as grávidas terem, naturalmente, níveis de estrogênio e de progesterona mais altos durantes a gravidez. Outra explicação biológica para o coronavírus matar mais homens do que mulheres pode envolver uma proteína conhecida como enzima conversora de angiotensina 2 Reuters via BBC Se for assim, contudo, a explicação não funciona para as mulheres idosas — que continuam tendo um desempenho melhor do que os homens idosos no combate à Covid-19, apesar dos níveis de hormônio nas mulheres despencarem após a menopausa. De toda a forma, a ciência vem investigando o potencial do hormônio feminino no combate à doença — tratando, inclusive, pacientes masculinos com estrogênio e progesterona. Uma outra explicação biológica para o coronavírus matar mais homens do que mulheres pode envolver uma proteína conhecida como enzima conversora de angiotensina 2 (ACE2, na sigla em inglês). Essencial à regulação da pressão arterial, a ACE2 também age como uma das portas de entrada do novo coronavírus nas células humanas. É como se ela fosse uma fechadura. O vírus é uma chave que se encaixa nela e, a partir dali, ganha acesso ao núcleo da célula. Acontece que essa enzima tem dois lados. Ao mesmo tempo que facilita a ação do vírus, ela também possui um grande componente anti-inflamatório. E a ACE2 se expressa pelo cromossomo X. Assim, as mulheres tendem a apresentar uma quantidade duplicada dessa enzima. Elas seriam mais suscetíveis aos ataques do coronavírus, mas as altas barreiras anti-inflamatórias impediriam o desenvolvimento de manifestações graves da doença. Ou seja, o vírus pode entrar, mas não consegue esculhambar tanto com o organismo delas. Por outro lado, a teoria da ACE2 ainda carece de mais estudos. Uma pesquisa da Sociedade Europeia de Cardiologia encontrou um maior índice de ACE2 no plasma sanguíneo dos homens. E os especialistas especulam que essa possa ser a razão da maior mortalidade causada pelo coronavírus entre o público masculino. A missão, ao que parece, é entender qual das duas faces da enzima é mais atuante no intrincado mecanismo de letalidade da covid-19. Mas, afinal, sexo é fator de risco? Desde que os primeiros casos surgiram, no fim do ano passado, a doença causada pelo novo coronavírus demonstrou ser bem mais do que respiratória. Descobriu-se que a Covid-19 pode afetar não apenas os pulmões como também o sistema circulatório, o coração, os rins e até mesmo os sentidos, como o olfato e o paladar. A razão para boa parte desses efeitos é um enigma. Muito mais se descobrirá a respeito da Covid-19 — só neste ano, mais de 73 mil artigos científicos citaram a doença, segundo o banco de dados Pubmed. Inclusive sobre como diferenças biológicas acontecem ao longo da doença. O que há, por ora, são correlações e possibilidades. Para determinar se o sexo é um fator de risco seria necessário um estudo amplo, começando pelo sequenciamento do genoma de pessoas que desenvolveram quadro leve da doença e de indivíduos que tiveram quadro grave. Os cientistas, então, tentariam encontrar variantes genéticas que pudessem influenciar a gravidade da doença. Além disso, seria preciso considerar outros fatores não-genéticos — variáveis como idade, condições de saúde pré-existentes, hábitos de vida, condição socioeconômica. Os dados precisariam vir de fontes confiáveis e legítimas, como registros hospitalares ou do governo, e englobar um longo período de tempo e países diferentes. É um esforço tão árduo, custoso e demorado, que beira a utopia. Mesmo que a hipótese genética fosse confirmada, seria impossível ignorar a teoria clássica — atrelada aos fatores comportamentais. O demógrafo José Eustáquio Alves ressalta que os homens, em geral, seguem mais expostos aos riscos de contágio e tratam menos das comorbidades crônicas. O que o leva a crer que as diferenças de reações ao vírus (e a outras mazelas) provavelmente refletem uma combinação de diversos fatores. "Explicar a letalidade do vírus só pela biologia seria interessante, mas limitada", comentou Alves. "Quando se trata de mortalidade, os fatores biológicos explicam menos do que os fatores sociais." Veja VÍDEOS de Ciência e Saúde Veja Mais

Sarampo: Pará vira o epicentro da doença no Brasil em 2020; entenda por quê

Glogo - Ciência Estado da região Norte representa 64% dos casos e 71% das mortes pela enfermidade no país neste ano. Baixa cobertura vacinal é uma das principais explicações. A tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, é aplicada em duas doses. A primeira aos 12 meses de vida e a segunda até os 29 anos de idade. Para conter o surto, autoridades estão oferecendo doses de reforço para bebês e jovens adultos. Getty Images via BBC Em um ano marcado pela pandemia de Covid-19, pouco se fala de outra doença infecciosa que segue em alta no Brasil e no mundo: o sarampo. Em seu mais recente boletim epidemiológico, o Ministério da Saúde calcula que, só em 2020, foram 8.217 casos e sete mortes pela doença no país. Os dados compreendem o período de 29 de dezembro de 2019 a 17 de outubro de 2020. Mortes por sarampo aumentaram 50% em quatro anos, alerta OMS Além do número altíssimo para uma doença que pode ser evitada por meio da vacinação, há outro fato que chama a atenção no relatório: o Pará vive um verdadeiro surto de sarampo. O Estado apresenta 5.294 casos confirmados (64% do total do país) e já notificou cinco mortes (71% do que foi registrado em território nacional). Mas como o Pará se tornou o epicentro da doença no país? Imigração e falha vacinal Para entender direitinho essa história, é preciso voltar no tempo: em 2016, o Brasil recebeu da Organização Mundial da Saúde um certificado de eliminação do sarampo. Na prática, isso significava que o vírus causador da moléstia não estava mais circulando dentro de nossas fronteiras. Em menos de dois anos, a conquista foi por água abaixo: em 2018, o país viveu um surto da doença como não sofria há quase duas décadas. Naquele ano, os Estados do Amazonas e Roraima foram os mais acometidos, com quase 10 mil indivíduos infectados. Mas o que explica esse ressurgimento justamente nessa região do Brasil? "Houve uma reintrodução do vírus a partir da Venezuela, com a chegada dos refugiados que cruzaram a fronteira desses Estados", conta a infectologista Tânia Chaves, professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Pará. Que fique claro: a culpa pelo surto não deve ser creditada aos venezuelanos. Afinal, se toda a população brasileira estivesse vacinada contra o sarampo, o agente infeccioso não conseguiria circular livremente entre nós. "Infelizmente, relaxamos nossa vigilância e tínhamos uma grande parcela da população desprotegida", lamenta Chaves, que também representa a Sociedade Brasileira de Infectologia. Em 2019, a situação se agravou ainda mais, com a confirmação de 15 mil casos de sarampo. Os Estados mais atingidos foram São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro. Brasil perderá certificado de erradicação do sarampo após novo caso registrado Facilmente prevenível por vacina, o sarampo voltou com tudo ao Brasil a partir de 2018. A doença pode causar complicações em crianças menores de 5 anos e pacientes desnutridos ou com problemas de imunidade Getty Images via BBC Chegamos, então, ao surto atual no Pará. Os especialistas concordam que o sarampo parece ter "pulado" do Amazonas e encontrado no Estado vizinho toda uma população vulnerável. Em um contexto de baixa imunização, a proximidade com dois Estados que tiveram em anos recentes um alto número de casos de sarampo deixou o Pará extremamente vulnerável à doença. "O grande número de casos se deve a um bolsão de pessoas suscetíveis que se formou a partir das baixas taxas de vacinação nos últimos anos", analisa o sanitarista Bruno Pinheiro, diretor do Departamento de Epidemiologia da Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará. Vale dizer que o sarampo está entre as doenças mais contagiosas que afligem os seres humanos: um único indivíduo infectado chega a transmitir o vírus para outras 18 pessoas. A título de comparação, estima-se que, na Covid-19, esse número varie entre 2 e 3. Então, o que fazer? Para conter o problema, nos últimos anos o Ministério da Saúde e as secretarias estaduais fizeram extensas campanhas de vacinação contra o sarampo. O imunizante, conhecido como tríplice viral por proteger contra os vírus causadores de sarampo, caxumba e rubéola, está disponível há décadas no Sistema Único de Saúde a todos os brasileiros. A recomendação é tomar duas doses. A primeira é dada quando o recém-nascido completa os 12 meses de vida. A segunda pode ser aplicada até os 29 anos de idade. Os surtos que se iniciaram no Brasil a partir de 2018 motivaram algumas alterações nesse esquema vacinal: atualmente, os especialistas oferecem uma "dose zero" em bebês que possuem entre 6 a 11 meses. "Essa é uma medida emergencial para garantir uma maior proteção neste momento, mas as duas outras doses a partir do primeiro ano de vida continuam essenciais", diz Chaves. Desafios do Brasil na luta contra o sarampo Outra estratégia adotada foi reforçar a proteção dos adultos. A ideia é que as pessoas de 20 a 49 anos que não têm carteirinha de vacinação ou não sabem se tomaram a tríplice viral no passado recebam uma dose da vacina ou completem o esquema de imunização para ficarem resguardados. As campanhas, porém, apresentam resultados frustrantes. O Pará tinha como meta vacinar 3,4 milhões de pessoas ao longo de 2020. Até o início de novembro, apenas 26% do público-alvo, ou cerca de 900 mil adultos, receberam suas doses. A situação é ainda pior quando analisamos o país como um todo. Entre o início da mobilização nacional contra o sarampo (iniciada no dia 16 de março) até 29 de outubro, 11,7 milhões de brasileiros de 20 a 49 anos foram imunizados. Isso corresponde a 13% da meta. Motivos para a baixa procura Com o sucesso dos programas de vacinação nas últimas décadas, a população deixou de ver casos próximos de sarampo e de outras doenças infecciosas. "Havia uma percepção de que esses problemas estavam controlado e de que não havia mais necessidade de se preocupar com eles", observa Chaves. Essa menor percepção de risco fez com que muitos pais deixassem de levar seus filhos aos postos de saúde para completar a carteirinha de vacinação. Em paralelo, há uma grande preocupação com os movimentos antivacina, que compartilham informações mentirosas sobre os imunizantes, desencorajando as pessoas a tomarem suas doses. Mas os especialistas acreditam que esse fator seja menos importante na realidade brasileira. Por fim, não dá pra ignorar o impacto da pandemia neste contexto. "Muitos serviços não essenciais tiveram suas atividades reduzidas por conta da Covid-19 e as pessoas ficaram com medo de ir até o posto de saúde para vacinar", acredita a infectologista. Campanha de vacinação do Ministério da Saúde; taxas de imunização têm caído a níveis preocupantes no país VALTER CAMPANATO/AG BRASIL Do ponto de vista das ações estratégicas, o coronavírus também dividiu muito as atenções dos gestores de saúde e exigiu que as equipes profissionais focassem no problema mais urgente. Isso, claro, levou a um descuido e a um descontrole de outras doenças infecciosas. Por meio de uma nota, a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde respondeu às questões enviadas pela reportagem da BBC News Brasil e reforçou a importância da vacinação contra o sarampo: "O ministério afirma que tem ampliado as estratégias de conscientização da população, bem como ações junto a profissionais de saúde, com o objetivo de manter as altas e homogêneas coberturas vacinais e, consequentemente, reduzir os riscos de introdução e transmissão de doenças imunopreveníveis no país." Sem vacinação, Brasil pode ter surto de sarampo no ano que vem Desafio global Não é só no Brasil que o sarampo virou preocupação. Em comunicado recente, a Organização Mundial da Saúde e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos alertaram que essa doença matou 207 mil pessoas ao longo do ano passado. Esse número aumentou 50% entre 2016 e 2019. Ainda segundo o relatório, o número de casos superou a marca de 869 mil, um recorde dos últimos 23 anos. As entidades pedem que os países reforcem suas campanhas e criem estratégias para conter os surtos locais. O sarampo é uma doença transmitida por meio de gotículas de saliva que saem da boca e do nariz por meio da fala, de tosses, espirros ou pela própria respiração. Trata-se de uma doença extremamente contagiosa que pode levar a complicações graves e até a morte, principalmente em crianças com menos de cinco anos, em quem sofre de desnutrição ou em indivíduos com problemas de imunidade. Entenda o que é sarampo, quais os sintomas, como é o tratamento e quem deve se vacina Arte G1 Veja VÍDEOS sobre Ciência e Saúde Veja Mais

OMS diz que espera 'finalizar avaliação' da vacina de Oxford contra Covid-19 no início de 2021

Glogo - Ciência Declaração foi dada por Mariângela Simão, brasileira e diretora-geral assistente para acesso a medicamentos, vacinas e produtos farmacêuticos da OMS. Pesquisadores da universidade de Oxford anunciaram que vacina teve 90% de eficácia nos voluntários que recberam uma dose menor. Foto tirada no dia 17 de novembro mostra seringa e frasco com etiqueta 'vacina Covid-19' escrita em inglês. Joel Saget/AFP A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou, nesta segunda-feira (23), que pretende "finalizar a avaliação" da vacina de Oxford contra a Covid-19 no início de 2021. "Vamos analisar esses dados com muito cuidado, mas saudamos bastante os resultados e esperamos finalizar a avaliação no próximo ano", afirmou Mariângela Simão, brasileira e diretora-geral assistente para acesso a medicamentos, vacinas e produtos farmacêuticos da OMS. Pesquisadores da Universidade de Oxford anunciaram, nesta segunda-feira, que a vacina desenvolvida em parceria com a AstraZeneca teve 90% de eficácia nos voluntários que receberam uma meia dose seguida de uma dose completa. Naqueles que receberam as duas doses completas, a eficácia foi menor, de 62%. Vacina de Oxford contra Covid-19 tem eficácia média de 70% O líder do estudo, Andrew Pollard, diretor do Grupo de Vacinas de Oxford, declarou que o resultado é "intrigante". Na prática, se uma vacina tem 90% de eficácia, isso significa dizer que 90% das pessoas que tomam a vacina ficam protegidas contra aquela doença. Facilidade de armazenamento A cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, disse que a AstraZeneca já está em conversas com o programa de pré-qualificação da OMS para vacinas. A cientista afirmou que a entidade está "encorajada" pelos dados vistos, e que é necessário esperar resultados de eficácia e segurança completos. Swaminathan lembrou, ainda, que a vantagem da vacina de Oxford em relação às concorrentes (como a da Pfizer e da Moderna) é que ela pode ser mantida em temperaturas normais de refrigeração, entre 2°C e 8°C. Em contrapartida, a candidata da Pfizer precisa ser armazenada a -70ºC durante o transporte, e a da Moderna precisa ficar a -20ºC. "[Há] vantagens logísticas enormes para o transporte e entrega de vacinas para cidades e vilarejos em áreas rurais. Esperamos que haja mais vacinas como esta, que são mais estáveis no calor", disse Swaminathan. “Temos que encorajar também outros desenvolvedores”, acrescentou a cientista. "Precisamos de uma variedade de vacinas que visem melhor grupos diferentes, e é importante ter em mente diferentes condições de armazenamento e preços acessíveis". "É muito importante que tenhamos vacinas diferentes de plataformas diferentes", concordou Simão, citando a temperatura ultrafria necessária para manter a vacina da Pfizer. "É um desafio não só para países de renda média e baixa, mas também para países ricos. É muito importante garantir o acesso equitativo, mas precisamos levar em consideração as características de cada vacina", disse. Como as vacinas funcionam? Vídeos: novidades sobre vacinas contra a Covid-19 Veja Mais

O modelo matemático que diz ser possível voltar ao passado

Glogo - Ciência Viajar no tempo talvez seja teoricamente possível, mas um paradoxo pode complicá-la. Um novo estudo afirma que resolveu esse problema, pelo menos no mundo da matemática. Por enquanto, viajar é apenas um exercício mental que nos ajuda a entender as leis do universo Getty Images via BBC Imagine que você tem uma máquina do tempo com a qual pode viajar ao passado. Nesse momento, você teria a possibilidade de voltar ao final de 2019 e evitar o desencadeamento da pandemia do coronavírus. Sua missão seria encontrar o paciente zero, pouco antes de ele ser infectado. Parece bom, não? O problema é que um pequeno detalhe o impediria de completar essa missão. É verdade que algumas interpretações da física teórica afirmam que a viagem no tempo é possível. Albert Einstein, por exemplo, estava ciente de que suas equações permitiam, em princípio, viagens no tempo. Essa possibilidade teórica, entretanto, esbarra no que os cientistas chamam de "paradoxo", que tornaria logicamente impossível que a viagem acontecesse. Esses paradoxos são um desmancha prazeres para os entusiastas de viagens no tempo, mas agora novas pesquisas afirmam que eles podem ser evitados. Quais são esses paradoxos e por que este novo estudo afirma que é possível evitá-los para viajar ao passado? Ideia de viajar ao passado cria paradoxos que desafiam a lógica Getty Images via BBC Um neto que mata seu avô Para entender o que é um paradoxo, vamos voltar à história da pandemia Se você viajar ao passado e evitar que o paciente zero seja infectado, um paradoxo é criado imediatamente. Ou seja, se você conseguisse impedir o início da pandemia, hoje não teríamos uma pandemia, portanto, não haveria motivo para viajar ao passado. Assim, você não viajaria ao passado e não poderia evitar que a pandemia se desencadeasse. Esse é o paradoxo, um ciclo infinito que cria uma inconsistência lógica e destrói a ilusão da viagem no tempo. Existem muitos paradoxos, mas este é um dos mais famosos. É chamado de "paradoxo do avô", porque sua versão original apresenta um cenário em que um neto viaja ao passado para matar seu avô antes de ele ter seu pai. O problema é que se ele matasse o avô, o viajante jamais poderia ter nascido. E, se ele não nascesse, sua viagem no tempo também não seria possível. A partir da física teórica, vários exercícios foram propostos para explicar a possibilidade de viagem no tempo Getty Images via BBC Evitar o paradoxo Para resolver este paradoxo, vários exercícios mentais foram propostos, mas agora, dois pesquisadores na Austrália propõem uma solução matemática para evitá-lo. Os pesquisadores queriam analisar como a dinâmica de um corpo, ou seja, seu movimento no espaço-tempo, se comporta ao entrar em uma curva de viagem ao passado. Para isso, criaram um modelo matemático com o qual calcularam que um "agente" que entra em um ciclo de viagem ao passado poderia seguir caminhos diferentes sem alterar o resultado de suas ações. O exercício abstrato mostra que vários agentes podem se comunicar no passado e no presente, sem uma relação de causa e efeito. Isso significa que "os eventos se ajustam, de modo que sempre haverá uma solução única e consistente", diz Germain Tobar, estudante de física da Universidade de Queensland, na Austrália, e autor do estudo, supervisionado pelo professor Fabio Costa, filósofo e físico teórico. Você acha que um dia poderemos viajar no tempo? Getty Images via BBC E o que isso significa? Voltando ao exemplo da pandemia, o que o estudo diz é que se você viajar ao passado, poderia fazer o que quiser, mas seria impossível mudar o resultado dos eventos. Ou seja, você teria livre arbítrio, mas não conseguiria evitar que a pandemia se desencadeasse. Poderia acontecer, por exemplo, que enquanto você estivesse tentando deter o paciente zero, outra pessoa se contagiaria, ou mesmo você. De acordo com o modelo de Tobar, os eventos mais relevantes seriam calibrados constantemente para evitar qualquer inconsistência (paradoxo) e, assim, atingir sempre o mesmo resultado, neste caso, o início da pandemia. Entendendo o universo O estudo de Tobar é aplicável apenas de forma abstrata no campo da matemática. "É um trabalho interessante", diz Chris Fewster, professor de matemática da Universidade de York, no Reino Unido, que estuda modelos de viagem no tempo. Fewster, no entanto, adverte que agora "resta saber se as condições abstratas que (os autores) impuseram são satisfeitas nas teorias da física atualmente conhecidas". Segundo Tobar, esse é exatamente o desafio que eles têm agora: colocar seu modelo à prova. Por enquanto, embora seu trabalho esteja longe de tornar a viagem no tempo uma realidade, Tobar argumenta se tratar de um passo rumo à compreensão das leis que governam o Universo. Veja Mais

Secretário diz que teste não é 'requisito' para tratar Covid e que letalidade caiu após gestão Pazuello

Glogo - Ciência Para representantes do Ministério da Saúde, Brasil não vive 2ª onda da pandemia e não há necessidade de retomar medidas amplas de isolamento. Cientistas refutam a afirmação de que a letalidade caiu e condenam 'tratamento precoce'. O secretário-executivo adjunto do Ministério da Saúde, Elcio Franco, durante entrevista em maio de 2020 Wallace Martins/Futura Press/Estadão Conteúdo O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, disse nesta sexta-feira (27) que a realização de testes não é requisito para que pacientes com a Covid-19 recebam tratamento. Franco afirmou, além disso, que a letalidade da doença causada pelo novo coronavírus caiu no Brasil após a chegada de Eduardo Pazuello ao comando do ministério. A afirmação ocorre no momento em que o Ministério da Saúde é criticado por especialistas sobre uma gestão da pandemia que levou a: 7 milhões de testes correrem o risco de não serem usados, pois estão prestes a vencer e agora necessitam de uma aprovação da Anvisa para ampliação da validade; Defesa de uso da cloroquina e hidroxicloroquina, apesar de a Organização Mundial da Saúde (OMS) apontar que o remédio não foi eficaz contra a doença; Exclusão de post nas redes sociais do Ministério da Saúde com a afirmação: "não existem vacina, alimento específico, substância ou remédio que previnam ou possam acabar com a Covid-19"; Queda no total de testes realizados, item considerado essencial para o rastreamento e isolamento de contato de pacientes de Covid. Durante entrevista coletiva, Elcio Franco não tratou da importância da realização de testes moleculares de diagnóstico da Covid para o rastreamento de contatos e para isolar casos confirmados. Especialistas alertam que exames são essenciais para rastrear e frear avanço da pandemia. "O teste vai ocorrer mediante demanda do médico. Nós destacamos que o médico poderá realizar o diagnóstico clínico físico. (...) Não é requisito que o paciente necessariamente faça o teste", disse o secretário. O cardiologista e pesquisador do Hospital Universitário da USP Marcio Bittencourt diz que o teste não é requisito obrigatório, mas é "altamente recomendado". "Não é requisito obrigatório, mas é altamente recomendado. Eu posso até fazer o diagnóstico clínico-epidemiológico ou por tomografia quando eu não tenho o teste. É um quebra-galho. Eu posso errar muito mais. A gente precisa do teste e precisava ter muito mais teste do que tem", afirma. Bittencourt lembra, ainda, que a OMS recomenda uma taxa de positividade de testes em torno de 5% para que a disseminação da doença seja considerada sob controle. No Brasil, essa taxa é de 30% (a taxa de positividade representa o percentual de casos positivos em relação ao número de testes feitos). "E [a taxa de positividade] nunca foi abaixo de 20%, em nenhuma semana. A nossa positividade msotra que a gente testa pouco, e quando testa pouco a positividade vem alta. Tem que testar de 5 a 10 vezes mais do que a gente testa para chegar em 5%", diz o médico da USP. A afirmação do secretário do ministério sobre a possibilidade de os médicos adotarem condutas independentemente da confirmação laboratorial do diagnóstico foi feita depois de ele afirmar que há "excedentes" de testes já distribuídos aos estados. A declaração foi proferida em um contexto em que cerca de 7 milhões de testes do tipo PCR, considerado o padrão "ouro" para diagnóstico da Covid-19, estão parados, perto da data de vencimento, em um armazém do governo. Um segundo levantamento, feito pela Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial, aponta que há ao menos outros 8 milhões de testes nessa situação no país, levando o número a, no mínimo, 15 milhões de testes de Covid-19 com vencimento em março de 2021 no Brasil. 'Aprendizados' com a pandemia Ao apresentar iniciativas do ministério, Franco explicou que houve "aprendizados" ao longo da pandemia. "Nós tivemos um aprendizado com o tratamento precoce, com o manejo clinico também precoce, com oxigênio terapia, e com ampliação da atenção primária, com ampliação do atendimento das Unidades Básicas de Saúde, com os centros de referência e comunitários", disse Franco. Marcio Bittencourt, da USP, lembra, entretanto, que não há "nenhuma evidência de que nenhum tratamento precoce funciona além das medidas de prevenção", como o uso de máscaras e o isolamento social. Os medicamentos citados pelo governo como eficazes para combater o novo coronavírus – como a cloroquina e a hidroxicloroquina – já foram estudados por cientistas brasileiros e internacionais e não mostraram nenhuma eficácia contra a doença. Pelo contrário: uma pesquisa feita pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, mostra que a hidroxicloroquina pode piorar o caso de pacientes com Covid. "É simples: nenhum país usa, nenhuma organização internacional usa", resume Marcio Bittencourt. O ministério também não apresentou estudos que associassem uma queda de letalidade ao tratamento precoce. Letalidade O secretário-executivo da pasta também afirmou que houve uma queda na letalidade pela Covid-19. A letalidade, entretanto, é um percentual calculado dividindo-se o número de pessoas que morrem por uma doença pelo número total de infectados. Quando mais pessoas são diagnosticadas, a letalidade cai. "A letalidade não está caindo porque está salvando ninguém, mas porque a gente está sendo capaz de diagnosticar mais", explica Marcio Bittencourt. O número de casos detectados aumentou depois que o governo determinou que o diagnóstico poderia ser feito com exames de imagem, por exemplo, e não necessariamente com testes. Apesar disso, Elcio Franco não avaliou se há relação entre o nível de testes realizados e a letalidade. Quando estava no papel de ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta afirmava que a letalidade iria cair progressivamente com o aumento da testagem no Brasil. Questionado pelo G1, Hélio Angotti Neto, secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, não avaliou o impacto do aumento da testagem na taxa de letalidade. Neto disse que é "difícil" apontar uma "causa única", mas reafirmou que o tratamento precoce – incluindo a hidroxicloroquina e a cloroquina – teve impacto no índice. "Há correlação sim, essa correlação não pode ser negligenciável", disse. Nesta sexta-feira (27), o Brasil alcançou a marca de 171.998 mortes pela Covid-19, o segundo maior número do mundo – atrás apenas dos Estados Unidos. VÍDEOS: mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias Veja Mais

Centro de Pesquisa Boldrini triplica pesquisadores em 2 anos e descobre genes causadores e agravadores da leucemia

Glogo - Ciência Instituição é integrada ao Hospital Centro Infantil Boldrini, referência em tratamento de câncer e doenças do sangue na América Latina, e completa dois anos nesta sexta-feira (27). Atualmente, 11 projetos estão em desenvolvimento. Centro de Pesquisa Boldrini, em Campinas, é o maior da América Latina em pesquisa de câncer em crianças e adolescentes Centro de Pesquisa Boldrini/Acervo O Centro de Pesquisa Boldrini (CPB), vinculado ao hospital infantil Boldrini localizado em Campinas (SP) e referência em tratamento de câncer e doenças do sangue na América Latina, completa dois anos de fundação nesta sexta-feira (27). Em 24 meses, triplicou o número de pesquisadores e descobriu genes causadores e agravadores da leucemia em crianças e adolescentes. Pesquisador do CPB, o doutor em genética e biologia molecular Andrés Yunes ressaltou, em entrevista ao G1, que os estudos na área da leucemia em crianças trouxeram avanços nos últimos dois anos que terão reflexos em diagnósticos mais rápidos e na maior precisão nos tratamentos. Há dois artigos em vias de publicação, segundo ele. "Um deles confirmando que certas mutações em gene especifico são suficientes para desencadear a leucemia. O outro mostra que uma proteína secretada pela leucemia favorece o estímulo da insulina, o que ajuda a própria leucemia a proliferar.". Os artigos tratam dos genes IL7R e IGFBP7, respectivamente; o segundo mostra, ainda, que o uso de um anticorpo pode ajudar a inibir o que "alimenta" a leucemia. Os dois estudos integram uma lista com 11 projetos em desenvolvimento no CPB, que se consagrou como o primeiro do Brasil a dedicar-se exclusivamente à pesquisa sobre câncer pediátrico e a maior unidade da América Latina no setor. "Com o CPB, o Boldrini entrou na era da genômica e da terapia celular, o que resultará em diagnósticos mais apurados, o acompanhamento mais preciso da resposta ao tratamento e implantação de novas formas de tratamento.", completa o pesquisador. Unidade de análises do Centro de Pesquisa Boldrini, em Campinas Centro de Pesquisa Boldrini/Acervo Mais pesquisadores e especialistas O quadro inicial do Centro de Pesquisa em 2018 era composto por quatro pesquisadores e oito estudantes, sendo que alguns funcionários atuavam já com pesquisa dentro do hospital e migraram para o prédio com a inauguração, explicou a instituição. Desde então, mais oito pesquisadores entraram para a equipe, composta atualmente por 12 profissionais. Também agregaram à estrutura um pós-doutorando, cinco novos alunos de doutorado, um de mestrado e sete novos alunos de iniciação científica, conectando cientistas, médicos e universidades. Projetos em desenvolvimento O CPB foca em estudos nas áreas de imunoterapia, anticorpos monoclonais terapêuticos, DNA circulante tumoral, tumores do sistema nervoso central, doença residual mínima, novas drogas, fatores ambientais e também câncer pediátrico, informática e espectrometria de massa. Veja, abaixo a lista dos 11 projetos em desenvolvimento: Desenvolvimento de terapia CAR-T para leucemia linfoide aguda Desenvolvimento de anticorpos terapêuticos contra a leucemia linfoide aguda Estudo de DNA tumoral circulante em tumores pediátricos Estudo da doença residual mínima na leucemia Desenvolvimento de um novo inibidor de tubulina Desenvolvimento de uma nova asparaginase de Erwinia Estudo de coorte de Campinas Variantes estruturais (SV) e domínios de associação topológica (TAD) dos cromossomos na leucemia linfoide aguda pediátrica Normalização da expressão gênica pelo volume celular Estudo da leucemogenese desencadeada pela mutação do IL7R Papel do IGFBP7 no câncer "O trabalho conduziu a descobertas que representaram grandes avanços na compreensão e no tratamento do câncer pediátrico, sobre a natureza e o contexto molecular, genético e de desenvolvimento dos cânceres da criança e do adolescente.", destaca a instituição. Pesquisas voltadas para neoplasias hematológicas, uma das principais causas de morte relacionadas aos cânceres da criança, estão no escopo de estudos do CPB. Laboratório do Centro de Pesquisa Boldrini, em Campinas Centro de Pesquisa Boldrini/Acervo Análise genética em crianças Além disso, este ano o CPB passou a integrar o Grupo Internacional de Farmacogenoma em Câncer da Criança (CPIC) - que envolve a análise de genes e testes clínicos de medicamentos. Com isso, já começou a ser implementada a estrutura em Campinas para iniciar estudos em crianças diagnosticadas com câncer. De acordo com a instituição, os testes serão feitos antes do início do tratamento, com o objetivo de reduzir os efeitos tóxicos e agudos. A longo prazo, o benefício é o aumento da eficácia das quimioterapias. Futuro O Centro de Pesquisa Boldrini prevê, para os próximos anos, a implantação do Serviço de Protonterapia, uma modalidade de tratamento radioterápico com menores efeitos secundários das radiações que a criança recebe. "O cronograma do desenvolvimento da nova construção predial e implantação dos equipamentos, tem a previsão de cinco anos para a sua conclusão.", informou a unidade. O hospital também integra o Consórcio Internacional de Coortes de Câncer da Criança, que realiza um estudo com acompanhamento de gestantes e seus filhos por 18 anos. Ao todo, 100 mil grávidas participarão por meio do Centro Infantil Boldrini da extensa pesquisa. O Centro Infantil Boldrini tem 42 anos de atuação já atendeu cerca de 10 mil pacientes de todo o Brasil com câncer. Atualmente os índices de cura estão entre 70% e 80% - níveis alcançados nos principais centros internacionais, segundo a instituição. Centro de Pesquisas Boldrini foi inaugurado em 2018, em Campinas. Unidade é a maior da América Latina. Ricardo Custódio/EPTV Veja mais notícias da região no G1 Campinas Veja Mais

Vazamento de senhas do Ministério da Saúde expõe informações de pacientes de Covid-19, diz jornal

Glogo - Ciência A brecha foi relevada pelo jornal 'O Estado de S. Paulo', que apurou que as senhas permitiam acesso a dados de ao menos 16 milhões de pessoas, incluindo o presidente Jair Bolsonaro e outros membros do governo. Informações pessoais de pacientes com diagnósticos suspeitos ou confirmados de Covid-19 ficaram disponíveis na internet por quase um mês depois que senhas do Ministério da Saúde foram publicadas em uma plataforma aberta, segundo o jornal "O Estado de S. Paulo" em uma reportagem publicada nesta quinta-feira (26). As senhas permitiam acesso a dados como CPF, endereço, telefone e doenças pré-existentes de pelo menos 16 milhões de pessoas em todo o país, segundo o jornal (veja detalhes mais abaixo). Os dados foram publicados por um funcionário do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, em um site de compartilhamento de códigos de programação usado por programadores e cientistas de dados, também de acordo com o "O Estado de S. Paulo". Em nota divulgada na quarta-feira (25), o hospital disse que "tomou conhecimento" de que "um colaborador que presta serviços ao Ministério da Saúde teria arquivado informações de acesso a determinados sistemas sem a proteção adequada" (veja íntegra do texto ao final da reportagem). Em comunicado, o Ministério da Saúde afirmou que o Einstein estava adotando medidas para "um possível vazamento de arquivos contendo login e senha para acesso das informações" por meio de um mecanismo de busca de dados aberto chamado Elastic Search. Ainda de acordo com a pasta, o hospital informou que "uma planilha foi equivocadamente publicada em uma plataforma de hospedagem de código-fonte". (Veja íntegra do texto ao final da reportagem). Nem o Einstein, nem o Ministério da Saúde confirmaram o número de pacientes cujas informações podem ter ficado expostas após a publicação das senhas. Senhas e planilha De acordo com o "O Estado de S. Paulo", com as senhas publicadas, era possível acessar registros relacionados à Covid-19 em dois sistemas do governo federal: um com notificações de casos suspeitos e confirmados da doença e outro com as internações por síndrome respiratória aguda grave (SRAG). A SRAG pode ser causada por vários vírus respiratórios, mas, neste ano, quase 98% dos casos no Brasil têm o vírus da Covid-19 como causa, segundo dados da Fiocruz. Os dados das internações por SRAG têm sido usados para estimar com mais precisão o número de casos de Covid no país – que são subnotificados por causa da pouca testagem. O jornal disse que recebeu uma denúncia com o link para página onde a senhas estavam disponíveis. Segundo a reportagem, a planilha com os dados foi publicada em 28 de outubro. Na nota de quarta-feira (25), o Einstein disse que as informações "foram removidas e o fato comunicado ao Ministério da Saúde, para que fossem tomadas as medidas para assegurar a proteção das referidas informações". Em nota divulgada na quarta-feira (25), o Einstein afirmou que "tomou conhecimento" que um funcionário do hospital que prestava serviços ao Ministério da Saúde "teria arquivado informações de acesso a determinados sistemas sem a proteção adequada". O Ministério da Saúde informou que o Departamento de Informática do SUS (DataSUS) "revogou imediatamente todos os acessos dos logins e das senhas que estavam contidos na referida planilha". Ainda de acordo com a Saúde, os bancos de dados "não são de fácil acesso, uma vez que apenas login e senha não são suficientes para se chegar às informações contidas nos bancos de dados - e sim um conjunto de fatores técnicos". Dados de membros do governo A reportagem afirma que o presidente Jair Bolsonaro e ao menos outros 7 ministros foram afetados pelo vazamento,– incluindo o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello; o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni; e a ministra da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves. Também tiveram os dados expostos o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e outros 16 governadores, além dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), de acordo com o jornal. Ainda segundo a reportagem, "tanto pacientes da rede pública quanto da privada tiveram seus dados expostos", porque a notificação de casos suspeitos e confirmados de Covid é obrigatória a todos os hospitais. Nota do Hospital Albert Einstein (25/11): "Prezados Senhores, O Einstein tomou conhecimento na tarde de hoje que um colaborador que presta serviços ao Ministério da Saúde teria arquivado informações de acesso a determinados sistemas sem a proteção adequada. Imediatamente estas informações foram removidas e o fato comunicado ao Ministério da Saúde, para que fossem tomadas as medidas para assegurar a proteção das referidas informações. O Einstein reitera seu compromisso com a segurança das informações e a proteção de dados, bem como que tomará as medidas administrativas cabíveis. Atenciosamente, Edson Amaro Jr. Superintendente de Ciência de Dados e Analytics da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein" Nota do Ministério da Saúde: "O Ministério da Saúde informa que realizou reunião com o Hospital Israelita Albert Einstein – com quem tem parceria via Proadi -, para esclarecimento dos fatos. O profissional contratado atua no MS como cientista de dados e iniciou as atividades em 14/09/2020 e, no âmbito das medidas de segurança do ministério, em atendimento aos protocolos de compliance e confidencialidade, por meio de assinatura do termo de responsabilidade antes do acesso à base de dados do e-SUS Notifica. O Hospital informou ao Ministério da Saúde que iniciou um processo de apuração dos fatos. A equipe de segurança cibernética do hospital está tomando todas as medidas para conter um possível vazamento de arquivos contendo login e senha para acesso das informações dos sistemas via Elastic Search. A instituição informou, também, que uma planilha foi equivocadamente publicada em uma plataforma de hospedagem de código-fonte. Este documento foi apagado e está sendo realizado o rastreamento de possíveis sites ou ciberespaços onde os dados podem ter sido replicados. O hospital confirmou que houve falha humana de um dos seus colaboradores - e não do sistema. O Departamento de Informática do SUS (DataSUS) revogou imediatamente todos os acessos dos logins e das senhas que estavam contidos na referida planilha. É importante ressaltar que os dados não são de fácil acesso, uma vez que apenas login e senha não são suficientes para se chegar às informações contidas nos bancos de dados - e sim um conjunto de fatores técnicos,. O Ministério da Saúde ressalta que todos os técnicos que têm acesso aos seus sistemas de informação assinam termo de responsabilidade para uso das informações e todos estão cientes de que a divulgação de informações pessoais está sujeita a sanções penais e administrativas." Vídeos: mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias: Veja Mais

Expectativa de vida do brasileiro ao nascer foi de 76,6 anos em 2019, diz IBGE

Glogo - Ciência Dado foi divulgado nesta quinta-feira (26) e representa alta de 3 meses em comparação com a expectativa de vida observada em 2018, que era de 76,3 anos. Estimativa vem crescendo desde 1940, quando a expectativa de vida do brasileiro ao nascer era de apenas 45,5 anos. Expectativa de vida do brasileiro ao nascer foi de 76,6 anos em 2019, segundo IBGE Arek Socha / Pixabay A expectativa de vida ao nascer dos brasileiros era de 76,6 anos em 2019, de acordo com dados publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (26) no Diário Oficial da União. São 3 meses a mais em relação ao valor estimado para o ano de 2018. Essa estimativa vem crescendo desde 1940. Naquele ano, a expectativa de vida do brasileiro ao nascer era de apenas 45,5 anos, ou seja, os brasileiros hoje vivem, em média, 30,8 anos a mais do que em meados do século passado. A expectativa de vida muda conforme o ano de nascimento da pessoa, ao que se dá o nome de "projeção de sobrevida". Por exemplo, quem tinha 30 anos completos em 2019 terá um tempo médio de vida diferente de quem nasceu no mesmo ano. Aos 30 anos: 48,9 de expectativa de sobrevida, ou seja, expectativa de vida de 78,9 anos Aos 40 anos: 39,7 de expectativa de sobrevida, ou seja, expectativa de vida de 79,7 anos Aos 50 anos: 30,8 de expectativa de sobrevida, ou seja, expectativa de vida de 80,8 anos Aos 60 anos: 22,7 de expectativa de sobrevida, ou seja, expectativa de vida de 82,7 anos Aos 70 anos: 15,5 de expectativa de sobrevida, ou seja, expectativa de vida de 85,5 anos Aos 80 anos ou mais: 9,7 de expectativa de sobrevida, ou seja, expectativa de vida de 89,7 anos ou mais Vídeos: mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias Veja Mais

PGR defende no STF que estados possam determinar vacinação obrigatória contra a Covid-19

Glogo - Ciência Augusto Aras afirma em parecer que definição cabe ao Ministério da Saúde, mas governadores podem agir em caso de omissão federal. PGR discorda da atuação de prefeitos nesse sentido. O procurador-geral da República, Augusto Aras, defendeu nesta quarta-feira (25) no Supremo Tribunal Federal (STF) que os governadores possam determinar a vacinação obrigatória para o combate à pandemia de Covid-19. Em parecer enviado ao Supremo, Aras afirmou que essa competência pode se definir: caso o Ministério da Saúde não aja para garantir a imunização da população ou eventualmente adote critérios (técnicos e científicos) para a imunização que não sejam adequados; e levando em conta a realidade local, fixando a obrigatoriedade apenas no território estadual. Governo ainda não apresentou plano de armazenamento, distribuição e aplicação das vacinas O chefe da PGR disse ainda que não há possibilidade de prefeitos determinarem as medidas. "Não há, todavia, interesse predominantemente local que autorize os municípios, por lei, a determinar a obrigatoriedade de vacinação, nem mesmo em caso de eventual inação do Ministério da Saúde”, afirmou. Augusto Aras se manifestou em uma ação protocolada no STF pelo PDT e que busca assegurar a competência de Estados e municípios para determinar a vacinação obrigatória e outras medidas profiláticas no combate à pandemia de Covid-19. O partido argumenta que essa atribuição deve ser reconhecida a governadores e prefeitos desde que as medidas sejam amparadas em evidências científicas e proporcionem maior proteção. Além desse caso, outros três processos discutem no STF a vacinação contra a Covid-19. Todos os casos estão sob a relatoria do ministro Ricardo Lewandowski. Vacinação obrigatória será analisada pelo plenário do STF, define Lewandowski Duas ações que tratam sobre a obrigatoriedade de o governo apresentar um plano de vacinação para a pandemia estão marcadas para serem julgadas no plenário virtual a partir do próximo dia 4. Segundo Aras, a definição das vacinações obrigatórias é atribuição do Ministério da Saúde, mas em caso de inação do órgão federal em meio a um cenário de calamidade pública sem precedentes, os estados poderão estabelecer a obrigatoriedade da imunização como forma de melhor realizar o direito fundamental à saúde. A PGR afirma que, para fixar a imunização, os estados precisam demonstrar que os fundamentos adotados pelo órgão federal não atendem à realidade do Estado. “É preciso que se busque o necessário equilíbrio na atuação dos entes federativos, em uma união de esforços e colaboração mútua, para lidar com o desafio da epidemia de Covid-19 “, escreveu o PGR. Ainda de acordo com Aras, “apenas nos casos em que os critérios (técnicos e científicos pautados na prevenção e precaução) adotados pelo Ministério da Saúde para dispensa da obrigatoriedade da vacinação não correspondam à realidade local ou no caso de manifesta inação do Ministério da Saúde, podem os estados-membros estabelecer a compulsoriedade da imunização por lei que obrigue a população no âmbito dos seus territórios”. PDT pede ao STF que estados decidam sobre obrigatoriedade de vacina Ação do PTB Em outro parecer, Aras defendeu que o STF rejeite uma ação do PTB que tenta impedir a vacinação compulsória. Segundo o PGR, a previsão de vacinação obrigatória pode ser adotada pelo poder público para enfrentamento da epidemia de Covid-19 em determinadas situações. Ele ressaltou, no entanto, que não pode existir coação para que o individuo seja imunizado. “Não é compatível com o ordenamento jurídico-constitucional, porque ofensiva à razoabilidade e à proporcionalidade, a instituição de medidas que violem de qualquer modo a integridade do sujeito omisso, por exemplo, forçando-o fisicamente ao ato de ser vacinado, com o propósito de alcançar o fim buscado”. Aras afirmou que a vacinação “direcionada à finalidade de reforçar o sistema imunológico e combater antígenos de doenças transmissíveis, impedindo a propagação de moléstias, vai além da prevenção individual: objetiva não apenas proteção individual, mas a de todos os indivíduos, notadamente daqueles que por algum motivo não possam ser imunizados (p. ex., os imunossuprimidos). É questão pública de saúde, direito de todos e obrigação do Estado”. Initial plugin text Veja Mais

O excepcional alinhamento de Júpiter e Saturno, que não acontece de tal modo desde a Idade Média

Glogo - Ciência 21 de dezembro marcará o ápice da "grande conjunção" entre os dois planetas, que poderá ser vista facilmente de horizontes abertos; proximidade tamanha entre eles só ocorreu séculos atrás. Alinhamento dos planetas ocorre a cada duas décadas, mas não de modo tão próximo como o previsto em dezembro. Getty Images via BBC Entre 16 e 21 de dezembro, uma grande parte dos habitantes da Terra poderá observar um fenômeno que não ocorria pelo menos desde 1623 - ou, segundo alguns astrônomos, desde o século 13: o que é conhecido como a "grande conjunção" de Júpiter e Saturno. Foto de Júpiter: a imagem extraordinária do planeta gigante que os astrônomos construíram com um mosaico de fotos Mistério dos planetas explica o que Júpiter pode ter a ver com a extinção dos dinossauros Atmosfera ácida e temperaturas altíssimas de Vênus podem ser o futuro da Terra, dizem astrônomos Durante esses dias, e especialmente às noites, os dois planetas estarão alinhados de tal maneira que parecerá que formam um planeta "duplo". "Depois de meses de aproximação lenta, em 21 de dezembro, que coincide com o solstício de inverno, Júpiter e Saturno se reunirão em uma espetacular grande conjunção", diz à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC) Hernando Guarín, professor de Astronomia da Universidade del Valle, na Colômbia, e diretor da Rede Colombiana de Astronomia. Para Guarín, a noite de 21 de dezembro será um "presente de Natal" antecipado para os fãs de astronomia. "É algo especial, porque Júpiter e Saturno são considerados os 'reis da observação', e o fato de estarem juntos não é algo que ocorra normalmente", diz. Segundo Guarín, esse alinhamento e a possibilidade de vê-lo desde a Terra são excepcionais por conta do próprio movimento dos três planetas. Gás, água e gelo: entenda o que a ciência já achou e onde concentra as buscas por vida fora da Terra Cientistas revisam descoberta de fosfina em Vênus e expectativa de achar vida microbiana diminui "A Terra leva um ano para dar volta no Sol; Júpiter leva 12 anos e Saturno, 30 anos", explica. "Isso torna difícil que o fenômeno aconteça com regularidade." Embora o alinhamento ocorra aproximadamente a cada duas décadas, o fenômeno deste ano tem características específicas que são inéditas há muitas centenas de anos. "Esta conjunção será excepcionalmente rara devido a quão próximos os planetas estarão entre si", explica Patrick Hartigan, astrônomo da Universidade de Rice (EUA). Fenômeno será visível em áreas com o céu limpo, principalmente perto da linha do Equador. Getty Images via BBC Uma conjunção com os planetas próximos entre si ocorreu em 16 de julho de 1623, mas Hartigan acha que o que vai acontecer em dezembro só tem paralelo com um fenômeno ainda mais antigo. "Seria preciso retroceder até antes do amanhecer de 4 de março de 1226 para ver um alinhamento mais próximo entre esses planetas (de modo) visível no céu noturno", diz. Passado 21 de dezembro, "aqueles que preferirem esperar e ver Júpiter e Saturno tão perto e mais acima no céu noturno terão que aguardar até 15 de março de 2080. Depois disso, a dupla não fará aparição semelhante até depois de 2400", diz ele. Para Guarín, há outro ponto a ser levado em conta. "Podemos ver como os planetas estão se aproximando entre si. Ou seja, é um espetáculo que podemos seguir desde agora até 21 de dezembro, quando infelizmente eles voltarão a se separar". A relevância é desde o ponto de vista científico, mas também "para as pessoas que queiram voltar a olhar para o céu", opina Guarín. A luminosidade de ambos os planetas no mês de dezembro tornará ainda mais simples essa observação: segundo o pesquisador, será possível ver o fenômeno a olho nu, principalmente de pontos próximos à linha do Equador, embora a visão através de um telescópio ou observatório seja muito melhor. Mas para conseguir avistar a conjunção "é essencial ter um bom horizonte, totalmente limpo, sem nuvens, montanhas ou edifícios". Ao mesmo tempo, Peter Lawrence, assessor editorial da revista Sky at Night, da BBC, aponta que é é preciso ter cuidado ao observar tais fenômenos com binóculos. "Binóculos podem separar os planetas devido ao efeito ótico, por isso é melhor usar um telescópio", afirma o astrônomo. "Com um telescópio você não verá apenas um disco duplo (dos planetas alinhados), como também poderá apreciar os anéis de Saturno e os cinturões de Júpiter." VÍDEOS: a carreira brilhante do físico britânico Stephen Hawking Veja Mais

Covid-19: comissão quer ouvir Pazuello sobre retenção de testes e reuniões com laboratórios

Glogo - Ciência Requerimentos foram aprovados em audiência pública; comparecimento não é obrigatório. Na última semana, Pazuello recebeu representantes de cinco laboratórios que desenvolvem vacinas. Comissão convida Pazuello a dar explicações sobre testes estocados A comissão mista do Congresso Nacional que acompanha as medidas de combate ao novo coronavírus aprovou nesta terça-feira (24) requerimentos para ouvir o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Pazuello será convidado a falar sobre os testes RT-PCR retidos em estoque, prestes a vencer, e também sobre reuniões realizadas com laboratórios que desenvolvem vacinas contra o novo coronavírus. Por se tratar de um convite, a participação do ministro não é obrigatória. Um dos requerimentos pede a realização de uma audiência pública com Pazuello para "buscar informações e esclarecimentos" sobre o possível descarte de milhões de testes para detecção da Covid-19. A reportagem, publicada neste domingo (22) pelo jornal "O Estado de S. Paulo", revela que o Ministério da Saúde armazena em São Paulo um estoque com 6,86 milhões de testes para a Covid-19 que podem perder validade até janeiro de 2021. Quase 7 milhões de testes de Covid comprados pelo Ministério do Saúde vencem em breve Outro requerimento também aprovado nesta terça pede que o Ministério da Saúde preste informações sobre os motivos para a não distribuição desses kits de testagem até o momento. O documento também pede que a pasta informe o plano de distribuição dos testes e o número exato de exames em estoque. Nesse caso, a resposta é obrigatória e deve ser protocolada em um prazo de até 30 dias. Caso contrário, Pazuello pode responder por crime de responsabilidade. Reuniões com laboratórios Outro requerimento aprovado nesta terça pela comissão mista pede audiência pública, também com o ministro da Saúde, para esclarecer dúvidas sobre reuniões realizadas na semana passada com cinco laboratórios cujas vacinas para a Covid19 encontram-se em fase avançada de desenvolvimento. Pfizer, Janssen, Sputinik V, Moderna e Covaxin estão na lista de empresas recebidas pelo Ministério da Saúde. Nesta série de encontros, o Ministério da Saúde não se reuniu com representantes da CoronaVac, da farmacêutica chinesa Sinovac, que tem parceria com o Instituto Butantan. As conversas sobre este imunizante estão sendo conduzidas diretamente com representantes do governo paulista. Corrida por vacina contra a Covid-19 gera forte expectativa; Drauzio Varella fala de desafios Parcerias no Brasil Atualmente, o Brasil tem parceria para futura produção de três candidatas à vacina. ChAdOx1 - O governo federal fechou acordo para compra da ChAdOx1, desenvolvida pela AstraZeneca/Oxford, e prevê parceria com a Fundação Oswaldo Cruz para produção do imunizante no Brasil. O governo federal vai investir R$ 1,9 bilhão para produção de 100 milhões de doses. CoronaVac - O governo de São Paulo tem acordo para compra da CoronaVac, em produção pela farmacêutica chinesa Sinovac, e o Instituto Butantan será parceiro na produção da vacina. Há previsão de que as 120 mil primeiras doses da CoronaVac cheguem ao Brasil na sexta-feira, 20 de novembro. Até agora, este é o anúncio mais avançado sobre a chegada de vacinas no Brasil. Sputnik V - Também existe acordo do governo do Paraná com a vacina Sputnik V, do Instituto Gamaleya, da Rússia. Além das parcerias, o governo federal fechou acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) para receber 42 milhões de doses de uma vacina contra a Covid-19 dentro da iniciativa chamada Covax Facility. Ainda não está definida qual será a empresa fornecedora. Atualmente, a OMS monitora um portfólio de vacinas candidatas. O governo brasileiro vai investir cerca de R$ 2,5 bilhões no acordo. Initial plugin text Veja Mais

China lança sonda para coletar amostras na Lua

Glogo - Ciência A sonda chinesa deve pousar no satélite natural da Terra no final de novembro, e a devolução das amostras deve ocorrer no começo ou em meados de dezembro. China declara que lançamento da missão para colher amostras do solo da Lua foi um sucesso A China lançou, na tarde de segunda-feira (23), uma sonda à Lua para coletar rochas, na primeira operação do tipo em mais de 40 anos. O foguete "Longa Marcha 5" lançou a sonda Chang'e-5 do centro de lançamento espacial Wenchang, na ilha tropical de Hainan, no sul do país, informou a agência estatal Xinhua. O lançamento foi às 17h30 da segunda-feira (23), no horário de Brasília (04h30 desta terça (24) no horário de Pequim). A sonda chinesa deve pousar na Lua no final de novembro. A devolução das amostras à Terra deve ocorrer no começo ou em meados de dezembro. A missão Chang'e-5, batizada em homenagem a uma deusa da lua na mitologia chinesa, é a próxima etapa do ambicioso programa espacial da China. No início de 2019, o país conseguiu pousar uma nave no lado oculto lunar, uma novidade mundial. MISSÃO MARCIANA: China lança espaçonave para sua primeira missão em Marte SEM RUMO: Planeta errante do tamanho da Terra é descoberto vagando pela Via Láctea A sonda que será enviada desta vez foi projetada para coletar cerca de 2 kg de poeira e rochas lunares, escavando o solo a uma profundidade de dois metros e, em seguida, enviando-as de volta à Terra. Essas amostras poderão ajudar os cientistas a entender melhor a história da Lua. Ambições espaciais Foto mostra foguete Longa Marcha-5 levando, na tarde de segunda-feira (23), a sonda Chang'e-5, na missão lunar de trazer de volta amostras de terra da Lua. O foguete deve pousar no final de novembro e trazer as amostras no fim de dezembro. Mark Schiefelbein/AP É a primeira tentativa de trazer de volta rochas lunares desde 1976, quando a missão não tripulada Luna 24 foi realizada com sucesso pela antiga União Soviética. Não é a primeira vez que a China lança uma espaçonave para a Lua. As missões Chang'e 3 (em 2013) e Chang'e 4 (iniciadas em 2018) já conseguiram pousar no satélite natural da Terra dois pequenos robôs de controle remoto, os chamados "Coelhos de Jade". O gigante asiático está investindo bilhões em seu programa espacial para alcançar Europa, Rússia e Estados Unidos. Em 2003, enviou seu primeiro astronauta ao espaço, e, em 2022, espera montar uma grande estação espacial. A China também quer enviar homens à Lua dentro de dez anos. Veja VÍDEOS sobre astronomia e exploração espacial: Veja Mais

4 das 11 vacinas contra Covid na fase final de testes já apresentaram taxas satisfatórias de eficácia e de segurança; veja comparativo

Glogo - Ciência Com variação entre 70% a 95% de eficácia, quatro vacinas contra o coronavírus também são seguras, sem eventos adversos graves, segundo suas desenvolvedoras. Os dados ainda precisam ser publicados, contudo. Entenda cada fase dos testes para vacinas Quatro das 11 vacinas contra a Covid-19 que estão na fase 3 dos testes, a última etapa antes do pedido de registro, já apresentaram dados satisfatórios de segurança e de eficácia na proteção contra a doença. Os dados foram divulgados pelas próprias desenvolvedoras (Pfizer/BioNTech, Moderna, Instituto Gamaleya e AstraZeneca/Oxford). Todos os dados são preliminares e nenhuma análise do atual estágio destas vacinas foi publicada em revista científica. Veja, abaixo, um comparativo da taxa de eficácia, segurança, logística e produção, e previsão de distribuição no Brasil: Taxa de eficácia Pfizer + BioNTech: 95% de eficácia e mais de 94% eficaz em idosos acima de 65 anos, segundo dados preliminares da fase 3. Moderna: 94,5% de eficácia, segundo dados preliminares da fase 3. AstraZeneca + Universidade de Oxford: 70%, de eficácia com uma variação de 62% a 90% de acordo com a dose aplicada Sputnik V: 92% de eficácia, segundo o governo da Rússia, Em 11 de novembro, o governo russo divulgou os resultados preliminares da fase 3 da vacina Sputnik V, a primeira a apresentar os dados de eficácia e ter registro para aplicação no mundo, mas sem a publicação em revistas e revisão dos dados por outros cientistas. O Instituto Gamaleya foi acusado de romper os protocolos habituais de desenvolvimento para acelerar o processo científico. A empresa de biotecnologia chinesa Sinovac também encontra-se em testes de fase 3 para a CoronaVac com milhares de voluntários. Apesar de se mostrar eficaz e segura nos resultados das fases 1 e 2, ela ainda precisa apresentar os dados da fase 3, etapa em que é medida a verdadeira eficácia. Por isso, não é possível falar em porcentagem de eficácia da CoronaVac neste momento. Revista científica publica resultados positivos dos primeiros testes da vacina CoronaVac A taxa de eficácia representa a proporção de redução de casos entre o grupo vacinado comparado com o grupo não vacinado. Na prática, se uma vacina tem 90% de eficácia, isso significa dizer que a pessoa tem 90% menos chance de pegar a doença se for vacinada do que se não for. Vacina da Universidade de Oxford e Astrazeneca demonstra efetividade em idosos Segurança Pfizer/BioNTech: as empresas disseram que, até agora, não encontraram nenhuma preocupação séria de segurança, com reações adversas leves e menos comuns em idosos. Elas destacaram que todos os dados de segurança exigidos pela agência americana de saúde, a Food and Drug Administration (FDA), para a Autorização de Uso de Emergencial foram alcançados. Na sexta-feira (20), a Pfizer solicitou à FDA uma autorização para a sua vacina, o primeiro fabricante a dar este passo nos Estados Unidos e Europa. Moderna: empresa afirmou que um estudo de eventos adversos indicou que a vacina foi bem tolerada, sem problemas significativos de segurança. Os efeitos foram leves ou moderados. Com base nesta análise provisória, a farmacêutica pretende solicitar ao FDA o uso emergencial da vacina nas próximas semanas. AstraZeneca/Oxford: a farmacêutica apresentou um estudo da fase 2 no dia 19, na revista "The Lancet", informando que a sua vacina se mostrou segura e consegue uma resposta dos anticorpos, com reações adversas leves e menos comuns em idosos. Sputnik V: o governo russo informou que não houve eventos adversos inesperados durante os ensaios da vacina. A comunidade científica aguarda a publicação dos resultados em revistas científicas para ter mais segurança com relação ao imunizante. Moderna afirma que sua vacina é 94,5% eficaz, segundo análise preliminar da fase 3 Logística e produção Oxford/AstraZeneca: apesar de ter a menor porcentagem de eficácia (média de 70%), a vacina é a mais barata e mais fácil de armazenar e ser transportada para todas as regiões do mundo. Isso porque ela não precisa estar em temperaturas muito baixas e pode ser armazenado em geladeiras comuns. CoronaVac: a vacina também promete não oferecer desafios de transporte, uma vez que, segundo um estudo publicado no dia 17, na revista "The Lancet", ela pode ser armazenada em refrigeração padrão, igual a vacina da gripe, e por até três anos, o que ofereceria algumas vantagens para a distribuição. No entanto, os estudos de fase 3 serão cruciais para se comprovar todas essas informações preliminares. Pfizer/BioNTech: as empresas têm o imunizante que envolverá maiores problemas de logística, uma vez que precisa ser transportado em uma temperatura de -70°C. Isso pode se tornar um grande empecilho em regiões remotas ou muito quentes, principalmente. A farmacêutica americana informou em nota que pretende resolver o problema com uma embalagem especial com temperatura controlada que utiliza gelo seco para manter a condição de armazenamento por até 15 dias. Moderna: sua vacina também oferece desafio de logística por causa da temperatura de armazenamento, que precisa ficar em torno de -20º C durante todo o transporte. O ponto positivo é que é possível mantê-la em geladeira por até um mês. Distribuição no Brasil Pfizer/BioNtech: O Brasil ainda não fez acordo para adquirir a vacina, mas nesta semana o governo brasileiro recebeu executivos da Pfizer para, segundo o Ministério da Saúde, "conhecer os resultados dos testes em andamento e as condições de compra, logística e armazenamento oferecidas pelo laboratório." Moderna: igual a vacina da Pfizer, ainda não têm um contrato com o governo federal ou estados brasileiros para a aquisição da vacina da Moderna. AstraZeneca/Oxford: a Fiocruz negociou um acordo com a AstraZeneca para a compra de lotes e transferência de tecnologia, o que permitirá a produção de mais de 70 milhões de doses da vacina no país no início de 2021. Além disso, o acordo prevê a entrega de 15 milhões de doses até dezembro de 2020 e outros 15 milhões até janeiro de 2021. Este o primeiro acordo firmado pelo Brasil e apresentada pelo Ministério da Saúde como a escolha inicial para o Sistema Único de Saúde (SUS). CoronaVac: o governo do estado de São Paulo tem um acordo com a Sinovac para o recebimento de 46 milhões de doses da vacina. Na quinta-feira (19), as 120 mil primeiras doses prontas da CoronaVac chegaram ao Brasil. O material foi importado da China e desenvolvido pelo laboratório chinês, em parceria com o Instituto Butantan. A previsão é que os profissionais da saúde no estado comecem a receber a vacina em dezembro. Sputnik V: o governo do Paraná assinou acordo com o Instituto Gamaleya, da Rússia, para parceria no desenvolvimento da vacina. Ainda é importante acertar como seria a produção da vacina do Brasil, o que ainda não ocorreu. Demais vacinas em testes em humanos Sinopharm: outro laboratório chinês, ele tem dois projetos de vacinas com institutos de pesquisas do país. A Sinopharm e os outros laboratórios preveem uma capacidade de produção de até 610 milhões de doses por ano das várias vacinas chinesas contra a Covid-19. Bharat Biotech: a empresa indiana começou a recrutar em novembro cerca de 26 mil pessoas para a sua "COVAXIN", desenvolvida com o apoio do governo, e aposta em uma vacina disponível no primeiro semestre de 2021. Johnson & Johnson: a empresa americana iniciou dois testes clínicos de sua candidata, composta por um adenovírus modificado, uma de apenas uma dose e a outra com duas doses. Em todo o mundo, 90 mil voluntários devem participar da pesquisa, segundo a France Press. Os resultados são aguardados para o primeiro trimestre de 2021. CanSino Biological: a empresa chinesa desenvolveu a "Ad5-nCoV" em conjunto com o exército, uma vacina baseada em adenovírus. Os testes de fase 3 acontecem neste momento no México, Rússia e Paquistão, de acordo com a France Press. Novavax: a empresa de biotecnologia americana trabalha em uma vacina chamada "subunitária" recombinante. A Novavax iniciou em setembro o teste clínico de fase 3 no Reino Unido e no fim de novembro deve começar um teste nos Estados Unidos, segundo a France Press. Dados preliminares são aguardados para o primeiro trimestre de 2021. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), no total, são desenvolvidas 222 vacinas contra a Covid-19. VÍDEOS: novidades sobre a vacina contra a Covid Veja Mais

Fiocruz prevê fabricar vacina para 130 milhões de brasileiros em 2021

Glogo - Ciência Fundação tem acordo com a AstraZeneca, farmacêutica que desenvolve a vacina de Oxford. Previsão é vacinar no Brasil 65 milhões de pessoas no 1º semestre e outras 65 milhões no 2º. Expectativa é que 65 milhões de pessoas sejam vacinadas já no início de 2021, diz Krieger O vice-presidente de produção e inovação em saúde da Fiocruz, Marco Krieger, disse nesta segunda (23), em entrevista à GloboNews, que a previsão da fundação é vacinar 65 milhões de pessoas no primeiro semestre de 2021 e outras 65 milhões no segundo, considerando o esquema vacinal de maior eficácia divulgado pela Universidade de Oxford. A Fiocruz tem um acordo de transferência de tecnologia com a AstraZeneca, farmacêutica que desenvolve uma vacina em parceria com a Universidade de Oxford, para a produção das vacinas em solo brasileiro. A vacina da AstraZeneca/Oxford mostrou eficácia de até 90% conforme a dosagem, segundo resultados preliminares divulgados nesta segunda-feira. Os dados ainda não foram revisados por outros cientistas nem publicados em revista científica (leia mais abaixo). Anvisa vai inspecionar produção das vacinas da Universidade de Oxford e Coronavac Vacina de Oxford: eficácia maior com dose menor é 'intrigante', diz líder do estudo Os testes com a vacina indicam que há maior eficácia quando a vacina é administrada em meia dose seguida de uma dose completa, com intervalo de pelo menos um mês. Na prática, com a dose menor na primeira aplicação da vacina, mais pessoas poderão ser vacinadas num intervalo menor. "Nós estaríamos prevendo no primeiro semestre termos 100 milhões de doses para oferecermos 2 doses para 50 milhões de cidadãos no Brasil, e vamos poder chegar já no primeiro semestre a duas doses e 65 milhões de brasileiros. E no segundo semestre, com a produção 100% nacional da vacina na Fundação Oswaldo Cruz, chegaremos a outros 65 milhões, então o total de 130 milhões de brasileiros [que poderão ser vacinados]", completou. "A grande vantagem é que esse protocolo que deu o melhor resultado traz um benefício adicional. A gente vai poder fornecer a vacina para mais 30% de pessoas do que havia previsto", disse Krieger. O CEO da AstraZeneca, Pascal Soriot, também comentou, em entrevista coletiva, o fato de que será possível vacinar mais pessoas do que o previsto inicialmente. "Poder vacinar mais pessoas mais rapidamente é realmente uma grande vantagem", disse. A vacina de Oxford é uma das quatro que estão em testes de fase 3 no Brasil. Em agosto, o governo federal disse que iria investir R$ 1,9 bilhão na produção de 100 milhões de doses. No começo de novembro, a Fiocruz anunciou um cronograma de produção e distribuição do imunizante no Brasil. As outras três candidatas em testes no país são as da Pfizer/BioNTech, da Sinovac (CoronaVac) e da Johnson & Johnson. Universidade de Oxford diz que vacina feita com a AstraZeneca mostra 70% de eficácia Eficácia de até 90% A vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca mostrou eficácia de até 90% conforme a dosagem, segundo resultados preliminares divulgados nesta segunda-feira (23). Os dados ainda não foram revisados por outros cientistas nem publicados em revista científica. Veja os principais pontos do anúncio: A vacina teve 90% de eficácia quando administrada em meia dose seguida de uma dose completa com intervalo de pelo menos um mês, de acordo com dados de testes no Reino Unido e no Brasil. Esse foi o regime de menor dose – o que foi um ponto positivo para os pesquisadores, porque significa que mais pessoas poderão ser vacinadas. Quando administrada em 2 doses completas, a eficácia foi de 62%. A análise que considerou os dois tipos de dosagem indicou uma eficácia média de 70,4%. O chefe da pesquisa da vacina, Andrew Pollard, disse estar otimista que a resposta imune gerada pela vacina dure pelo menos um ano. Foram registrados 131 casos da doença entre os voluntários: 101 entre os que receberam o placebo (substância inativa) e 30 entre os que receberam a vacina. Não houve nenhum caso grave da doença entre os que tomaram a vacina. Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram os dados de 11.636 pessoas vacinadas. Dessas, 8.895 receberam as duas doses completas, e 2.741 receberam a meia dose seguida de uma dose completa. A AstraZeneca pretende ter 200 milhões de doses prontas até o fim de 2020 e 700 milhões de doses até o fim do primeiro trimestre de 2021, em todo o mundo. A vacina pode ser armazenada, transportada e manuseada em condições normais de refrigeração (entre 2°C e 8°C) por pelo menos 6 meses. (É uma vantagem em relação à candidata da Pfizer, que precisa ser armazenada a -70ºC durante o transporte, e da Moderna, que precisa ficar a -20ºC). Fiocruz vai usar protocolo da vacina de Oxford com maior eficácia Vacinação até março de 2021 A Presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Nísia Trindade disse no começo de novembro acreditar que a vacinação contra a Covid-19 no Brasil comece até março. “Temos a expectativa de que todo o processo de imunização comece a ser feito no primeiro trimestre de 2021”, disse Nísia Trindade. Nísia explicou que espera iniciar a produção já em janeiro ou em fevereiro. “A Agência de Vigilância Sanitária vai acompanhar todo o processo”, emendou. VÍDEOS: Novidades sobre a vacina Initial plugin text Veja Mais

Casos e mortes por coronavírus no Brasil em 22 de novembro, segundo consórcio de veículos de imprensa (atualização das 8h)

Glogo - Ciência País tem 169.016 óbitos e 6.052.150 diagnósticos pela Covid-19. O Brasil tem 169.016 mortes por coronavírus confirmadas até as 8h deste domingo (22), segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Desde o balanço das 20h de sábado (21), 1 estado atualizou seus dados: GO. Veja os números consolidados: 169.016 mortes confirmadas 6.052.150 casos confirmados No sábado, às 20h, o balanço indicou: 169.016 mortes, 354 em 24 horas. Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 478. A variação foi de +47% em comparação à média de 14 dias atrás, indicando tendência de alta nas mortes por Covid. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 6.052.143 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 34.538 desses confirmados no último dia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 29.149 novos diagnósticos por dia, uma variação de +76% em relação aos casos registrados em duas semanas. Progressão até 21 de novembro Nove estados apresentaram alta na média móvel de mortes: RS, SC, ES, MG, RJ, SP, GO, AP, RR. A partir desta semana, é necessário relembrar o problema ocorrido no sistema nacional de registros de mortes e casos de Covid-19 do Ministério da Saúde, que teve início no dia 6 de novembro. Diversos estados relataram dificuldades de acesso ao e-SUS e divulgaram dados incompletos ou até mesmo ficaram sem atualizações diárias durante alguns dias. Foi o caso de SP, estado mais afetado pela pandemia em números absolutos, que não teve mortes registradas durante 5 dias seguidos. Nos próximos dias, essa ausência de atualizações e os números incompletos terão reflexo nos percentuais indicativos de tendência de alta, estabilidade ou baixa nas mortes, nos estados afetados naquela semana, e consequentemente também nos percentuais da tendência nacional nas mortes e nos novos diagnósticos. Também vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Estados Subindo (9 estados): RS, SC, ES, MG, RJ, SP, GO, AP, RR Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (11 estados + DF): PR, DF, MS, AM, PA, TO, BA, CE, PB, PE, PI, RN Em queda (5 estados): MT, AC, RO, AL, SE Não informou: MA Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Estados com número de mortes em alta Arte/G1 Estados com número de mortes em estabilidade Arte/G1 Estados com número de mortes em queda Arte/G1 Sul PR: +10% RS: +45% SC: +69% Sudeste ES: +81% MG: 37% RJ: +134% SP: +83% Centro-Oeste DF: -6% GO: +91% MS: -6% MT: -26% Norte AC: -17% AM: 11% AP: +300% PA: 3% RO: -21% RR: + 367% Nordeste TO: -12% AL: -18% BA: +5% CE: +14% MA: Não informou PB:-4% PE: +5% PI: +10% RN: -14% SE: -47% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja Mais