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Estudo comprova associação entre pré-diabetes e risco maior de infarto

Glogo - Ciência Pacientes com esta condição apresentaram 25% mais chances de sofrer um ataque cardíaco No Endo 2022, encontro anual da Sociedade de Endocrinologia realizado no meio do mês passado, um novo estudo apontou que o pré-diabetes deve ser considerado, isoladamente, um fator de risco para a ocorrência de infarto. Essa é uma condição na qual os níveis de glicose são mais altos do que o normal, mas não o suficiente para haver um diagnóstico da doença. No entanto, a probabilidade de progressão para a enfermidade aumenta significativamente para quem tem valores de glicemia em jejum entre 100 e 125mg/dL, ou de hemoglobina glicada entre 5.7% e 6.4%. O Brasil tem perto de 17 milhões de diabéticos, sendo que metade desconhece tal fato, e calcula-se que pelo menos 40 milhões sejam pré-diabéticos. Pré-diabetes: alimentação pouco saudável e falta de atividade física podem agravar o quadro Skica911 para Pixabay A médica Geethika Thota, principal autora do trabalho, afirmou que a associação entre o pré-diabetes e problemas cardíacos ainda não estava bem fundamentada, mas que os pesquisadores analisaram dados referentes a quase 1.8 milhão de hospitalizações de vítimas de infarto: “fazendo os ajustes dos fatores de risco, os pacientes com pré-diabetes tinham 25% mais chances de sofrer um ataque cardíaco”. Na sua opinião, isso só reforça a necessidade de endereçar o assunto para que integre as políticas de saúde: “precisamos estimular todos os que estão nesta condição a adotar uma dieta saudável e fazer 150 minutos de atividade física por semana”, frisou. De acordo com a Federação Internacional do Diabetes, as mortes causadas pela doença, no mundo, superam as por HIV e câncer de mama somadas. A estimativa é de que 425 milhões de pessoas tenham a enfermidade, total que deverá alcançar 600 milhões em duas décadas. Se os sintomas iniciais são fome e sede excessivas, as complicações a longo prazo podem ser devastadoras: acidente vascular cerebral, infarto, falência renal, cegueira, amputação de membros. Veja Mais

Por que somos mais sujeitos a tonturas ao envelhecer

Glogo - Ciência Acima dos 60 anos, 20% apresentam algum tipo de limitação de capacidade funcional por causa do problema Tontura, desequilíbrio, visão turva, vertigem. A sensação varia, sempre assusta e se torna mais frequente à medida que envelhecemos. Mas a boa notícia é que, na maioria das vezes, não se trata de nada grave, como afirma a otorrinolaringologista Patricia Ciminelli, mestra e doutora pela UFRJ e coordenadora do ambulatório de zumbido e otoneurologia do hospital universitário da universidade. A otorrinolaringologista Patricia Ciminelli, coordenadora do ambulatório de zumbido e otoneurologia do hospital universitário da UFRJ Acervo pessoal O que é a tontura? Em primeiro lugar, é importante explicar que tontura não é doença, é um sintoma que deve ser investigado porque há diversas causas para sua ocorrência. Há alguns anos, a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia fez inclusive uma campanha para as pessoas deixarem de se referir a qualquer problema de tontura como se fosse labirintite – essa, sim, uma enfermidade que se caracteriza pela inflamação do labirinto. Cada um vai descrever o que sente de forma subjetiva, por isso nós, médicos, valorizamos duas coisas. A primeira é a questão temporal, ou seja, a frequência e duração dos episódios. A segunda são os gatilhos que provocam a tontura. Acontece quando o paciente se deita ou se vira na cama? Ou somente quando se levanta? Por que idosos ficam tontos com maior frequência? Para começar, vale uma explicação sobre nosso equilíbrio, que está baseado num tripé. O primeiro eixo é o labirinto, uma região da orelha interna responsável pela detecção do movimento: é dali que partem as informações para o cérebro quando nos mexemos ou nos deslocamos. O segundo é a visão, que nos mostra o ambiente no qual estamos. A terceira parte do tripé é a propriocepção, a capacidade de reconhecer a localização espacial do próprio corpo. Essa habilidade depende de vários fatores, como força muscular, firmeza das articulações, tato da planta do pé, enfim, trata-se de um conjunto de mensagens para o cérebro. O envelhecimento afeta todo o sistema. O labirinto envelhece e deixa de funcionar tão bem como nosso “radar”. Há diminuição da acuidade visual e incluiria o impacto da perda de audição. No que diz respeito à propriocepção, perdemos massa e força muscular, surgem problemas nas articulações. Ainda é preciso levar em conta as doenças reumatológicas e o diabetes, que compromete a sensibilidade dos pés, por causa das neuropatias periféricas. Entre os idosos, 20% dos acima de 60 anos apresentam algum tipo de limitação funcional por causa das tonturas. O emocional também desempenha papel relevante: o sentimento de ameaça e a insegurança geram mais tonturas. Há alguma boa notícia para os mais velhos? Sim! A maioria vai precisar apenas de ajustes e exercícios, existe fisioterapia para o labirinto e melhora dos reflexos. Musculação é fundamental para recuperar força e massa muscular. Outra frente na qual atuamos é tentar diminuir o excesso de medicamentos, conhecido como polifarmácia, que pode provocar sonolência e comprometer o equilíbrio. Normalmente as doenças de labirinto são benignas. Quando há algum distúrbio, a percepção sobre o movimento fica alterada e temos uma ilusão rotatória, a sensação de tudo estar girando ao nosso redor. A vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) é a causa mais comum de tontura em todas as idades e aumenta com o envelhecimento. Uma manobra feita no consultório resolve o transtorno, sem necessidade de medicação. Enxaquecas podem se manifestar no labirinto, assim como a síndrome de Ménière, que é acompanhada de tontura e zumbido, por causa da compressão do líquido, chamado endolinfa, que existe no interior do labirinto. Que sintomas devem servir de alerta sobre algo mais grave? O que merece atenção imediata é a tontura com outros sintomas neurológicos, como alteração na mobilidade, na mímica facial, se a pessoa tem dificuldade para falar, ou para deglutir. Qualquer quadro agudo de vertigem, súbita e incapacitante, também é caso de emergência. Qual a melhor forma detectar precocemente tais distúrbios? O ideal é ir ao otorrinolaringologista anualmente. Uma boa audição nos ajuda a nos localizarmos, auxilia no controle postural. Boa parte dos idosos que cai já tinha um transtorno de labirinto que não havia sido detectado. Qualquer problema diagnosticado e tratado precocemente traz mais benefícios do que quando isso dá num estágio mais avançado. Veja Mais

Por que a desigualdade é um fator de risco para o Alzheimer

Glogo - Ciência Ambiente físico e social no qual as pessoas estão inseridas pode aumentar a proteção ou ser ameaça para desenvolver demência Adriana Perez é doutora em enfermagem e professora da University of Pennsylvania. Coordena um grupo multidisciplinar para pesquisar os fatores de risco para demência na comunidade latina nos EUA e tem números assustadores que, segundo ela, costumam deixar as plateias atônitas: “o número de latinos com diagnóstico de Alzheimer vai crescer 800% até 2060, e o ambiente físico e social no qual a pessoa está inserida pode aumentar o risco ou protegê-la da doença”. Idosa com xícara de café: população afrodescendente experimenta deterioração precoce da saúde por causa do racismo Mehmet Kirkgoz para Pixabay Perez abriu a conferência “Addressing health disparities” (“Endereçando as disparidades na saúde”), promovida nos dias 21 e 22 pela Alzheimer´s Association. Afirmou que na Filadélfia, onde mora há sete anos, as comunidades de baixa renda dispõem de poucos recursos para se exercitar, um dos pilares para manter a saúde: “os bairros negros e latinos são os mais densamente povoados, os menos seguros e com menor número de espaços verdes e apropriados para caminhadas. Desigualdades sociais são determinantes para a atividade física”. Adriana Perez, doutora em enfermagem e professora da University of Pennsylvania: incidência de Alzheimer aumentará 800% entre latinos Reprodução Em sua palestra, enfatizou que a exclusão e o racismo estrutural acompanham essas comunidades. “O acesso à saúde é limitado, assim como a oportunidade para participar de ensaios clínicos. Normalmente, é exigida proficiência em inglês e mesmo os latinos que falam bem a língua se sentem desconvidados. É como se o recado fosse: ‘não queremos vocês’. Temos que repensar os testes para medir habilidades cognitivas, que são padronizados e não levam em conta que muitos vieram de outros países e os sistemas educacionais são diferentes. Isso pode resultar numa pontuação baixa sem que o indivíduo sofra de algum tipo de demência”, detalhou. Outra participante do evento, a epidemiologista Kristen M. George, do departamento de saúde pública da University of California, Davis, pesquisa como a desigualdade social eleva as chances de problemas cardiovasculares que, por sua vez, contribuem para o surgimento de demências. As estatísticas que apresentou mostram como a incidência da doença atinge os afrodescendentes: chega a 26.6% entre os idosos negros, enquanto não passa de 19.35% entre os brancos. Seu diagnóstico: “O risco é muito mais alto para hipertensão e obesidade entre a população afrodescendente, que experimenta uma deterioração precoce da saúde pelo peso do racismo, pela marginalização econômica, pelo acúmulo de impactos sociais e políticos”. George explicou que nenhuma comunidade deve ser estudada sem que se leve em conta seu acesso a saúde e educação de qualidade, estabilidade econômica, vizinhança e histórico de violência e trauma. E deu como exemplo o “Stroke belt”, ou “cinturão do derrame”, no sudeste norte-americano. Naquela região, com taxas mais altas de pobreza e baixo nível educacional, é onde ocorre o maior número de acidentes vasculares cerebrais. Estamos falando de latinos e negros norte-americanos, mas os assuntos abordados na conferência guardam inúmeras semelhanças com as mazelas brasileiras. Veja Mais

Como acabar com a formiga-louca amarela #shorts

Como acabar com a formiga-louca amarela #shorts

 Minuto da Terra A melhor maneira de combater uma espécie invasora é se armar - de conhecimento.#shorts Versão Brasileira: contato@escarlatte.com Tradução oficial e autorizada do canal MinuteEarth, produzido por Neptune Studios LLC Este canal faz parte do Science Vlogs Brasil, um selo de qualidade colaborativo que reúne divulgadores de ciência confiáveis do Youtube Brasil. Conheça todos os canais em youtube.com/sciencevlogsbrasil Veja Mais

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Como as conchas do mar se formam? #shorts

Como as conchas do mar se formam? #shorts

 Minuto da Terra Por que será que encontramos muito mais conchas na beira da praia do que no fundo do mar? Será química ou magia? #shorts Versão Brasileira: contato@escarlatte.com Tradução oficial e autorizada do canal MinuteEarth, produzido por Neptune Studios LLC Este canal faz parte do Science Vlogs Brasil, um selo de qualidade colaborativo que reúne divulgadores de ciência confiáveis do Youtube Brasil. Conheça todos os canais em youtube.com/sciencevlogsbrasil Veja Mais

Médicos recomendam: dormir é um ótimo remédio

Glogo - Ciência A Academia Americana de Medicina do Sono lançou campanha mostrando que descansar é indispensável para a saúde. Confira dez dicas que vão te ajudar! No começo do mês, a Academia Americana de Medicina do Sono lançou uma campanha para conscientizar os norte-americanos sobre a importância de dormir para garantir uma boa saúde. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC na sigla em inglês), um em cada três adultos daquele país descansa menos de sete horas por noite. “Sabemos que a privação crônica do sono está associada a um quadro de prejuízo para o estado geral de qualquer indivíduo, diminuindo sua imunidade e aumentando o risco do surgimento de inúmeras doenças. Não dormir também interfere na regulação do humor e na saúde mental”, afirmou Jennifer Martin, professora na faculdade de medicina da UCLA (Universidade da Califórnia, Los Angeles). Carneirinhos fora da cartilha da higiene do sono: não leve aparelhos eletrônicos, como celulares e tablets, para o quarto Pixabay Se você sofre de insônia, não está só. A atriz Jennifer Aniston, a inesquecível Rachel de “Friends”, recentemente veio a público para falar que o problema a acompanha há décadas, mas que demorou para procurar um médico: “me dei conta de que estava letárgica, comendo mal, sem vontade de me exercitar e com grandes olheiras”. A Coreia do Sul é um dos países com os maiores índices de privação de sono do mundo, com efeitos devastadores sobre sua população. Segundo reportagem da BBC, o vício em remédios para capotar se tornou uma epidemia nacional. Estudo da Universidade de Northwestern mostra que, quando dormimos, a exposição à luz, mesmo moderada, prejudica a função cardiovascular e aumenta a resistência à insulina. “Os resultados indicam que apenas uma noite com o quarto moderadamente iluminado é capaz de alterar a regulação cardiovascular e da glicose no organismo”, explicou Phyllis Zee, chefe do departamento de medicina do sono na instituição. A investigação provou que os batimentos cardíacos aumentavam e os indivíduos apresentavam resistência à insulina pela manhã. Os participantes não tinham conhecimento das alterações que ocorriam à noite, mas os pesquisadores comprovaram os distúrbios. “É como se esse sono fosse leve e fragmentado”, disse a doutora Daniela Grimaldi, uma das autoras do trabalho. Seguem dez recomendações dos especialistas em higiene do sono: Exercite-se durante o dia, mas não nas duas horas que antecedem a ida para a cama. Não tire sonecas durante o dia. À noite, evite cafeína e álcool. Refeições pesadas e excesso de líquidos também atrapalham. Crie uma rotina para desacelerar à noite. Tome um banho morno, ouça música relaxante, leia um livro. Diminua a temperatura do quarto. Não deixe luzes acesas no cômodo. Cerre as cortinas, instale blackouts e use uma máscara para dormir se precisar. Nada de aparelhos eletrônicos, como celulares e tablets, perto da cama. Assista à TV apenas na sala. Invista no conforto: um bom colchão e travesseiro (s) fazem toda a diferença. Visualize coisas ou lugares que te façam feliz. Utilize o método de relaxamento criado pelo médico Andrew Weil conhecido como 4-7-8 (neste vídeo, ele próprio ensina como fazer). Siga o passo a passo, mas não se preocupe se não conseguir segui-lo à risca: vá no seu ritmo! Coloque sua língua delicadamente atrás dos seus dentes superiores Solte todo o ar pela boca Em seguida, inspire pelo nariz, num total de 4 segundos Segure a respiração durante 7 segundos Expire pela boca durante 8 segundos, fazendo um som como “shuuuu”, até que todo o ar tenha sido expelido Repita o processo quatro vezes Veja Mais

Não aumentaram apenas os anos de velhice, mas também os da meia-idade, diz especialista

Glogo - Ciência No livro “The super age”, Bradley Schurman afirma que precisamos da mão de obra sênior para manter a economia de pé No inglês, a palavra “age” pode significar tanto idade quanto era, período. Por isso, o título escolhido por Bradley Schurman para seu livro, “The super age”, é um achado, ao apresentar uma sociedade com características que nunca vimos antes, graças à mudança do perfil demográfico. “Estamos diante de duas megatendências: a queda nas taxas de natalidade e a expansão da longevidade. O envelhecimento da população se deu de forma silenciosa nos últimos 200 anos, mas agora está aí, em toda a sua magnitude. Trata-se de um evento sísmico que vai alterar as relações sociais, políticas, culturais e econômicas nos países mais desenvolvidos do planeta”, afirmou na conferência AgeAction 2022, realizada semana passada. Bradley Schurman, autor de “The super age”: a mudança do perfil demográfico nos apresenta uma sociedade com características que nunca vimos antes Reprodução A obra foi lançada no começo do ano e, desde então, o autor, que há décadas estuda o fenômeno demográfico, vem pregando sobre a necessidade de mudanças robustas não apenas nas políticas públicas, mas também nas empresas. Em 2018, o mundo registrou, pela primeira vez, mais gente acima dos 64 anos do que abaixo dos cinco. Outros dados amealhados por Schurman são impactantes. Em 2030, pelo menos 35 das 195 nações terão, no mínimo, um em cada cinco habitantes acima dos 65 anos. Nos próximos dois anos, nos Estados Unidos, aqueles com 65 ou mais se igualarão em número aos abaixo dos 18. Em 2050, um em cada seis habitantes do planeta terá mais de 65 – e, nos EUA e na Europa, a proporção será de um em cada quatro. Por fim, o grupo que mais cresce, o dos octogenários, vai triplicar: de 143 milhões, em 2019, para 426 milhões em 2050. “Há mais gente madura deixando o mercado do que jovens entrando. Precisamos da mão de obra sênior ou teremos um sério problema de falta de braços e pressão sobre os salários, com risco de estagnação econômica”. Lembrou que, no Japão, o contingente de aposentados acima dos 65 anos já representa um terço da população. Na sua visão, não aumentou somente o número de anos de velhice, mas também os vividos numa meia-idade prolongada, mais saudável e ativa. “Será imprescindível dar apoio às pessoas para que todas tenham acesso à requalificação, ao aprendizado contínuo. E faço questão de incluir a necessidade de suporte às mulheres que estão na fase da menopausa, para que não abandonem o trabalho”, analisou. Schurman reconhece o enorme desafio para evitar que os sistemas de previdência dos países quebrem e chama a atenção para a miopia do ambiente de negócios em relação à revolução da longevidade: “as empresas terão que ajustar seu foco num novo público consumidor. O marketing, que usou toda a sua energia nas últimas décadas para alcançar os jovens, terá que se reinventar. Os CEOs sabem que algo está acontecendo, mas ainda não pararam para pensar no que deve ser feito”. Como exemplo, cita que os americanos cinquentões respondem por dois terços das compras de carros zero. Sobre o preconceito contra os mais velhos, sua receita é não deixar de combater até as microagressões do dia a dia: “não devemos ter medo do confronto, já fazemos isso quando nos deparamos com o preconceito racial, o sexismo, a homofobia. Na minha opinião, cometemos dois grandes erros: tirar do mercado a mão de obra sênior e reduzir a convivência intergeracional, quando as famílias tinham a oportunidade de ter várias gerações debaixo do mesmo teto”. Veja Mais

Ritual de despedida pode aliviar o luto

Glogo - Ciência Em seu novo livro, o psicanalista Moises Groisman ensina a lidar com as perdas e reflete sobre a própria finitude O psiquiatra e psicanalista Moises Groisman, um dos pioneiros da terapia familiar no país, acaba de lançar seu 14º. livro, “Terapia familiar do luto: da morte à vida”. O assunto tem um significado especial para ele, que completou 82 anos: “coincide com a etapa final da minha vida, apesar de não ter ideia de quando ela se encerrará”. Depois de fazer seu testamento, reconheceu que se tratava de admitir objetivamente a finitude: “o tempo cronológico me acena com a vinda da morte e há um estreitamento de projetos, nosso alimento emocional”. O psiquiatra e psicanalista Moises Groisman, um dos pioneiros da terapia familiar no país, autor de “Terapia familiar do luto: da morte à vida” Divulgação Embora saibamos que a morte faz parte da existência, é difícil afirmar que alguém esteja preparado para morrer – e também conviver com a perda de entes queridos. Esse é o tema do livro e, como diz o psicanalista, “é fundamental a aceitação por parte dos que ficam, do contrário ocorre uma paralisia em seu tempo evolutivo”. A terapia familiar do luto funciona como uma cerimônia de encerramento e, como ele acrescenta, “para que algum tipo de sintomatologia não se manifeste tardiamente”. Seja a morte precoce e inesperada, ou tardia, elaborar a perda é sempre dolorido. Groisman explica que a terapia é finalizada com uma espécie de ritual: uma carta de despedida de cada um dos integrantes daquele círculo impactado pelo luto, para ser lida à beira do túmulo, ou no local onde as cinzas são depositadas. “A cerimônia de despedida, com os envolvidos no processo, será um espaço onde as emoções dos participantes afluirão. A morte deve ser superada por todo o sistema familiar e não apenas do ponto de vista individual”. Lembra que, apesar de, ao crescer, acreditarmos que nos tornamos “seres originais, desvinculados da família”, estamos intrinsecamente conectados às nossas origens: “a morte de um membro da família nuclear ou extensa afetará e se irradiará por toda a rede relacional”, analisa. E ensina que, além do luto total, causado pela morte, há lutos parciais, objetivos ou subjetivos. O luto parcial é quando não há morte, mas uma ruptura significativa. Pode ser objetivo, quando há um diagnóstico de câncer – às vezes, por exemplo, acompanhado pela retirada de uma mama, ou uma cirurgia de próstata. Ou subjetivo, em sentimentos de perda mais difusos: como a menopausa (fim da juventude), o envelhecimento, os filhos saindo de casa. “Enquanto a dependência dos filhos é evidente, a dos pais em relação aos filhos é oculta, difícil de perceber”, discorre. O livro traz ainda casos clínicos e seu fecho se compõe das reflexões de Groisman sobre o próprio envelhecimento. “Quanto às perdas que sofri, totais (morte de pai e mãe – perda da família de origem – e de irmão) e parciais/individuais (envelhecimento, comprometimento físico: artrose dos joelhos, prostatectomia total para cura de câncer de próstata, seguida de neuropatia periférica pós-radioterapia desse câncer), procuro reagir a elas me adaptando e utilizando os recursos científicos disponíveis. Um minuto, ia me esquecendo de mencionar (não foi um mero esquecimento) a perda da família que constituí no passado com a minha ex-esposa, em virtude do divórcio, da qual resultaram três filhos, e a interrupção de um casamento de 17 anos. Ainda não se falou o suficiente, nem foi considerado pelos teóricos sistêmicos, sobre a importância do divórcio do casal e a perda daquela família”. Que o leitor reflita, é o seu convite. Capa de “Terapia familiar do luto”, 14º. livro do autor: ritual de despedida pode aliviar a dor Reprodução Veja Mais

Por falha geológica, Tarauacá é a cidade do Acre com mais registros de terremotos, diz pesquisador

Glogo - Ciência Tarauacá fica dentro de uma grande depressão e sofre com abalos sísmicos, segundo estudo. Na noite dessa terça-feira (7), cidade registrou um terremoto com magnitude 6.5 na escala Richter. Imagem do Centro Sismológico Euro-Mediterrânico mostra o epicentro do terremoto no Acre na noite dessa terça (7) CSEM A cidade de Tarauacá, interior do Acre, foi surpreendida por mais um terremoto na noite dessa terça-feira (7). O abalo sísmico com magnitude 6.5 na escala Richter foi sentido por alguns moradores, mas não há registro de feridos. LEIA TAMBÉM: Após terremoto no AC, igreja em Tarauacá sofre rachaduras Terremoto no Peru de magnitude 7,2 é sentido em Rio Branco Terremoto de magnitude 6,5 atinge fronteira do Peru com o Brasil Ao g1, o professor e doutor em geografia da Universidade Federal do Acre (Ufac), Waldemir Lima dos Santos, explicou que o município é o que mais registra terremotos e com grandes magnitudes no estado acreano. O professor é autor do projeto "Eventos Tectônicos no Acre: Levantamento e caracterização inicial da ocorrência de terremotos", desenvolvido no laboratório de geomorfologia e sedimentologia da Ufac. O material estuda abalos sísmicos no estado acreana entre 1950 e 2016. Segundo o estudo, entre os anos 2000 a 2016 foram registrados 38 terremotos no Acre com magnitude acima de 5 graus. A maioria na cidade de Tarauacá. A explicação para esses eventos, conforme o especialista, seria uma possível falha geológica porque o município fica dentro de uma grande depressão. Ele complementa o seguinte: "A cidade está dentro de uma grande depressão, então, temos lá o Platô de Cruzeiro do Sul, que é parte alta, e depois descemos Tarauacá, Feijó, até Sena Madureira [cidades do interior], onde tem uma grande depressão no estado, que chamamos de depressão Juruá/Iaco. Depois temos uma planície que pega Rio Branco até Acrelândia. É possível que nessa região, como os terremotos ocorreram em linha, se você olhar no mapa vai estar alinhados, pressupõe que haja uma falha geológica naquele município, que corta, inclusive, o Acre ao meio", frisou. Um dos maiores terremotos já registrados O especialista destacou que o terremoto registrado em Tarauacá na noite dessa terça foi um dos maiores, mas não o maior já registrado. Em 2015, a cidade teve uma ocorrência com magnitude de 6.7. Esse foi o quarto registrado apenas naquele ano no município. "Queria fazer um registro, um histórico dos sismos que acontecem no Acre e não tínhamos dados. Montei um projeto e fizemos a caracterização. Levantamos quantos tem, qual a localidade mais atingida dentro do Acre por sismos e depois a gente foi fazendo a caracterização com base na profundidade e a magnitude. Descobrimos que Tarauacá acaba sendo o município que mais tem ocorrências de terremoto", relembrou. Gráfico mostra profundidade e magnitude dos terremotos registrados no Acre até 2016 Reprodução Onda dissipada Apesar de o último terremoto ter magnitude acima de 5 na escala Richter, a profundidade do evento foi muito grande e a onda foi dissipada sem causar danos à superfície. O epicentro do terremoto foi a cerca de 111 km de Tarauacá, registrado às 21h55, horário de Brasília, pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos. A profundidade do abalo foi de 621 km. "Apesar de serem terremotos superiores a 5, 6 e 7 graus, as profundidades são maiores do que 500 quilômetros. Então, isso, de certa forma, acaba dissipando a onda quando ocorre a movimentação da placa, ocorre a dissipação e essa onda, por ser muita profunda, já chega de uma forma amenizada na superfície não causando grandes danos para as pessoas", argumentou. Moradores sentiram: 'tremeu tudo' A professora aposentada Maria Monteiro conta que sentiu o tremor de terra. Ela estava na sala assistindo a um jogo de futebol com o filho quando sentiu uma sensação estranha e foi até a cozinha. No cômodo, ela falou que viu os copos que estavam em cima da pia se movimentarem. "Tinha lavado uma louça que estava em cima da pia e começou a tremer os copos. Era cedo ainda da noite. Estava tudo tremendo, balançando. Foi tudo muito rápido, foi forte, mas não foi como da outra vez, que deu no Peru", recordou. Outra moradora que também afirma ter sentido o terremoto foi Jeane de Souza. "Tremeu tudo e foi bem forte porque as coisas que tenho no rack começaram a cair. Foi tipo quando o som está muito alto na casa e vai tremendo", garantiu. Evento andino O professor e doutor Waldemir dos Santos acrescentou que o terremoto de Tarauacá ocorreu devido à movimentação das placas tectônicas Sulamericana e de Nazcar, na região da Cordilheira dos Andes. "Ocorre um movimento, que chamamos de movimento de compreensão, a placa de Nazcar, mais pesada, acaba mergulhando por essa outra, que é a Sulamericana, que tem um material mais leve, e acaba se suspendendo por conta desse rebaixando da placa de Nazcar. Na hora que ocorre o movimento de acomodação de placas, o planeta está em movimento, é o gatilho para ocorrer os terremotos na superfície", pontuou. Conforme o estudo, entre 2000 a 2010 foram registrados 12 terremotos acima de 5 graus na escala Richter. Entre 2013 a 2016 foram 21. Em 2015, foram 17 ocorrências, sendo que 13 foram sentidos na cidade de Tarauacá. Em 2016, foram 21. Nesse mesmo ano, inclusive, houve um terremoto de 7. 6 na escala Richter na cidade, segundo o especialista. "É em função dessas placas tectônicas que ocorrem os terremotos. O que é mais interessante é que as pessoas, às vezes, pensam que Cruzeiro do Sul tem mais terremotos por estar muito próximo dos Andes, mas, na verdade não é, é Tarauacá. Isso a gente fez o estudo e ficou bem caracterizado, inclusive com dados da USGS [serviço geológico dos EUA]", concluiu. Reveja os telejornais do Acre Veja Mais

Anvisa recebe dados adicionais do pedido de ampliação do uso da vacina Coronavac para crianças de 3 a 5 anos

Glogo - Ciência Solicitação de inclusão desse grupo na vacinação contra Covid foi feita em março pelo Instituto Butantan, mas Agência exigiu dados adicionais durante avaliação dos documentos. Profissional de saúde de SP segura ampola de CoronaVac, imunizante contra Covid-19 Divulgação/Ascom/GESP A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) disse nesta quinta-feira (2), por meio de nota, que o Instituto Butantan enviou dados adicionais referentes ao pedido de autorização da vacina Coronavac para crianças de 3 a 5 anos nesta quarta (1°). A solicitação de inclusão do grupo tinha sido feita pelo Butantan em março deste ano. Durante análise dos documentos, foram exigidos mais dados. De acordo com a Agência, em reunião realizada no dia 25 de maio, o Instituto Butantan se comprometeu a submeter formalmente os dados adicionais para que a Anvisa pudesse dar seguimento à avaliação do pedido. Butantan afirma que CoronaVac é segura para uso em crianças e adolescentes de 3 a 17 anos A Anvisa afirma que irá iniciar a análise técnica e avaliará a necessidade de nova discussão com as sociedades médicas. A Agência diz ainda que mantém o seu compromisso na avaliação das vacinas, fundamentando as suas ações na legalidade e nos parâmetros estabelecidos em suas normas, convergentes com as principais autoridades estrangeiras e com os princípios científicos. Histórico vacinação infantil A vacinação contra a Covid em crianças de 5 a 11 anos de idade no Brasil começou no dia 14 de janeiro. A imunização das crianças com a vacina da Pfizer havia sido autorizada em 16 de dezembro pela Anvisa. No dia 20 de janeiro, a agência aprovou o uso da CoronaVac em crianças e adolescentes de 6 a 17 anos, desde que não tenham problemas no sistema imunológico. Davi Seremramiwe Xavante, 8 anos, da tribo Xavante, primeira criança a receber a primeira dose da vacina contra Covid-19 da Pfizer, no Hospital das Clinicas, em São Paulo, nesta sexta-feira (14) Aloisio Mauricio/Fotoarena/Estadão conteúdo Veja Mais

O Super Segredo do Esgoto | Minuto da Terra

O Super Segredo do Esgoto | Minuto da Terra

 Minuto da Terra Em 2020, muitas cidades começaram a monitorar suas águas residuais em busca de vírus - mas existem outras razões não relacionadas para elas continuarem fazendo isso. - Microbioma: os microrganismos em um determinado ambiente (incluindo o corpo ou uma parte do corpo). - Águas residuais: águas que foram utilizadas em casa, num negócio, ou como parte de um processo industrial. - Excreção viral: liberação de um vírus no ambiente através de espirros, tosse ou fezes. Se você gosta dos vídeos do Minuto da Terra, pode ajudar... - Deixando um comentário (eu leio!) - Clicando em "Gostei" ???? - Compartilhando com os amigos \o/ - Contribuindo com R$: pode ser uma doação no http://bit.ly/doarMDT ou mensalidade como membro do canal https://www.youtube.com/minutodaterra/join Versão Brasileira: contato@escarlatte.com Tradução e narração: Leonardo Gonçalves de Souza Edição de vídeo: Ricardo Gonçalves de Souza Produção: Maria Carolina Passos Tradução oficial e autorizada do canal MinuteEarth, produzido por Neptune Studios LLC Vídeo original: The Super Secrets of Sewage https://www.youtube.com/watch?v=NpXL_khUXQQ Fontes (em inglês) Anis, E., et al. “Insidious Reintroduction of Wild Poliovirus into Israel, 2013.” Euro Surveillance: Bulletin Europeen Sur Les Maladies Transmissibles = European Communicable Disease Bulletin, vol. 18, no. 38, 19 Sept. 2013, p. 20586, pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24084337/, 10.2807/1560-7917.es2013.18.38.20586. CDC. “National Wastewater Surveillance System.” Centers for Disease Control and Prevention, 21 July 2021, www.cdc.gov/healthywater/surveillance/wastewater-surveillance/wastewater-surveillance.html. Graber, Cynthia. “Why an MIT Robot Is Collecting Poop from Our Sewers - the Boston Globe.” BostonGlobe.com, www.bostonglobe.com/magazine/2017/01/19/why-mit-has-robot-collecting-samples-sewer/g1EhuRPbVR2VtwwJuo2DTN/story.html. Hellmér, Maria, et al. “Detection of Pathogenic Viruses in Sewage Provided Early Warnings of Hepatitis a Virus and Norovirus Outbreaks.” Applied and Environmental Microbiology, vol. 80, no. 21, 1 Nov. 2014, pp. 6771–6781, aem.asm.org/content/80/21/6771.short, 10.1128/AEM.01981-14. Hovi, T., et al. “Poliovirus Surveillance by Examining Sewage Specimens. Quantitative Recovery of Virus after Introduction into Sewerage at Remote Upstream Location.” Epidemiology & Infection, vol. 127, no. 1, 1 Aug. 2001, pp. 101–106, www.cambridge.org/core/journals/epidemiology-and-infection/article/poliovirus-surveillance-by-examining-sewage-specimens-quantitative-recovery-of-virus-after-introduction-into-sewerage-at-remote-upstream-location/EB531F077E4C87FD7284B143352EEEAD, 10.1017/S0950268801005787. Accessed 5 May 2022. Julian, Tim. (2022). Personal communication. Group Leader of Pathogens and Human Health, Swiss Federal Institute of Aquatic Science and Technology,https://www.eawag.ch/en/aboutus/portrait/organisation/staff/profile/tim-julian/show/ Metcalf, T. G., et al. “Environmental Virology: From Detection of Virus in Sewage and Water by Isolation to Identification by Molecular Biology--a Trip of over 50 Years.” Annual Review of Microbiology, vol. 49, 1995, pp. 461–487, pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/8561468/, 10.1146/annurev.mi.49.100195.002333. Raphael, Therese. “Where Will We Find the next Covid Outbreak? Check the Sewers.” Bloomberg.com, 8 Jan. 2022, www.bloomberg.com/opinion/articles/2022-01-08/covid-omicron-sewers-are-our-early-warning-system-for-future-virus-outbreaks. Wells, Chad R., et al. “Prosocial Polio Vaccination in Israel.” Proceedings of the National Academy of Sciences, vol. 117, no. 23, 26 May 2020, pp. 13138–13144, 10.1073/pnas.1922746117. Este canal faz parte do Science Vlogs Brasil, um selo de qualidade colaborativo que reúne divulgadores de ciência confiáveis do Youtube Brasil. Conheça todos os canais em youtube.com/sciencevlogsbrasil Veja Mais

Quem são os imortalistas, que pretendem romper os limites da longevidade

Glogo - Ciência Livro conta como bilionários e cientistas se uniram numa corrida para driblar a morte O imortalismo acredita na imortalidade da alma e é o alicerce de inúmeras religiões. Já os imortalistas a que me refiro têm outra meta, nada espiritual: expandir, quase indefinidamente, os limites da longevidade através da ciência. O tema, tão fascinante quanto polêmico, é o objeto de estudo do jornalista Peter Ward, que acaba de lançar o livro “The price of immortality – the race to live forever” (“O preço da imortalidade – a corrida para viver para sempre”), ainda sem tradução para o português. Imortalistas: cientistas e investidores pretendem expandir os limites da longevidade Pixabay Cientistas, bilionários do setor de tecnologia e grupos que cultuam a ideia compartilham a certeza de que a humanidade tem a chance de chegar a algo perto da imortalidade. Ward mapeou essa rede de “devotos”, começando pela Church of Perpetual Life (Igreja da Vida Perpétua), na Flórida, cujos fieis são adeptos entusiastas da criogenia humana. Conhecida cientificamente como criônica, trata-se da técnica que permite refrigerar o corpo a uma temperatura de até menos 196 graus Celsius, suspendendo o processo de deterioração durante anos. Isso tornaria possível sua reanimação no futuro, isto é, se a pessoa morre hoje vítima de uma doença incurável, poderá ser reanimada quando for possível salvá-la. A tese defendida pelos imortalistas é a seguinte: se a ciência conseguir estender a expectativa de vida em 20 ou 30 anos, ou seja, para algo entre 110 ou 120 anos, os avanços que se darão nesse campo darão um salto exponencial que vai mudar a História da humanidade. Um dos pioneiros na área foi o cientista britânico Aubrey de Grey, que trabalha com a proposta de uma medicina regenerativa, capaz de “derrotar” o curso do envelhecimento. Prevê que, em menos de duas décadas, haverá tratamentos capazes de reparar os danos causados pelo passar dos anos antes que se transformem em patologias. A teoria soou como música para os bilionários do Vale do Silício. Sergey Brin e Larry Page (Google) e Jeff Bezos (Amazon) têm despejado muito dinheiro em pesquisas relacionadas à longevidade. Peter Ward, autor do livro sobre como os imortalistas tentam driblar a morte Divulgação Na mitologia grega, como Ward escreve, o mito de Orfeu foi criado para ensinar aos homens as consequências nefastas de desafiar a morte. Quando sua amada Eurídice morre, ele desce ao submundo para onde vão as almas dos mortos, disposto a trazê-la de volta. Sua dor comove o deus Hades, senhor desse domínio, que permite que Eurídice volte com uma condição: o casal não deve, em hipótese alguma, olhar para trás. Já perto da superfície, Orfeu quer ter certeza de que a mulher o acompanha e se vira – é o bastante para que ela desapareça. Felizmente, a ciência prefere explorar seus limites. Numa de suas últimas edições, a revista “MIT Technology Review” mostrou que drogas antienvelhecimento estão sendo testadas para combater a Covid-19. A enfermidade é mais letal à medida que se envelhece e uma das razões é o enfraquecimento do sistema imunológico para combater infecções. Portanto, por que não utilizar drogas que rejuvenescem o organismo para deter sua progressão? Os cientistas preferem não usar a expressão antienvelhecimento por causa da carga negativa que traz em relação à velhice, mas sabemos que este é um fator de risco concreto. A degradação do sistema imunológico também pode afetar indivíduos mais jovens cuja idade biológica está acima da idade cronológica, devido a doenças crônicas como, por exemplo, diabetes ou hipertensão. O que só comprova a beleza da ciência em sua eterna luta para se superar. Veja Mais

Ex-BBB Flay desabafa sobre chip da beleza: 'Destruiu minha pele'; implante não é recomendado por especialistas

Glogo - Ciência Implante hormonal foi criado para tratar sintomas menstruais, mas popularmente é usado para fins estéticos. O chip da beleza não é recomendado por especialistas, e efeitos colaterais podem causar alteração no clitóris e mudança de voz. Flayslane no clipe de 'Osmar' Divulgação A ex-BBB Flayslane publicou um desabafo sobre o 'chip da beleza' nesta terça (17) em seu perfil no Instagram. O implante hormonal, que não é recomendado para fins estéticos, teria deixado o rosto da influenciadora coberto de espinhas. O implante hormonal promete tratar sintomas da menstruação, menopausa, doenças dependentes do estrogênio ou contracepção. Mas acabou se tornando popular devido aos 'efeitos colaterais' , que envolveriam aumento da libido, emagrecimento e ganho de massa muscular. Flay desabafou sobre o efeito em sua pele quando um seguidor perguntou se o implante tinha lhe causado muitas espinhas. "Muita espinha? Destruiu minha pele. Agora não tem mais espinhas, estão só algumas manchinhas e eu estou tratando. Agora o efeito do chip acabou, graças a Deus. Eu nunca tive espinhas no rosto na minha vida inteira, nunca! Eu tive nas costas na puberdade, no rosto nunca..." A ex-BBB também disse que o implante não causou emagrecimento, e que só começou a sentir resultado quando aderiu ao jejum intermitente. "Pelo contrário", disse. "Inchei igual a um baiacu nos primeiros meses. Aí decidi mudar tudo." Ex-BBB Flayslane diz que chip da beleza deixou seu rosto cheio de espinhas Reprodução Veja 10 perguntas e respostas sobre implante hormonal Chip da beleza O 'chip da beleza' é o nome popular dado aos implantes de gestrinona, um hormônio sintético da progesterona, que faz com que a testosterona (hormônio masculino) aumente. Chip da beleza: implante hormonal para fins estéticos pode causar danos irreversíveis São implantes de aplicação subcutânea, ou seja, sob a pele, que liberam um determinado hormônio lentamente no organismo. Em nota divulgada no dia 8 de setembro de 2021, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) afirmou que não existem dados suficientes que validem o uso do dispositivo, seja para fins estéticos ou não. "Não há nenhuma indicação formal para implante de gestrinona, para nenhuma doença. Antigamente usávamos a gestrinona via oral em algumas doenças, como a endometriose, mas isso já caiu por terra. Não usamos nem via oral e nem por outras vias, devido aos efeitos colaterais e por termos medicações com melhor tolerabilidade e menos efeitos adversos", explica a ginecologista Gabriela Pravatta Rezende. Efeitos colaterais podem alterar clitóris e mudar voz O uso do hormônio masculino também está relacionado ao aparecimento de efeitos colaterais reversíveis (que desaparecem após o uso do implante ser descontinuado) e irreversíveis (que são permanentes) não tão desejados pelas mulheres. Entre os efeitos colaterais reversíveis estão o inchaço, a queda de cabelo, aumento da acne e dos pelos corporais. "Há também o risco da paciente adquirir efeitos colaterais irreversíveis, como o aumento do clitóris e alteração na voz. São efeitos mais raros, mas podem acontecer, principalmente se a quantidade de hormônio for suprafisiológica, ou seja, uma quantidade de hormônio muito grande", explica a ginecologista Ana Lúcia Beltrame. Veja Mais

Superlaboratório Sirius 'abre as portas' ao público com visita virtual guiada; veja como participar

Glogo - Ciência Evento está programado para segunda-feira (16), a partir das 10h, e celebra o Dia Internacional da Luz. Sirius, laboratório de luz síncrotron de 4ª geração, reforça a ciência no enfrentamento do novo coronavírus Nelson Kon O Sirius, superlaboratório de luz síncrotron de 4ª geração, instalado no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), realiza na segunda-feira (16) uma visita virtual guiada por dentro do acelererador de elétrons brasileiro. O evento celebra o Dia Internacional da Luz. A transmissão ao vivo está programada para começar às 10h, pelo canal do YouTube do CNPEM. Entenda o Sirius, o novo acelerador de partículas do Brasil Os visitantes virtuais poderão conhecer técnicas e recursos utilizados para desvendar a estrutura dos mais diversos materiais. Líderes das diversas linhas de luz, que são estações de pesquisa que estão entre as mais avançadas da ciência e disponíveis atualmente em poucos lugares do mundo, serão os guias dos visitantes. Estação de pesquisa Manacá, primeira a ficar pronta e operacional no Sirius, em Campinas (SP) CNPEM/Divulgação Sirius em operação Maior projeto científico brasileiro, o Sirius realizou em julho de 2020 os primeiros experimentos ao obter imagens em 3D de estruturas de uma proteína imprescindível para o ciclo de vida do novo coronavírus. Em setembro de 2020, um grupo do Instituto de Física da USP de São Carlos utilizou o acelerador na busca por uma "chave" para desativar o novo coronavírus. Foi o primeiro experimento de pesquisadores externos no Sirius. Em outubro, a linha de luz batizada de Manacá, a primeira das 14 previstas na primeira fase, passou a operar oficialmente e a aceitar propostas de outros objetos de estudo que não a Covid-19. Imagem em 3D de proteína do novo coronavírus obtida no Sirius, superlaboratório instalado em Campinas (SP) Sirius/CNPEM/Divulgação O que é o Sirius? Principal projeto científico do governo federal, o Sirius é um laboratório de luz síncrotron de 4ª geração, que atua como uma espécie de "raio X superpotente" que analisa diversos tipos de materiais em escalas de átomos e moléculas. Além do Sirius, há apenas outro laboratório de 4ª geração de luz síncrotron operando no mundo: o MAX-IV, na Suécia. Para observar as estruturas, os cientistas aceleram os elétrons quase na velocidade da luz, fazendo com que percorram o túnel de 500 metros de comprimento 600 mil vezes por segundo. Depois, os elétrons são desviados para uma das estações de pesquisa, ou linhas de luz, para realizar os experimentos. Esse desvio é realizado com a ajuda de imãs superpotentes, e eles são responsáveis por gerar a luz síncrotron. Apesar de extremamente brilhante, ela é invisível a olho nu. Segundo os cientistas, o feixe é 30 vezes mais fino que o diâmetro de um fio de cabelo. Entenda como funciona o Sirius, o Laboratório de Luz Síncrotron Infográfico: Juliane Monteiro, Igor Estrella e Rodrigo Cunha/G1 Sirius: maior estrutura científica do país, instalada em Campinas (SP). CNPEM/Sirius/Divulgação Veja mais notícias da região no G1 Campinas Veja Mais

Golpes financeiros têm novas modalidades e não param de crescer

Glogo - Ciência As fraudes de engenharia social, que manipulam os usuários para que forneçam dados confidenciais, respondem por 70% dos casos Dia sim, dia não, recebo uma proposta para trabalhar em casa no meu computador ou celular, com possibilidade de ganhar entre 350 e 800 reais por semana. Claro que não é preciso ter “conhecimento avançado”, como diz o texto da mensagem que reproduzo na coluna. Claro que há um link para “Renda Em Casa Net”. Tudo muito simples, exatamente porque se trata de mais um golpe, aproveitando o aflitivo cenário de desemprego e endividamento da população. No fim, uma observação: “caso não tiver interesse, recomende para alguém que esteja precisando”, ou seja, a vítima ainda pode fazer com que outras pessoas caiam na armadilha. É impressionante a “criatividade” do mal... O golpe do falso trabalho em casa: a orientação é descartar a mensagem e nunca clicar no link Reprodução Embora já manjado, o golpe do falso sequestro, no qual bandidos dizem que sequestraram alguém próximo e pedem resgate, ganhou uma variante no WhatsApp e duas ou três vezes tentaram me fisgar com textos quase idênticos. O golpista se fazia passar por meu filho, escrevia que havia perdido o celular e estava temporariamente usando aquele número – a farsa é tão bem engendrada que a foto era a do aplicativo! Como ele perdeu o aparelho em mais de uma ocasião, não desconfiei até que o marginal pediu dinheiro para um conserto do carro. Claro que o sinal de alerta piscou e dei a conversa por encerrada. Aliás, uma medida simples para evitar a clonagem do WhatsApp é habilitar, no aplicativo, a opção “Verificação em duas etapas” (Configurações/Conta/Confirmação em duas etapas), na qual será possível cadastrar uma senha. Um dos golpes que acontecem no WhatsApp: bandidos enviam mensagem dizendo que uma pessoa conhecida mudou de número Reprodução As tentativas de golpes financeiros contra os idosos cresceram 60% em 2020, durante a pandemia, segundo a Federação Brasileira dos Bancos. Durante o período de isolamento, explodiu o número de ataques de phishing, os e-mails que carregam vírus ou links que levam o usuário para sites de araque. Outra modalidade era a do falso motoboy, na qual os criminosos se faziam passar pelo banco para comunicar transações suspeitas com o cartão de crédito do cliente. Informavam que um motoqueiro seria enviado para recolher o cartão e até orientavam a vítima a cortá-lo ao meio para inutilizar a tarja magnética. No entanto, o chip permanecia intacto, permitindo que os bandidos fizessem compras. Outro levantamento da entidade apontou o crescimento de 165% nas fraudes de engenharia social para o público em geral no primeiro semestre de 2021, em relação ao semestre anterior. São justamente aquelas que manipulam os usuários para que forneçam seus dados. O motoboy trambiqueiro se manteve em alta: teve um salto de 271%. O golpe da falsa central aumentou 62% e sobre esse também posso dar meu depoimento: a ligação clona o número da agência bancária e o roteiro dos vigaristas é o de um atendente solícito, querendo ajudar porque foram detectadas movimentações suspeitas na conta. O passo seguinte é pedir informações confidenciais. Atualmente, 70% das fraudes estão vinculadas à engenharia social e nunca é demais repetir: nenhum banco liga para o cliente pedindo senha, número do cartão, ou qualquer tipo de pagamento. Se receber uma ligação dizendo que ele foi clonado, desligue na hora e entre em contato com a instituição bancária, através do telefone que está no verso, para esclarecer o que houve. Para finalizar, siga algumas regras básicas de segurança: Mantenha o computador atualizado e rodando com um antivírus – há diversos de boa qualidade e de graça. Não clique em links que lhe foram enviados. Em vez disso, vá aos websites digitando seu endereço eletrônico. Se receber um SMS ou e-mail do banco com um link, delete imediatamente. Verifique o website: o certificado é como uma carteira de motorista e é bem fácil de checar. Nos sites seguros, há um pequeno cadeado ao lado do endereço eletrônico. Clique nesse cadeado e selecione “certificado”: ali aparecerão as informações de validação. Prefira fazer compras em sites conhecidos e não use computadores públicos para nenhum tipo de transação. Não compartilhe sua senha em hipótese alguma, nem forneça dados pessoais. Veja Mais

Novas sublinhagens da ômicron podem evitar imunidade de infecções passadas, diz estudo

Glogo - Ciência Em pessoas não vacinadas que já haviam sido expostas a linhagem original da ômicron houve uma diminuição de quase oito vezes na produção de anticorpos quando expostas às novas sublinhagens. Imagem de pesquisadora na Cidade do Cabo, na África do Sul Shelley Christians/Reuters Duas novas sublinhagens da variante Ômicron do coronavírus podem evitar anticorpos de infecções anteriores o bastante para desencadear uma nova onda, mas são muito menos capazes de se desenvolver no sangue de pessoas vacinadas contra a Covid-19, descobriram cientistas da África do Sul. Cientistas de diversas instituições do país estavam examinando as sublinhagens BA.4 e BA.5 da Ômicron, adicionadas no mês passado pela Organização Mundial da Saúde à lista de monitoramento. Compartilhar pelo WhatsApp Compartilhar pelo Telegram Eles coletaram amostras de sangue de 39 participantes previamente infectados pela Ômicron assim que a variante apareceu pela primeira vez no final do ano passado. Quinze deles estavam vacinados --oito com a vacina da Pfizer; sete com a da Janssen-- enquanto os outros 24 não estavam. "O grupo vacinado mostrou uma capacidade de neutralização cerca de 5 vezes maior, e estarão mais protegidos", apontou o estudo, cuja prévia foi lançada neste fim de semana. Pesquisa indica que subvariante da ômicron pode ser agressiva Nas amostras de pessoas não vacinadas, houve uma diminuição de quase oito vezes na produção de anticorpos quando expostas às sublinhagens BA.4 e BA.5, em comparação com a linhagem original BA.1 da Ômicron. O sangue das pessoas vacinadas mostrou essa diminuição em até três vezes. A África do Sul pode estar entrando em uma quinta onda de Covid mais cedo do que o esperado, disseram autoridades e cientistas na sexta-feira, culpando um aumento sustentado nas infecções que parece ser impulsionado pelas subvariantes BA.4 e BA.5 da Ômicron. Apenas cerca de 30% da população da África do Sul (60 milhões de pessoas) está totalmente vacinada. "Com base no escape de neutralização, BA.4 e BA.5 têm potencial para resultar em uma nova onda de infecção", disse o estudo. Veja os vídeos mais assistidos do g1 Veja Mais

Histórias de reinvenção: Claudia, de advogada a guia em Paris

Glogo - Ciência Ela deixou o mundo corporativo para trás e diz: “hoje não enxergo mais amarras, nem limites” Hoje dou início a uma série de três colunas sobre mulheres que se reinventaram em outros países, deixando para trás as referências profissionais que as guiavam no Brasil. Cada uma viveu diferentes desafios para se adaptar, mas todas conseguiram encontrar um caminho próprio, com significado muito especial para suas vidas. Parecia um roteiro de um comercial de margarina: a carreira como advogada de um grande banco em ascensão, casamento feliz, apartamento próprio. “Só que volta e meia eu me pegava pensando: será que é isso mesmo que a gente quer?”, lembra Claudia Gazel, acrescentando que o marido, Marco, compartilhava suas dúvidas e angústias. Em 2008, o casal começou a pensar em morar fora do Brasil, até que surgiu a oportunidade de ele fazer um mestrado na área de psicologia financeira, na França. Alugaram o imóvel em São Paulo em tempo recorde e deixaram para trás duas trajetórias estabilizadas: ela, na área do direito; ele, como economista e sócio de uma corretora. Claudia Gazel: há 12 anos na França, ela deixou a carreira de advogada para trás e se tornou guia em Paris Acervo pessoal A caminho de fazer 45 anos e há 12 morando em Paris, enumera resoluções que tomou: “deixei minha profissão para trás, coisa que ninguém na minha família havia feito, e junto veio também a decisão de não termos filhos. De repente, o roteiro que havíamos escolhido era completamente diferente do que as pessoas esperavam de nós”. Desde 2009, Claudia mantinha um blog, “A viagem certa”, com dicas de hotéis, restaurantes e passeios. Em setembro de 2010, o que antes era um hobby se transformou em sua principal ocupação: “eu simplesmente tinha Paris inteira na minha mão!”. Seu trabalho não passou despercebido e a secretaria de turismo parisiense lhe garantia acesso aos eventos culturais da cidade. O passo seguinte foi criar tours personalizados para turistas brasileiros, como piqueniques em Versalhes e visitas a lojinhas que garimpava em suas andanças. Mas Claudia queria mais e, em 2017, inscreveu-se num curso de dois anos para obter a licença profissional de guia, com direito a documento emitido pelo Ministério da Cultura francês. “Hoje em dia, não enxergo mais amarras, nem limites”, analisa. Tanto que ampliou os roteiros para incluir experiências feitas sob medida para o público infantil. “As pessoas ainda acham que as crianças não vão se interessar ou acompanhar programas culturais na Europa, mas há inúmeras formas de abordagem para conquistá-las. No Louvre, por exemplo, uso a entrada que leva às ruínas da muralha de um castelo medieval, e vejo o olhar de fascinação delas ao se depararem com algo tão impactante”. Paris reinventou Claudia e, em troca, ela traduz Paris para os brasileiros. "Interagindo" com uma obra da coleção Pinault, no antigo prédio da Bolsa de Valores Acervo pessoal Veja Mais

Redefinindo o que é saúde mental

Glogo - Ciência Especialistas propõem uma abordagem mais abrangente que contemple fatores biológicos, psicológicos e sociais No domingo, a coluna foi sobre como o excesso de estímulos vem nos tirando do eixo. Hoje, decidi ampliar a discussão para trazer à baila um debate que ganha corpo entre especialistas: está na hora de redefinir o que é saúde mental, levando em conta uma abordagem que abranja fatores biológicos, psicológicos e sociais. Resumindo, temos que ser vistos sob uma ótica biopsicossocial. Times interdisciplinares do Massachusetts General Hospital e da Faculdade de Medicina de Harvard estão desenvolvendo um novo tipo de intervenção que seja, ao mesmo tempo, focada no indivíduo e holística, para contemplar todas as esferas de sua existência. O objetivo? Prevenir as doenças mentais em vez de apenas tratar os sintomas; promover a funcionalidade do paciente, ou seja, dar ferramentas para que a pessoa continue integrada à sociedade; e melhorar sua qualidade de vida. Especialistas alertam para a necessidade de redefinir o que é saúde mental, levando em conta uma abordagem mais ampla, que contemple fatores biológicos, psicológicos e sociais Geralt para Pixabay Essa é uma mudança significativa num campo que, nas últimas décadas, encarou as enfermidades neurológicas e psiquiátricas exclusivamente do ponto de vista biomédico. O espectro que abrange as doenças mentais tem provocado um aumento substancial do número de mortes e incapacidade no mundo. Foi o que levou os pesquisadores, autores de artigo publicado no NEJM Catalyst, a propor uma abordagem multidimensional e multidisciplinar para substituir a atual. O cérebro é um órgão de enorme complexidade: controla nossos pensamentos, memórias, emoções, habilidades motoras e personalidade. Um cérebro saudável é a chave para viver por mais tempo e com propósito, por isso é tão urgente inovar nessa área. Somente nos EUA, questões relacionadas à saúde mental impactam 100 milhões de americanos e custam 800 bilhões de dólares por ano. O conceito do modelo biopsicossocial, que analisa não apenas o peso das questões biológicas, mas também das psicológicas e sociais para o desenvolvimento de uma doença, foi criado em 1977 pelo psiquiatra George Engel. No entanto, sua utilização não teve o alcance que deveria. Fatores como acesso ao sistema de saúde, relacionamentos, resiliência e preconceitos ou estigmas, entre outros, não eram computados como relevantes para a saúde do cérebro. Vale acrescentar que o termo expossoma foi cunhado em 2005 para designar a totalidade das situações a que o ser humano fica exposto durante a sua trajetória, da concepção à morte. Ele se baseia em três domínios, começando pelo interno, que é exclusivo do indivíduo: idade, fisiologia, genoma. Os outros dois são as condições externas gerais (socioeconômicas e sociodemográficas) e as externas específicas, como dieta alimentar, ocupação, estilo de vida. São conceitos complementares. Uma mudança dessa magnitude exigirá uma política pública de cuidados que proteja o cidadão do útero ao fim da existência. A construção de “fatores de proteção” incluiria campanhas para um estilo de vida mais saudável, apoio para deixar comportamentos de risco, desenvolvimento de habilidades de adaptação e superação, atenção primária para mapeamento precoce de problemas. Promover a funcionalidade do paciente é um caminho para diminuir o estigma e melhorar o bem-estar emocional e a independência das pessoas. Não se trata de uma utopia. Na Finlândia, em 2009, foi realizado o primeiro estudo baseado na intervenção biopsicossocial – que incluía exercício, dieta, atividade social, monitoramento de riscos cardíacos e treino cognitivo – com resultados positivos. Outras iniciativas, como o Barcelona Brain Health, na Espanha, e o APPLE-Tree, no Reino Unido, estão em curso. Que rendam frutos! Veja Mais

Fraqueza e obesidade abdominal podem indicar sinais de declínio funcional em homens

Glogo - Ciência Condição se caracteriza como uma fase de transição para a incapacidade e surge antes da dificuldade para realizar atividades cotidianas Atividades simples, como se sentar e levantar de uma cadeira, se equilibrar parado e andar uma distância curta são funções que, quando alteradas, podem prever precocemente o declínio funcional, especialmente em homens com obesidade abdominal e fraqueza muscular. Esse foi o tema de pesquisa realizada pela doutora Roberta de Oliveira Máximo, sob orientação do professor doutor Tiago da Silva Alexandre, no Programa de Pós-Graduação em Fisioterapia da Universidade Federal de São Carlos. Homens com o pior desempenho físico foram aqueles que tinham uma combinação de obesidade abdominal e fraqueza muscular Geralt para Pixabay O estudo contou com 3.875 idosos e foi feito em parceria com pesquisadores do University College London, no Reino Unido. Os participantes tiveram seu desempenho avaliado por uma série de testes conhecida como Short Physical Performance Battery, que inclui uma caminhada de 2.4 metros, equilíbrio estático, sentar-se e levantar. O comprometimento dessas funções é considerado uma fase de transição pré-clínica para a incapacidade, isto é, aparece antes da dificuldade para realizar atividades do dia a dia, como fazer compras, cuidar da casa, preparar refeições, tomar banho, vestir-se e se alimentar. “A descoberta precoce do comprometimento poderia evitar incapacidades na vida diária dos idosos”, afirmou Alexandre. Ainda de acordo com o estudo, um grupo de homens apresentou o pior desempenho físico: foi o composto por aqueles que tinham uma combinação de obesidade abdominal e fraqueza muscular, conhecida como dinapenia. Os parâmetros utilizados foram circunferência de cintura maior que 102cm para homens e 88cm para mulheres, enquanto o teste de força de preensão manual era de menos de 26 quilos para homens e de 16 quilos para mulheres. Ao envelhecer, todos apresentam perda de força muscular acompanhada por um acúmulo de gordura abdominal, mas a situação parece pior para eles. “Os homens perdem mais força muscular que as mulheres ao longo da vida e já apresentam uma tendência ao acúmulo de gordura abdominal antes do processo de envelhecimento. A gordura abdominal é mais metabolicamente ativa e gera uma inflamação crônica de baixo grau, levando a repercussões negativas sobre a função muscular”, explicou Máximo, autora principal. O artigo “Combination of dynapenia and abdominal obesity affects long-term physical performance trajectories in older adults: sex differences” foi publicado na revista científica The American Journal of Clinical Nutrition e pode ser encontrado neste link. Veja Mais

A relação entre fatores hormonais e reprodutivos e a demência feminina

Glogo - Ciência Ter engravidado e idade mais avançada ao entrar na menopausa trazem maior proteção à mulher De acordo com estudo publicado no início do mês na revista PLOS Medicine, um longo período de reprodutivo, que é o tempo entre a primeira e a última menstruação; ter engravidado, mesmo que sofrendo um aborto; e uma idade mais avançada ao entrar na menopausa protegem a mulher da demência. Por outro lado, experiências como histerectomia (cirurgia de retirada do útero), primeiro parto e menopausa precoces e a menarca ocorrendo bem antes ou depois da média estão associadas a um risco maior para desenvolver um quadro demencial. O que o trabalho sugere é que fatores hormonais e reprodutivos podem desempenhar papel relevante na saúde mental feminina. Um longo período de reprodutivo, ter engravidado e idade mais avançada ao entrar na menopausa podem proteger a mulher contra a demência SunnyLove108 para Pixabay O número de casos de demência, um guarda-chuva que abrange diferentes enfermidades, vem crescendo no mundo todo, com maior incidência entre as mulheres, mas ainda há poucas evidências da sua relação com fatores hormonais reprodutivos. Esse foi o campo de estudo de Jessica Gong, pesquisadora do The George Institute for Global Health, na Austrália, com colaboradores da Holanda e do Reino Unido: seu objetivo era mapear se eventos que influenciam os níveis de estrogênios – em especial o estradiol, o mais importante deles – no organismo feminino estão ligados ao surgimento da doença. “Sabemos que o risco de desenvolver demência aumenta com a idade, mas não temos certeza de que o problema se manifesta em maior escala entre as mulheres simplesmente porque elas vivem mais. É possível que os aspectos reprodutivos femininos ajudem a explicar a questão”, afirmou Gong. O time analisou informações disponíveis de mais de 270 mil mulheres. Representação em 3D de um corte transversal da coluna vertebral apresentando osteoporose iStock.com/CreVis2 Em outra frente de pesquisa, já é possível determinar se a diminuição da densidade óssea, relacionada à menopausa, está em andamento ou é iminente, através da medição nível de um hormônio que entra em declínio quando a mulher se aproxima da sua última menstruação. Trata-se do hormônio anti-mülleriano (em inglês, AMH), utilizado para estimar a reserva ovariana, cujos níveis declinam à medida que o derradeiro ciclo se aproxima. O mapeamento ajudaria os médicos a reduzir os riscos de condições mais sérias, como a osteoporose. A perda da densidade óssea se inicia na perimenopausa, uma janela de alguns anos antes do fim das regras que se caracteriza por outros sintomas, como ondas de calor, distúrbios de sono e oscilações de humor. O estudo, liderado pelo médico Arun Karlamangla, professor de geriatira da Universidade da Califórnia Los Angeles, também foi publicada no comecinho do mês na revista científica Journal of Bone and Mineral Research. Veja Mais

Alemanha derruba isolamento obrigatório para infectados

Glogo - Ciência A partir de 1º de maio, pacientes com Covid-19 na Alemanha serão apenas aconselhados a manter isolamento por cinco dias. Exceção são profissionais da saúde e cuidadores. Pessoas esperam em fila para fazerem testes rápidos de antígeno de Covid-19 em Duisburg, na Alemanha, em 25 de janeiro de 2022 Martin Meissner/AP O ministro da Saúde alemão, Karl Lauterbach, anunciou nesta segunda-feira (4) que, a partir de 1º de maio não será mais obrigatório isolamento para os infectados com o coronavírus. Em vez disso, os pacientes com Covid-19 serão fortemente aconselhados a fazer um isolamento de cinco dias, assim como as pessoas que tiveram contato com eles, além de se submeterem a testes regulares. Compartilhe pelo WhatsApp Compartilhe pelo Telegram A regra, porém, não vale para trabalhadores da área da saúde e para cuidadores, que devem continuar cumprindo isolamento de cinco dias, que poderá ser encerrado após um teste negativo. Veja abaixo uma reportagem de 2020, sobre a identificação de uma mutação do Sars-Cov-2. Alemanha confirma 1º caso de mutação do coronavírus Leia também Uruguai suspenderá estado de emergência sanitária por Covid-19 Cidade de SP aplica 4ª dose da vacina contra a Covid-19 em maiores de 60 anos a partir desta segunda A decisão foi tomada após reunião de Lauterbach com os secretários de saúde dos 16 estados alemães e é baseada em orientações do Ministério da Saúde e do Instituto Robert Koch (RKI), agência governamental para o controle e prevenção de doenças. Atualmente, a orientação é um isolamento de 10 dias para infectados, que pode ser encerrado ao sétimo dia, após um teste negativo. A nova regulamentação deve ser implementada pelos estados federais. Lauterbach se mostrou cautelosamente otimista com a situação do coronavírus na Alemanha. "O ponto de virada parece ter sido alcançado", disse ele, ressaltando que o número de casos está diminuindo. No entanto, ele destacou que o país ainda está em alerta. Fim da exigência de máscara A partir desta semana, a maioria dos estados alemães não exigirá mais máscaras em estabelecimentos comerciais. A exigência foi oficialmente abandonada em Berlim na sexta-feira e seguida por outros estados nos dias seguintes. No entanto, alguns dos 16 estados expressaram forte oposição à medida. Hamburgo e Meclemburgo-Pomerânia Ocidental continuarão exigindo máscaras. A obrigatoriedade do uso de máscaras em estabelecimentos estava em vigor desde a primavera de 2020. Nesta segunda-feira, os lojistas disseram que a esmagadora maioria dos clientes continuava usando máscara durante as compras. "Existe uma maioria pouco agitada, quieta e razoável que naturalmente usará máscaras quando estiver em espaços fechados", disse Michael Genth, presidente da Associação de Negócio e Comércio de Saarbrücken. "Presumimos que os clientes agirão com responsabilidade e continuarão usando máscaras enquanto fazem compras em ambientes fechados", destacou. Sindicatos criticam medida Grandes redes de supermercados alemãs, como Rewe, Lidl, Aldi e Edeka, a gigante sueca de móveis Ikea, a livraria Thalia e as lojas de roupas H&M e Primark informaram que não exigirão que os clientes usem máscaras nos estabelecimentos. Ainda assim, alguns empregadores manifestaram preocupação com as mudanças, assim como funcionários. O sindicato Verdi, por exemplo, lamentou a decisão e salientou que a regra prejudica os trabalhadores, potencialmente expondo-os à infecção em seu local de trabalho. As máscaras agora só serão exigidas pelo governo federal para quem viaja de avião ou em trens de longa distância. Os estados também podem exigir que os indivíduos usem máscaras em hospitais e clínicas e nos transportes públicos. Lauterbach, porém, aconselhou os cidadãos a continuar usando máscaras em ambientes internos. O Instituto Robert Koch relatou nesta segunda-feira 41.129 novos casos de Covid-19 e 23 mortes relacionadas à doença. Os números tendem a ser menores às segundas-feiras, devido à redução de testes e relatórios nos finais de semana, especialmente aos domingos. Veja os vídeos mais assistidos do g1 Veja Mais

Qual é o rato mais famoso do mundo? #shorts

Qual é o rato mais famoso do mundo? #shorts

 Minuto da Terra Você já deve tê-lo visto em Harry Potter ou Ratatouille - mas o seu papel principal é no laboratório, onde várias versões suas foram criadas: tem de rato pelado até rato com ossos grandes! #shorts Se você gosta dos vídeos do Minuto da Terra, pode ajudar: - Deixando um comentário (eu leio!) - Clicando em "Gostei" (y) - Compartilhando com os amigos \o/ - Contribuindo com R$: pode ser uma doação no http://bit.ly/doarMDT ou mensalidade como membro do canal https://www.youtube.com/minutodaterra/join - Comprando nossas camisetas! https://www.lolja.com.br/minuto-da-terra/?sort_by=price-ascending https://facebook.com/minutodaterra https://twitter.com/minutodaterra https://instagram.com/ominutodaterra https://tiktok.com/@minutodaterra Versão Brasileira contato@escarlatte.com Tradução oficial e autorizada do canal MinuteEarth, produzido por Neptune Studios LLC https://neptunestudios.info Este canal faz parte do Science Vlogs Brasil, um selo de qualidade colaborativo que reúne divulgadores de ciência confiáveis do Youtube Brasil. Conheça todos os canais em youtube.com/sciencevlogsbrasil Veja Mais

O que fazer quando se acorda com o corpo todo enrijecido

Glogo - Ciência A chave para se sentir melhor é movimentar-se. Ainda na cama, se espreguice com vontade Morro de inveja da minha gata que, ao acordar – e são muitas sonecas ao longo do dia – se espreguiça com maestria e está pronta para dar um salto. Já nós, pobres humanos, conforme envelhecemos, despertamos com a impressão de que nos transformamos numa obra cubista, cheia de arestas. Pular da cama, como fazíamos quando crianças? Nem pensar! O corpo está todo contraído e a condição tem nome: rigidez matinal. Embora este também seja um sintoma de pacientes que sofrem de artrite reumatoide, e que não pode ser ignorado se causar limitações de mobilidade, acordar enrijecido é praticamente uma experiência planetária. Acordar com o corpo todo contraído tem nome: rigidez matinal Pixabay Esse “emperramento” é causado por alterações na lubrificação das articulações e das fáscias, a rede de tecido conjuntivo que envolve as estruturas do corpo, como músculos, nervos e vísceras, garantindo sua sustentação. Graças a um complexo mecanismo de lubrificação, as diversas camadas das fáscias conseguem deslizar umas sobre as outras, tornando nossos membros flexíveis. No entanto, em determinadas situações, como quando nossa temperatura cai ou estamos imóveis por muito tempo – duas características que acompanham o sono – essa lubrificação se torna mais viscosa e a capacidade de deslizamento é menor, provocando a sensação de enrijecimento. As articulações contribuem para o incômodo porque, durante a noite, as cartilagens absorvem o fluido sinovial que lubrificam as estruturas articulares. Felizmente, há alguns pequenos exercícios capazes de eliminar o desconforto. A chave para se sentir melhor é movimentar-se. Ainda na cama, se espreguice com vontade, abrindo e esticando braços e pernas, mexendo os dedos das mãos e dos pés. Para repor a lubrificação das articulações, dobre e estique seus joelhos e cotovelos. Além disso, faça movimentos circulares com os punhos e tornozelos – e não se esqueça de virar gentilmente a cabeça de um lado para o outro. Se o corpo ainda estiver retesado quando sair da cama, faça uma pequena marcha sem sair do lugar e repita o dobra-e-estica das articulações. Há certas posturas da ioga que trazem alívio e uma delas é a do gato e da vaca, que você pode acompanhar aqui: Comece na posição de quatro apoios, com joelhos e palmas das mãos no chão (se imagine como uma mesa). Os punhos devem estar alinhados com os ombros e os joelhos com os quadris. Os cotovelos ficam para trás, e não virados para a frente. Deixe as costas planas, reduzindo a curva da lombar. Encolher a barriga ajuda a chegar na posição. Inspire trazendo o peito para frente e para cima, com os ombros voltados para fora. Curve a coluna para baixo e erga o cóccix, empurrando o peito para fora. Levante o queixo e tente olhar para cima. Agora expire, desça o cóccix e eleve o abdômen, arqueando a coluna para cima, como fazem os gatos quando se assustam. Deixe a cabeça pender entre os braços em direção ao chão, mas sem encostar o queixo no peito. A outra é a postura da criança, que relaxa a tensão do pescoço e das costas: Postura da criança: relaxa a tensão do pescoço e das costas AndiP para Pixabay Primeiro fique de quatro. Junte os dedões dos pés e separe os joelhos numa distância um pouco maior que os quadris, Traga os quadris em direção aos calcanhares, mantendo os joelhos afastados, e deixe as palmas das mãos apoiadas no chão. Vá levando as mãos para a frente, alongando a coluna. Pode levantar o bumbum para facilitar, o importante é não ultrapassar seus limites. Lentamente, vá se inclinando para a frente até que a testa repouse no chão ou colchonete. Você também pode usar uma almofada para apoiar a cabeça se não conseguir alcançar o colchonete. Deixe as mãos espalmadas, com os dedos abertos, respire e relaxe. Caso tenha dificuldade em visualizar os movimentos, ambas têm vários tutoriais na internet. Aproveite para incorporar exercícios ao longo dia, evitando a imobilidade por longos períodos. Veja Mais

O solo é um ser vivo? | Minuto da Terra

O solo é um ser vivo? | Minuto da Terra

 Minuto da Terra O chão em que pisamos não parece estar "vivo", mas funciona como um ser vivo de várias maneiras. - Saúde do solo: a capacidade contínua do solo de funcionar dentro dos limites do ecossistema e do uso da terra para sustentar a produtividade biológica, promover a qualidade do ar e dos ambientes aquáticos e manter a saúde das plantas, animais e humanos. - Serviços ecossistêmicos: também conhecidos como Serviços Ambientais, são os benefícios que a natureza fornece ao homem e que são indispensáveis à sua sobrevivência, estando associados à qualidade de vida e bem estar da sociedade. Vídeo relacionado: Como (literalmente) salvar a Terra? https://www.youtube.com/watch?v=CNBPKQPD5G0 Se você gosta dos vídeos do Minuto da Terra, pode ajudar: - Deixando um comentário (eu leio!) - Clicando em "Gostei" (y) - Compartilhando com os amigos \o/ - Contribuindo com R$: pode ser uma doação no http://bit.ly/doarMDT ou mensalidade como membro do canal https://www.youtube.com/minutodaterra/join - Comprando nossas camisetas! https://www.lolja.com.br/minuto-da-terra/?sort_by=price-ascending https://facebook.com/minutodaterra https://twitter.com/minutodaterra https://instagram.com/ominutodaterra https://tiktok.com/@minutodaterra Versão Brasileira contato@escarlatte.com Tradução: Leonardo Gonçalves de Souza Narração: Maria Carolina Passos Edição de vídeo: Ricardo Gonçalves de Souza Tradução oficial e autorizada do canal MinuteEarth, produzido por Neptune Studios LLC https://neptunestudios.info Vídeo original: Is Soil Alive? https://www.youtube.com/watch?v=bIISMpJKEAU FONTES (em inglês) Harshberger, JW. (1911) The Soil, A Living Thing. Reprinted from Science, N.S. vol. 33 No. 854. 469.1 https://www.science.org/doi/10.1126/science.33.854.741 Minami K. (2021) “Soil is a living substance”. Soil Science and Plant Nutrition 67: 26-30. https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/00380768.2020.1827939 Rattal Lal, personal communication (11/19/21) Asmeret Berhe, personal communication (12/2/21) Este canal faz parte do Science Vlogs Brasil, um selo de qualidade colaborativo que reúne divulgadores de ciência confiáveis do Youtube Brasil. Conheça todos os canais em youtube.com/sciencevlogsbrasil Veja Mais

Você já viu um picolé de SAPO? #shorts Minuto da Terra

Você já viu um picolé de SAPO? #shorts Minuto da Terra

 Minuto da Terra Você sabia que alguns animais se congelam para sobreviver ao inverno rigoroso? É um superpoder que apenas algumas espécies têm, como esses sapos da América do Norte! #shorts Se você gosta dos vídeos do Minuto da Terra, pode ajudar: - Deixando um comentário (eu leio!) - Clicando em "Gostei" (y) - Compartilhando com os amigos \o/ - Contribuindo através de uma doação no http://bit.ly/doarMDT ou mensalidade como membro do canal https://www.youtube.com/minutodaterra/join - Comprando nossas camisetas! https://www.lolja.com.br/minuto-da-terra/?sort_by=price-ascending Versão Brasileira contato@escarlatte.com Tradução, narração e edição de vídeo: Leonardo Gonçalves de Souza Tradução oficial e autorizada do canal MinuteEarth, produzido por Neptune Studios LLC https://neptunestudios.info Este canal faz parte do Science Vlogs Brasil, um selo de qualidade colaborativo que reúne divulgadores de ciência confiáveis do Youtube Brasil. Conheça todos os canais em youtube.com/sciencevlogsbrasil Veja Mais

Por que as ovelhas não encolhem quando se molham? #shorts

Por que as ovelhas não encolhem quando se molham? #shorts

 Minuto da Terra Como todos os pêlos dos mamíferos, as fibras de lã estão sobrepostas em escamas, o que facilita o deslizamento mais em uma direção do que na outra. Quando uma blusa de lã vai pra a máquina de lavar e é jogada de um lado pro outro, essas fibras engatam nas suas vizinhas, fazendo com que elas se movam apenas em uma direção. A água só piora as coisas, inchando as fibras e deixando elas ainda mais próximas, e amolecendo as escamas, o que as deixa mais propensas a grudarem nas fibras vizinhas, mas não molengas o suficiente pra passarem direto. O calor também agrava a situação, deixando a lã mais maleável e ainda mais em contato com as vizinhas. Ao longo do processo de lava e seca, as milhares de pequenas escamas nas milhares de fibras individuais da blusa de lã vão se encontrando e contraindo cada vez mais, encolhendo o tamanho da blusa. Quando as ovelhas tomam um banho de chuva, as fibras do seu casaco incham e as escamas amolecem também, mas a sua lã não é jogada de um lado pro outro de um jeito que elas fiquem presas entre si... a menos, claro, que dê a louca nelas. #shorts CRÉDITOS Versão Brasileira contato@escarlatte.com Tradução oficial e autorizada do canal MinuteEarth, produzido por Neptune Studios LLC Este canal faz parte do Science Vlogs Brasil, um selo de qualidade colaborativo que reúne divulgadores de ciência confiáveis do Youtube Brasil. Conheça todos os canais em youtube.com/sciencevlogsbrasil Veja Mais

UFV e IFCE desenvolvem nova tecnologia para produção de hidromel e outras bebidas

Glogo - Ciência A pesquisa resultou na criação de um fermento específico para o hidromel, uma bebida alcóolica ainda produzida no Brasil com leveduras vinícolas, cervejeiras ou de panificação, muitas vezes importadas. Pesquisadores desenvolveram nova tecnologia para produção de hidromel em Viçosa UFV/Divulgação Um trabalho conjunto realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e do Instituto Federal do Ceará (IFCE) resultou no aprimoramento de processos e desenvolvimento de fermentos para produção de hidromel e também outras bebidas. A pesquisa foi iniciada em 2013 e se consolidou com a criação de um fermento específico para o hidromel, uma bebida alcóolica ainda produzida no Brasil com leveduras vinícolas, cervejeiras ou de panificação, muitas vezes importadas. A nova e inédita tecnologia de produção foi anunciada pela professora Monique Eller em 2017 abre perspectivas para que se criasse uma identidade para o hidromel brasileiro, com processos padronizados e custo menor. O conhecimento amadureceu ainda mais e atualmente o produto gerado a partir de leveduras extraídas do pólen e mel de abelhas sem ferrão está disponível para testes em escala industrial, o que possibilita, assim, a ampliação de parcerias. Devido a aspectos legais que impedem o registro de patentes de microrganismos no Brasil, a professora se empenha em obter o registro do direito de uso do fermento. Ela considera que isso se configuraria numa ação importante de extensão, já que permitiria o uso do fermento a um baixo custo pelos produtores, além da possibilidade de captação de recursos para os laboratórios da UFV. Para garantir a propriedade intelectual do produto criado na UFV, os pesquisadores estão realizam o depósito das leveduras no banco de microrganismos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), além do sequenciamento e análise dos genomas. Além de professores e estudantes de graduação e de pós-graduação da UFV, a pesquisa tem o apoio e a parceria da professora Mayara Salgado Silva, do IFCE, do pesquisador Eduardo Luís Menezes de Almeida, do Departamento de Microbiologia, e dos docentes da UFV Weyder Santana (Departamento de Entomologia), Luciano Gomes Fietto (Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular) e Alexandre Fontes Pereira (Departamento de Química). Para mais detalhes sobre as leveduras produzidas pela equipe da UFV, a professora Monique Eller disponibiliza o contato pelo e-mail: monique.eller@ufv.br. VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e o Campo das Vertentes Veja Mais

A vida depois de uma doença grave

Glogo - Ciência Aprenda a superar os sentimentos negativos e a cuidar da saúde física e mental Relatório divulgado semana passada pela Sociedade Americana do Câncer (ACS na sigla em inglês) mostra que, no começo de 2022, o número de sobreviventes da doença bateu a marca de 18 milhões naquele país, sendo que dois terços têm mais de 65 anos – 53% haviam sido diagnosticados nos últimos dez anos. No Brasil, de acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), estima-se a ocorrência de 620 mil novos casos por ano. Entre os homens, a maior incidência é a do câncer de próstata, que responde por 29,2% do total; entre as mulheres, o de mama representa 29,7%. Como explicou a chefe da divisão de vigilância e análise de situação do Inca, Marianna Cancela, “a estimativa é de que tenhamos cerca de 1.4 milhão de pacientes que receberam o diagnóstico nos últimos cinco anos e estão vivos”. Uma boa notícia é que os dois tipos de câncer mais comuns, próstata e mama, têm boas chances de cura se diagnosticados precocemente. Ruptura biográfica: angústia durante o tratamento conduz a um processo de reformulação e estreitamento dos laços afetivos entre o paciente e familiares InstagramFotografin para Pixabay Tanto lá, quanto aqui, as desigualdades sociais traduzem um desafio enorme para a prevenção e o tratamento precoce. Mesmo assim, um contingente cada vez maior fica curado. Aproveitando os dados recém-divulgados, quis escrever sobre o que acontece na vida das pessoas depois da vitória sobre uma doença grave. Segundo outro estudo do Inca, os pacientes e até seus familiares tendem a adotar hábitos saudáveis, o que inclui a prática de exercícios e uma dieta balanceada. Os pesquisadores atribuíram as mudanças à dura experiência do diagnóstico e tratamento: a angústia e o sofrimento conduzem a um processo de reformulação de valores e comportamentos que é conhecido como ruptura biográfica. Apesar de questões preocupantes, como o impacto econômico para quem deixou de trabalhar, ocorre um estreitamento dos laços afetivos com familiares e com os grupos que foram solidários durante o processo. Embora o estigma do câncer seja maior, toda enfermidade séria traz repercussões emocionais e mentais, e ainda podem surgir limitações físicas. O luto é real. Perdemos uma parte de nós, da vida como a conhecíamos. Aqui estão algumas recomendações que a médica Alisa Sabin listou em artigo que escreveu para o site SixtyAndMe: servem para lidar com os sentimentos negativos e aprender a superá-los. Aceitar: é preciso encarar de forma realista o que mudou, reconhecer se surgiu alguma incapacidade, temporária ou permanente. Tente focar no que é possível controlar. Conectar-se: mantenha contato e aprofunde o relacionamento com as pessoas que lhe deram acolhimento nos momentos difíceis. Lembre-se que você também é capaz de ajudar amigos e familiares com sua presença e disposição para ouvir, e não recuse auxílio se estiver precisando. Cuidar-se: a saúde física alimenta a saúde mental. Não descuide da alimentação, da atividade física e do sono de qualidade. Aprenda a manejar a ansiedade e o estresse com técnicas de relaxamento, como meditação ou mindfulness. Encontrar-se: cerque-se de coisas e atividades que lhe deem prazer e tragam propósito à sua existência. Pode ser um hobby, um trabalho voluntário, uma nova atividade. Celebrar e agradecer: crie metas simples e festeje cada pequena vitória. Alimente-se com histórias inspiradoras e não se deixe abater pelo desânimo. Transforme-se em seu melhor amigo/amiga! Veja Mais

Vem aí a nutrição de precisão

Glogo - Ciência O objetivo é criar dietas sob medida, que funcionem de acordo com as características e circunstâncias vividas por cada indivíduo Alguns (ou muitos) quilos a mais? Taxas altas de colesterol? Quem enfrenta esse tipo de desafio quase tem que se satisfazer com uma dieta de restrições – e conheço gente que não pode mais ver peito de frango grelhado com salada... No entanto, se depender da Sociedade Norte-Americana de Nutrição (ANS em inglês), em poucos anos uma revolução mudará os parâmetros da alimentação. No encontro anual da entidade, realizado entre 14 e 16 de junho, a grande vedete das discussões foi a nutrição de precisão. Como o nome diz, trata-se de um novo campo de pesquisa cujo objetivo é criar dietas sob medida, que funcionem de acordo com as características e circunstâncias vividas por cada indivíduo. Nutrição de precisão: objetivo é criar dietas sob medida, de acordo com as características de cada indivíduo Carlos Silva para Pixabay Os mais otimistas talvez já estejam salivando com a perspectiva de não terem que abandonar seus quitutes preferidos, mas ainda há um longo caminho pela frente. Ele começa com o projeto “All of us” (“Todos nós”), que pretende montar um enorme banco de dados sobre um milhão de americanos. Para participar, basta ter 18 anos e concordar em compartilhar informações médicas, responder a questionários e fornecer amostras de sangue, urina e saliva para exames laboratoriais e de DNA. Os cientistas querem aprender não apenas sobre a biologia dessas pessoas, mas também sobre seu estilo de vida e o ambiente no qual vivem. O motivo? Quanto maior a diversidade do material, mais perto estarão de formular tratamentos personalizados. A iniciativa é da agência governamental de pesquisa biomédica dos EUA (National Institutes of Health), cuja meta é tornar a medicina de precisão – que leva em conta todo o ambiente no qual o indivíduo está inserido – uma realidade para a população. O primeiro grande movimento será na área da nutrição e, com o volume de dados do banco biológico que está sendo criado, o passo seguinte será desenvolver algoritmos que mapeiem padrões dietéticos e prevejam respostas individuais aos alimentos. “A nutrição será vista como a soma de biologia, comportamento, influências sociais e meio ambiente. Poderá se transformar num grande passo no combate à obesidade, um dos maiores fatores de risco para as doenças cardiovasculares e o diabetes”, enfatizou o médico Bruce Lee, professor da City University of NY (CUNY). Essa é a beleza do deep learning: com uma grande quantidade de dados processados por algoritmos, os computadores aprendem sozinhos e são capazes de realizar previsões de forma progressiva. “Vamos usar todos os tipos de biomarcadores e daremos sequência a um estudo de três fases sobre desafios alimentares e intervenções de precisão. Serão recomendações individualizadas para moderar ou otimizar esses biomarcadores”, afirmou Holly Nicastro, coordenadora do programa. A primeira etapa contará com 10 mil participantes, além de todos os que integram o “All of us”, para mapear sua dieta e as respostas fisiológicas; na segunda, serão avaliadas três intervenções de curta duração em comunidades; por fim, os ajustes nutricionais serão feitos em domicílios. O início está previsto para 2023. Nesse admirável mundo da ciência, um novo estudo com 6 mil adultos mostrou que os genes ligados à percepção do sabor desempenham papel relevante nas escolhas alimentares que fazemos. Exemplificando, uma pessoa pode descartar certos tipos de comida devido a seu perfil genético e, sabendo dessa particularidade, poderia incorporá-los à dieta com temperos que diminuíssem a rejeição. Veja Mais

Como o vinho pode ter cheiro de chocolate? #shorts

Como o vinho pode ter cheiro de chocolate? #shorts

 Minuto da Terra Você consegue identificar os aromas do vinho? Eu adoro vinho, mas infelizmente não sou nenhuma especialista. E eu admito que, mesmo depois de pesquisar bastante, eu ainda não sou boa em identificar os aromas do vinho. Mas saber que eles existem e de onde eles vêm me faz apreciar cada taça. E, na verdade, comida de forma geral, já que talvez a coisa mais interessante sobre os compostos aromáticos do vinho é que eles não estão apenas no vinho. O cheiro apimentado de alguns vinhos vem da mesma molécula encontrada nos grãos de pimenta. Pão produz diacetil, a molécula responsável pelo sabor amanteigado da pipoca de cinema - e também de alguns Chardonnays. E café e chocolate - que têm quase tantos compostos aromáticos quanto o vinho - são cheios de aromas que você talvez reconheça de outros lugares. Agora quando eu sinto um cheiro de rosas no meu molho de tomate, ou fumaça em uma xícara de café, eu lembro de como tudo, na cozinha, tá conectado. Esse foi o Minuto da Comida - uma deliciosa série do Minuto da Terra. Veja Mais

Um ovo = uma célula | Minuto da Terra

Um ovo = uma célula | Minuto da Terra

 Minuto da Terra Você provavelmente come a maior célula da Terra no café da manhã. Quer saber mais sobre esse assunto? Pesquise por essas palavras-chave: - Célula: a menor unidade que pode executar todas as atividades necessárias à vida; - Ovo: o recipiente orgânico que contém o zigoto no qual um embrião se desenvolve até que possa sobreviver por conta própria; - Fertilização: a união de gametas masculinos e femininos durante a reprodução sexual para formar um zigoto. Se você gosta dos vídeos do Minuto da Terra, pode ajudar... - Deixando um comentário (eu leio!) - Clicando em "Gostei" ???? - Compartilhando com os amigos \o/ - Contribuindo com R$: pode ser uma doação no http://bit.ly/doarMDT ou mensalidade como membro do canal https://www.youtube.com/minutodaterra/join Versão Brasileira: contato@escarlatte.com Tradução e narração: Leonardo Gonçalves de Souza Edição de vídeo: Ricardo Gonçalves de Souza Produção: Maria Carolina Passos Tradução oficial e autorizada do canal MinuteEarth, produzido por Neptune Studios LLC Vídeo original: An Egg Is Just One Cell https://www.youtube.com/watch?v=bfGJw-t706o Fontes (em inglês) Alberts B, Johnson A, Lewis J, et al. (2002). Eggs. Molecular Biology of the Cell (4th edition). New York: Garland Science. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK26842/ Gilbert S. (2013). ""Early Development in Birds"". Developmental Biology (10th ed.). Sunderland: Sinauer Associates. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK10070/ Marshall WF, Young KD, Swaffer M, Wood E. (2012) What determines cell size? BMC Biololgy 10: 101. https://bmcbiol.biomedcentral.com/articles/10.1186/1741-7007-10-101 Starck J (2020) Morphology of the avian yolk sac, Journal of Morphology 282:7, (959-972). https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1002/jmor.21262 Este canal faz parte do Science Vlogs Brasil, um selo de qualidade colaborativo que reúne divulgadores de ciência confiáveis do Youtube Brasil. Conheça todos os canais em youtube.com/sciencevlogsbrasil Veja Mais

Quem voa mais rápido: um dragão ou um avião? #shorts

Quem voa mais rápido: um dragão ou um avião? #shorts

 Minuto da Terra Se dragões existissem, quão rápido eles voariam? Ou, pelo menos, qual a velocidade mínima que eles teriam que voar para permanecer no ar? O Minuto da Terra tem um laboratório online onde você pode descobrir! #shorts Se você gosta dos vídeos do Minuto da Terra, pode ajudar... - Deixando um comentário (eu leio!) - Clicando em "Gostei" ???? - Compartilhando com os amigos \o/ - Contribuindo com R$: pode ser uma doação no http://bit.ly/doarMDT ou mensalidade como membro do canal https://www.youtube.com/minutodaterra/join Versão Brasileira: contato@escarlatte.com Tradução e narração: Leonardo Gonçalves de Souza Edição de vídeo: Ricardo Gonçalves de Souza Produção: Maria Carolina Passos Tradução oficial e autorizada do canal MinuteEarth, produzido por Neptune Studios LLC Este canal faz parte do Science Vlogs Brasil, um selo de qualidade colaborativo que reúne divulgadores de ciência confiáveis do Youtube Brasil. Conheça todos os canais em youtube.com/sciencevlogsbrasil Veja Mais

Por que o hemisfério norte tem mais terras que o sul?

Por que o hemisfério norte tem mais terras que o sul?

 Minuto da Terra A maior parte terrestre da Terra fica atualmente no hemisfério norte porque existimos em uma época em que o aquecimento desigual no manto empurrou muitas placas continentais praquela direção. Quer saber mais sobre esse assunto? Pesquise por essas palavras-chave: - Deriva continental: uma teoria que tenta explicar a formação e disposição atual dos continentes em que se afastam ou se aproximam na dependência dos deslocamentos das placas tectônicas em que se inserem. - Hipótese tetraédrica: uma teoria que tentou explicar o arranjo dos continentes e oceanos da Terra com base na geometria de um tetraedro. - Placas tectônicas: A teoria geralmente aceita de que a superfície da Terra é composta por uma série de placas tectônicas que se movem lentamente no topo do manto terrestre. - Pangea: O mais recente supercontinente a se formar na Terra, durante o final da era paleozóica. - Grande Vale do Rifte: ou Vale da Grande Fenda, é uma série de trincheiras geográficas contíguas entre duas placas tectônicas onde os humanos evoluíram pela primeira vez. - Aurica: um possível supercontinente previsto para se formar em cerca de 200 milhões de anos. Se você gosta dos vídeos do Minuto da Terra, pode ajudar... - Deixando um comentário (eu leio!) - Clicando em "Gostei" ???? - Compartilhando com os amigos \o/ - Contribuindo com R$: pode ser uma doação no http://bit.ly/doarMDT ou mensalidade como membro do canal https://www.youtube.com/minutodaterra/join Versão Brasileira: contato@escarlatte.com Tradução e narração: Leonardo Gonçalves de Souza Edição de vídeo: Ricardo Gonçalves de Souza Produção: Maria Carolina Passos Tradução oficial e autorizada do canal MinuteEarth, produzido por Neptune Studios LLC Vídeo original: Why Is There So Much Land In The North? https://www.youtube.com/watch?v=ZXfdXEonKtk Fontes (em inglês) Yoshida, M., Hamano, Y. (2015). Pangea breakup and northward drift of the Indian subcontinent reproduced by a numerical model of mantle convection. Scientific Reports 5, 8407. https://doi.org/10.1038/srep08407 Morton, M.C. (2017). When and how did plate tectonics begin on Earth? Earth Magazine. https://www.earthmagazine.org/article/when-and-how-did-plate-tectonics-begin-earth/ Fisher, R. (2022). How the next supercontinent will form. BBC Future. https://www.bbc.com/future/article/20220401-how-the-next-supercontinent-will-form Maslin, M. (2013). How Climate Change and Plate Tectonics Shaped Human Evolution. https://www.scientificamerican.com/article/how-climate-change-and-plate-tectonics-shaped-human-evolution/ Green, W.L. (1875). Vestiges of the Molten Globe. https://archive.org/details/vestigesmolteng00greegoog Este canal faz parte do Science Vlogs Brasil, um selo de qualidade colaborativo que reúne divulgadores de ciência confiáveis do Youtube Brasil. Conheça todos os canais em youtube.com/sciencevlogsbrasil Veja Mais

Por que a saúde pélvica é fundamental para nossa qualidade de vida

Glogo - Ciência Fortalecimento da região previne problemas de incontinência e melhora o sexo A fisioterapeuta pélvica Renata Miranda, com especialização e mestrado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), já está acostumada com o desconhecimento das pessoas sobre o que é saúde pélvica – até entre profissionais da área da saúde. A pelve é uma estrutura complexa, que tem a forma de uma bacia e é composta de ossos como o sacro, ílios, ísquios e púbis. Suporta o peso da porção superior do corpo, abriga e protege os órgãos, além de dar sustentação às vísceras. “A fisioterapia pélvica reabilita as funções da região”, explica a fisioterapeuta. “Embora os problemas sejam mais comuns à medida que envelhecemos, não são exclusivos da velhice”, completa. O importante, enfatiza, é não encarar como “normais” disfunções como, por exemplo, as relacionadas ao aparelho urinário: perda involuntária de urina, infecções de repetição, ou levantar-se inúmeras vezes à noite para fazer xixi. Constipação, perda de fezes e não conseguir segurar o pum estão entre outros distúrbios tratados – com sucesso – pela especialidade. A fisioterapeuta pélvica Renata Miranda, com especialização e mestrado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Divulgação O assoalho pélvico é fundamental nesse equilíbrio no organismo. Como o nome diz, funciona como um piso formado por músculos que se localizam na região do períneo, entre a sínfise púbica (acima dos genitais externos) e o sacro, conectando-se às estruturas ósseas que amparam os órgãos. “Como ele funciona como uma rede de sustentação, tudo o que aumenta a pressão intra-abdominal pode apresentar riscos”, afirma Renata, listando fatores como o excesso de peso e a gravidez, mas também o esforço físico provocado por esportes de impacto, como, por exemplo, as corridas. E por que o risco é maior para as mulheres? Por uma característica biomecânica feminina, que é a abertura da vagina e nossa dependência do estrogênio, cuja produção começa a declinar na perimenopausa. Quando não se trabalha o fortalecimento do assoalho pélvico, há mais chances de ocorrer o chamado prolapso genital, conhecido como “bexiga caída”: os músculos perdem a capacidade de sustentar os órgãos – que podem, inclusive, acabar “escapando” pela vagina ou pelo ânus. “A região do períneo é estrógeno dependente e vai sofrer na menopausa. A mulher perde massa muscular, por isso é tão relevante um trabalho preventivo, mas cerca de 50% das pessoas não sabem contrair o assoalho pélvico corretamente, prejudicando o fortalecimento da musculatura”, avalia a fisioterapeuta, acrescentando que manter a saúde pélvica não se resume a controlar urina, fezes e puns: “ela está relacionada a uma melhor resposta sexual, porque essa musculatura é fundamental para o prazer”. Seu projeto de fim de curso foi sobre a resposta sexual durante o climatério, isto é, na transição da fase fértil para a pós-menopausa, quando as queixas se amontoam: ressecamento da vagina, dor durante o sexo, fissura vaginal mesmo sem relações, além de infecções urinárias de repetição. “É possível melhorar o tecido com laser ou radiofrequência, principalmente nos casos de pacientes impedidas de fazer reposição hormonal. Mas também devemos treinar nossa libido, através da masturbação e de brinquedos eróticos, que ajudam na irrigação da área. É importante gozar até o fim da vida”, ensina. Para quem quiser fazer uma experiência sobre sua capacidade de contração do assoalho pélvico, aqui vai um tutorial simplificado: faça o movimento de segurar um pum, contraindo a região do períneo, e notará que há uma aproximação dos orifícios do ânus e da vagina. Introduzindo o dedo na vagina, você sentirá que ele é “puxado” para cima. Tão importante quanto contrair é manter a contração (por três, cinco segundos, o que for possível) e, em seguida, relaxar. Veja Mais

Fatores de risco que estão por trás do suicídio de idosos

Glogo - Ciência “Normalmente eles ficam isolados, o que faz diminuírem as chances de serem socorridos a tempo, além de estarem mais determinados a conseguir seu intento”, diz especialista Nos Estados Unidos, maio é o mês da conscientização sobre a saúde mental, o que levou o National Council on Aging, entidade criada em 1950, a realizar um seminário on-line focado nos idosos e, especificamente, sobre uma questão delicada: o suicídio. Foi assim que conheci, virtualmente, Jeffrey Shultz, um homem de 63 anos, fala mansa e uma sofrida história de vida. A carreira promissora no setor de vendas, que o levara a galgar cargos executivos, foi abalroada por um evento dramático: o suicídio de Phil, seu filho caçula, em 2012. “Eu já havia desacelerado o ritmo para poder me dedicar a ele, que sofria de depressão severa. Depois da sua morte, me vi num quadro de estresse pós-traumático. Em meio à dor e à culpa, afundei na depressão, e sabia que quem perde um filho é mais suscetível a cometer suicídio”, contou. Em 2019, acabou saindo da empresa e a situação só piorou, porque a insegurança financeira se somava ao isolamento. “Tinha até um plano para que minha morte parecesse acidental e minha mulher não perdesse o seguro. Terapia e o trabalho como voluntário, para evitar que outros trilhem esse caminho, me salvaram”, completou. Suicídio entre idosos: normalmente eles estão isolados, o que faz diminuírem as chances de serem socorridos a tempo Engin Akyurt para Pixabay Para o médico Yeates Conwell, professor de psiquiatria da Universidade de Rochester, há cinco Ds (em inglês) que funcionam como fatores de risco para o suicídio de idosos: depression (depressão), disconnectedness (falta de conexão, isolamento), disease (doença), disability (incapacidade) e deadly means (acesso a meios para fim à vida). “Os idosos são mais frágeis fisicamente e, portanto, o risco de morte aumenta quando tentam suicídio. Normalmente também ficam isolados, o que faz diminuírem as chances de serem socorridos a tempo, além de estarem mais determinados a montar um plano para conseguir seu intento. Por isso as intervenções devem ser assertivas e a prevenção é chave”, alertou. O doutor Conwell informou que as armas de fogo respondem por 70% dos suicídios entre idosos norte-americanos e que os problemas geralmente estão interligados: “uma dor crônica impede a pessoa de trabalhar ou de realizar suas atividades, provoca seu isolamento e, consequentemente, leva à depressão”. Enfatizou a importância de os serviços de saúde fazerem uma avaliação rotineira para detectar um estado depressivo, através de testes de rastreio como o PHQ-9 (questionário sobre a saúde do paciente); GDS (escala de depressão em geriatria); ou CES-D (Center for Epidemiological Scale-Depression). O paciente deve responder se perdeu o interesse nas atividades que antes lhe davam prazer; se convive com um sentimento de desânimo e desalento; se tem dificuldade para dormir ou vem dormindo em excesso; se acredita ter decepcionado a família ou si mesmo, entre outras perguntas. “Neste caso, é preciso tomar medidas preventivas para garantir a segurança do indivíduo, como a utilização de medicamentos, psicoterapia e uma rede de apoio”, ressaltou o médico, que quis encerrar sua apresentação com a história do empresário George Eastman, criador da Kodak: “ele se matou em 1932, com 77 anos, deixando um bilhete para os amigos: ‘my work is done, why wait?’ (‘meu trabalho está feito, por que esperar?´). À primeira vista, pode parecer que foi um homem decidido a ditar as regras da própria vida até o fim, mas sabe-se que sofria de dores muito fortes, provavelmente causadas por uma estenose espinhal, que é um estreitamento que afeta o canal da medula espinhal. Não tinha filhos, se afastara do convívio social, e é possível que estivesse deprimido”. Este blog já tratou do tema em entrevista com o psiquiatra Antonio Egidio Nardi, membro da Academia Brasileira de Ciências e professor da UFRJ, que frisou: “não passa de mito achar que falar sobre o assunto estimula o suicídio. É exatamente o oposto e deveríamos abordar a questão durante o ano inteiro, para que as pessoas se sintam motivadas a buscar assistência”. Segundo ele, há duas faixas etárias que merecem atenção especial: jovens e idosos. Enquanto os primeiros são foco prioritário das campanhas, os mais velhos acabam relegados a uma posição secundária. “Entre os jovens, para cada 200 tentativas de suicídio, uma tem êxito, enquanto, entre os idosos acima dos 65 anos, em cada quatro tentativas, uma dá certo”, afirmou. Veja Mais

O Departamento de Redundâncias Redundantes | Minuto da Terra

O Departamento de Redundâncias Redundantes | Minuto da Terra

 Minuto da Terra A redundância pode parecer um desperdício - afinal, quem precisa de várias coisas que fazem o mesmo trabalho? Bom, aparentemente, todos nós. SAIBA MAIS Para se aprofundar nesse assunto, pesquise por essas palavras-chave: - Redundância funcional: fenômeno ecológico em que várias espécies representando uma variedade de grupos taxonômicos podem compartilhar papéis semelhantes na funcionalidade do ecossistema; - Leguminosa: um grupo alimentar que inclui frutos e sementes da família de plantas conhecida cientificamente por Fabaceae. Alguns exemplos são o feijão preto, a soja, o grão de bico ou o amendoim. As leguminosas são ricas em fibras, proteínas, minerais e antioxidantes, como flavonoides e saponinas.; - Fixação de nitrogênio: o processo químico pelo qual o nitrogênio atmosférico é assimilado em compostos orgânicos. AJUDE O MINUTO DA TERRA - Deixando um comentário (eu leio!) - Clicando em gostei ???? - Compartilhando nas redes sociais e com os amigos \o/ - Contribuindo com R$: pode ser uma doação no https://bit.ly/doarMDT ou mensalidade como membro do canal em https://youtube.com/minutodaterra/join - Comprando nossas camisetas: https://lolja.com.br/minuto-da-terra (tem várias estampas e tamanhos para presentear!) REDES SOCIAIS https://facebook.com/minutodaterra https://twitter.com/minutodaterra https://instagram.com/ominutodaterra https://tiktok.com/@minutodaterra CRÉDITOS Versão Brasileira contato@escarlatte.com Tradução: Leonardo Gonçalves de Souza Revisão e Narração: Maria Carolina Passos Edição de vídeo: Ricardo Gonçalves de Souza Tradução oficial e autorizada do canal MinuteEarth, produzido por Neptune Studios LLC https://neptunestudios.info Vídeo original: The Department of Redundancy Department https://www.youtube.com/watch?v=JU4Vbw4rF64 FONTES (em inglês) Cardinale BJ, et al. (2011). The functional role of producer diversity in ecosystems. Am. J. Bot., 98 (2011), pp. 572-592. https://bsapubs.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.3732/ajb.1000364 Clarke DM & Hollister I. (2010) Introduction to Redundancy. Safety and Reliability 30:4, 4-15. https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/09617353.2010.11690919 Huda AN, Salmah MRC, Hassan AA, Hamdan A, Razak MNA. 2015. Pollination services of mango flower pollinators. Journal of Insect Science 15: 113. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4672212/ Naeem, S. (1998) Species Redundancy and Ecosystem Reliability. Conservation Biology, 12, 39-45. https://conbio.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1523-1739.1998.96379.x Paine, RT (1966). Food web complexity and species diversity. American Naturalist 100: 65– 75. https://www.jstor.org/stable/2459379 Este canal faz parte do Science Vlogs Brasil, um selo de qualidade colaborativo que reúne divulgadores de ciência confiáveis do Youtube Brasil. Conheça todos os canais em youtube.com/sciencevlogsbrasil Veja Mais

Por que a menopausa está diretamente ligada ao declínio da saúde cardiovascular

Glogo - Ciência A Sociedade Europeia de Cardiologia divulgou estudo sobre o impacto das alterações hormonais durante o climatério Na semana passada, a Sociedade Europeia de Cardiologia fez um alerta que interessa a todas as mulheres: as alterações hormonais que ocorrem no climatério, isto é, a fase que compreende a transição do período reprodutivo para o não reprodutivo, estão diretamente relacionadas ao declínio da saúde cardiovascular feminina. A pesquisa, publicada na revista científica “European Journal of Preventive Cardiology”, que pertence à entidade, indica que os níveis do mau colesterol sobem durante a menopausa e 10% dessa oscilação para cima estão atrelados à queda na produção o estrogênio, o hormônio protetor feminino, e ao aumento do FSH (hormônio folículo-estimulante). As mulheres costumam entrar na menopausa entre os 48 e 52 anos e estudos anteriores já haviam assinalado a elevação do risco para doença cardiovascular. Menopausa: as alterações hormonais que ocorrem no climatério estão diretamente relacionadas ao declínio da saúde cardiovascular feminina Vic_B para Pixabay “Não se pode evitar a menopausa, mas é possível diminuir os fatores de riscos através de atividade física e alimentação saudável”, afirmou Eija Laakkonen, PhD em gerontologia e professora da Universidade de Jyväskylä, na Finlândia. “As mulheres devem prestar atenção na qualidade das gorduras que constam de sua dieta e fazer exercício para manter sua aptidão cardiorrespiratória. A reposição hormonal é uma opção a ser discutida com o médico”, acrescentou. A pesquisa contou com 218 participantes que se encontravam na perimenopausa e não faziam uso de reposição hormonal. Além do estrogênio e FSH, foram medidos os níveis de 180 metabólitos, entre lipídios, lipoproteínas e aminoácidos – termo que se aplica aos produtos do metabolismo de uma molécula. Essas mulheres se submeteram a exames de sangue a cada três ou seis meses e foram monitoradas até a pós-menopausa. Ao longo do estudo, 35 delas passaram a fazer reposição. A doutora Laakkonen explicou que houve uma mudança significativa de 85 metabólitos, com impacto no LDL, o chamado mau colesterol, e nos triglicerídeos. Uma segunda análise exploratória revelou que a reposição hormonal diminuía o LDL e aumentava o HDL, o bom colesterol. “Nossa investigação indicou que iniciar a terapia de reposição hormonal no período de transição para a menopausa oferece uma maior proteção cardiovascular, mas não podemos tirar conclusões definitivas dado o pequeno número de participantes. As mulheres devem discutir o assunto com os profissionais de saúde a que têm acesso”, concluiu. Veja Mais

'Fuga de jalecos': a onda de profissionais da saúde que trocam Brasil pelos EUA

Glogo - Ciência Carência de dentistas, médicos, enfermeiros e fisioterapeutas no país e promessas de salários altos têm despertado movimento de migração. Os Estados Unidos encerraram o mês de março com 11,5 milhões de vagas de emprego abertas - o maior número já registrado na história do país Getty Images via BBC A enfermeira Thaysa Guimarães, de 32 anos, relata que já chegou a emendar sete plantões, ou mais de 96 horas de jornada seguidas, em seu trabalho em uma unidade de saúde pública em Goiás. Mãe solteira de três filhos, ela concilia o emprego em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na cidade de Anápolis com plantões algumas vezes por mês em um hospital universitário em Uberlândia, Minas Gerais. "Já cheguei a ter três empregos ao mesmo tempo para conseguir manter a renda da família - e mesmo assim fica tudo muito apertado", conta. Por isso, assim que ficou sabendo que colegas de profissão estavam emigrando para os Estados Unidos com ofertas de salário atrativas em dólar, além de jornadas consideravelmente menores do que no Brasil, Thaysa se interessou imediatamente. Após alguma pesquisa, descobriu que existe um mercado aberto nos EUA para trabalhadores da área da saúde dispostos a revalidar seus diplomas emitidos no exterior - e decidiu seguir o mesmo caminho. "Tinha vontade de me mudar para os Estados Unidos desde que fiz uma viagem a turismo em 2019, mas só comecei a enxergar uma possibilidade real quando vários colegas deram entrada no processo e conseguiram arrumar emprego e visto", diz a goiana. Segundo especialistas em imigração e profissionais ouvidos pela BBC News Brasil, uma grande oferta de vagas em hospitais e consultórios, somadas a salários atrativos, estão motivando uma onda recente de imigração de profissionais qualificados da área da saúde para terras norte-americanas. Estudo do American Immigration Council mostra que o setor de saúde é o que mais tem participação de imigrantes na força de trabalho, com 15,6%. Na média nacional, os estrangeiros representam 13,7% da população. E parte dessa força está vindo do Brasil. Um levantamento realizado pelo escritório de advocacia AG Immigration com dados do Departamento de Segurança Interna dos EUA mostrou que a quantidade de brasileiros que se tornaram cidadãos americanos bateu recorde no ano fiscal de 2021: foram 12.281, um total 47,5% superior ao de 2020. As emissões de green cards, como são chamados os vistos de residência permanente que garantem o direito de morar e trabalhar nos EUA, também aumentaram e atingiram o seu segundo maior patamar da história, com 17.952 novas expedições para brasileiros. Em 2020, 44% dos brasileiros que receberam green cards no país obtiveram o documento por meio de contratos de trabalho. Para Rodrigo Costa, CEO da AG Immigration, os dados são sintoma de uma nova onda de "fuga de cérebros e profissionais qualificados" para os EUA. "Temos visto um casamento entre um mercado extremamente carente de profissionais e uma imigração brasileira cada vez mais capacitada", diz. Segundo um levantamento do think tank Migration Policy Institute usando dados do censo americano de 2019, 42,5% dos brasileiros nos Estados Unidos tem pelo menos um diploma de graduação - um percentual superior ao da população de imigrantes em geral, que é de 32,7%, e até dos nascidos nos Estados Unidos, que está em 33,3%. Thaysa Guimarães e os três filhos: "Pensei muito nos meus filhos, nas oportunidades e na educação de qualidade que irão encontrar por lá", diz Arquivo pessoal Entre os recém-chegados (que imigraram para os EUA há até cinco anos) do Brasil, há ainda mais profissionais qualificados: 52,8% do total completou pelo menos o ensino superior. De acordo com Rodrigo Costa, entre os que vão estão muitos médicos, enfermeiros, dentistas e fisioterapeutas que esperam encontrar mais reconhecimento, melhor qualidade de vida e novas experiências nos Estados Unidos. Foram exatamente esses fatores que influenciaram a decisão de Thaysa de se mudar definitivamente para os EUA. "Pensei muito nos meus filhos, nas oportunidades e na educação de qualidade que irão encontrar por lá", conta. A goiana iniciou o envio de documentos para a organização responsável pelo processo de revalidação do diploma em abril de 2020. Em março deste ano, foi aprovada no exame nacional exigido para todos os profissionais de enfermagem e obteve seu certificado para trabalhar, tudo sem sair do Brasil. "Três dias depois de ser aprovada no exame, recebi minha primeira oferta de emprego. Decidi aguardar outras oportunidades e já recebi outras cinco ofertas", diz Thaysa, que tem planos de se mudar permanentemente para os EUA até março de 2023. A empresa escolhida pela enfermeira será responsável por dar início e arcar com os custos do processo imigratório. "Alguns hospitais me ofereceram bônus em dinheiro, passagens aéreas, seguro saúde completo, três meses de aluguel para começar a vida e até carta de crédito para comprar um carro - tudo para que eu assinasse o contrato com eles o mais rápido possível", relata Thaysa sobre as conversas que teve com os empregadores durante as entrevistas de emprego. Rafael Hernandez Martin vai fazer residência nos EUA Arquivo pessoal 'A Grande Renúncia' A corrida para contratar relatada pela brasileira reflete o momento delicado enfrentado pelo mercado de trabalho americano. Os Estados Unidos encerraram o mês de março com 11,5 milhões de vagas de emprego abertas - o maior número já registrado na história do país. E a demanda continua crescendo mais do que a disponibilidade de profissionais. Desde o início da recuperação pós-pandemia, o país presenciou um êxodo maciço de trabalhadores do mercado. O movimento é motivado por diferentes fatores, entre elas a busca por salários melhores, o conforto de benefícios para desempregados e um boom de aposentadorias. O fenômeno apelidado de "The Great Resignation" (A Grande Renúncia, em tradução livre) atinge com força o setor da saúde. O governo americano estima que o país precisa atualmente de mais de 16 mil trabalhadores de cuidado primário (médicos e enfermeiros), 11 mil novos dentistas e 7 mil profissionais da área da saúde mental para acabar com a falta de mão de obra especializada na área. Os dados são da Administração de Serviços e Recursos Humanos (HRSA), agência federal americana responsável por ampliar o acesso da população local a serviços de saúde. E a demanda não para de crescer. Segundo a Associação Americana de Hospitais (AHA, na sigla em inglês), os EUA ainda vão enfrentar uma escassez de 124.000 médicos até 2033 e precisarão contratar pelo menos 200.000 novos enfermeiros por ano para atender ao aumento da demanda e substituir os profissionais que se aposentarão. Segundo a Secretaria de Estatísticas Trabalhistas dos EUA, serão ainda gerados, em média, cerca de 5.000 vagas para dentistas e 15.600 para fisioterapeutas a cada ano, em média, ao longo da próxima década. Ana Paula com colegas de trabalho na clínica que trabalha em Miami, nos EUA Arquivo pessoal 'Os empregadores têm pressa' É por tudo isso, segundo as fontes consultadas pela BBC, que muitos têm visto nos imigrantes uma solução mais rápida para o problema enfrentado pelos Estados Unidos. "Recebemos pedidos e consultas de diversas empresas do setor da saúde que desejam contratar estrangeiros para as vagas não ocupadas pelos americanos. Eles querem saber quando nossos clientes vão chegar nos EUA, porque têm pressa", diz Rodrigo Costa, cujo escritório de advocacia presta consultoria para brasileiros e cidadãos de outras nacionalidades que desejam imigrar. A procura cresceu de tal forma que a empresa afirma que tem conseguido emitir uma modalidade especial de vistos para profissionais brasileiros da área de saúde qualificados e com bom histórico. O chamado EB-2 NIW é um green card direcionado para profissionais que são considerados de "interesse nacional" para os Estados Unidos, ou seja, podem ocupar vagas que beneficiam a economia, o sistema educacional ou de saúde ou algum outro aspecto da sociedade americana. Esse tipo de green card não requer uma oferta de trabalho ou uma empresa patrocinadora, o que por vezes torna o processo imigratório mais fácil e rápido. Todos os green cards dão direito a 10 anos de permanência nos Estados Unidos, mas após cinco anos no país o cidadão já fica elegível para uma cidadania americana. A fisioterapeuta Ana Paula Rocha, de 37 anos, teve seu visto permanente na categoria EB-2 NIW aprovado neste ano. Mas antes mesmo de receber o documento a mineira natural de Diamantina ganhou uma permissão de trabalho, com a qual pôde começar a trabalhar nos EUA em julho de 2020. "O processo de revalidação do diploma durou dois anos e aproveitei esse tempo para completar o doutorado à distância em uma universidade americana. Pude fazer tudo do Brasil e só tive que ir aos EUA para fazer a prova que garante a licença de fisioterapeuta no país", conta. "Quando estava com meu registro validado me mudei em definitivo". Ana mora em Miami, na Flórida, com o marido. Atualmente ela faz atendimento como fisioterapeuta ortopédica em duas clínicas da região, depois de ter trabalhado com um serviço de telemedicina durante a pandemia. "Demorei alguns meses para conseguir o primeiro emprego porque comecei a busca justamente no auge da covid-19, mas posso dizer que desde então eu tenho podido escolher onde trabalhar, analisando salários e horários que são mais convenientes", diz. "Decidi sair do Brasil porque não via muitas perspectivas na minha carreira como fisioterapeuta e me sentia estagnada. Por aqui me sinto muito valorizada e nunca experimentei nenhum preconceito ou dificuldade por ser estrangeira atendendo americanos", relata. "Não pretendo voltar a trabalhar no Brasil". Cristian Brutten: "O profissional brasileiro, além de ser muito qualificado, também é conhecido por aqui por suas habilidades sociais e empatia", diz Arquivo pessoal Mas o EB-2 NIW não é a única opção para os profissionais de saúde brasileiros, segundo Ana Barbara Schaffert, advogada e consultora da AG Immigration. "Há outras modalidades de green card ou vistos de trabalho que podem ser solicitados após a assinatura do contrato", explica. "O processo de emissão de um green card pode demorar de 10 a 26 meses, mas em março a imigração americana anunciou uma expansão das regras do que chamamos de processamento premium, que permitem o pagamento de uma taxa adicional para agilizar o trâmite". "Com isso, um brasileiro pode conseguir um green card em cerca de 45 dias. Essa é uma mudança grande e que determina o tom favorável à imigração do atual governo dos Estados Unidos", diz Schaffert. Mil dentistas até o fim de 2022 Para aproveitar o momento, a AG Immigration lançou uma iniciativa para levar mil dentistas brasileiros para os EUA em 2022. Segundo a consultoria, já existem cerca de 300 profissionais com o processo encaminhado. "Em geral, os profissionais de odontologia brasileiros são muito bem avaliados nos Estados Unidos. Uma grande parcela dos que imigram tem especialização, além de boa experiência clínica e trato humano com os pacientes", diz Rodrigo Costa. A consultoria explica que ter diplomas avançados (mestrado, doutorado, especializações etc.) ou mais de cinco anos de atuação na área são alguns dos fatores que ajudam na aprovação do visto, seja para dentistas ou outros profissionais da saúde. Já no momento da revalidação do diploma, o processo varia de acordo com a profissão e o currículo de cada imigrante. Uma das maneiras que os dentistas podem conseguir a revalidação é por meio da participação do profissional já formado em um programa de educação odontológica credenciado pela comissão de odontologia americana, como uma residência. A dentista Hetienne Macedo, de 40 anos, está atualmente em Nova York fazendo justamente isso. Formada em uma faculdade de Fortaleza, a cearense conseguiu uma vaga no programa de residência em odontologia geral da Universidade de Rochester. Hetienne já foi aprovada na prova obrigatória para a emissão da licença que permite a atuação de dentistas no país e conta que pretende começar a trabalhar assim que encerrar o curso. "Deixei meu consultório no Brasil funcionando, mas pretendo permanecer em Nova York ou me mudar para o norte da Flórida quando terminar as aulas", diz a brasileira, que se mudou para os Estados Unidos no ano passado com o marido e os três filhos. "Mas recebo e-mails semanalmente de empresas questionando sobre quanto tempo falta para me formar na residência e interessadas em contratar", relata. A cearense afirma ainda que tem notado um fluxo cada vez maior de dentistas brasileiros interessados em seguir o mesmo caminho que o seu. "Na minha turma de 40 residentes, 5 são brasileiros", diz. 'Processo longo e caro' Mas os processos para revalidação do diploma e emissão de visto para trabalho nos EUA nem sempre são simples ou baratos. Assim como no caso dos dentistas, médicos brasileiros que desejem atuar na área clínica geralmente também precisam passar por uma residência em uma instituição credenciada, mesmo que já tenham feito o período de experiência no Brasil. Há ainda duas provas obrigatórias, além de um teste de conhecimento de inglês. Rafael Hernandez Martin, de 23 anos, está no último ano da faculdade de medicina na Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora e pretende fazer sua residência diretamente nos Estados Unidos. "Sempre tive vontade de morar fora e fui atraído pela estabilidade e segurança profissional que colegas que já atuam nos Estados Unidos dizem ter", diz. Natural de Juiz de Fora, ele está atualmente estudando para uma prova clínica que é exigida no processo de seleção da residência. "Já fui aprovado em uma primeira prova, mais teórica, e depois da segunda avaliação vou ainda prestar um teste de conhecimento de inglês específico para profissionais da saúde", relata. O estudante pretende aproveitar sua mudança para os EUA e se envolver em projetos de pesquisa, que são muito bem-conceituados no país. "Minha intenção é mesmo morar e trabalhar de forma permanente nos EUA", diz. "Mas o processo todo realmente não é barato. Acho que no mínimo se gasta R$ 30.000 ou 40.000 com as taxas e provas para conseguir entrar na residência". Já os enfermeiros e fisioterapeutas formados no Brasil passam por uma checagem rigorosa de seu currículo escolar e profissional e, caso sejam aprovados, podem ser isentos de novos cursos ou períodos de experiência. Ainda assim, é necessário passar pelas provas oficiais das categorias que concedem uma licença oficial para atuar. Nem todas as licenças são válidas em todo o território americano. Isto é, alguns estados exigem uma licença própria. Por tudo isso, os profissionais que decidem imigrar precisam de uma reserva considerável em dólares para pagar taxas, inscrições e, quando necessário, a mensalidade dos cursos. Os procedimentos para emissão de visto também são pagos. Diante dos gastos e do tempo hábil gasto no processo de revalidação, muitos acabam desistindo da ideia. Outros preferem se empregar em funções que não exigem uma licença ou a confirmação da formação no Brasil. Segundo Jeanne Batalova, analista sênior do Migration Policy Institute, esse cenário dá origem a muitos casos de trabalhadores imigrantes subutilizados em suas profissões. "Muitos imigrantes formados como médicos, cirurgiões, enfermeiros e dentistas extremamente qualificados não conseguem revalidar sua educação internacional nos EUA por conta das muitas barreiras e do processo longo e caro", diz. "Mas isso não significa que eles não podem trabalhar em empregos que exigem menor qualificação. Assim, muitos trabalham como auxiliares de enfermagem ou funcionários de casas de repouso, ocupações que nem sempre exigem uma revalidação do diploma, mas tendem a ser mais precarizadas". "Na área da odontologia, profissionais que não conseguem passar por todo o processo de revalidação de seus diplomas se empregam muitas vezes como assistente de dentista ou higienista dental, trabalhos que por vezes não exigem a conversão da formação ou que tem menos burocracia para isso", explica Batalova. O paulista João Antônio Costa, de 48 anos, trabalha desde 2018 como dentista em um centro comunitário em Hyannis, Massachusetts, mas com licença limitada. Formado no Brasil, ele preferiu não enfrentar a revalidação e procurar alternativas de emprego em sua área que aceitassem um diploma estrangeiro. "Há algumas alternativas, que variam de estado para estado. No meu caso, consegui trabalho no centro comunitário com a condição de ser sempre supervisionado por um dentista formado nos Estados Unidos. Mas essa é uma permissão concedida apenas pelo estado de Massachusetts". "No centro comunitário, oferecemos muitos tratamentos gratuitos ou com custo reduzido. Para mim é um privilégio e satisfação muito grande fazer o que eu sei e o que eu gosto para quem realmente precisa", diz. João afirma que até recentemente nunca havia considerado a possibilidade de iniciar a revalidação do diploma, mas foi incentivado pelo irmão, que também é dentista e conseguiu uma licença permanente no Canadá, a melhorar sua situação. "Por isso, no ano passado fui aprovado na prova exigida para tirar a licença americana e nos próximos meses vou começar a me inscrever para os cursos de residência e especialização que também são necessários", diz o brasileiro natural de São José dos Campos, que está documentando toda sua jornada em um blog pessoal. "Há uma demanda muito grande por serviços de odontologia e quero poder ajudar outros dentistas brasileiros que queiram vir aos Estados Unidos trabalhar". Dinheiro no bolso Mas apesar das burocracias e investimentos necessários para realizar o sonho de trabalhar em solo americano, muitos brasileiros têm optado por seguir o caminho da imigração por conta da promessa de salários mais altos do que no Brasil. Segundo dados de maio de 2021 da Secretaria de Estatísticas Trabalhistas dos EUA, um dentista ganha em média cerca de US$ 163.000 (R$ 834.000) por ano no país. Já enfermeiros são pagos na média de US$ 77.000 (R$ 390.000) por ano, enquanto um fisioterapeuta ganha cerca de US$ 95.000 (R$ 485.000) anuais. A média salarial de um médico nos Estados Unidos é de US$ 208.000 por ano. Em comparação, de acordo com o Guia Brasileiro de Ocupações, a média de salário mensal de um médico clínico no Brasil é de R$ 10.788, ou cerca de R$ 140.000 anuais, considerando 12 meses e o 13º salário. O valor varia para mais ou para menos, a depender da especialização. Já os dentistas ganham em média R$ 83.000 anuais no país, enfermeiros R$ 68.000 e fisioterapeutas R$ 50.000, também de acordo com o Guia Brasileiro de Ocupações. "Muitos dos profissionais brasileiros chegam nos EUA já com pós-graduação, o que faz a remuneração crescer bastante acima da média. Não é raro ouvirmos casos de sucesso de pessoas ganhando mais de sete vezes o salário que recebiam no Brasil e até empreendendo por conta própria", diz Rodrigo Costa. Cristian Brutten, odontopediatra brasileiro que fundou empresa dedicada a auxiliar dentistas estrangeiros com o processo de revalidação de diploma e alocação no mercado de trabalho americano, confirma a percepção. "Quase todos os dentistas brasileiros que trabalham nos EUA com que converso e lido diariamente ganham mais do que a média. O profissional brasileiro, além de ser muito qualificado, também é conhecido por aqui por suas habilidades sociais e empatia - qualidades essenciais na área da saúde", diz. O dentista natural de Natal mora nos Estados Unidos desde 2008 e, após completar duas residências no país para validar seu diploma, abriu um consultório próprio com um sócio. Também decidiu se dedicar a auxiliar outros brasileiros que desejam seguir o mesmo caminho. "A migração de estrangeiros para os EUA é uma realização profissional para essas pessoas, mas também uma mais valia para o país, porque os EUA precisam urgentemente de profissionais de saúde", diz Brutten. Mas o professor Eduardo Siqueira, especialista em imigração brasileira nos EUA da Universidade de Massachusetts Boston, lembra que a partida de alguns desses profissionais representa um prejuízo para o mercado de trabalho e ambiente acadêmico brasileiros. "Quanto maior é o grau de qualificação dos profissionais que saem, mais difícil fica recuperar sua perda", diz. "Temos visto muitos indivíduos extremamente qualificados, com pós-doutorado e pesquisas importantes sendo desenvolvidas, deixarem o Brasil para vir para os Estados Unidos em busca especialmente das melhores condições na área científica", afirma Siqueira. "Nem todos serão uma perda definitiva para o Brasil, mas uma pessoa tão especializada pode demorar 10 ou mais anos para chegar a esse nível. Ou seja, vai demorar para encontrar um substituto". Veja Mais

Por que chove muito nas florestas tropicais? #shorts

Por que chove muito nas florestas tropicais? #shorts

 Minuto da Terra Tem floresta porque chove ou chove porque tem florestas? Descubra por que chove TANTO na Amazônia e outras florestas tropicais! #shorts Se você gosta dos vídeos do Minuto da Terra, pode ajudar: - Deixando um comentário (eu leio!) - Clicando em "Gostei" (y) - Compartilhando com os amigos \o/ - Contribuindo com R$: pode ser uma doação no http://bit.ly/doarMDT ou mensalidade como membro do canal https://www.youtube.com/minutodaterra/join Versão Brasileira: contato@escarlatte.com Tradução oficial e autorizada do canal MinuteEarth, produzido por Neptune Studios LLC https://neptunestudios.info Este canal faz parte do Science Vlogs Brasil, um selo de qualidade colaborativo que reúne divulgadores de ciência confiáveis do Youtube Brasil. Conheça todos os canais em youtube.com/sciencevlogsbrasil Veja Mais

Histórias de reinvenção: Patricia, professora de universidade sênior em Portugal

Glogo - Ciência Demitida um mês antes de completar 50 anos, ela abraçou o empreendedorismo, deu a volta por cima e hoje compartilha suas experiências Depois de contar as histórias de Claudia Gazel e Daniela Campos, fecho a série de três colunas sobre mulheres que se reinventaram em outros países com Patricia Braga que, diga-se de passagem, já foi tema desse blog. Em 2019, escrevi sobre a dura experiência que teve ao ser demitida de um cargo executivo um mês antes de completar 50 anos. “Descobri que estava velha demais para qualquer vaga”, me contou na época. Foi motorista de aplicativo, fez artesanato e vendeu doces numa bicicleta decorada – sim, ela não se deu por vencida e abraçou o empreendedorismo. Patricia Braga com seus alunos da Universidade Sênior de Mafra Acervo pessoal Aos 56 anos, vive há dois em Mafra, cidadezinha a 30 quilômetros de Lisboa, com o marido, Walter, de 68 anos, e a filha, Annie, de 16: “estamos a meia hora da capital e a cinco minutos do mar”, descreve. A família deixou o Brasil fugindo da falta de segurança que atinge inclusive a valorizada Zona Sul do Rio de Janeiro – “os tiroteios em Botafogo, onde morávamos, eram quase diários”, lembra – e em busca de uma oportunidade para a adolescente ter acesso a uma universidade europeia. “Em uma semana tinha certeza de que havia sido a melhor decisão que poderíamos ter tomado”, avalia. O casal se valeu do chamado “visto para aposentado”, que, em Portugal, possibilita a residência de quem tem renda garantida e pode viver no país com esses recursos. Patricia pesquisou o ranking de escolas públicas e se encantou com o nível de ensino: “além disso, tudo é grátis. O estudante recebe os livros, notebook e o pacote de dados para navegar na internet”. A família chegou junto com a situação de emergência da pandemia e ela aproveitou o período de isolamento para confeccionar e doar máscaras. Assim que a situação permitiu, fez um curso para se tornar corretora de imóveis e seu foco é o público brasileiro, mas quis conciliar a atividade remunerada com um trabalho voluntário, por isso se ofereceu para dar palestras na Universidade Sênior de Mafra (Usema), que tem cerca de 1.200 alunos. Sua história encantou a direção, que a convidou para ser professora. Criou a disciplina “Reinventar-se na idade sênior” e, nas aulas, uma vez por semana, discorre sobre resiliência, positividade e até sobre como livrar-se das tralhas e abraçar um estilo de vida mais minimalista. Mesmo com a agenda cheia, se inscreveu para ser voluntária no magnífico Palácio Nacional de Mafra, tem planos de abrir um negócio em breve e, depois que a filha ingressar na universidade, vai comprar um trailer (que lá é chamado de caravana) para viajar com o marido. É bem possível que esse blog ainda volte a falar de dela... Percorrendo trilhas da região: paixão recente Acervo pessoal Veja Mais

Pesquisadores da UFU e UFTM publicam trabalho que pode aprimorar o diagnóstico do vírus da hepatite C

Glogo - Ciência Entre os principais benefícios está o baixo custo e a pequena estrutura necessária para realizar coleta no paciente, o que permite ampliar o diagnóstico em países de baixa e média renda, onde há mais incidência da doença. Victória Groshe, à direita, realiza testes no Laboratório de Virologia da UFU UFTM/Divulgação Uma pesquisa da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em parceria com a Universidade de Nottingham, no Reino Unido, com a colaboração da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), apresentou uma nova técnica de análise de soro coletado dos pacientes que poderá aprimorar o diagnóstico e até o tratamento para o vírus da hepatite C. Responsável por mais de 180 milhões de infecções em todo o mundo, o vírus é caracterizado pelo processo inflamatório persistente do fígado. Transmitido por qualquer forma de contato com sangue contaminado, a hepatite C é majoritariamente identificado em países de baixa e média renda. A pesquisa das universidades do Triângulo Mineiro tem entre os principais benefícios está o baixo custo e a pequena estrutura necessária para realizá-lo, permitindo que o diagnóstico seja ampliado nesses países. “Quanto mais publicarmos este tipo de método, mais pessoas podem reproduzi-lo e estudá-lo, tornando-o cada vez mais acessível a diversas comunidades”, explicou a doutoranda em Microbiologia pela UFU, Victória Grosche. A pesquisa Grosche conduziu o trabalho que foi publicado no periódico científico britânico “Access Microbiology”, vinculado à Microbiology Society, com a coordenação da professora Ana Carolina Gomes Jardim, do Laboratório de Pesquisa em Antivirais da UFU, em parceria com o professor Patrick McClure, da Universidade de Nottingham, no Reino Unido. O estudo também contou com a colaboração do professor Diego Pandeló José, do campus Iturama da UFTM, nas análises e interpretação dos resultados. O novo método A pesquisa coletou amostras de soro - sangue - de um grupo de 80 pacientes em diferentes instituições de saúde em cidades do noroeste paulista para realização da genotipagem (examina a sequência de DNA) do HCV, o agente etiológico da hepatite C. A novidade foi a técnica utilizada denominada “Dried Serum Spots” (DSS), em tradução livre, “Gotas de Soro Secas”, que consiste na deposição de uma gota de material biológico - neste caso, soro - em um papel filtro especial para a realização dos experimentos. Os soros dos pacientes, após serem colocados no papel e aguardado o tempo de espera, foram enviados para o Laboratório Adolf Lutz, onde foi possível realizar o sequenciamento genético das amostras biológicas coletadas. Através do sequenciamento genético realizado na Universidade de Nottingham, Reino Unido, foi possível identificar em amostras de diferentes pacientes a presença de mutações nos aminoácidos de resistência ao tratamento. “Esses resultados são importantes por diversos motivos, inclusive um diagnóstico mais preciso para orientação do tratamento adequado. Foi possível observar também possíveis rotas de contágio e transmissão, por meio das análises e informações coletadas nas instituições de saúde”, explicou Diego. Para o professor Diego, o estudo mostrou pela primeira vez no Brasil que o conjunto de medidas contra o HCV, como diagnóstico, genotipagem e a análise de resistência a fármacos, pode ser realizado por meio da técnica de DSS. “Os dados apresentados destacam a relevância do estudo das variantes circulantes para melhor compreensão da variabilidade do HCV e da resistência à terapia”. A partir do diagnóstico será possível propor um tratamento adequado como forma de combater as moléculas resistentes, utilizando antivirais específicos de ação direta (DAAs) e que causem menos danos aos pacientes. VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas Veja Mais

CNPEM cria app para avaliar perda de água das plantas e acelerar diagnóstico sobre nível de hidratação

Glogo - Ciência Estudo, que levou dois anos para ser concluído e está publicado em uma revista internacional, já foi aplicado no plantio de soja e cana-de-açúcar. Sensor tem custo de R$ 22 por unidade. Aplicativo faz diagnóstico precoce sobre hidratação de plantações agrícolas O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), desenvolveu um aplicativo que avalia a perda de água das plantas. O objetivo, segundo os pesquisadores, é acelerar - e baratear - o diagnóstico sobre o nível de hidratação das espécies para proporcionar a melhor saúde na agricultura. O sistema foi desenvolvido em parceria com o Instituto de Química da Unicamp e o CNPEM, que abriga o superlaboratório Sirius. O estudo, que levou dois anos para ser concluído e está publicado em uma revista internacional, já foi aplicado no plantio de soja e cana-de-açúcar. "São dois cultivares importantes para a balança comercial do país, com diferenças de morfologias, o que demonstra a aplicabilidade do método, e que o dispositivo tem sim potencial para ser aplicado em outros cultivares", explicou o pesquisador do CNPEM, Renato Souza Lima. Lavouras agrícolas podem ser beneficiadas por aplicativo criado por pesquisadores em Campinas Reprodução/EPTV Como funciona? O dispositivo é uma placa metálica à base de níquel, presa por um adesivo. O sensor fica ligado a uma espécie de caixa, que trabalha com campos elétricos, e permite identificar os minerais presentes na estrutura interna da folha. Depois disso, o sistema envia informações através de bluetooth para um aplicativo de celular que, por meio de inteligência artificial, gráficos e dados, aponta o nível de hidratação da planta. A bateria tem dez horas de duração. Sensor é capaz de identificar perdas de água em Campinas Reprodução/EPTV "Ele permite que, enquanto as medidas forem feitas no campo, a gente pode monitorar ela de qualquer lugar pelo celular, inclusive de casa", explicou a pesquisadora Júlia Adorno Barbosa. O princípio da tecnologia é o mesmo dos smartwatches, que medem pulsação e perda de calorias. O sensor agrícola tem custo inicial de R$ 22 por unidade e pode ter preço reduzido se for feito em larga escala. A ideia é oferecer o sistema como uma alternativa aos métodos que já existem, como amostragem de solo e uso de drone, que são processos mais caros e demorados. "O diagnóstico a partir do uso de drones acontece em fases mais avançadas da doença da planta. O nosso dispositivo possui uma alta sensibilidade para o monitoramento dessa perda de água, então ele possibilita o diagnóstico precoce", completou Renato. Pesquisadores do CNPEM pretendem auxiliar diagnóstico sobre nível hídrico das plantas Reprodução/EPTV VÍDEOS: saiba tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias da região no g1 Campinas Veja Mais

Estudo traz novas descobertas sobre reduzir a ingestão de sal

Glogo - Ciência Principal benefício é a melhora dos sintomas para pacientes com insuficiência cardíaca Não é novidade que pessoas com problemas cardiovasculares são orientadas a diminuir o consumo de sal, mas havia pouca evidência científica por trás da recomendação. Agora, o maior ensaio clínico randomizado – quando se compara o efeito e o valor de uma intervenção em relação a um grupo de controle – sobre a relação da redução de sal na dieta e o impacto num quadro de insuficiência cardíaca traz algumas descobertas sobre a questão. Embora mudanças na ingestão do condimento não tenham baixado o número de hospitalizações e mortes, o que os pesquisadores puderam constatar é que houve melhora dos sintomas, como inchaço, fadiga e tosse, proporcionando mais qualidade de vida aos doentes. Sal: redução do consumo não diminui número de internações, mas melhora qualidade de vida dos pacientes Mkupiec7 para Pixabay O estudo acompanhou 806 pacientes de 26 centros médicos em países como Canadá, Estados Unidos, Chile, Colômbia, México e Nova Zelândia. Todos sofriam de insuficiência cardíaca, uma condição na qual o coração se torna muito fraco para bombear o sangue com eficiência. Metade deles recebia um aconselhamento nutricional tradicional para evitar o condimento, enquanto os demais eram encorajados a adaptar receitas típicas de suas regiões, substituindo temperos por alternativas mais leves, e a evitar comidas processadas. “O que se pode garantir é que qualquer coisa que esteja numa caixa ou numa lata tem mais sal do que se imagina”, afirmou o cardiologista Justin Ezekowitz, professor da Universidade de Alberta. Qualquer coisa que esteja numa caixa ou numa lata tem mais sal do que se imagina" O objetivo era fazer com que as pessoas utilizassem no máximo 1.500 miligramas de sal por dia, o equivalente a dois terços de uma colher de chá. Antes do estudo, os pacientes consumiam, em média. 2.217 miligramas/dia. Um ano depois, o grupo que teve aconselhamento personalizado havia restringido o uso para 1.658 miligramas, enquanto o restante ainda ingeria 2.072 miligramas. Os pesquisadores compararam os números relativos a internações e mortes dos dois times, mas não encontraram diferença significativa. No entanto, na avaliação de qualidade de vida, os parâmetros eram superiores para os que tinha conseguido reduzir o consumo. O trabalho foi divulgado na 71ª. Sessão Científica Anual do Colégio Americano de Cardiologia e publicado na revista científica The Lancet. É importante lembrar que o sal de cozinha é o cloreto de sódio e cada grama contém 0,4g de sódio que, em excesso, sobrecarrega o sistema cardiovascular. Para indivíduos saudáveis, a dose máxima deveria ser de 5 mil miligramas, ou 5 gramas diárias, mas o brasileiro consome o dobro disso. O cardiologista Justin Ezekowitz, professor da Universidade de Alberta YouTube Veja Mais

O diabo da tasmânia pode transmitir câncer entre si #shorts

O diabo da tasmânia pode transmitir câncer entre si #shorts

 Minuto da Terra O tumor facial do diabo-da-tasmânia é um dos únicos cânceres contagiosos do mundo - que eles transmitem entre si quando mordem o rosto um do outro - o que, infelizmente, é uma das coisas que eles mais gostam de fazer. A doença devastou a população e cientistas chegaram a pensar que eles entrariam em extinção, mas ultimamente eles mostraram que é possível se recuperar e continuar atazanando por aí. #shorts Se você gosta dos vídeos do Minuto da Terra, pode ajudar: - Deixando um comentário (eu leio!) - Clicando em "Gostei" (y) - Compartilhando com os amigos \o/ - Contribuindo com R$: pode ser uma doação no http://bit.ly/doarMDT ou mensalidade como membro do canal https://www.youtube.com/minutodaterra/join - Comprando nossas camisetas! https://www.lolja.com.br/minuto-da-terra/?sort_by=price-ascending Versão Brasileira contato@escarlatte.com Tradução oficial e autorizada do canal MinuteEarth, produzido por Neptune Studios LLC https://neptunestudios.info Este canal faz parte do Science Vlogs Brasil, um selo de qualidade colaborativo que reúne divulgadores de ciência confiáveis do Youtube Brasil. Conheça todos os canais em youtube.com/sciencevlogsbrasil Veja Mais

Covid: Brasil está pronto para declarar o 'fim' da pandemia?

Glogo - Ciência O Ministério da Saúde estuda revogar algumas das medidas que marcaram os dois últimos anos, como o uso de máscaras em locais fechados. Entenda se decisão faz sentido e se o país pode aprender algo com o que aconteceu em outros lugares, que liberaram as restrições um pouco antes. Teste RT-PCR é realizado no Amazonas. Divulgação O Governo Federal estuda revogar nos próximos dias uma série de medidas que marcaram os últimos dois anos, como a obrigatoriedade do uso de máscaras em alguns estabelecimentos, as regras sanitárias para a entrada de estrangeiros e a restrição na exportação de insumos médicos e hospitalares. Esse movimento de flexibilização, que ainda precisa ser confirmado pelo Ministério da Saúde, acontece na esteira do que foi feito em muitos países da Europa, como Reino Unido, Dinamarca, França e Espanha, que a partir de fevereiro e março começaram a relaxar muitas das políticas públicas de saúde que marcaram 2020 e 2021. Governo revoga uso obrigatório de máscaras em Sergipe Leonardo Barreto/ g1 Ainda no cenário internacional, a ideia da "covid zero", que tentava acabar com qualquer surto da doença logo no início, foi praticamente abandonada em locais como Austrália, Nova Zelândia e Coreia do Sul — o último bastião desta política é a China, que ainda faz lockdowns rigorosos nas regiões em que é detectado um aumento de casos da infecção pelo coronavírus. Nas últimas semanas, porém, é possível notar um aumento em casos, hospitalizações e mortes por covid em alguns desses países que reabriram completamente. Coronavírus Getty Images via BBC Por ora, Brasil vive uma situação relativamente estável em relação à pandemia. As médias móveis de casos e mortes estão em queda desde o início de fevereiro e, até agora, as aglomerações registradas no carnaval e a liberação do uso de máscaras em muitos Estados não resultaram numa reversão dessa tendência, com uma piora significativa dos índices. Diante de todos esses elementos, será que é hora de declarar o fim da pandemia? E o que o Brasil (e os brasileiros) podem aprender com situação pós-abertura observada em outros países? A palavra final é da OMS A epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo, lembra que a prerrogativa de declarar o início e o fim de uma pandemia é da Organização Mundial de Saúde (OMS). Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS DENIS BALIBOUSE / REUTERS Portanto, não são os países que vão "rebaixar" o status da covid-19 e definir que ela se tornou uma doença endêmica. SAIBA MAIS: Mapa da vacinação contra a Covid-19 CORONAVÍRUS: Média móvel de mortes no Brasil e nos estados O que o Ministério da Saúde pode fazer é acabar com a Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (Espin), o que permitiria aliviar muitas das medidas adotadas desde que o coronavírus começou a se espalhar país adentro. A BBC News Brasil entrou em contato com o Ministério da Saúde para ter um posicionamento oficial a respeito da discussão e saber se as medidas contra a covid-19 serão revogadas ou não. Como resposta, a assessoria de imprensa enviou um vídeo de um evento realizado em 30 de março. Nele, o ministro Marcelo Queiroga diz que a decisão sobre o alívio de todas as restrições ainda "depende de uma série de análises". "Primeiro, [precisamos analisar] o cenário epidemiológico, que felizmente ruma para um controle maior, com queda de casos e óbitos sustentadas na última quinzena. A segunda é a estrutura do nosso sistema hospitalar, da nossa atenção primária às unidades especializadas. [...] O terceiro ponto é ter determinados medicamentos que possuem ação mais eficaz no combate da covid-19 na sua fase inicial, para impedir que a doença evolua para formas graves", discursou. "O presidente [Jair Bolsonaro] me pediu prudência. O que nós estamos fazendo é harmonizar as medidas que já estão sendo tomadas por Estados e municípios", complementou. "Me parece complicado e preocupante acabar com decretos nacionais enquanto a OMS ainda classifica a situação toda como uma pandemia", avalia Maciel. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, durante anúncio da inclusão de crianças de 5 a 11 anos no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19, na cidade de Brasília, DF, nesta quarta feira, 05. CLÁUDIO MARQUES/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO A OMS, inclusive, lançou na quarta-feira (30/3) um planejamento estratégico para o mundo conseguir alcançar o fim da fase aguda da pandemia ainda em 2022. No documento, a instituição leva em conta três possibilidades para os meses que virão: Cenário otimista: as próximas variantes do coronavírus serão significativamente menos severas e a proteção contra quadros mais graves de covid será mantido sem a necessidade de doses de reforço ou a atualização das vacinas já disponíveis. Cenário pessimista: uma variante mais virulenta e com alta capacidade de transmissão aparecerá e conseguirá derrubar a efetividade das vacinas. A proteção contra quadros graves e mortes por covid despencará, especialmente nos grupos mais vulneráveis, o que demandará atualização dos imunizantes e novas doses de reforço nos grupos de risco. Cenário realista: o coronavírus continuará a evoluir, porém a gravidade da infecção se reduzirá significativamente e haverá imunidade suficiente na população contra quadros mais graves e mortes, o que levará a surtos cada vez menos severos. Aumentos periódicos na transmissão viral continuarão a ocorrer, o que exigirá campanhas de vacinação ao menos para os grupos mais vulneráveis. Para garantir que o cenário realista (ou até o otimista) se concretize e a pandemia chegue ao fim, a OMS destaca duas ações estratégicas básicas: Reduzir a controlar a transmissão do coronavírus para proteger a população mais vulnerável e diminuir o risco de surgirem novas variantes agressivas Prevenir, diagnosticar e tratar a covid-19 com medidas não farmacológicas, vacinas e remédios, para diminuir o máximo possível a mortalidade e as consequências de longo prazo da doença. Maciel entende que o Brasil ainda precisa reforçar a resposta nos dois eixos estratégicos antes de pensar no fim da pandemia. "Quando acabamos com todas as medidas preventivas e não promovemos campanhas de comunicação para conscientizar e proteger as pessoas, especialmente as mais vulneráveis, falhamos em reduzir a transmissão do coronavírus", diz. "Para completar, nossa capacidade de testagem e vigilância continua ruim e só incorporamos o primeiro tratamento contra a covid-19 na rede pública esta semana", completa a especialista. O remédio mencionado pela epidemiologista é o baracitinibe, da farmacêutica Eli Lilly. Ele começará a ser distribuído no Sistema Único de Saúde (SUS), mas só estará disponível para os casos mais graves, em que há necessidade de hospitalização e oxigenação complementar. Ensinamentos que vêm da Ásia e da Europa Países como Alemanha, Áustria, Reino Unido, Coreia do Sul e China registraram aumentos significativos de casos de covid nessas últimas semanas. A retomada das infecções em alguns países europeus e asiáticos acontece em um momento em que a BA.2, uma variante "prima-irmã" da ômicron (a BA.1) se tornou dominante no mundo inteiro. Reino Unido quer transformar a Covid em uma doença administrável Getty Images via BBC Para ter ideia, a BA.2 apareceu em 88,8% das amostras que foram sequenciadas no Reino Unido entre os dias 13 e 20 de março. A ômicron "original" representou 10,5% dos casos no mesmo período. Esse padrão de crescimento da linhagem BA.2 pode ser observado em outros países, como Áustria, Coreia do Sul e Alemanha. O mesmo fenômeno começa a ocorrer no Brasil: até fevereiro, a BA.2 aparecia em menos de 1% dos sequenciamentos genéticos. A partir de março, porém, o Instituto Todos pela Saúde observou um aumento significativo das amostras positivas para essa nova linhagem. Ela foi encontrada em 27,2% dos casos analisados em laboratório. Há poucas semanas, a BA.1 reinava absoluta em muitos desses locais. Mas a variante perdeu a dianteira porque, de acordo com o Instituto Sorológico da Dinamarca, a BA.2 tem uma capacidade de transmissão 1,5 vez maior em comparação com a BA.1 — e olha que a BA.1 já era um dos vírus mais contagiosos que surgiram no último século. "Todas as ondas que vimos nesta pandemia tiveram um componente em comum: o surgimento de uma nova variante do vírus", interpreta o médico Marcio Sommer Bittencourt, professor associado da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos. A BA.2 é mais agressiva? A boa notícia é que a BA.2 não parece estar relacionada a um quadro mais grave do que o observado até agora com a BA.1. "As análises preliminares não encontraram evidências de um risco maior de hospitalização após a infecção com a BA.2, em comparação com a BA.1", escreve a Agência de Segurança em Saúde do Reino Unido num relatório publicado no dia 25 de março de 2022. Vale lembrar que probabilidade de sofrer complicações da covid também está relacionada à quantidade de vacinas que um indivíduo tomou ou às infecções prévias. Ou seja: quem tem pouca ou nenhuma imunidade contra o coronavírus pode experimentar consequências muito piores do que alguém que está com as doses em dia, especialmente se considerarmos os grupos de risco (como idosos e portadores de doenças crônicas). Uso de máscara não será mais obrigatório em locais abertos em Porto Alegre Giulian Serafim/PMPA Outro aspecto que traz uma perspectiva otimista para esse novo aumento de casos é que ele tende a subir e cair rapidamente, a exemplo do que ocorreu com a BA.1: em países onde a BA.2 virou dominante há algumas semanas, como Dinamarca e Holanda, o registro diário de infecções já entrou em queda novamente. No entanto, uma elevação de casos também pode suscitar um aumento de hospitalizações e óbitos, ainda mais nos lugares com uma grande parcela da população suscetível pela baixa cobertura vacinal ou pela ausência de ondas maiores até então. Em muitos dos países que tiveram aumento de casos recentemente, já é possível notar uma subida nas curvas de internações e mortes, embora elas estejam num patamar bem abaixo do observado em outros momentos mais graves da pandemia. "Vemos que esse aumento de casos é mais intenso nos países que não têm uma taxa de vacinação adequada ou não tiveram grandes ondas anteriormente", observa Bittencourt. É o caso, por exemplo, de Alemanha e Coreia do Sul. Já Portugal e Espanha, que estão com uma alta cobertura vacinal e tiveram mais casos de infecção prévia, parecem possuir uma "bagagem imunológica" maior e não experimentam um aumento de casos tão grande agora. Os especialistas ouvidos pela BBC News Brasil entendem que não dá pra dizer que esse mesmo cenário de aumento de casos pela BA.2 no exterior também se repetirá no país. Em outros momentos da pandemia, coisas que impactaram profundamente o Brasil — como a variante gama — não tiveram o mesmo efeito no cenário internacional. E o inverso também aconteceu: embora tenha sido avassaladora na Índia e nos Estados Unidos, a variante delta não foi tão desastrosa do ponto de vista da mortalidade nas cidades brasileiras. "A gente precisa acompanhar de perto essa subida da BA.2, para ver como isso impacta o número de casos por aqui", conta Maciel. "As próximas duas ou três semanas serão importantes para observar como isso acontecerá na prática", complementa a epidemiologista. Liberou geral Embora a alta transmissibilidade da BA.2 seja a principal explicação para esse repique de casos em muitas partes do mundo, existe um segundo elemento que precisa ser considerado: o fim de quase todas as medidas restritivas que marcaram os últimos dois anos. Em alguns países, o uso de máscaras deixou de ser obrigatório em lugares abertos e fechados, não há mais políticas de testagem em massa, nem a recomendação de que pacientes infectados com o coronavírus fiquem em isolamento. A Áustria, inclusive, chegou a anunciar o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras em locais fechados, mas voltou atrás no dia 18 de março. O ministro da Saúde local, Johannes Rauch, classificou como "prematura" a reabertura completa do país. De forma geral, a mudança nas políticas públicas estimulou mais encontros e aglomerações, contextos onde o vírus consegue se espalhar em escala geométrica e criar novas cadeias de transmissão. E isso, junto com a maior taxa de contágio da BA.2, ajuda a explicar essa nova subida de casos em algumas partes do mundo. É cedo ou chegou a hora? Como citado anteriormente, a política de "covid zero", seguida à risca em lugares como Coreia do Sul, Vietnã, Taiwan, Austrália e Nova Zelândia, foi abandonada na maioria dos países. O único local que continua apostando nessa estratégia é a China, que recentemente chegou a decretar o confinamento de 25 milhões de habitantes de Xangai, uma das maiores cidades do país. Mesmo entre os pesquisadores da área, soa quase como uma utopia a ideia de eliminar completamente a covid-19 de uma região através de medidas como o lockdown no atual contexto. "Do ponto de vista da saúde pública, o fechamento total das atividades pode até fazer sentido. Mas o custo de parar tudo também traz custos sociais e econômicos muito grandes", pondera Bittencourt. "No início da pandemia, com o risco da doença muito alto, o fechamento era necessário, por mais caro e custoso que isso fosse", diferencia o médico. "Atualmente temos vacinas e muitas pessoas foram infectadas, então o risco é menor, logo as medidas podem ser calibradas para essa situação." Isso não significa que o extremo oposto dessa postura — a liberação completa de todas as restrições — faça sentido. Para explicar esse ponto de vista, a médica Lucia Pellanda, professora de epidemiologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, faz um paralelo entre a covid-19 e o futebol. "Às vezes, sinto que a pandemia se assemelha a uma partida, em que estamos ganhando de 1 a 0 e simplesmente abandonamos o campo antes de o juiz dar o apito final", compra. "Quando as coisas começam a melhorar um pouco, há uma pressa para dizer que a covid não é mais um problema e podemos acabar com todas as medidas preventivas." "E o que a experiência nos mostra é que não existe uma solução simples para dar um fim de verdade à pandemia. Precisamos insistir com as vacinas, as máscaras e o cuidado com as aglomerações até o final desta partida", conclui a especialista. Já o bioinformata Marcel Ribeiro-Dantas, pesquisador na área de saúde do Instituto Curie, na França, entende que muitos países fizeram tudo o que podiam e o relaxamento das medidas era um passo natural e razoável. "Houve um esforço grande do governo e da população de muitos países europeus para conter a pandemia. Os primeiros lockdowns aqui na França foram drásticos e todo mundo ficou trancado em casa", lembra o pesquisador. "Com a estafa natural após dois anos de restrições e a ampla disponibilidade de vacinas e tratamentos efetivos, parece inevitável que alguns países diminuam as restrições." "A questão é conseguir transformar obrigações da lei em recomendações que as pessoas sigam no dia a dia. Quando você consegue conscientizar a população sobre a necessidade do uso de máscaras em alguns ambientes, por exemplo, isso passa a fazer parte de uma nova cultura daquele local", completa o especialista. Como fica o Brasil no meio de tudo isso? Trazendo todo esse debate sobre a reabertura para a realidade brasileira, Bittencourt entende que, diante de uma situação mais estável da pandemia, "é hora de discutir algumas medidas e ajustar a intensidade delas". "É claro que isso não significa abandonar completamente o uso de máscaras. Elas são necessárias no transporte público, mas não precisam ser usadas em lugares abertos." "Mas precisamos ter em mente também que o Brasil flexibilizou a maior parte das medidas há tempos. Shoppings, restaurantes e casas noturnas estão funcionando normalmente", completa. Pellanda acredita que o desafio é fazer essa comunicação sobre o manejo e a prevenção da covid de forma adequada e contextualizada. "As pessoas precisam avaliar o risco individual e de cada local em que elas estiverem", diz. "É errado encarar as máscaras como algo ruim e limitador. Elas precisam ser incorporadas em algumas situações, da mesma maneira que fizemos com o uso do cinto de segurança nos carros e com a proibição de fumar em estabelecimentos fechados", argumenta. Maciel reforça que o momento atual exige campanhas para empoderar as pessoas sobre avaliação do risco de contágio para cada contexto "Num momento em que o Estado retira as políticas públicas, a população precisa ser informada sobre como se proteger em algumas situações, especialmente quando pensamos em idosos e imunossuprimidos, que têm mais risco de sofrer com as complicações da covid", aponta. Entre o fim da pandemia e uma nova piora no número de casos relacionada à BA.2 e ao relaxamento das medidas de prevenção, o caminho mais adequado e seguro em qualquer país do mundo continua bem parecido: acompanhar o que está acontecendo e adequar os cuidados à situação de momento. Veja Mais

“Precisamos criar uma cultura de vacinação para todas as faixas etárias”, diz especialista

Glogo - Ciência Além de prevenir doenças, a imunização protege de complicações decorrentes das enfermidades Com as raras exceções de pais que preferem acreditar em teorias conspiratórias e deixam de vacinar os filhos, a maioria sabe que, com a caderneta de vacinação em dia, as crianças terão uma infância mais saudável e protegida. No entanto, conforme envelhecemos, minimizamos o valor da imunização na fase adulta – e mudar esse quadro é o objetivo de médicos e cientistas, como explicou Rodrigo Schrage Lins, presidente da Sociedade de Infectologia do Estado do Rio de Janeiro. “Este é um novo conceito: precisamos criar uma cultura de vacinação para todas as faixas etárias. As vacinas não se limitam a prevenir doenças, mas também diversas condições de saúde que não parecem estar associadas com a imunização, mas estão”, afirmou. Vacinas previnem não apenas doenças, mas também evitam complicações de longo prazo Divulgação: GSK / Alejandra Rodriguez O doutor Lins participou, na semana passada, de seminário on-line sobre os benefícios da vacinação de adultos que contou com especialistas estrangeiros e dados de sobra para contextualizar a argumentação. Trago alguns deles: a expectativa de vida deve aumentar 4.4 anos entre 2016 e 2040 e, em 2050, o número de pessoas acima dos 60 vai superar o daquelas na faixa entre 10 e 24 anos. Como os idosos apresentam um risco maior de complicações decorrentes de infecções, o envelhecimento global vai exigir novas abordagens em termos de saúde pública. Basta lembrar que quase 75% das mortes por doença pneumocócica invasiva e influenza ocorrem entre os indivíduos acima dos 65. Para os especialistas, o sucesso das vacinas para conter a pandemia foi um divisor de águas, porque conscientizou a população sobre sua eficácia e segurança, e é de extrema importância detalhar o papel da imunização para evitar complicações de longo prazo que são menos conhecidas. Num quadro severo de influenza, ou gripe, as artérias se inflamam e estreitam, aumentando as chances de um evento cardiovascular para pacientes que já têm uma placa de gordura obstrutiva (ateroma). Prevenindo a infecção aguda através da vacina, a pessoa fica mais protegida desses riscos. Da mesma forma que a influenza, o herpes zóster pode levar a complicações como o infarto do miocárdio e derrame; a Covid-19 inclui, além do infarto e derrame, insuficiência cardíaca e embolia pulmonar. Outra frente de trabalho tem como objetivo aumentar a eficácia das vacinas para os idosos, de forma a contornar o declínio do sistema imunológico. Yannick Vanloubbeeck, chefe do setor do departamento de pesquisa e desenvolvimento voltado para descobertas e ensaios pré-clínicos da gigante farmacêutica GSK, adiantou que a combinação de tecnologias terá um papel decisivo para dar mais um passo nesta direção: “na verdade, caminhamos para uma medicina personalizada e de precisão, que levará em conta a genética do indivíduo e o ambiente no qual ele está inserido, porque esses são fatores que interagem com o patógeno e demandam uma solução sob medida”. Produção de vacinas: especialistas afirmam que é preciso criar uma cultura de imunização para todas as faixa etárias Divulgação: GSK / Alejandra Rodriguez Veja Mais

O animal que pesa menos do que uma moeda de 5 centavos! #shorts

O animal que pesa menos do que uma moeda de 5 centavos! #shorts

 Minuto da Terra O menor roedor do mundo é o Jerboa Pigmeu do Baluquistão, que pesa menos do que uma moeda de 5 centavos. Esse animal paquistanês ficou famoso na internet em 2009, quando esse vídeo viralizou. E essas pernas longas não são apenas de enfeite: o pequeno bichano consegue pular até 3 metros de altura quando quer fugir das câmeras. Se você gosta dos vídeos do Minuto da Terra, pode ajudar: - Deixando um comentário (eu leio!) - Clicando em "Gostei" (y) - Compartilhando com os amigos \o/ - Contribuindo com R$: pode ser uma doação no http://bit.ly/doarMDT ou mensalidade como membro do canal https://www.youtube.com/minutodaterra/join - Comprando nossas camisetas! https://www.lolja.com.br/minuto-da-terra/?sort_by=price-ascending https://facebook.com/minutodaterra https://twitter.com/minutodaterra https://instagram.com/ominutodaterra https://tiktok.com/@minutodaterra Versão Brasileira contato@escarlatte.com Tradução: Leonardo Gonçalves de Souza Narração: Ricardo Gonçalves de Souza Tradução oficial e autorizada do canal MinuteEarth, produzido por Neptune Studios LLC https://neptunestudios.info Este canal faz parte do Science Vlogs Brasil, um selo de qualidade colaborativo que reúne divulgadores de ciência confiáveis do Youtube Brasil. Conheça todos os canais em youtube.com/sciencevlogsbrasil Veja Mais

O solo é um ser vivo? | Minuto da Terra

O solo é um ser vivo? | Minuto da Terra

 Minuto da Terra O chão em que pisamos não parece estar "vivo", mas funciona como um ser vivo de várias maneiras. - Saúde do solo: a capacidade contínua do solo de funcionar dentro dos limites do ecossistema e do uso da terra para sustentar a produtividade biológica, promover a qualidade do ar e dos ambientes aquáticos e manter a saúde das plantas, animais e humanos. - Serviços ecossistêmicos: também conhecidos como Serviços Ambientais, são os benefícios que a natureza fornece ao homem e que são indispensáveis à sua sobrevivência, estando associados à qualidade de vida e bem estar da sociedade. Vídeo relacionado: Como (literalmente) salvar a Terra? https://www.youtube.com/watch?v=CNBPKQPD5G0 Se você gosta dos vídeos do Minuto da Terra, pode ajudar: - Deixando um comentário (eu leio!) - Clicando em "Gostei" (y) - Compartilhando com os amigos \o/ - Contribuindo com R$: pode ser uma doação no http://bit.ly/doarMDT ou mensalidade como membro do canal https://www.youtube.com/minutodaterra/join - Comprando nossas camisetas! https://www.lolja.com.br/minuto-da-terra/?sort_by=price-ascending https://facebook.com/minutodaterra https://twitter.com/minutodaterra https://instagram.com/ominutodaterra https://tiktok.com/@minutodaterra Versão Brasileira contato@escarlatte.com Tradução: Leonardo Gonçalves de Souza Narração: Maria Carolina Passos Edição de vídeo: Ricardo Gonçalves de Souza Tradução oficial e autorizada do canal MinuteEarth, produzido por Neptune Studios LLC https://neptunestudios.info Vídeo original: Is Soil Alive? https://www.youtube.com/watch?v=bIISMpJKEAU FONTES (em inglês) Harshberger, JW. (1911) The Soil, A Living Thing. Reprinted from Science, N.S. vol. 33 No. 854. 469.1 https://www.science.org/doi/10.1126/science.33.854.741 Minami K. (2021) “Soil is a living substance”. Soil Science and Plant Nutrition 67: 26-30. https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/00380768.2020.1827939 Rattal Lal, personal communication (11/19/21) Asmeret Berhe, personal communication (12/2/21) Este canal faz parte do Science Vlogs Brasil, um selo de qualidade colaborativo que reúne divulgadores de ciência confiáveis do Youtube Brasil. Conheça todos os canais em youtube.com/sciencevlogsbrasil Veja Mais

Sedentarismo e longo tempo em frente à TV afetam sono dos idosos

Glogo - Ciência A recomendação é de se levantar pelo menos de hora em hora e movimentar-se por cinco minutos Novamente tenho o prazer de compartilhar o resultado do trabalho de pesquisadores brasileiros. Nesse caso, cinco pesquisadoras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que avaliaram dados de mais de 43 mil idosos participantes da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019. O quinteto analisou o comportamento sedentário – que engloba atividades nas quais os indivíduos estejam sentados, reclinados ou deitados – nas seguintes categorias: tempo assistindo à TV; lazer, que inclui, entre outras ações, lidar com computadores e dispositivos móveis; e tempo sedentário total, que soma os dois primeiros conjuntos. Os idosos que relataram permanecer mais de seis horas por dia vendo TV, ou mais de três horas de tempo sedentário total, apresentaram maior probabilidade de ter problemas de sono. Evidências científicas apontam que a dificuldade para dormir está associada a declínio cognitivo, depressão e aumento do índice de massa corporal. As autoras do estudo: excesso de horas na frente da TV e comportamento sedentário afetam o sono de idosos Reprodução O estudo foi publicado no dia 9 de março na revista “Cadernos de Saúde Pública”. A professora Núbia Carelli Pereira de Avelar é a coordenadora do Laboratório de Envelhecimento, Recursos e Reumatologia do campus Araranguá da UFSC, que fica no extremo sul do estado. Além dela, são coautoras as também professoras Ana Lúcia Danielewicz e Kátia Jakovljevic Wagner, e as estudantes Jaquelini Betta Canever (doutorado) e Letícia Martins Cândido (mestrado). Há nove anos, Núbia Carelli, fisioterapeuta por formação, pesquisa questões relacionadas ao envelhecimento. Ela afirma que um bom começo é fazer interrupções regulares para se exercitar: “o idoso deve fragmentar o período de comportamento sedentário a cada hora, movimentando-se por cinco minutos”. A prevalência de distúrbios do sono foi semelhante em todas as faixas etárias, explicou Ana Lúcia Danielewicz: “entre 60 e 69 anos, ficou em 40%; entre os 70 e 79, 42%; acima dos 80 anos, 43%, ou seja, todos eram afetados pelo problema”. No entanto, dispositivos móveis e computadores demonstraram ser menos danosos ao sono do que a mídia televisiva. Uma das explicações possíveis, segundo a doutora Núbia, é que a pessoa, ao utilizar esses dispositivos, se movimenta mais, porque se levanta com maior frequência do que quando assiste à TV. O estudo acena para a necessidade da implementação de estratégias para a redução do comportamento sedentário. Quem quiser conhecer melhor o trabalho desenvolvido pelas pesquisadoras pode conferir em: https://lerer.paginas.ufsc.br/; e @lererufsc, no Instagram. O time do Laboratório de Envelhecimento, Recursos e Reumatologia do campus Araranguá da UFSC Acervo pessoal Veja Mais

Menino com ‘síndrome do cabelo impenteável’ faz sucesso nas redes sociais; veja fotos

Glogo - Ciência Aos 10 meses, Locklan foi diagnosticado com doença genética rara que torna os fios impossíveis de 'domar'. Condição geralmente melhora ou se resolve na puberdade. Locklan Samples foi diagnosticado com 'síndrome do cabelo impenteável' aos 10 meses Reprodução/Instagram No ano passado, a americana Katelyn Samples postou no Instagram uma foto de seu filho mais novo, Locklan, e ficou preocupada ao receber a mensagem de um estranho, perguntando se o garoto sofria de “síndrome do cabelo impenteável’. A mãe de 33 anos nunca tinha ouvido falar do quadro, apesar de notar que havia, sim, algo de diferente nos cabelos do filho, muito loiros e espetados. “No começo, você vê ‘síndrome’ e fica tipo: ‘Oh, meu Deus’. Há algo errado com meu bebê? Ele está com dor ou algo assim?”, contou ela ao programa “Good Morning America”, da rede americana ABC. Locklan Samples foi diagnosticado com 'síndrome do cabelo impenteável' aos 10 meses Reprodução/Instagram Katelyn correu para levar o menino ao médico e, numa consulta com um dermatologista, Locklan, então com 10 meses, foi diagnosticado com a tal síndrome. Trata-se de uma doença genética raríssima, que geralmente aparece em cabelos claros e deixa os fios desordenados e impossíveis de “domar”. A síndrome aparece com mais frequência em crianças entre três e 12 anos. “Quando você olha no microscópio, pode ver que, em vez de ter cabelos em forma de cilindro, a haste do cabelo é, na verdade, mais triangular”, disse Carol Cheng, dermatologista pediátrica da Universidade da Califórnia, à ABC. Os cientistas conhecem apenas cerca de 100 casos do tipo. Não há tratamento definitivo, mas a condição geralmente melhora ou se resolve assim que a puberdade começa. Apesar da síndrome, Locklan está se desenvolvendo normalmente, segundo a mãe. O único sintoma que apresenta, além do cabelo despenteado, é a “pele extremamente sensível”. Após o diagnóstico, Katelyn seguiu o conselho do marido e lançou uma conta no Instagram com fotos de Locklan e de seu cabelo. Atualmente, o menino tem mais de 27 mil seguidores. Locklan Samples foi diagnosticado com 'síndrome do cabelo impenteável' aos 10 meses Reprodução/Instagram Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Veja Mais

Muito prazer, menopausa

Glogo - Ciência Esta é uma fase da vida que não se limita, nem pode ser definida, como uma condição médica Para começar, vamos fazer as devidas apresentações. Sem medo, encarando de frente essa “acompanhante” que nos escoltará por décadas. E ninguém deve se sentir só: em 2025, haverá cerca de um bilhão de mulheres no planeta entre a pré e a pós-menopausa. Esta é abertura do meu novo livro, “Menopausa – o momento de fazer as escolhas certas para o resto da sua vida” (Editora Contexto). Em 2020, depois de lançar “Longevidade no cotidiano: a arte de envelhecer bem”, ficou claro para mim que, em todas as etapas da vida adulta, podemos dar novo rumo à existência. No climatério, temos tempo para refletir e tomar decisões cruciais cujo impacto fará diferença na saúde física, emocional e psíquica nas décadas que temos pela frente. De acordo com o IBGE, em 1960, a expectativa de vida de uma brasileira estava em torno de 55 anos; em 2019, já tinha pulado para 80 anos. O que antes se caracterizava como uma experiência até breve, porque a menopausa se confundia com o limite da vida, estendeu-se com a mudança do perfil demográfico. Entretanto, não queremos que seja apenas longa, e sim que também seja rica e tenha significado. Entre a pré e a pós-menopausa, há tempo para refletir e tomar decisões cruciais cujo impacto fará diferença na saúde física, emocional e psíquica nas décadas que virão Psychconsultants para Pixabay Gerações de mulheres que nos precederam sofreram caladas com sintomas que afetaram a qualidade de suas vidas. Perderam o prazer de fazer sexo ou simplesmente abdicaram dele e, embora tivessem a preocupação de conversar com suas filhas sobre menstruação e gravidez, cobriram a menopausa com um manto de silêncio, alimentando o tabu em relação à situação. Nos consultórios, com frequência o atendimento costuma focar no controle de sintomas, como ondas de calor ou mudanças de humor, quando, na verdade, precisamos de uma bússola para navegar por esse oceano desconhecido. Peça a qualquer mulher, na faixa dos 40, para fazer uma lista de suas atribuições. Há quem tenha filhos ainda pequenos, com um roteiro que inclui acompanhamento escolar, atividades extracurriculares, eventuais aulas de reforço, aniversários. Se são adolescentes, o embate sobre limites se soma às questões acadêmicas. Também cresce o grupo que está na dúvida se resta tempo para embarcar na experiência da maternidade. Casamentos estão começando, outros singram mares tormentosos de crise. Profissionalmente, a inexperiência dos primeiros anos deu lugar a uma maior desenvoltura. Imagine ter tudo isso na cabeça e, no meio de uma reunião, ficar encharcada de suor por causa de uma onda de calor que não apenas traz desconforto intenso, mas pode arruinar sua apresentação? Vamos combinar o seguinte: esta é uma fase da vida na qual alcançamos um estágio de maior independência e autoconfiança, nos campos sexual, afetivo e profissional. Ela não se limita – e nem deve ser definida – como uma condição médica. O livro está dividido em cinco seções: o corpo, as emoções, as relações, o sexo e o segundo ato, que abrange trabalho e a luta pelos nossos direitos. Contei com a ajuda valiosa de mulheres que foram extremamente generosas em compartilhar suas experiências, dores, temores e alegrias. Cada trajetória e forma de lidar com essa fase é uma espécie de impressão digital, única. Entretanto, embora as vivências sejam diferentes entre si, ao mesmo tempo nos irmanam nos pontos que têm em comum. Este é um convite para transformar a menopausa num movimento! Capa do livro “Menopausa – o momento de fazer as escolhas certas para o resto da sua vida” Reprodução Veja Mais

O mito do abismo entre as gerações

Glogo - Ciência “Clichês e estereótipos alimentam batalhas, como se vivêssemos uma guerra cultural, e nos distraem do que realmente importa”, afirma professor O senso comum sempre aponta para um abismo irreconciliável entre as gerações – e está errado. Esta é a tese do professor de políticas públicas Bobby Duffy, que tive o prazer de conhecer on-line, em palestra que deu ao Instituto de Gerontologia do Departamento de Saúde Global e Medicina Social do King´s College London, onde trabalha. Autor de “O mito geracional: por que quando você nasceu importa menos do que imagina” (“The Generation myth – why when you´re born matters less than you think”), lançado em 2021, é enfático: “Clichês e estereótipos sobre o abismo entre gerações alimentam batalhas, como se vivêssemos uma guerra cultural, e nos distraem do que realmente importa”. Bobby Duffy, professor de políticas públicas do King´s College London Divulgação Cita a questão das mudanças climáticas, na qual a população madura é apontada como o principal vilão da situação: “as gerações mais velhas são as que mais tendem a se engajar em boicotes por motivos sociais. A General Social Survey (ligada à Universidade de Chicago) pesquisou, entre 1993 e 2018, o que os americanos pensavam sobre o assunto. Diante da pergunta sobre se concordavam que o aumento da temperatura no planeta é muito ou extremamente perigoso, o posicionamento dos baby boomers foi subindo ao longo dos anos, encostando no patamar da Geração X”. "Houve uma migração dos idosos para as cidades menores, enquanto os jovens ocuparam os grandes centros. Essa separação é combustível para desentendimentos e interpretações equivocadas". Só para lembrar: baby boomers são os nascidos depois da 2ª. Guerra Mundial, até o começo da década de 1960; a Geração X compreende os que nasceram entre o princípio dos anos de 1960 até 1979; em seguida vêm os Millenials (1980-1995); a partir de 1996, a Geração Z. “Sempre há um gap entre as gerações. No meio da década de 1980, 60% dos nascidos antes de 1945 achavam que as mulheres deviam ficar em casa, e somente 30% dos baby boomers concordavam com isso. Em 2021, 45% dos baby boomers afirmavam ter orgulho do império britânico, sentimento compartilhado por apenas 20% da Geração Z”, discorreu. No entanto, Duffy chamou a atenção para problemas sociais que são profundos e nada têm a ver com um conflito de gerações. Por exemplo, a dificuldade de os mais jovens conseguirem conquistar o sonho da casa própria. “Comparando o volume de patrimônio de baby boomers e da Geração X, na faixa dos 45 anos os primeiros têm o dobro de riqueza dos outros. Mas não se trata de uma guerra na qual os mais velhos são culpados. Na verdade, houve uma escalada de preços dos imóveis e do sinal para a compra, um descolamento enorme entre o custo do imóvel e o rendimento médio”, explicou. Na sua opinião, o século XXI assistiu a uma segregação etária que é prejudicial para todos: “houve uma migração dos idosos para as cidades menores, enquanto os jovens ocuparam os grandes centros. A ‘tensão’ entre gerações não é apenas natural, mas essencial e benéfica. Faz parte do metabolismo demográfico que impede a estagnação. Essa separação é combustível para desentendimentos e interpretações equivocadas. Temos que focar no fim da desigualdade intergeracional e proteger a conexão entre todas as faixa etárias”. Veja Mais

Aposentadoria: quais são as maiores preocupações das mulheres

Glogo - Ciência Custos crescentes com a saúde e o desafio de bancar cuidados de longo prazo inquietam a força de trabalho feminina Outra atração da conferência AgeAction 2022, tema da coluna da última quinta-feira, foi um painel sobre o que as mulheres querem (e temem) na aposentadoria. Kristi Rodriguez, vice-presidente sênior do Nationwide Retirement Institute, entidade americana voltada para zelar pelos investimentos de aposentados, afirmou que, diante do bônus da longevidade, essa é uma questão que vem ganhando corpo: “elas estão vivendo mais e se perguntam quais serão os desafios que terão pela frente. Saúde e segurança financeira caminham juntas e 28% temem que os anos que lhes restam superem suas reservas. Todos nós precisaremos de cuidados no fim da vida. Isso pode ocorrer de forma abrupta ou gradual, mas é indispensável se preparar”. Mulher de meia-idade com celular: os custos crescentes com a saúde preocupam a força de trabalho feminina DKatana para Pixabay Pesquisa realizada em março pelo Conselho Nacional do Envelhecimento (NCOA em inglês) mostrava que, entre mulheres aposentadas e que estão se preparando para deixar a força de trabalho, 90% se preocupavam com os custos crescentes com a saúde; 75% se inquietavam diante da perspectiva de arcar com as despesas dos cuidados de longo prazo, quando tivessem alguma limitação física ou mentais; e 41% desejariam ter ajuda para se preparar. Ao envelhecer descobrimos que a ideia de que gastamos menos depois da aposentadoria não passa de um mito... Atribuição essencialmente feminina, o papel de cuidadora também tem implicações na maturidade e velhice. No levantamento do NCOA, 58% das entrevistadas eram ou tinham sido cuidadoras; 70% afirmavam que tal função se transformara num peso financeiro, porque pagavam despesas do próprio bolso, com frequência em detrimento do seu bem-estar; 26% haviam postergado a aposentadoria por esse motivo; e 56% se afligiam com um horizonte sombrio: o de não ter dinheiro suficiente para viver com conforto. Entre os planos para o futuro, 52% disseram que reduziriam seu orçamento, e menos da metade tinha algum plano de previdência privada. No Brasil, 47% das trabalhadoras estão no setor informal, o que quase sempre significa uma velhice de grande precariedade. Fecho a coluna lembrando que é durante o climatério, que abrange o período entre a pré e a pós-menopausa, que a maioria realmente se dá conta do esforço que deve ser feito para garantir sua segurança financeira. No entanto, essa é uma fase que pode ser bastante atribulada, já que o declínio na produção do estrogênio provoca uma série de transtornos. Entre agosto de 2021 e maio de 2022, a femtech brasileira Plenapausa coletou dados de mais de 3 mil mulheres, com idade média de 48 anos. Entre os sintomas relatados, 89% citavam cansaço; 88%, instabilidade emocional; 83%, dificuldade para dormir; 82%, ansiedade ou depressão; 79%, falta de libido. Como frisei no livro “Menopausa: o momento de fazer as escolhas certas para o resto da sua vida”, é preciso um esforço coletivo para reescrever esse roteiro. Veja Mais

Peste Negra: DNA em dentes de 6 séculos revela onde epidemia começou, diz estudo

Glogo - Ciência Pesquisadores acreditam ter descoberto origens da doença que dizimou milhões de pessoas no século 14. A bactéria 'Yersinia pestis' é a causadora da peste bubônica Getty Images via BBC Pesquisadores acreditam ter descoberto as origens da Peste Negra, mais de 600 anos depois de ela ter matado dezenas de milhões de pessoas na Europa, Ásia e norte da África. A catástrofe sanitária de meados do século 14 é um dos capítulos mais significativos em termos de pandemia da história humana. Mas, apesar de anos de pesquisa, os cientistas ainda não haviam sido capazes de identificar onde a peste bubônica começou. Agora, análises sugerem que foi no Quirguistão, na Ásia central, na década de 1330. Uma equipe de pesquisa da Universidade de Stirling, na Escócia, e do Instituto Max Planck e da Universidade de Tubingen, na Alemanha, analisaram amostras antigas de DNA de dentes de corpos enterrados em cemitérios perto do Lago Issyk Kul, no Quirguistão. Eles escolheram essa região depois de notar um aumento significativo nos sepultamentos ocorridos lá em 1338 e 1339. Maria Spyrou, pesquisadora da Universidade de Tubingen, disse que a equipe sequenciou o DNA de sete esqueletos. Eles analisaram os dentes porque, de acordo com Spyrou, contêm muitos vasos sanguíneos e oferecem aos pesquisadores "uma grande chance de detectar patógenos transmitidos pelo sangue que podem ter causado a morte dos indivíduos". A equipe de pesquisa conseguiu encontrar a bactéria da peste, Yersinia pestis, em três deles. "Nosso estudo resolve uma das maiores e mais fascinantes questões da história e determina quando e onde o assassino mais notório e infame dos seres humanos começou", afirmou Philip Slavin, historiador da Universidade de Stirling, sobre a descoberta. A pesquisa tem, no entanto, algumas limitações — incluindo o pequeno tamanho da amostra. Michael Knapp, da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, que não estava envolvido no estudo, elogiou o trabalho como sendo "realmente valioso", mas observou: "Dados de bem mais indivíduos, épocas e regiões... ajudariam realmente a esclarecer o que os dados apresentados aqui significam de fato." O trabalho dos pesquisadores foi publicado na revista científica Nature, com o seguinte título: "The source of the Black Death in fourteenth-century central Eurasia" ("A fonte da Peste Negra na Eurásia central do século 14", em tradução literal). O que é a peste bubônica? A peste é uma doença infecciosa potencialmente letal, causada por uma bactéria chamada Yersinia pestis que vive em alguns animais — principalmente roedores — e nas pulgas que carregam em seus pelos. A peste bubônica é a forma mais comum da doença que as pessoas podem contrair. O nome deriva dos sintomas que causa — um inchaço doloroso nos nódulos linfáticos, formando uma espécie de bolha, conhecida como "bubão", na virilha ou axila. De 2010 a 2015, foram reportados 3.248 casos em todo o mundo, incluindo 584 mortes. Historicamente, também foi chamada de Peste Negra, em referência ao fato de causar gangrena em certas partes do corpo, como nos dedos das mãos e dos pés, que acabam escurecendo. Veja Mais

Exponha-se ao novo, seu cérebro vai agradecer

Glogo - Ciência Teste roteiros desconhecidos, leia sobre assuntos que não domina, conheça gente diferente Muito antes de entrar numa sala de aula, as crianças sabem identificar objetos e seres que as rodeiam simplesmente porque convivem com eles no dia a dia. Costumamos, inclusive, dizer que absorvem novidades como esponjas. O que um estudo da Ohio State University quer mostrar é que essa capacidade persiste na idade adulta: as pessoas aprendem a partir de uma exposição acidental a coisas que desconhecem, não dominam e nem sequer estavam tentando entender. “Expor-se ao novo torna os indivíduos mais prontos, mais eficientes para aprender. Frequentemente temos contato com coisas que nos causam uma forte impressão e nos levam a um estado de maior desenvoltura para aprender sobre elas”, afirmou Vladimir Sloutsky, professor de psicologia na universidade e coautor do trabalho, publicado no fim de maio na revista científica “Psychological Science”. Idoso fotografa com celular: o cérebro se alimenta de experiências e, quanto mais complexas, mais estimulam conexões neurais StockSnap para Pixabay A pesquisa foi composta por cinco experimentos diferentes, com a participação de 438 pessoas. Na primeira etapa, durante um jogo simples de computador, surgiam criaturas estranhas e coloridas, sem qualquer explicação para as aparições. Embora os participantes não soubessem, os seres fictícios pertenciam a duas categorias: A e B, com características diferentes – por exemplo, mãos e rabos com cores distintas. Já o grupo de controle assistia a outras imagens. Numa segunda etapa, as pessoas entravam numa fase de aprendizado explícito, durante o qual eram informadas de que as criaturas seriam “flurps” ou “jalets”. Em seguida, deveriam identificar a que categoria cada uma pertencia. O objetivo era mensurar o tempo que os indivíduos demoravam para fazer essa distinção. “Descobrimos que a curva de aprendizado era substancialmente mais rápida para aqueles que tinham visto as duas categorias de seres durante o jogo de computador. Esses participantes estavam familiarizados com as características de cada grupo: os com rabos azuis tinham mãos marrons, enquanto os de rabo laranja tinham mãos verdes”, explicou Layla Unger, aluna de pós-doutorado da instituição. De acordo com os pesquisadores, a simples exposição às criaturas – quando não havia qualquer compromisso com o aprendizado – foi decisiva na fase posterior. Para o professor Sloutsky, o importante foi, através do experimento, mapear esse “conhecimento latente”. O recado está dado: é preciso “provocar” o cérebro, que se alimenta de experiências – quanto mais complexas, mais estimulam conexões neurais. Que tal uma lista para começar? Leia sobre assuntos que não domina, conheça gente diferente, teste roteiros desconhecidos, vá a lugares nunca antes visitados. A disposição para experimentar alimenta nossa reserva cognitiva, uma espécie de “reservatório” que nos ajuda a preservar a capacidade mental. Dá para fazer o paralelo com uma poupança: pessoas com esse tipo de “capital” têm perdas menores e são capazes de achar estratégias e formas alternativas de raciocínio. Veja Mais

Entenda o que é o aborto legal e como ele é feito no Brasil

Glogo - Ciência Procedimento é permitido por lei em casos de gravidez decorrente de estupro, risco à vida da gestante ou anencefalia do feto, e deve ser oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Veja quais são as regras no país. Hospital Pérola Byington é referência no atendimento a mulheres para fazer aborto nos três casos previstos em lei no Brasil Bárbara Muniz Vieira/g1 O aborto legal é um procedimento de interrupção de gestação autorizado pela legislação brasileira e que deve ser oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). É permitido nos casos em que a gravidez é decorrente de estupro, quando há risco à vida da gestante ou quando há um diagnóstico de anencefalia do feto. Embora este direito seja previsto em lei há mais de 80 anos, mulheres enfrentam dificuldade para abortar em hospitais brasileiros e precisam, às vezes, viajar mais de 1.000 quilômetros para se submeter ao procedimento de forma legal. Leia também: Cartilha do Ministério da Saúde diz que 'todo aborto é crime' Datafolha: cai de 41% para 32% população que quer vetar aborto 'Foi uma dor na alma', diz mulher que fez aborto após estupro Médicos ouvidos pelo g1 afirmam que esse direito não tem sido garantido pelo estado brasileiro na prática. E ainda há muitas dúvidas, inclusive por parte de autoridades, a respeito do que pode ser feito e como deve conduzido o processo. Veja a seguir as respostas às seguintes perguntas: O que é preciso para fazer o aborto legal? Tem tempo máximo para fazer aborto? O médico tem que contar à polícia que um aborto legal foi feito? Onde ele é feito? Como ele é feito? Para quem recorrer quando o direito é negado? O médico pode se negar a fazer o aborto legal? Quantos abortos são feitos no Brasil? O que é aborto legal? A legislação brasileira que trata do aborto foi criada há mais de 80 anos. O Código Penal Brasileiro, de 1940, tipifica o aborto como crime e prevê que mulheres e médicos sejam punidos penalmente se provocarem um aborto. Há, no entanto, algumas exceções na legislação: estes são os casos de aborto legal. Em que situações é permitido no Brasil? O aborto é permitido em três situações: anencefalia fetal, ou seja, má formação do cérebro do feto; gravidez que coloca em risco a vida da gestante; gravidez que resulta de estupro. Vale lembrar que a gravidez decorrente de estupro engloba todos os casos de violência sexual, ou seja, qualquer situação em que um ato sexual não foi consentido, mesmo que não ocorra agressão. Isso inclui, por exemplo, relações sexuais nas quais o parceiro retira o preservativo sem a concordância da mulher. O que é preciso para fazer o aborto legal? Para os casos de gravidez decorrente de violência sexual, não é preciso apresentar Boletim de Ocorrência ou algum exame que ateste o crime, como um laudo do Instituto Médico Legal (IML). Para o atendimento, basta o relato da vítima à equipe médica. Todos os documentos necessários são preenchidos no próprio hospital. Neles, a mulher opta oficialmente pelo aborto e se responsabiliza pelos fatos narrados à equipe médica. A norma técnica do Ministério da Saúde que regulamenta a prática também recomenda que a mulher seja atendida por uma equipe multidisciplinar, com médico, assistente social e psicólogo, e que pelo menos três profissionais de saúde participem da reunião para definir se a mulher pode realizar o aborto ou não. Já para os casos de gravidez de risco e anencefalia, é necessário laudo médico que comprove a situação. Além disso, um exame de ultrassonografia com diagnóstico da anencefalia também pode ser exigido para o abortamento causado por má formação do feto. Aborto legal: 4 em cada 10 mulheres têm que viajar para fazer procedimento Tem tempo máximo para fazer aborto? A coordenadora de Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria Pública Estadual do Rio de Janeiro, Flávia Nascimento, afirma que existe uma “dúvida geral” nos casos em que a gravidez decorrente de uma violência sexual ultrapassa o prazo de 21 semanas ou quando o feto tem um peso acima de 600 gramas. No entanto, a defensora entende que é possível interromper a gravidez de forma legal mesmo nesses casos. “Há uma dúvida se seria possível realizar os abortos nesses casos. A gente entende que a lei não impõe nenhuma limitação, não tem limitação temporal de tempo gestacional”, explica. Apesar disso, não há consenso nacional sobre a realização de interrupções de gestação após as 22 semanas. A Defensoria Pública Estadual de São Paulo, por exemplo, afirma em uma cartilha que, nos casos de violência sexual, o aborto é permitido até a 20ª semana de gestação, ou até 22 semanas, desde que o feto tenha menos de 500 gramas. Para os abortos justificados por risco de vida à gestante e anencefalia, não há idade gestacional máxima para a realização do procedimento. “Nos casos tanto de inviabilidade de vida extrauterina quanto de risco de vida [da mulher], não há tanto esse questionamento em relação ao tempo gestacional. Até porque os casos dessas síndromes que inviabilizam a vida extrauterina, via de regra, são descobertos já com um tempo gestacional maior”, afirma Nascimento, da Defensoria do Rio de Janeiro. O médico tem que contar à polícia que um aborto legal foi feito? Sim, caso seja uma gravidez decorrente de violência contra a mulher. Desde 2020, uma lei obriga profissionais de saúde a registrar no prontuário médico da paciente e comunicar à polícia, em 24 horas, indícios de violência contra a mulher. Na época da aprovação da portaria que, na prática, ampliou as exigências para médicos que atendem mulheres em busca de aborto por estupro, a necessidade de identificação da vítima sem seu consentimento foi criticada por defensores de direitos das mulheres. O médico Jefferson Drezett, que coordenou o maior serviço de aborto legal do Brasil por mais de 20 anos, no Hospital Pérola Byington, defende que a comunicação à polícia só seja feita com autorização da paciente. Ele afirma que este é um padrão adotado atualmente por serviços de excelência. “A nossa prática é a de que ela deve concordar, ou a comunicação pode ser feita sem a concordância dessa mulher, se eventualmente ela estiver sob o risco de morrer. Aí, sim, o serviço de saúde pode fazê-lo sem autorização”, diz. Carro da Polícia Militar na Vila Aeroporto, em Campinas, no interior de São Paulo, em foto de 18 de janeiro de 2022 LUCIANO CLAUDINO/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO Onde ele é feito? Isso varia, mas, em geral, hospitais públicos de grandes cidades oferecem o serviço. O problema é que nem todo estabelecimento que faz aborto legal no Brasil realiza o procedimento nas três situações previstas em lei. Segundo médicos e pesquisadores, é comum que casos de anencefalia encontrem menos resistência que os de violência sexual, por exemplo. Levantamento do g1 encontrou 175 municípios com registro de aborto nos casos previstos em lei entre janeiro de 2021 e fevereiro de 2022. O Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, do Ministério da Saúde, indica que outros 20 municípios têm estabelecimentos que fazem interrupção de aborto. (Veja a lista no fim do texto). Na dúvida, uma opção é procurar ONGs que auxiliem mulheres a encontrar esses serviços ou a Defensoria Pública da União (DPU). O Hospital Pérola Byington, localizado no bairro da Bela Vista, região central da capital, é referência no atendimento a mulheres vítimas de violência Celso Tavares/G1 Como ele é feito? Segundo a norma técnica do Ministério da Saúde, sempre que possível deve ser oferecida à mulher a opção de escolha da técnica a ser empregada para a interrupção da gestação: abortamento farmacológico, ou seja, induzido por medicamentos; procedimentos aspirativos, como a aspiração manual intrauterina (AMIU); ou dilatação seguida de curetagem. Para quem recorrer quando o direito é negado? A defensora Flávia Nascimento, do Rio de Janeiro, orienta as mulheres que tiveram o direito negado a buscar a defensoria pública, seja ela estadual ou federal. Segundo ela, em geral, não é necessário acionar a Justiça para garantir que a mulher vítima de estupro seja atendida para fazer o aborto legal. “Na maioria das vezes, a gente oficia a unidade de saúde, informando sobre o direito, que não há previsão na lei exigindo Boletim de Ocorrência”, comenta. Nascimento afirma que é mais comum que a defensoria judicialize os casos de síndromes com o diagnóstico de inviabilidade de vida extrauterina, mas que não são anencefalia. “Como não é o caso da anencefalia específico, da decisão do STF, a gente judicializa e faz essa analogia com a hipótese da anencefalia: diante da inviabilidade de vida extrauterina, estaria permitida a interrupção da gestação”, afirma. Ao contrário do aborto previsto nos casos de violência sexual e gravidez de risco, que estão previstas na lei brasileira de 1940, a possibilidade de interrupção da gravidez de aborto anencefálico só foi legalizada em 2012, por conta de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que trouxe essa jurisprudência. Plenário do Supremo durante julgamento de ação que pede liberação de aborto para anencéfalos Carlos Humberto / SCO / STF O médico pode se negar a fazer o aborto legal? Em alguns casos, sim. Para isso, ele precisa alegar objeção de consciência, ou seja, declarar que a prática lhe causaria profundo sofrimento emocional. Segundo o Código de Ética Médica, “o médico deve exercer a profissão com ampla autonomia, não sendo obrigado a prestar serviços profissionais a quem ele não deseje, salvo na ausência de outro médico, em casos de urgência, ou quando sua negativa possa trazer danos irreversíveis ao paciente”. O código determina que a objeção médica tem limites. Não é possível se recusar a fazer o procedimento caso o abortamento seja por conta de risco de vida para a mulher. Em qualquer outra situação de abortamento juridicamente permitido, o médico também não pode alegar essa objeção se não houver outro médico que o faça, segundo o código de ética da profissão. Quando a mulher puder sofrer danos ou agravos à saúde em razão da omissão, e no atendimento de complicações derivadas de abortamento inseguro, por se tratarem de casos de urgência, também é vetada a objeção do médico, de acordo com o código. Médicos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Campanha Ame Barradas, em Heliópolis, na zona sul de São Paulo, em foto de arquivo Mister Shadow/ASI/Estadão Conteúdo Quantos abortos são feitos no Brasil? Dados coletados pelo g1 indicam que, de janeiro de 2021 a fevereiro de 2022, 1.823 abortos legais foram feitos no Brasil. O número é considerado pequeno por especialistas e médicos. A título de comparação, a médica Helena Paro cita o número de crianças que têm filhos no Brasil anualmente. “Se a gente for pensar só nas meninas que engravidam antes dos 14 anos, que teriam direito ao aborto, porque são vítimas de estupro de vulnerável, a gente tem 20 mil partos [a média de meninas dessa idade que tiveram filho de 2016 a 2020 é de 20,8 mil] por ano. Elas não são obrigadas [a abortar], mas elas têm esse direito. Você acha que todas queriam manter a gravidez?", afirma. Veja a nota do Ministério da Saúde sobre o tema: "O Ministério da Saúde informa que, em 2020, foram realizados 2.071 procedimentos com excludente de ilicitude. Em 2021, foram registrados 1.997 procedimentos. Em 2022, até o mês de fevereiro, foram registrados 385 (dados preliminares, sujeitos à alteração). Atualmente, o Brasil conta com 111 estabelecimentos de saúde habilitados para realizar procedimento de interrupção da gestação nos casos excludentes de ilicitude. Considerando a complexidade e necessidade de cada caso, ou quando os serviços de saúde locais não dispõem de equipe qualificada para realização dos procedimentos, as mulheres são encaminhadas para outras unidades, com o objetivo de garantir o acesso, a integralidade e a segurança do cuidado previsto em lei." VÍDEOS: Tudo sobre São Paulo e região metropolitana Veja Mais

Os benefícios de uma dieta à base de plantas no combate a seis doenças

Glogo - Ciência Todos os profissionais da área da saúde e gestores que formulam políticas públicas deveriam se aprofundar no assunto “A área da medicina, que goza de tanta influência na sociedade, tem se engajado pouco para promover a escolha de hábitos de vida saudáveis”, enfatiza artigo publicado no fim de maio na revista científica “American Journal of Lifestyle Medicine”. De acordo com o texto, todos os médicos – e, por minha conta, incluo os gestores e formuladores de políticas públicas – deveriam estar cientes dos benefícios de uma dieta à base de plantas para enfrentar seis problemas: excesso de peso, doença coronariana, câncer, diabetes, Alzheimer e Covid-19. A médica Saray Stancic, autora de “What´s missing from medicine: six lifestyle changes to overcome chronic illness” (“O que está faltando na medicina: seis mudanças no estilo de vida para superar doenças crônicas”) Divulgação “A consequência desse baixo engajamento se reflete nos números crescentes de doenças crônicas, especialmente obesidade e diabetes”, afirmou a médica Saray Stancic, que assina o texto com outros dois colegas e é autora de “What´s missing from medicine: six lifestyle changes to overcome chronic illness” (“O que está faltando na medicina: seis mudanças no estilo de vida para superar doenças crônicas”). Ela sabe do que fala: em 1995, foi diagnosticada com esclerose múltipla e, em 2003, precisava de uma bengala para se locomover. Tinha restringido ao máximo suas atividades, porque sofria com os efeitos colaterais dos medicamentos. Depois de mudar seus hábitos e adotar uma dieta à base de grãos, legumes, verduras e frutas, conseguiu se livrar dos remédios e chegou a correr uma maratona em 2010! O blog já apresentou, em diversas ocasiões, aspectos da medicina de estilo de vida, que se baseia em seis pilares: alimentação, atividade física, sono, manejo do estresse, relacionamentos saudáveis e controle de tóxicos – de álcool a cigarro, passando por automedicação. Para os autores do artigo, as faculdades de medicina oferecem “um número anêmico de aulas sobre a importância da educação alimentar”. Citam, inclusive, pesquisa realizada com mais de 600 cardiologistas: 90% relataram não ter recebido qualquer treinamento na área de alimentação durante sua formação. Embora ninguém espere que médicos se tornem experts em nutrição, o ideal é que tivessem informações sobre o impacto positivo de uma dieta à base de plantas em seis condições de saúde, a saber: Obesidade e perda de peso: estudo com 70 mil pessoas descobriu que aquelas que seguiam uma dieta vegana pesavam, em média, quatro quilos a menos do que os não adeptos desse tipo de alimentação. Além disso, seu risco de morte era menor. Doença cardiovascular: produtos de origem animal são ricos em gordura saturada e colesterol, que são fatores de risco. Em compensação, seguidores de uma dieta vegetariana têm um decréscimo de 13 mg/dl do LDL, o “mau” colesterol. Quem não come carne também tem 24% a menos de chance de morte por doença cardíaca, em comparação com os onívoros, que comem de tudo. Câncer: a adoção de hábitos saudáveis, o que inclui atividade física e consumir grãos, verduras e frutas, tem o potencial de reduzir o risco de câncer de mama entre 50% e 70%. Enquanto dietas com muitos derivados de leite aumentam as chances de câncer de próstata, as ricas em fibras diminuem o risco de câncer colorretal. Diabetes: estudo realizado na Universidade Harvard concluiu que aqueles que consumiam uma dieta à base de plantas baixavam o risco de diabetes tipo 2 em 34%. Alzheimer: a dieta mediterrânea, ancorada em comidas “boas para o cérebro”, como folhas verdes, feijões, grãos integrais e castanhas, pode reduzir em até 60% o risco de desenvolver a doença. Covid-19: também realizado por Harvard, levantamento feito via smartphones mostrou que indivíduos cuja alimentação era “plant-based” tinham uma redução de 41% do risco de desenvolver a forma mais séria da enfermidade. A doutora Stantic fará uma apresentação intitulada “O que todo médico precisa saber sobre nutrição”, numa conferência internacional que ocorrerá em agosto em Washington, e encabeça o recado: “está na hora de todos os médicos do planeta abordarem a importância de uma alimentação saudável, além de outros bons hábitos. Eles podem aconselhar pacientes, exigir cardápios saudáveis nos hospitais e utilizar as redes sociais para propagar essas ideias”. A doutora Stancic em campanha contra a oferta de fast food em hospitais Divulgação Veja Mais

Especialistas recomendam exercícios para pacientes com osteoporose

Glogo - Ciência Equipe multidisciplinar enfatizou a importância da atividade física para melhorar a saúde óssea e diminuir o risco de quedas Um painel de 12 especialistas bateu o martelo: pacientes com osteoporose não devem ter medo de se exercitar regularmente. Para evitar riscos de fraturas e quedas e melhorar a postura, é importante uma rotina de atividade física que inclua musculação de duas a três vezes por semana e exercícios diários de impacto moderado. Para quem já sofreu uma fratura ou está num estado mais frágil, a orientação é de não exceder o equivalente a 20 minutos diários de caminhada num ritmo rápido. As recomendações, organizadas por quatro fisioterapeutas, três reumatologistas, três pesquisadores e uma enfermeira com especialização na doença, foram publicadas no meio de maio na revista científica “British Journal of Sports Medicine”. Na osteoporose, há uma diminuição da massa óssea que predispõe à ocorrência de fraturas. Histórico familiar, ter artrite reumatoide, fumar e beber em excesso contribuem para o quadro. De acordo com a Fundação Internacional de Osteoporose, uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens acima dos 50 anos serão afetados por uma fratura relacionada com a enfermidade – a estimativa é de que 137 milhões de mulheres e 21 milhões de homens sofram com a doença, sendo que a previsão é de que esses números dobrem nas próximas quatro décadas. Atividade física: especialistas recomendam exercícios para pacientes com osteoporose Daniel Reche para Pixabay Apesar dos benefícios da atividade física, persiste entre os médicos a incerteza sobre o tipo de exercício que deve ser prescrito, principalmente na velhice, quando a perda óssea é mais relevante. Na dúvida, boa parte dos pacientes reduz ou até suspende qualquer tipo de atividade. Foi por esse motivo que a equipe multidisciplinar fez uma revisão das evidências existentes, a fim de formular uma lista de sugestões cujo objetivo é maximizar a saúde óssea de pessoas com osteoporose e, ao mesmo tempo, minimizar eventuais riscos de fratura. Aqui vão elas: Musculação com pesos e aparelhos, aumentando a carga paulatinamente. Se isso não for possível, as alternativas são subir escadas, fazer trabalhos domésticos mais pesados, movimentos de sentar-se e levantar-se. Exercícios de impacto moderado, como correr, pular e dançar – a zumba, que tem uma coreografia vigorosa, é a sugestão. O treino progressivo de impacto e resistência busca fortalecer os grandes grupos musculares do corpo. Para melhorar o equilíbrio, e também aumentar a força, tai chi chuan, pilates e ioga – outra opção é participar de programas de prevenção de quedas, imprescindíveis para indivíduos em situação de fragilidade. Evitar posturas que demandem uma curvatura da coluna para a frente, como tentar tocar os pés, curvar-se sobre si mesmo ou inclinar-se para pegar objetos pesados do chão. Para quem sofreu fraturas, o exercício deve ser equivalente a, no máximo, uma caminhada rápida de 20 minutos. O acompanhamento de um fisioterapeuta é altamente recomendado. A fisioterapia pélvica pode atenuar sintomas causados pela cifose torácica, que é o abaulamento das costas provocado pelo aumento da curvatura posterior da coluna. O consenso dos especialistas é de que exercitar-se reduz a dor e melhora a mobilidade e a qualidade de vida, sendo que o ideal é a supervisão de um fisioterapeuta para corrigir os erros de postura. De acordo com o grupo, as evidências indicam que a atividade física não está associada a nenhum dano significativo e que, de um modo geral, seus benefícios superam os riscos. Veja Mais

Dez perguntas para tirar as dúvidas (e o medo) sobre a colonoscopia

Glogo - Ciência Exame é o mais indicado para prevenir o câncer de intestino e deve ser feito a partir dos 45 anos A médica Clarisse Casali, especialista pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia Divulgação A colonoscopia talvez seja o exame que provoca mais ansiedade entre as pessoas. Os motivos? Desconhecimento, preconceito, medo – de passar mal durante o preparo (que realmente não é agradável) ou sentir dor (o que não acontece). São fatores que levam muita gente a postergar o procedimento ou até a evitá-lo, quando ele deveria estar na agenda dos cuidados com a saúde para quem passou dos 45 anos. Trata-se de uma avaliação do intestino grosso que tem como objetivo diagnosticar infecções, pólipos e tumores. Com o paciente sedado, é introduzido pelo ânus um colonoscópio, tubo flexível com apenas um centímetro de diâmetro com uma minicâmera na ponta. O aparelho é guiado até a parte inicial do intestino grosso, o ceco, onde fica a ligação com o intestino delgado, ou até o íleo terminal, parte final do intestino delgado. As imagens registradas pela câmera são reproduzidas num monitor e gravadas. Para esclarecer as principais dúvidas sobre o assunto, conversei com a médica coloproctologista Clarisse Casali, especialista pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia. Colonoscopia: entenda quem deve fazer e qual a importância do exame Quando as pessoas devem fazer uma colonoscopia? A colonoscopia é indicada a partir dos 45 anos para prevenção do câncer de intestino. Essa é uma orientação que existe desde 2018 e foi reforçada em 2021 através de um protocolo norte-americano. O início do rastreamento mudou em função do aumento expressivo do número de novos casos em pessoas jovens. Além da prevenção, ela nos permite, em algumas situações, tratar o câncer de intestino em fase inicial. Se houver casos de câncer de intestino na família, é importante antecipar a colonoscopia? Sim! Quando há caso de câncer de intestino na família, a recomendação é antecipar para os 40 anos ou 10 anos antes da idade em que foi feito o diagnóstico da primeira pessoa a adoecer. Para esclarecer: caso um parente de primeiro grau tenha sido diagnosticado com câncer aos 45 anos, a indicação é se submeter ao exame aos 35 anos. Por que é preciso fazer um preparo especial antes da realização do exame? Para avaliar a parede do intestino não podemos ter resíduos de fezes ou alimentos, então é preciso que a evacuação esteja líquida e clara. No que consiste o preparo? Em medicamentos laxativos que estimulam a evacuação. É muito importante que o paciente passe por uma consulta antes, para que possamos entender como seu intestino funciona. Assim conseguimos que o preparo seja planejado conforme as características e condições de saúde de cada um, de forma que seja o mais individualizado, confortável e seguro possível. Como prevenir que o paciente passe mal, uma vez que vai ingerir laxativos? Com orientação e cuidados com a alimentação e a ingestão de líquidos, para evitarmos a desidratação. Também utilizamos medicamentos para evitar enjoos. O procedimento é feito com anestesia? É possível sentir dor durante ou depois? O paciente será sedado e não sentirá nenhuma dor, nem durante, nem após o exame. Para sua segurança e conforto, é fundamental que a sedação seja realizada por um médico anestesista. Algumas pessoas têm um pouco de gases logo após, mas melhoram rapidamente. Os pólipos são achados relativamente frequentes na colonoscopia. O que são e qual o risco de evoluírem para um câncer colorretal? Pólipos são crescimentos anormais da parede do intestino que causam protuberâncias e podem, dependendo do tipo de célula, estar associados ao câncer de intestino. A pessoa precisa ficar internada? Deve levar um acompanhante? O preparo pode ser feito em casa ou no hospital, dependendo da idade e das condições de saúde da pessoa. O paciente precisa ficar um tempo no hospital para se recuperar da sedação e alimentar-se, sendo liberado em média uma a duas horas após. Por conta da sedação é importante, por segurança, estar acompanhado no momento da alta. Há alguma restrição alimentar depois do exame? Pedimos para evitar alimentos gordurosos e que possam causar excesso de gases. Com que regularidade é necessário submeter-se a uma colonoscopia se não tiver sido encontrada nenhuma anormalidade? Recomendo a cada 5 anos. No caso da presença de pólipos, esse tempo pode variar de acordo com o tamanho e o tipo. Veja Mais

Cuidadores: como conviver com a frustração de quase nunca receber elogios

Glogo - Ciência A sensação de que a dedicação e os sacrifícios passam despercebidos pode levar a um estado de exaustão Embora já tenha tratado dos desafios de ser cuidador em diversas ocasiões, faz algum tempo que não escrevo sobre o assunto. Provavelmente foi a coluna da quinta-feira passada, sobre como as mulheres demoram a buscar ajuda quando enfrentam um quadro de ansiedade e depressão, que me motivou a voltar ao tema. O motivo? São elas, quase sempre, as cuidadoras de um ente querido que se torna dependente por causa de uma demência ou doença crônica grave. Além de filhos, carreira profissional e da administração da casa, acumulam mais essa atividade, que envolve um alto grau de estresse – e muito pouco reconhecimento. Idosa se diverte com cuidadora: sacrifícios passam despercebidos e os elogios são escassos Sentient Observer para Pixabay A sensação é de que os sacrifícios passam completamente despercebidos, o que alimenta mágoas, ressentimentos e leva a um estado de exaustão: o conhecido burnout. Idosos com sérios problemas de saúde tendem a estar focados em suas próprias dificuldades. O declínio cognitivo dos pacientes com demência pode levá-los a reagir de forma hostil ou impedi-los de manifestar seu apreço pelo zelo que lhe é dedicado. No entanto, é frequente que mesmo familiares não valorizem o duro (e incessante) trabalho, o que aumenta a frustração. Portanto, não espere o reconhecimento alheio e monte uma estratégia para lidar com os sentimentos negativos e preservar seu equilíbrio. Connie Chow tinha um diploma de economista da Universidade da Califórnia e um MBA. Chegou a ocupar uma das vice-presidências do Wells Fargo Bank, mas o fato de ter cuidado da avó durante 20 anos a fez criar o site Dailycaring.com, uma fonte de informações preciosas. São dela os conselhos abaixo para aprender a se doar sem se machucar. Esta foi minha opção: apesar de às vezes achar que não consegue exercer qualquer controle sobre sua vida, tenha em mente que esta foi uma escolha que você fez. Não perca de vista o significado dessa doação. Eu também sou uma prioridade: autocuidado não é um luxo, e sim uma necessidade. É preciso achar um tempo seu, para uma caminhada, um banho relaxante, uma xícara de chá. Não se sinta culpada em se proporcionar “respiros” e, se tiver outras pessoas da família que possam ser acionadas, reserve pequenas férias para recarregar as baterias. O bom humor protege: aprenda a gracejar com a escassez de elogios, lembrando de um jeito leve que um “valeu” e “obrigado” de vez em quando são muito bem-vindos. E, quando receber um, mostre-se grata, para alimentar um círculo virtuoso. A dedicação não pode ser medida pelo estado da pessoa cuidada: a piora da condição de saúde do paciente pode provocar uma onda de recriminações de outras pessoas, que nem sequer participam do dia a dia e desconhecem a gravidade da situação, e desencadear um forte sentimento de culpa. Nem o melhor cuidador é capaz de deter a progressão de uma enfermidade. Os outros têm que saber: é comum, até entre irmãos, que, depois de alguém ser escalado para cuidar do idoso, os demais se sintam desobrigados de acompanhar o que acontece. Para evitar isso, mande relatos periódicos sobre consultas e tratamentos. As informações farão com que possam apreciar seu trabalho. Veja Mais

Casal de idosos se torna símbolo de resistência em paraíso turístico

Glogo - Ciência Iuda e Libório mantêm casinha de taipa em região rodeada de empreendimentos de luxo No início do mês, passei uma semana em Alagoas e de lá trago uma história de protagonismo e resistência. Em São Miguel dos Milagres, pequeno município que integra a rota ecológica do estado e vem atraindo turistas de todos os cantos do país, Iuda e José Libório são apresentados como um dos casais mais antigos da região. Ele tem 75 anos e, ela, 66 e, provavelmente, não são os mais velhos da cidade, mas é o bastante para terem se transformado nos idosos “instagramáveis” do pedaço, com direito a muitas fotos e quase 5.400 seguidores. Iuda e José Libório: moradores da Praia de São Miguel dos Milagres, destino turístico em Alagoas Mariza Tavares Os bugueiros que realizam passeios pelos pontos turísticos incluem uma parada no Sítio do Coconha, onde os visitantes são recebidos pela dupla com um abraço e histórias sobre sua vida. O terreno fica em frente à Praia de São Miguel dos Milagres, área valorizada que empurrou o casal para o centro de uma disputa judicial. Libório, que foi pescador a vida toda, ergueu sua modestíssima casa no terreno há 40 anos, mas a ocupação foi questionada na justiça – a especulação imobiliária e a privatização das praias feita por pousadas de luxo são o pano de fundo da briga – e o caso se arrastou por quatro anos. No começo de 2022, eles obtiveram a primeira vitória pela posse da terra porque, como explica Iuda, “nós tínhamos a verdade e o juiz viu isso. Doze pessoas foram testemunhar que sempre vivemos aqui!”. Hoje não moram mais na minúscula casinha de taipa, construída com barro e madeira. Mudaram-se para o centro da cidade, mas “dão expediente” no local, que se tornou ponto turístico. A parceria com os bugueiros começou há cerca de oito anos, lembra Aristeu Cavalcante Marques, um dos motoristas: “os poderosos queriam tirar os dois de lá e foi dona Iuda que mobilizou a gente. Passamos a levar os turistas no Coconha e aquela palhocinha virou um meio de sustento”. Vendem de tudo: doces, bebidas, artesanato, entre outras quinquilharias, e complementam a renda da aposentadoria dele e da pensão de Iuda, que tem quatro filhos de uma primeira união, cinco netos e uma bisneta. Estão juntos há 35 anos e se casaram há 11. Ela diz que prefere ficar ali, com a vista para o mar e a brisa constante, e se orgulha dos seguidores. Mais reservado, Libório só se preocupa quando, como conta, os visitantes “querem misturar turismo e política” na rápida passagem por seu sítio. A única explicação possível: a pequena bandeira do Brasil que adorna um dos balcões improvisados onde ficam os itens à venda, na entrada da casa. Cozinha da casa de taipa de Iuda e José Libório Mariza Tavares Veja Mais

Mulheres com depressão demoram a buscar ajuda

Glogo - Ciência Segundo pesquisa, seis em cada dez relatam que o problema foi ignorado ou minimizado por parceiros, amigos ou a família Duas em cada três mulheres diagnosticadas com ansiedade ou depressão dizem ter chegado ou estar à beira do limite no que tange à sua saúde mental. Entre aquelas sem um diagnóstico, quatro em cada dez afirmam se encontrar no mesmo tipo de situação. Ainda assim, 51% esperam até um ano antes de buscar tratamento e seis em cada dez relatam que o problema foi ignorado ou minimizado por parceiros, amigos ou a família. Esse é o resultado de uma pesquisa nacional realizada nos Estados Unidos, entre fevereiro e março, realizada pelo GeneSight Mental Health Monitor, ligado à Myriad Genetics – a empresa é especializada em testes genéticos e tem um braço para analisar o impacto dos medicamentos prescritos por psiquiatras de acordo com o DNA de cada indivíduo. Ansiedade e depressão: 51% das mulheres esperam até um ano antes de buscar tratamento Engin_Akyurt para Pixabay Quando se sentem sobrecarregadas emocionalmente, 72% das mulheres declaram que “apenas precisam de um descanso”, enquanto 31% acreditam que têm que se esforçar mais. Somente 13% dizem que pensaram em procurar um médico. “As mulheres se sentem na obrigação de dar conta de tudo e às vezes nem conseguem admitir que estão enfrentando sérias dificuldades. Se você está chorando debaixo do chuveiro ou no chão, arremessando coisas ou gritando no travesseiro, esses são sinais de que o limite foi ultrapassado e está na hora de buscar ajuda”, analisou a psiquiatra Betty Jo Francher, com mestrado em psicofarmacologia e doutorado em ciência médica. De acordo com o levantamento, as razões que as entrevistadas alegaram com mais frequência para não procurar um especialista foram: "Pensei que era só uma fase que eu conseguiria superar sozinha” – 60% “Não queria que ninguém soubesse que estava passando por dificuldades” – 50% “Não queria tomar nenhum tipo de medicação” – 31% “Não podia bancar um tratamento” – 26% “Não tive tempo” – 18% A relutância de ir atrás de auxílio, ainda segundo o trabalho, pode estar associada à forma como os problemas mentais são vistos pela família e pelos amigos. Apenas 44% delas conversam sobre o assunto para diminuir os níveis de estresse e ansiedade. Esse manto silêncio só traz resultados negativos: apesar das diversas opções de tratamento, menos de duas em cada dez acreditam que conseguirão se livrar dos sintomas. A pesquisa é norte-americana, mas acho que muitas brasileiras se identificarão com o quadro descrito. No livro “Menopausa: o momento de fazer as escolhas certas para o resto da sua vida”, que lancei em março, escrevo sobre o termo expossoma, cunhado em 2005 para designar a totalidade das situações a que o ser humano fica exposto durante a sua trajetória, da concepção à morte. O conceito se baseia em três domínios, começando pelo interno, que é exclusivo do indivíduo: idade, fisiologia, genoma. Os outros dois são as condições externas gerais (socioeconômicas e sociodemográficas); e as externas específicas, como dieta alimentar, ocupação, estilo de vida. Esse é o campo de estudo da médica norte-americana Amy Kind, professora do departamento de geriatria e gerontologia da Universidade de Wisconsin, que argumenta que não se pode ignorar a associação entre o acúmulo de influências do ambiente e as respostas biológicas. É também o ponto defendido pelo Women´s Brain Project, criado em 2016, que quer aprofundar a discussão sobre as diferenças de gênero e sua relação com problemas neurológicos e psiquiátricos. Quem está na linha de frente da iniciativa é a médica Antonella Santuccione Chadha, sua cofundadora e CEO, que levanta dúvidas sobre o que está por trás do fato de as mulheres serem mais afetadas pelo Alzheimer: “temos que investigar para distinguir o que é biológico e o que é social – e se temos uma combinação dos dois fatores”, enfatiza em entrevistas. Veja Mais

Dez sugestões para tornar a casa mais acolhedora para quem sofre de demência

Glogo - Ciência Adaptações simples são capazes de diminuir a ansiedade e o estresse dos pacientes A coluna de terça-feira mostrou que continuar vivendo em casa até o fim da existência é não somente um desejo da maioria das pessoas, mas igualmente um mercado em expansão. A rotina do dia a dia pode ser bastante desafiadora para um portador de demência, mas algumas pequenas adaptações são capazes de tornar a casa mais acolhedora e, o cotidiano, menos difícil. A progressão da doença também leva a pessoa a ter problemas para lembrar de coisas simples e processar informações – por isso é tão importante fazer ajustes que diminuam a ansiedade e o estresse de quem já não pensa com clareza. Outras dicas podem ser encontradas no site Dailycaring.com. Idosa sentada: rotina do dia a dia pode ser bastante desafiadora para um portador de demência Gerd Altmann para Pixabay Deixe o ambiente minimalista, removendo itens desnecessários que costumam confundir o paciente e dificultar que ele encontre aquilo de que precisa. Use cores fortes para identificar objetos do dia a dia: por exemplo, o prato utilizado nas refeições pode ser vermelho, sobre um jogo americano branco. No entanto, evite padrões contrastantes, com excesso de informações, como listras e florais. Mantenha as portas dos cômodos abertas, porque o indivíduo com demência talvez não se lembre da sua disposição. Se a pessoa se perde, cole cartazes para identificar os espaços com uma seta: cozinha (ou comida); banheiro; quarto. Ter um calendário grande na parede ou um relógio digital com informações como hora, dia da semana e data aumentam o senso de orientação, reduzindo a ansiedade. Tenha fotos ou objetos que remetam a boas lembranças a mão, distribuídos pela casa. No banheiro, considere a possibilidade de ter um vaso sanitário de cor chamativa, para ser facilmente localizado. Também é importante que o assento seja elevado, com ou sem barras de apoio. Para os homens, ter um alvo para dirigir o jato de urina facilita a vida dos cuidadores: jogue no vaso um desenho num pedaço de papel higiênico, um biscoitinho ou cereal colorido. Identifique as torneiras de água quente e fria. Se a pessoa costuma utilizar a cozinha, deixe à vista o que é mais usado. As portas dos armários podem ter fotos dos objetos que estão guardados lá dentro. Guarde bem os itens que não devem ser manuseados. Talheres e copos precisam atender às necessidades dos portadores de demência. Os primeiros têm que ser fáceis de segurar ou ter alças para ficarem presos à mão; no lugar de copos comuns, canecas com alça dupla e tampa evitarão que o líquido seja derramado. Veja Mais

Como é feito o mel? #shorts

Como é feito o mel? #shorts

 Minuto da Terra Será verdade que o mel é vômito de abelha? O mel é bem gostoso, mas ele também desempenha um papel importantíssimo na hora de transformar a luz solar em vida. Esse processo começa com as angiospermas, que são muito boas em transformar a luz do sol em açúcar e conseguem sobreviver em montanhas, desertos, no alto e no chão das florestas. Mas essas plantas geralmente dependem de insetos como abelhas para espalhar seu pólen por aí e se reproduzir. As abelhas são atraídas por esse pólen, que pra elas é o alimento perfeito, e também pelo néctar açucarado, que elas levam de volta pra colméia. Lá as abelhas melíferas seguram o néctar em suas línguas pra secar e colocam o que restou em uma estrutura hexagonal de cera - o favo. É assim que as abelhas produzem o mel. Se você gosta dos vídeos do Minuto da Terra, pode ajudar: - Deixando um comentário (eu leio!) - Clicando em "Gostei" (y) - Compartilhando com os amigos \o/ - Contribuindo com R$: pode ser uma doação no http://bit.ly/doarMDT ou mensalidade como membro do canal https://www.youtube.com/minutodaterra/join Versão Brasileira contato@escarlatte.com Tradução oficial e autorizada do canal MinuteEarth, produzido por Neptune Studios LLC https://neptunestudios.info Este canal faz parte do Science Vlogs Brasil, um selo de qualidade colaborativo que reúne divulgadores de ciência confiáveis do Youtube Brasil. Conheça todos os canais em youtube.com/sciencevlogsbrasil Veja Mais

Ações inspiradoras para combater o preconceito contra os mais velhos

Glogo - Ciência Todos os esforços para derrubar estereótipos e integrar idosos à sociedade são bem-vindos e deveriam ser amplificados Tive o prazer de conhecer o trabalho da Changing the Narrative, (Mudando a Narrativa), organização que vem batalhando em várias frentes de ações afirmativas contra o ageísmo, ou etarismo. A entidade criou um certificado para as empresas amigas do idoso, ou seja, as que realmente se engajam no compromisso de incluir a mão de obra sênior – e a diversidade – no ambiente corporativo. Trata-se de um bom exemplo a ser seguido, mas não para por aí. Uma coleção de fotos, como a que ilustra a coluna, é fruto de uma parceria com o banco de imagens Unsplash. Está disponível para download e retrata pessoas acima dos 50 fugindo dos estereótipos negativos, mesmo em situações desafiadoras como, por exemplo, em casos de incapacidade física. E ainda idealizou uma campanha pedindo que artistas produzissem cartões de aniversário celebrando o envelhecimento, deixando de lado as infames piadinhas sobre ficar mais velho. Aproveito para também utilizar um deles, cujo texto diz: “dizem que idade é apenas um número, mas eu afirmo que, a cada ano que passa, você fica mais fabuloso!”. Quem sabe alguém se anima a fazer o mesmo no Brasil? Mulher com chapéu de palha: imagem de empoderamento dos mais velhos Juan Encalada on Unsplash Num seminário recente sobre etarismo, assisti à palestra de Heather Tinsley-Fix, que trabalha como consultora da associação de aposentados norte-americanos, a AARP, que reúne quase 40 milhões de participantes. Sua função é buscar meios para que os membros da organização sigam ativos profissionalmente. Ela afirmou que é preciso estar atento para os filtros dos programas de inteligência artificial, que “podem estar contaminados por algoritmos ageístas e sexistas”. Durante o debate, sugeriu mudanças nos dados fornecidos por candidatos a vagas de forma que o fator idade não fique disponível: “informações do currículo como a data de graduação de um candidato podem fazer com que seja descartado por ser mais velho”, exemplificou. A própria AARP tem um site de empregos para os 50 mais e uma parceria com empresas amigas da mão de obra sênior: uma espécie de selo de reconhecimento chamado de Employer Pledge Program. Cartão de aniversário criado pela artista Nikki LaRochelle Reprodução Na frente contra o preconceito contra trabalhadores maduros, toda ação conta. No mesmo evento, Becky Canterbury, gerente do banco de imagens Shutterstock, disse orgulhar-se da sua atual empresa, que promove a diversidade em seus quadros e reúne os funcionários em palestras ou encontros informais. No entanto, reconhece que na sua área, de tecnologia de informação, os mais velhos são vistos com desconfiança: “já tive o desprazer de indicar o nome de amigos muito qualificados para vagas e me deparar com dúvidas do recrutador sobre se essas pessoas, acima dos 50 anos, seriam capazes de atender às demandas do cargo”. Veja Mais

Por que a água dissolve (quase) tudo que existe? | Minuto da Terra

Por que a água dissolve (quase) tudo que existe? | Minuto da Terra

 Minuto da Terra A água pode dissolver mais substâncias do que qualquer outra coisa na Terra - é literalmente o solvente universal! Então por que ela não dissolve a gente e tudo mais? SAIBA MAIS ************* - solvente: também conhecido como dissolvente ou dispersante, são uma substância que dissolve um soluto, resultando em uma solução. São geralmente líquidos, mas também podem ser um sólido, um gás ou um fluido supercrítico. A quantidade de soluto que pode se dissolver em um volume específico de solvente varia com a temperatura. - solubilidade: ou coeficiente de solubilidade, é a quantidade máxima que uma substância pode se dissolver em um líquido, e expressa-se em mols por litro, gramas por litro ou em percentagem de soluto/solvente. Esse conceito também se estende para solventes AJUDE O MINUTO DA TERRA ******************************* Se você gosta dos vídeos do Minuto da Terra, pode ajudar: - Deixando um comentário (eu leio!) - Clicando em "Gostei" (y) - Compartilhando com os amigos \o/ - Contribuindo com R$: pode ser uma doação no http://bit.ly/doarMDT ou mensalidade como membro do canal https://www.youtube.com/minutodaterra/join - Comprando nossas camisetas! https://www.lolja.com.br/minuto-da-terra/?sort_by=price-ascending REDES SOCIAIS ***************** https://facebook.com/minutodaterra https://twitter.com/minutodaterra https://instagram.com/ominutodaterra https://tiktok.com/@minutodaterra CRÉDITOS *********** Versão Brasileira contato@escarlatte.com Tradução e narração: Leonardo Gonçalves de Souza Edição de vídeo: Ricardo Gonçalves de Souza Produção: Maria Carolina Passos Tradução oficial e autorizada do canal MinuteEarth, produzido por Neptune Studios LLC https://neptunestudios.info Vídeo original: Why Water Dissolves (Almost) Everything https://www.youtube.com/watch?v=lIs7PAW0mlM FONTES (em inglês) ********************* Govorov, A. (1.28.2022), personal communication USGS (2018). Water, the Universal Solvent. https://www.usgs.gov/special-topics/water-science-school/science/water-universal-solvent Este canal faz parte do Science Vlogs Brasil, um selo de qualidade colaborativo que reúne divulgadores de ciência confiáveis do Youtube Brasil. Conheça todos os canais em youtube.com/sciencevlogsbrasil Veja Mais

Espiritualidade, exercício e café: o que os especialistas aconselham para o coração

Glogo - Ciência Som da voz também pode ser analisado e prever doença coronariana, mostraram pesquisadores em evento do Colégio Americano de Cardiologia Em se tratando de coração, qualquer novidade é consumida com avidez, por isso aproveito para escrever sobre quatro estudos recém-divulgados. O primeiro trata de um tema que ganha cada vez mais espaço nos congressos médicos: a espiritualidade, associada à descoberta de um significado e propósito para a existência, mas sem estar necessariamente vinculada a qualquer religião. Pacientes com insuficiência cardíaca enfrentam sintomas como falta de ar (dispneia), dor no peito, fadiga, dificuldade para dormir, ansiedade e depressão, que limitam suas atividades físicas e sociais. Para Rachel Tobin, médica do Duke University Hospital, “diferentemente de outras doenças crônicas, trata-se de uma condição que pode levar ao isolamento e à desesperança”. Ela é um dos pesquisadores que fizeram uma revisão de 47 artigos e constataram que o bem-estar espiritual havia trazido uma significativa melhora na qualidade de vida desses indivíduos. Espiritualidade: bem-estar espiritual traz melhora na qualidade de vida dos pacientes Devanath para Pixabay A reboque, emendo com o segundo estudo, sobre como a atividade física ajuda a ativar partes do cérebro que se contrapõem ao estresse. Dessa forma, exercitar-se é ainda mais vantajoso para as pessoas que sofrem de ansiedade e depressão. A pesquisa apontou que indivíduos que praticavam exercícios com regularidade tinham um risco 17% menor de sofrer um evento cardiovascular de grandes proporções. Esse benefício se ampliava, e chegava à diminuição de risco de 22%, para quem tinha lidava com um quadro de ansiedade e depressão. Na linha de frente da inteligência artificial, trabalho apresentado na 71ª. Sessão Científica do Colégio Americano de Cardiologia mostrou que um programa de computador, baseado em algoritmos, conseguia prever a probabilidade de uma pessoa sofrer problemas cardiovasculares devido ao entupimento de artérias baseado no seu registro de voz. Os pesquisadores recrutaram 108 participantes e cada um deles enviou três gravações de 30 segundos: a primeira era a leitura de um texto; na segunda, se falava livremente sobre uma experiência positiva; e a terceira era também um discurso livre, mas sobre uma experiência negativa. O aplicativo Vocalis Health é capaz de analisar 80 características das amostras, sendo que seis delas estão relacionadas com doença cardiovascular. Um terço dos pacientes exibiu pontuação alta, de maior risco; dois terços, uma pontuação baixa. O grupo foi monitorado por dois anos e, entre os que tinham sido apontados como de risco, 58.3% tiveram algum tipo de evento cardiovascular. A tecnologia ainda não está disponível para uso clínico, mas tem enorme potencial na telemedicina. “Estratégias não invasivas e que possam ser utilizadas remotamente ganharam importância durante a pandemia”, afirmou Jaskanwal Deep Singh Sara, cardiologista da Mayo Clinic. “Enviar uma amostra de voz é algo simples e até divertido, além de permitir aos médicos aperfeiçoar o monitoramento dos pacientes”, acrescentou. Café: duas ou três xícaras por dia estão associadas a uma chance menor de doença cardiovascular ou arritmias Engin Akyurt para Pixabay Para encerrar, uma boa notícia para os amantes de café: duas ou três xícaras por dia estão associadas a uma chance menor de doença cardiovascular ou arritmias. “Como o café pode acelerar os batimentos cardíacos, algumas pessoas se preocupam que a bebida pode ser um gatilho ou piorar uma condição cardíaca, mas nossos dados sugerem que o consumo diário de café não deveria ser desencorajado, e sim fazer parte da dieta de indivíduos com ou sem doença cardiovascular”, disse o médico Peter Kistler, professor do Baker Heart Institute, na Austrália. Seu time utilizou as informações do UK BioBank, com dados de 500 mil britânicos que foram acompanhadas por pelo menos dez anos, e mapeou a relação entre a ingestão de café (de uma a seis xícaras diárias) e arritmias, insuficiência cardíaca e derrames. No primeiro levantamento, os pesquisadores examinaram dados de mais de 382 mil pessoas sem diagnóstico de problemas cardíacos para ver se beber café representaria algum perigo nos dez anos de monitoramento da sua saúde. Os participantes tinham, em média, 57 anos, e metade era composta de mulheres. Nesse grupo, beber de duas a três xícaras de café estava associado à diminuição de risco de 10% a 15% de doenças do coração. O segundo estudo incluiu 34 mil indivíduos com algum tipo de distúrbio cardíaco e o consumo da mesma quantidade de café também estava atrelado a menores chances de complicações. Veja Mais

Anvisa aprova registro definitivo de vacina da Janssen

Glogo - Ciência Imunizante já tinha aprovação para uso emergencial. Novo registro, que já foi concedido à Pfizer/BionTech, à AstraZeneca/Oxford e à Coronavac, libera a venda da vacina sem ter que passar antes pela agência. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou, nesta terça-feira (5), o registro definitivo da vacina da Janssen-Cilag contra a Covid-19. Com isso, todos os imunizantes atualmente aplicados no Brasil passam a ter esse tipo de autorização, que permite a comercialização e distribuição das vacinas dentro do país, tanto no sistema público quanto no privado. A aprovação do registro inclui também a dose de reforço da Janssen, que, diferente das outras, era aplicada em dose única. A vacina da Janssen já estava aprovada para uso emergencial havia um ano. Agora, o imunizante recebe o "padrão ouro" da Anvisa, segundo classificou o gerente-geral de Medicamentos e Insumos Biológicos da Anvisa, Gustavo Mendes. “É a consolidação da análise dos melhores dados disponíveis e de forma completa, com informações mais robustas dos estudos de qualidade, eficácia e segurança, bem como do plano de mitigação dos riscos e da adoção das medidas de monitoramento”, declarou, em nota emitida pela Anvisa. Leia também: Vacinados com a Janssen: duas doses significam esquema vacinal completo? Ainda há reforço previsto? Tira-dúvidas: o que esperar da vacinação no Brasil em 2022 Veja Mais

Escritora diz que querer a morte da mãe é uma heresia, mas que há meses ansiava por sua partida

Glogo - Ciência Em seu novo livro, a psicanalista Betty Milan questiona o prolongamento da vida e afirma: “também escrevo para saber quando e como desejo ir embora” Em 2016, a psicanalista Betty Milan lançou “A mãe eterna”, livro que se debruçava sobre a situação da mãe quase centenária que, depois de uma queda seguida de cirurgia, inicia, aos 97 anos, um severo processo de declínio físico e cognitivo. Agora, em “Heresia – tudo menos ser amortal”, a escritora, que acabou de assumir uma cadeira na Academia Paulista de Letras, retoma o tema a partir da morte da anciã. Avisa aos leitores que vai atribuir o que escreve a uma outra narradora, criando uma fricção entre o real e o imaginário, e assume, sem pudor: “o nome pode ser Lúcia. Com ela eu vou em frente sem medo de dizer o que sinto. Sei que desejar a morte da mãe é uma heresia. Há meses eu desejava a partida. Se me perguntassem por que, eu responderia que não suportava mais o que restou dela”. A psicanalista e escritora Betty Milan, autora de “Heresia – tudo menos ser amortal” Divulgação: Lailson Santos São palavras duras e fortes, mas quem já conviveu com a decadência física e mental de um ente querido, que nem sequer nos reconhece, sabe que sentimentos contraditórios nos acompanham. É exatamente por esse caminho que Betty nos conduz. A mãe morreu de mãos dadas com ela, que descreve: “no fim, de tão mirrada, parecia uma anã”. E questiona o esforço de estender indefinidamente a vida: “prolongar a juventude é uma coisa, impedir um fim que não para de se anunciar é desumano”. “Há muito eu digo que me separei da mãe. Me ‘separei’ desde que perdeu a noção do tempo e a duração da minha ausência deixou de ter significado”, pontua em outro trecho. A psicanalista avalia a perda de independência e o quadro demencial e se pergunta o que é, afinal, uma “morte natural”. Reproduz uma frase dita pela idosa – “como era bom o tempo em que eu vivia” – e instiga: “mamãe foi uma quase amortal. Mas eu passei a ter com ela uma relação só de respeito. O único amor possível era o incondicional, um amor que tiraniza. Mamãe nunca foi tirânica, porém sua sobrevivência era”. Sua experiência lhe dá uma certeza: “com meu filho, não vou fazer o que ela fez comigo”. Ela própria uma septuagenária, deixa claro que este é um exercício para o futuro: “também escrevo para saber quando e como desejo ir embora”. Para marcar o lançamento, Betty, que é autora de romances, ensaios e peças de teatro, fará uma live nesta terça, dia 5, às 19h, no canal do YouTube da Livraria da Travessa, com participação do crítico literário Manuel da Costa Pinto, que assina a orelha do livro. Capa do novo livro de Betty Milan Reprodução Veja Mais

Que tal embarcar na roda da juventude?

Glogo - Ciência Personal trainer lança manual com dez pontos para manter a vitalidade “Tive um sábio professor na faculdade chamado Paulo Micoski que sempre falava: ‘Eu não sou velho, a única diferença é que sou jovem há muito mais tempo que vocês’”. Com mais de um milhão de seguidores em seu canal do YouTube, onde ensina exercícios simples para serem feitos em casa, Aurélio Alfieri acaba de lançar “Manual prático para ser jovem por mais tempo: a roda da juventude” (Editora Appris). Escolhi esse trecho para abrir a coluna de hoje porque dá o tom motivacional da obra. Aurélio Alfieri, autor de “Manual prático para ser jovem por mais tempo: a roda da juventude” Divulgação: Guilherme Rocha de Oliveira Profissional de educação física, Alfieri começou a trabalhar em academias há 20 anos. Desde então, seu principal foco foi achar uma maneira de tornar a atividade física mais eficiente, segura e divertida. Logo de saída, faz uma lista das desculpas que ouve dos alunos: falta de tempo para se exercitar; falta de dinheiro para ir a uma academia; alimentação saudável custa caro. E rebate as três, afirmando: “em apenas dez minutos por dia é possível se exercitar; fazer exercícios não custa nada e, além disso, vai te fazer economizar; e os alimentos saudáveis são mais baratos que os alimentos que fazem você engordar!”. A roda da juventude e suas dez categorias Reprodução Então, vamos à roda da juventude, que envolve dez categorias: aliados, propósito, caminhada, sono, disposição, postura, alimentação, peso corporal, exercícios físicos e flexibilidade. “Perceba que tudo está conectado. Quando você faz exercícios, começa a dormir melhor, mantém um peso saudável e consegue melhorar sua animação. Quando encontra aliados que podem te ajudar a fazer escolhas melhores, fica mais fácil se alimentar bem”, escreve. Para explicar a importância dos aliados, conta a história de uma aluna cujo sobrepeso estava comprometendo a saúde. Ela decidiu que não tomaria mais bebidas que tivessem calorias, principalmente as alcoólicas, mas teve grande dificuldade em obter o apoio dos amigos. “Sugeri que conversasse com eles dizendo que estava com problemas e que queria muito emagrecer. Assim talvez tivessem um pouco de sensibilidade e pudessem apoiá-la. Mas também recomendei que participasse de um grupo de caminhada e corrida pois, além de queimar calorias, faria novos amigos com objetivos semelhantes. Você consegue imaginar qual das duas orientações foi mais eficiente?”, pergunta para estimular a reflexão e mudanças de hábitos. Sobre o que é ter um propósito, ilustra com o caso de outro aluno, de 55 anos, que lhe disse que não queria viver muito, somente enquanto tivesse saúde e disposição. “Dessa forma, fica parecendo que esses são dons que já estão predestinados às pessoas. Isso me fez pensar: será que quero viver enquanto tiver saúde para desfrutar ou quero cuidar da minha saúde para poder aproveitar mais tempo de vida com qualidade?”, sugere Alfieri. Sua fórmula é a simplicidade, por isso elege a caminhada como uma atividade perfeita, por ser simples, eficiente e barata. Propõe um aumento gradual do número de passos por dia: por exemplo, de 2 mil para 3 mil, mantendo o novo patamar por uma ou duas semanas até o corpo se adaptar. A mesma proposta se aplica aos demais pontos da roda da juventude. Não custa nada tentar... Lançamentos: 31/3 na Livraria da Vila do Shopping Higienópolis, em São Paulo, 19h; 8/4 na Livraria da Vila do Shopping Batel, em Curitiba, 19h. Capa do livro Reprodução Veja Mais

Entenda como a mamografia pode indicar risco de doença cardiovascular

Glogo - Ciência Seis dicas ajudam a adotar um estilo de vida saudável, a melhor arma para a prevenção A mamografia, um exame que faz parte da rotina de acompanhamento da saúde feminina, pode servir para detectar sinais de doença coronariana, e funcionar como alerta para as mulheres procurarem a ajuda de um especialista. De acordo com estudo publicado no dia 15 na revista científica “Circulation: Cardiovascular Imaging”, da Associação Americana do Coração, calcificações vasculares encontradas na mama estão vinculadas a um risco maior de doença cardiovascular para as que se encontram na pós-menopausa. As calcificações se caracterizam pelo depósito de partículas de cálcio que se apresentam em formato sólido, em diferentes tamanhos e formas. Na mamografia, aparecem como linhas brancas e geralmente são benignas. Somente quando são irregulares, e de alta densidade, é que existe a possibilidade de haver nódulo ou tumor associado. A calcificação vascular da mama – um acúmulo de sais de cálcio na camada média da parede arterial presente na mama – também costuma ser benigna e aparece com frequência depois dos 40 anos. Entretanto, esse achado está relacionado a um risco 51% maior de desenvolver doença coronariana ou sofrer um acidente vascular cerebral, por se tratar de um marcador de aterosclerose, o enrijecimento das artérias, que leva a seu estreitamento. Mamografias podem indicar risco de doença cardiovascular Penn Medicine, Lancaster General Health Não se trata do primeiro estudo sobre o problema, mas as conclusões ratificam pesquisas anteriores e corroboram a necessidade de que as mulheres sejam acompanhadas por um cardiologista. Apesar de o câncer de mama ser a enfermidade que mais assusta o sexo feminino, são as doenças cardiovasculares que matam mais. Adotar um estilo de vida saudável é a melhor arma para a prevenção. Não custa nada lembrar: Se você fuma, pare. Se não fuma, nunca comece. Fumantes têm o dobro de chance de sofrer um infarto. Monte uma dieta com muitas verduras, frutas, grãos integrais e carnes magras. Fuja das gorduras saturadas e dos alimentos ultraprocessados. Exercite-se pelo menos 30 minutos por dia. Se vier de um período longo de sedentarismo ou tiver alguma enfermidade, peça orientação ao seu médico sobre como começar. Procure um médico se notar que seus batimentos cardíacos estão irregulares. Mantenha as doenças crônicas sob controle: diabetes, hipertensão e altos níveis de colesterol aumentam o risco cardiovascular. O sobrepeso obriga seu coração a trabalhar mais, fique de olho na balança. Veja Mais

OMS adia avaliação da Sputnik V por causa da guerra na Ucrânia, diz jornal

Glogo - Ciência Inspetores da OMS não puderam fazer uma viagem que estava marcada para o dia 7 de março. OMS pede que ataques contra centros de saúde sejam suspensos A Organização Mundial da Saúde (OMS) teve que adiar a avaliação do processo de manufatura da vacina Sputnik V, da Rússia, por causa das dificuldades criadas pela invasão da Ucrânia pelas forças russas, de acordo com uma reportagem publicada na quarta-feira (16) pelo jornal “The New York Times”. A OMS ainda precisa tomar uma decisão sobre a aprovação emergencial do uso da Sputnik V. Compartilhe pelo WhatsApp Compartilhe pelo Telegram Imagem de frascos da vacina Sputnik V feita no Brasil divulgada pela Embaixada da Rússia no Brasil Reprodução/Facebook/Embaixada da Rússia no Brasil Mariângela Simão, assessora do diretor geral da OMS, afirmou que funcionários da OMS deveriam fazer uma inspeção na Rússia no dia 7 de março, mas que essa visita foi adiada para uma data ainda não definida. “A avaliação e as inspeções foram afetadas por causa da situação”, ela afirmou. Há problemas para agendar voos para a Rússia e também para usar cartões de crédito. A maioria dos países do Ocidente proibiu aviões da Rússia de entrar em seu espaço aéreo. Segundo Mariângela Simão, a OMS vai marcar novas datas assim que possível. Mariângela Simão, diretora adjunta para acesso a medicamentos da Organização Mundial de Saúde Reprodução/OMS OMS ainda não aprovou A OMS ainda não aprovou a aplicação da Sputnik V. A documentação e os resultados de testes da Sputnik V, que tem a aprovação de mais de 70 países, estão sendo revistos pela OMS e pela agência europeia de medicina (EMA, na sigla em inglês). Se as duas entidades aprovarem, a Sputnik V terá as portas abertas para mais mercados. Em julho do ano passado, a OMS disse que havia encontrado alguns problemas na forma como a Rússia preenchia as ampolas em uma das fábricas. O fabricante, o Instituto Gamaleya, disse que já resolveu os problemas que preocupavam a organização internacional. Veja Mais

Quanto mais álcool, menos cérebro...

Glogo - Ciência Pesquisadores analisaram dados de 36 mil adultos e constataram associação entre bebida e envelhecimento Sabemos que cérebro e bebida não mantêm relações amigáveis, e quase todos têm alguma história constrangedora para contar sobre o assunto. No entanto, o problema não se resume a viver uma situação embaraçosa. De acordo com um novo estudo, mesmo o consumo de álcool num nível considerado modesto – de algumas cervejas ou taças de vinho por semana – traz riscos que não podem ser ignorados. Pesquisadores da Universidade da Pennsylvania analisaram dados de mais de 36 mil adultos e comprovaram uma associação entre beber de forma leve a moderada e a redução do volume do cérebro. De acordo com um novo estudo, mesmo o consumo de álcool num nível considerado modesto – de algumas cervejas ou taças de vinho por semana – traz riscos que não podem ser ignorados Pexels para Pixabay Conforme aumenta o consumo de álcool, a relação de causa e efeito vai se tornando cada vez mais evidente. Como exemplo, indivíduos na faixa dos 50 anos que passaram de uma dose diária (o equivalente a meia cerveja) para duas doses (meio litro de cerveja ou uma taça de vinho) sofreram alterações no cérebro que correspondiam a dois anos de envelhecimento. Para quem saltou de duas para três doses, o ônus é maior: três anos e meio de envelhecimento. “Nossa descoberta vai na contramão das diretrizes divulgadas pelo governo sobre os limites seguros para beber”, afirmou Henry Kranzler, diretor do Penn Center for Studies of Addiction e um dos autores do trabalho. Em muitos países, recomenda-se, para as mulheres, o limite de um drinque por dia, enquanto, para os homens, seriam dois. Estudos anteriores não deixavam dúvida sobre a relação entre o consumo pesado e danos à saúde cerebral, mas a ingestão moderada não era julgada nociva – na verdade, havia até uma indicação de que beber comedidamente poderia beneficiar o cérebro dos mais velhos. A diferença é que nenhuma outra pesquisa examinara um banco de dados tão volumoso. O time usou o UK Bank, que reúne dados de saúde de meio milhão de britânicos, e analisou exames de ressonância magnética de mais de 36 mil pessoas, capazes de calcular o volume de substância branca e cinzenta de diferentes áreas do cérebro. Os participantes responderam a questionário sobre a quantidade de álcool que ingeriam, numa escala que ia entre a abstenção e mais de quatro drinques por dia. Passar de abstêmio a um drinque diário equivalia a seis meses de envelhecimento; entretanto, a variação de zero para quatro ou mais drinques correspondia a mais dez anos na idade biológica. O estudo foi publicado no começo de março na revista científica “Nature Communications”. Veja Mais

Médico lança livro para tornar as informações sobre o câncer de mama mais acessíveis

Glogo - Ciência Membro da Academia Nacional de Medicina, Maurício Magalhães Costa afirma que, quanto mais bem informada, maior a adesão da paciente ao tratamento As mamas são o símbolo da sexualidade feminina e qualquer ameaça à sua integridade provoca enorme impacto emocional, por isso escolhi o Dia Internacional da Mulher para tratar desse tema tão difícil quanto relevante. A boa notícia que tenho para comemorar a data de hoje é o livro “Câncer de mama: aprendendo a prevenir e superar”, no qual o ginecologista e mastologista Maurício Magalhães Costa, membro da Academia Nacional de Medicina, oferece explicações acessíveis que são uma ferramenta valiosa para quem enfrenta a doença. Numa linguagem clara e com muitas fotos e ilustrações, a obra cobre do diagnóstico à reabilitação. O médico Maurício Magalhães Costa, membro da Academia Nacional de Medicina Acervo pessoal No Brasil, são diagnosticados 66 mil casos por ano mas, apesar do medo que inspira, houve uma tremenda evolução no tratamento do câncer nos últimos anos. Autor de outras cinco obras sobre a saúde das mamas e ex-presidente da Sociedade Internacional de Senologia (que é sinônimo de mastologia), o doutor Maurício Magalhães Costa explica que 70% das mulheres acometidas com câncer de mama não apresentam um fator de risco claramente identificável. A idade é um deles – 60% das pacientes têm mais de 60 anos – assim como histórico familiar; primeira menstruação precoce (antes dos 12) e menopausa tardia (após os 55); lesões benignas conhecidas como precursoras; anticoncepcionais hormonais; terapia de reposição hormonal; e obesidade, entre outros. Uma das seções que mais me encantou foi a das perguntas que devem ser feitas ao médico: no momento do diagnóstico; antes e depois da cirurgia; sobre os tipos de tratamento e as alternativas. “Em 40 anos de prática, sei quais são as dúvidas das pacientes e o que é importante que elas saibam para que tomem as melhores decisões”, disse ele, acrescentando que quanto mais bem informada, maior a adesão ao tratamento – que deve ser personalizado e participativo para aumentar as chances de sucesso. Na obra, aborda assuntos que, com frequência provocam dúvidas como, por exemplo, o que é a classificação BI-RADS, que padroniza as análises das características de lesões. Detalha como é feita a cirurgia, quais são os cuidados pré e pós-operatórios, a reconstrução mamária (que é garantida pelo SUS e planos de saúde), além dos esquemas de quimioterapia, hormonioterapia e radioterapia. Também ressalta que a atividade física durante o tratamento ajuda no controle de peso, na diminuição de inchaço e retenção de líquidos causada pelo uso de corticoides. O livro ainda apresenta cada especialista do time multidisciplinar envolvido no combate ao câncer: além do mastologista, cirurgião plástico, oncologista clínico, radiologista, rádio oncologista, patologista, fisioterapeuta, nutricionista, psicólogo. “O médico não deve se impor. Seu papel é de interface do conhecimento, para garantir que a paciente não apenas sobreviva, e sim que tenha qualidade de vida”, finaliza. Informação com empatia, na medida certa para enfrentar um desafio tão grande. Capa do livro “Câncer de mama: aprendendo a prevenir e superar” Reprodução Veja Mais

Nostalgia pode aliviar a dor

Glogo - Ciência Pesquisa mostra que ver imagens relacionadas à infância diminui a percepção de um incômodo de grau moderado Mergulhar em memórias agradáveis produz um efeito que vai além do sentimento de bem-estar e da sensação de ser transportado no tempo: é também capaz reduzir a percepção da dor. De acordo com estudo recém-publicado na revista científica “The Journal of Neuroscience”, ou simplesmente “JNeurosci”, a nostalgia diminui a atividade em áreas do cérebro relacionadas com a dor. Pirulitos: imagem associada à infância Skitterphoto para Pixabay Pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências submeteram adultos a exames de ressonância magnética funcional, que mede a atividade cerebral detectando alterações associadas a variações no fluxo sanguíneo, enquanto exibiam dois tipos de imagens para esses indivíduos. Havia uma categoria de cenas e objetos nostálgicos, que remetiam à infância, como desenhos de TV, balas ou brincadeiras da hora do recreio na escola; e outra de representações da vida contemporânea. Simultaneamente, as pessoas recebiam estímulos térmicos na pele que causavam desconforto. Os participantes tinham que classificar o nível de nostalgia que cada figura despertava e avaliar o estímulo térmico a que eram expostos. National Kid: aventuras do herói japonês foram exibidas no Brasil até a década de 1970 Reprodução As imagens nostálgicas tinham o poder de diminuir o incômodo do estímulo térmico – que provocava dor de baixa intensidade – se comparadas com as figuras de controle, ou seja, do seu cotidiano. Elas também reduziam a ação do giro lingual esquerdo e do giro para-hipocampal, duas regiões do cérebro vinculadas à percepção da dor. Os pesquisadores constataram ainda um incremento na atividade no tálamo, parte do cérebro envolvida em transmitir informação para o córtex cerebral, que se associava tanto à nostalgia quanto à avaliação de dor, sugerindo que este possa ser um canal de comunicação. O melhor é imaginar que sessões nostálgicas venham a substituir medicamentos para tratar dores moderadas. Fita cassete: símbolo das trilhas musicais que teve seu auge nos anos de 1980 Pexels para Pixabay Veja Mais

Harvard responderá processo sobre fotos de escravos feitas para pesquisa racista em 1850

Glogo - Ciência Mulher que afirma ser descendente de escravos que foram obrigados a se despir para tirar fotos para um estudo que tentava provar inferioridade dos negros move ação contra famosa universidade. Justiça considerou que instituição deve responder a processo. Em foto de 2019, Tamara Lanier responde a perguntas da imprensa em Nova York. Ela afirma ser descendente de escravos fotografados para um estudo racista de Harvard em 1850 AP/Frank Franklin II A mais alta corte do estado Massachusetts decidiu, nesta quinta-feira (23), que a Universidade Harvard pode ser processada por maltratar uma descendente de escravos que foram forçados a serem fotografados em 1850 para um estudo de um professor que tentava provar a inferioridade do povo negro. A Suprema Corte de Justiça de Massachusetts decidiu que o “papel horrível e histórico” de Harvard na criação das imagens significava que a universidade tinha o dever de responder com cuidado aos pedidos de Tamara Lanier por informação sobre as mesmas, o que, segundo ela, a universidade não fez. Mas o tribunal afirmou que a universidade não precisa entregar as fotos a Lanier, concluindo que, apesar das circunstâncias “escandalosas”, a mulher de Connecticut não tem direito de propriedade sobre elas. A decisão parcialmente ressuscita um processo que Lanier iniciou em 2019. Lanier e seus advogados, Ben Crump e Josh Koskoff, disseram em um comunicado conjunto que a decisão “histórica” permitiria que ela “continuasse esta batalha legal e moral por Justiça”. Harvard, sediada em Cambridge, Massachusetts, disse que estava analisando a decisão. As imagens mostram Renty Taylor e sua filha Delia, escravos em uma plantação da Carolina do Norte que foram forçados a se despir para as fotos tiradas para um estudo racista do professor de Harvard Louis Agassiz. O juíz Scott Kafker escreveu que Harvard havia “descaradamente” descartado as alegações de Lanier sobre um vínculo ancestral e desconsiderou seus pedidos por informação sobre como estava usando as imagens, incluindo quando a universidade usou a foto de Renty na capa de um livro. Entenda o que é racismo estrutural Veja Mais

Como acertar o ponto da carne #shorts

Como acertar o ponto da carne #shorts

 Minuto da Terra Quando você tira a carne do fogo, você pode até achar que ela tá pronto, mas provavelmente não está. A comida de forma geral é um péssimo condutor de calor - sempre que você esquenta alguma coisa, demora até o calor se espalhar por dentro. É como se fosse uma transmissão gradual de calor, entendeu? Além disso, existe a diferença de temperatura entre a superfície quente da carne e o ar mais frio ao seu redor - então um pouco de calor acaba saindo dela. Mas o resto vai continuar entrando - e cozinhando o seu interior. No fim, a melhor maneira de lidar com isso é aceitar. Seja qual for o seu ponto ideal, tire a comida do fogo um pouco antes e deixe a transmissão de calor finalizar o trabalho. Se mesmo assim não der certo, existe uma outra solução: o congelador. Baixar a temperatura ao redor da comida - mesmo que por apenas 1 minuto - pode tirar parte daquele calor residual dentro dela. E apesar da visita talvez achar estranho você tirar o jantar da geladeira, eu acho que é melhor do que servir algo bem passado. Veja Mais

Exponha-se ao novo, seu cérebro vai agradecer

Glogo - Ciência Teste roteiros desconhecidos, leia sobre assuntos que não domina, conheça gente diferente Muito antes de entrar numa sala de aula, as crianças sabem identificar objetos e seres que as rodeiam simplesmente porque convivem com eles no dia a dia. Costumamos, inclusive, dizer que absorvem novidades como esponjas. O que um estudo da Ohio State University quer mostrar é que essa capacidade persiste na idade adulta: as pessoas aprendem a partir de uma exposição acidental a coisas que desconhecem, não dominam e nem sequer estavam tentando entender. Idoso fotografa com celular: o cérebro se alimenta de experiências e, quanto mais complexas, mais estimulam conexões neurais StockSnap para Pixabay “Expor-se ao novo torna os indivíduos mais prontos, mais eficientes para aprender. Frequentemente temos contato com coisas que nos causam uma forte impressão e nos levam a um estado de maior desenvoltura para aprender sobre elas”, afirmou Vladimir Sloutsky, professor de psicologia na universidade e coautor do trabalho, publicado no fim de maio na revista científica “Psychological Science”. A pesquisa foi composta por cinco experimentos diferentes, com a participação de 438 pessoas. Na primeira etapa, durante um jogo simples de computador, surgiam criaturas estranhas e coloridas, sem qualquer explicação para as aparições. Embora os participantes não soubessem, os seres fictícios pertenciam a duas categorias: A e B, com características diferentes – por exemplo, mãos e rabos com cores distintas. Já o grupo de controle assistia a outras imagens. Numa segunda etapa, as pessoas entravam numa fase de aprendizado explícito, durante o qual eram informadas de que as criaturas seriam “flurps” ou “jalets”. Em seguida, deveriam identificar a que categoria cada uma pertencia. O objetivo era mensurar o tempo que os indivíduos demoravam para fazer essa distinção. “Descobrimos que a curva de aprendizado era substancialmente mais rápida para aqueles que tinham visto as duas categorias de seres durante o jogo de computador. Esses participantes estavam familiarizados com as características de cada grupo: os com rabos azuis tinham mãos marrons, enquanto os de rabo laranja tinham mãos verdes”, explicou Layla Unger, aluna de pós-doutorado da instituição. De acordo com os pesquisadores, a simples exposição às criaturas – quando não havia qualquer compromisso com o aprendizado – foi decisiva na fase posterior. Para o professor Sloutsky, o importante foi mapear esse “conhecimento latente”. O recado está dado: é preciso “provocar” o cérebro, que se nutre de experiências – quanto mais complexas, mais elas estimulam conexões neurais. Que tal uma lista para começar? Leia sobre assuntos que não domina, conheça gente diferente, teste roteiros desconhecidos, vá a lugares nunca antes visitados. A disposição para novas vivências alimenta nossa reserva cognitiva, uma espécie de “reservatório” que nos ajuda a preservar a capacidade mental. Dá para fazer o paralelo com uma poupança: pessoas com esse tipo de “capital” têm perdas menores e são capazes de achar estratégias e formas alternativas de raciocínio. Veja Mais

O pássaro que voa dormindo! #shorts

O pássaro que voa dormindo! #shorts

 Minuto da Terra Alguns pássaros, golfinhos e baleias não dormem no ponto! #shorts Se você gosta dos vídeos do Minuto da Terra, pode ajudar... - Deixando um comentário (eu leio!) - Clicando em "Gostei" ???? - Compartilhando com os amigos \o/ - Contribuindo com R$: pode ser uma doação no http://bit.ly/doarMDT ou mensalidade como membro do canal https://www.youtube.com/minutodaterra/join Versão Brasileira: contato@escarlatte.com Tradução e narração: Leonardo Gonçalves de Souza Edição de vídeo: Ricardo Gonçalves de Souza Produção: Maria Carolina Passos Tradução oficial e autorizada do canal MinuteEarth, produzido por Neptune Studios LLC Este canal faz parte do Science Vlogs Brasil, um selo de qualidade colaborativo que reúne divulgadores de ciência confiáveis do Youtube Brasil. Conheça todos os canais em youtube.com/sciencevlogsbrasil Veja Mais

Arábia Saudita vai gastar 1 bilhão de dólares por ano em pesquisas para deter o envelhecimento

Glogo - Ciência O primeiro grande estudo poderá ser sobre o potencial da droga metformina, utilizada no tratamento do diabetes, na proteção contra doenças cardiovasculares, neurodegenerativas e câncer Mês passado fiz uma coluna sobre os imortalistas, cujo objetivo é expandir os limites da longevidade. Bilionários do Vale do Silício, como Jeff Bezos (Amazon) e Larry Ellison (Oracle), já despejaram milhões para financiar estudos, mas agora a corrida para deter o envelhecimento ganhou uma nova escala. A família real saudita criou uma entidade sem fins lucrativos, chamada Fundação Hevolution, cujo orçamento é de 1 bilhão de dólares anuais para pesquisas voltadas para aumentar a expectativa de vida saudável das pessoas. Em reportagem da revista “MIT Technology Review”, o jornalista Antonio Regalado explica que o fundo será administrado pelo endocrinologista Mehmood Khan, que trabalhou na Mayo Clinic. Além da concessão de financiamentos para pesquisa, a organização pode também comprar participação acionária de empresas de biotecnologia. A proposta, endossada por vários cientistas que atuam nessa área, é de que é possível desacelerar o processo de envelhecimento do organismo, retardando o surgimento de doenças e garantindo uma velhice saudável por um período mais longo. Idoso fumando: família real saudita criou uma entidade sem fins lucrativos cujo orçamento é de um bilhão de dólares anuais em pesquisas para aumentar a expectativa de vida saudável das pessoas Pixabay Embora a Hevolution ainda não tenha anunciado que projetos apoiará, há indícios de que o primeiro será uma pesquisa com a droga metformina, empregada no controle do diabetes, com milhares de participantes. O médico Nir Barzilai, diretor do Centro de Pesquisa sobre o Envelhecimento do Albert Einstein College of Medicine, em Nova York, se dedica a estudar centenários e como seus genes os protegem contra problemas cardiovasculares, diabetes e Alzheimer. Numa coluna que escrevi em 2021, sobre um evento científico que acompanhei on-line, reproduzi sua argumentação: “o pior cenário é a longevidade com um longo período de moléstias. Temos que conseguir viver mais com menos anos de enfermidades. A metformina é barata e utilizada há décadas. Atua em todos os marcadores do envelhecimento, aumentando a proteção contra doenças cardiovasculares, neurodegenerativas e câncer”. Barzilai, que já tentou pôr de pé um ambicioso estudo clínico batizado como TAME (“Targeting Aging with Metformin”, o equivalente a “Envelhecimento na mira com a metformina”), poderá ser um dos beneficiados. É um antigo defensor da droga, mas não está sozinho. Um amplo levantamento realizado na Grã-Bretanha mostrou que pacientes diabéticos estavam vivendo além do previsto – e mais do que indivíduos saudáveis. Uma das motivações do governo saudita é a qualidade do envelhecimento da população do país, que incorporou os hábitos ocidentais, mas não é adepta de atividade física – as taxas de obesidade e diabetes acenderam o sinal vermelho. Outra poderia ser melhorar a reputação do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, que teria sido o responsável pelo assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, do jornal “The Washington Post”, em 2018. Como o g1 mostrou em reportagem publicada recentemente, o membro da família real batizou como Vision 2030 um plano para diversificar a economia do maior produtor de petróleo e quer, inclusive, atrair turistas. Talvez até viajantes em busca da juventude... Veja Mais

Menopausa, cabelos de menos e pelos indesejados: o que fazer?

Glogo - Ciência O declínio da produção de estrogênio, o hormônio protetor feminino, afeta os fios e as unhas A médica Paula Raso, dermatologista titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia e especialista em cabelos Mariza Tavares A queda na produção do estrogênio, o hormônio protetor feminino, é um golpe para as madeixas: o número de camadas de queratina depositadas sobre cada fio vai sendo desfalcado e as células dos folículos se tornam menos ativas, deixando os cabelos finos e quebradiços. Por outro lado, é comum que as mulheres se vejam às voltas com indesejáveis pelos faciais. Pode ser um duro golpe para a autoestima e, para lidar com essas mudanças, conversei com a médica Paula Raso, dermatologista titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia e especialista em cabelos. Por que os cabelos ficam ressecados e caem em maior quantidade na menopausa? Durante o climatério, que compreende a transição do período reprodutivo feminino para o não reprodutivo, o declínio na produção do estrogênio provoca uma alteração na fisiologia da pele e dos cabelos. Há uma diminuição da atividade das glândulas sebáceas, o que reduz a oleosidade do couro cabeludo, tendo como consequência o ressecamento da fibra capilar. É uma fase na qual as mulheres também se submetem à coloração constante, o que contribui para o dano da fibra capilar: o cabelo se torna mais poroso e suscetível à quebra. Há ainda uma alteração do ciclo normal do folículo piloso, que afeta a produção dos fios. Eles se tornam mais finos e com menor densidade, e a questão é mais relevante em mulheres com tendência genética à calvície. Vale lembrar que há vários tipos de queda e, para cada uma, existe um tratamento específico. O eflúvio telógeno crônico, por exemplo, é caracterizado pela alteração do relógio do ciclo do cabelo; já a alopecia senil seria uma forma de exaustão dos nossos folículos pilosos. E existe um tipo de queda de cabelo cicatricial, isto é, que não pode ser revertida, que é mais rara mas cuja frequência vem aumentando: trata-se da alopecia fibrosante frontal. Surge com a menopausa e precisa ser tratada precocemente para não haver perda irreversível dos fios. Muitas pacientes chegam ao consultório com um quadro avançado do problema porque não tiveram o diagnóstico correto no início. Que tratamentos estão disponíveis para melhorar a situação? Cuidar da fibra do cabelo é de fundamental importância nesta fase em que os fios estão fragilizados por química e pela diminuição do crescimento. Usar xampu com alto grau de detergência pode ressecar ainda mais. Também observo mulheres usando xampus de bebê, que não são adequados para essa idade. Alguns não têm pH adequado, ou agentes condicionantes. Costumo dizer que os cuidados têm que ser equivalentes aos dispensados a um delicado vestido de seda. Tenho algumas recomendações que, na prática, mostram como não devemos manipular os cabelos em excesso: penteá-los delicadamente com escovas macias; usar cremes e óleos específicos para hidratação; evitar a exposição ao sol; evitar o calor de prancha e, ao utilizar o secador, ter atenção ao movimentar o aparelho para manter distância e não superaquecer a fibra capilar. É possível recorrer a implantes, como os realizados por homens? Sim, mas é importante saber que a calvície feminina se processa de maneira diferente da do homem. Em ambos os sexos, primeiro é necessária uma predisposição genética para o quadro. Na mulher, há uma certa preservação da linha frontal do cabelo, ou seja, não ficamos completamente calvas na parte de cima da cabeça, como os homens. Depois da menopausa, a proteção hormonal se reduz, mas, embora as mulheres observem a diminuição da densidade, não ocorre a perda completa dos fios. O que acontece com as unhas, que também se tornam frágeis e quebradiças? Na menopausa, o declínio de estrogênio e a redução da produção de colágeno afetam a lâmina ungueal, que é parte que vemos da unha, deixando-a desidratada. No entanto, unhas frágeis podem ser causadas por dieta alimentar inadequada, deficiência de vitaminas, diabetes e distúrbios da tireoide. A unha possui crescimento correto, mas é danificada posteriormente com a imersão frequente das mãos em água, por conta dos afazeres domésticos, cutilação excessiva, exposição à acetona e unhas de fibra e gel. Há alimentos e suplementos que podem ajudar nos dois casos? Infelizmente, a maior parte dos suplementos não tem evidência científica concreta para fortalecer unhas e cabelos. A verdade é que nutracêuticos exigem um rigor científico muito menor que os medicamentos para serem lançados no mercado. Portanto, antes de usar um suplemento, é preciso consultar um dermatologista para excluir possíveis causas clínicas. A biotina é indicada para as unhas, mas deve ser usada com orientação, porque altera diversos exames laboratoriais. Deixar de pintar cabelos e unhas resolve o problema? Sem dúvida, químicas como coloração e alisamento danificam muito a fibra. Vou listar alguns danos: há perda da parte externa da fibra, levando a falta de brilho, porosidade e ressecamento; perda de proteína, associada à diminuição do volume, e da resistência da fibra, o que torna os cabelos mais fáceis de partir. Portanto, além de crescerem com menos densidade, há uma perda da massa capilar. O estrago só é reparado quando essa fibra é substituída por um fio novo, mas vale comentar um fato curioso. O cabelo branco, assim como a pele clara, é altamente sensível ao sol. Quando uma coloração é aplicada nos fios brancos, a nova coloração pode funcionar como um filtro solar. Portanto, perde-se por um lado, mas ganha-se por outro. A verdade é que as mulheres, em nosso contexto cultural, preferem os cabelos tingidos, mesmo que ressecados. Durante a pandemia assistimos a uma mudança desse comportamento e, em outros países, ser grisalha não é mais tabu. Para as unhas, o perigo mora na exposição química à acetona para remover o esmalte e uma boa dica é hidratá-las com óleos. A cutilação é um hábito que contribui para o enfraquecimento das unhas. Junto com o enfraquecimento dos cabelos, surgem pelos antiestéticos no rosto, em locais como o queixo e o buço, e até ao redor dos mamilos. O que fazer? Mais uma vez, trata-se de uma consequência da perda do efeito protetor dos hormônios femininos. É possível retirar os pelos com pinça, cremes depilatórios e depilação a cera. Se ainda tiverem pigmento, a melhor opção é o laser. Entretanto, como o alvo do laser é o pigmento, se os pelos forem brancos o tratamento não é eficaz. Outra técnica eficiente é a eletrólise. Veja Mais

Imortal denuncia preconceito contra escritores mais velhos

Glogo - Ciência Nélida Piñon acaba de completar 85 anos em plena atividade e sai em defesa de seus companheiros de ofício “Na literatura, estamos assistindo ao envelhecimento estético por conta da idade do corpo do autor. Escritores com uma obra canônica consagrada estão sendo ignorados, postos à margem, por não pertencerem mais ao mercado da beleza e da estética”. Quem denuncia um quadro de etarismo, isto é, de preconceito contra os idosos na cena literária, é a imortal Nélida Pinõn, que, em plena atividade, em momento algum legisla em causa própria. Na verdade, toma a defesa de companheiros de ofício que, na sua avaliação, vêm sendo marginalizados: “os jovens só leem o que produzem. Não aprendem com os mais velhos. E digo isso na condição de escritora que está produzindo e sendo lida”, sentencia. A escritora Nélida Piñon, ocupante da cadeira 30 da Academia Brasileira de Letras Divulgação Ela acabou de fazer 85 anos e, mesmo com sérios problemas de visão, consegue manter um ritmo de trabalho impressionante. Em 2020, lançou o romance “Um dia chegarei a Sagres” e finaliza um novo livro, que reúne memórias, pensamentos e reflexões. Além disso, tem um de ensaios em preparação. Sua editora relançou, no ano passado, o premiado “Vozes do deserto”, que li tomada por uma profunda angústia ao me deparar com a história de Sherazade sem retoques: Nélida apresenta a encantadora narradora dos contos das mil e uma noites da nossa infância como uma sobrevivente que, estuprada todas as noites pelo califa, sente que suas forças estão no fim e que talvez não consiga atravessar mais uma madrugada. Essa escrita potente continua sendo traduzida em diversos países e, em junho, haverá o relançamento de “A casa da paixão”, obra que completa 50 anos e poderá ser novamente degustada pelo público. Em novembro, será a vez de “Tebas do meu coração”, outro romance da década de 1970. “Por que minhas forças intelectuais não estariam avivadas se, durante a vida inteira, não fiz outra coisa a não ser pensar? Eu acordo criando” Explica que usa um aplicativo no celular para gravar as ideias que lhe vêm à cabeça no começo do dia. Resiste com todas as forças aos limites impostos pela visão depauperada: escreveu “Um dia chegarei a Sagres” à mão e depois uma assistente passou o texto para o computador. Para terminar o novo livro, também conta com ajuda: “duas vezes por semana, me reúno com a professora Fernanda Gentil e trabalhamos durante seis ou sete horas. Ela vai lendo os textos e cubro o rosto com as mãos para ouvir com o máximo de atenção e fazer as correções. Frase boa não se joga fora, todas nascem de um esforço criativo e as respeito, podem ser usadas mais adiante. Num caderno guardo o nome e o número de cada história, com anotações: se deve ser relida, descartada ou guardada para uma outra obra”, detalha. Talvez o segredo para tanta vitalidade venha da curiosidade que a acompanha desde menina: “sempre fui apaixonada pela vida e pelas pessoas. Foram abertas picadas no meu coração por onde passaram amigos de muitos países. Prefiro acreditar no afeto, não começar nenhum relacionamento com desconfiança”, discorre. E complementa: “é preciso acrescentar o que está faltando ao nosso acervo, e isso ocorre até a morte”. Diz que as banalidades também a atraem, tanto que costuma navegar no YouTube: “quero ser surpreendida pela estética alheia, ainda que no final não me agrade. A rotina do cotidiano é extraordinária, mostra como a vida é pródiga”. Ocupante da cadeira 30 da Academia Brasileira de Letras, traduzida em mais de 20 países e vencedora de dezenas de prêmios, nacionais e internacionais, Nélida compartilha uma sensação que a acompanha há cerca de um mês: “tenho pensado em mim como quem morreu. É como se tivesse saído de mim e agora pudesse observar a história dessa mulher, de forma crítica e imparcial. E a Nélida que observa a outra pergunta: ‘essa mulher foi importante?’. Sim, ela construiu algo, deixou um legado. Exerceu uma resistência amorosa e tenaz que, nesses 60 anos de ofício, rechaçou tudo o que a impedia de escrever”. Trata-se de uma referência ao machismo no próprio meio literário, que ilustra com um episódio: convidada por um crítico para um almoço, ao chegar ele a conduziu para a sala onde estavam as esposas, e não os escritores. Sobre o feminismo, lembra que houve conquistas soberbas e sofridas: “as mulheres não querem ser princesas, nem rainhas do lar, e sim viver sua soberania em condições de igualdade com os homens, mas atualmente vejo um retrocesso. As que expõem e vendem seus corpos, pensando que são senhoras desse privilégio, na verdade estão fazendo o que se espera de uma mulher humilhada, submetida”. Veja Mais

Pesquisa da UFV pode ajudar na descoberta de novo medicamento para tratamento da Covid-19

Glogo - Ciência A descoberta está em fase de registro de patente. Veja o objetivo do estudo, como ele foi feito e os empasses. Rastrear as mutações do vírus é fundamental para combater a pandemia de covid-19 Getty Images via BBC Apesar dos índices de mortes, casos confirmados e hospitalizações em decorrência da Covid-19 apresentarem queda nos últimos meses, a ciência mundial segue na busca por medicamentos preventivos e curativos da doença. Uma equipe de pesquisadores do Departamento de Informática (DPI) da Universidade Federal de Viçosa(UFV) encontrou uma molécula que pode ser eficaz no combate à reaplicação do SARS-CoV-2, vírus causador da Covid-19. A descoberta está em fase de registro de patente. Mas o que o ramo de informática tem a ver com combate às doenças? De acordo com a professora da UFV, Sabrina Silveira, o trabalho que está sendo desenvolvido pelo Departamento de Informática é o da bioinformática - área de pesquisa que busca propor novos algoritmos da computação para tratar problemas que são essencialmente biológicos. "Esses pesquisadores criam modelos que “ensinam” as máquinas a selecionar o que lhes interessam em meio a milhões de dados já existentes, por isso, a técnica se chama 'machine learning', que é parte da Inteligência Artificial", explicou. Objetivo do estudo A equipe da UFV partiu de bases de dados de moléculas já conhecidas e aprovadas pela agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos (Food and Drug Administration), utilizadas em produtos alimentícios ou farmacêuticos. Os modelos criados pelos pesquisadores da UFV buscaram moléculas com potencial para inibir uma proteína do vírus chamada protease principal (main protease 3CLpro) e que ajuda o vírus a se replicar no interior das nossas células. A técnica que consiste em focar em alvos terapêuticos já é bastante usada na indústria farmacêutica, mas é difícil encontrar moléculas capazes de fazer este trabalho com segurança. “Nosso objetivo é reposicionar fármacos que já são conhecidos, mas podem ter outras utilizações. Nós usamos a estratégia de aprendizagem de máquina para buscar moléculas capazes de inibir o trabalho da protease principal, interferindo especificamente neste processo da replicação do coronavírus”, explicou Sabrina. Fazem parte deste trabalho os seguintes pesquisadores: Charles Santana (UFMG), Leandro Marcolino (Lancaster University - Reino Unido), Leonardo Lima (UFSJ), Raquel Minardi (UFMG), Roberto Dias e Sérgio de Paula, ambos do Departamento de Biologia Geral (DBG-UFV). Como o estudo foi feito? A pesquisadora e estudante de mestrado do programa de pós-graduação em Ciência da Computação da UFV, Isabela Gomes, é a 1ª autora do trabalho, publicado no início do mês de maio na Revista Plos One, orientado pela professora Sabrina. Isabela conta que, de todas as moléculas possíveis, as simulações moleculares computacionais selecionaram apenas 16 com potencial para inibição da proteína que ajuda na replicação do coronavírus. Na revisão de literatura deste material, as pesquisadoras foram afunilando as possibilidades e descobriram que algumas moléculas já eram estudadas por outros grupos de pesquisa. Então, elas focaram na ambenônio, que se mostrou muito promissora nos estudos computacionais, mas ainda pouco estudada para coronavírus. A seleção gerou o pedido de depósito da patente como possível novo uso da substância. Falta de verbas As pesquisadoras realizaram testes in vitro, ou seja, testando a relação da molécula com o vírus em laboratório, mas a falta de verba dificultou o trabalho. “Enquanto as grandes empresas e universidades estrangeiras têm dinheiro para testar todos os compostos que se mostraram promissores, nós precisamos focar apenas em um ou interromper o trabalho na fase de predições experimentais feitas por computadores”, lamentou Sabrina. Com o esforço conjunto da Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PPG), do Departamento de Biologia Geral (DBG) e do DPI, as pesquisadoras conseguiram comprar os insumos para iniciar os ensaios in vitro. Conforme a pesquisadora, para avançar, é fundamental ter uma equipe interdisciplinar, envolvendo especialistas em computação, bioinformática e bioquímica, em especial os experimentalistas, que podem avaliar se as predições computacionais funcionam na prática. "Agora, há um longo caminho pela frente. Se os ensaios in vitro derem certo, o próximo passo será a realização de ensaios em cultura celular e, caso os resultados sejam promissores, em animais (in vivo)", completou. VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes Veja Mais

O Caranguejo-Eremita e o sonho da casa nova #shorts

O Caranguejo-Eremita e o sonho da casa nova #shorts

 Minuto da Terra O caranguejo-eremita não para de crescer - por isso, ele tá sempre de olho em conchas vazias pra virar sua nova casa. Às vezes, ele encontra uma do tamanho perfeito - daí, é só se mudar e deixar a antiga pra outro caranguejo. Só que muitas vezes, não é isso que acontece: a concha vazia pode ser bonitona, mas um pouco grande demais. Em vez de seguir em frente, porém, o caranguejo fica esperando por outro caranguejo que talvez caiba nessa concha e deixe pra trás uma levemente menor, que caiba nele. E às vezes, quando a concha perfeita aparece na praia, acontece uma coisa muito incrível: eles se juntam em até VINTE caranguejos e formam uma fila, por tamanho. Quando o caranguejo perfeito pra essa concha finalmente aparece, ele se muda para o seu novo lar. Então, o próximo caranguejo da fila entra na concha dele, o seguinte nessa outra concha, e assim por diante. Pois é - nesse jogo do bicho, todo mundo ganha. #shorts Se você gosta dos vídeos do Minuto da Terra, pode ajudar: - Deixando um comentário (eu leio!) - Clicando em "Gostei" (y) - Compartilhando com os amigos \o/ - Contribuindo com R$: pode ser uma doação no http://bit.ly/doarMDT ou mensalidade como membro do canal https://www.youtube.com/minutodaterra/join Versão Brasileira contato@escarlatte.com Tradução oficial e autorizada do canal MinuteEarth, produzido por Neptune Studios LLC Este canal faz parte do Science Vlogs Brasil, um selo de qualidade colaborativo que reúne divulgadores de ciência confiáveis do Youtube Brasil. Conheça todos os canais em youtube.com/sciencevlogsbrasil Veja Mais

De onde virá a próxima pandemia? | Minuto da Terra

De onde virá a próxima pandemia? | Minuto da Terra

 Minuto da Terra A causa mais provável da próxima pandemia será fruto da interação entre humanos e um seleto grupo de animais. SAIBA MAIS ************* Para se aprofundar nesse assunto, pesquise por essas palavras-chave: - Zoonose: doença que pode ser transmitida aos humanos por animais. - Reservatório natural: animais que naturalmente abrigam múltiplos agentes infecciosos. - Transbordamento zoonótico: transmissão de uma zoonose de um reservatório animal para um humano. - Teoria de histórias de vida: aspectos biológicos da vida de uma espécie, desde o seu nascimento até a sua morte, descrevendo critérios como a maturação, reprodução, sobrevivência e morte. AJUDE O MINUTO DA TERRA ******************************* Se você gosta dos vídeos do Minuto da Terra, pode ajudar: - Deixando um comentário (eu leio!) - Clicando no joinha ???? (y) - Compartilhando nas redes sociais e com os amigos \o/ - Contribuindo com R$: pode ser uma doação no https://bit.ly/doarMDT ou mensalidade como membro do canal em https://youtube.com/minutodaterra/join - Comprando nossas camisetas e merchan: https://lolja.com.br/minuto-da-terra (tem várias estampas e tamanhos para presentear!) REDES SOCIAIS ***************** https://facebook.com/minutodaterra https://twitter.com/minutodaterra https://instagram.com/ominutodaterra https://tiktok.com/@minutodaterra CRÉDITOS *********** Versão Brasileira contato@escarlatte.com Narração: Leonardo Gonçalves de Souza Edição: Ricardo Gonçalves de Souza Tradução e produção: Maria Carolina Passos Tradução oficial e autorizada do canal MinuteEarth, produzido por Neptune Studios LLC https://neptunestudios.info Vídeo original: Where Will The Next Pandemic Come From? https://youtube.com/watch?v=RCpfuJXQ90s FONTES (em inglês) ********************* Keesing, F., and Ostefld, R. (2021). Impacts of biodiversity and biodiversity loss on zoonotic diseases. PNAS, 118 (17) e2023540118. Retrieved from: https://pnas.org/doi/pdf/10.1073/pnas.2023540118 Han, B., Schmidt, J.P., Bowden, S., and Drake, J. (2015). Rodent reservoirs of future zoonotic diseases. PNAS, 112 (22) 7039-7044. Retrieved from: https://pnas.org/doi/10.1073/pnas.1501598112 Balderrama-Gutierrez G, Milovic A, Cook VJ, Islam MN, Zhang Y, Kiaris H, Belisle JT, Mortazavi A, Barbour AG. (2021). An Infection-Tolerant Mammalian Reservoir for Several Zoonotic Agents Broadly Counters the Inflammatory Effects of Endotoxin. mBio.;12(2):e00588-21. Retrieved from: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33849979 Olival, K., Hosseini, P., Zambrana-Torrelio, C. et al. (2017). Host and viral traits predict zoonotic spillover from mammals. Nature 546, 646–650. Retrieved from: https://doi.org/10.1038/nature22975 Martin, L. B., 2nd, Weil, Z. M., & Nelson, R. J. (2007). Immune defense and reproductive pace of life in Peromyscus mice. Ecology, 88(10), 2516–2528. Retrieved from: https://doi.org/10.1890/07-0060.1 Johnson Christine K., Hitchens Peta L., Pandit Pranav S., Rushmore Julie, Evans Tierra Smiley, Young Cristin C. W. and Doyle Megan M. (2020). Global shifts in mammalian population trends reveal key predictors of virus spillover risk. Proc. R. Soc. B .2872019273620192736. Retrieved from: https://royalsocietypublishing.org/doi/10.1098/rspb.2019.2736 Allen, T., Murray, K.A., Zambrana-Torrelio, C. et al. (2017). Global hotspots and correlates of emerging zoonotic diseases. Nat Commun 8, 1124. Retrieved from: https://nature.com/articles/s41467-017-00923-8 Han, Barbara. (2022). Personal communication. Disease Ecologist, Cary Institute of Ecosystem Studies. https://hanlab.science Este canal faz parte do Science Vlogs Brasil, um selo de qualidade colaborativo que reúne divulgadores de ciência confiáveis do Youtube Brasil. Conheça todos os canais em youtube.com/sciencevlogsbrasil Veja Mais

Jovem cientista brasileiro cria marcador que determina a idade biológica com mais precisão

Glogo - Ciência AltumAge é um relógio epigenético capaz de associar o envelhecimento celular ao surgimento de doenças A coluna sempre festeja quando se depara com um avanço da ciência brasileira, mas hoje a comemoração é dupla, dada a idade do cientista. Quero apresentar a vocês um jovem de 23 anos do qual, certamente, ainda ouviremos falar muito. Lucas Paulo de Lima Camillo formou-se em bioquímica pela prestigiosa Brown University, nos Estados Unidos, e agora cursa medicina em Cambridge, no Reino Unido. No dia 19 de abril, a revista científica “npj Aging”, especializada na área do envelhecimento, publicou artigo do qual ele é o primeiro autor, ou seja, o principal colaborador. O trabalho é sobre um biomarcador, criado por Camillo, para medir a idade biológica de um ser humano a partir de qualquer tipo de substância do organismo: sangue, saliva ou amostra de tecido. Lucas Paulo de Lima Camillo, cientista brasileiro de 23 anos que criou o relógio biológico AltumAge, numa das bibliotecas da Universidade de Cambridge Acervo pessoal Vamos por partes para explicar o feito desse jovem cientista. Em primeiro lugar, lembremos que, apesar de termos uma idade cronológica, que é a da data do nascimento, também carregamos uma idade biológica, que reflete o envelhecimento do corpo e seus órgãos vitais. Portanto, uma pessoa de 60 anos pode estar fisicamente bem e ter uma idade biológica inferior. No campo da ciência, há uma corrida para explorar os limites da longevidade – na verdade, como conseguir deter ou até reverter o processo de senescência – que vem mobilizando bilhões de dólares e, inclusive, suscitando debates acalorados sobre a ética de tentar estender indefinidamente nossa existência. Sou otimista. Da mesma forma que investimentos em saúde e infraestrutura conseguiram aumentar a expectativa de vida das pessoas, o que os pesquisadores estão fazendo abre uma nova perspectiva e não devemos rechaçar a experimentação. O que me leva de volta ao trabalho de Camillo, batizado de AltumAge. “O próximo passo da ciência é desenvolver tratamentos que intervenham na biologia do envelhecimento, em nível celular, porque sabemos que o risco de doenças como câncer, diabetes, demência e problemas cardiovasculares está associado à idade. A criação de biomarcadores, que chamamos de relógios epigenéticos, é um avanço neste sentido, porque não precisamos acompanhar indivíduos da juventude à velhice para avaliar como o organismo vai se deteriorando”, detalha. Em 2013, Steve Horvath, professor de Berkley, criou um modelo matemático capaz de prever a idade biológica com uma margem de erro de 3 anos e meio, e já há empresas atuando neste segmento que, se eu fosse “batizar” de um jeito descomplicado, chamaria de medidores do relógio biológico. O que torna o AltumAge tão especial é que ele conseguiu baixar a margem de erro para 2.2 anos! Para chegar a esse resultado, é preciso medir o processo de metilação do DNA em nosso organismo – e agora entra a parte mais excitante e um pouquinho difícil de explicar, por isso vamos a uma breve aula de biologia. A metilação é um processo químico que transfere um átomo de carbono e três átomos de hidrogênio e ocorre em todos os tecidos e células. Camillo se vale de imagens simples para descrever o que acontece: “a base bioquímica da metilação é ligar e desligar um gene, isto é, ativá-lo ou silenciá-lo. Quando a parte de um gene está metilada, ele ‘desliga’, e é importante que tenhamos esse ‘liga-e-desliga’ em nossas células. No entanto, com o passar do tempo, pode haver um ruído no padrão saudável da metilação, algo como um CD que vai ficando arranhado, o que provoca a deterioração do som. Por exemplo, alguns genes neuronais que deveriam estar desligados começam a ser reativados, levando a patologias”. O professor Horvath havia utilizado um modelo linear para essa medição. Em Brown, Camillo desenvolveu sua pesquisa num laboratório de biologia computacional, que usa redes neurais, muito mais complexas. Mergulhou em 142 estudos, depois comparou dados de pacientes com células em laboratórios, e foi assim que começou a desenvolver o algoritmo do AltumAge. Ao medir a idade biológica das células, encontrou uma associação entre o envelhecimento celular e doenças como câncer, esclerose múltipla, diabetes tipo 2 e HIV, entre outras condições. Estamos no limiar de uma era de reprogramação celular e o trabalho de Lucas Paulo de Lima Camillo já se transformou numa valiosa contribuição. Os outros dois autores do artigo são Louis Lapierre e Ritambhara Singh, ambos seus ex-professores em Brown. Veja Mais

O campo da longevidade é excitante para os investimentos, diz investidor

Glogo - Ciência Alan Patricof, uma lenda no segmento do capital de risco, tem 87 anos e pretende chegar aos 114: “muitos serviços e invenções vão me ajudar” Nos últimos 50 anos, Alan Patricof tornou-se uma lenda entre os investidores. São cinco décadas de sucesso no turbulento segmento do capital de risco, uma modalidade de investimento focado em empresas com alto potencial de crescimento, mas que estão começando e ainda têm baixo faturamento. Cerca de 500 companhias tiveram seu apoio antes de terem se transformado em gigantes, como Apple, New York Magazine, Sunglass Hut, Axios – e a lista segue, quilométrica. Aos 87 anos, acabou de lançar o livro “No red lights”, no qual faz um balanço desse meio século do empreendedorismo. Engana-se quem pensa que a obra representa o encerramento de sua carreira, como deixou claro ao participar de uma conferência on-line, no dia 20 de abril, sobre marcas, inovação e tecnologia, organizada pela Universidade de Columbia. Patricof foi o ponto alto do painel sobre longevidade, enfatizando que esta é uma área cuja expansão está apenas começando: “assistimos a um avanço admirável na ciência e o panorama é excitante para os investimentos. Há dezenas de empresas dedicadas ao monitoramento remoto de pacientes e haverá um boom de adaptações nas moradias para que as pessoas possam envelhecer em casa”, afirmou, dando, como exemplo, os banheiros inteligentes equipados com sensores capazes de analisar urina e fezes em tempo real. Também alfinetou a indústria da beleza que, na sua opinião, terá que se reconciliar com o público maduro: “seus produtos e todo o marketing eram voltados para mostrar o envelhecimento como algo a ser combatido, em vez de comemorar a vitória que é viver”. Aos 87 anos, estima que terá mais 27 pela frente – “muitos serviços e invenções vão me ajudar a chegar lá”, diz – e, pelo visto, está no caminho certo. Continua fazendo caminhadas, pedalando e prepara-se para correr a maratona de Nova York, em novembro. Alan Patricof: aos 87 anos, cinco décadas de sucesso no segmento do capital de risco Wikipedia Continuar vivendo em casa até o fim da existência é não somente um desejo da maioria das pessoas, mas igualmente um mercado em expansão, de acordo com os demais participantes do evento. Nirav Shah, professor da Universidade de Stanford e especialista em medicina digital, apontou o problema crônico de falta de mão de obra no setor de cuidados. “A saída é pagar esses cuidadores familiares, que hoje não são remunerados, para viabilizar que os idosos possam permanecer em casa. Nos Estados Unidos, estamos atrás de outros países desenvolvidos. No Japão, há um investimento significativo para utilizar robôs para suprir essa mão de obra”. Sobre o bônus da longevidade, foi crítico: “um terço dos norte-americanos tem curso superior, esse bônus da longevidade não chegou para dois terços da população, mas o acesso digital à saúde já é um primeiro passo”. A socióloga Ilana Horwitz, que faz pós-doutorado no Centro de Longevidade de Stanford, frisou que os mais velhos não são um fardo, e sim um patrimônio: “conforme se envelhece, torna-se mais fácil aprender novas habilidades, graças ao repertório que temos”. Um ótimo exemplo foi a participação de Donald (Don) Sexton, professor emérito de Columbia aposentado depois de 50 anos de magistério. Embora não fizesse parte do painel, sua entrada no chat foi um fecho de ouro: “não tenho tempo de fazer tudo o que eu quero. Aos 79 anos, estou começando uma nova carreira, de stand-up. A velhice pode ser ótima”. Veja Mais

Histórias de reinvenção: Dani, consultora para estudantes na Flórida

Glogo - Ciência Depois de trabalhar com marketing e ser dona de uma marcenaria, ela agora ajuda brasileiros a ingressar nas melhores universidades americanas Na terça-feira, ao contar a história de Claudia Gazel, iniciei uma série de três colunas sobre mulheres que se reinventaram em outros países, deixando para trás as referências profissionais que tinham no Brasil. Hoje é a vez de Daniela Campos, de 52 anos, que há dez vive na Flórida. Depois de uma longa trajetória como executivo, o marido, Rubens, desejava dar uma guinada na carreira. Apesar da formação em administração, a polivalente Dani já havia trabalhado na área de marketing e em design de interiores, quando foi dona de uma marcenaria, e não teve dúvidas sobre as oportunidades que a mudança proporcionaria para o casal e seus três filhos – na época, com 15, 11 e 4 anos de idade. “Quando chegamos, Rafael, o mais velho, estava no Ensino Médio, o high school daqui. Como era um ótimo aluno e jogava tênis, todos diziam que seria fácil conseguir bolsa numa universidade. Só que descobri que o processo não é nada simples, porque é preciso ter registro de todas as atividades do adolescente, como torneios, prêmios, e por aí vai. Quando chegou a vez da Laura, a do meio, estava mais preparada e tinha começado a dar uma assessoria informal a outros brasileiros na mesma situação. Foi quando me dei conta de que isso poderia se transformar num negócio”, lembra. Daniela Campos: há dez anos na Flórida, ela criou a Impacto Acadêmico, consultoria para auxiliar estudantes brasileiros a ingressar nas boas universidades americanas Acervo pessoal Foi assim que nasceu a Impacto Acadêmico, uma consultoria educacional para atingir os melhores resultados possíveis no high school e no ingresso nas universidades. Daniela se associou à psicóloga Patricia Teixeira, especializada em orientação profissional (como agora são chamados os testes vocacionais), que detectara o alto grau de ansiedade dos jovens brasileiros diante de tantos desafios para conseguir uma vaga. Juntas, criaram uma metodologia exclusiva, em 2020, e hoje têm 70 clientes. “Embora as boas notas sejam importantes, é indispensável ter uma vida extracurricular rica, ou seja, fazer esportes e trabalho voluntário, participar de clubes acadêmicos. É uma cultura bem diferente da brasileira, mas boa parte dos pais não sabe disso. A maioria vem para cá em busca de segurança e de um futuro melhor para os filhos, que necessariamente passa pela educação, portanto é fundamental se adaptar”, ensina. Como são os estudantes que montam a grade de matérias, a consultoria os orienta a escolher disciplinas para alcançar uma boa média e a se engajar em experiências que enriqueçam o currículo. Eles ainda recebem indicações de tutores para aumentar a pontuação no SAT, o exame que equivale ao Enem, mas com uma grande diferença: pode ser realizado até oito vezes num ano, possibilitando atingir uma marca melhor. Também aprendem a redigir o “essay” para a universidade, que é o texto no qual o aluno se apresenta à instituição na qual deseja entrar. “O ideal é que a garotada receba as orientações a partir do primeiro ano da high school, para ter tempo de se preparar, mas atendemos até quem está perto de se formar. Os EUA têm cerca de 4 mil instituições ensino superior e 300 são de ótima qualidade, há muitas opções de excelência. No entanto, cada vez mais elas estão interessadas em como os jovens se informam, se distraem, ou socializam, com ênfase na curiosidade intelectual”, diz Daniela. Seus cartões de visita preferidos? Rafael, formado em 2019 em finanças pela prestigiosa University of Notre Dame; e Laura, que cursa comunicação na NYU (New York University). Veja Mais

Por que gostamos mais da vida à medida que envelhecemos

Glogo - Ciência Pesquisa indica que, com a idade, há uma maior liberação da ocitocina, o “hormônio do amor” A ocitocina é conhecida como o “hormônio do amor” porque está associada a comportamentos positivos e amorosos, que vão dos cuidados maternais, como amamentar, ao relacionamento prazeroso de casais. Nosso organismo se encarrega liberar ocitocina para azeitar interações sociais, como as que temos com filhos e parceiros, encarregando-se de reforçar nosso apego aos outros. Produzida pelo hipotálamo, forma, junto com a serotonina e a endorfina, um trio que aumenta a sensação de bem-estar e diminui o estresse – não é à toa que as três também são denominadas de neurotransmissores da felicidade. E por que a “aula” de biologia no começo da coluna? Porque estudo divulgado hoje indica que, conforme envelhecemos, produzimos mais ocitocina, o que pode explicar por que aprendemos a apreciar a vida à medida que os anos passam! Casal maduro: liberação da ocitocina se amplia com a idade e está associada à satisfação com a própria existência Alisadyson para Pixabay O trabalho, publicado na revista científica “Frontiers in Behavioral Neuroscience”, investe em duas frentes. Para começar, indivíduos cujos cérebros fornecem uma quantidade maior de ocitocina tendem a ser mais generosos e satisfeitos com suas próprias vidas. A reboque vem a descoberta que essa liberação aumenta com a idade, sugerindo que, de um modo geral, as pessoas intensificam sua empatia em relação aos demais ao envelhecer. Seu autor principal, Paul J. Zak, criou o Centro de Estudos Neuroeconômicos da Claremont Graduate University e é pioneiro na integração da neurociência com a economia, ao identificar os processos mentais que dão sustentação a comportamentos virtuosos, como confiança e generosidade. Zak se dedica ao tema há mais de 20 anos. Numa palestra TED realizada em 2011, chamou-a de “molécula da confiança”. Em sucessivos experimentos, dos quais inclusive participou como cobaia, confirmou que uma ampliação do seu nível no organismo elevava a generosidade dos indivíduos. “É a ocitocina que mantém nossas conexões sociais, que alimenta a moralidade”, ensina, fazendo uma ressalva: em cerca de 5% das pessoas, essa distribuição do hormônio não ocorre – e há fatores que desempenham um papel inibidor, como estresse, altas doses de testosterona e um histórico de abusos. Paul Zak: criador do Centro de Estudos Neuroeconômicos da Claremont Graduate University, é pioneiro na integração da neurociência com a economia Divulgação Dessa vez, os pesquisadores recrutaram cem indivíduos, entre 18 e 99 anos, e todos assistiram a um vídeo de um menino com câncer, que um estudo anterior confirmara como sendo um indutor da difusão de ocitocina pelo cérebro. Foram retiradas amostras de sangue dos participantes antes e depois da exibição. “As pessoas tinham a opção de fazer uma doação para uma instituição que trabalhasse com crianças com câncer, atitude que media seu comportamento de rápido engajamento social. Além disso, elas eram entrevistadas para nos fornecer informações sobre seu nível de satisfação com a vida. Aquelas que haviam liberado mais hormônio no experimento não apenas tinham uma maior inclinação para a caridade, como também estavam engajadas em outros comportamentos humanitários. Descobrimos ainda que a liberação aumentava com a idade e estava positivamente associada à satisfação com a própria existência”, afirmou Zak. Segundo ele, o achado é consistente com diversas tradições religiosas e correntes filosóficas: servir ao próximo leva o cérebro a nos abastecer com ocitocina e reforça a sensação de empatia e gratidão, num círculo virtuoso. Seu objetivo agora é replicar a pesquisa em grupos étnica e geograficamente diversos e utilizar dispositivos não invasivos que possam ser usados (wearables), permitindo um monitoramento de longa duração. Veja Mais

Como mergulhar em nós mesmos e alcançar o superpoder da consciência

Glogo - Ciência Evento discutiu o excesso de estímulos que vem nos tirando do eixo, seu impacto na saúde mental e o potencial da prática de mindfulness para restaurar o equilíbrio Tive o prazer de acompanhar a edição 2022 do Wisdom 2.0, num modelo híbrido com plateia e transmissão on-line, nos dias 7 e 8. Soren Gordhamer, seu criador, diz que o objetivo da iniciativa é aprender a viver com a tecnologia sem que ela nos engula: “precisa estar casada com o coração”, afirmou na abertura do evento, que contou com a música hipnótica de Laura Inserra. Utilizando instrumentos tradicionais, como flautas e tambores, a artista siciliana se define, sem falsa modéstia, como uma alquimista do som. Seu trabalho é tão impressionante que vale a pena conhecê-lo, clicando aqui. Jon Kabat-Zinn: “só estamos vivos no exato momento no qual nos encontramos” Divulgação E no que consiste o Wisdom 2.0? O encontro de dois dias mergulhou na reflexão sobre o excesso de estímulos que vem nos tirando do eixo, discutiu seu impacto em nossa saúde mental e explorou o potencial da prática de mindfulness para restaurar o equilíbrio. Ao assistir o vídeo que registra o atendimento de estudantes de uma escola do Recife, que foram socorridos durante uma crise coletiva de ansiedade, me veio a certeza de que estamos todos muito necessitados de ferramentas para superar as incertezas e angústias da contemporaneidade. A artista siciliana Laura Inserra durante apresentação no Wisdom 2.0 Reprodução Jon Kabat-Zinn, fundador da Clínica de Redução de Estresse e do Centro de Atenção Plena da faculdade de medicina da Universidade de Massachusetts, realizou a primeira prática: para os participantes, em San Francisco, e todos os que estavam sintonizados – inclusive eu, no Rio de Janeiro. Como pontuou, “temos que transcender a noção convencional de estar presente num cômodo, o ambiente é o planetário”. Desde a década de 1970, quando começou a estudar como a meditação poderia ajudar pacientes com dor crônica a sofrer menos, o médico se tornou a maior referência do mindfulness. Aludindo ao enorme sofrimento no mundo, ao mencionar das mudanças climáticas à invasão da Ucrânia, Kabat-Zinn enfatizou a importância de “mergulhar em nós mesmos em silêncio”, que caracteriza a atenção plena do mindfulness. “Só estamos vivos no exato momento no qual nos encontramos. Quando entramos num estado de silêncio, quietude e atenção, parece, para quem vê de fora, que não está acontecendo nada. No entanto, internamente estamos em contato com nosso verdadeiro superpoder: a consciência”, ensinou, acrescentando que ninguém deve se preocupar em esvaziar a mente, mas sim em deixar pensamentos e emoções fluírem sem julgamento. “Engana-se quem acha que vai ter uma experiência especial, extraordinária, durante o mindfulness. O que a prática nos leva a entender é que, momento após momento, todas as experiências são relevantes. Isso nos ajuda a conviver com as coisas e situações como elas são, com os desafios e dificuldades que existem, mudando a forma de nos relacionar com o que nos cerca”, finalizou. Russell Glass, CEO da Headspace Health: “40% das pessoas sofrem com ansiedade e depressão. Abaixo dos 25 anos, esse percentual chega a 48%” Stanford University Russell Glass, CEO do Headspace Health, resultado da fusão do Headspace, aplicativo voltado para a meditação diária, e do Ginger, que fornece terapia on-line, contou que sua própria trajetória é uma prova do poder do mindfulness: “tinha acabado de vender uma empresa, o que, em tese, indicava meu sucesso, mas me sentia ansioso, não conseguia dormir, nem me dedicar aos meus três filhos. Depois de começar a meditar dez minutos por dia, a mudança foi radical. Era quase como se me visse de fora, observando os gatilhos que, antes, me faziam sair do sério, entrar em conflito”. Glass afirmou que os dados mundiais sobre saúde mental são sombrios: “40% das pessoas sofrem com ansiedade e depressão. Na faixa entre 18 e 25 anos, são 48%. As pesquisas dizem que um em cada três filhos de um casal terá problemas, o que significa que, potencialmente, isso poderá acontecer na minha família”. Para encerrar, lembro que há diversos tutoriais de mindfulness na internet. Vale tentar. Veja Mais

CNPEM desenvolve técnica inovadora e menos invasiva para tratar câncer de próstata

Glogo - Ciência Tecnologia transforma estrutura viral para reconhecer e sinalizar células cancerígenas, e dar impulso para ataque das células de defesa. Estudo teve sucesso em testes com animais e foi publicado em revista americana. Pesquisador do CNPEM Márcio Chaim Bajgelman atuou no desenvolvimento de tecnologia para combate ao câncer de próstata Giancarlo Giannelli/CNPEM Pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) , em Campinas (SP), conseguiram modificar a estrutura de um vírus e implementar uma tecnologia aliada no combate ao câncer de próstata. O estudo aponta um caminho menos invasivo para que os tumores sejam identificados e sinalizados, e posteriormente atacados pelas células de defesa do corpo. A técnica é inovadora e foi publicada na revista científica americana Molecular Therapy Oncolytics. Resultados em ensaios feitos com modelos animais garantiram 90% de inibição das células cancerígenas. "A perspectiva é que consigamos transportar para humanos. Acredito que em cerca de 5 anos a gente chegue a um resultado igual ao que tivemos para animais", disse em entrevista ao g1 o pesquisador Márcio Chaim Bajgelman. A estratégia é usar as partículas semelhantes a vírus, conhecidas como VLP e popularizadas na divulgação de técnicas para o desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19. Na estratégia dos pesquisadores de Campinas, a "carcaça" de uma partícula com características de vírus recebe um envoltório "decorado" com proteínas que conseguem se ligar aos marcadores existentes nas células do câncer de próstata, o PSMA. "Desenvolvemos uma nanopartícula que a gente decorou com ligantes. Um dos ligantes vai direcionar a partícula para o sítio tumoral [local específico onde o câncer está]. Se a gente administrar essa partícula na corrente sanguínea, ela vai achar o sitio tumoral" afirmou Chaim. "O câncer de próstata pode ter metástase, e nesse caso a nossa partícula também conseguirá achar focos tumorais em outros locais", completou. Superestímulo às células de defesa Esse envoltório também conta com moléculas que estimulam o sistema imunológico, avisando que os tumores podem ser atacados e evitando que o câncer consiga "enganar" as células de defesa, como ocorre em alguns casos de doenças autoimunes. "As células de câncer vão apresentar na superfície os marcadores, pequenas 'bandeirinhas'. As células do sistema imunológico, como os linfócitos, vão encontrar essa que esta acenando. Todo mundo tem esse repertorio de milhões de linfócitos no organismo. O problema é que só esse reconhecimento não basta, precisa de um empurrão. A nanopartícula vai encontrar esse marcador e dar um segundo sinal para o linfócito ,que vai informar que ele precisa ser ativado agora" "[No futuro] conseguiremos produzir isso num volume bem grande, executar o mecanismo com processo de purificação, formulação, e teria no final um medicamento". Imagens do estudo sobre as nanopartículas contra câncer de próstata mostram aderência de proteínas nas VLPs na superfície da célula Reprodução/CNPEM Menos efeitos colaterais A terapia com esses biomarcadores inovadores também traz uma esperança quanto à redução dos efeitos colaterais nas pessoas que passam pelo tratamento. "Hoje, a pessoa que faz uso de quimioterapia tem muitas reações adversas, cai cabelo, problemas na mucosa gástrica. Tem um problema para o paciente. Quanto mais aumenta a químio, mais desgasta o paciente. Existe um balanço entre matar a célula de câncer e não matar o paciente com o quimioterápico". Com o organismo mais saudável para passar pelo câncer, as chances de cura também se elevam, segundo Chaim. O uso das nanopartículas biológicas pode ser combinado, no futuro, com terapias já existentes, como quimio, radio e imunoterapias. "O câncer voltar é porque tem células que escapam da terapia e do sistema imunológico, e formam um tumor de novo. Quando você tem à disposição outras estratégias, como a imunoterapia, em combinação com outras estratégias, consegue aumentar a eficiência do tratamento". Como foram os testes até aqui Trabalhos começaram em 2012, com o desenvolvimento do conceito, e em 2015 começaram os ensaios clínicos. Os protocolos foram submetidos e aprovados por uma comissão de ética. Linfócitos isolados de camundongos foram usados para receberem células tumorais de câncer de próstata humano, com PSMA. Marcadores foram colocados nas células tumorais para verificar se serão eliminadas. Construíram as nanopartículas com imunomoduladores combinados, com uma potência maior parta eliminar o câncer. Aplicaram a estratégia para as células de defesa, os linfócitos T, não se transformarem em células regulatórias, que poderiam originar uma resposta autoimune. Conseguiram deixar a célula de defesa mais potente, mas eficiente e agressiva, para eliminar o câncer. Nos animais, os tumores cresceram e foram tratados com a tecnologia das nanopartículas desenvolvidas pelo CNPEM. Houve uma inibição de 90%. O estudo com os resultados foi publicado na revista científica americana em 24 de março. Pesquisador do CNPEM, em Campinas, Márcio Chaim Bajgelman Giancarlo Giannelli/CNPEM Próximos 5 anos O estudo, financiado com verba da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), teve bons resultados in vitro e também em camundongos. O CNPEM é uma organização supervisionada pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e a tecnologia inovadora desenvolvida é nacional. O próximo passo é criar uma realidade mais parecida com a dos humanos, mas ainda em animais, para acompanhar os resultados dentro dos próximos cinco anos. Os testes serão feitos em cultura de células humanas e também serão usados modelos animais humanizados, segundo o pesquisador. "As nossas partículas vão ter que ter ligantes para estimular linfócitos humanos, que têm receptores diferentes. Temos que ter ligantes humanos. A primeira prova de conceito é na placa de cultura. A segunda prova é verificar no animal se elimina tumores humanos. Geramos esses animais em laboratório", explicou Márcio Chaim, ao detalhar que esse é o processo habitual para o desenvolvimento de medicamentos. "Imagino que em 5 anos a gente já tenha partículas humanizadas funcionando no modelo humanizado e testes clínicos realizados", completou. VÍDEOS: veja outros destaques da região Veja mais notícias da região no g1 Campinas Veja Mais

Entidades internacionais se unem contra a obesidade e o diabetes

Glogo - Ciência Muitas culturas ainda relacionam o sobrepeso à prosperidade quando, na verdade, trata-se de um fator de risco para inúmeras doenças Na semana passada, assisti ao seminário "Obesity and type 2 diabetes: a joint approach to halt the rise" (em tradução livre, “Obesidade e o diabetes tipo 2: uma abordagem conjunta para deter seu crescimento”). Trata-se da união de forças de duas entidades: a International Diabetes Federation e a World Obesity Federation, que pretendem trabalhar com a Organização Mundial de Saúde, governos, acadêmicos e representantes de pacientes com o objetivo de adotar políticas que possam ser implementadas em escala global. Os números mais recentes, de 2021, dão a dimensão do desafio: aproximadamente 537 milhões de adultos, entre 20 e 79 anos, são portadores de diabetes, contingente que chegará a 643 milhões em 2030 – e há pelo menos 1.2 milhão de crianças e adolescentes diagnosticadas com diabetes tipo 1. Três em cada quatro vivem em países de renda média ou baixa e a doença causou 6.7 milhões de mortes e gastos de 966 bilhões de dólares. Obesidade: fator de risco para o diabetes tipo 2, que causou 6.7 milhões de mortes e gastos de 966 bilhões de dólares em 2021 Cocoparisienne para Pixabay O encontro, virtual, reuniu especialistas e participantes de diversos países e ficou claro que a desinformação continua sendo um sério risco à saúde, principalmente porque muitas culturas ainda relacionam o sobrepeso à prosperidade quando, na verdade, é um fator de risco para inúmeras enfermidades, inclusive o diabetes. Aliás, no Sudeste asiático, a doença é vista como uma decorrência natural, quase inevitável, da senioridade. Wannee Nitiyanant, professora emérita do Royal College of Physicians of Thailand, comentou: “na Tailândia, a riqueza é associada à quantidade de gordura na barriga. Se as crianças são magras, os pais acham que vão ser acusados de não alimentá-las adequadamente”. No chat do evento, participantes do mundo todo compartilhavam informações semelhantes. Na Nigéria, boa parte da população não acredita que alimentos com açúcar tenham relação com a obesidade e acha que os alertas para evitar seu consumo não passam de uma ação para lhes negar acesso a um estilo de vida ocidental. Atividades como caminhar em trilhas são vistas como sinal de pobreza! Em Gana, a obesidade também é sinal de riqueza e mulheres acima do peso representam o padrão de beleza. Mike Lean, professor da Universidade de Glasgow, onde criou o Departamento de Nutrição Humana, afirmou que precisamos de um esforço planetário para estimular a atividade física e frear o ganho de peso: “quando eu era criança, ninguém comia entre as refeições. Éramos até punidos se fizéssemos isso, mas hoje os lanchinhos são a norma. A alimentação deve ter mais nutrientes e menos calorias. O ideal seria voltar aos padrões tradicionais (por aqui, o bom prato de arroz, feijão, salada e alguma proteína), deixando de lado os ultraprocessados que a indústria nos empurra. Temos que conscientizar as novas gerações que o diabetes encurta vidas. Os jovens fumam menos graças às campanhas mostrando que o cigarro provoca câncer. Eles têm que ser alertados sobre o marketing dos alimentos industrializados”. Michael Lean, professor da Universidade de Glasgow YouTube Veja Mais

Uso excessivo de antibióticos na meia-idade pode levar ao declínio cognitivo das mulheres

Glogo - Ciência Pesquisa explora a hipótese de alterações na microbiota estarem associadas ao quadro desfavorável Começo avisando que a coluna não tem nada contra os antibióticos, medicamentos indispensáveis para combater infecções. No entanto, escrevi, em diversas ocasiões, sobre o perigo de consumir remédios sem necessidade – e trabalho publicado em 2019 na revista científica BMJ já mostrava que quase 25% das receitas para antibióticos, prescritas nos Estados Unidos, se enquadravam nessa categoria. Isso posto, vamos à pesquisa divulgada semana passada na também prestigiosa revista PLOS One: num estudo envolvendo 14.542 mulheres nos EUA, aquelas que utilizavam uma quantidade significativa de antibióticos na meia-idade tinham maior probabilidade de enfrentar declínio cognitivo. O grupo analisado integra o Nurses´Health Study, que conta com mais de 100 mil participantes. Risco: o uso excessivo de antibióticos na meia-idade está associado ao declínio cognitivo Volodymyr Hryshchenko, Unsplash, CC0 O uso dos antibióticos foi dividido em quatro conjuntos: utilização zero; de um a 14 dias; de 15 dias a 2 meses; mais de 2 meses. Os motivos mais comuns para a prescrição eram infecções respiratórias, de trato urinário e problemas dentários. A avaliação incluiu uma bateria de testes neuropsicológicos que aferiam quesitos como atenção, aprendizado, memória, rapidez psicomotora e cognição global. Os pesquisadores encontraram uma relação entre o aumento de exposição a antibióticos e menor pontuação em três domínios cognitivos. Para os estudiosos, além de apontar as complicações causadas pelo excesso de medicamentos, o achado é capaz de provocar um avanço na formulação de hipóteses sobre o papel da microbiota na cognição, já que os remédios afetam o equilíbrio desse ecossistema. A microbiota é a complexa associação de trilhões de bactérias, fungos, vírus e archae (seres unicelulares semelhantes às bactérias) em nossos intestinos. Quando ocorre um desequilíbrio, ou disbiose, há alterações da composição bacteriana que dão origem a um quadro de inflamação subclínica crônica, aumentando o risco para o desenvolvimento de uma série de doenças. A possível relação entre uma transformação profunda da microbiota e o declínio cognitivo pode levar à adoção de práticas para minimizar o impacto causado por antibióticos, através da prescrição de probióticos e de uma dieta mais adequada. Como os atuais 50 milhões de pessoas com demência saltarão para 150 milhões nas próximas décadas, é imperioso mapear todos os fatores de risco para tentar controlá-los. Veja Mais

Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto faz pesquisa inédita no Brasil para identificar riscos de paciente ter câncer

Glogo - Ciência Objetivo do estudo é avaliar amostras de sangue de cerca de 15 mil voluntários para entender quais são os fatores genéticos relacionados à maior chance de desenvolver a doença. Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, SP, inicia estudo inédito sobre câncer Naiana Kennedy/CBN Ribeirão O Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) anunciou em coletiva nesta sexta-feira (25) que deu início a uma pesquisa inédita no Brasil sobre câncer. O grupo de mais de 50 pesquisadores visa identificar quais são os fatores genéticos relacionados ao maior risco de desenvolver a doença. O objetivo é recrutar cerca de 15 mil voluntários na região. Eles terão amostras de sangue analisadas para entender como a genética interfere no surgimento do câncer. A expectativa é que com o resultado, estratégias de prevenção individualizadas sejam elaboradas em pessoas com maior risco. Ao mesmo tempo, sejam evitados exames desnecessários em pessoas com pouca chance de desenvolver câncer, economizando recursos públicos e privados da saúde e mudando o foco para talvez outras doenças que o paciente tenha mais risco. “A gente não quer dar menos do que a pessoa precisa, nem mais. Então em uma mulher com baixo risco de câncer, por exemplo, eu posso pensar em não fazer mais mamografias anuais, serem mais espaçadas e, aí, se ela tiver algo mais importante, como um problema cardiovascular, ele pode ser priorizado”, explicou o chefe de oncologia do HC e pesquisador do estudo, Leandro Colli. De acordo com Colli, em dados estimados de estudos similares na Inglaterra, o rastreamento da probabilidade do desenvolvimento reduz em 3% a mortalidade por câncer. Também há uma redução em 10% do custo da prevenção. Cerca de 15 mil voluntários serão recrutados para estudo no HC de Ribeirão Preto, SP Reprodução/EPTV Estudo O projeto foi aprovado pelo Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon) em 2020, passou por uma bateria de avaliações externas e internas do Ministério da Saúde e, posteriormente, captou recursos com mais de 200 empresas do país. Ao todo, são R$ 8,4 milhões investidos no estudo que deve durar três anos. A expectativa é que até o final de 2024 os resultados sejam publicados em periódicos científicos para que, a partir daí, possam ser elaboradas políticas públicas de saúde. Participam da pesquisa a Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, o Hospital das Clínicas, a Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Assistência do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão (Faepa), a Secretaria Municipal de Saúde e o Ministério da Saúde. “Esse tema tem sido alvo de grandes estudos mundiais, mas o Brasil não tem pesquisas desse tipo. E quando a gente pega o que foi desenvolvido nos EUA, e aplica na população europeia, funciona 100%. Quando a gente passa para outras populações, como latino-americanas, esse índice cai, porque nossa variação genética é diferente, a gente precisa ter resultados específicos”, diz Colli. De acordo com o pesquisador, o município de Ribeirão Preto foi escolhido como sede da pesquisa devido a sua diversidade populacional que, segundo estudos, faz com que seja um recorte de representação entre 40% a 60% de toda a população brasileira. Como funciona? Na prática, 21 equipes de Saúde da Família do distrito Oeste de Ribeirão Preto serão responsáveis por recrutar os 15 mil voluntários. Para isso, quando os pacientes forem para a unidade fazer algum atendimento cotidiano, o cadastro será oferecido. Caso aceitem, a parte ética será apresentada, com a assinatura do termo do consentimento e esclarecimento de todas as dúvidas. Após o acordo, esses pacientes serão aprovados e, na próxima vez que forem coletar sangue de exames de rotina, um tubo a mais será retirado uma única vez. Voluntários que aceitarem participar de estudo do HC de Ribeirão Preto, SP, precisam assinar termo de consentimento Reprodução/EPTV Essa amostra será encaminhada para o laboratório e lá, por meio de automatização, serão feitos os estudos. De acordo com o oncologista Colli, a ideia de utilizar robôs é para evitar erros humanos e acelerar a divulgação dos resultados e a elaboração das estratégias de prevenção. Uma das voluntárias participantes do estudo é a Maria Lúcia. Ela se interessou pela pesquisa por conta da irmã que teve câncer de mama e descobriu somente quando já estava avançado, precisando passar por cirurgia. “Eu achei muito interessante a gente poder saber antes de ter um câncer. Eu tenho uma irmã que tem câncer de mama e eu sei o tanto que ela sofreu com tudo isso. Eu tenho medo, mas eu prefiro prevenir para não acontecer o que aconteceu com ela, porque é uma doença que judia bastante. Estou muito feliz de estar participando da pesquisa”, contou. Mais de 800 mil variações genéticas serão analisadas em estudo do HC de Ribeirão Preto, SP Reprodução/EPTV Ciência por trás do projeto Além da amostra de sangue, outra parte fundamental do estudo é a disponibilização dos prontuários médicos dos pacientes. Essas informações serão armazenadas anonimamente em dois bancos de dados para os cientistas estudarem sobre a probabilidade de aparecer a doença ou não. “A gente sabe que tem algumas coisas que nascem com a gente no nosso DNA que aumentam a probabilidade de a gente desenvolver a doença. Então estamos tentando identificar quem que teria um maior risco genético”, explica a médica e pesquisadora do estudo Marina Cormedi. Segundo o oncologista Leandro Colli, 99,99% do DNA é igual para todas pessoas. Contudo, os 0,01% restantes dão as diferenças entre cada indivíduo. Essa parcela que diferencia as pessoas são as variações genéticas. Contudo, há variações que são comuns entre a população, que é onde o estudo irá atuar. Ao todo, serão analisadas 800 mil variações genéticas dentro de cada uma das 15 mil amostras. A partir desses resultados, os cientistas irão comparar os fatores genéticos de pessoas que tem câncer com aquelas que não tem. O médico ainda comenta que essas variações isoladas não explicam por si só a probabilidade de desenvolver câncer, mas a soma desses fatores pode apontar um risco. Essa soma de fatores é chamada de score poligênico, ou seja, uma classificação de risco para determinado câncer. “O score é o agregado dos fatores genéticos que podem levar ao câncer. É uma fórmula matemática. Uma vez que a gente criou o banco de dados e chegou nessas classificações, a gente vai usar isso com novos pacientes, não só com os do estudo. Os cientistas vão poder acessar esses scores poligênicos e dizer se a pessoa tem chance de desenvolver câncer”, explicou Colli. Pesquisadores de estudo do HC de Ribeirão Preto, SP, tem o objetivo de descobrir fatores genéticos que fatores genéticos que influenciam o risco das pessoas em desenvolver câncer Reprodução/EPTV Acesso aberto Segundo Colli, os scores ficarão disponíveis em acesso aberto, assim como todos os outros que existem atualmente no mundo, para demais cientistas e formuladores de políticas públicas de saúde poderem utilizar. “Uma vez encontrado esses scores, eles vão ser aplicáveis para boa parte do Brasil, então as prefeituras e os serviços de saúde precisam conhecer e saber que estamos fazendo um trabalho que será útil para eles”, disse o oncologista. A exemplo, os cientistas poderão baixar o respectivo resultado do câncer de mama e aplicar em uma amostra. “Então a pessoa pode, uma vez que tenha equipamentos de genotipagem e extração, aplicar o mesmo score poligênico que a gente criou”, finalizou Colli. Ainda segundo o pesquisador, como os dados dos prontuários englobam mais de 20 anos de informações de saúde dos pacientes, com registros de infarto, diabetes e AVC, os dados poderão ser utilizados em outras análises das variações genéticas. Para isso, os pesquisadores desejam prosseguir com a pesquisa e aumentar a amostra para 60 mil pessoas e, posteriormente, 500 mil. Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região Veja Mais

Todos ganham investindo nos mais velhos e no mercado sênior

Glogo - Ciência Iniciativas de inclusão digital e empresas focadas na longevidade representam um grande filão. O futuro não pode abrir mão da experiência e das habilidades dos mais velhos. Eles não só constituem um capital intelectual que não deve ser descartado, como também representam uma fatia expressiva de consumidores. A importância do grupo sênior é tão grande que é possível mapear uma série de movimentos cujo objetivo é oferecer recursos para a população madura ter um leque de ferramentas para se integrar à sociedade. A associação dos aposentados norte-americanos (AARP), por exemplo, recebeu 10 milhões de dólares do Google para investir no treinamento digital de 25 mil pessoas 50 mais de baixa renda, com foco em mulheres e indivíduos que não sejam brancos. O objetivo é aumentar as chances de segurança financeira e conexões sociais desse contingente, o mais atingido por dificuldades durante a pandemia. O programa vai se estender por dois anos, em oito estados dos EUA, ensinando ferramentas para os aspirantes a empreendedores. Iniciativas de inclusão digital e empresas focadas na longevidade representam um grande filão Stevepb para Pixabay Criada pela bilionária Melinda French Gates, o programa Techstars Future of Longevity Accelerator é uma incubadora que investe em empresas voltadas para necessidades não atendidas de idosos e das pessoas responsáveis por eles. As áreas de atuação englobam, entre outras, viver com independência em casa durante a velhice; apoio aos cuidadores; bem-estar financeiro; e engajamento social. Esse é um mercado estimado em 390 bilhões de dólares que clama por inovação, já que os EUA têm 55 milhões de habitantes acima dos 65 anos e a previsão é de que, em 2031, o número tenha saltado para 74 milhões. O mais interessante da iniciativa é que 50% das startups beneficiadas são comandadas por mulheres 50 mais, mão de obra que também foi duramente atingida durante a pandemia. O programa alavancou companhias como a Kimuni, que funciona como uma espécie de concièrge que agenda consultas ou outros compromissos, cuida das tarefas domésticas, faz a intermediação entre fornecedores de produtos e serviços; a Bright, que produz um aparelho que emite pulsos de luz numa frequência de 40Hz para melhorar a acuidade mental; a BetterColiving, que procura locatários para idosos que queiram alugar um quarto e ter uma renda extra; ou ainda a MyFitPod, que oferece aulas ao vivo e centenas de vídeos de exercícios que podem ser feitos a qualquer hora. No Brasil o ritmo é outro. O blog noticiou, em 2020, que seis negócios sociais voltados para a longevidade haviam sido selecionados para um programa de aceleração da Neo Acelera, pertencente à farmacêutica Neo Química. Em 2021, a Vitasay encabeçou ação semelhante. Levantamento realizado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) apontava que, no terceiro trimestre de 2020, havia 1.8 milhão de indivíduos acima dos 65 anos que eram donos de negócios. São os empreendedores que mais empregam no país mas, sem ações estruturadas, continuaremos a alimentar o preconceito contra a velhice e a cavar o fosso da desigualdade digital no Brasil. Para fechar com uma boa notícia: a Unidade de Inclusão Digital de Idosos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul está oferecendo um curso on-line grátis de empoderamento digital feminino na velhice. Ele acontece de 31 de março a 30 de junho e terá encontros semanais pelo Google Meet, sempre às quintas-feiras, das 10h às 11h. Para realizar o cadastro é preciso preencher o formulário neste link. Veja Mais

Estudo mostra crescimento do número de casos de osteoartrite no mundo

Glogo - Ciência Envelhecimento da população e epidemia mundial de obesidade são os fatores que mais pesaram para a expansão da doença entre 1990 e 2019 A osteoartrite é uma doença das articulações caracterizada por degeneração das cartilagens com inflamação. Quem tem, sabe o tamanho da dor que suporta – e sua evolução pode levar ao comprometimento de funções básicas, como o simples ato de caminhar. O envelhecimento da população mundial vem dando um novo status à enfermidade, que está se transformando numa grande preocupação de saúde pública, como aponta análise publicada no começo do mês na revista “Arthritis & Rheumatology”, do Colégio Americano de Reumatologia, com base em dados que cobrem o período entre 1990 e 2019. Envelhecimento da população e epidemia mundial de obesidade são os fatores que mais pesaram para a expansão dos casos de osteoartrite Gundula Vogel para Pixabay O levantamento se baseou nas informações coletadas pelo consórcio conhecido como Global Burden Disease (Carga Global de Morbidade), que reúne 7 mil pesquisadores de mais de 150 países. Seu trabalho tem como objetivo dimensionar o impacto de mortalidade e incapacitação provocado por cerca de 350 doenças e lesões. Há algo em torno de 12 milhões de brasileiros com osteoartrite, o equivalente a 6,3% da população adulta, e a prevalência entre idosos é enorme: depois dos 65 anos, 85% apresentam evidência radiológica da enfermidade. Em termos globais, o número de casos de osteoartrite aumentou 113.25% no período estudado: saltou de 247.5 milhões, em 1990, para quase 528 milhões em 2019. A doença afeta mais as mulheres que os homens, mas há diferenças geográficas: países com maior índice de desenvolvimento exibem uma incidência mais alta, o que pode estar relacionado a diagnósticos precisos e precoces. A osteoartrite do joelho é o problema que mais pesa no índice do Global Burden of Diseases, embora, percentualmente, a osteoartrite de quadril seja a que mais vem crescendo. “O impacto da doença é enorme, causado pelo envelhecimento da população global e pela epidemia de obesidade, que é um fenômeno mundial”, afirmou o médico Jianhao Lin, professor da Universidade de Pequim e um dos autores do estudo. “Precisamos investir na prevenção de fatores de risco, como o ganho de peso dos indivíduos e as lesões nos joelhos, que estão associadas a atividades pesadas de repetição, como levantar peso”, acrescentou, enfatizando a importância dos exercícios de fisioterapia para retardar as perdas funcionais. Veja Mais

Cirurgias para corrigir incontinência urinária em baixa

Glogo - Ciência Levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia mostra que pandemia reduziu em mais de 60% o número de intervenções em 2021 De acordo com dados obtidos com exclusividade pela Sociedade Brasileira de Urologia em consulta ao Ministério da Saúde, houve uma redução média de 61% no número de internações para tratamento cirúrgico de incontinência urinária em 2021. Em 2019, antes da pandemia, o total de internações foi de 6.735; ano passado, esse número caiu para 2.631. A Região Norte foi a mais impactada, com uma queda de 72% nos procedimentos, seguida pelas regiões Sul (69%), Centro-Oeste (61%), Sudeste (59%) e Nordeste (51%). Os estados com menor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) são os que apresentam menor número de cirurgias por milhão de habitantes. No entanto, mesmo nos estados com maior IDH, o número de operações corrigido pelo tamanho da população é bem inferior ao de países com bom desenvolvimento econômico. Incontinência urinária: o distúrbio atinge 45% das mulheres e 15% dos homens acima dos 40 anos Bzndenis para Pixabay O distúrbio atinge 45% das mulheres e 15% dos homens acima dos 40 anos e tem forte impacto na qualidade de vida das pessoas, que até se afastam do convívio social para evitar constrangimentos. O pior é que, apesar de haver diversos tipos de tratamento, boa parte das mulheres – o grupo mais afetado pela disfunção – acredita que a condição faz parte do processo de envelhecimento e nem sequer relata o desconforto. De acordo com pesquisa realizada pela Universidade de Michigan, quase metade das mulheres acima dos 50 sofre com o problema, mas dois terços não falam sobre isso com seu médico. Por isso, 14 de março foi transformado no dia de conscientização do problema. A médica Karin Jaeger Anzolch, diretora de comunicação da Sociedade Brasileira de Urologia, lamentou que tantas pessoas convivam com a incontinência urinária por anos por desconhecer que existem opções terapêuticas e também pelo medo de serem estigmatizadas: “muitas se isolam e não abordam o assunto com seus parceiros, amigos e médicos. Alguns tratamentos são bem simples, através de fisioterapia e medicamentos, além do controle de volume e horário de ingestão de líquidos”. Ela acrescentou que, nos últimos anos, a entidade vem se mobilizando para se aproximar dos estudantes de medicina com o objetivo de proporcionar aos acadêmicos mais informações sobre a especialidade: “é preciso que os jovens médicos saibam perguntar, acolher e orientar os pacientes”. Há vários tipos de incontinência urinária e a mais comum é a por esforço, que ocorre durante um acesso de tosse, de risadas, ou quando se carrega peso. É causada pela incapacidade do esfíncter de manter a uretra fechada durante o aumento da pressão abdominal. Já na chamada incontinência urinária de urgência ou bexiga hiperativa, surge uma vontade repentina e incontrolável de urinar durante o dia e à noite – e sua intensidade pode comprometer a qualidade do sono. Além da idade, entre os fatores de risco estão partos difíceis, diabetes, obesidade, doenças neurológicas e cirurgias de próstata. Além da fisioterapia e de medicamentos, o tratamento pode incluir a aplicação de toxina botulínica – o popular botox, que relaxa a musculatura – e cirurgia para implantação de sling, considerado o padrão ouro para as mulheres com incontinência por esforço. Este é um procedimento minimamente invasivo que consiste na introdução de uma fita de polipropileno, ou de tecido do próprio corpo da paciente, por via vaginal, que é posicionada abaixo da uretra, para aumentar a resistência e reduzir a perda de urina. Para os homens, a opção mais indicada é o esfíncter artificial. Veja Mais

Após morte de enfermeira, Anvisa lista 140 cápsulas emagrecedoras proibidas, mas produtos seguem à venda pela internet

Glogo - Ciência Lista da Anvisa foi divulgada após enfermeira morrer em São Paulo com hepatite fulminante associada ao uso de chá em cápsulas. Marido da cantora Paulinha Abelha, que morreu no dia 23, revelou que esposa também fazia uso de remédios para emagrecer. Produtos para emagrecer banidos pela Anvisa Fernanda Garrafiel/g1 Após a morte da enfermeira Mara Abreu no último dia 3, causada por uma hepatite fulminante ligada ao uso de cápsulas emagrecedoras, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou uma lista com mais de 140 produtos similares que estão suspensos no país (leia a lista completa abaixo). Desde então, o uso desses produtos foi relacionado ao caso de uma mulher no Ceará que sobreviveu a um transplante de fígado, e pode estar ligado ainda à morte da cantora Paulinha Abelha, que também fazia uso de remédios para emagrecer, segundo o marido revelou em entrevista ao Fantástico no último domingo. Apesar de proibidas, muitas das cápsulas e chás emagrecedores listados pela Anvisa continuam à venda livremente pela internet. O g1 comprou três produtos da lista sem qualquer aviso ou impedimento. Para a médica Maria Edna de Melo, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia - Regional São Paulo (Sbem-SP), a venda indiscriminada dos produtos proibidos demonstra que a fiscalização de fitoterápicos no Brasil precisa ser intensificada. Em nota, a Anvisa disse que qualquer produto que faça alegações terapêuticas deve estar autorizado pela agência como medicamento. “Por lei, os medicamentos só podem ser comercializados por farmácias e drogarias, independentemente da categoria (sintético, biológico, fitoterápico, homeopático, dinamizado, entre outros)”, disse. A agência destacou ainda que realiza fiscalizações periódicas, junto com autoridades sanitárias locais, e que, desde 2020, foram publicadas mais de 60 medidas preventivas ou cautelares de produtos similares. Morte de mulher por hepatite fulminante traz alerta Venda indiscriminada Apesar de banidos, diversos produtos da lista ainda podem ser encontrados em sites agregadores, como Mercado Livre e Shopee. Questionada sobre a presença dos itens em lojas virtuais, a Anvisa explicou que as ações de fiscalização sanitária podem ocorrer por conta de programas de monitoramento, durante a realização de atividades programadas, ou como resultado de avaliação de denúncias e queixas técnicas. A fiscalização de produtos sob vigilância sanitária não é realizada apenas pela agência. No caso de vendas em lojas físicas, o acompanhamento cabe às vigilâncias municipais. Já no caso de lojas online, a Anvisa atua como coordenadora do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), que é composto pelos órgãos de vigilância sanitária dos estados, dos municípios e do Distrito Federal. Para coibir as vendas virtuais, a Anvisa anunciou, em novembro do ano passado, um projeto-piloto que está monitorando produtos vendidos irregularmente em plataformas de e-commerce. O projeto, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), ainda está em fase inicial, e ainda não foram divulgados seus resultados. Em nota, o Mercado Livre declarou que “é proibida a venda de produtos em desacordo com a legislação em vigor” e que, “assim que identificados, tais anúncios são excluídos e o vendedor notificado”. A assessoria de imprensa da Shopee, também em nota, disse que cumpre "as regulamentações locais em todos os mercados onde operamos", exige que "vendedores cumpram tanto as regulamentações locais" quanto políticas do site e que o marketplace "também incorpora várias medidas para identificar violações de listagens que estão sujeitas à remoção imediata" (veja as notas completas no final deste texto). Riscos à saúde Vendidos como naturais, esses produtos listam ervas como chá verde e cavalinha, cujos riscos aos fígado, quando usadas em altas dosagens, já foram comprovadas cientificamente, segundo médicos ouvidos pelo g1. Há toxicidade documentada ainda para ingredientes como melissa, sene, centelha asiática, espirulina e garcínea, que também são encontrados em diversos dos remédios banidos. Substância tóxicas, como chás emagrecedores, podem causar colapso do fígado e até morte Para o médico Aécio Flavio Meireles Souza, diretor na Sociedade Brasileira de Hepatologia, o risco é maior quando diferentes ingredientes são combinados. Ele cita o caso do remédio 50 Ervas Emagrecedor, que era usado pela enfermeira paulistana que morreu no início de fevereiro. "O produto que essa enfermeira usou tem pelo menos 16 substâncias que são potencialmente hepatotóxicas. Tem, por exemplo, a centelha asiática, que é muito utilizada e é uma das piores fórmulas que existe. Tem ainda valeriana, que é um tranquilizante, e que também pode ser prejudicial", explica Souza. Frasco do chá em cápsula "50 Ervas Emagrecedor" encontrado pelos familiares de Mara Abreu Arquivo pessoal "Não da pra saber o que tem ali, porque a composição é em lista, mas não tem o percentual de cada ingrediente", afirma Maria Edna de Melo, endocrinologista da Sbem-SP. "Quanto mais ervas misturadas, mais perigoso. Se você tem uma erva que pode agredir o fígado e você associa a outra, você vai ter o risco associado, amplificado", explica Melo. A médica afirma que, além dos riscos ao fígado nenhum desses produtos têm eficácia comprovada para promover o emagrecimento. "O tratamento da obesidade é estigmatizado, então há esse preconceito com medicamentos aprovados que induz as pessoas a buscar coisas ditas naturais que são apenas uma aventura com promessas milagrosas", diz a endocrinologista. "Não tem justificativa para esse uso. Ou vai ter um risco, ou não vai servir pra nada e vai ser dinheiro jogado fora", completa. Veja a lista completa de produtos proibidos pela Anvisa: 50 Ervas Emagrecedor 50 Ervas Emagrecedor Forte - Natuviva Academia Sense Shot Afina Chá Always Fitness Gold American Fit Bio Slim Biofitslim Bionatti Emagry Bioslim Black Caps Black Extreme Tradicional Nivel 3 Black Extreme Ultra Black Slim Blueelife Cápsula Seca Barriga Com Goji Berry Cápsulas Para Emagrecer O Corpo – Shou Shen Jiao Nang (Vermelho) Cápsulas Para Regular Os Intestinos – Tong Bian Jiao Nang (Verde) Castanha Da Índia Caveirinha Pink Celulite Sense Off Chá 37 Ervas - Denature Chá Barriga Dos Sonhos - Vida Fiber Chá Da Vida Chá Da Vida Diabete Chá Da Vida Diabete - Pró-Ervas Chá Para Emagrecer O Corpo – Shou Shen Chá (Vermelho) Chamomille Emagrecedor Chamomille Extra Forte Composto Emagrecedor Formula 1 Composto Emagrecedor Formula 2 Composto Emagrecedor Formula 3 Composto Emagrecedor Liwaib Composto Seca Barriga Derrete Gordura Liwalib Detox Slim Nature Diet Slim (Extrato De Ervas) Diet+Stronger Drenagem Linfática Em Cápsulas Duromax Elixir Da Vida Emagfit Emagil Fit Emagrecedor Always Fitness Gold Emagrecedor Chamomila Emagrecedor Da Bel Emagrezan 90 Comp 600 Mg Energy Power Enzymax Esbelt Premium Excelência Fitness - Extrato De Ervas Fat Red Burner Finas Gold Fine Nature Finy Sbelt Fit Body Caps Fit Max Black Diamond Fit Max Detox Fit Max Red Gold Fit Max Slim Gummy Sense Redux Power Gym Power Fit Inibidor De Apetite Innovate Ki Fina Corpus Kit Acelerador Extra Forte Kit Emagrecimento (Melhor Dia E Melhor Noite) Melhor Life Kit Limpeza Hepática (Malic Pro + Sal Amargo) Dr Limão Ladyfit Emagracedor Lida Daidaihua Lipo Da Dona Lipo Fit Lipo Fite Pro-Max Lipodiet Blue Emagry Lipodiet Nivel 4 Lipodiet Rosa Emagry Lipoextreme Original Lipofit Pro-One Lipofite Pro Liposculp Sense Lipotril Lipotron Max Master Fit Max Xtreme Meg Ervas Melhor Lithothamnium Melhor Life Moder Diet Moder Diet Gold Mzt Natu Diet Natudrin Natuplus X Natural Dieta New Green New Lip New Redux Dr Limão Original Ervas Phytoplus X Pink Black Pink Black Extrato De Ervas Potencialize Liwalib Powerfite Pratic Line Redutize Redutrol Relax Caps Renova Fit Power Saracura Cará Insulina Seca Barriga 120 Comp 600 Mg Seca Barriga Maxx Seca Tudo Turbo Sense Inibidor Sense Redux Abdômen Sibutina Sibutramin Slim Black Slim Blue Loss Slim Exclusivo Thermo Blend Slim Gold Slim Nature Slim Nature Detox Slim Premium Slim Red Turbo Slim Result Stronger Diet Stronger Diet + Sucureu Super Chá Sb Superchá Sb Original Textotril The Best Slim Todos Os Produtos Da Linha Diet + Todos Os Produtos Listados No Website Www.Emagilfit.Com.Br Unha De Gato Com Uxi Amarelo Uplife Valeriana Vida Ervas Mulher Regulador Menstrual - Vida Ervas Vivendo E Emagrecendo World Slim Xtreme Slim Veja as notas completas das empresas citadas Nota do Mercado Livre: O Mercado Livre esclarece que, conforme preveem os seus Termos de Condições e Uso, é proibida a venda de produtos em desacordo com a legislação em vigor. Diante disso, assim que identificados, tais anúncios são excluídos e o vendedor notificado. A empresa informa que trabalha de forma incansável para combater o mau uso da sua plataforma, a partir da adoção de tecnologia e de equipes que também realizam buscas manuais. Além disso, a plataforma atua rapidamente diante de denúncias, que podem ser feitas por qualquer usuário, por meio do botão “denunciar” presente em todos os anúncios, ou por empresas que integram o programa de proteção à propriedade intelectual da plataforma. Ressalta ainda que, apesar de não ser responsável pelo conteúdo gerado por terceiros, conforme prevê o Marco Civil da Internet e a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para plataformas de intermediação, investe e atua no à venda de produtos proibidos, a fim de garantir o cumprimento das suas políticas e da legislação, auxiliar as autoridades na investigação de irregularidades e para oferecer a melhor experiência aos usuários. Nota da Shopee: A Shopee tem o compromisso de proporcionar a todos os nossos usuários uma experiência de compra segura, confiável e divertida. Cumprimos as regulamentações locais em todos os mercados onde operamos, e exigimos que nossos vendedores cumpram tanto as regulamentações locais quanto nossas próprias políticas. O marketplace também incorpora várias medidas para identificar violações de listagens que estão sujeitas à remoção imediata. Gostaríamos também de encorajar os usuários a procurarem a Shopee caso encontrem algum anúncio infrator em nossa plataforma. Eles podem facilmente nos contatar por meio de nosso aplicativo clicando no botão de menu no canto superior direito de qualquer anúncio de produto e clicar na opção "Reportar este produto". VÍDEOS: Tudo sobre São Paulo e região metropolitana Veja Mais

Como o TikTok está apresentando a demência

Glogo - Ciência Há bilhões de visualizações que levantam uma questão ética sobre como os idosos são expostos nesses vídeos Há duas semanas, me deparei com uma reportagem perturbadora da revista “MIT Technology Review”, sobre como idosos com demência vêm sendo filmados, e expostos, no aplicativo TikTok, que compartilha vídeos curtos e tem grande audiência entre os mais jovens. Há material útil de cuidadores que tentam divulgar informações para quem está em posição semelhante. Um desses vídeos dá dicas sobre comunicação – por exemplo, como não se deve falar (ou gritar) de longe para oferecer um lanche. Em vez disso, o correto é se aproximar do portador de demência e dar duas opções para ele escolher, sempre num tom de voz acolhedor. No entanto, abundam cenas embaraçosas, como a de um idoso que se atrapalha para tirar o suéter e tem dificuldades para se levantar. Em outras, a pessoa dança sem consciência de estar sendo filmada, o que provoca pena e constrangimento. Em português, há inúmeras postagens, pretensamente cômicas, nas quais o bordão “abstrai e finge demência!” funciona como uma espécie de saída para escapar de situações desagradáveis, ignorando a dor que é viver e conviver com a doença. Lynn, paciente portadora de demência cujo cotidiano a filha documenta em redes sociais Reprodução No Brasil, cerca de um milhão apresentam alguma forma de demência, sendo que a mais comum é a Doença de Alzheimer. No mundo, a Organização Mundial da Saúde estima que sejam 50 milhões, com previsão de que o número triplique até 2050. O estigma acompanha não somente os pacientes e suas famílias, ele também contamina a forma como essas pessoas são retratadas em todas as mídias. Com 2 bilhões de visualizações da hashtag #Dementia, o TikTok não parece estar ajudando a diminuir o problema, ao reforçar os estereótipos e preconceitos que envolvem a enfermidade. Há uma questão ética que envolve o compartilhamento dos vídeos de adultos que não estão cientes da forma como são retratados. Pense: você gostaria de estar em tal situação? Do ponto de vista legal, existe a figura do responsável pela pessoa com demência, mas será que esse papel lhe dá o direito de expor o indivíduo que já não tem condições de responder por seus atos? Os limites entre flagrantes tocantes, como o do pai que sussurra “eu te amo” para a filha que saracoteia ao lado dele, e de humilhação pública parecem cada vez mais frágeis. Jacquelyn Revere está na casa dos 20 anos e deixou suas ambições profissionais para trás em Nova York para ficar com a mãe, Lynn, na Califórnia. Ao relembrar sua jornada como cuidadora, contou que os grupos de apoio dos quais tentou participar eram formados por gente muito mais velha, e por isso não conseguiu se adaptar a eles. Preferiu compartilhar suas experiências em redes sociais e, hoje, com quase 57 mil seguidores no Instagram e meio milhão no TikTok, serve de modelo para outros cuidadores na sua faixa etária, mas se arrepende de algumas postagens. Numa delas, a mãe, completamente desorientada, segura uma embalagem de enxaguante bucal, que estava bebendo como se fosse refrigerante. A imagem tem uma carga dramática que a jovem, em retrospectiva, diz que não liberaria nos dias de hoje. A polêmica só está começando. Veja Mais